Bruxelas

Numa das nossas viagens a Paris, decidimos apanhar um comboio na Gare du Nord, e em cerca de 1h30min chegamos à capital da Bélgica, Bruxelas.
Vista por muitos como uma cidade cinzenta (tenho uma certa tendência a concordar), onde a vida anda à volta das instituições europeias ali sediadas, esta cidade revelou-nos algumas surpresas com uma animada vida social e cultural.

Bruxelas é a sede da Comissão e do Conselho Europeu, sendo responsável por 75% do trabalho do Parlamento Europeu, o que a transforma na capital da União Europeia, conferindo-lhe, sem dúvida, um carácter sério!
No entanto, é uma cidade que vale a pena a visita, nem que seja assim de uma forma mais curta, como foi o nosso caso! É um lugar com história, que reúne construções de estilos gótico, barroco, neogótico e clássico, e ao mesmo tempo é uma cidade cosmopolita, onde podemos encontrar desde executivos a estudantes (encontramos na praça principal uma tuna académica portuense! ) ou simplesmente boémios.

Tuna Académica Portuguesa na Grand Place

É a sede dos maiores museus de miniaturas e carros antigos da Europa, a capital mundial da cerveja, chocolate (onde comi os meus chocolates preferidos, Pierre Marcolini – ver) e waffles.

Aconselho-vos a comprar o Brussels Pass, que permite a entrada gratuita em mais de 30 museus, transportes públicos gratuitos (bus, comboio e metro da empresa STIB), descontos em restaurantes e bares e descontos no acesso a algumas atrações culturais/turísticas. Podem comprar para 24, 48, ou 72h, por 24, 36, ou 43€ respectivamente, e adquirir este cartão nos postos de informação a turistas que encontram na Praça principal da cidade, por exemplo.

Grand Place

Por falar nesta praça, Le Grand Place, é considerada por muitos como uma das mais belas do mundo, como descreveu Victor Hugo. Tenho que admitir que a chegada a Bruxelas e o início da visita não estavam a ser particularmente interessantes, como são normalmente as minhas viagens, o frio intenso e o cinzento do céu também não ajudava muito (fomos em Fevereiro), no entanto, quando chegamos a este local mágico, tudo se desvaneceu criando-se um novo universo à minha volta.

Hôtel de Ville

Esta praça foi construída no local onde no século XI se desenvolvia o antigo mercado de padeiros e carpinteiros, talhantes, entre outros ofícios. Os seus imponentes monumentos e edifícios datam do século XV, mas só o Hôtel de Ville (câmara municipal) de Bruxelas e algumas fachadas resistiram aos bombardeamentos franceses de 1695. Reconstruída anos mais tarde, conta agora com uma belíssima arquitetura eclética.
Desde 1998, a Grand Place é Património Mundial da UNESCO.

Com 96 metros de altura, o prédio mais imponente é o Hôtel de Ville, onde é possível fazerem uma visita guiada e ficarem deslumbrados com as belíssimas coleções de objetos de arte. Outro edifício monumental é a Maison du Roi onde fica o Museu de Bruxelas com uma miscelânea da história da cidade.

Maison du Roi

A praça é maravilhosa, a arquitectura é estonteante num misto de gótico, neo-gótico, barroco e clássico que se verificam nas diferentes Guildas, ou antigas corporações de ofício – associações que surgiram na Idade Média, a partir do século XII, para regulamentar o processo produtivo artesanal. Assim, a praça é constituída por edifícios simbólicos e estátuas históricas, como é o caso de Le Renard, Guilda dos Capelistas, representado pela estátua duma raposa, que lhe justifica o nome; Le Cornet, Guilda dos Barqueiros; Le Cygne, que pertencia à Guilda dos talhantes, representado por uma lindíssima estátua de um Cisne; Maison des Boulangers, Guilda dos Padeiros, representado por um magnífico edifício que contém figuras demonstrativas dos elementos da arte de fazer pão.

Le Renard

Se tiverem oportunidade de visitar Bruxelas em Agosto, saibam que a cada 2 anos, e durante uma semana, o centro da praça é preenchido por um tapete florido, repleto de begónias coloridas, criado pela primeira vez em 1971, e mantendo-se até aos dias de hoje, atraindo milhares de turistas.

Mas, nem só da praça vive esta cidade.
Numa caminhada descontraída, podemos descobrir toda a energia, arquitetura, cultura e animação que Bruxelas nos oferece.

Rue des Bouchers e os habituais restaurantes de caça ao turista. FUJAM!

Para isto, a melhor forma é seguir caminhando pela cidade fora! Esta percorre-se bem a pé, num total de cerca de 10km. Podem sempre, se preferirem, optar pelo autocarro turístico, por 22€ o dia inteiro, parando em vários pontos importantes, ou pelo aluguer de uma bicicleta (sistema Villo!) com preços bastante convidativos (grátis nos primeiros 30min, 0,5€ na primeira hora, 3€ na hora seguinte e 2€ a cada hora), e com vários pontos de retirada e entrega espalhados por toda a cidade, ou ainda, mantendo-nos nas bicicletas, pelo sistema de Brussels Bike Tours, que sai da Grand Place, dura cerca de 3h30 custa 25€ e percorre a cidade de bicicleta com um guia turístico que fala em Inglês. Muito sinceramente, eu prefiro sempre andar a pé!

Se formos vagueando pelas ruelas que circundam a Grand Place vamos descobrir uma série de locais ou simplesmente pontos de especial e até estranho interesse, como é o caso de Manneken-Pis, uma pequena escultura de bronze (61 cm) de um menino a urinar.
A estátua original foi construída em 1618, e está guardada na Maison du Roi.

Manneken-Pis

Não existe bem um consenso quanto à origem desta peça de arte, nem se sabe muito bem qual o seu significado, mas que tem a sua piada tem, principalmente quando esta é vestida com roupas de temas diversos, o que acontece todas as semanas.

Um dos locais pelo qual passamos primeiro, pois ficava junto ao nosso hotel, foi La Bourse de Bruxelles, ou a Bolsa de Bruxelas, fundada em 1801 por Napoleão, quando a Bélgica era uma colónia francesa. Exemplo de grande arquitetura de estilo neoclássico, várias esculturas decoram o exterior do prédio, representativas do comércio, indústria, arte, ciência, metalúrgica e outras áreas. Rodin foi responsável por parte do trabalho deste magistral edifício.

