Lisboa – Um fim-de-semana a passear pela Baixa

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É certo que aquilo que me dá mais prazer na vida é viajar (comer e beber também, claro) mas isso nem sempre implica sair de Portugal.

A nossa Terra é perfeita (sim, eu sei, sou suspeita), tem um pouco de tudo, praia, rio, montanha, campo, história, gastronomia, um povo simpático, segurança e muito, muito mais, a verdade é que me dá um gozo enorme andar a percorrer o meu país!

Por isso, desta vez vamos “viajar” um fim-de-semana pela capital.

Lisboa2015 - 35Vista do Castelo de São Jorge

Há umas semanas atrás deslocamo-nos a Lisboa para experimentar duas novidades hoteleiras, o magnífico PortoBay Liberdade (ver), e a estonteante Pousada de Lisboa (ver), o que nos permitiu aproveitar para revisitar uma das nossas cidades de eleição.

O tempo era curto, e de trabalho (sim, porque isto parece, mas não é só boa vida!) e dessa forma optamos por deambular pela Baixa.

 Lisboa2015 - 55A Visão de Marquês de Pombal, patente no Arco da Rua Augusta

Lisboa tem uma história e cultura sem igual, já passou por um período neolítico, romano, muçulmano, e sob a alçada de Afonso Henriques no século XII foi reconquistada, mantendo-se desde então como o centro político, financeiro e cultural do país. Após o terramoto de 1755, a visão do Marquês de Pombal trouxe à cidade o glamour e a elegância das grandes cidades europeias.

Portobay - 11mNo dia em que chegamos já era tarde e por isso ficamo-nos pelo PortoBay, a relaxar no jacuzzi do Deck7 e mais tarde a jantar no Bistrô4 (e que jantar! – ver).

Noite bem dormida, energias recarregadas com um pequeno-almoço digno de Reis, é hora de deambular pela cidade e descobrir a sua verdadeira essência.

Lisboa2015 - 1Príncipe Real

Quem conhece o blog sabe que somos peritos em caminhar horas e horas simplesmente a apreciar tudo que nos rodeia, seja um jardim, um monumento, um edifício mais clássico, outro mais contemporâneo, uma simples loja, uma pastelaria, um parque, uma ruela, ou simplesmente o desenrolar do percurso de cada pessoa com quem nos cruzamos.

Adoramos consumir a vida que cada local nos consegue transmitir, e isso sim, é o mais importante e o mais enriquecedor duma viagem.

Lisboa2015 - 2Príncipe Real

Começamos por passear pela recuperada e agora cosmopolita zona do Príncipe Real, bem localizado no coração de Lisboa, junto ao Jardim Botânico, ao Bairro Alto e a apenas uns minutos a pé do Chiado.

Este local já serviu, outrora, de palco a um mercado de porcos e à feira das Amoreiras. Mais tarde sofreu uma organização diferente, alinhando-se numa praça e também num jardim. Aquele que é atualmente o Jardim França Borges.

O jardim foi concebido segundo o estilo romântico inglês e nele destacam-se várias espécies arbóreas, com um enfâse especial para o enorme cedro-do-Buçaco, com vinte metros de diâmetro (lindíssimo).

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No centro da praça do jardim encontra-se um lago circular rodeado por roseiras, sob o qual se aloja o Reservatório da Patriarcal, parte do Museu da Água.

Existem também quiosques, alguns com serviço de cafetaria, onde podemos observar a vida agitada de Lisboa em momentos de pausa!

Em torno do jardim, podem observar-se palacetes do século XIX, como o Palacete Ribeiro da Cunha, de estilo neo-árabe. Ao Sábado é imperdível o Mercado Biológico do Príncipe Real onde se abastecem muitos dos famosos chefs da cidade.

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Bem próximo deste jardim, aliás, outrora alimentado pelo reservatório da Patriarcal, encontramos um dos pontos que nos garante uma vista de cortar a respiração sobre Lisboa, o Miradouro de São Pedro de Alcântara.

Este belíssimo local está inserido num jardim com um pequeno lago, cuja imponência da paisagem nos transporta para longe. Aqui vislumbramos o leste da cidade, e a margem sul do rio Tejo.

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Mesmo ao lado do Miradouro temos a mítica Calçada da Glória, que liga o Bairro Alto à Praça dos Restauradores através do seu Elevador, que faz as maravilhas de qualquer lente fotográfica!

Aqui fizeram, há um século atrás, provas de ciclismo, a chamada Subida à Glória, que se retomou agora em 2013.
Esta magnifica obra do ascensor data de 1885 pelas mãos dum engenheiro português mas de origem francesa, responsável por muitos projetos do mesmo género, Raoul Ponsard. Já se fez, outrora, esta travessia à luz da vela, mais tarde, já em 1915 passou a ser movido a eletricidade.

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Pensamos descer o ascensor, mas como queríamos almoçar na zona do Príncipe Real deixamo-nos ficar cá por cima e optamos por deambular pelas ruas e ruelas do Bairro Alto, que por sinal, são bem mais calmas durante o dia. Apesar de adorar a frenética noite deste bairro, também é bom descobri-lo durante o dia e conhecer as suas verdadeiras origens e gentes.

Lisboa2015 - 12Street Art no Bairro Alto

Sem rumo fomos descobrindo cada ruela estreita, com diferentes bares e restaurantes, com lojas e edifícios seculares e tentando também imaginar como seriam as noites naquele local no antigo século XVI.

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Certamente, tão ou mais animadas que as de hoje, aliás, tudo indica que terá sido um lugar de muita prostituição, mas também, já no século XX, um lugar da boémia lisboeta, frequentado por artistas, escritores e jornalistas, aliás foi a sede de muitos jornais.

A Cevicheria - 1

Já bastante cansados e com fome (algo que, infelizmente, insiste em perseguir-me o dia todo!) voltamos ao Príncipe Real para uma visita ao restaurante do jovem, mas brilhante Chef Kiko Martins, A Cevicheria, descansamos e saímos deliciados com um almoço que ficou na memória (ver).

Preparados para continuar e com um ou outro desejo menos cultural e mais fútil, decidimos ir às compras, e qual o melhor local para o fazer?!

Sim, deve haver vários, eu sei, mas nós optamos pela imensa e famosa Avenida da Liberdade, sim, porque, com muita pena minha, ao Porto falta-lhe uma avenida assim, que reúna as grandes marcas, mas pronto, tem muitos outros encantos, como é óbvio (não quero guerras entre portuenses e lisboetas nos comentários!).

Após o terramoto de 1755, Marquês de Pombal mandou construir o Passeio Público na área atualmente ocupada pela parte inferior da Avenida da Liberdade e Praça dos Restauradores. Inicialmente este era rodeado por muros e portões por onde só passavam membros da alta sociedade. Porém, em 1821, o rei D. João VI ordenou que os muros fossem derrubados para que toda a gente pudesse circular livremente pelo Passeio.

A avenida, como nós a vemos atualmente, foi construída entre 1879/1882 no estilo dos Champs Elysees em Paris e atualmente serve de palco a cortejos, festividades e manifestações, conservando sempre a sua elegância, com fontes e esplanadas magníficas sob as árvores.

Esta liga a Praça dos Restauradores, a sul, à Praça do Marquês de Pombal, a norte.

Lisboa2015 - 53A Ginjinha – um dos clássicos da cidade de Lisboa

Continuamos a descer a Avenida e terminamos na idílica Praça dos Restauradores, enaltecida pelo seu obelisco de 30m de altura, que não deixa esquecer a libertação do país do domínio espanhol de 1640.

Lisboa2015 - 54A Estação do Rossio

Bem próximo desta praça temos uma das mais bonitas zonas da baixa, o Rossio ou a Praça de D. Pedro IV, com a maravilhosa Estação do Rossio a espalhar o seu charme.

Claro que nas zonas mais importantes das cidades, houve sempre um Hipódromo na era Romana (como adoro estes pormenores da história!), e também já foi navegável na era medieval, devido a um afluente do Tejo. Já foi local de feiras e mercados e circundado por vários edifícios importantes, mas os terramotos foram destruindo tudo e as reconstruções foram edificando aquilo que conhecemos hoje.

Nesta praça, que já foi o local de encontro de nomes importantíssimos como o de Bocage, já se viveu de tudo, touradas, feiras, festas, festivais, romarias, decapitações, enforcamentos, paradas militares, festas cortesãs, revoluções populares, e um sem fim de acontecimentos.

Hoje podemos observar momentos da história presentes, por exemplo, na Estátua de D. Pedro IV (vigésimo-oitavo rei de Portugal e primeiro Imperador do Brasil), no Teatro Nacional D. Maria II, e na imponente Estação do Rossio em estilo Manuelino.

Lisboa2015 - 25Chiado

Continuando o nosso percurso, há um local em Lisboa que não consigo deixar de parte sempre que a visito, o Chiado. O mais elegante, boémio e cosmopolita bairro da cidade.

