Istambul – Lokanta Maya

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Depois de pratos bem tradicionais e de alta cozinha Otomana, era tempo de conhecermos outro lado de Istambul, um lado mais contemporâneo mas que não esquece as suas raízes e tradições. Para isso, optamos por visitar o Lokanta Maya, um restaurante aberto em 2010 pela mão da chef Didem Şenol, que desde a sua abertura tem  vindo a revolucionar  região costeira de KarakÖy. Didem formou-se nos Estados Unidos, no célebre French Culinary Institute, mas voltou ao seu país de origem para recriar a cozinha turca sob o seu ponto de vista.

O foco do restaurante é aparentemente simples, oferecer pratos repletos de sabor com ingredientes locais e sazonais. E a carta reflete isso mesmo, alterando-se diariamente e a cada época do ano de forma a apresentar o melhor de cada ingrediente. A ideia promete.

Chegados ao restaurante, somos surpreendidos por uma sala de decoração minimalista, muitas mesas, meia luz e boa música ambiente. Mais cosmopolita só a sua clientela, entre estrangeiros e turcos, o ambiente flui entre uma mistura de arte, moda e gastronomia ao bom estilo de Londres.

Já na mesa vamos observando a boa vibe do espaço, e apreciando um interessantíssimo queijo com pimentos e azeite acompanhado com um ótimo pão (felizmente o bom pão é regra nos bons restaurantes da cidade, e eu agradeço).

Lokantamaya - 2Manteiga com ovas de salmão, pão com bergamota
Esta manteiga foi uma verdadeira revelação, chegamos a Istambul pouco tempo depois de uma passagem por Paris onde encontramos excelentes manteigas, mas esta junção com as ovas, a frescura e leve sabor a mar com a gordura e untosidade da manteiga e um pouco de pimenta rosa foram um início brutal. E a acompanhar um excelente pão.
Lokantamaya - 1Pastrami Caseiro, pão de sourdough
Excelente Pastrami, curado no tempo certo, com ótima textura e um toque ligeiramente picante. Mais uma vez, um delicioso pão a acompanhar. Muito bom.

Lokantamaya - 3Mexilhões em vinho branco, pão com alho
Os turcos têm uma paixão por mexilhões, sendo um dos seus principais petiscos de rua. Aqui, reinterpretados entre os sabores da turquia e a técnica dos belgas. Vinho, ervas e tomate a resultar nuns mexilhões saborosos e suculentos. Muito Bom.

Houve ainda tempo, nas entradas, para provar uma espécie de pataniscas de courgette com molho de iogurte e coentros que são como que uma das imagens do Lokanta Maya, com a receita a ter direito a figurar num dos grandes espelhos da sala. Cremosos por dentro, ligeiramente crocantes por fora e deliciosos!

Lokantamaya - 4Camarão picante, cevada esmagada
Camarão de boa qualidade e cozinhado no ponto. Cevada transformada numa espécie de esmagada que tanto transmitia a cremosidade de um puré, como texturas mais al dente de um risotto. Bom conjunto, aromatizado pelas ervas, algumas ligeiramente crocantes dando ainda mais elementos ao prato.

Lokantamaya - 5Pato confitado, puré de feijão branco, tapenade de azeitona
Uma dose enorme, com duas pernas de pato confitadas, suculentas e a desfazer como manda o figurino. Ótimo também o puré e a adição da tapenade e das azeitonas para quebrar um pouco a gordura e o peso do prato. Todos os elementos estavam deliciosos, no entanto, e no conjunto do prato senti falta de um molho que fizesse a ligação entre tudo.

Lokantamaya - 6Bolo de Semolina, gelado de alfazema
No final, houve espaço para apenas uma sobremesa, optámos por um dos clássicos do Lokanta Maya, uns pequenos bolos feitos com semolina, bastante húmidos e saborosos. A acompanhar, frutos secos e delicioso gelado de alfazema,  com um sabor intenso e uma boa textura. Excelente Final.

Acompanhamos a refeição com  vinho a copo, optando por brancos da casta Chardonnay de origem turca.

O serviço é descontraído e informal, mas com o profissionalismo certo,  bom inglês e um sorriso que cai sempre bem.

Considerações Finais
O trabalho de Didem Şenol no seu Lokanta Maya é digno de louvor, primeiro, é uma mulher à frente dos destinos de um restaurante assente nas raízes turcas, segundo, a escolha invulgar em 2010 da sua localização, hoje revela-se certeira, com a zona a desenvolver-se para novos horizontes gastronómicos, e a presença do museu de arte moderna de Istambul, que reflete também ele a imagem deste espaço. A cozinha é mais do que turca, são as influências do Mediterrâneo, da região do Egeu e claro da sua formação, resultando em pratos simples e reconfortantes como uma mãe cozinharia, mas ao mesmo tempo contemporâneos na apresentação e cheios de técnica e sabor. Foi uma ótima experiência este Lokanta Maya, cheio de boas energias e boa comida na transição entre o lado clássico e o lado mais moderno da cozinha turca. Espero voltar um dia, até lá, vou tentar duplicar a receita dos famosos “fritters” de courgette.

Lokanta Maya
Kemankeş Caddesi 35/A, Karaköy, Istambul
+ 90 212 252 6884
info@lokantamaya.com

Fotos: Flavors & Senses e Lokanta Maya

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Adegga Winemarket Porto 2015

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Foi no passado Sábado que o Porto recebeu a sua segunda edição do Adegga Winemarket. Tendo o mesmo palco que no ano anterior, o Hotel Porto Palácio, nesta edição o espaço foi outro, menos intimista que em 2014 mas mais amplo e iluminado.

O princípio foi o mesmo a que André Ribeirinho e a sua equipa nos têm habituado, uma prova de vinhos diferente, num ambiente descontraído, em que se consegue falar com produtores, perceber os vinhos, receber as informações através do Smart Wine Glass, e ao contrário da maioria das provas, comprar diretamente os vinhos de que mais se gostou.

adegga2015 - 13Niepoort

Começamos pela Niepoort, com a presença habitual do animado Paulo Silva, a mostrar algumas das novas estrelas da companhia, como os vinhos produzidos na Quinta de Baixo, na Bairrada, o Lagar de Baixo, o Syrah e o fantástico Poeirinho, um 100% baga feito a partir de vinhas muito velhas, que mostra bastante complexidade no nariz e uma boca elegante e precisa com taninos suaves que convidam a não largar o copo. Mais um grande vinho de Dirk Niepoort.

