Crossing Condotti

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Muito próximo de uma das zonas mais mediáticas de Roma, a Praça de Espanha, o Crossing Condotti personifica um novo conceito do luxo.

Uma casa que faz com que nos sintamos em paz no nosso apartamento, mas com  todas as comodidades de um hotel de luxo, primando pela privacidade e o conforto!

A 50m da Praça de Espanha, a minutos a pé das maiores atrações de Roma e rodeado de lojas de luxo, o Crossing Condotti foi a localização perfeita para mais uma visita à Cidade Eterna!

Já não íamos a Roma desde 2011, e admito que já estava a morrer de saudades, quem acompanha o blog sabe da minha predileção por história, e que melhor local do mundo do que Roma para vivermos de perto a história?!

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Assim, desta vez escolhemos o hotel Crossing Condotti, uma antiga casa na Via dei Condotti, recentemente restaurada e transformada em hotel que, como já referi, nos transporta para um conceito de casa de família, com muitas das funcionalidades existentes num verdadeiro hotel cinco estrelas.

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Primeira Impressão
Digamos que a localização do hotel me apaixonou de imediato! O Crossing Condotti fica numa transversal à Via dei Condotti que se situa mesmo em frente à Scalinata di Trinità dei Monti, mais conhecida por Escadaria de Espanha.

Chegamos, tocamos à campainha e de imediato nos abriram a porta, o edifício, constituído por rés-do-chão, primeiro e segundo andar (sem elevador), é um edifício histórico e mantém esse mesmo charme, apesar de recuperado e restaurado no interior.

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Um simpático funcionário ajudou-nos com as malas e acompanhou-nos até à receção, ou melhor dizendo, sala de estar! Um ambiente que tinha tanto de elegante como de aconchegante com mobiliário antigo e cores sóbrias.

Ofereceu-nos água, chá ou café e tratou do nosso check in, sem formalismos, sem pressas, sem pretensiosismos e por fim acompanhou-nos ao nosso quarto, que ficava nesse mesmo piso, nesse momento deu-nos não só a chave do nosso quarto mas também a chave de casa o que nos fez automaticamente sentir donos deste pequeno pedaço de Roma!

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Umas horas mais tarde e após o merecido descanso conhecemos outro funcionário que é como quem diz, o proprietário (são apenas dois, sendo que a receção só funciona das 8h30 às 18h30),  David, que partilhava da mesma simpatia do colega mas que tinha mais uma qualidade fabulosa, falava português, apesar de ser italiano.

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Quartos
O hotel possui nove quartos, dos quais cinco são Superior, um Deluxe, uma Junior Suite, uma Master Room e uma Penthouse Suite. Ficamos num Superior, no quarto de nome Carroze.

Uma decoração sóbria com tetos de madeira originais, mobiliário antigo e quadros dos antigos proprietários da casa. Uma combinação elegante de elementos do passado num ambiente contemporâneo.

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A cama, enorme, era do mais confortável, e os tons neutros das cortinas e das paredes conferiam ao quarto uma elegância sem igual. Na casa de banho os produtos L´occitane preenchiam o ar de um aroma suave e agradável.

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No quarto esperavam-nos chá, café, água, biscoitos. Inclusivamente, as restantes tipologias dos quartos possuem kitchenette com ainda mais opções de bebidas e alimentos, além de frigorífico, máquina de café, e todas as comodidades de uma autêntica casa. Por sua vez, e porque nada é deixado ao acaso, a Junior Suite, a Master Room e a Penthouse possuem banho turco com música e cromoterapia, capazes de garantir o mais perfeito momento de relaxamento.

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Restaurantes
Como já deu para perceber, o hotel, sendo um conceito diferente, não possui serviço de restauração, no entanto, garante uma escolha bastante completa de seleção de alimentos e bebidas aos seus hóspedes. Assim, na cozinha, à disposição (24h/dia) para todos os quartos podem encontrar-se biscoitos, doces, queijos (muito bons!), água, sumos, leite, cerveja, café e chá.

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Além de que, o David garantiu a reserva dos nossos restaurantes e tratou de tudo sem termos que nos preocupar.

Como vos tenho vindo a dizer, o Crossing Condotti é a nossa casa mas com direito a Concierge!

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Serviços
Os serviços são em tudo semelhantes a um hotel cinco estrelas, basta solicitarmos na receção.
Seja a reserva de um restaurante, a necessidade de transporte de e para o aeroporto, visitas guiadas à cidade ou museus específicos, babysitter, lavandaria, cabeleireiro, marcação de spa, entre muitas outras opções que variam de hóspede para hóspede.

Tudo o que for necessário para fazer da nossa estadia memorável, o Crossing Condotti garante!

Uma das coisas que mais interesse me suscitou foi a organização de pequenos convívios que o hotel faz e que decorrem na Penthouse em que os hóspedes são convidados a saborear os divinais queijos italianos e a degustar vinhos de produção orgânica da região de Montefalco da casa Antonelli.

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Esta iniciativa, apesar de já se ter realizado, está ainda em fase de experiência mas será certamente mais uma forma de fazer com que os hóspedes se sintam em sua casa ou em casa de familiares ou amigos.

Tivemos oportunidade de provar um dos vinhos, o MonteFalco Rosso de 2013, um vinho de aroma intenso e repleto de frutos do bosque, que marcou na boca por se apresentar seco, com boa estrutura e equilibrado. Aprovadíssimo!

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Atendimento
O Crossing Condotti não é um hotel de luxo, é sim o luxo encarnado num ambiente de privacidade e de casa de família, em que desde que entramos nos sentimos em nossa casa, com a nossa família e os nossos amigos.

Temos o à vontade para ir à cozinha buscar algo para beber, para sentar no sofá da sala e falar com os funcionários sobre Roma, ou simplesmente sobre a vida. Beber um vinho, conversar e apreciar todos os momentos passados no conforto do nosso espaço. Porque o Crossing Condotti é isso mesmo, o nosso espaço, a nossa casa na cidade de Roma!

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Poderia falar sobre a simpatia do David, dos sorrisos genuínos e da preocupação constante com o nosso bem-estar, mas se durante todo o texto vos disse que me senti na minha casa, saberão que fui excecionalmente bem tratada!

Por vezes cansamo-nos das formalidades constantes das grandes cadeias hoteleiras de luxo, dos pretensiosismos associados, e a única coisa que queremos é o mimo do nosso espaço, e é precisamente isso que encontramos aqui, mas com uma benesse, o luxo e o conforto são uma constante.

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Se tivesse que definir o Crossing Condotti diria que este é um Luxo Intimista!

Crossing Condotti
Quartos a partir de 245€
Via Mario de’ Fiori, 28 – Roma
+39 06 69 29 54 69
info@crossingcondotti.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Crossing Condotti a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Grand Palazzo della Fonte

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Quando chegamos a um hotel com mais de um século de existência a sua história capta a nossa atenção de imediato, principalmente quando sabemos que nomes como Vittorio Emanuelle III e Pablo Picasso já fizeram parte da lista de hóspedes. Falo-vos do Grand Palazzo della Fonte em Fiuggi.

A famosa terra italiana das termas, cuja água tem a fama de já ter tratado maleitas a Michelangelo, alberga um sumptuoso e elegante hotel, com um século de histórias para contar e com um charme muito peculiar que nos transporta rapidamente para os cenários de Wes Anderson.

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Aquando da sua abertura, em 1913, pretendia ser o mais elegante e moderno hotel do seu tempo, sendo inclusive o primeiro a possuir uma piscina privada em toda a Europa. Como é óbvio, depressa se tornou no ponto de encontro das personalidades mais importantes da época e da alta sociedade europeia.

Sobreviveu a duas Guerras Mundiais, e hoje mantém ainda muito do encanto e a magnificência dos charmosíssimos anos 20!

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Primeira Impressão
A chegada ao Grand Palazzo della Fonte dá-nos a sensação de estarmos a protagonizar um filme com a elegância e grandeza doutra época, talvez um pouco em jeito de Great Gatsby!
Mal entramos no complexo do hotel ele surge-nos na sua altivez em forma de palácio. Um edifício enorme, branco, em estilo Art Nouveau.

Entramos e o charme da decoração tomou conta de nós e transportou-nos até à beleza da Belle Époque, com riqueza em cada detalhe, destacam-se de imediato a madeira brilhante do mobiliário, os candeeiros, e a elegância dos funcionários.

Após o check in fomos encaminhados ao nosso quarto por um simpático funcionário que parecia saído diretamente do elenco do filme Grand Hotel Budapest!

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Quartos
Contam-se 153, dos quais 145 são quartos, 7 suites e uma royal suite, mantendo todos uma decoração inspirada nas casas de campo inglesas. O contacto com a natureza é constante, seja nos motivos florais das paredes, camas ou cortinas, seja nas vistas que entram pelas janelas altas.

Ficamos num quarto em que apesar das dimensões bastantes generosas conseguiu transmitir aconchego. Por sua vez, a casa de banho tinha um aspeto luxuoso dado pela predominância do mármore, mas um pouco datado.

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Fomos, também, presenteados com uns saborosos biscoitos de boas vindas.

A única falha? Talvez a ausência de roupão. É que eu não sobrevivo sem aqueles roupões enormes e “fofinhos”! No entanto, após um pedido feito para a receção, rapidamente chegou até mim um roupão cheio de conforto para dar!

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Restaurantes
O hotel conta com 4 opções, o Il Portico e Il Portico Bar,o  Fonte Bar, o La Terrazza,  e o Savoia.
O primeiro é o restaurante e bar que fica junto à piscina exterior e que serve diferentes refeições/snacks ao longo do dia. Está aberto somente de Maio a Setembro, assim como a piscina.

gpf-16Fonte Bar

Quanto ao Fonte Bar é um dos espaços mais elegantes e boémios do Grand Palazzo della Fonte. Apreciar um cocktail ao balcão num ambiente de festa dos anos 20 é um momento imperdível.

O La Terrazza, por sua vezé o restaurante de Verão mais informal e onde se servem pratos mais leves.