Em 1856, com a criação do grémio literário, o Chiado tornou-se o centro do Romantismo Português, e ponto de passagem obrigatório para quem queria ver e ser visto na cidade.

Em 1988, na madrugada de 25 de agosto, deflagrou um incêndio no edifício Grandela, que viria a tomar proporções enormes e que destruiu parte do Chiado, altura em que este caiu completamente em decadência, tendo sido reavivado durante toda a década de 90 com design a cargo de Siza Vieira.

Lisboa2015 - 26Fernando Pessoa é companhia certa à mesa d’ A Brasileira

Alguns dos grandes nomes da literatura portuguesa estão imortalizados nas estátuas do Chiado, como é o caso da mediática estátua de bronze sentada num banco do Café A Brasileira, de Fernando Pessoa.

Passear por este local por si só já nos enaltece os sentidos mas para quem vai com mais tempo do que nós, há uma imensidão de sítios a entrar, Teatro S. Luiz, Teatro da Trindade, Teatro São Carlos (o único de ópera em Portugal), Museu Nacional de Arte Contemporânea, igrejas barrocas – a Igreja de Loreto e a Igreja Nossa Senhora da Encarnação, o Largo do Carmo com o Museu Arqueológico do Carmo, o mediático Elevador de Santa Justa e a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, entre muitos outros locais de interesse.

Lisboa2015 - 52Elevador de Santa Justa

Terminamos o dia no movimentado Cais do Sodré, entre restaurantes e bares, mas como já não temos capacidade para diversão noturna (pelo menos hoje), optamos pelo Time Out Mercado da Ribeira, e deparamo-nos com a confusão de perceber o que escolher e onde comer (quero provar tudo, quase tudo, pronto!).

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Após algumas indecisões a escolha recaiu sobre o Prego da Peixaria, o João já conhecia, eu não, mas fiquei fã!
O Mercado, que já era bonito, não perdeu a sua traça original, apenas ganhou uma nova dinâmica.

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Barriguinha cheia, vamos lá conhecer e finalizar o dia na idílica Pousada de Lisboa, quem poderia pedir melhor?!

Pousada de Lisboa - 33mQuarto com vista sobre o Terreiro do Paço

Noite perfeita, pequeno-almoço ainda mais perfeito, e rumo a mais um dia a deambular pela Baixa Lisboeta.

Quem leu o nosso artigo da Pousada de Lisboa sabe que esta se situa no antigo Ministério Da Administração Interna em pleno Terreiro do Paço, e foi mesmo por aqui que começamos o nosso dia.

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Este local, também apelidado de Praça do Comércio, uma das maiores da Europa, já foi o local do palácio dos reis de Portugal durante dois séculos, hoje encontra-se ocupado por ministérios.

Esta praça é o elemento fundamental daquele que foi o plano de Marquês de Pombal após o terramoto de 1755 que destruiu o antigo Palácio Real cuja biblioteca albergava 70 mil volumes e centenas de obras de arte, nomeadamente de Ticiano.

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Nesta Praça já se desenrolaram alguns dos acontecimentos mais importantes do país, desde o fim da União Ibérica, o homicídio do Rei D. Carlos e seu filho, a revolução de 1910 e a proclamação da República, a Revolta do Movimento das Forças Armadas de 1974, entre outros.

Além das maravilhosas arcadas que formam uma ligação entre os diferentes edifícios da Praça do Comércio, o mais emblemático será, talvez, o Arco Triunfal da Rua Augusta e a estátua de D. José I.

A conjugação perfeita que se estabelece entre o Terreiro do Paço e o Tejo é um dos expoentes máximos da cidade.

Lisboa2015 - 61Esplanada Ribeira das Naus

O calor que se fazia sentir neste dia (mas por que é que o Porto não este clima?) era intenso e por isso fomos obrigados a parar para descansar um bocadinho, e escolhemos a recente Esplanada Ribeira das Naus, na remodelada Avenida Ribeira das Naus, a vista é a melhor que se poderia pedir, só nos restou escolher uma mesa à sombra e recuperar com uma bebida bem fresca.

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Daqui subimos a Rua das Flores em direção à Taberna da Rua das Flores, o já mítico estabelecimento de André Magalhães (a wikipedia portuguesa de Gastronomia), para um almoço com um dos mais interessantes Lisboetas com quem temos a felicidade de privar, André Ribeirinho, o fundador do projeto Adegga (ver).

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Ao almoço a experiência na Taberna é bastante distinta do Jantar, com uma oferta mais curta e pratos mais reconfortantes e menos criativos, pelo que a verdadeira mostra deste fantástico espaço fica para um outro artigo, numa outra passagem pela capital.

Tabernaruadasflores - 5 Cataplana de Pescada

Comemos muito e bem, a começar pelo fantástico Queijo Fresco da Queijaria das Romãs, o Salmorejo, o entrecosto de vitela com puré de aipo, a cataplana e claro a imperdível Mousse de Chocolate com azeite e flor de sal.

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Após um excelente almoço, subimos até ao Largo de Camões com a imponente estátua do poeta ao centro, e fomos diretos à Manteigaria, como este fim-de-semana foi curto e não deu para passar em Belém optamos por levar daqui os divinais pastéis de nata, não fosse a família maltratar-nos se chegássemos a casa sem esta iguaria!

Verdade seja dita, estes não ficam nada a perder para os famosos pastéis de Belém.

manteigaria - 1Os deliciosos pastéis de Nata da Manteigaria

Antes de rumarmos ao Porto, havia ainda mais dois locais que eu não queria perder, a Sé e o Castelo de São Jorge, quer a um quer a outro só tinha ido em pequena, e queria revisitá-los.

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Isto significava também andar a deambular pelo mais antigo e um dos mais típicos bairros de Lisboa, Alfama.

Este peculiar e popular bairro é um dos mais bonitos e seguros de Lisboa, e assemelha-se quase a uma aldeia, os seus restaurantes, as suas casas de fado e as suas festas de Santos Populares fazem deste bairro um dos meus preferidos.

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Quanto à Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior, a sua construção foi iniciada na segunda metade do século XII após a tomada da cidade aos Mouros por D. Afonso Henriques, provavelmente no local onde existia uma antiga mesquita, e conjuga diferentes estilos arquitectónicos, o românico, o gótico e o barroco.

Quem me conhece sabe bem a minha paixão por arte sacra, e sempre que tenho oportunidade de entrar numa igreja, entro. Nesta, ainda tive a sorte de ter um encontro imediato de primeiro grau com o célebre Joaquim de Almeida!

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Daqui seguimos, então, a subir (muito mesmo) até ao Castelo de São Jorge.

O seu nome deriva da devoção do castelo a São Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas, feita por ordem de D. João I no século XIV.‪‬

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Mas, desengane-se quem acha que o seu aspeto medieval se deve ao seu perfeito estado de conservação, porque não foi isso que aconteceu (infelizmente).
Ao longo do tempo o castelo, assim como as diversas estruturas militares de Lisboa, foi sendo remodelado, sendo que no século XX já se encontrava em avançado estado de ruína. Na década de 40 foram realizadas variadíssimas obras de reconstrução, levantando-se grande parte dos muros e alteando-se as torres.

Lisboa2015 - 41No entanto, não deixa de ser monumental que este local seja a mais alta colina do centro histórico, proporcionando uma das mais belas vistas sobre a cidade e o Tejo.

Lisboa2015 - 45Esta esplanada tem certamente uma das melhores vistas para o Pôr do sol em Lisboa

E sim, conseguimos na mesma imaginar histórias de reis e rainhas, de lutas e de jogos, de guerras e de triunfos!
A entrada no Castelo é paga e tem um custo de oito euros, mas vale bem a pena, até porque tem um dos mais idílicos cenários do pôr-do-sol da cidade de Lisboa.

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Por muito bem aproveitado que tenha sido este fim-de-semana, não foi de todo suficiente, razão pela qual temos que voltar a Lisboa o mais rápido possível! Há tanta coisa para fazer nesta cidade, tanta cultura, tantos restaurantes, mercados, lojas, tanta vida… poderia facilmente ir a Lisboa uma vez por mês.

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Para alguns de vós que vão com mais tempo aconselho-vos a fazer grande parte deste percurso, que fizemos neste fim-de-semana, duma forma também diferente, através do Elétrico 28, o mais mediático da cidade. De manhã bem cedo (para evitar as grandes filas), apanhem-no na Basílica da Estrela e vivam a história e a natureza da cidade através das janelas deste pitoresco meio de transporte.

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Podem fazer o percurso todo seguido duma ponta à outra, ou ir saindo em diferentes paragens e usufruindo de cada local em particular. Para isso existem os bilhetes individuais ou então os passes de 24h, escolham a opção que melhor serve os vossos gostos.

Bem, só me resta concluir que por muito que viaje para fora de Portugal, este continua a ser um dos meus países preferidos para desbravar!