Nota ainda para o Riesling Dócil, que fez um “hater” de vinho que nos acompanhava iniciar-se na prova… certamente a primeira de muitas.

adegga2015 - 27Quinta do Pôpa

Seguiu-se a Quinta do Pôpa, do qual havíamos feito uma prova horizontal poucos dias antes, pelo que desta vez a prova resumiu-se aos rótulos Lolita e Milf de 2011 da Wine on the Rocks Finkus Collection, dois vinhos jovens com rótulos modernos e “radicais”, com a Milf a mostrar toda a sua “sabedoria e anos de experiência” com maior complexidade e taninos mais elegantes. Um Excelente Par!

adegga2015 - 11Poeira

Ainda no Douro, um grande vinho de Jorge Moreira, o Poeira, um dos grandes vinhos da região, um vinho pujante, bastante concentrado e com taninos austeros. A cave é o melhor destino deste vinho que terá certamente um futuro brilhante.

adegga2015 - 12 Quinta do Pessegueiro

Provaram-se também os interessantes vinhos da Quinta do Pessegueiro além do seu excelente azeite. Um espumante que entrou recentemente para o leque dos nossos favoritos, o Real Companhia Velha,  entre muitos outros já nossos conhecidos na região.

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adegga2015 - 23Quinta de Lemos

Fugindo do Douro, voltamos ao Dão, com os vinhos da Quinta de Lemos em prova, realço o Jaen e o Tinta Roriz, como os vinhos que mais me cativaram, assim como a apresentação do branco Dona Paulette 2013, acabado de engarrafar. Além dos vinhos tivemos ainda uma agradável conversa com Pierre Lemos, sobre a Quinta, o projeto e a vida, algo possível apenas em pequenos eventos como este.

adegga2015 - 9António Madeira

Também os vinhos de António Madeira, da zona serrana do Dão, se mostraram em grande forma, com uma vincada marca do Terroir e uma expressão cada vez mais comum do trabalho feito na vinha.

Passando à região mais a norte do País, provamos os clássicos Alvarinhos da Quinta do Soalheiro, com destaque para um Primeiras Vinhas de 2007, a mostrar o porque de ser um dos melhores vinhos de Portugal, e certamente um dos meus brancos preferidos. Também sobre a casta Alvarinho, não posso deixar de falar da Quinta de Santiago, um projeto recente da região de Monção, presentes com um colheita e um reserva que dividem opiniões sobre qual o mais interessante, mas que garantidamente estará já na minha tabela entre os 3 melhores produtores da região.

adegga2015 - 8 Quinta de Santiago e os chocolates feitos em parceria com a Cacao di Vine

adegga2015 - 10 Quinta do Soalheiro

De regiões mais a Sul, destaque para os refrescantes vinhos do Casal Sta. Maria, secos, minerais e com aquele toque salgado que só aquela região de Colares apresenta. Grandes Brancos.

adegga2015 - 19 Casal Sta. Maria

adegga2015 - 16Um dos pontos fortes do evento é a qualidade fotográfica de Ricardo Bernardo, aqui bem patente com o carismático “Joe Guedes”

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Enquanto a prova ia decorrendo e a afluência aumentando na sala principal, fizemos um pequeno desvio para conhecer a sala Premium de 2015, desta vez com todo o Porto como pano de fundo e um maravilhoso pôr do sol. Em prova cerca de 15 vinhos entre Brancos e Tintos mais 10 Portos, alguns com mais de 100 anos.

Entre os brancos, destaco o Ribeiro Santo Vinha da Neve 2013 um vinho do Dão criado por Carlos Lucas com a casta Encruzado, um vinho complexo, com excelente estrutura e uma fantástica acidez, certamente um dos grandes brancos nacionais. Em prova ainda o Real Companhia Velha Séries Samarrinho 2013, um vinho feito com uma velha casta quase desaparecida e que lhe dá o nome, o Mirabilis Grande Reserva 2013, o Pedra Cancela Signatura 2012, o Ares do Dão Varanda da Serra 2013 Magnum e o Casa Ferreirinha Antónia Adelaide Ferreira 2012.
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Nos tintos havia também uma excelente selecção, com Foz Torto Vinhas Velhas de 2011 a revelar-se uma agradável surpresa, a par da nossa já conhecida Homenagem 2009 da Quinta do Pôpa em garrafa Magnum. Mas o claro vencedor da prova é o impressionante Legado de 2010 (Sogrape), mais um soberbo vinho de Luís Sottomayor. Um néctar intenso, com grande complexidade no nariz, excelente acidez e um uso certeiro da madeira, com um final de boca longo que tende a não desaparecer facilmente da memória.

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Entrando no universo do vinho do Porto, a nossa ideia vai sempre para a prova dos centenários vinhos da Andresen, os colheitas de 1910 e 1900, destes o vencedor foi o 1910, com notas mais interessantes e aquele “vinagrinho”. De realçar que em prova cega nenhum deles teria tanta idade, quer pela cor, aroma e estrutura do vinho. Muito bons.

Nota para o fantástico Niepoort Garrafeira de 1952, o Real Companhia Velha Jubileu, em que infelizmente a garrafa não faz jus à qualidade do vinho apresentado (os rótulos são certamente um ponto a rever nesta casa, que apresenta cada vez melhores vinhos, mas com uma imagem que não acompanha essa qualidade) e o Vieira de Sousa Branco com mais de 40 anos.