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Por fim, o Savoia é o restaurante principal do hotel. Um salão enorme com requinte em cada detalhe que serve a cozinha tradicional italiana, que não deixa ninguém indiferente. Aqui tivemos oportunidade de degustar um almoço que nos surpreendeu e conquistou, especialmente depois do pequeno almoço (serviço noutro lindissímo pavilhão do Hotel) ter ficado um pouco aquém do que se esperava.

gpf-33 Começamos por uma excelente Bresaola com creme de castanhas (produzidas no Hotel), um delicioso prato de Polvos bebés com polenta, passando depois para um risotto com trufa preta e raviolis com cogumelos Porcini.

gpf-30 gpf-34Mil Folhas de Baunilha e dióspiro 

Apesar da apresentação dos pratos estar também ela um pouco datada, esta segue a imagem palaciana da sala de jantar. Por sua vez, o sabor e a técnica de cocção foram irrepreensíveis.

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Serviços
O Grand Palazzo é o hotel ideal para eventos pessoais ou profissionais, com uma capacidade total de 11 salas/salões oferece todas as funcionalidades necessárias, quer para a celebração de uma data especial, quer para eventos de teambuilding, quer para conferências, congressos ou eventos de entretenimento.

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Não é um hotel com ambiente de business hotel mas serve perfeitamente o efeito, mas com muito mais charme, ou não fossem alguns dos salões verdadeiras obras de arte com frescos espalhados pelo teto e paredes. Já para não falar da imensa região de parque natural que permite diferentes atividades ao ar livre, assim como o acesso a um campo de golfe, e dois de ténis.

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Mas o ex libris do hotel e uma das maiores razões pelas quais chegam hóspedes de todo o mundo é o seu spa, o Luxury Fonte Spa.

Fiuggi é conhecida pelas suas águas termais que já ajudaram uma infinidade de pessoas ao longo dos séculos, e o Grand Palazzo della Fonte conseguiu trazer o melhor de dois mundos, o luxo e os benefícios destas águas.
Assim, o Luxury Fonte Spa é constituído por duas piscinas, uma exterior e uma interior aquecida, jacuzzi, sauna, banho turco, 10 salas de tratamentos e sala de relaxamento. Os tratamentos são assinados pela famosa marca Carita-Paris.

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No complexo do spa existe também um ginásio e água/chá e fruta à disposição dos clientes.

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Atendimento
Como referi no início deste artigo o que mais me fascinou neste membro dos Leading Hotels of the World foi mesmo o ambiente de Belle Époque, a loucura dos anos 20 está presente em cada recanto do hotel, e ao longo da nossa estadia sentimo-nos constantemente parte do elenco do Grand Hotel de Budapest!

No entanto, e talvez pela data em que fomos (novembro – época baixa) deu-me a sensação de haver pouco staff, principalmente no complexo do spa, que se encontrava repleto de hóspedes mas com apenas uma funcionária na receção (além das terapeutas). Simpatiquíssima, devo dizer, assim como todos os restantes funcionário, mas num hotel tão grande a equipa tem que ser igualmente extensa.

Tirando este pormenor, a equipa que nos acompanhou foi atenciosa, atenta e com sorrisos genuínos durante toda a estadia.

gpf-19Vistas do Hotel sobre a cidade antiga de Fiuggi

Um agradecimento muito especial ao Daniel Barr, um dos mais simpáticos e prestáveis directores de hotel que já conhecemos, que nos guiou e mostrou a história daquele que foi um dos mais importantes hotéis da Itália!

Quanto ao Hotel, é o melhor destino para quem quiser visitar aquela região do País!

Espero ainda que um dia haja um “pequeno” investimento que restitua toda a glória do passado deste Grand Palazzo!

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Grand Hotel Palazzo della Fonte 
Quartos a partir de 180€
Via dei Villini, 7 – Fiuggi
+39 07 75 50 81
information@palazzodellafonte.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Grand Hotel Palazzo della Fonte a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Pompeia

pompeiaRuínas de Pompeia com o Vesúvio ao fundo

Situada muito próximo de Nápoles, Pompeia, foi em tempos uma verdadeira e importante cidade do Império Romano, que à semelhança de outras cidades italianas,  certamente se manteria com um cunho histórico bastante preservado, não fosse a devastação total, no ano de 79, fruto da ira imparável do Vesúvio.

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Hoje tem sim o peso marcado da história mas principalmente do terror que assombrou toda a cidade e a transformou num cenário de morte eterna!

Se estiverem a viajar de carro pelo país podem tirar um dia para passar em Pompeia, se não estiverem com veículo próprio, o mais lógico será apanhar o comboio da cidade onde estão até Nápoles utilizando como destino Napoli Centrale, e uma vez nessa estação apanhar a linha regional EAV que é a antiga linha Circumvesuviana, que se situa na estação anexa à estação central, a Napoli Garibaldi. Após cerca de 40 minutos deverão sair no destino Pompei Scavi Via dei Misteri, chegando assim a Pompeia.

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Nós visitamos Pompeia na nossa última viagem a Itália, vínhamos da Costa de Amalfi (ver) e antes de seguir para Roma, decidimos fazer uma breve paragem em Pompeia, chegamos bem cedo, a ideia era passar o dia a visitar todo o complexo das escavações de Pompeia (a antiga cidade romana destruída pelo vulcão) e depois seguir novamente viagem de carro.

O caminho até Pompeia é tumultuoso, com o trânsito presente em todo o lado, como já é habitual em Itália! Incrível verificar que não há absolutamente nenhum carro ao longo das ruas que não esteja com estragos, o que só evidencia ainda mais a boa condução dos italianos do sul!

Mas, trânsito à parte, lá chegamos a Pompeia. Estacionamos mesmo em frente ao complexo das escavações, num dos imensos parques de estacionamento, pagamos 10€ (dia inteiro), mas depois apercebemo-nos que havia alguns a 5€.

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Seguimos para a cidade antiga, cuja entrada ficou por 13€ a cada um para visitar todo o complexo. Logo na entrada têm acesso a um mapa que vão querer levar convosco, pois o complexo é grande e tem diferentes locais, assim vão orientar-se mais facilmente.

Pompeia, atualmente Património Mundial da Unesco, manteve-se oculta, e preservada pelas cinzas e lama, durante cerca de 1600anos após a erupção do vesúvio em 79. Foi redescoberta, por acaso, em 1748 e é atualmente uma visão quase macabra do que foi em tempos.

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Embora a cidade tenha a sua origem nos séculos VI ou VII a.C., as escavações mostram o que ela seria no século I d.C., mostram a vida dos seus cidadãos, as suas construções, as suas casas, e aquando da descoberta destes achados arqueológicos foi possível imaginar todo o terror sentido durante a ira da erupção vulcânica, tal era a preservação dos corpos em fuga, abraçados, com expressões de horror…

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Por isso, apesar de todo o valor histórico, há também quase a descrição de uma morte imortal da cidade de Pompeia.

Para quem adora história (como eu) Pompeia é um dos locais imperdíveis em Itália, para quem não se identifica com esta vertente não aconselho a ir, mais que não seja para depois não lançar a habitual barbaridade: “aquilo era um monte de pedras!”.

pompeia-12os antepassados romanos de um restaurante e street food

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Ao longo de todo o complexo conseguem identificar perfeitamente a forma de viver dos habitantes de Pompeia, os seus ofícios, as suas casas desde as mais luxuosas às mais humildes, os seus locais de lazer, os seus locais de culto, todas as “avenidas”, os caminhos e ruelas. É incrível a preservação de toda a cidade.

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pompeia-22A arte mais moderna a ser bem integrada nas ruínas de Pompeia

Conseguimos fechar os olhos a cada instante e imaginar uma verdadeira viagem ao passado, principalmente junto à arena, onde com um simples estalar de dedos nos transportamos de imediato para uma batalha de gladiadores onde o Spartacus e o Crixus poderiam perfeitamente ser os protagonistas!

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pompeia-17O coliseu de Pompeia

Pompeia é indubitavelmente uma cidade eterna e imortal!

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Sorrento – Il Buco *

Ilbuco-16 Localizado na cave de um antigo mosteiro e sobre uma das principais portas da cidade de Sorrento, nasceu em 1997 o Il Buco, considerado por muitos o melhor restaurante da cidade, conquistou em 2003 a sua 1ª estrela Michelin que mantêm com convicção até aos dias de hoje.

Giuseppe Aversa – Peppe para os amigos – focou toda a sua cozinha no território em que se insere, reinventando e modernizando a cozinha tradicional, usando para isso os mais frescos produtos do mar que tem à sua porta, assim como as pastas e os legumes do interior da Campania.

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O Restaurante está dividido em várias pequenas salas (entre elas uma magnífica esplanada sobre as arcadas do mosteiro), de decoração bem ao estilo da região, combinando o branco com tons vivos onde sobressai o rosa em contraste com a rusticidade da pedra.

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Já bem instalados na mais romântica e privada mesa da sala principal, somos brindados com as boas vindas do chef, uma Polenta frita com molho de tomate, anchova marinada, ricota e molho de manjericão. Um bom presságio para o que se seguiria, numa excelente combinação de sabores e texturas elevadas pelo kick da anchova.

IlbucoPolenta frita com molho de tomate, anchova marinada, ricota e molho de manjericão

Seguiu-se uma enorme variedade de pães feitos na casa, onde se destacava um pão de queijo e salame típico de Nápoles e a Focaccia de Cebola (deliciosa). Nota alta também para o azeite que os acompanhava.

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No copo, brindamos com um Espumante Rosé produzido segundo o método clássico na Campania, o DU BL do Feudi di San Gregorio, 100% Aglianico, que se revelou uma agradável e interessante surpresa, dada a sua elegância e qualidade aromática.Ilbuco-5Lula, Atum, Gamba  e Pargo Vermelho
E começamos com o clássico Crudo italiano, que me trouxe boas memórias de outras regiões piscatórias do País. Atum bebé com cebola e teriyaki, lula com sal negro e maracujá, ambas com laranja e finas fatias de pargo vermelho elevadas por molhos de aperol, beterraba e maracujá. Destaque para a doçura e textura da gamba, assim como o equilíbrio e as notas dadas pelos molhos na conjugação de sabores. Excelente matéria prima!