La Bourse de Bruxelles

Ainda passeando pela cidade, encontramos o Palais Royale e a Place du Palais. A sede do poder executivo belga, com uma lindíssima fachada neoclássica, foi construído depois de 1900, sob a iniciativa do rei Leopoldo II. As salas e os jardins do palácio são abertos todos os anos para visita entre o final de Julho e o começo de Setembro.

Outra das obras-primas da cidade é o Palais de la Justice, Localizado no alto de uma colina, e inaugurado em 1883, é conhecido por ser a maior construção do século XIX. A sua imponente cúpula de 116 metros de altura pode ser vista de toda a cidade. A poucos passos do Palácio fica a boémia região de Marolles, onde turistas, curiosos e bons negociadores procuram pequenos tesouros nos seus mercados.

Palais Royale

Uma das zonas mais encantadoras da cidade é o Mont des Arts, que inclui L’Albertine, Musée des Instruments de Musique, Carillon du Mont des Arts. Esta região é histórica e fica numa ladeira repleta de museus de arte e belas ruas. Do jardim da mítica e florida praça L’Albertine (pena que na altura que lá estivemos o jardim não estava florido) é possível ver a Grand Place, o centro histórico, a Basílica de Koekelberg e até o Atomium. Nesta zona encontramos também o Musée des Instruments de Musique que apresenta a maior coleção de peças de música do mundo. Por fim, o Carillon du Mont des Arts com 24 sinos (12 na frente) e 12 figuras históricas e folclóricas da história belga.

L’Albertina

Para quem se quer dedicar às compras, podem optar por visitar Lês Galeries dês Saint Hubbert. Esta foi a primeira  galeria comercial da Europa, aberta em 1847 pelo Rei Leopoldo I. É coberta por uma enorme cúpula de vidro, o que faz dela uma das mais bonitas do continente Europeu. Aqui dentro, há do mais luxuoso (e caro) desde jóias, chocolates, roupas, além de restaurantes, cafés, cinema e teatro. Foi aqui que abriu a primeira loja de chocolates da Neuhaus, em 1857.

Duma perspetiva diferente, mais actual e certamente mais financeira também, podem visitar o Le Quartier Européen: Parlamento Europeu (Parlement Européen), Praça de Luxemburgo (Place du Luxembourg), Comissão Europeia (Comission Européen), Parque do Centenário (Parc du Cinquantenaire), basicamente os prédios mais imponentes e modernos da cidade. No Parque do Centenário, os bruxelenses aproveitam o jardim e a companhia do Arco do Triunfo para descansar.

Quem lê o blog apercebe-se perfeitamente da minha paixão por arte sacra, não sou religiosa, ou sou apenas q.b., mas realmente as igrejas despertam imenso o meu interesse.
Em Bruxelas encontramos várias. Três delas chamaram bastante a minha atenção.

Catedral St-Michel et Ste-Gudule

Igreja Notre Dame du Sablon e Petit Sablon – de estilo gótico, do século XV e XVI, com vitrais coloridos, arcos góticos, duas capelas em estilo barroco. À frente exibe-se uma monumental praça cercada por 48 colunas góticas com pequenas estátuas de bronze em cima que representam profissões antigas e uma fonte cercada de 10 estátuas.

Cathedrale St-Michel et Ste-Gudule – Uma das mais bonitas catedrais da Europa, localizada no alto do monte Treurenberg, foi a primeira igreja do país, datada do século XV. O nome faz referência aos santos padroeiros da Bélgica.

Por fim, A Basílica de Koekelberg – Basílica do Sagrado Coração – é a mais imponente e importante igreja da Bélgica.
Foi Construída para comemorar o 75º aniversário da independência do país, foi iniciada em 1905, mas devido à escassez de recursos financeiros (a construção dependia inteiramente de doações feitas pelos fiéis), só foi inaugurada em 1971.
A decoração no interior é em estilo Art-Deco, com uso maioritariamente de mármore. Além das cerimónias religiosas, possui um teatro e dois museus. oferece uma das melhores vistas de Bruxelas a partir da plataforma existente na sua cúpula.

Museu dos Instrumentos de Música

A cidade está recheada de locais com um tanto ao quanto de curioso e animado, como por exemplo o Parque Mini-Europa, um dos principais parques de miniaturas do mundo. Construído numa área de mais de 24 mil m², tem atualmente mais de 300 atrações de 80 cidades europeias. É engraçado verificar locais onde já estivemos e vê-los em ponto pequeno, os detalhes são incríveis!

Outro local que merece visita é o Atomium, um conjunto de nove esferas metálicas construídas para a exibição universal de Bruxelas de 1958. Localizado no Heysel Park, tem 103 metros de altura, e simboliza uma molécula de ferro ampliada 165 bilhões de vezes, representando a importância da Bélgica na produção do aço e fazendo uma alusão às nove províncias belgas da época.
É um ícone nacional, basicamente o Atomium é quase o mesmo que uma Torre Eiffel para Paris.

A banda desenhada junto do Palais de la Justice

Já todos sabemos que Bruxelas é um paraíso para os amantes de histórias de quadrinhos (é a terra de origem do Tintin, Lucky Luke, Smurfs) mas o que eu não sabia era que como uma maneira de promover os personagens e trazer um pouco mais de cor à cidade, surgiu em 1991 um projeto com o objetivo de realizar pinturas de histórias em quadrinhos em áreas públicas. O que começou com um projeto pequeno, apenas para dar um pouco de vida aos muros e laterais de prédios antes pintados de branco, mais de 20 anos depois é um sucesso, atraindo turistas interessados em conhecer não apenas o centro histórico, museus, parques e gastronomia, mas sentir-se parte das histórias representadas nos painéis e, porque não, matar saudades da infância. Além de podermos desfrutar disto a cada rua e esquina, podem visitar, também, o Centre Belge de Bande Dessinée, eu adorei percorrer as histórias de quadradinhos, sentir-me parte da fantasia, voltar a ser criança!