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adegga2015 - 21Vieira de Sousa +40 anos branco

De realçar ainda nesta sala Premium a presença de Cátia Mesquita, com os seus Chocolates artesanais. Uma talentosa mão portuense à qual os apaixonados do chocolate devem estar atentos. Todos os que provamos estavam irrepreensíveis, da técnica ao sabor passando pela complexidade do jogo de texturas num bombom. Uma grande surpresa, e uma excelente harmonização com os vinhos do Porto.

adegga2015 - 22 As Trufas e Bombons de Cátia Mesquita

Este Winemarket foi, à semelhança da edição anterior, mais do que uma prova de vinhos, foi um grande evento com a chancela da Adegga, um encontro com amigos e uma oportunidade para conhecer pessoas novas do mundo dos vinhos e da gastronomia. Para quem perdeu esta edição ou ficou com vontade de conhecer a qualidade dos eventos Adegga, não se preocupem, o Winemarket entrou em modo Tour e vai passar em breve pelo Algarve ( 6 de Junho), Lisboa ( 4 de Julho), Estocolmo (19 de Setembro), Berlim ( 3 de Outubro) e Lisboa ( 5 de Dezembro).

adegga2015 - 15A equipa Flavors & Senses em modo Adegga com Niepoort e Quinta do Pôpa

Adegga

Fotos: Flavors & Senses e Ricardo Bernardo para Adegga

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Istambul – Asitane

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Muitas vezes utilizamos a expressão “comer como um Rei”, mas desta vez fomos mais longe e decidimos comer realmente como um Rei, ou neste caso, um sultão Otomano. O Asitane, aberto desde 1991, é um restaurante ou talvez seja mais uma instituição, que pretende recuperar as receitas dos antigos palácios Otomanos. Localizado numa das zonas mais antigas da cidade, bem ao lado da bonita igreja de São Salvador em Chora (casa de alguns dos mais bonitos painéis bizantinos ainda existentes), o Asitane talvez seja como eu disse, mais uma instituição do que propriamente um restaurante, ora vejamos, da sua vasta equipa fazem partes historiadores que vasculham os bem organizados livros do palácio, em busca de receitas, listas de compras e ingredientes utilizados nos gigantescos banquetes dos sultões. Sendo propriedade de um grupo bem sucedido noutras áreas de negócio, os lucros do restaurante são reinvestidos no mesmo, quer em formação das equipas (maioritariamente constituída por pessoas do próprio bairro, um dos mais tradicionais e pobres de Istambul), quer na investigação.

Como se isso não bastasse Batur Durmay, o proprietário, assegura-nos que um dos princípios do restaurante é não utilizar nenhum tipo de produto embalado ou com código de barras, recorrendo sempre a pequenos produtores biológicos que vêem neste espaço uma forma de melhorarem e desenvolverem o seu pequeno negócio.

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Mas bom, ninguém está aqui para ler um bonito texto sobre história e caridade, mas sim sobre comida e banquetes, pelo que passemos ao que realmente interessa, a comida.

Já instalados, numa sala ampla e bem iluminada com decoração clássica e confortável, começa o nosso festim, o pão, de excelente qualidade, é inspirado numa receita do séc. XVI do Palácio de Topkapi, a acompanhar, azeite aromatizado e como amuse bouche, uma “trufa” de nozes, pimentos e oregãos.

asitane - 6Amuse bouche

asitane - 7Sopa de amêndoa e Sopa de Castanha
O início da refeição propriamente dita, não podia ser feito de melhor forma, uma sopa de amêndoa, com romã e um interessantíssimo toque de noz moscada, numa receita datada de 1539. A outra sopa, de castanhas, num caldo com especiarias mais frutos secos, menta e iogurte seco, foi ainda mais arrebatadora. Uma receita de inverno datada de 1469 que conquistaria certamente qualquer chef contemporâneo. Que início, que explosão de sabores!

asitane - 8Kebab e Kapak Boreği
Uma combinação de entradas quentes, com um Kebab (de 1764) feito com carne de vitela e cordeiro, sementes de coentro, pinhões e cominhos envolvida em redanho/crépine. Fantástico sabor, excelente textura e carne suculenta, além de boa integração com a cebola ligeiramente cozinhada com romã. A outra entrada, o Kapak Boreği, data de 1844, numa receita com carne de cordeiro picada com cardomomo, amêndoas e pinhões, a rechear uma excelente massa folhada. Um prato mais uma vez executado de forma irrepreensível e cheio de sabores, da carne, das especiarias e da própria massa. A acompanhar muito bem, para cortar um pouco toda a gordura e peso do prato, um exclente pickle de nabo. Muito, muito bom.

asitane - 9Couscous (1910)
Já comi muitas vezes esta massa tradicional dos países árabes, mas nunca como esta. Massa com grão maior, al dente, salteada com manteiga, nozes e salsa e coberta com queijo num prato que podia comer diariamente e não enjoar. É lindo ver como a simplicidade é o melhor remédio quando os ingredientes são de 1ª qualidade.

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Marmelo Recheado (1539)
Para nós portugueses que tradicionalmente quase só utilizamos o Marmelo para a célebre “marmelada” é interessante ver a sua versatilidade em pratos salgados como este. Um prato cheio de história e um dos mais carismáticos do Asitane. Um marmelo recheado com arroz, vitela, cordeiro, frutos secos, passas e melaço de uva. O resultado é uma combinação agridoce, sem grande sobreposição de sabores, com todos os elementos a funcionarem muito bem no prato. Nota alta para as texturas do prato.

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Mutancana, estufado de cordeiro com alperce, cebola e passas (1539)
Mais uma receita com mais de 5 séculos, que transportava a nossa boca para outras dimensões, um prato com notas doces bem balançadas, onde, mais uma vez, as texturas são um dos pontos fortes. Muito bem acompanhado  por um arroz verde, com a tonalidade a ser conseguida salteando o arroz com espinafres e ervas picadas.

asitane - 12 Cabrito, pilaf, espargos (séc. XV)
Um dos pratos novos da carta do restaurante e um dos mais interessantes. Cabrito cozinhado lentamente, desfiado sobre um pilaf com passas, pinhões, fígado, orégãos e pimenta. Como comiam estes sultões… Sem dúvida um dos melhores pratos de cabrito que já provei.

asitane - 13Bal Helvasi , halva com mel, pistáchio e sementes de papoila (séc. XV)
Para terminar uma já longa e magnífica refeição, mais um clássico da doçaria turca, a farinha halva, cozinhada com mel, tornando-o menos doce e com uma textura mais interessante. Bom sabor mas a precisar de um elemento que elevasse o prato, talvez um gelado de iogurte ou pistáchio.