Ilbuco-6Salmonete, escarola, feijão, espelta e lentilhas 
Peixe repleto de sabor a mar conjugado com sabores bem terrestres. Excelente a combinação de  texturas e o contraste de sabores elevados pelas notas ácidas da azeitona verde e do lado doce do tomate seco. Muito bom!

Ilbuco-7Risotto com burrata, camarão e marmelada de maçã
Nesta região não se segue a máxima italiana de não misturar queijo com peixe e marisco (que eu tendo a apreciar), mas aqui o resultado foi bem diferente de outro que havia provado anteriormente. Excelente risotto, com o arroz bem al dente e cheio de cremosidade, com a medida certa de burrata para não se sobrepor à doçura e suavidade do camarão, intensificada pelo molho feito com as cabeças. A maçã intensifica as notas doces do prato.

Para acompanhar serviu-se um Marisa Cuomo Ravello 2015, um branco produzido nas encostas de Ravello, onde se destaca a frescura e acidez  quer na boca quer no aroma.

Ilbuco-10Linguine com Rascasso, flor de curgete , butarga de atum
Peixe em pequenos pedaços cozinhados no ponto, molho envolvente fresco e sedoso com notas elegantes do limão, do tomate e da flor de curgete. Um prato simples e saboroso, elevado pela excelente butarga que lhe serve de tempero e intensificador de sabor.

Ilbuco-11Bonito, Creme de butarga e batata vitelote, curgete, pastel de batata e brócolos, puré de couve flor 
Peixe delicado e cozinhado no ponto, bem acompanhado pelo puré de couve flor e o molho de butarga. Interessante ainda o contraste de texturas com a flor de curgete crocante e o pastel de batata, mas faltou-lhe algo que elevasse o prato a outros voos.

A harmonizar esteve outro branco de 2015, um Fiano di Avellino de Ciropicariello, um branco de aromas expressivos, com flores, frutos secos e algum mel e rosmaninho, revelando na boca uma boa frescura e notas de citrinos e frutas brancas com um bom final. Uma excelente companhia para o Peixe.

Como pré sobremesa – e sem deixar grande memória ou saudade – surgiu um biscoito recheado com ricotta e pistácio com coulis de frutos vermelhos.

Ilbuco-14Babá ao Rum, Chocolate branco, laranja
Uma versão da clássica sobremesa napolitana, com o rum a marcar uma presença bem forte e vincada, equilibrada pela doçura da mousse de chocolate.

Ilbuco-13Tartelete de morangos silvestres, creme inglês, merengue e gelado de limoncello
Excelente sobremesa com todos os sabores a conjugarem-se muito bem, incluindo o lado alcoólico do gelado. Nota menos positiva apenas para a base da tarte que poderia ser mais fina e elegante.

O serviço de sala foi um dos mais interessantes e eficientes que encontramos nesta viagem a Itália, atento aos detalhes, conhecedor dos pratos e com a experiência de saber quando podem conversar e exprimir-se e quando devem deixar o cliente no seu “espaço e ambiente”.

Ilbuco-9Chateaubriand a ser preparado na mesa

Considerações Finais
A personalidade do chef, que pude perceber depois de uma curta mas interessante conversa, transparece na sua cozinha. Peppe Aversa é um apaixonado pelo produto, pelas suas raízes e por viajar e aprender sobre técnicas e sabores de outras culturas (ainda falamos um pouco sobre o nosso Bacalhau!). Isso reflete-se nos pratos, nas suas combinações e na predominância dos sabores marítimos, ou não estivesse o Il Buco a escassos metros do mar. É um dos melhores restaurantes da região, com uma estrela bem merecida, de onde se sai com satisfação e felicidade sem que ninguém se sinta roubado (algo comum nos preços praticados na costa de Amalfi e Sorrento).

É um espaço obrigatório para quem visita a cidade e a região.

Il Buco Ristorante
Menus a partir de 75€
2ª rampa Marina Piccola –  Piazza S.Antonino – Sorrento
+39 081 87 82 354
info@ilbucoristorante.it

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Dia dos Namorados – 12 Restaurantes imperdíveis no PORTO e arredores

É já uma tradição todos os anos fazermos uma sugestão de restaurantes para esta data, cada vez mais importante no calendário da Hotelaria e Restauração, que é o São Valentim.

Como sabem, muitos restaurantes aproveitam para criar bonitos menus, na maior parte das vezes mais caros e nem sempre tão interessantes quanto o menu habitual, mas isso agora não interessa nada!

É dia de celebração e toda a gente vai jantar fora, assim, e para ajudar alguns românticos indecisos sobre o melhor sítio para levarem a sua amada, escolhemos alguns restaurantes do Porto e da região, com base na sua oferta gastronómica, ambiente e experiência e divididos em várias categorias, de forma a ir ao encontro de todos os gostos e bolsas!

TRADICIONAL

Mário Luso, Carvalhos – Gaia

marioluso Mário Luso

No caso do Mário Luso, provavelmente um dos mais antigos restaurantes ainda no activo na região, onde a tradição ainda é o que era, ingredientes de alta qualidade cozinhados por mãos precisas e uma sala de serviço clássico e cuidado.

marioluso2 Arroz de Robalo

Mais informações, Mário Luso

Cozinha da Terra, Louredo – Paredes

cozinha da terraCozinha da Terra*

A cozinha tradicional e familiar juntamente com o ambiente revivalista criado por Teresa Ruão são o mote perfeito para uma refeição calma e romântica ao bom estilo do Norte do País. São as paredes de Granito, o calor da Lareira e as receitas mais tradicionais do Minho que não deixam ninguém indiferente.

Têm ainda a possibilidade de ficar a dormir no espaço.

cozinha da terra2Bacalhau Lascado em Pão*

Mais informações, Cozinha da Terra

COSMOPOLITA

Romando Privé, Vila do Conde

romandoRomando Privé*

Nasceu em 2015, fruto da junção da experiência do Romando e do Sushi Café com um club noturno, criando assim um ambiente único no Norte do País que nos transporta facilmente para qualquer capital mundial. Um espaço de glamour em que a comida não é posta de lado em detrimento do ambiente de festa. Os cocktails e o Sushi são os pontos fortes e o grande elemento diferenciado do espaço.

romando2Sushi*

Para mais informações, Romando Privé

Cafeína, Foz do Douro

cafCafeína

O nome Cafeína dispensa apresentações, sendo presença assídua em todos os rankings da cidade nos últimos 20 anos, tendo já vencido os prémios Flavors & Senses nesta mesma categoria “Restaurante Trendy”. A cozinha de inspiração na Bistronomie aliada à atmosfera única da sala são motivos mais do que suficientes para uma noite muito bem passada a dois.

cafeinaCoulibiac de Salmão

Mais informações, Cafeína

Tenra, Centro do Porto

tenraTenra*

Foi uma das grandes aberturas da Baixa do Porto em 2016, um restaurante dedicado às carnes mais nobres, com assinatura do chef Pedro Braga. O Bar que serve de peça central à sala transporta-nos rapidamente para um ambiente cool e cosmopolita, que aliados à modernidade e técnica apresentada nos pratos trazem ao Porto uma atmosfera cada vez mais internacional.

tenra2Tártaro de Wagyu

Mais informações, Tenra

INFORMAL

Shiko – Tasca Japonesa, Centro do Porto

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O Shiko foi um dos grandes vencedores dos prémios Flavors & Senses em 2016. Um projecto de identidade bem vincada a que ninguém tem ficado indiferente. Dos Sabores clássicos da cozinha Japonesa às combinações mais inusitadas criadas pelas mãos afinadas de Ruy Leão! Este ano o Shiko tem um menu especial para o dia dos namorados em jeito de Omakase entre clássicos e novidades da carta.(Ler Mais)

shikotj-3Mexilhões e Caril Japonês

Mais informações, Shiko – Tasca Japonesa

Esquina do Avesso, Leça da Palmeira

esquinadoavesso - 1Esquina do Avesso

Não sendo um espaço novo, foi em 2016 que o restaurante recebeu um refresh e que a assinatura do jovem chef Nuno Castro mais se começou a evidenciar. É um espaço informal, jovem e cool, onde o conceito passa por partilhar os pratos em jeito de petisco, mas desenganem-se os mais incautos, aqui os petiscos não são propriamente o que a tradição portuguesa escreveu na memória, mas sim combinações de autor, com bons ingredientes e excelente apresentação.

Eavesso-6Mousse de manteiga de amendoim

Mais informações, Esquina do Avesso

FINE DINING

Pedro Lemos, Foz do Douro

pedrolemos- 2Pedro Lemos

Pedro Lemos é mais do que um nome próprio, é um nome incontornável da cozinha feita em Portugal. A mestria com que domina os ingredientes e lhes retira o máximo de sabor com a máxima sensibilidade e simplicidade, fazem com que cada refeição se torne única. Certamente neste Dia dos Namorados não faltará um menu repleto dos melhores ingredientes do mercado e uma grande selecção de vinhos. (Ler Mais)

vesuviopl-6Vaca, aipo e cantarelos

Mais informações, Pedro Lemos

Antiqvvm, Porto

antiqvvmAntiqvvm*

Foi a grande novidade do final de 2016 ao conseguir a sua 1ª estrela Michelin em pouco mais de um ano após a sua abertura. A assinatura de Vítor Matos, um chef com veia de artista, garante a qualidade e a capacidade de surpreender os comensais com combinações menos previsíveis. A vista deslumbrante dos seus jardins e a decoração do espaço fazem do Antiqvvm um ótimo local para o romance!

antiqvvmA Horta de Vítor Matos

Mais informações, Antiqvvm

Boa Nova, Leça da Palmeira

rui paula - 1Boa Nova

A Boa Nova é o restaurante de assinatura do célebre chef Rui Paula, e foi também um dos novos premiados no último guia Michelin. Um edifício emblemático (assinado por Siza Vieira), uma vista deslumbrante e uma cozinha de autor irrepreensível, são o mote perfeito para um jantar de sonho inesquecível.

ccbnWagyu, Amaranto e couve flor

Mais informações, Restaurante Boa Nova

O Paparico, Areosa – Porto

opaparicoO Paparico*

O Paparico é fruto de um sonho e de uma visão muito própria da restauração e em particular da cozinha portuguesa do seu proprietário, Sérgio Cambas. A sala transporta-nos para uma casa antiga e rural do Norte de Portugal, num ambiente privado e acolhedor em que o serviço de sala se assegura de que nenhum detalhe é deixado ao acaso (venceram em 2016 o prémio de Melhor Serviço de Sala nos prémios Flavors & Senses).(Ler Mais)

 opaparico2016-6 Feijoada de Carabineiro

Mais informações, O Paparico

FerrugemFamalicão

ferrugem2016-13Ferrugem

O Ferrugem é um marco da gastronomia nacional, muito por culpa da “ingrata” missão a que se propôs – levar a cozinha criativa a bom porto e a um preço justo numa zona do interior de uma região tão tradicional como o Minho. Para o dia dos Namorados, o chef Renato Cunha irá preparar um menu exclusivo em harmonização com alguns grandes vinhos nacionais. (Ler Mais)

ferrugem2016-7Bacalhau com todos

Para mais informações, Ferrugem

Fotos: Flavors & Senses com a excepção das assinaladas com (*) pertencentes ao respectivo restaurante.