O Songoku também faz parte do Centre Belge de Bande Dessinée

Outra zona magnífica que merece a vossa visita é o distrito de Laeken, localizado na região noroeste de Bruxelas, famoso por ser a residência oficial da família real belga, o Castelo Real de Laeken é a casa do Rei Albert II e da sua família. Aqui podem encontrar a Igreja Notre Dame de Laeken, o Monumento Rei Leopoldo I, as Estufas Reais de Laeken, a Torre Japonesa e o Pavilhão Chinês. Infelizmente já não tivemos tempo de percorrer esta região, mas se vocês tiverem, não deixem de o fazer.

Entrem nas imensas cervejarias tradicionais e percam-se na imensidão de oferta das cervejas tradicionais belgas

Lembro-me que ao início a sensação que tinha era que Bruxelas não estava a ser interessante. Mas findada a viagem, percebi que tinha ficado muito por fazer, e que a cidade era um infindável poço de beleza, e que mesmo com todo aquele ar sério de cidade financeira e industrializada, Bruxelas tem muito para nos oferecer.

Vou regressar, certamente.

Bem, agora, rumo a Bruges que fica mesmo aqui ao lado!

Onde Ficar
Hóteis Sofitel
Hotel Metropole
Onde Comer
Imperdíveis os chocolates de Pierre Marcolini
Para o clássico prato de Mexilhões e batatas fritas, nada como o Au Vieux Bruxelles.
Para os mais exigentes e requintados podem sempre optar pelos vários restaurantes com estrela Michelin como o Comme Chez Moi (2*) ou o Moderno WY de Bart De Pooter (1*)

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Portarossa

O Portarossa nasceu em 2013, no espaço onde outrora viveu o Corte Real, pela mão do inevitável Vasco Mourão e de Gonçalo Correia dos Santos.  Nada foi deixado ao acaso, a decoração a cargo de Artur Miranda e Jacques Bec (Oitoemponto), criou uma atmosfera única, tornando-o num dos mais elegantes e bem decorados espaços da região. O conceito é de cozinha italiana, centrando-se muito nas Pizzas e no seu forno a lenha, e é certamente o italiano mais bonito da cidade, sem os habituais e horríveis clichés da decoração dos “nossos italianos”. A aposta deve-se certamente ao desejo antigo de Vasco Mourão de chegar a um público mais jovem que o do Cafeína ou do Terra, e foi bem sucedida. Hoje, é uma das casas mais badaladas da cidade, onde é difícil conseguir mesa, mesmo na esplanada em dia de chuva. Foi também por isso eleito pelos nossos jurados o Restaurante Trendy, nos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores para 2014″.(ver)

Como tem vindo a ser habitual nos projetos de Vasco Mourão, a cozinha ficou a cargo do chileno Camilo Jaña, que tendo pouco de italiano (talvez o feitio, quem sabe), mostra a sua capacidade de trabalho, adaptação e rigor.

Nesta visita, começamos pelo habitual couvert (1,80€), uma simples mas correta pasta de azeitona, pão de qualidade, bom azeite, azeitonas e grissinis. Ao que se seguiu uma panóplia de entradas.


Mexilhões gratinados com pimentos (8€)
Confesso que normalmente não fico agradado com a mistura de queijo com marisco, mas por vezes tenho de dar algumas excepções à regra. Esta foi uma dessas vezes, com o mexilhão fresco, preparado no ponto certo, com todos os elementos a combinarem entre si sem que nenhum se sobrepusesse ao delicado sabor do bivalve. Excelente início.


Sfilatino de Cogumelos trufados (5,5€)
Um rolo de massa de pizza, recheado com cogumelos e queijo mozzarella com um leve toque de azeite de trufa. Uma entrada quente e reconfortante, onde a untuosidade do queijo e o sabor dos cogumelos funcionou bem.


Focaccia de Liguiça, com ovos de codorniz e grelos (4,5€)
Não é certamente uma focaccia mas sim uma pequena pizza, mas perdoa-se o nome pelo bem que sabe. A junção da melhor linguiça do Porto (reconhece-se a léguas), com os grelos e os ovos de codorniz, não poderia ser mais certeira, num prato que combina e muito bem a cozinha italiana com sabores bem lusos. Excelente.


Marguerita DOP, mozzarella fresco e tomate san marzano (11€)
Já visitamos o Portarossa desde os seus primeiros tempos, e posso facilmente dizer que hoje a sua base está melhor do que nunca, assim como a técnica no forno. Isso é bem patente nesta simples pizza, com a base bem crocante, mesmo no centro, em que foram colocados ingredientes com bastante líquido, como os tomates e o queijo mozzarella (cozinhado na perfeição, sem perder as suas características e textura). Uma combinação de sabores clássica, onde apenas a técnica poderia ter falhado, mas não foi o caso. Grande Pizza.


Calzone, mozzarella, cogumelos, fiambre, espinafres e ovo (11€)
A clássica pizza fechada, com a massa bem cozinhada tanto por cima como por baixo, interior cremoso graças à gema e ao queijo, e muito bem acompanhada pela habitual salada de Camilo Jaña ( com mistura de alfaces, cebola roxa, tomate seco). Uma boa pizza.


Fettucine com mexilhões e açafrão (14,5€)
E porque nem só de pizzas e do forno a lenha vive o restaurante, a carta de massas tem algumas opções irresistíveis, como este fettuccine, cozinhado no ponto e envolvido num saboroso molho de natas com açafrão (das índias?)  e um leve toque de pimento. Muito, muito bom.


Fettuccine com Manteiga de Trufas e Foie gras (15,5€)
O prato tem tanto de bom como de pecaminoso. A gordura do Foie a envolver-se com a massa bem preparada é deliciosa. Apenas a textura do foie não me convenceu totalmente, mas o sabor compensou, enquanto desejava umas lâminas de trufas como cereja no topo do bolo. Um prato diferente que se tornará certamente num dos ícones da casa.


Panna Cotta de baunilha com frutos silvestres (4€)
Confesso que raramente dou o braço a torcer por uma panna cotta, quase sempre com excesso de gelatina e sem sabor. Opto pela minha, caseira que dificilmente é batida, a não ser por esta do Portarossa, textura fantástica ( quase diria que nem leva gelatina), baunilha verdadeira e espalhada por todo o doce. Quando o mais simples se torna perfeito, tudo fica bem e os frutos silvestres acabam por ser apenas um bom adorno. Só é pena que a porção não tenha o dobro do tamanho.