A harmonizar esta brilhante refeição o grande Quinta do Vesúvio 2009, que nos acompanhou de Portugal para uma fusão com a cozinha turca e o melhor vinho tinto turco que provamos durante a viagem, o Château Kalpak 2010 feito com um blend de Kalecik Karasi e Merlot. Ambos a funcionar na perfeição com os pratos provados durante o Almoço.

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O serviço de sala é eficiente e correto, com os pratos a serem servidos com os tempos certos além de uma alegria genuína e bonita de ver em quem está a trabalhar.

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Considerações Finais
Realmente não há como um festim de cozinha Otomana para que nos sintamos lordes, a cozinha do Asitane mostra bem como Cozinhar é uma arte com séculos de existência e muitos mais para perdurar. Sobre o restaurante não há muito mais a dizer, depois de toda a introdução, talvez só acrescentar que depois da visita de Anthony Bourdain no seu programa sobre Istambul, é certo que irão encontrar muitos turistas nas mesas do restaurante, mas o que é certo também é que não vão encontrar em mais lado nenhum uma cozinha mais autêntica e tradicional do que esta. Os ingredientes são de uma qualidade extrema e isso nota-se do prato mais simples ao mais complexo e elaborado. Foi sem dúvida a melhor refeição tradicional que tivemos na cidade, e uma daquelas que não vou esquecer enquanto não a repetir. Resta-me agradecer à equipa que transformou a cozinha turca numa das nossas cozinhas favoritas e desejar que cada País tivesse um Batur Durmay e um Asitane para recuperarem os receitários perdidos, com respeito, amor e muita, muita alma!

Asitane
Kariye Camii Sokak No:6, (ao lado da igreja de Chora) – Istambul
+90 (212) 635 7997
info@asitanerestaurant.com

Quinta do Vesúvio 2009 com o apoio da Symington Family

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Istambul – Tuğra Restaurant – Çırağan Palace

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Mandado construir em 1836 pelo sultão Abdülâziz, o Çırağan Palace localiza-se na margem Europeia do Bósforo, sendo um dos últimos representantes de uma época em que cada sultão Otomano mandava edificar o seu palácio em vez de utilizar o do seu antecessor. Serviu ainda como sede do Parlamento Turco, até que em 1910 um grande incêndio o deixou em ruínas. Dada a sua proximidade ao Bairro de Besiktas, os seus jardins serviram durante anos como estádio do famoso clube de futebol, até que em 1989 um consórcio Japonês adquiriu o palácio, restaurando-o na sua forma original e adicionando um luxuoso hotel ao seu complexo, hoje gerido pelo grupo Kempinski.

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O palácio é de um charme estonteante, desde os luxuosos detalhes no interior, à lindíssima e charmosa vista sobre o bósforo. Mas, é sobre o seu restaurante que vos quero falar hoje, o Tuğra. Localizado bem no interior do palácio, numas salas amplas e esplendorosas com vista sobre o rio, criando certamente o ambiente mais romântico da cidade. A cozinha promete uma inspiração Otomana, nas cozinhas dos seus antigos palácios com um ou outro toque de fine Haute cuisine francesa.

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Já instalados numa mesa enorme e com todos os detalhes e conforto, somos brindados com um copo de champanhe (o inevitável rei do marketing Moët & Chandon) e os interessantes Sherbets turcos, de frutas e flores bem gelados.

Segue-se o pão de excelente qualidade (uma constante no país), manteiga e um trio de queijos gratinados e um molho de tomate, num excelente início.

tugra - 21Amuse Bouche – Folha de videira recheada com arroz

 tugra - 15Tuğra Meze
Optamos por começar a refeição (penso que à semelhança de todas as mesas) por uma seleção de Meze (aperitivos turcos). Da escolha havia um pouco de tudo, hummus, melão com queijo e água de rosa, beringela assada com romã, camarão com molho de ameixa, folha de videira recheada com cebola, kofte de lentilhas, curd de queijo com ervas, tomate e pinhões, pasta de frango com noz e uma espécie de aspic de favas. Sem serem arrebatadores, todos eles estavam muito bem preparados, com destaque para o hummus, a pasta de frango e o kofte.

tugra - 16Seleção de aperitivos quentes
Calamares com boa fritura e um interessante molho tártaro com nozes. Paçanga Börek, uma esécie de folhado de massa filo com Pastırma (Pastrami turco), queijo, tomate e pimento, sabores fortes numa ótima entrada. Ainda um ótimo Sac Oruğu, um Pastel de bulgur recheado com carne picada, nozes e temperado com sumac. Provou-se ainda um excelente camarão assado com queijo kaşkaval, tomate e pimento doce e uma massa (Piruhi), recheada com carne num molho de iogurte e tomate com manteiga. Todas as especialidades turcas estavam ótimas e mais interessantes que os meze frios.

tugra - 26Pregado do mar negro, legumes, panqueca de batata, brioche, salicórnia e molho de mastic e gengibre
Um prato em que se nota a influência da Haute cuisine, com os legumes preparados irrepreensivelmente, em jeito de terrina e com a cocção certíssima. Peixe de excelente qualidade, muito bem preparado (nota  de excelência para a mestria do chef de sala a retirar a pele do pregado). O molho serviu plenamente as suas funções de unir todos os elementos e de dar uma nova dimensão ao prato.

A acompanhar, um Premium Chardonnay de 2012 de Sevilen, um dos principais vinhos da casta feitos na Turquia, com nariz modesto, com leves aromas a fruta e madeira, mas mais intenso na boca, com fruta tropical e um excelente uso da madeira. Ótima combinação.

 tugra - 27künefe
Os turcos são famosos pelas suas sobremesas e este tradicional künefe (massa tipo cabelos de anjo, recheada com queijo, assada e mergulhada em xarope) servido quente, deixou memórias. Excelente combinação de texturas e bom balanço de doçura, num doce fantástico cuja origem remonta ao séc. XI. Delicioso.

 tugra - 10Halvah de canela
Puré de sésamo com melaço, nozes, pinhões, manteiga e canela com gelado de leite. Uma sobremesa forte, com sabores intensos e de textura densa, contrabalançada pela leveza do gelado. Muito bom.