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Don Alfonso 1890 **

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Existem destinos e viagens com as quais sonhamos toda a vida e felizmente existem aqueles que vamos tornando realidade.

Amalfi era um desses sonhos, não só pelo ambiente luxuoso de cidades como Ravello e Positano, pelo cenário único desenhado pela natureza ou pela famosa estrada esculpida pelos homens. Para mim, era um sonho também pela sua comida, pelas tradições enraizadas do sul da Itália e muito em particular por um nome, o Don Alfonso 1890.

Como o próprio nome indica, falar do Don Alfonso é falar de uma história de família, de tradição e acima de tudo de uma enorme paixão. O restaurante está hoje entregue à 3ª e 4ª geração de uma família única, que soube desenvolver o seu projecto como muito poucos.

Muito antes de surgirem restaurantes como o Noma ou o The Blue Hill at Stone Barns, em que a quinta, a cozinha orgânica e sustentável ou o terroir, ganharam expressão máxima,  Alfonso e Livia Iaccarino acharam que esse seria o seu caminho quando em 1973 tomaram por completo as rédeas do restaurante, Alfonso na cozinha e Livia com todo o seu charme na sala.

Volvidos quase 50 anos têm ao seu lado Ernesto e Mario, os filhos que lhes seguiram as pisadas e continuam a desenvolver o trabalho dos pais com a mesma paixão com que eles próprios foram criados. O restaurante cresceu, ganhou duas estrelas no famoso guia michelin, e juntou-se um pequeno e luxuoso hotel com chancela da Relais & Chateaux, uma escola de cozinha e uma série de restaurantes de Macau a Marrakech passando por Roma e Dubai.

A esta altura perguntar-se-ão como se mantém a tal sustentabilidade e preocupação com a qualidade do produto – pois bem, a cerca de 30 minutos do restaurante, e num sítio onde poderiam ter edificado um hotel com uma das melhores vistas da costa, os Iaccarino criam a Le Peracciole, uma quinta de 8 hectares, instalada entre a o golfo de Nápoles e o golfo de Sorrento com vista directa para Capri, onde plantam os legumes, uma larga quantidade de espécies de tomate, oliveiras e galinhas que lhes dão os chamados “ovos felizes”.

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Mas deixemos esses e outros detalhes para um pouco mais tarde e prossigamos com a nossa experiência! Depois de uma longa condução desde a Toscana até à Costa de Amalfi, mais propriamente a Sant’Agata Sui Due Golfi, chegar ao restaurante  de tons brancos e apontamentos coloridos, ao bom estilo da região, foi como chegar ao Olimpo (se é que existe descrição para isso). Salas amplas e bem iluminadas, decoradas com bom gosto, com destaque para algumas peças centenárias que vão fazendo o deleite dos olhos enquanto somos acompanhados até à mesa.

cortonaCroquete de Batata, queijo, cenoura e molho de laranja

Já bem instalados, somos recebidos com um copo de Derbusco Cives Blanc de Blanc Doppio Erre, um espumante Franciacorta bem interessante, de tons amarelos e aromas amplos de fermento e fruta de polpa branca com nuances de baunilha. Na boca revelou-se seco e com a bolha elegante. A acompanhar, um delicioso croquete de batata, queijo e cenoura, refrescado por um leve molho de laranja.

Um início como deve ser!

donalfonsoLula, queijo ricotta, gel de vegetais e molho de pimento amarelo 
A primeira entrada traz-me à memória toda aquela história do cuidado com os produtos, os vegetais e em especial o pimento são de uma elegância e uma subtileza quase impossíveis de encontrar. Um prato simples, refinado e repleto de sabor, que reflete bem o almoço que se seguiria!

Segue-se o pão produzido na casa, com uma ótima selecção de pães, desde o branco, ao sourdough, azeitona e funcho e um azeite extra virgem  produzido na Le Peracciole que roça a perfeição.

donalfonso-2Gelado de enguia, caviar Oscietra, pasta de rosa e ervas
Uma entrada em que todo o lado criativo de Ernesto vem ao de cima. A pasta é infusionada com rosas que trazem alguma frescura a um conjunto salino de sabores a mar, com um brilhante gelado de enguia a transmitir tudo isso, mais ainda quando acompanhado do caviar. As notas de manjericão trazem-nos de volta a terra –  um conjunto em que estranhamente tudo funciona, das texturas aos sabores!

donalfonso-3Peito de Pato, canela, maça e redução de balsâmico
Se a apresentação do prato parecia um tanto ou quanto datada, os sabores  elevavam-se a outro nível, excelente o creme de maça em jeito de marmelada e a conjugação nada enjoativa do pato com a canela e a redução de balsâmico (daquele sério).

donalfonso-4Ovo, Burrata, feijão verde e trufa
Um prato inspirado no pequeno almoço de infância de  Ernesto, uma vez que as trufas eram guardadas no mesmo frigorífico que o leite e este adquiria os aromas únicos do fungo. Um prato brilhante, muito por culpa da qualidade da trufa apresentada, e a untuosidade e sabor criado pela conjugação da burrata em estado liquido e da gema a baixa temperatura. O luxo da simplicidade!

donalfonso-5Spaghetti, Cavala, pão ralado, pinhões, cebola caramelizada, molho de atum albacora e emulsão de manjericão
Pensar em massa e atum lembra-me os anos de juventude e faculdade, infelizmente os sabores na memória estão bem longe daquilo que este prato me proporcionou. Um dos melhores pratos de pasta que alguma vez provei, da qualidade e cocção da massa à conjugação dos molhos, sabores e texturas. Um prato que representa bem a cozinha do sul da Itália, com ingredientes aparentemente modestos que nos levam a outro patamar!

donalfonso-7 Capelli recheado com porco preto, molho amatriciana, parmigiano e trufa 
Outro grande prato, tecnicamente perfeito e munido de grandes ingredientes. A amatriciana de tomate amarelo deixa saudades, assim como a qualidade da trufa. De realçar também o interessante crocante de funcho, cuja textura e as notas de sabor acrescentam dimensão ao prato. Delicioso!

A harmonizar com estes pratos esteve o Contrada Marotta Greco di Tufo 2013 Villa Raiano um branco produzido na região, a nordeste de Nápoles. Um vinho complexo que conquista à primeira prova, aromas de pêssego, nêspera e toranja, com toques florais, revelando na boca uma mineralidade e uma acidez de grande nível. Foi uma excelente companhia para os primi platti.

donalfonso-8Lombo em crosta de pão, mozzarella, bochecha de porco, puré de tomate picante e creme mediterrâneo
A vitela utilizada é cuidadosamente selecionada de produtores na região de Benevento, também na Campania e isso nota-se na sua qualidade, um lombo com sabor, textura e suculência, envolto em queijo e bochecha de porco com uma capa fina e crocante de pão. Muito bem acompanhado e enriquecido pelos molhos que acompanhavam a carne.

No copo esteve outro vinho da Villa Raiano um Taurasi de 2012 , elegante no nariz, com fruta negra e notas de cacau e tabaco com a madeira bem integrada. Na boca a sua estrutura e potência revelou-se uma boa companhia para a carne.

donalfonso-9Petit fours

Entretanto surgem na mesa os petit fours, que em Itália tendem a surgir na mesa antes da pré e da sobremesa – destaque para o cannoli, os bombons de chocolate com laranja e as tarteletes, tudo ótimo.

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Para limpar o palato, nada como um eficiente gelado de limão de amalfi, crocante de pistácio e frutos vermelhos.

donalfonso-11Um Concerto de Limão – fragrâncias e sabores 
Uma sobremesa clássica do Don Alfonso que dá destaque a um dos ingredientes mais relevantes da região, o Limão. Frescura e doçura bem equilibrados, num jogo de texturas interessante, entre a massa choux, as frituras o creme e o caramelo crocante.

donalfonso-12Castanha e Romã
Uma sobremesa bem ao jeito do Outono (altura em que visitamos), com a conjugação da romã com a castanha. Nota alta para os sabores embora o creme de castanhas se revelasse denso em demasia para o “mil folhas”.

 Sobre os vinhos, a carta do Don Alfonso é uma das mais conceituadas de Itália, com mais de 25.ooo garrafas e 1.300 referências, guardadas numa cave histórica, que remonta a um túnel Etrusco, com muitos e muitos séculos de História.

 donalfonso-18 A cave

No final da refeição e depois de uma visita guiada à cozinha e à escola seguimos até à cave (algo que já faz parte da “experiência Don Alfonso”). Os vinhos estão distribuídos por vários andares e por fim em patamares de uma longa escadaria que termina no espaço onde curam e afinam os enchidos e os queijos produzidos pela equipa.

donalfonso-14Ernesto  Iaccarino na colorida e impressionante cozinha do restaurante

Quanto ao serviço, que infelizmente em Itália está normalmente muitos patamares abaixo da cozinha, aqui foi irrepreensível, demonstrando um bom jogo de técnica e movimentação, fluindo pela sala quase sem que se desse por eles, com conhecimento sobre os pratos e uma simpatia e sorrisos certeiros. Se falarmos sobre Livia e Mario, sobem ainda mais a fasquia espalhando o clássico charme italiano e paixão pelo seu trabalho em cada mesa por onde passam, deixando-nos ansiosos por provar o prato que nos estão a apresentar.

donalfonso-20 Mario Iaccarino

Considerações Finais 
Por vezes nem as estrelas Michelin ou os selos da JRE, da Le Soste, Relais & Chateaux ou Les Grandes Tables du Monde são suficientes para garantir uma marca de satisfação, é preciso estudar, ver, visitar, e acima de tudo provar para se entender um trabalho, ou neste caso uma Convicção, que Alfonso e Livia passaram como ninguém aos seus filhos.