A carta de vinhos do Portarossa é única, não só pelas referências presentes (raras para uma pizzeria), mas pela forma como os vinhos estão distribuídos,  por preço, Low Cost (9€), Value For Money (19€), Premium (29€), Super Premium ( 39€), Special One, Sparkling, Sangrias e Cocktails, sendo um dos poucos sítios no Porto onde é possivel beber um Spritz. Acabamos por acompanhar a refeição com um sempre simpático Kopke Tinto 2011 da categoria Low Cost.

O Serviço, e baseado não apenas numa, mas em várias visitas ao espaço, é jovem e  super simpático, numa equipa desnivelada, com elementos muito bons e outros visivelmente inexperientes. Ainda assim, o serviço flui muito bem, sem erros dignos de destaque podendo atingir o ponto de ebulição nas noites de fim de semana em que Foz e mais meio mundo ruma ao pequeno restaurante ( não será certamente fácil de gerir).

Considerações Finais
O Portarossa é hoje, e em apenas um ano de existência, uma das principais referências italianas e não só, o espaço não vale apenas pelas suas pizzas saborosas, é um sitio em que vale a pena estar,  a decoração  é de grande elegância e o serviço, com um ou outro erro consegue acompanhar bem a qualidade do espaço e da cozinha. Falando em cozinha, Camilo Jaña preparou uma excelente e bem estruturada carta, com aposta nos clássicos dos quais é impossível fugir  e noutras opções de grande criatividade ( recordo por exemplo um carpaccio de lírio, ou a desaparecida pizza à moda do Porto com sardinha e pimentos que me deixa grande recordação e saudade). É certo que nas noites de final de semana pode ser caótico, pela lotação e pouco espaço, mas a semana é grande e o restaurante nunca fecha. Ao almoço existe uma opção diária a 12 € com entrada, prato e bebida, já ao fim de semana assam um tradicional cabrito transmontano em Forno a lenha. O Portarossa é mais um sucesso de Vasco Mourão e do seu sócio Gonçalo Correia dos Santos, não só na teoria, mas também na prática, sendo hoje o meu italiano preferido na cidade.

Portarossa
Rua Côrte Real, 289 Foz do Douro – Porto
+351 226 175 286

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Férias em Família: 5 Destinos, 5 Hotéis

Depois do Artigo sobre 10 destinos e 10 das melhores piscinas de Portugal (ver), este artigo vem, de certa forma, dar resposta a alguns pedidos que recebemos por email sobre hotéis para férias em família. Férias e Verão levam-nos a querer passar tempo com as nossas famílias e desfrutar do tempo e das crianças, com as quais se passa cada vez menos tempo, seja pelo excesso de trabalho ou pelas actividades em que os pequenos estão envolvidos. Para isso escolhi alguns dos melhores hotéis de Portugal, tentando ao máximo fugir do cliché da Praia, optando também por espaços verdes, com actividades ao ar livre ou espaços com história, porque aprender em família será certamente mais divertido.

Minho

Fábrica do Chocolate, Viana do Castelo


Localizado no edifício que foi outrora a mais antiga fábrica de Chocolate em Portugal, o Hotel presta homenagem a toda a história do espaço e do seu ingrediente principal. Escusado será também falar na ligação entre as crianças e o chocolate, pelo que se torna mais um hotel indicado para famílias. Aqui qualquer um solta o Willy Wonka que há em si, com quartos temáticos, um Museu do Chocolate e claro, aulas e ateliers para transformar as crianças em verdadeiros mestres chocolateiros.

Mais informações, Fábrica do Chocolate

Beira Interior

Casa das Penhas Douradas, Manteigas – Serra da Estrela

A Serra da Estrela é muito mais do que um destino de Inverno e as actividades deste pequeno Boutique Hotel, inserido em pleno parque natural, são exemplo disso mesmo. Trekking, Btt,  lagos, desportos aquáticos, tudo servirá para manter ativos os mais pequenos. Aproveitem ainda para conhecer algumas das aldeias históricas de Portugal e alguns Castelos Raianos. Na Casa das Penhas Douradas é possível juntar o desporto, a natureza e a história numas animadas e relaxadas férias.

Mais informações, Casa das Penhas Douradas

Centro

Penha Longa Resort, Sintra

Existem poucas localidades em Portugal com a mesma magia que Sintra (confesso que tem um lugar muito especial no meu coração), pelo que não poderia deixar de escolher um hotel nesta região. O Penha Longa Resort tem como objectivo dar o máximo aos seus hóspedes, e para isso preparou-se também para as suas famílias, com uma equipa especializada, um Kids Club repleto de actividades e brinquedos e ainda actividades mais indicadas para Adolescentes, em que nada é deixado ao acaso. A envolvência permite ainda passeios a cavalo, golf, ténis e claro passear e descobrir a Vila de Sintra.

E não esquecendo que estamos num blog gastronómico, o Resort conta com alguns dos melhores restaurantes da região como o Arola ou o japonês Midori.

Mais informações, Penha Longa Resort

Alentejo

Eco Suites Resort, Santiago do Cacém

Perdido no meio dos Montes Alentejanos, o Eco Suites consegue reunir a paz e serenidade para umas férias em família de braços dados com a natureza. Sem os Luxos de outras unidades aqui recomendadas, a Infinity Pool é uma das mais interessantes do Alentejo, os campos que envolvem o resort são perfeitos para caminhadas e passeios de bicicleta, dando a muitas crianças uma envolvência que a cidade não permite. Outro dos pontos fortes é mesmo a localização, próximo da praia, da Reserva Natural da Lagoa de Santo André e claro se o assunto é família e crianças, do famoso Badoca Safari Park.

Mais informações, Eco Suites Resort

Algarve

Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort, Albufeira

Uma das maiores e melhores unidades hoteleiras do Algarve que tem vindo a ser reconhecida como um dos melhores hotéis para férias em família da Europa. O Resort tem uma atenção especial para as crianças, com campos de jogos como o Campo Pirata ou o Junior club, escola de ténis, escola de Golf, salas de videojogos, serviço de babysitter e claro muitas e boas piscinas. Também a possibilidade de passar as férias nos apartamentos do Pine Cliffs traz mais comodidade para as famílias que rumam ao Algarve para as suas férias de Verão. (Artigo Completo)

Mais informações, Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort

 

Muitas destas unidades oferecem o alojamento para crianças até aos 12 anos.