A acompanhar um vinho doce da Turquia, Safir 2012 de Doluca.

tugra - 11Os Famosos Turkish Delights a funcionar como mignardises para o final de uma longa refeição

O serviço de sala é exímio, da atenção ao cliente  à técnica clássica de empratamento na mesa. Irrepreensível.

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A acompanhar-nos nesta experiência, o vinho foi o Quinta do Vesúvio 2009, que na impossibilidade de ser harmonizado com pratos provados, serviu para boas conversas e brindes na bonita e bem apetrechada cave do restaurante, com a equipa do restaurante a render-se a este grande vinho.

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Considerações Finais
O Çırağan Palace é sem dúvida um dos mais icónicos hotéis de Istambul, e o seu restaurante Tuğra representa muito bem o que é jantar num palácio, criando uma das atmosferas mais românticas em que já tive oportunidade de jantar. Da cozinha saem pratos com inspiração palaciana, mas a meu ver muito mais modernizados e com toques de  cozinha francesa. Faltou provar um dos icónicos pratos da casa, “Testi”, um estufado de cordeiro, preparado num jarro de barro, que é quebrado na mesa antes de servir (todo o espetáculo de ver o prato ser servido aguçou-me o interesse). Na Sala como já havia dito, tudo funciona harmoniosamente, e foi certamente um dos melhores serviços que experienciamos na cidade. Caso fiquem ou não hospedados no hotel quando visitarem Istambul, o Tuğra é uma aposta certeira, para um jantar longo e romântico com o Bósforo como pano de fundo. No Verão aposte num jantar na varanda.

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Tuğra Restaurant – Çırağan Palace
Ciragan Caddesi 32, Istanbul
+90 212 236 7333
diningreservations.ciraganpalace@kempinski.com

Quinta do Vesúvio 2009 com o apoio da Symington Family

Fotos: Flavors & Sences e Çırağan Palace Kempinski

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Passatempo – Adegga Winemarket Porto 2015

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O Adegga Winemarket Porto 2015 vai decorrer no próximo dia 11 de Abril no Hotel Porto Palácio.

“O Adegga WineMarket Porto é mais do que vinho.
É sobre quem encontramos, as gargalhadas que soltamos, o tempo que passamos a sorrir.
É emoção e alegria. Somos nós, são vocês.
São as pessoas.”

 É desta forma que um dos mais interessantes projectos de divulgação do vinho nacional se apresenta, pelo que o nosso Blog não poderia deixar de apoiar mais uma edição deste evento que tantas marcas deixou com a sua edição anterior (Ver Artigo).

Assim temos um Passatempo para os nossos leitores, com direito a 3 entradas duplas no Adegga Winemarket Porto 2015.

Para Participar basta:
1- Fazer “GOSTO” na nossa Página e na do Adegga
2- Identificar nos comentários um amigo com quem gostarias de participar no evento.
3- Partilhar a publicação do Facebook no teu mural.

Prémio:
3 Entradas Duplas

O passatempo termina à meia-noite de quinta-feira 9 de Abril.
Sendo os Vencedores escolhido aleatoriamente pela nossa equipa e divulgado no dia 10 de Abril.

Quer conhecer melhor este evento? Saiba tudo aqui: Adegga Winemarket Porto 2015

Informações
Produtores
AdegaMãe, Anselmo Mendes, António Madeira, Burmester, Caminhos Cruzados, Casa da Passarella, Casa de Cello, Sogrape Vinhos, Casa Ferreirinha, Porto Ferreira, Herdade do Peso, Quinta dos Carvalhais, Casal de Santa Maria, Cortes de Cima, Dona Maria, Esporão, Foz Torto, Herdade do Portocarro, João Portugal Ramos, José Maria da Fonseca, Lavradores de Feitoria, Lusovini, Magnum Vinhos, Monte da Raposinha, Monte da Ravasqueira, Negreiros, Niepoort, Paulo Laureano, Poças, Poeira, Kopke, Quinta de Lemos, Quinta de Santiago, Solar dos Lobos, Quinta de São José, Quinta do Gradil, Quinta do Pessegueiro, Quinta do Pôpa, Quinta do Portal, Quinta Nova, Ramos Pinto, Real Companhia Velha, RISO, Romaneira, São Matias, Soalheiro, Symington, Torre do Frade, Vasques de Carvalho, Zimbro

As 10 razões porque o Adegga WineMarket é mais do que um evento:
1. Evento de qualidade com apenas 40 produtores seleccionados.
2. Evento de proximidade com 3 cidades e 4 eventos (Porto, Algarve, Summer, Lisboa).
3. Prova de vinhos em ambiente descontraído.
4. Compra directa ao produtor com entrega ao domicílio.
5. Bilhete de Loja com oferta da entrada no Adegga WineMarket.
6. Sala Premium com prova de vinhos únicos e topos de gama.
7. Compra antecipada de bilhetes online.
8. Club A Lounge exclusivo para membros Club A.
9. Presença digital do evento nas redes sociais.
10. Marcação de vinhos provados através da tecnologia SmartWineGlass.

Local
Porto Palácio Congress Hotel & Spa – Avenida da Boavista, 1269, Porto
Entradas: dos 10€ aos 50€ (no dia o bilhete tem o acréscimo de 5€)
Das 15h00 às 21h00

 Facebook do Evento

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Istambul – Vue Lounge & Bar

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Como a Cíntia já vos tinha falado no artigo sobre o Hyatt Regency Istanbul Ataköy, o hotel possui um magnífico Skybar com  vista sobre o mar de Marmara e algumas novidades que o tornam diferente dos seus concorrentes na cidade. Além do habitual dj, e de salas para festas privadas, o  Vue possui um restaurante, em jeito de Bar de tapas, baseado na cozinha Peruana, além de um excelente Barman especializado em Flair Bartending, e de cocktails de assinatura envelhecidos em casco de madeira.