A cozinha de Ernesto é profundamente marcada pela importância e qualidade do produto, é do mais sensível e refinado que se pode encontrar, o sabor de cada ingrediente é destacado sem máscaras, onde todo o rigor técnico é posto à prova para que cada elemento mostre o melhor de  si e isso nota-se a cada garfada.

A experiência no Don Alfonso 1890 é marcante a todos os níveis, desde o ambiente familiar para o qual somos transportados, à comida e ao ambiente. Dá vontade de ficar, de nos sentarmos a ouvir as histórias da família, aprender sobre os ingredientes e partilhar a refeição com pessoas únicas.

Até um regresso!

Don Alfonso 1890
Menus a partir de 140€
Corso Sant’Agata, 11/13 – Sant’Agata Sui Due Golfi
+39 081 878 00 26
info@donalfonso.com

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Bem Vindos ao Sul – Eis a Costa de Amalfi!

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Trânsito doentio, confusão sem igual, curvas e mais curvas, e uma imensidão de pessoas caracterizam a Costa de Amalfi!

À partida poderiam pensar que tudo isto é uma visão pouco positiva sobre aquele que é um dos destinos mais almejados de sempre, e no fundo até é. E porquê? Porque nem tudo é perfeito no paraíso!

Mas, a verdade é que até os seus defeitos contribuem para que a Costa de Amalfi seja isso mesmo, um paraíso!

A Costa de Amalfi sempre pertenceu ao meu top cinco da Europa, sempre tive um imenso desejo de a visitar, e assim, este Outono, em mais um regresso a Itália, decidimos incluir esta região em três dias da nossa viagem.

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Três dias chegam? Talvez não, se ficasse mais tempo teria visitado mais cidades ou vilas, mas foi o suficiente para absorver a verdadeira essência da Costa de Amalfi.

Esta região é, nada mais nada menos que, um trajeto de costa de cerca de 60km que se estende desde Sorrento a Salerno, constituído por vilarejos ou pequenas cidades históricas e cuja beleza natural e idílica lhe garantiu o título de Património Mundial da Humanidade em 1997.

Há vários locais a visitar, nós ficamo-nos por Positano, Amalfi e Ravello.

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Como chegar:
No nosso caso, vínhamos da charmosa Cortona (Toscana), e conduzimos até Sorrento (cerca de 4h30), onde fizemos uma breve paragem para um almoço memorável no Don Alfonso 1980, e depois conduzimos novamente (cerca de 1h) até que chegamos finalmente a Positano, ao belíssimo hotel Villa Franca (ver).

villafranca-33Positano

Ao conduzir até Sorrento pudemos ver algumas das regiões mais pobres do país, que nada faziam antever o luxo da costa. Por seu lado, Sorrento é mais uma espécie de estância balnear, já com uma infraestrutura de cidade grande, que combina o glamour clássico da Itália com um ambiente meio Algarvio de quem tem uma multidão para receber.

Por outro lado, também já se adivinhava alguma confusão no trânsito e na forma bem peculiar (que é como quem diz: bem psicopata!) de condução do povo italiano lá pelo sul – que é como quem diz: salve-se quem puder!

Mas lá chegamos sãos (não mentalmente – a condução dos italianos altera mesmo o meu sistema nervoso!) e salvos a Positano!

Caso não andem a visitar Itália de carro têm sempre a opção de chegar até à costa de transporte público. Por exemplo: se tiverem voado para Roma, podem apanhar o comboio até Nápoles (1h30 a 2h30) e depois procurar pela linha Circumvesuviana que vos levará até Sorrento (cerca de 1h), daí apanham um dos muitos autocarros que vos levarão até a Costa.

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Erros a não cometer:
Nos dias que se seguiram visitamos Positano, Amalfi e Ravello, e cometemos um erro gravíssimo que aconselho desde já a não cometerem, tentamos visitar Amalfi e Ravello de carro! Esqueçam!

Uma vez que ficamos em Positano pudemos visitá-lo a pé desde o nosso hotel. Quanto a Ravello e Amalfi, começamos o dia bem cedo e fomos diretos a Ravello (cerca de 1h – sem trânsito), e até aí tudo bem, tivemos onde estacionar, mas se tivéssemos chegado uns minutos mais tarde já o caos se teria instalado. Quando saímos de Ravello, ao início da tarde, e tentamos ir a Amalfi, já a situação era impossível.

Por isso, a dica é a seguinte: se optarem por ficar hospedados somente numa das cidades façam essa mesma região a pé, e as restantes de barco, nomeadamente de Positano a Amalfi, ou vice-versa. Quanto a Ravello, como não é junto à praia como as duas anteriores, se optarem por ir de carro saiam muito cedo do hotel para conseguirem arranjar estacionamento, mas mesmo assim não se esqueçam que quando vierem embora estará um trânsito doentio!

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Positano
Do hotel Villa Franca já conseguíamos ver as casas coloridas a descer em socalcos até ao azul brilhante do mar e a tocá-lo levemente. Uma das imagens mais bonitas da costa é, sem dúvida, esta conjugação entre o azul do céu e do mar e as cores vivas das diferentes casas ao longo da encosta.

Lembro-me perfeitamente da há uns anos atrás ver uma imagem deslumbrante deste vilarejo e de pensar: “Hei-de visitar este local!”.

E hoje percebo o quanto valeu a pena, e o quanto aquela beleza era real.

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Positano é sedução desmedida, é encanto e mistério, e é eterno.
Com contos e lendas à mistura, provenientes da proximidade com as Ilhas Li Galli e as suas misteriosas sereias, Positano terá sido desde sempre um local com extrema importância marítima e adorado por quem lá teve o privilégio de passar.

villafranca-16Ilhas Li Galli

Um autêntico refúgio dos Deuses, este pequeno vilarejo foi local de maravilhosas residências do período romano, e terá mudado a sua forma urbanística em 1268 quando saqueado pelos Pisanos, assumindo uma postura mais defensiva com ruelas estreitas e casas no alto das rochas, fortes e torres de vigilância.

Já no século XVIII terá passado pelo seu momento de auge, graças ao porto e tráfego de mercadorias vindas de vários pontos estratégicos, no entanto, após a unificação de Itália, as novas rotas estabelecidas e a emigração para os EUA, Positano terá caído novamente em declínio.

Mas, graças à construção da famosa estrada Statale 163 (anteriormente a chegada a Positano só era realizada por mar ou por trilhos montanhosos) que liga toda a costa de Amalfi, este pequeno vilarejo esquecido renasceu das cinzas, e começou a tornar-se um verdadeiro refúgio do luxo!

Os antigos palácios transformaram-se em hóteis deslumbrantes e uma elite turística começou a transformar Positano e toda a costa na sua casa de férias. De Steinbeck a Picasso, todos queriam um bocadinho deste paraíso!

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O que fazer em Positano:
Mesmo que não queiram perder muito tempo nesta vila, só passear por ela já é fascinante. Percam-se nas ruelas, façam compras nas variadíssimas lojas de roupa (como a Missoni), o linho é o rei por aqui, e se gostarem de bebidas alcoólicas não deixem de provar a iguaria da costa, o Limoncello.

Entrem na majestosa Igreja de Santa Maria Assunta, onde podem encontrar uma imagem da Virgem do século XVIII de inspiração Bizantina.

Descansem na Praia Grande (se conseguirem, porque para quem está habituado a areia fina, estas pedras assustam um pouco!), enquanto têm o mar como confidente e se deslumbram com a montanha e as casas coloridas em socalcos.

Outra atividade interessante é o caminho desde a Praia Grande até às praias mais sossegadas e recônditas, como a de Fornillo, o trilho é muito bonito, interessante e pouco cansativo, mas para os mais preguiçosos podem fazer esta travessia de barco.

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Falando em barcos, não percam um passeio neste transporte, pois a visão que se tem do mar para a costa é ainda mais bonita que aquela que temos quando estamos em terra (há barcos a sair a cada instante da praia grande).

Podem também optar por visitar as Ilhas Li Galli e esmiuçar ainda mais a misteriosa lenda das sereias e das suas sedutoras vozes!

De Positano há imensos trilhos que nos levam a pequenas vilas escondidas nas montanhas e que nos permitem ter uma visão magistral sobre o azul do mar. Podem começar por seguir uma trilha que vai até ao Oásis de Vallone Porto, um local onde a natureza é rainha.

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De positano, por uma infinidade de degraus ou de carro rumem a Montepertuso, a cidade dos Montes Lattari, que separa Positano do céu.

No topo deste encontram o Burgo Nocelle, de onde podem admirar uma das mais bonitas imagens da Costa de Amalfi.

Usem e abusem deste refúgio dos Deuses que é Positano!

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Amalfi
Amalfi é um bocadinho mais confusa e mais agitada que Positano, e nós fomos no final de Outubro, mas como estava um clima maravilhoso, e como se avizinhava um feriado religioso, a cidade estava esgotadíssima! Nem quero imaginar como isto é em pleno verão!

De carro de Positano a Amalfi são cerca de 45min, que depressa se transformam numa 1h30. Por isso, ir de carro é para esquecer, não só porque o trânsito é exaustivo mas também porque lugares de estacionamento não existem, e os que existem já estão ocupados e são caríssimos. E como nós somos um bocadinho mais civilizados que os italianos, nem pomos em causa deixar o carro nas ruas estreitas e com curvas sinuosas, onde mal passa um carro, quanto mais dois e com carros mal estacionados! Por isso, já sabem, barco é das melhores opções.

Amalfi é a mais antiga República Marítima da Costa de Amalfi e de Itália. A sua beleza é ímpar, e ainda hoje mantém vestígios da sua origem romana do período imperial.