 Nota: As fotos utilizadas pertencem às unidades hoteleiras com excepção da foto do Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort

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Book

No coração da “movida” portuense, onde outrora viveu a Livraria Aviz, existe hoje o restaurante Book, fruto de uma parceria entre o grupo Thema, do Hotel Infante de Sagres, e os donos do Bar Casa do Livro. A transformação do espaço ficou a cargo de Pedro Trindade, respeitando, e muito bem, a traça original da livraria, usando os livros como um forte elemento decorativo. A sala é moderna e acolhedora com um conceito intimista.

A carta apresenta-se dividida como um livro ( e dentro de um), prólogo, introdução, capítulos e conclusão. A oferta varia entre a tradição portuguesa e a cozinha italiana. Assim, começamos com a chegada do couvert (2,5€), uma boa seleção de pães, boa manteiga e as menos interessantes pastas de atum e de azeitona.


Legumes no Forno, mozarella gratinada e pesto (9,50€)
Os legumes ( curgete, espargos, beringela  e pimentos), estavam saborosos e cozinhados no ponto, sobre um pesto cremoso, diferente do habitual. Menos positivo o queijo gratinado  que estava já um pouco seco.


Creme de Sapateira, como se fosse Recheada (6,5€)
Bem, aqui o único problema é a expressão “como se fosse recheada”, faz-nos esperar por mais carne de sapateira do que um ligeiro apontamento quase decorativo. Posto isto, o creme estava muito bom, excelente textura, sabor delicado a sapateira e bem temperado. Muito bom, não faltasse o tal recheio.


Açorda de Camarão com ovas (17€)
Os pratos são serviços em bonitas caçarolas de cobre que não consegui fotografar. Camarão de boa qualidade, salteado  no ponto e com bom sabor. A açorda apetitosa, perdia em textura, se por um lado as ovas funcionaram bem, a açorda estava liquida demais. Um bom prato, que precisa de afinar os pormenores.


Bochecha de Vitela com molho de Especiarias (17€)
Bochecha delicada e bem preparada, a desfazer e cheia de sabor, acompanhada de batata gratinada estilo dauphinois e grelos. Um bom prato não fosse o tal molho de especiarias quase não existir nem no prato nem na caçarola de forma a unir todos os elementos e tornar o prato mais suculento.


Mil Folhas de Mascarpone com fruta (8€)
A escolha da sobremesa levou a melhor sobre o suposto “melhor pão de Ló do Universo”  ( ainda há, e  muito, quem acredite neste tipo de marketing) por conter mascarpone que é um vício cá por casa. Quanto à sobremesa em si, o folhado estava estaladiço q.b.,  num conjunto fresco, onde o elemento mais fraco foi mesmo o creme/mousse de mascarpone, demasiado denso e seco. Uma sobremesa Razoável.

A carta de vinhos é curta mas com boas opções, já os preços são desajustados ao serviço, os copos não são os adequados, como se verificou na mesa ao lado alguém beber um bom e caro vinho tinto, num copo desajustado. Nós acompanhamos com um Quinta do Ameal (15€), servido quase à temperatura ambiente, que parece quase a minha sina nos últimos tempos, e eu nem sequer quero o vinho gelado.

O Serviço de sala é como o serviço de vinhos, desajustado ao preço e ao enquadramento em que o restaurante se quer inserir. Se por um lado havia funcionários muito simpáticos e profissionais, outros nem por isso, além de ter pelo menos 4 pessoas diferentes que atenderam a nossa mesa, o que acaba por não ser a melhor opção neste tipo de espaço.

Considerações Finais
Este Book, está regularmente cheio de turistas e alguns portuenses que o decidem visitar, no entanto, para se poder destacar no segmento em que se insere é preciso mais, muito mais. A cozinha é correcta, com algumas falhas no campo técnico, que são facilmente corrigidas, mas que face aos preços praticados já não assim tão toleráveis quanto isso. Esse é o grande problema do restaurante, a relação custo/benefício, tendo em conta os preços, a comida e o serviço, não é seguramente das melhores da cidade, que nesse segmento tem muitas e boas opções. O Bonito espaço do Book precisa de se reajustar e alterar alguma das suas fasquias, ou baixa de preço ou melhora a cozinha e serviço, aí sim teremos um boa aposta no centro do Porto.

Book
Rua de Aviz, nº 10, Porto
91 795 33 87

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Casa D’Oro

No antigo posto de observação criado por Edgar Cardoso para acompanhar as obras de construção da Ponte da Arrábida, vive desde 2005 a Casa D’Oro, um espaço recriado por Miguel Tomé que tem como proprietária a italiana Maria Paola Porru ( dos restaurantes Casanostra e Casanova, em Lisboa). O edifício divide-se em dois espaços, a Pizzeria que ocupa o piso superior e o terraço, e o restaurante no piso inferior, decorados de forma simples, sempre mantendo o design industrial que caracteriza o edifício.  Já havíamos visitado a Pizzeria várias vezes ( em tempos a melhor da cidade), mas nunca o restaurante, pelo que decidimos fazer uma visita.

A carta apresenta uma viagem por pratos bem tradicionais de Itália e outras adaptações mais portugueses, é possível  também optar pelas pizzas, mas desta vez quisemos experimentar o resto ( infelizmente).

Carpaccio com Trufas (12€)
As trufas ocupam um lugar importante na carta do restaurante, estando presentes em vários pratos. Aqui representadas por um pouco de trufa de verão de conserva. Um prato simples com uma carne bem preparada. A trufa era desnecessária.

Taleggio Panado (5,5€)
Um queijo italiano de textura semi-mole, bem panado e muito bem frito. Servido com uma compota, rúcula e uma imensa redução de balsâmico.  Um prato bem preparado e de bom sabor, embora o balsâmico não acrescentasse nada ao prato.

Penne Marinara, Camarão, amêijoa e mexilhão (11€)
A massa estava cozinhada no ponto, com o marisco um pouco para lá do desejado. O molho é que tinha pouco da clássica marinara, um molho rico de tomate que aqui era muito mais oleoso. Um prato que não deixa memória, ao nível daquilo que qualquer estudante universitário cozinha para surpreender os amigos. Básico.