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Para trabalhar a cozinha peruana, tão em voga nos dias de hoje mas simultaneamente tão distinta das raízes turcas, contrataram um jovem chef peruano, Bruno Santa Cruz, que entre ceviches, tapas e pratos tradicionais vai criando um pequeno festim.

Vue - 9Mai Tai envelhecido em casco

Vue - 8Turkish Delight

Já com os cocktails mais que aprovados começamos a degustação dos pequenos pratos do Vue com um trio de Ceviches, Vieiras, pisco e romã, camarão e abacate, Pargo, cebola e batata doce.

Vue - 4           Vue - 5           Vue - 3 trio de ceviches

Todos muito bem preparados, com destaque para o clássico com pargo e batata doce, e para a romã com vieiras, numa fusão entre o Peru e a Turquia. Um excelente início.

Vue - 6          Vue - 7           Vue - 15

Seguiram-se os pratos quentes, com camarão ao alho, bolos de caranguejo e empanadas de vitela.  Menos interessante a incursão pelos petiscos espanhóis com o camarão ao alho, a faltar um pouco mais de potência e untuosidade no molho, mas facilmente compensada pelos bolos de caranguejo com molho de pimentos, muito, muito bons.  Também as pequenas empanadas, se mostraram em grande forma, com carne bem preparada e uma excelente e estaladiça massa.

Vue - 11Entrecôte maturado com chimichurri e lima

Entre os petiscos provamos ainda este excelente Entrecôte maturado, grelhado em finas fatias com o clássico molho chimichurri. Excelente.

 Vue - 1Anilcan Safa na preparação de mais um cocktail

E porque beber sem comer não é benéfico para a saúde, continuamos a provar a cozinha do Chef Bruno, desta vez com os seus pratos principais, começamos pelo Polvo com batata, pickle de chicória vermelha e feijão. A combinação surpreendeu pela positiva, com um excelente balanço entre a doçura e a acidez. Irrepreensível.

Vue - 12Polvo, com batata, pickle de chicória vermelha e feijão

De seguida um clássico peruano, Aji de Gallina, com lima e creme picante de noz. Bem preparado, com o frango ainda suculento e ligeiramente picante.

Vue - 13Aji de Gallina

Vue - 14Codornizes grelhadas, feijão preto marinado e molho de pickle de uva

Este último prato foi o meu preferido da noite,  codornizes grelhadas na perfeição, carne saborosa e delicada, bom contraste com a acidez do molho e a textura do feijão. Um daqueles pratos que deixa saudades.

Vue - 20Isto é um Senhor Gin! Tanqueray Ten, fever tree e mais uns segredos pelo meio

Para Terminar a noite e já depois de uma pequena prova de vinhos turcos com destaque para um Malbec da Corvus, eis o momento doce da noite, com uma Tarte de Lima merengada que cumpriu, na perfeição com a sua função. Doce q.b., boa massa e curd.

Vue - 16 Tarte de Lima Merengada

Em jeito de considerações finais, o Vue Lounge & Bar é um magnífico exemplo do lado cosmopolita de Istambul, frequentado por locais e turistas, futebolistas e Top models, o espaço é bastante écletico mas confortável, sem aquela ideia de ver e ser visto, mas sim da busca por um momento de diversão. Mas o Vue é muito mais que isso, é um excelente restaurante, com uma cozinha fantástica e única na cidade que vale a pena ser apreciada.

Nos Meses de Verão será o terraço que envolve o Bar que roubará as atenções, criando enchentes em busca de um lugar  ou de uma mesa para celebrar em grande estilo uma Sunset party.

Resumidamente, se gostam de cocktails, do ambiente de um bar sofisticado e de boa cozinha este é um sítio a não perder, estejam ou não hospedados no Hotel.

Hyatt Regency Istanbul Ataköy
Ataköy 2-5-6. Kısım, Rauf Orbay Caddesi Sahil Yolu – Istambul
+90 212 463 1234
istanbul.regency@hyatt.com

Fotos: Flavors & Senses e Hyatt Regency Istanbul Ataköy

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Hyatt Regency Istanbul Ataköy

HyattRegencyatakoy - 16

O que esperar de um hotel que, aquando da nossa visita, estava aberto há apenas um mês?!
Bem, se esse hotel for o Hyatt Regency Istanbul Ataköy, podem esperar o melhor!

Mais um caso de sucesso do grupo Hyatt Hotels, neste caso, um cinco estrelas bem em frente ao mar de Marmara que transformou a nossa estadia em Istambul em algo memorável.

 Hyatteregencyatakoy - 19

Primeira Impressão:
Chegamos a Istambul numa sexta feira já de madrugada, quando nos aproximávamos do hotel conseguíamos ver a sua imponência, um pequeno arranha-céus todo luminoso a rivalizar com a serenidade do Mar de Marmara.

O lobby do hotel é elegante e contemporâneo, à semelhança de todo o hotel. O recepcionista que nos recebeu era dotado de muito boa disposição ( dificil àquela hora do dia), tratando do nosso check in com bastante rapidez enquanto conversávamos um pouco sobre Portugal.

Enquanto éramos acompanhados ao quarto fomos observando o hotel, consegue perceber-se que apesar dum estilo maioritariamente contemporâneo, o hotel vai refletindo a tradição turca e otomana em pequenos pormenores. A sua estrutura, no que diz respeito à distribuição dos quartos pelos diferentes andares, e a forma arquitetónica que foi dada aos diferentes andares, faz quase lembrar a proa dum navio, muito provavelmente inspirado no mar que lhe confere a vista fantástica que se tem dos quartos.

HyattRegencyatakoy - 15

Quartos:
Por falar em quartos, o hotel possui a módica quantia de 284!
São de cinco tipos, Standard, View, Deluxe, Club e Suites, nós ficamos no View, que como o próprio nome indica tinha uma vista magnífica sobre o mar.

O quarto era enorme, elegante, e com todo o conforto que se pode pedir (colchão e almofadas fantásticas, como só um hotel a estrear consegue ter).