A sua beleza está presente nas casas muito próximas que conjugam o branco imaculado com as cores vivas, no azul do céu que é rasgado pela montanha, nas ruelas protegidas por pórticos, nas torres de vigilância e na praia preenchida por guarda-sóis coloridos que terminam no azul esmeralda do mar.

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O que fazer em Amalfi:
Não percam a visita à Catedral, o símbolo máximo da cidade. Iniciada no século IX foi restaurada várias vezes dando origem à imponente construção que vemos hoje. A sua bonita fachada policromada antevê o interior ainda mais majestoso. Este último de estilo barroco com a estátua de bronze de Sant´Andrea no altar.

Dentro da catedral temos acesso à primeira catedral aqui construída, a Basilica del Crocefisso e ao Chiostro del Paradiso, o antigo cemitério dos cidadãos ilustres.

No exterior temos a Piazza del Duomo, com a Fontana del Popolo no centro. Próximo, passando por um pórtico, chegamos aos Antigos Arsenais, onde eram construídos os navios de guerra. A poucos metros encontram também a Piazzetta dos Doges com oficinas típicas.

Para quem for com mais tempo, imperdível a visita a Atrani, muito próxima de Amalfi.

Para quem quiser relaxar, a praia é a melhor opção.

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Ravello
Dos três locais em que estivemos, sem dúvida que Positano era o que ocupava o espaço mais querido no meu coração, mas eram dois locais em Ravello que viriam a levar o prémio para casa!

A Villa Cimbrone e a Villa Rufolo. Decorem estes nomes, pois estes são os dois locais a não perder numa visita à Costa de Amalfi.

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Ravello é um misto de arte, cultura e música, tendo já sido palco de nomes como Wagner, Miró e Viriginia Wolf, entre muitos outros.

Fontes históricas relatam a presença de famílias nobres que se revoltaram contra as autoridades da Costa de Amalfi e se mudaram para Ravello. Este prosperou bastante e no século XI rompeu laços com a República Marítima de Amalfi. O declínio não tardou com as conquistas normandas, e no século XIX foi unificada a diocese de Amalfi. Mas Ravello jamais perdeu a sua beleza e elegância tão características.

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Pelo contrário, Ravello tornou-se no local das mais importantes personalidades do mundo, que se renderam totalmente ao seu charme.

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O que fazer em Ravello:
Chegamos a Ravello bem cedo, ao contrário de Positano e Amalfi, Ravello não se situa à beira mar, mas sim, mais acima, fomos de carro desde positano e demoramos cerca de 1h15min, não havia grande trânsito. Estacionamos num parque de estacionamento pago, e rumamos à praça principal, onde se encontra a Catedral.

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Este é o primeiro cartão de visita desta cidade, mas não o mais importante.

Daqui seguimos sem demoramos para a Villa Rufolo, que se localiza mesmo ao lado da praça. A entrada é paga, mas um valor bastante simbólico para a beleza do local, 5€.
Esta foi construída na segunda metade do século XIII pela nobre família Rufolo, e o mais fascinante é a sua arquitetura que mescla estilo árabe com linhas árabes-normandas e mouriscas.

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Todo o complexo é deslumbrante mas o ex libris são mesmo as vistas que se obtêm do mar. Divinal, sem dúvida alguma!

Aqui acontece, também, o festival de música Wagneriano.

Da Villa Rufolo seguimos para a Villa Cimbrone, onde se encontrava o local que me levou a Ravello, aquele que aparece no Google quando pesquisamos por Costa Amalfi, o Terraço do Infinito.

Muito provavelmente um dos mais bonitos locais do mundo!

amalfi coast-25Villa Cimbrone – Terraço do Infinito 

Este também terá sido o pensamento de Lord William Beckett quando em 1904 comprou o terreno onde existia uma antiga casa abandonada e o transformou num dos mais idílicos locais de sempre. Aqui podemos encontrar uma mistura de estilos e épocas intemporais e distintas com restos arqueológicos fascinantes.

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Os jardins são adornados com estátuas, fontes, templos, grutas e plantas de várias espécies.
O ex libris é mesmo o Terraço do Infinito. Honestamente, podia passar a minha vida toda a tentar explicar-vos o que se sente quando se chega a este local, mas nada do que eu possa dizer é suficiente para descrevê-lo, não há adjetivos para isto!

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O ponto mais alto desta viagem a Itália e, sem a mais pequena dúvida, um dos locais mais idílicos, majestosos, divinais e perfeitos onde já estive.

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Na Villa Cimbrone localiza-se também um hotel de luxo, um restaurante com estrela michelin, e é ainda possível a realização de casamentos, que diga-se de passagem, será certamente o local mais bonito do mundo para se casar!
A entrada no complexo é paga: 7€.

Para quem ficar mais do que um dia em Ravello pode ainda visitar o Auditório de Oscar Niemeyer. Uma arquitetura completamente distinta da restante cidade.

Esta foi a nossa experiência num dos mais belos locais do mundo, a Costa de Amalfi, uma arquitetura única, um charme peculiar, uma azáfama que tem tanto de irritante como de característico, e uma autêntica visão do paraíso que não se encontra em mais lado nenhum.

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Percebe-se perfeitamente porque os habitantes referem que a chegada ao paraíso não será nada de entusiasmante… Eles já estão no paraíso dentro das suas próprias casas!

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Fotos: Flavors & Senses

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Hotel Villa Franca

villafranca-37O Hotel Villa Franca é uma espécie de refúgio onde o azul do céu e o azul do mar se mesclam na mais perfeita harmonia.

Chegar até ele de carro não é tarefa fácil, não porque este se encontre mal localizado, pelo contrário, a região é deslumbrante, mas porque conduzir no sul de Itália é uma verdadeira aventura, de terror obviamente!

Assim, este Small Luxury Hotel of the World situa-se na Costa de Amalfi, mais propriamente na belíssima vila de Positano.

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A expectativa era bastante alta, as imagens que já tinha visto das vistas que se tem do hotel eram de tal forma idílicas que pareciam irreais. Mas depressa descobri que não eram!

Chegamos de carro bastante cansados, estávamos a conduzir já desde Cortona e tínhamos parado para um almoço memorável no Don Alfonso em Sorrento, e por agora só queríamos parar um pouco e desfrutar do melhor de Positano, e assim foi.

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Mal paramos o carro à entrada do hotel pudemos perceber a sua elegância, um branco imaculado rivalizava com o azul do céu, ainda não conseguíamos ver o mar, mas não iria demorar muito mais.

Entramos no Villa Franca e fomos recebidos numa pequena mas acolhedora receção em que o check in foi feito sem demoras, do lado direito já se via um azul brilhante lá ao fundo.

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Fomos de imediato acompanhados ao quarto, e mal saímos da receção para entrar no lobby a surpresa foi imensa. Uma decoração contemporânea com peças de arte únicas que faziam uma simbiose perfeita com a calma que se sentia vinda do mar. Conseguimos ter uma visão plena do azul do mar e do céu pois parte do hotel é em vidro.

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Entramos num quarto onde o branco predominava mas era enriquecido com pinturas coloridas, quer nas paredes quer no chão. Pequeno mas extremamente elegante, depressa se fez notar a luz forte que entrava pela varanda.

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Dirigi-me a esta, abri as cortinas e lá estava a visão do paraíso! Mar, céu e sol! Depressa chegaram ao quarto doces e prosecco, sentamo-nos na nossa varanda e desfrutamos simplesmente da beleza do momento… o verdadeiro Dolce Far Niente!

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O hotel conta com quatro tipos de quartos, o Classic (em que nós ficamos), o Superior, o Deluxe e o Deluxe Special, além das Junior Suite e Junior Suite Deluxe. Estes variam no tamanho e também nas vistas que oferecem, que diga-se são todas deslumbrantes, seja somente sobre o mar, seja sobre o mar e Positano.

villafranca-12Restaurantes
O hotel conta com algumas opções, como por exemplo o Li Galli, o restaurante principal, onde tivemos o prazer de desfrutar dum agradável jantar, sendo um dos principais restaurantes de Positano, contando com o célebre Chef estrelado Gennaro Esposito como consultor.

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De destacar, além da óbvia e incansável vista sobre o mar que de noite se torna num imenso negro, o tártaro de novilho com trufa e bolas de queijo crocante, e um risotto de altíssimo nível.

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Outro dos ex libris é o restaurante que fica no topo do hotel, que funciona como GalliGril Pool e como Gallis Sky Bar. O que permite desfrutar de um almoço com uma vista absolutamente vertiginosa, ou simplesmente beber um cocktail enquanto se petisca algo e se aprimora o bronze.

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A sala de pequeno-almoço é igualmente um local a não perder, não só pela variedade de produtos e opções gastronómicas mas pelo facto de termos uma visão bastante expansiva sobre a vila de Positano, com as suas casas coloridas a descer em socalcos em direção ao mar.

villafranca-20Não parece uma má vista para começar o dia!

Por fim, mas não menos importante, temos o Gallis Bar, ideal para um fim de tarde bem passado, num terraço praticamente privado.

Todos os espaços têm uma decoração semelhante ao restante hotel, contemporânea e com peças de arte exclusivas, bastante exuberantes até, mas o local mais elegante de todos, para mim, é sem dúvida este último, o Gallis Bar.

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O hotel disponibiliza ainda momentos únicos à volta da comida com experiências de Show Cooking para os hóspedes que se queram aventurar na cozinha italiana.

Um dos locais mais aclamados do hotel, e do qual eles se sentem mais orgulhosos é a Adega, com vinhos únicos e capazes de engrandecer qualquer momento especial. Assim, provas e degustações são bem-vindas, acompanhadas com queijos ou produtos tradicionais.

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Serviços
O Villa Franca oferece todos os serviços típicos de um hotel de luxo, como concierge, wi-fi, lavandaria, babysitting, e até dog-sitting, serviço de quartos, fax, parque de estacionamento privativo (por um preço razoável por dia), entre outras coisas.

Além disto, o hotel disponibiliza aos seus hóspedes experiências reais pelos encantos de Amalfi, seja organizando visitas a Positano ou às vilas mais próximas, seja passeios de barco, seja personal shopper.