Onde Ficar
Pousada de Lisboa
PortoBay Liberdade

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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#Sunset Wine Party – The Yeatman

sunsetyeatmanjul - 6 Na passada quinta-feira, 23 de Julho, o Hotel The Yeatman organizou a primeira Sunset Wine Party deste Verão. O cenário era este que já todos conhecemos e que tem valido ao Hotel um sem número de prémios, os seus amplos terraços com vista sobre o Douro e o Porto.

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O conceito era simples, reunir um alargado número de pessoas em torno de grandes vinhos, boa comida e muita, muita animação. Para isso ocupou-se todo um piso do Hotel, as suas bonitas e luminosas salas e claro o Terraço com as suas concorridas mesas e vista privilegiada para o Sunset.

sunsetyeatmanjul - 9 Até aqui tudo parece relativamente fácil e simples, o mais complicado vem depois – como tratar 500 pessoas com exclusividade e a qualidade a que o The Yeatman as têm vindo a habituar?

A resposta foi mais simples do que aquilo que eu imaginei quando me referiram o número de pessoas que estariam presentes, muita organização e claro, muito staff. Não faltaram áreas de serviço de vinhos, com mais de 40 referências, grande parte delas em garrafas Magnum, áreas de queijos, com um particular foco nos queijos portugueses e nas suas grandes marcas, enchidos de porco Bísaro da excelente Quinta das Poldras, áreas com pratos quentes criados pelo chefe Ricardo Costa e preparados pela equipa em jeito de live cooking e claro, um fantástico Porco no Espeto.

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Como se isso não bastasse, havia ainda Sushi, pães de todos os tipos acompanhados de uma fantástica seleção de alguns dos melhores azeites nacionais, ostras de Aveiro e uns deliciosos Gelados artesanais feitos pela Artiframi.

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Ou seja, ninguém deixou a festa com fome! Nós começamos cedo, e abrimos a festa com Luís Pato e o seu espumante Vinha Formal de 2009, um vinho cheio de classe, uma cor elegante e uma boca delicada e complexa,  uma fantástica companhia para as ostras, às quais nunca conseguimos resistir.

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Haveria ainda tempo de provarmos muitos outros vinhos de excelente qualidade, como o Tiara 2013 em garrafa magnum, um vinho cuja mineralidade e acidez deixam qualquer um rendido. Escusado será dizer que muitos outros vinhos são mesmo muitos outros vinhos, com destaque para os sempre fantásticos vinhos da Quinta do Ameal, o Alvarinho do Capitão-Mor, o Douro visto pela Dona Berta, o projecto Mãos ou a interessante Quinta do Pessegueiro.

sunsetyeatmanjul - 11 Sem dúvida um sem fim de opções e para todos os gostos, dos vinhos mais leves e furtados aos mais complexos e exigentes. Uma celebração do vinho sem as normas e as exigências de uma prova, a palavra de ordem era diversão!

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Para isso houve Dj, com uma boa e calma selecção musical durante o final de tarde, criando um ambiente de festa mas permitindo também que se pudesse manter uma boa conversa. Felizmente muitas no nosso caso, entre amigos e conhecidos o Sunset do The Yeatman começa-se a afirmar como uma das grandes festas do Verão Portuense.

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E porque a boa vida não se faz só de Vinhos e Comida (no meu caso, quase), o premiado Spa do Hotel também criou uma pequena área para massagens e conselhos de beleza, onde não faltaram senhoras interessadas.

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Com o cair da noite e depois de muita comida, não tenho culpa de ter ficado na secção do Porco no Espeto durante um bom bocado e que o assador me achasse um bom garfo, partimos para as sobremesas e para os vinhos que roubam o nome à cidade.

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Destaque para  um Vintage Croft de 1955 da Croft que terminou antes da minha chegada às sobremesas (culpa do porco, mais uma vez), provei o novo Crusted 2012 da Niepoort (ainda por rotular), um vinho de cor forte e excelentes aromas, a mostrar a exuberância da juventude. Provaram-se ainda bons LBV´s da Croft e Passadouro e um Delicioso Moscatel, o Favaios 1980.

Nas sobremesas, mais uma vez os excelentes queijos e duas preparações de Ricardo Costa, uma à base de Chocolate Negro e outra de Côco.

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Com a noite veio também uma banda para animar o final do serão com música ao vivo a pedir um pezinho de dança aos mais animados.

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Foi, sem dúvida, uma noite de grande animação, organizada com pés e cabeça e repleta de coisas boas!

A #SunsetWineParty do The Yeatman tem vindo, assim, a elevar a sua própria fasquia, ano após ano e festa após festa, pelo que só nos resta esperar pela próxima. Felizmente, não teremos de esperar pelo próximo ano, porque o evento vai repetir-se a 27 de Agosto, uma vez que foram muitas as pessoas que não conseguiram a sua entrada para esta festa. Fica a promessa da organização de manter o bom ambiente a boa comida e de trazer mais vinhos e diferentes produtores até este Sunset.

Por isso já sabem apressem-se nas reservas!

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Info:
THE YEATMAN
Preço – 65€ p.p.
Reservas AQUI
Lugares Limitados
Dress Code – Casual Chic
Mais informações – 220 133 121
events@theyeatman.com

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Sunset Wine Party a convite do The Yeatman, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho, cuja opinião e texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Pousada de Lisboa

Lisboa2015 - 58mA antiga sede do Ministério da Administração Interna deu origem à nova Pousada de Portugal, um edifício com história, charme e luxo a percorrer todo o seu interior.

Pousada de Lisboa - 41A localização não poderia ser mais idílica, o Terreiro do Paço.
O Tejo rivaliza com a Praça ao mesmo tempo que cria com ela quase uma sinergia de paixão avassaladora, o ambiente é perfeito, a vista é deslumbrante e a nossa mente perde-se na arquitetura daquela que foi a visão única de Marquês de Pombal.

A Pousada de Lisboa situa-se no canto noroeste deste conjunto arquitectónico, que é Monumento Nacional desde 1910.

Pousada de Lisboa - 40Primeira Impressão:
Depois da azáfama em conseguirmos chegar de carro à Pousada – mais culpa do GPS que do condutor, diga-se – lá fomos recebidos por um dos mais educados e simpáticos funcionários que alguma vez nos recebeu (algo nem sempre comum, infelizmente).

Pousada de Lisboa - 30mA entrada não poderia ser mais memorável, uma escadaria de mármore e alcatifa aveludada dignas de gala, surgem à nossa frente, e terminam num vitral colorido a chamar por nós. No entanto, esta não é a entrada da Pousada, era sim, outrora, o acesso principal ao Ministério da Administração Interna.

  Pousada de Lisboa - 31       Pousada de Lisboa - 29       Pousada de Lisboa - 24
Entramos assim, pelo lado esquerdo, numa porta de vidro que se abriu para nos receber e onde se situa a receção.
A decoração não poderia ser mais imponente, fiquei hipnotizada pelo teto, numa singela homenagem ao País deparamo-nos com os Descobrimentos, através dos astrolábios, naus, marinheiros, e rosas-dos-ventos.

Pousada de Lisboa - 13No centro desta sala contígua à receção, além desta ode aos Descobrimentos, temos também uma estátua de Nuno Álvares Pereira, livros sobre a História e Literatura Portuguesas, duas antigas liteiras de madeira, um busto de Amália Rodrigues e um de Luís Vaz de Camões e quadros de Nadir Afonso espalhados pelas paredes.

Pousada de Lisboa - 15Pois é, ainda nem saímos da receção!

O nosso Check-in foi realizado com prontidão e fomos acompanhados ao quarto, enquanto, o mesmo funcionário que nos recebeu à entrada, nos ia guiando numa viagem pelo tempo e mostrando as diferentes peças de arte ao longo do edifício.

 Pousada de Lisboa - 1Quartos:
São 90 quartos, distribuídos ao longo de quatro pisos e divididos em cinco tipos: o Classic, o Superior, o Deluxe, o Duplex e cinco suítes, três standards, uma intermédia, a Praça do Comércio, e uma presidencial, a Dom Perignon.

Pousada de Lisboa - 3Os quartos podem ter vista para a Praça do Comércio, para a Rua Áurea, para a Câmara Municipal de Lisboa ou para a colina do Castelo de São Jorge.

Ficamos num Deluxe com uma vista deslumbrante para a Praça do Comércio com o Tejo como horizonte.

Pousada de Lisboa - 11mBem, foi amor à primeira vista… Eu e o quarto criamos uma paixão instantânea!

Uma banheira em mármore que se abre para todo o quarto, seis almofadas gigantescas, uma delas era praticamente do meu tamanho (também não é difícil, eu sei!), e uma chaise longue no cantinho das portadas que se abrem para a Praça do Comércio! E pronto, encontrei a felicidade!

Pousada de Lisboa - 6m

Pousada de Lisboa - 10A vista única sobre a Praça e o Tejo

Não fosse o facto de não haver um pequeno apontamento que servisse de “Boas-Vindas” e tudo teria sido perfeito neste quarto.