Elementos tradicionais misturam-se com o luxo contemporâneo, em que as mármores em tons escuros da casa de banho rivalizam com os tons pastel do restante quarto. Uma simbiose perfeita que enaltece ainda mais a visão moderna de sofisticação, conjugada com a alma otomana que o quarto nos transmite.

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 HyattRegencyatakoy - 11 Brizo Restaurant

Restaurantes/Bares:
Para mim, um dos pontos mais altos do hotel, à semelhança da grande maioria dos Hotéis Hyatt.
É constituído por quatro espaços diferentes, o Brizo, o Vue Lounge & Bar, o Pool Bar e o Regency Club Bar. Tivemos oportunidade de experimentar apenas os dois primeiros.

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O Brizo é o habitual restaurante de hotel, que serve também como espaço para o pequeno almoço, com vista direta para a piscina exterior, e para o mar Marmara. 

O Brizo oferece-nos o melhor da cozinha mediterrânea, numa ampla fusão entre as culturas turca e italiana. Ao pequeno almoço este local está repleto de iguarias de todas as espécies, desde o tradicional pequeno almoço continental, às diferentes especialidades turcas. O espaço é amplo, com muita luz e em tons azul “Tiffany” ( se é que lhe posso chamar assim!) e pastel. Pelos vistos também os locais não resistem ao seu Brunch de Domingo, tal a azáfama nesse dia.

HyattRegencyatakoy - 14           HyattRegencyatakoy - 9            HyattRegencyatakoy - 6 Brizo Restaurant and Lounge

Num conceito completamente distinto, experimentamos também o Vue Lounge & Bar, para nós o ponto alto do Hotel (em todos os sentidos), que muito me lembrou os estonteantes sky bars da frenética cidade de Banguecoque.

Aqui pudemos desfrutar de uma invulgar, mas grande refeição em Istambul, num ambiente intimista mas moderno, luxuoso e altamente vibrante, fomos brindados com cozinha Peruana (certamente a única em toda a cidade). Deliciosos petiscos, do ceviche às empanadas, foram acompanhados de saborosos cocktails, numa noite que se revelou mágica. Mas sobre esta experiência o João fala-vos ao pormenor num outro artigo.

hyattregencyatakoy - 21Vue Lounge & Bar

Quanto ao Pool Bar, como devem calcular, em pleno Fevereiro não foi sequer opção, no entanto, como qualquer outro Pool bar, deve garantir a comodidade dos seus hóspedes nos momentos de relaxamento junto à piscina.

Por sua vez, o Regency Club Lounge está destinado aos membros do Regency Club, no piso 16 do hotel, onde os membros podem usufruir da biblioteca, da sala de reuniões e ainda do Lounge onde podem tomar o pequeno almoço, e diferentes bebidas ao longo de todo o dia.

HyattRegencyatakoy - 1m

Serviços:
Aparte de todos os habituais serviços dum 5 estrelas, como serviço de quartos 24h/dia e concierge, o Hyatt Regency Istanbul Ataköy possui um lindíssimo Spa, o Levana Spa & Fitness, um centro de fitness e duas piscinas, uma interior, e uma exterior, sendo que esta última certamente ainda não foi usada, dadas as temperaturas atuais em Istambul e uma vez que este só abriu em Janeiro deste ano.

HyattRegencyatakoy - 17Levana Spa & Fitness

Como seria de esperar, o hotel está devidamente preparado para viagens de negócio, e eventos à escala de bailes ou casamentos, apresentando um total de 14 salas destinadas a esses programas.

Além destas atividades internas, o hotel prepara-nos também, se assim o quisermos, um conjunto de atividades a fazer no exterior, seja a visitar diferentes zonas da cidade, seja a fazer compras.

hyattregencyatakoy - 18Piscina Interior

Como o Hotel não se encontra no centro da cidade (cerca de 10km), dispõe de shuttle que em horários específicos nos transporta gratuitamente entre o hotel e Sultanahmet e Taksim.

Hyatteregencyatakoy - 20

Atendimento:
Felizmente já têm sido várias as nossas experiências com os hotéis do grupo Hyatt e cada vez mais me apercebo da arte de bem receber e atender das equipas hoteleiras deste grande grupo.

Fomos bem recebidos desde a entrada até à saída, fomos acompanhados durante toda a nossa estadia, e tudo se foi proporcionando para que a estadia fosse memorável, e para que percebam o tipo de preocupação e interesse que o hotel tem para com os seus hóspedes vou contar-vos a surpresa que nos fizeram: o João fez aniversário a 1 de Março, nesse dia saímos bem cedo do hotel e passamos o dia todo a percorrer a cidade e a comer em restaurantes magníficos (claro!), chegamos ao hotel já bem tarde, aí tínhamos à nossa espera um delicioso bolo de chocolate com morangos e um cartão de aniversário com diferentes mensagens de parabéns de diferentes elementos da equipa, sim, um cartão escrito à mão e assinado por várias pessoas, não um papel impresso com um texto generalizado escrito no computador.

HyattRegencyatakoy - 3Surpresa de Aniversário (Obrigado!!)

Querem maior amabilidade e atenção do que isto?! Ficamos felicíssimos, e o bolo era óptimo, ainda por cima!

Um hotel recente com uma equipa dedicada a 100%, desde o recepcionista, ao Barman,  e a todos os elementos, cada um com a sua função mas que transformam uma estadia num momento único, tem tudo mas mesmo tudo para dar certo. Um obrigado muito especial para a Diretora de Marketing Göksenin Ileri por ter cuidado de todos os nossos pedidos e pela atenção especial que teve enquanto estive doente (sim também se fica doente a viajar por sítios maravilhosos)!

Pretendemos voltar daqui a uns anos, sem dúvida!

Hyatt Regency Istanbul Ataköy
Quartos a partir de 132€
Ataköy 2-5-6. Kısım, Rauf Orbay Caddesi Sahil Yolu – Istambul
+90 212 463 1234
istanbul.regency@hyatt.com

Fotos: Flavors & Senses e Hyatt Regency Istanbul Ataköy

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Istambul – Le Fumoir – Georges Hotel Galata

Georges - 12

O Georges Hotel Galata é um pequeno hotel que traz até à região de Galata o melhor do Luxo Cosmopolita (Gold List 2015 da Condé Nast Traveler). Da interessante localização, à decoração acolhedora, o principal foco deste espaço é a atenção ao cliente e o seu serviço personalizado. Com gestão de um Francês apaixonado por Istambul, o restaurante do Hotel não podia representar outra coisa se não a cozinha gaulesa.