Ossobuco, Risotto Alla milanese (14€)
As saudades de um bom ossobuco levaram-me a escolher este prato, para mal dos meus pecados. Tudo estava errado, a carne ainda estava dura, a gremolata foi substituída por um pouco de salsa, e o risotto foi o pior que me serviram até hoje. Aquele arroz parecia um arancini desfeito (croquete de risotto), sem qualquer tipo de cremosidade, empapado e repleto de queijo. Dos piores pratos que infelizmente provei nos últimos tempos.

Panna Cotta (4€)
A minha sobremesa italiana preferida, aqui numa versão sofrível, com demasiada gelatina e um conjunto muito doce.

A Carta de vinhos é pequena, com algumas referências Portuguesas e Italianas, mas com preços desadequados face ao serviço prestado. Optamos por um Quinta do Vallado Branco (11€), em promoção no dia, servido quase à temperatura ambiente e num balde quase sem gelo.

A aparente simpatia e relaxamento dos funcionários da sala deixam transparecer muitas falhas num serviço desadequado ao espaço e aos preços praticados.

Considerações Finais
Se em tempos a Casa D’Oro foi uma das principais marcas da cozinha italiana no Porto, hoje mostra-se num nível descendente e a precisar de sérias melhorias. Um restaurante não se faz apenas de boas decorações, ou neste caso de boas vistas, é preciso que a comida e o serviço acompanhem e se sobreponham a tudo o resto, o que aqui está longe de acontecer. A Pizzeria pode continuar a valer a pena, mas se o objectivo é passar ao resto do receituário italiano, o melhor é optarem por outro Restaurante, dos muitos espalhados pela cidade.

Casa D’Oro
Rua do Ouro, nº 797 Porto
22 610 6012

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Pisa

E depois dos dias de trabalho e rescaldo dos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores Para 2014″, nada como voltar a escrever sobre aquilo que mais me dá prazer, viajar. E nada como Itália para me fazer esquecer que as minhas férias ainda tardam em chegar.

Assim, falemos de Pisa, após uma magnifica manhã a desfrutar de Florença, decidimos apanhar um comboio e rumar à famosa cidade da torre inclinada.

Durante parte da Idade Média, Pisa dominou economicamente o Mediterrâneo Ocidental, o que fez com que acumulasse grande riqueza, e permitisse um investimento a nível cultural. Hoje podemos visitar alguns desses deslumbrantes edifícios que fizeram parte desse desenvolvimento cultural como o Campo dei Miracoli constituído pelo Batistério, Duomo, Camposanto e pela Torre inclinada.


Esta Torre foi construída para ser o Campanário do Duomo. Por ter sido construída em terreno arenoso em 1173, a torre começou a inclinar antes de terminado o terceiro piso, a construção manteve-se e foi terminada em 1350. Graças a recentes obras de engenharia avançada, cerca de 38cm foram revertidos da sua inclinação e a torre voltou a ser aberta para o público, no entanto, o topo da torre está a uma distância de 3,9 m de onde ele estaria se estivesse perfeitamente na vertical!

Duomo e Torre

O Duomo é tido como uma das construções mais belas da Toscana, (e é mesmo!), em estilo Pisano-românico, a fachada é feita em arcos e os portões de bronze decorados com alto relevo são da autoria de Bonanno Pisano (primeiro arquiteto da Torre).
O Batistério, em forma circular, mistura os estilos românico e gótico. Os pilares têm estátuas das virtudes e a pia batismal é toda em mármore, assim como o púlpito.

Duomo

O Camposanto (cemitério) é o quarto elemento do complexo que compõe o Campo dei Miracoli. O prédio, de forma retangular, é ornamentado por arcadas em mármore.
O Museo dell’Opera del Duomo ocupa a antiga casa paroquial da catedral e exibe objetos retirados da própria igreja, do Batistério e do Camposanto.
Resumindo, esta é uma das mais belas praças de Itália, e ao percorrer a cidade não nos conseguimos aperceber do que nos espera, e quando entramos neste complexo de maravilhas, temos a sensação que mudados para um mundo paralelo!

Margens do Arno

Dicas:
Pisa, apesar de toda a fama mundial da sua torre inclinada, não tem muito mais para visitar além do Campo dei Miracoli e de algumas pequenas igrejas medievais, assim o melhor quando viajarem é não planearem passar muito tempo em Pisa. Uma manhã ou uma tarde é mais do que suficiente para visitar tudo.

Assim se viajarem para o Aeroporto de Pisa o melhor é fazerem um pequeno desvio antes do vosso destino principal. Ou quando estiverem em Florença, uma pequena e bonita viagem de comboio leva-os facilmente à cidade.

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#1 Passatempo – Massagem de Relaxamento

E porque não queremos só dar a conhecer restaurantes, cidades, hotéis ou apenas cativar os olhos e os estômagos, decidimos criar um passatempo que mimasse os nossos leitores de uma forma diferente, e em época de férias nada como uma Massagem de Relaxamento.

Para isso juntamo-nos à prestigiada clínica Medimar, em Matosinhos, bem junto à famosa Praia da cidade.

Temos 1 massagem de 60 minutos para oferecer, para isso Basta:
1. Pores GOSTO no Facebook da Flavors & Senses e da Clínica Medimar;

2. Partilhares no Facebook, de forma pública, esta imagem, até às 24h do dia 31 de julho;

3.Comentares a publicação da nossa página, identificando um amigo teu.

Iremos depois selecionar aleatoriamente, entre todas as partilhas tornadas públicas, um vencedor, que poderá marcar a sua massagem na data que melhor lhe convier.

Clínica Medimar
Rua Roberto Ivens, 1355 Matosinhos
22 939 2066

 

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Porto à Mesa – Vinum

Mais um ano, mais uma edição do Porto Wine Fest, o único evento da cidade exclusivamente dedicado ao Vinho do Porto e à Gastronomia. O local foi o mesmo das edições anteriores, com o Douro e a ribeira como pano de fundo.

Este ano, a convite do restaurante Vinum das Caves Graham’s ( eleito Restaurante Revelação, pelos votantes, nos prémios Flavors & Senses – Os Melhores para 2014), participamos no Porto à Mesa, o restaurante de assinatura do Porto Wine Fest onde em cada dia um dos restaurantes presentes no evento cria um menu  de degustação para ser exclusivamente harmonizado com vinho do Porto. Para isso trouxeram até ao Porto Manuel Jiménez, o chefe executivo do Grupo Sagardi ( grupo espanhol que explora o restaurante Vinum em parceria com os Symignton).