Pousada de Lisboa - 38Restaurantes:
O pequeno-almoço é servido num pátio interior, que à semelhança do restante hotel, homenageia mais uma vez o país, com chão em calçada portuguesa, e duas magníficas réplicas dos painéis de São Vicente.

Pousada de Lisboa - 18Este átrio é preenchido por luz natural graças ao teto envidraçado que se abre para nos iluminar.

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Ao lado deste local fica a entrada para o restaurante do hotel, o Lisboeta (com entrada também pelo exterior), de inspiração na gastronomia tradicional portuguesa, a cargo do jovem mas promissor chefe Tiago Bonito. O restaurante possui também bar e esplanada sob as míticas arcadas de pedra do Terreiro do Paço.

Pousada de Lisboa - 26Lisboeta

Pousada de Lisboa - 35Serviços:
O hotel tem um excelente espaço para “recarregar baterias”, um pequeno Spa que inclui piscina interior (que infelizmente no momento em que decidimos utilizá-la estava com algum problema técnico e por isso a água não estava à melhor das temperaturas), sauna e um fitness center.

Pousada de Lisboa - 32Com acesso direto da zona da piscina, por uma pequena escada em caracol, subimos até ao solário natural, no fundo é um pequeno, mas muito agradável, terraço em volta da clarabóia do pátio interior.

Pousada de Lisboa - 27Salão Nobre 

O hotel integra, ainda, duas salas para reuniões ou eventos, que albergam entre 140 a 150 pessoas, a Sala Terreiro do Paço, e o imponente Salão Nobre. Esta última apresenta um magnífico teto todo trabalhado com adornos em estuque, e ornamentado com folha de ouro, o enorme candelabro no centro possui um brilho que nos faz imaginar o mais elegante e luxuoso dos bailes de outrora.

Pousada de Lisboa - 23Atendimento:
Uma equipa muito bem preparada, com uma simpatia bem acima do habitual, com um serviço cuidado e atento.

Apesar de ser um espaço tão recente nota-se que há todo um trabalho bem desenvolvido por trás, com o selo de garantia do grupo Pestana,  que faz com que nos sintamos importantes, sem nos sentirmos demasiado invadidos.

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Certamente o caminho a seguir continuará a ser este e no sentido de receberem cada vez mais e melhor os seus hóspedes, naquele que é o hotel que em cada metro quadrado presta uma humilde homenagem a este país “à beira-mar plantado”.
Pousada de Lisboa - 22É possível sentir que ao longo de todos os espaços do hotel o clássico entra na mais perfeita simbiose com o contemporâneo, que vai aliando as peças de mobiliário antigo e as várias obras de arte.

As obras de reabilitação procuraram manter a traça original deste edifício histórico, e conseguiram, e a prova disso é o verdadeiro esplendor presente em cada espaço e em cada pormenor que nos remete facilmente para um edifício do século XVIII. Que todas as Pousadas de Portugal saibam manter assim a identidade dos seus edifícios.

Pousada de Lisboa - 22mA Guerra dos Tronos

Uma estadia memorável, a repetir, certamente!

Pousada de Lisboa
A Pousada de Lisboa faz parte dos Small Luxury Hotels of the World - www.slh.com
Quartos desde 189 euros
Praça do Comércio, 31-34 – Lisboa
(+351) 210 407 640
​guest@pousadas.pt

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Pousada de Lisboa a convite das Pousadas de Portugal, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho, cuja opinião e texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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A Cevicheria

A Cevicheria - 1Depois de uma viagem pelo globo e um imenso sucesso com o seu O Talho, muitos especulavam que Kiko Martins se mostraria num novo projeto, desta vez mais sério e complexo, um pouco à semelhança de José Avillez quando abriu o Belcanto depois do sucesso do seu Cantinho. Mas Kiko trocou-lhes as voltas e decidiu voltar a “Comer o Mundo” trazendo até Lisboa uma Cevicheria, inspirado na sua viagem pela América Latina e no sucesso mundial da Cozinha Peruana e de Chefs como Gastón Acurio ou Virgilio Martínez.

A Cevicheria - 3

O Chef Kiko, como é conhecido, demonstra aqui mais uma vez a vontade de marcar o panorama gastronómico da capital, com ideias fora da caixa e uma capacidade única de as fazer vingar no mundo real. A concepção de todo o projeto demonstra bem toda essa capacidade, desde  a escolha do espaço, no cada vez mais concorrido Príncipe Real, que não sentará mais de 26/28 pessoas, as enormes portadas, que dão uma luz natural única à sua decoração, onde o interior branco nos faz sentir ainda mais essa luz, o balcão que ocupa a maior parte do espaço e onde é possível comer enquanto nos vamos entretendo a observar os cozinheiros na preparação ao vivo dos pratos, e claro o Polvo, que será certamente uma das novas atracções da cidade de Lisboa. Não há quem fique indiferente a este polvo que ocupa grande parte do teto e que serve como elemento quase único de decoração, não há cliente que não o fotografe nem transeunte que não pare a observá-lo. Um genial golpe de Marketing.

A Cevicheria - 2

Mas passemos ao que realmente interessa, a comida, a carta está divida em pratos principais e sobremesas, com uma série de ceviches, e alguns pratos quentes, além de um interessante menu de Degustação (6 pratos – 35€). Como fomos mais à hora do lanche que de almoço, para evitar filas (o restaurante funciona das 12h30 às 00h e não aceita reservas), optamos por partilhar alguns pratos.

A Cevicheria - 5couvert

A acompanhar um correctíssimo Pisco Sour (cocktail Peruano à base de pisco, sumo de Lima, clara de ovo, xarope de açúcar e angustura) chegou o couvert (2,5€), com uma boa manteiga com tinta de choco, e um simpático dip de tomate com ricotta e azeitona. Como pão, umas leves tostas de pão de trigo e pão de milho feito na casa, acompanhados também por umas ótimas Canchas, que é como quem diz um tipo de grão de milho maior ligeiramente tostado com sal, como há milhares de anos se come na região dos Andes. Muito Bom.

A Cevicheria - 7
Ceviche “Puro”, Corvina, cebola, leche de tigre, algas wakame e batata doce (11,80€)
O peixe varia de dia para dia, utilizando sempre peixes brancos com boa capacidade para aguentar o tempero cítrico, como a garoupa o pampo ou a corvina que nos foi servida. A batata doce aparece em duas texturas, crocante e num levíssimo puré que quase parece uma espuma, um apontamento interessante que dá, não só novas texturas, como também mais alguma substância ao prato. Nota altíssima para o tempero do Leche de Tigre, pujante quanto baste, e para a introdução das algas. Muito bom.

A Cevicheria - 9Quinoto do Mar, Quinoa, camarão, pampo, berbigão, mexilhão, algas e espuma de ostra (13,60€)
Foi sem dúvida o momento mais memorável da refeição. Quinoa cozinhada como risotto, mas sem o peso do queijo e da manteiga, cozinhada num caldo semelhante ao de uma caldeirada de marisco e acompanhado de alguns habitantes do mar e um pedaço de Pampo bem selado com a pele crocante. O que mais nos fica na memória não é certamente a quinoa, os mariscos ou as texturas, mas sim o sabor a mar que se sente naquele prato, da conjugação do caldo com as algas, o marisco e a brilhante espuma de ostras, ali tudo é mar e cada garfada é uma espécie de mergulho no fundo do oceano!

A Cevicheria - 10Doce de Leite e Piña Colada, Torta recheada com doce de leite, creme de cocô e abacaxi caramelizado com rum (6,30€)
Na América Latina quando o assunto é doce, é mesmo doce, e com a Cíntia à mesa não havia como fugir ao doce de leite, para mal dos meus pecados! Já na mesa, revelou-se aquilo que se esperava, uma sobremesa bonita, que nos transporta para outras latitudes. Uma torta bem conseguida, doce sem ser maçuda, mas muito doce como se esperava. A acompanhar muito bem o creme que lhe dava alguma leveza mas beneficiaria certamente de um sorbet, fosse ele de abacaxi ou piña colada. Escusado será dizer que para a Cíntia estava perfeito!

A Cevicheria - 4

A acompanhar a refeição houve Pisco Sour (7,5€), Gin Tónico (9,50€) e uma boa limonada (3€). Já a carta de vinhos é curta com algumas opções mais frescas e próprias para os pratos apresentados.

O serviço é mais uma das assinaturas de Kiko Martins, o tal Chef Kiko da Tv, informal e descontraído com um profissionalismo bem acima do posicionamento do restaurante, já comi em restaurantes com a famosa estrela michelin em que os pratos não me foram tão bem apresentados. Nota ainda para o aspeto cuidado de toda a equipa, da “sala” à cozinha, do bar ao balcão tudo tem aquela “pinta” que nos transporta para um ambiente cosmopolita em que chefs são estrelas de rock e capas de revista. Podíamos estar em Londres ou Nova Iorque, mas não, era mesmo Lisboa.