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O Villa Franca fica a apenas uns minutos do centro de Positano e da praia principal, mas para quem não gosta de andar, o hotel garante transporte várias vezes ao dia de ida e vinda.
Para quem optar por ficar no hotel, as opções também são variadas. Uma tarde inteira no topo do hotel a relaxar na piscina e a bronzear, ou uma tarde a relaxar no banho turco seguido de uma massagem de relaxamento e tratamento facial não é nada má opção!

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Para os mais ativos (que agora já é o meu caso!) o Villa Franca tem um pequeno ginásio, mas com tudo o que é necessário, disponibilizando ainda um personal trainer.

Para quem gosta de levar um bocadinho de cada local para casa, no Villa Franca isso é possível, adquirindo produtos exclusivos de alta qualidade que passam pelas mãos de artesãos locais. Desde produtos de higiene e beleza, a roupa de cama, roupa de banho, e fragâncias.

villafranca-39Atendimento
A equipa do Villa Franca é simpática e educada, mas tem a particularidade de não invadir o nosso espaço.

Circulamos livremente pelo hotel e vamos encontrando sorrisos sinceros, mas sentimo-nos sem pressões e sem olhares constantes. Um serviço agradável sem os exageros de etiqueta constantes dos hotéis de luxo.

Algo bastante positivo é o número de funcionários, num hotel pequeno seria de esperar que este número não fosse tão elevado, mas é, o que garante o atendimento imediato a cada hóspede.

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O Hotel Villa Franca é um verdadeiro oásis de elegância e beleza circundante. Uma das melhores localizações na Costa de Amalfi, e que garantiu alguns dos melhores momentos deste nosso regresso a Itália.

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Memorável!

Nota: o hotel fecha durante o período de Inverno, de Dezembro a fim de Fevereiro.

Hotel Villa Franca – Small Luxury Hotels of the World
Quartos a partir de 340€
Viale Pasitea, 318 – Positano
+39 089 875 655
info@villafrancahotel.it

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Hotel Villa Franca a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Euskalduna

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Não tenho por hábito, nem por gosto, escrever e visitar restaurantes novos ou abertos recentemente, seja por achar que muitos dos espaços ainda se estão a definir, seja por considerar que as falhas são muitas das vezes perdoáveis, ou muito simplesmente porque a Internet já está cheia de nomes que vivem da publicação do novo, do trendy e do imediato. Mas existem sempre excepções para confirmar a regra e este é um restaurante diferente, a todos os níveis, pelo que a vontade de escrever surge facilmente.

Quando em 2o14 provei pela primeira vez a cozinha de Vasco Coelho Santos (ver), houve momentos altos e baixos com uns pratos mais bem conseguidos do que outros, mas o que sobressaiu naquela noite, e o que me fez afirmar que ainda iríamos ouvir falar muito do seu nome, foi o seu rasgo criativo, a técnica e o respeito pela matéria prima.

Pois bem, passaram-se quase 3 anos, umas dezenas de jantares privados, muitos erros e experiências, uma bem sucedida “casa de frangos” – BaixóPito -, mais umas quantas viagens pelo mundo… Et voilà! Nasce o Euskalduna Studio, fruto daquele arrojo e necessidade criativa que Vasco sempre demonstrou ter. Um restaurante contra a corrente, a começar pela localização,  numa mal amada área do centro do Porto, uma pequena sala de ambiente minimalista que ganha calor pelo uso da madeira e equilíbrio com uso do ferro e da pedra. Apenas duas mesas e um longo balcão que funciona em jeito de cadeiras de orquestra para uma peça de teatro em que a equipa em vez de uma peça de Kabuki (tipo de teatro japonês) nos apresenta um menu Omakase onde os comensais se aventuram para saborear o que de melhor os fornecedores têm para lhes entregar a cada dia.

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Se por um lado o conceito de comer e a decoração se inspiram no Japão o nome surge dum trocadilho com Vasco e País Basco “Euskalduna” na língua basca. Região essa que muito o influenciou a nível técnico e de composição dos pratos, fruto da sua passagem pelo El Bulli, Mugaritz e Arzak.

Adiante na história e passemos à visita, que decorreu logo no 2º dia do soft opening, juntando assim o nervosismo de uma abertura à exigente plateia que o visitava naquela noite, entre os quais  vários chefs, um deles com direito a estrela no guia vermelho, gastrónomos internacionais e amigos de longa data – fosse comigo e as minhas mãos tremeriam bem mais do que tremeram as de Vasco Coelho e a sua equipa!

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A ideia é entrar no restaurante e deixar-nos levar, tal como na falada peça de teatro, pelos argumentos (neste caso cerca de 10 momentos) propostos pelo chef, sem entraves ou restrições (pronto, a brigada anti-glúten pode sempre conferir com a equipa todas as suas restrições no momento de efectuar a reserva!). É verdade que gosto de escolher e saber o que vou comer, mas às vezes é importante sair fora da caixa e sabermos entregar-nos nas mãos de quem quer simplesmente agradar-nos e satisfazer-nos.

Euskalduna-2Edgar Alendouro – o escanção com um Quinta das Bágeiras Super Reserva 2013

Sentados ao balcão, onde a experiência se garante mais cativante, começamos o espectáculo com um brinde de Quinta das Bágeiras Super Reserva 2013, um dos grandes espumantes bairradinos feito pela mão certeira de um dos nossos melhores vignerons – Mário Sérgio – que com um blend de Maria Gomes e Bical produz um vinho com identidade, como se fazem muito poucos – austero e cítrico, na boca revela um interessante corpo e uma frescura que lhe permite acompanhar muito bem os snacks que se seguiriam.

Para começar, uma interessante e ótima versão do clássico Bolinho de Bacalhau – com uma capa crocante a lembrar um torresmo e um interior cremoso e delicado.

Euskalduna-5Caranguejo, rabo de porco
Seguiu-se o caranguejo, presente num ótimo creme e na carne branca das patas acompanhado de um peculiar crocante de rabo de porco. Se em separado todos os elementos funcionavam bem, no conjunto a intensidade do crocante de rabo demasiado tostado sobrepõe-se em demasia à doçura e subtileza do crustáceo.

Euskalduna-6Língua de Cordeiro, molho Holandês, trufa e flor de ervilha
Vasco deve ter alguma atracção especial por línguas, que diga-se, cozinha sempre magistralmente. Grande textura, sabor simples e elevado pelo molho que poderia ser ainda mais intenso e a trufa, ainda que a mesma já não estivesse na sua melhor forma.

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Euskalduna-8Alho e Parmesão
Se é certo que a língua irá chocar a maioria dos comensais, o alho não lhe ficará muito atrás. Um dente cozinhado a baixa temperatura, posteriormente nixtamalizado (processo de cozimento numa solução alcalina à base de cal) e finalizado com queijo parmigiano. Alho de capa crocante e interior cremoso, bom jogo de sabores, que traz consigo o factor Wow.

No copo esteve um Madeira Sercial 10 anos da Barbeito, cuja mineralidade, os frutos secos e as notas resinosas trouxeram uma grande frescura e se acomodaram muito bem com a intensidade deixada na boca pelo alho e o queijo.

Euskalduna-9Ouriço do Mar, Telha de Parmesão e capuchinhas
Ler o nome do prato é o mesmo que ler bomba de umami, e foi isso mesmo que recebemos, um ótimo snack em que até a combinação do queijo com o marisco funcionou.

Euskalduna-10Sopa do diaOvo a 70º, ervas, algas, beterraba e caldo de vegetais
Excelente o ovo cozinhado a baixa temperatura e curado em açúcar, bem acompanhado pela selecção de ervas e algas. A beterraba trouxe notas de terra que trazem mais algum calor e estrutura ao prato, mas faltou ao límpido caldo um pouco mais de intensidade e sabor.

A harmonizar esteve um jovem Pormenor 2015, um branco duriense que promete muito a quem o guardar por algum tempo, com uma acidez vibrante, estava ainda demasiado energético para não se sobrepor aos delicados pratos que acompanhou.

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Euskalduna-11Cavala, Pepino e Gin
Este é outro prato que o jovem chef tem vindo a desenvolver desde que iniciou o seu projecto de jantares privados, e mostrou-se em excelente nível. Excelente o rigor técnico, o sabor do peixe e a combinação da sua gordura e untuosidade com a frescura e acidez do gin e do pepino. Um grande prato!

Para acompanhar, nada mais do que um gin sour, preparado com recurso ao sifão, apresentando a mesma espuma que já encontramos no prato. Muito bom!

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Euskalduna-12Gamba do Algarve, pó de caril, salada de manga, creme de carabineiro
Este foi o momento alto da noite! As gambas estavam delicadas, doces e com a textura certa, muito bem complementadas pelo creme feito com as cabeças dos carabineiros (pergunto-me onde terá ido parar o corpo), uma salada fresca e ligeiramente picante de manga e um pó de caril gelado feito na pacojet.

Um grande prato em que tudo faz sentido e tudo se equilibra, incluindo o chá de cúrcuma (açafrão da Índia), com que fez o paring, cujas notas doces e quentes (ainda que estivesse um pouco frio) ajudaram a limpar os sabores mais fortes e marcantes do caril.

Euskalduna-15Tamboril, molho de miúdos de frango e nabos
Não fosse a relação entre peixe e miúdos ser excessiva para o lado das miudezas e estaríamos perante outro prato soberbo. Como a dose de peixe – cozinhado irrepreensivelmente – era pequena, o molho e a intensidade dos miúdos acabaram por tomar as rédeas do prato.

Nos vinhos, o escanção parece ter lido os meus pensamentos e trouxe um vinho que muito me agrada mas que raramente se consegue encontrar, o Encruzado Munda de 2008, um vinho que está a passar uma grande fase, ligeiramente oxidado, com uma bela estrutura e com todos os elementos já colocados no seu sítio, um vinho que não cansa e que neste caso acompanhou muito bem o prato.

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Euskalduna-17Costela Mindinha e Ananás
Um dos meus cortes favoritos, como bom transmontano que sou, e tantas vezes menosprezado, aqui muito bem tratado com a cocção a baixa temperatura, faltando-lhe apenas um pouco mais de caramelização na capa exterior. Nota alta para o doce “mil folhas” de ananás assado e muito alta para o molho de carne que acompanhava o conjunto – um bom pickle podia também ter ajudado a elevar o conjunto.