Começamos por uma visita à barraca do Vinum, onde eram vendidos os pequenos pintxos que habitualmente servem no Wine Bar do Vinum, desde o Presunto ibérico, os boquerones ou as croquetas até uma excelente espetada de atum ligeiramente grelhado num Konro ( grelhador japonês). Um stand apelativo aos olhos e ao estômago.

Passando ao jantar, propriamente dito, e apesar do frio que se fazia sentir ( o S.Pedro não abençoou o evento), o espaço estava bastante agradável, com uma vista que serve de tempero a qualquer prato. Reunidos os comensais, foi tempo de sermos introduzidos à ementa, em que 5 pratos cativaram facilmente o interesse, quer para si, quer para a sua harmonização.

Antes de passar aos pratos não posso deixar de destacar a qualidade do pão, preparado pelo próprio Vinum, com recursos a técnicas antigas e farinhas tradicionais, muito, muito bom.

Coca de Sardinha, Marmelo
Coca é o que os espanhóis têm de mais próximo de uma pizza (nada a ver com substâncias proibidas), um pão fino, neste caso sobreposto, por uma compota de marmelo e uma sardinha marinada e ligeiramente confitada. Excelente apresentação e sabor, com a textura irrepreensível da sardinha e uma ótima fusão de sabores. Um grande início.

A harmonizar, um Graham’s Extra Dry White, que funcionou bem com o prato, muito por culpa da doçura do marmelo que serviu de elo de ligação.

Foie Gras fumado, figos
Bem sei que os defensores dos animais não acham muita piada, mas poucas coisas sabem tão bem quanto um bom foie. E este estava ótimo, uma excelente peça, fumada no ponto certo, com uma textura quase de mi-cuit. Bem balançado com a compota e o figo, em mais um excelente prato do chefe Manuel Jiménez. O Pão também ajudou a elevar o prato.

Para acompanhar, um Graham’s 20 anos, que com algumas notas interessantes conseguiu acompanhar o prato.

Bacalhau Confitado, refugado tradicional e choco
Bacalhau de meia cura, com sal certeiro e textura invejável, a manter a gelatina que os portugueses teimam em destruir. Refogado de legumes límpido e intenso a funcionar bem com o bacalhau. O choco por seu lado apenas adicionou textura, uma vez que o seu sabor mais suave facilmente se perdia junto dos restantes elementos.

A harmonização com o mesmo Graham’s 20 anos, não funcionou, como já se esperava, Porto e Bacalhau não dá bom casamento.

Bochecha de Porco, molho “ratafía”
Ratafía é um licor tradicional muito famoso na região da Catalunha, feito com frutas, ervas e especiarias, que aqui complementou com o seu toque doce e de anis, uma muito bem preparada bochecha, saborosa, suculenta e a desfazer. Fraca apenas a batata que acompanhava o prato, ainda rija e encruada.

A harmonização com o Graham’s Six Grapes não foi fácil, a doçura, e a fruta bem viva do Porto pediam mais chocolate que Porco, mas o molho de Ratafía conseguiu até certo ponto fazer a junção.

Rabanada Bêbada
Uma versão da rabanada pelas mãos do chefe Jiménez. Uniu o pão, ligeiramente frito, com a tradicional Pêra bêbada, e um pouco de nata ácida que complementou muito bem a doçura do prato. Um Final simples, bonito e bem conseguido, ainda que bem distante da nossa habitual rabanada como seria de esperar.

Para finalizar, um Graham’s Quinta dos Malvedos Vintage 2001, em boa forma e que resultou muito bem com a sobremesa.

A harmonização com vinhos do Porto de um menu completo, apesar de divertida, não é de todo simples ou exequível no seu geral, compreende-se claro o seu exercício dado o evento em que estamos inseridos, mas dada a qualidade da cozinha que nos foi apresentada neste restaurante pop-up  damos por nós a desejar outros vinhos, neste caso especifico, outros vinhos da família Symington.

Da cozinha saíram excelentes pratos onde Manuel Jiménez conseguiu combinar um pouco dos ingredientes Portugueses com a alma Basca e Catalã. A Repetir em 2015!

Restaurante Vinum
Rua do Agro nº 141 (Grahams Port Lodge), Gaia
+351 220 930 417

Nota
A Refeição descrita foi realizada a convite do Vinum, sendo a opinião e o texto da exclusiva responsabilidade do autor.

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Flavors & Senses – Os Melhores Para 2014: A Cerimónia

Pela 1ª vez decidimos entregar os prémios do Blog numa pequena e irreverente cerimónia, no passado dia 15 de Julho, reunimos em plena rua do Padrão, na Casa Vasco, os melhores da gastronomia Portuense, desde o restaurante mais tradicional ao mais apurado e refinado restaurante de Autor. Com o Patrocínio da Niepoort, entregamos uma encantadora garrafa de Redoma Tinto 2010, personalizada pelo Atelier Martino & Jaña.

Começamos com um pequeno cocktail, com um excelente ceviche preparado por Camilo Jaña e muito bem regado pelos vinhos brancos da Niepoort ( Redoma Reserva 2012 e Niepoort Dry White Port)  e da Quinta do Crasto ( Crasto Superior).

A apresentação dos vencedores ficou a cargo de Cíntia Oliveira (Flavors & Senses – Hotéis e Viagens) e de Pedro Guedes de Almeida (Quinta do Crasto), com a entrega dos prémios a ser feita por Carvalho Ferreira (Niepoort).

O Excelente Ceviche do Chefe Camilo Jaña ( Cafeína, Terra, Portarossa e Casa Vasco)

Pedro Guedes de Almeida e Cíntia Oliveira no momento de apresentação dos vencedores

Este ano pela primeira vez distinguimos categorias como a de Restaurante Revelação (melhor restaurante a abrir durante o ano de 2013), onde se sagrou vencedor o Restaurante Vinum das Caves Graham’s, em Vila Nova de Gaia. Chefe a Seguir, onde se pretende premiar um jovem chefe que realizando já hoje um excelente trabalho na sua cozinha, promete muito para o futuro. Aqui o vencedor foi o jovem chefe de 29 anos, Arnaldo Azevedo, que hoje comanda a cozinha do Restaurante Palco, no Hotel Teatro, um dos espaços mais ambiciosos e criativos da cidade.