A Cevicheria - 8

Considerações Finais
A Cevicheria é mais um projeto, bem pensado e bem montado por Kiko Martins, que depois do sucesso das carnes mostra audácia nos peixes. É uma cevicheria de base clássica, com um ambiente único, da sala à banda sonora que nos tira de Portugal por alguns instantes. A comida não sendo tão arrojada como a de alguns projetos de base peruana que têm surgido na Europa, demonstra uma qualidade notável e alguns pratos difíceis de esquecer, como o caso daquele Quinoto do Mar. É um espaço em que tudo funciona bem, dos pratos ao serviço passando pelo marketeer Polvo e certamente pelas longas filas de espera que as Sextas e Sábados devem atingir. Agora é esperar por um regresso a Lisboa e provar o resto da carta.

A Cevicheria
Rua D.Pedro V, 129 Lisboa
218038815

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Bistrô4 (PortoBay Liberdade)

portobay - 33No novíssimo PortoBay Liberdade (ver artigo), um novo Hotel 5 estrelas na agitada Av. da Liberdade, surge um restaurante com assinatura de Benoît Sinthon ( *Michelin,  Il Gallo D’Oro) que quebra as barreiras do luxo e das mais exigentes normas dos restaurantes de Hotel, inspirando-se na nova vaga da Bistronomie francesa, prometendo uma cozinha de alta qualidade num ambiente informal típico dos antigos Bistrôs.

 Portobay - 14

A inspiração de Benoît não segue as linhas mais contemporâneas dos novos “Reis” da Bistronomie, comoSeptime, o Frenchie ou o David Toutain, mas sim uma cozinha de autor mais aberta e descomplicada à semelhança da de Yves Camdeborde, o fundador do conceito, hoje no Le Comptoir du Relais.

A decoração do espaço segue as linhas bem conseguidas do restante Hotel, com destaque para a bonita garrafeira que serve de entrada ao restaurante e o pátio, decorado com Oliveiras e Limoeiros e um bonito painel de azulejos de Joana Rêgo, onde nos instalamos.

As boas vindas foram dadas com um espumante Bairosa e por um excelente cesto de pão, cuja origem apostaria vir de uma padaria francesa. A acompanhar uma boa manteiga e uma impecável pasta de frango com caril.

bistro4 - 1Ceviche

Começamos então pelos petiscos (5€ cada), divididos em Frios e Quentes e onde optamos por um Ceviche à base de corvina com umas bonitas chips de batata doce e leves apontamentos de purê do mesmo tubérculo. Apresentação cuidada e boas texturas, tendo feito falta a cebola e um pouco mais de acidez.

bistro4 - 2Pernas de codorniz

Nos quentes optamos por umas pernas de codorniz panadas com panko. Fritura dominada com mestria, crocante, sem excessos de óleo e a carne no ponto. No entanto, o ponto alto foi o excelente molho agri doce de inspiração asiática que acompanhava as pernas. Um deleite!

bistro4 - 3Lapas na Frigideira, Bolo do caco com manteiga de alho (14,5€)
Não há muito a dizer sobre este prato, tudo estável irrepreensível, desde a cocção das lapas, ao molho de manteiga, alho e ervas passando pelo bom bolo do caco que as acompanhou. Podia passar o resto da refeição de volta destas lapas.

bistro4 - 5Pâté en Croûte Maison, pickles , puré de aipo e mostarda (13,5€)
Apresentação cuidada de um clássico da cozinha francesa que me trouxe boas memórias de um brilhante Pâté en Croûte que tinha comido num restaurante de Alain Ducasse. Recheio impecável, temperatura certa, e boa introdução do pistácio. Nota menos positiva para a massa que devia ter cozido um pouco mais em alguns pontos. Excelentes também os pickles e a junção do puré de aipo com a mostarda à antiga, cuja acidez e frescura funcionou muito bem com a gordura e untuosidade da terrina.

bistro4 - 6Omeleta de Camarão (13,5€)
Como já aqui havia escrito, sou exigente com omeletas, gosto do interior meio líquido sem tons de castanho no exterior. Aqui tinha algumas reticências quando li na carta que era regada com um molho de crustáceos, mas decidimos apostar. E em boa hora o fizemos, a omeleta vinha exactamente como gosto, cremosa e de exterior claro. O molho funcionou à base de uma bisque, funcionou bem com os ovos, aumentando o sabor a marisco sem se sobrepor.

bistro4 - 7Peixe e Conchas (18,5€)
Apresentado num elegante tacho La Creuset, o prato era uma espécie de caldeirada, com todos os elementos cozinhados no ponto, da corvina às amêijoas passando pelas batatas. O grande destaque do prato vai para o seu caldo, com notas de crustáceos e peixe, que abrilhanta o prato com o seu sabor e na forma como uniu todos os elementos.

A acompanhar com este e os pratos anteriores esteve muito bem um Madrigal, 2013 (8€ o copo), da Quinta do Monte D’Oiro (na carta referiam 2011), um vinho feito com a casta Viognier, de nariz bem expressivo e uma mineralidade única, que lhe permitiu harmonizar bem com todos os pratos.

bistro4 - 8Bochecha de Vitela confitada, Lentilhas estufadas (19€)
Foi o prato menos conseguido da noite, não por culpa do sabor ou da Bochecha, ótima por sinal, mas sim da textura das lentilhas, ainda demasiado dura e crocante para o meu gosto. Al dente, mas nem tanto!

A fazer companhia à Bochecha, esteve um tinto, Terrenus 2011 (8€) de Rui Reguinga, um vinho potente, de aroma complexo e taninos suaves com um final longo a combinar bem com os sabores do estufado.

bistro4 - 9Queijos, Azeitão, Amarelo da Beira Baixa e Vaca Curado (3 queijos 12,5€)
Uma seleção simples mas bem apresentada de alguns queijos nacionais, com destaque para o Amarelo da Baixa.  Um departamento que merece mais atenção e destaque ou não estivéssemos num Bistrô.

bistro4 - 10Trouxa de Maracujá, Panna cotta de Banana (6,5€)
Normalmente as sobremesas são o capítulo mais fraco da maioria dos nossos restaurantes, mas felizmente não foi o caso do Bistrô4. De apresentação cuidada, viajamos até à madeira, com a banana e o maracujá num jogo de texturas brilhante. A trouxa recheada com sagu e maracujá estava perfeita, bem combinada com o crocante do biscoito, o doce do côco e a frescura do maracujá fresco, tudo ligado por uma elegante panna cotta que escondia o fundo do prato. Muito, muito bom.

bistro4 - 11Choc “Snick” Ben (6,5€)
Para esta sobremesa a inspiração de Benoît Sinthon foi o famoso snickers, aqui reinterpretado numa elegante barra de chocolate com todos os seus elementos construídos de uma forma diferente e menos doce, bem acompanhada por um brilhante sorbet de ananás que me arrebatou por completo. Mais uma excelente sobremesa.

A carta de vinhos apresenta uma excelente selecção com foco nas principais referências nacionais, mas passando também pelo estrangeiro e claro, não podia deixar de conter uma excelente seleção de vinhos da Madeira.

O serviço decorreu como manda a bistronomie, de forma relaxada e profissional com pontos de alegria e diversão quebrando a barreira entre os comensais e a brigada.

Considerações Finais
A “chegada” de Benoît Sinthon ao Continente é por si só um motivo de alegria para a agitada cena gastronómica Lisboeta. A sua assinatura leva-nos a uma viagem pelo mundo, com escala óbvia em França de onde importou o conceito do espaço, passando pela “sua” Madeira e também pelo Brasil. A chefiar a cozinha está também um Madeirense, João Espírito Santo, que demonstrou ao longo da refeição um excelente domínio técnico e gosto apurado.

Foi uma excelente refeição, marcada por alguns excelentes momentos que em nada se deixaram sobrepor pelos pequenos erros de um ou outro prato. É um restaurante recente que consegue bem aquilo que lhe é pedido, quebrando com as regras da habitual restauração de Hotel     facilitando certamente a aproximação a todo o tipo de clientes, sejam hóspedes ou não.

A nós resta-nos esperar por um regresso a Lisboa, para ver as novidades que Benoît trará no futuro.

Bistrô4 – Hotel PortoBay Liberdade
Rua Rosa Araújo 8, 1250-195 Lisboa
+351 210 015 700
portobayliberdade@portobay.pt

English Version

Nota
Estivemos no Bistrô4 e no PortoBay Liberdade a convite do grupo PortoBay, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

Fotos: Flavors & Senses

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PortoBay Liberdade

Portobay - 27mO grupo PortoBay, o grupo hoteleiro português com maior número de prémios internacionais, decidiu realizar a mais perfeita e incomum das conjugações, aliar o charme ao urbano, criando, assim, o PortoBay Liberdade na mediática Avenida da Liberdade em Lisboa.

Com o intuito de nos fazer viajar no tempo, Frederico Valsassina, o arquiteto responsável pelo projeto, recuperou um edifício do século XX, mantendo a essência de outra época, mas acrescentando-lhe a virtude do contemporâneo, que tão bem se conjuga com o passado.