Houve ainda tempo de limpar o molho com o pão que a equipa tem vindo a tentar desenvolver sob a orientação do mestre Mário Blanco Peres, que não estando ainda afinado deixa antever, pelos aromas da sourdough, que vai valer a pena que o pão se torne num dos momentos do menu.

Com a carne bebeu-se um duriense, Campo Ardosa 2009, de notas a erva típica da região, fruta controlada e boa estrutura e final.

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Euskalduna-19Maça
A pré sobremesa traz fruta e frescura, num conjunto de várias texturas de maça verde que serviu, e bem, para limpar o palato.

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Euskalduna-22Rabanada, Gelado de gorgonzola
O final apresenta-se de forma simples e de aspecto modesto, mas desengane-se o comensal, esta rabanada confeccionada ao jeito Basco é um assombro, desde o sabor ao jogo de texturas e a sua boa relação com o ótimo gelado de gorgonzola. Uma bonita homenagem à região que tanto influenciou o chef, e que resulta simultaneamente num grande final!

E para brindar, um delicioso Kopke branco 10 anos, um vinho aromático, equilibrado na madeira e intenso, resultando bem com a sobremesa e com a conversa que se vai criando entre os comensais e a equipa no final da “peça”.

Euskalduna

É ainda importante destacar a arrebatadora louça utilizada na apresentação dos pratos, em particular para as peças desenhadas de propósito para o Euskalduna em barro negro de Molelos.

Considerações Finais
O Euskalduna é um daqueles restaurantes onde não vamos para comer, vamos para ter uma experiência, uma “encenação” gastronómica que culmina com a satisfação das nossas papilas e dos sentidos. É um espaço conceptual até que rasga os hábitos da cidade e promete várias sensações aos visitantes, da sensação de descoberta, ao desconforto e ao êxtase, é um jogo de altos e baixos em que brilha o jogo de texturas – fruto da sua paixão e inspiração pelo Mugariz – e o respeito por uma matéria prima de excelência.

Um espaço que, apesar dos erros que referi, deve manter-se fiel ao seu espírito irreverente e inquieto, assumindo os riscos da criação quase diária de um menu. Cabe ao comensal aprender a aceitar os altos e baixos, como são os momentos e os actos de uma boa peça de teatro, porque no final o sorriso e a vontade de aplaudir não lhe irá fugir!

A colocar na lista! Um futuro caso de sucesso do Porto e de Portugal!

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Euskalduna Studio
Menus a 70€(Sem bebidas)
Rua de Santo Ildefonso, nº404 – Porto
00351 935 335 301

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Cortona

cortona-4Piazza Della Republica

Regressar ao paraíso… perdão, à Toscana!

Quem conhece o Blogue sabe da nossa predileção por Itália, mais concretamente pela Toscana, e aquando da nossa viagem de 2013 por esta região ficaram algumas zonas por ver, nomeadamente a perpetuada por Frances Mayes, em “Sob o Sol da Toscana”. Sim, é verdade que o filme americano homónimo catapultou Cortona e a Toscana para o mapa dos americanos e agora só se ouve inglês por lá, mas apesar de tudo a região consegue manter a tradição e a identidade como muito poucos destinos turísticos.

E Cortona é das mais características, pertencente à província de Arezzo e com origens etruscas, conseguimos identificar pormenores de vários períodos da história, desde romano, medieval, renascentista e, obviamente, etrusco.

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Situa-se no alto de uma colina, e a sua origem remonta ao século IV a.c. e toda a sua visita é um verdadeiro regresso ao passado.

Como estávamos hospedados em Cortona, no Il Falconiere, a viagem até à cidade foi rápida, cerca de 5min de carro. Se estiverem a fazer uma viagem pela Toscana, em princípio estarão também de carro uma vez que é a forma mais fácil de visitar várias regiões, e podem ou hospedar-se no maravilhoso Il Falconiere (ver) ou ficar numa cidade próxima e tirar um dia para visitar Cortona.

A cidade é circundada por uma muralha já bastante antiga que contém seis entradas distintas, algumas das quais do próprio período etrusco, a Porta de Santa Maria, a de Sant´Agostino, a Bifora, a Colonia, a Berarda e a Montanina. Estas são as seis entradas principais, apesar de haver várias entradas, estas são as que se encontram preservadas, mais antigas e com mais história.

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Como vínhamos de carro, e pretendíamos deixá-lo estacionado antes de entrar na cidade e percorrê-la toda a pé, estacionamos na Viale Cesare Battisti num parque de estacionamento gratuito (há vários espalhados à volta da cidade).

Entramos pela Piazza Garibaldi (aqui também há um parque de estacionamento mas é pago), e percorremos a Via Nazionale cheia de lojas, café, comércio local e de onde irradiam belíssimas ruelas íngremes, até chegar à Piazza Della Republica.

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Aqui foi outrora o Fórum Romano, e é a praça mais importante da cidade, podemos ainda encontrar a antiga residência do Cardeal no século XVI, o Pallazzo del Capitano del Popolo, onde hoje funcionam os Correios, e também o Pallazo Comune, com a sua bonita escadaria e que foi utilizado no século XII para reuniões de conselho relativos a assuntos políticos, religiosos e culturais.

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Daqui seguimos para a Piazza Signorelli onde podemos encontrar a distinta fachada neoclássica do Teatro Signorelli no meia da praça tipicamente medieval. O Teatro ainda se encontra operacional e organiza eventos de vários tipos, por isso se forem com tempo e ficarem uns dias por Cortona deem uma vista de olhos no programa mensal.

Do lado esquerdo do Teatro temos o Palazzo Casali do século XVI que abriga o Museo dell´Accademia Etrusca e della Città de Cortona (MAEC), além da biblioteca.

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Ao sábado há feira nesta praça, por isso se estiverem por Cortona num sábado não percam.

Próximo daqui fica a Piazza do Duomo e o Duomo, que foi construído nas ruínas de um edifício pagão, e será do ano 1000, apesar da sua atual estrutura ser uma reestruturação renascentista. O seu interior é uma inspiração da arquitetura de Brunelleschi.

cortona-11 Igreja di San Francesco

Em frente ao Duomo é possível encontrar o Museo Diocesano colocado na antiga Chiesa del Gesù. No seu interior encontram-se obras de arte de diferentes igrejas que pertencem à diocese.
Andando cerca de 500m encontramos a Igreja di San Francesco, construída por Frei Elias em 1247 sobre as ruínas das termas romanas, em homenagem a São Francisco.

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No interior existem algumas relíquias, como a sua batina, um travesseiro e o seu livro do Evangelho. O monumental altar de mármore abriga os restos da Santa Cruz. Aqui encontram-se sepultados o pintor Luca Signorelli e Frei Elias.

Saindo da igreja do lado esquerdo (quem está virado para o altar) encontram um espaço, uma espécie de sala com a porta aberta e lá dentro conseguem verificar uma série de pinturas expostas, e ao fundo um homem envolvido nos seus desenhos. Entrem por favor! Não vos posso garantir que esteja lá sempre, mas pelo que percebi é um artista da região e tem o seu trabalho ali exposto. Fiquei completamente deslumbrada. E até podem comprar as pinturas, se gostarem do seu trabalho!

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Bem, voltando à caminhada, agora esforcem-se mais um bocadinho e comecem a subir para chegar até à Basílica de Santa Margherita. Façam-no pela via Santa Croce, que nos brinda com um caminho repleto de ciprestes dos dois lados e que nos fazem sentir verdadeiramente na Toscana.

Quando chegarem ao fim desta via encontrarão a Piazzale Santa Marguerita e a Basílica (para quem não se aventura a subir tudo isto, esta praça tem estacionamento gratuito).

cortona-15Basílica de Santa Margherita

Esta igreja é dedicada à santa padroeira da cidade, a Santa Margherita, e terá sido construída em 1297 após a sua morte, no local onde a santa escolhia como lugar de culto.

No seu interior está o túmulo dedicado à Santa, em mármore esculpido, mas os seus restos mortais são mantidos numa urna acima do altar.

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Daqui, seguimos para um dos locais que mais queria visitar, a Fortezza di Girifalco.

Construída em 1556, a pedido do famoso Cosimo I de Medici, foi idealizada com fins defensivos, apesar de nunca ter enfrentado batalha nenhuma! Terá sido construída sobre as ruínas de fortificações etrusca, romana e medieval.

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Na fortaleza temos vontade de tocar na história, e chegamos mesmo a sentirmo-nos parte dela. O edifício em si não tem nada no interior, mas as vistas que se obtém do topo são estonteantes, com uma visão de 360º sobre Cortona e o Vale de Chiana e um vislumbre do Lago Trasimeno. A entrada é paga mas acessível, 5€.

cortona-19A deslumbrante vista da Fortaleza sob o Vale de Cortona

Quando terminarem esta visita desçam pela Via Santa Margherita e poderão observar a obra de Gino Severini, um importante pintor do século XIX oriundo de Cortona que foi co-fundador do Manifesto Futurista em Paris. Aqui, a sua obra data de 1947 e ao longo de toda a via podemos observar os 14 belíssimos mosaicos que representam a Via Sacra, ao descer a Via irão ver do XIV para o I.

cortona-20Via Santa Margherita

A fome já apertava e decidimos regressar à Piazza Della Republica para comer algo. Acabamos por comprar uma pizza e gelados (que como é obvio não podem faltar numa viagem a Itália!) e sentamo-nos na escadaria do Palazzo Comune a soborear sem demoras, enquanto observávamos a vida serena dos habitantes de Cortona.

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cortona-21Os ótimos gelados da Gelato ti amo

Cortona pode visitar-se num dia, mas se quiserem desfrutar com calma aconselho-vos a ficarem hospedados no Il Falconiere, que como já referi é muito próximo e maravilhoso!

Por favor não se percam somente na visita aos locais obrigatórios, percam-se sim na vida real de Cortona. Observem os habitantes, a sua forma de estar, a sua forma de viver, respirem a cidade e sintam-se também parte dela.

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Onde Comer
Il Falconiere (*Michelin – ver)
Bottega Baracchi (dos mesmos donos do Il falconiere)
Osteria del Teatro
Gelateria – Gelato ti Amo

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

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