A Equipa por trás do sucesso do Vinum, Restaurante Revelação

Arnaldo Azevedo, o Jovem chefe do Restaurante Palco (Hotel Teatro), recebeu o prémio de Chefe a Seguir

Vasco Mourão, Empresário do Ano

Vasco Mourão foi o 1º empresário a ser premiado, com mais de 20 anos no ramo, os seus restaurantes fidelizam clientes dia após dia, e as suas apostas somam sucessos atrás de sucessos. Um  desses sucessos é o Portarossa, aberto em 2013 em parceria com Gonçalo Correia dos Santos, e com a cozinha a cargo de Camilo Jaña, é já o restaurante de inspiração Italiana mais badalado e de maior sucesso na cidade, daí o prémio de Restaurante Trendy não ser uma surpresa.

Vasco Mourão, Gonçalo Correia dos Santos e o Chefe Camilo Jaña, a equipa por trás do sucesso do Portarossa (Restaurante Trendy)

Entre os vários restaurantes tradicionais da cidade, o prémio viajou até à turística zona da Ribeira, onde a Adega São Nicolau há vários anos faz as delícias de todos os que por lá passam, num ambiente carismático onde a personalidade do proprietário, António Coelho, rivaliza com a comida.

António Coelho, o carismático proprietário da Adega S. Nicolau (Restaurante Tradicional)

Pedro Lemos levou para casa o prémio de Restaurante de Autor

Depois de uma passagem fugaz pela baixa, nomeadamente pelo Mega-projeto, Clérigos, Pedro Lemos voltou à Foz, onde se fez empresário e criou nome. Com o regresso, voltou a sua cozinha criativa e de crivo pessoal, levando o prémio de Restaurante de Autor para o seu restaurante homónimo.

Carlos Bravo e a sua Casa de Pasto da Palmeira foram os vencedores na Categoria de Vinhos & Petiscos

Nos Vinhos & Petiscos, e apesar do boom de novos espaços petisqueiros, o título continua a não fugir à Casa de Pasto da Palmeira, onde o jovem Chefe João Pupo Lameiras mostra rasgos de criatividade numa cozinha simples, divertida e diferente.

Pedro Freitas, representante Club del Gourmet do El Corte Inglés de Gaia a receber o título de Loja gastronómica do Ano pelas mãos de Carvalho Ferreira

Entre as lojas de produtos gastronómicos, os votantes elegeram o Club Del Gourmet, do El Corte Inglés em Gaia, como a loja de confiança, onde alguns dos melhores produtos do  mundo, desde as conservas aos vinhos, marcam presença.

Rui Paula foi o Chefe do Ano, aqui representado por um elemento da sua equipa

A Rui Paula, não escapou o prémio de Chefe do Ano, um dos mais famosos e ambiciosos chefes da cidade que põe a alma e o coração em todos os seus projectos. Com restaurantes em Portugal e no Brasil, a sua cozinha rejuvenesce em cada carta, mostrando um trabalho árduo em prol dos sabores Portugueses.

Sérgio Cambas levou para O Paparico o prémio de restaurante do Ano

O prémio de Restaurante do Ano foi para O Paparico, outro restaurante que invoca memórias e sabores bem lusitanos. O bebé de Sérgio Cambas tem crescido de ano para ano, aliando esta tradição com um toque de modernidade. Merece também destaque por ter uma das melhores cartas de vinhos da cidade e claro, um serviço irrepreensível. Um espaço que agrada não só a turistas mas também ao mais fundamentalista e reticente português.

Mais uma vez, não podemos deixar de agradecer à Niepoort que desde o início apoiou este projeto, à Casa Vasco, pelo espaço cedido, ao Chefe Camilo Jaña pelo cocktail servido e todo o apoio na organização, ao Paulo Silva (Niepoort) e Hélder Sousa por toda a ajuda,  à Quinta do Crasto e Pedro Guedes de Almeida, aos fotógrafos Tiago Lessa e Marta Amaral e claro ao atelier Martino & Jaña por todo o trabalho de imagem.

Mais Informações:
Restaurante do ano – O Paparico | Restaurante de Autor – Pedro Lemos | Restaurante Tradicional – Adega S. Nicolau | Restaurante Trendy – Portarossa | Restaurante Revelação – Vinum | Vinhos & Petiscos – Casa de Pasto da Palmeira | Chefe do Ano – Rui Paula |  Chefe a Seguir – Arnaldo Azevedo (Restaurante Palco – Hotel Teatro) | Empresário do Ano – Vasco Mourão (Cafeína) |  Loja gastronómica – Club Del Gourmet – El Corte Inglés | Niepoort | Quinta do Crasto | Atelier Martino & Jaña

Até 2015!

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Flavors & Senses – Os Melhores para 2014: Vencedores

Num ano em que o nosso Top se recriou, onde criamos novas categorias e passamos a uma eleição com votantes convidados, decidimos também criar uma cerimónia de entrega de prémios. Uma cerimónia que terminou há pouco tempo no Restaurante Casa Vasco com uma produção pequena e descontraída, e que conseguiu reunir vencedores e alguns convidados. Este ano, pela 1ª vez tivemos um alargado leque de votantes na selecção dos nossos vencedores, com categorias renhidas e que provam que a Gastronomia do Porto tem muito para oferecer.

Restaurante do Ano – O Paparico

Restaurante de Autor – Pedro Lemos

Restaurante Tradicional – Adega S. Nicolau

Restaurante Trendy – Portarossa

Restaurante Revelação – Vinum

Vinhos & Petiscos – Casa de Pasto da Palmeira

Chefe do Ano – Rui Paula

Chefe a Seguir – Arnaldo Azevedo – Restaurante Palco

Empresário do Ano – Vasco Mourão

Loja gastronómica – Club Del Gourmet – El Corte Inglés Gaia

Em Nome do Blog e de toda equipa por trás destes prémios resta-nos agradecer ao nosso Patrocinador Principal, a Niepoort, e à Quinta do Crasto, à Casa Vasco e ao atelier Martino & Jaña por terem apoiado este projeto.

 

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