Portobay - 25O hotel encontra-se povoado de arte e cultura portuguesa em perfeita comunhão com o resto do mundo. Uma espécie de ambiente cosmopolita de mãos dadas com o conforto e o aconchego.

Portobay - 26Bar Aviator6

Primeira Impressão:
À medida que nos aproximamos do hotel, somos imediatamente levados para o século XX, ou não fosse a fachada do PortoBay um autêntico hino ao passado.

Já no interior do hotel, do lado direito o bar contíguo à receção, o Aviator 6, com decoração inspirada na aviação em tons de azul (com o azul Tiffany, como eu gosto de o chamar) e material metálico, com direito a uma esplanada que na sua modernidade se opõem à fachada histórica.

  Portobay - 24Do nosso lado esquerdo, a receção propriamente dita, com uma zona de espera preenchida por peças e mobiliário oriundos de diferentes partes do mundo.

Devido a uma qualquer dificuldade em encontrarem a nossa reserva fomos convidados a aguardar comodamente no Aviator 6, infelizmente essa falha fez-nos esperar ainda um bocado, mas também nos permitiu ir absorvendo todo o ambiente deste hotel urbano e simultaneamente charmoso.

Finalizada esta pequena, mas chata confusão e já com tudo resolvido fomos convidados (não acompanhados) a subir ao nosso quarto.

Portobay - 23Ao longo do hotel, nos diferentes pisos encontramos as fotografias de Henrique Secura sobre a cidade de Lisboa e por todo o hotel está bem presente a preocupação com a arte e os artistas portugueses, visível nos quadros, nas esculturas, nos azulejos do pátio do restaurante, e em cada recanto do hotel.

Podemos encontrar nomes de conceituados artistas como Ana Vidigal, Catarina Pinto Leite, Artur Bual, Cruzeiro Seixas, Menez e Joana Rêgo.

O hotel é assim, uma verdadeira viagem sobre arte, cultura e lazer.

Portobay - 4 

Quartos:
O hotel conta com 98 quartos, de cinco tipos, Classic, Superior, Deluxe, Junior Suite e Suite. Ficamo-nos pela Junior Suite! Um verdadeiro luxo cosmopolita aos olhos da minha humilde sabedoria sobre aposentos!

A varanda do quarto era o seu ex-libris, e preenchia o quarto com uma luminosidade contagiante, que tão bem define a cidade de Lisboa.

A decoração, à semelhança do restante hotel, conjuga duas épocas bem distintas, o passado que está patente, principalmente, nas cantarias de lioz, e que garante ao ambiente uma singela elegância, e o presente, bem patente no luxo, sofisticação e apontamentos contemporâneos que dão uma vida cosmopolita a todo o quarto.

  Portobay - 3       Portobay - 2       Portobay - 5
A cama era extremamente confortável e o quarto de banho enorme preencheu na perfeição todos os meus requisitos.

Faltou-me apenas um pequeno apontamento que servisse de “Boas-vindas”, fosse uma peça de fruta ou um doce característico da cidade (sou picuinhas, que posso eu fazer!).

Portobay - 14Bistrô4

Restaurantes/bares:
Aqui está uma categoria em que o PortoBay se destaca de muitos hotéis.
Sendo um hotel de cidade, e estando situado numa das zonas mais emblemáticas da capital, o Porto Bay apostou na excelência. E conseguiu, definitivamente!

Três é o número de espaços que o hotel contém, o Aviator 6, o Deck7 e o Bistrô4.

Portobay - 7Deck7

Sobre o primeiro já vos falei no início deste texto, decoração a fazer lembrar a aviação, com cunho contemporâneo, em tons azuis, que mescla a elegância e a informalidade ao mesmo tempo. Este espaço oferece-nos mais de 300 referências de bebidas e uma esplanada em pleno centro da cidade voltada para a famosa Avenida da Liberdade mas sem o exagero do movimento da baixa Lisboeta.

Portobay - 11mDeck7
Portobay - 8        Portobay - 10m       Portobay - 12m

Quanto ao Deck7, imaginem um terraço com um ambiente intimista, elegante sem ser pretensioso, e onde têm à disposição um jacuzzi! Isto é o Deck7, um local onde podemos bronzear enquanto desfrutamos de um bom gin, e preguiçamos no jacuzzi!

Portobay - 17Relativamente ao último, o Bistrô4 foi onde tomamos o pequeno-almoço e tivemos oportunidade de jantar (e que jantar!). Este espaço traz a Lisboa uma nova lufada no conceito francês de Bistromomie, pela mão do Chef Benoît Sinthon (*Michelin).

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Nas duas refeições optamos pelo encantador pátio exterior, envolvidos pelo perfume dos limoeiros e das oliveiras que o rodeiam. Sobre a nossa experiência ao jantar o João falar-vos-á num artigo específico.

Portobay - 31Vitality Pool*

Serviços:
O PortoBay é um autêntico Resort Urbano, que nos apresenta diferentes serviços capazes de tornar a nossa estadia numa experiência única.

A sua piscina interior, a Vitality Pool, apresenta luz natural, é aquecida, possui hidromassagem e jatos de água, e tem acesso a um pequeno pátio com espreguiçadeiras em jeito de oásis urbano.

Portobay - 29Spa Aromatherapie*

Mesmo junto à piscina temos o Spa do PortoBay, um local com quatro salas de tratamentos com a assinatura da reconhecida marca Aromatherapie e uma zona de relaxamento, onde podemos desfrutar dum momento único que nos fará viajar para longe da azáfama do dia-a-dia.

  Portobay - 20       Portobay - 9       portobay - 34
Para quem além da mente, também não descura o corpo, o hotel tem também o ginásio, com luz natural e vista para a piscina e pátio interior, equipado com diferentes máquinas de treino e um conjunto de personal trainers.

E porque nem todos viajam em lazer, mas sim a trabalho, o hotel conta com quatro salas e capacidade para receber 150 pessoas para conferências ou congressos, que também podem ser utilizadas para diferentes eventos.

 Portobay - 30Serviço de quartos*

Atendimento:
O hotel é, sem dúvida, constituído por uma boa equipa, pessoas atentas e preocupadas que tentam garantir a melhor estadia possível a qualquer um dos seus hóspedes. Nota-se uma preocupação constante na organização, principalmente pelo facto de ser um hotel com poucos meses de vida.

Não fosse aquela confusão inicial com a nossa reserva, e tudo teria corrido pelo melhor. Mas confusões acontecem e são facilmente perdoadas quando tudo o resto segue na direção oposta.

 portobay - 32A fachada clássica bem integrada com os complementos mais modernos*

Uma experiência a recordar neste antigo palacete do século XX que une o clássico ao contemporâneo, e que presta uma homenagem à cidade das sete colinas através da arte.

Um verdadeiro oásis urbano que nos permite estar no centro da capital sem que sejamos atingidos pelo movimento desmesurado das massas.

Uma grande estreia do PortoBay em Lisboa!

PortoBay Liberdade
Quartos a partir de 135€
Rua Rosa Araújo, 8 – Av. da Liberdade . Lisboa
+351 210 015 700
portobayliberdade@portobay.pt

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Fotos: Flavors & Senses e as assinaladas com* – PortoBay Liberdade

Nota
Estivemos no PortoBay Liberdade a convite do grupo PortoBay, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho, cuja opinião e texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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The Yeatman – Sunset Wine Party

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Depois do clássico de Natal com a Christmas Wine Experience eis um outro clássico do The Yeatman, a Sunset Wine Party.

O Hotel com a melhor vista sobre o Porto e o melhor terraço da cidade promove já no próximo dia 23 de Julho mais uma das suas Sunset partys em que o mote é juntar os encantos de um pôr do sol com os melhores vinhos e a melhor gastronomia.

Para isso, Beatriz Machado, Directora de Vinhos, escolheu criteriosamente mais de 40 vinhos entre os parceiros vínicos do Hotel para conjugar com uma série de petiscos criados por Ricardo Costa (*Michelin) disponíveis em formato buffet.

yeatman-4 Fica a promessa de vistas como esta

Mas desenganem-se os que pensam que será apenas mais uma prova com direito a comida, a Sunset Wine Party promete muito mais, dos Djs e da música ao vivo até ao  Spa Lounge com direito a massagens e conselhos de Beleza.

É mais um evento com selo de qualidade garantida como o The Yeatman já nos tem habituado.

Parceiros: Dona Berta, Niepoort, Passadouro, Pessegueiro, Quinta Nova, Ramos Pinto, Herdade do Rocim, Quinta da Romaneira, Rui Roboredo Madeira, Vale dos Ares

yeatman-2Os elementos chave para a Sunset Wine Party*

Info:
THE YEATMAN
Preço – 65€ p.p.
Reservar AQUI
Lugares Limitados
Dress Code – Casual Chic
Mais informações – 220 133 121
events@theyeatman.com

 

* Óculos Barton Perreira disponíveis em Óptica do Porto
Fotos: Flavors & Senses e The Yeatman

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São Gião – Moreira de Cónegos

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 Falar do São Gião é invocar o lado religioso da gastronomia, 1º rumar a Moreira de Cónegos é como que uma peregrinação (confesso que prefiro bem mais este tipo de sacrifício), 2º as mãos e os ingredientes de Pedro Nunes são obra do divino.

Chegar ao restaurante não é das tarefas mais difíceis, um bom GPS, ou um amigo fã de futebol facilmente nos indica o estádio do Moreirense, já o São Gião é um pouco mais difícil de encontrar à 1ª passagem, mas fica ali bem em frente ao Parque de estacionamento do Estádio, numa casa com ares de moradia privada e sem grande identificação.

Passando a pesada porta de madeira tudo muda, o espaço é amplo e bem iluminado, fruto das grandes janelas que rodeiam toda a sala e nos colocam os campos verdes da região como pano de fundo.

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A decoração é simples, com apontamentos clássicos e modernos mas minimalista, tendo nos copos de água coloridos a sua principal extravagância, as mesas são espaçosas e bem distribuídas permitindo alguma privacidade e direito de conversa mesmo com a sala cheia.

Já bem instalados, começamos pelo couvert (2,5€), que se viria a revelar o momento menos feliz da refeição, muito por culpa do pão, cuja qualidade não deixa saudade, acompanhado por azeite.

sgiao - 8Terrina de Fígados de Ganso (10€)
A carta do São Gião muda quase diariamente, com base nas emoções de Pedro Nunes e nos melhores ingredientes que vai recebendo na sua casa. Tivemos a sorte de poder provar o seu mi-cuit de Foie Gras, e perdoem-me os acérrimos senhores da PETA, mas foi das melhores Terrinas que já provei em Portugal. Textura certíssima, sabor forte mas delicado, servido à temperatura correta (falha tantas vezes), muito bem acompanhados por tostas finas e uma compota de framboesa, cujo doce e a acidez funcionaram muito bem com a terrina.
sgiao - 7Omeleta de camarão (12€)
É verdadeiramente difícil encontrar uma omelette bem feita por estas bandas, ora estão queimadas e com o interior seco, ora sabem a óleo sem qualquer pitada de manteiga. No S. Gião são um clássico pelo que decidimos partilhar uma como entrada. Se por fora tinha algumas zonas ligeiramente queimadas, o interior compensou a falha do excesso de temperatura, cremoso  e ainda ligeiramente líquido com o tempero certo e camarões no ponto e na quantidade certa. Não fosse o exterior e estaria perfeita!

sgiao - 5Peixe Galo Frito, Açorda de milharas (21€)
Porque estamos no Minho as doses são fartas e dariam plenamente para partilhar, mas como não se faz esta peregrinação todos os dias optamos por ser um tanto ou quanto egoístas. As postas de Peixe Galo (de porte considerável) foram fritas de forma exímia, sem excessos de gordura, com uma polme bem crocante e o interior ainda húmido. Um peixe absolutamente delicioso e muito bem acompanhado pela saborosa açorda de milharas, bem temperada e com quantidade certa de ovas, estava apenas um pouco líquida demais para o meu gosto, tendo em conta que  gosto da açorda com um pouco mais de consistência e cremosidade.

sgiao - 6Empada de Carnes Variadas (18€)
Uma deliciosa e reconfortante empada, com as carnes que viajavam entre o frango e a caça ainda húmidas e suculentas. Um prato forte, repleto de sabor, aumentado ainda pelo excelente gratin de batata que o acompanhava e os legumes muito bem assados. Mais um excelente momento.

sgiao - 4Pudim Abade Priscos (4,5€)
Ir ao Minho e não comer o mais importante dos pudins nacionais nunca seria visto com bons olhos, logo, foi a primeira sobremesa a ser escolhida. E em boa altura o fizemos, consistência perfeita, com as marcas características de um bom abade de priscos, com as notas do toucinho e do vinho do Porto a fazerem-se sentir. Doce quanto baste para uma refeição já longa e pesada.

sgiao - 3Folhado de Mirtilos  (4,5€) 
Um folhado feito à base de camadas crocantes de uma massa tipo filo, recheadas com uma boa compota de Mirtilos. Uma sobremesa simples mas com um bom jogo de textura e temperaturas a conjugar muito bem o quente e o doce do folhado com o gelado de frutos vermelhos.

A carta de vinhos apresenta as principais referências nacionais, ou não fosse o próprio Pedro Nunes um afamado enófilo, com preços sensatos. Acompanhamos a refeição com um Branco Duas Quintas de 2013 da Ramos Pinto (17,5€), que se comportou de forma muito competente com os pratos escolhidos.

Além da carta e das mãos do Chefe, o serviço de sala é outra das mais valias do São Gião, funcionários competentes, com gosto por aquilo que estão a fazer, mesclando muito bem o profissionalismo e o detalhe do serviço clássico com a abertura e descontração de espaços mais modernos.

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Considerações Finais
Pedro Nunes é garantidamente um nome de destaque entre os seus pares, principalmente pela mestria com que combina a tradição Portuguesa com a técnica Francesa e apontamentos mais irreverentes, sendo fácil encontrar na sua carta tanto o seu famoso cabrito assado como um risotto de ostras ou uma terrina de foie, como a que referimos em cima.

No que diz respeito à nossa refeição, não fosse a qualidade do couvert estar abaixo do expectável  e a omelete ter o exterior ligeiramente queimado e tudo teria estado perfeito. Grande qualidade de ingredientes e boa qualidade técnica que fazem deste um dos mais interessantes restaurantes do Norte e do País. Um espaço que de facto merece todas as romarias e peregrinações e do qual me confesso devoto! Agora resta rezar para que na próxima excursão religiosa haja carabineiros na carta!

Nota: Já depois desta visita o restaurante São Gião foi eleito pelos votantes dos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores para 2015″ como o vencedor na categoria Restaurante Fora de Portas (ver)

sgiao - 2Os inúmeros prémios do São Gião

Restaurante São Gião
Avenida Comendador Joaquim de Almeida Freitas, 56 Moreira de Cónegos
253 561 853

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Fotos: Flavors & Senses

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Um Dia no Pinhão

Douro2014 - 16Estação Ferroviária do Pinhão

Durante a nossa estadia no Vintage House Douro (ver), tivemos oportunidade de passear (mais uma vez) pelo Pinhão, que se situa na margem direita do rio Douro, e é o centro da região demarcada do Vinho do Porto.

O Pinhão é uma pequena freguesia que pertence a Alijó, e a sua paisagem está classificada pela UNESCO como património cultural da humanidade.

Douro2014 - 9O Pinhão em pano de fundo

Já tínhamos estado no Pinhão algumas vezes e sempre que lá vou adoro! Não pela arquitetura dos edifícios que infelizmente não é das mais bonitas, aliás, não é nada bonita mesmo! Mas a paisagem envolvente faz-nos esquecer de tudo isso!

Douro2014 - 10

O Pinhão não é grande, aliás, é até bem pequeno, mas há uma série de coisas bem interessantes para se fazer e assim passar um dia em perfeita comunhão com o Douro e a Natureza.

pinhao - 1Estação Ferroviária do Pinhão

Podem optar por fazer como nós e irem ao Douro sempre que tiverem oportunidade. E para isso vou enumerar uma série de pequenos prazeres a que podem aceder a partir do Pinhão neste pequeno paraíso que é o Douro.

Este foi um dos nossos roteiros, de um dia apenas.

dourox_196Miradouro de Casal de Loivos*

Casal de Loivos:
Optamos por começar de manhã bem cedo e após um maravilhoso pequeno almoço no Vintage House, fizemos um pequeno desvio até Casal de Loivos. Esta pequena localidade, na zona mais alta do Pinhão, tem um Miradouro de cortar a respiração!

Uma das imagens mais idílicas que já tive o prazer de vislumbrar. Basta perguntarem a algum habitante do Pinhão onde fica e eles indicar-vos-ão.

 Douro2014 - 22O Pinhão e o Douro vistos de Casal de Loivos

dourox_6PipaDouro e Vintage House

PipaDouro:
Há algo melhor do que conhecer a região do Douro a partir do próprio rio? Navegar entre os montes repletos de vinhas e socalcos? Não, não há!

E por isso depois duma vista perfeita do Miradouro e de ter o Douro a nossos pés nada como abraçar o rio pelo seu coração.

O PipaDouro não é apenas um serviço de barcos, o PipaDouro é o serviço, que além de buscar a excelência, funciona sem destinos, em que o próprio cliente decide o que quer, tudo criado para tornar a nossa experiência, “A Experiência”!

Douro2014 - 8m

Fizemos uma viagem de cerca de duas horas no barco Friendship I (também já passeamos no mais pequeno e igualmente encantador Pipadouro II). O Pipadouro encontra-se mesmo em frente ao Hotel Vintage House Douro, podem embarcar aí, mas como é óbvio, convém reservarem antes.

Para ficarem a saber mais sobre este assunto leiam o artigo do João (ver).

Douro2014 - 2m

Optamos por fazer uma breve paragem e almoçar num dos restaurantes locais,  mesmo em frente ao rio, comidinha simples e caseira ao bom estilo do interior, com um preço bastante acessível. Podem também optar por almoçar numa das Quintas do Douro.

pinhao - 3Os bonitos azulejos da estação contam a história do Douro e da sua gente

De tarde continuamos o nosso passeio pela pequena vila, passando pela emblemática estação Ferroviária do Pinhão, outrora o mais importante ponto de ligação das gentes da terra com o exterior e que potenciou o desenvolvimento da mesma, com os comércios a instalarem-se junto da estação onde diariamente confluíam as pessoas de todas as terras em redor.

Podem também fazer um pequeno passeio de comboio entre o Pinhão e o Tua, sempre junto à margem do Rio ou até optar por chegarem aqui vindos do Porto, numa viagem que dificilmente esquecerão.

Douro2014 - 11

Quinta do Bomfim - 14

Quinta do Bomfim:
Seguimos o nosso passeio em direção à Quinta do Bomfim uma das mais emblemáticas da região que alberga agora o mais recente centro de enoturismo da família Symington.

Quinta do Bomfim - 18

É um local a não perder no Pinhão e tem um maravilhoso terraço sobre o Douro, que por si só já valeria a visita!

Para ficarem a saber mais sobre este assunto leiam o artigo do João (ver).

Douro2014 - 19

Talho Qualifer:
Daqui voltamos à zona da estação (cerca de 5 min) para visitar um sítio ao qual voltamos sempre que visitamos o Pinhão, o Talho Qualifer.

Este pequeno talho não é bem aquilo a que estamos habituados quando vamos ao nosso fornecedor habitual, em primeiro lugar é a casa de uma figura diferente, Fernando Rebelo, o Talhante. Quando o visitamos a primeira vez só nos conseguimos lembrar do famoso talhante italiano Dario Cecchini célebre por encantar os turistas na pequena localidade de Panzano in Chianti.

  dourox_175       dourox_166       Douro2014 - 17

Mas aqui a história não é sobre Dante ou os gigantescos costoletões, mas sim sobre uma magistral forma de servir e de apresentar o seu trabalho, mais concretamente o fumeiro. Aqui existem enchidos para todos os gostos e feitios e de todos os géneros, reza a lenda que alguns cortam o efeito do álcool e que outros são até bons para tratar a celulite.

Mezinhas à parte, aqui encontramos todo o tipo de corte do porco transformado em fumeiro, das linguiças e chouriços às febras ou costeletas, sem esquecer um maravilho bacon ao qual nunca conseguimos resistir.

Douro2014 - 18

Douro2014 - 5Quinta das Carvalhas

Caso tenham tempo ou optem por ficar mais dias na região (vale bem a pena), visitem alguns dos mais importantes produtores de vinhos do Douro e Porto, muitos deles localizados bem nesta importante zona do “Cima Corgo”. Da imponente Quinta do Noval, à Quinta das Carvalhas da Real Companhia Velha, da Niepoort à Wine & Soul, da Quinta de la Rosa à Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, as opções são muitas e  para todos os gostos, dos vinhos mais clássicos e históricos aos mais irreverentes.

Devem ter em atenção que muitas destas Quintas não estão de portas abertas ou preparadas para o enoturismo, pelo que a visita deve ser agendada atempadamente.

Além disso podem circular pela N222 entre o Pinhão e a Régua, a estrada que separa o Douro das suas belíssimas Quintas e que foi recentemente eleita a melhor estrada do Mundo para conduzir.

Embarquem nesta aventura e deixem-se levar pelos encantos do Douro.

English Version

Photos: Flavors & Senses

* Óculos Porsche Design by Carrera (Vintage) powered by Óptica do Porto

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Cervejaria Brasão

brasao - 1

Antes de começar a falar sobre o restaurante devo admitir que nutro um particular respeito pelo trabalho de Sérgio Cambas, o jovem empresário que há alguns anos pegou num restaurante de ambiente teoricamente ultrapassado e localizado, numa zona onde ninguém queria ir, e o transformou naquilo que é hoje o Paparico, o nosso restaurante do Ano em 2014 (ver). Sérgio é chefe, escanção, cicerone e empresário e faz tudo isso de forma certíssima e eficaz, pelo que a abertura de mais um espaço com a sua assinatura criou elevadas expectativas.

A descida até à baixa era algo que certamente ambicionava, abrindo assim uma Cervejaria, tão à imagem de alguns dos mais emblemáticos nomes da cidade. Mas de semelhante só o conceito, aqui não há luzes fortes, mas sim uma boa iluminação, não há o frio do inox, que é substituído pelo uso intensivo da madeira, que nos remete para um ambiente de conforto que não encontramos em mais nenhuma cervejaria. Em suma, a decoração do espaço foi muito bem conseguida.

Passando ao que realmente interessa e depois de bem instalados, começamos a refeição com pão de boa qualidade (2€), uma ótima manteiga de presunto (0.70€), umas crocantes e saborosas folhas de arroz com oregãos (1€), azeitonas e alcaparras bem temperadas (2€) e um bom creme picante.

brasao - 7 Ostras, pepino e lima (16€)
Passando às entradas, eis que surgiram na mesa umas bonitas e bem limpas ostras nacionais. A acompanhar, muito bem, finas rodelas de pepino e lima cuja frescura e acidez combinou muito bem com a ostra.  Muito bom!

brasao - 6Repolgas e espargos salteados em Pingue de presunto, gema de ovo (6,5€)
Cogumelos, ovos, espargos e gordura são e serão sempre uma combinação prodigiosa. Aqui com todos os elementos bem temperados e cozinhados no ponto, senti apenas falta de um pouco mais de molho, ou então (seria perfeito) de mais uma gema que ajudasse a ligar melhor todos os elementos.

brasao - 5Bife do Lombo com cogumelos (17€)
Um bom e generoso bife do lombo, servido no ponto certo e coberto com um delicado molho de finas fatias de cogumelos paris com a textura e a untuosidade perfeita para o prato. A acompanhar, umas excelentes e crocantes batatas fritas à rodela e uma bonita e saborosa salada. Assim se faz jus ao nome de cervejaria!

brasao - 4Francesinha (9€ – com ovo 9,50€)
Não sou o maior consumidor nem o maior fã deste icónico prato da cidade do Porto, mas, ainda assim, volta e meia lá surge a vontade de entrar por “maus caminhos”. Aqui, o resultado foi ótimo, o molho tinha o sabor certo, picante q.b., com a textura certa e a deixar que se  sinta também o sabor dos restantes elementos do prato. Queijo bem derretido, bife tenro e saboroso e as delicadas salsicha e linguiça fresca cuja origem não engana. Uma francesinha muito bem conseguida, que entra facilmente para o top das minhas escolhas.

Nota positiva ainda para as boas batatas fritas e para a molheira que surge automaticamente na mesa.

brasao - 2Bolo húmido de Chocolate com gelado de Pistácio (4,5€) 
Um clássico fondant de chocolate, doce e com a textura certa. Bom também o gelado, embora preferisse o bolo acompanhado de um gelado mais ácido e sem nata.

brasao - 3Cheesecake de Banana com caramelo (3,5€)
Uma apresentação digna de um outro tipo de restaurante, numa sobremesa muito bem conseguida. Tarte de queijo, saborosa e sem os habituais excessos de gelatina e doce na medida certa, excelente o creme de banana e os apontamentos de caramelo e chocolate, que não só melhoraram o sabor como também a textura do prato. Ótimo final!

A acompanhar a refeição, uma cerveja artesanal Sovina de pressão e o simpático Allo de 2013 da Soalheiro (12€).

Antes de falar no serviço, uma nota em especial para as bonitas loiças em que os pratos são servidos, pintadas à mão ao bom e velho estilo de Viana, que por si só transmitem um charme particular.

Do serviço poderia dizer muito, ou nada, dada a forma perfeita como decorreu toda a refeição, com uma simpatia única e uma atenção quase cirúrgica à boa imagem do seu criador. Algo raro particularmente quando pensamos que ainda é um projeto recente. Certamente não encontrarão um serviço assim em mais nenhuma cervejaria da cidade.

Considerações Finais
O Brasão é mais uma aposta ganha de Sérgio Cambas, mesclando a experiência do Yuko com a técnica e o serviço do Paparico. A decoração quebra todas as barreiras em jeito de rústico contemporâneo e a cozinha remete-nos muitas vezes para um outro estilo de restaurante. É sem dúvida um sítio que será visitado por muitos pela sua francesinha mas que é e sempre será muito mais do que isso.

Até Breve!

Cervejaria Brasão
Rua Ramalho Ortigão, 28 Porto
934 158 672
geral@brasao.pt

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