A cozinha idealizada por Alex Varlik e a sua chef Clarisse Muge Özden pretende recriar um ambiente descontraído, num jeito de Bistrô moderno com vista sobre o Bósforo, o melhor da cozinha tradicional francesa, tal como uma avó costuma preparar para os seus netos.

Georges - 11

Já bem instalados nos sofás da simpática sala do último andar do Hotel, e deliciados com a vista (pena o frio que não nos permitiu usufruir do Terraço), começamos a refeição, como não podia deixar de ser, com bom pão, ligeiramente torrado e manteiga.

Georges - 1Caracóis e manteiga de alho e salsa
Se a ideia são clássicos e cozinha “simples” e reconfortante não poderíamos ter começado de melhor forma. Caracóis pequenos, cozinhados no ponto e com bom sabor. Por mim podia ter um pouco mais de manteiga (a minha nutricionista não lê o blog)!

A acompanhar um simpático Chardonnay, Urla 2013 da região de Izmir.

Georges - 2Salmão Fumado
O clássico bem preparado, peixe de boa qualidade e ligeiramente fumado. Muito bem com o pão torrado a acompanhar.

A acompanhar mais um vinho Turco, do Domaine Umurbey, um Sauvignon Blanc 2013 Tekirdağ , um vinho com as características habituais da casta, com corpo e acidez bem equilibrados, que funcionou muito bem com o Salmão.

Georges - 4Vieiras, puré de tupinambo baunilhado
Um prato visualmente apelativo, com as vieiras preparadas de forma irrepreensível. Bom também o puré, com a baunilha bem integrada, sem se  sobrepor aos restantes sabores. Boa também a integração da textura e doce das ervilhas e da leveza trazida pela laranja. Muito Bom.

Georges - 5Perna de Cordeiro, Puré de batata com avelã
Mais um prato visualmente apelativo, com a utilização de um dos principais ingredientes turcos, o Cordeiro. Carne Suculenta, a “esfiapar” com bom sabor e um molho delicado e guloso. Nota positiva também para o puré com a integração das avelãs e os legumes al dente. Delicioso.

Georges - 6

A acompanhar, um pouco de Portugal, diretamente do Douro um Pombal do Vesúvio 2009 da Symington (os vinhos da Quinta do Vesúvio foram a nossa companhia nesta viagem a Istambul), uma harmonização perfeita.

Georges - 8Prato de Queijos
Restaurante Francês sem queijo, nunca o seria na realidade. Camembert, Petit Chevrot, Comté e Roquefort, foram os selecionados, numa dose vasta que chegava para uma família (na realidade serviu dois, e não me lembro de sobrar). Queijos de boa qualidade, servidos na temperatura certa, com destaque para o Petit chevrot e o Comté .

Georges - 9Tarte Tatin
Um final simples, com uma das sobremesas mais familiares do receituário gaulês. Bem preparada, boa base e fruta no ponto, com boa caramelização e sem os habituais excessos de doçura.

O Serviço de sala foi de uma simpatia extrema (e genuína), calmo e descontraído como o espaço assim exige.

Georges - 10

Considerações Finais
O Le Fumoir é um restaurante que retrata na plenitude o espírito do Hotel em que está inserido, bom serviço, ambiente descontraído e informal, mas com todos os pequenos luxos (que quer queiramos quer não, fazem toda a diferença). A vista do restaurante sobre a cidade e o Bósforo são o primeiro convite à visita, depois a cozinha da jovem Clarisse, sem malabarismos, descomplicada e reconfortante com bons ingredientes, faz-nos querer voltar. Não não é o melhor restaurante francês fora do País, mas também não quer sê-lo, quer ser um espaço honesto com boa comida, algo como levar uma velha senhora da Borgonha a cozinhar num simpático e luxuoso Loft de Nova Iorque. E só por isso a visita vale mais do que a pena!

Le Fumoir – Georges Hotel Galata
Serdar-I Ekrem Sokak No:24 Galata – Beyoğlu – Istambul
+90 212 244 2423

Pombal do Vesúvio 2009 com o apoio da Symington Family

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Reitoria

reitoria - 1

Depois de uma longa série de artigos em viagem, quebramos a rotina e voltamos ao Porto e aos seus restaurantes, que sempre serão a grande base deste blog. Com tantas aberturas no último ano e tantas coisas ainda por conhecer( ainda que algumas prefira nem experimentar), optamos por visitar um dos espaços abertos em 2014 de que mais se tem falado, o Reitoria. Um espaço que rouba o nome ao histórico edifício da Universidade do Porto, bem em frente do restaurante, ou seja, é difícil conseguir melhor localização na baixa da cidade. O restaurante recupera uma antiga casa de dois pisos, mantendo a fachada original e recriando no seu interior duas áreas distintas, no piso inferior o conceito é o de um Wine Bar e de um Deli, em que se servem sandwiches feitas em Focaccia (de produção artesanal no próprio restaurante) e no piso superior o restaurante propriamente dito, uma verdadeira Steakhouse com as carnes grelhadas a tornarem-se a marca do Reitoria.

A decoração do espaço acompanha os conceitos, com o piso inferior a destacar-se pelas mesas altas e as vitrines em que são expostos os bons ingredientes que recheiam as suas focaccias. No Piso superior, mantêm-se o ambiente cool, numa pequena sala, bem composta de mesas (aqui não há hipótese de falarmos em distância correta entre mesas), montadas de uma forma clean e minimalista.

Já sentados, começamos com um bom couvert, em que se destaca a qualidade das focaccias que produzem na casa.

reitoria - 5 Terrina campestre com Pistáchios e pickles (7€)
Quando a provei, tinham passado poucos dias desde que tinha provado uma das melhores terrinas da minha vida em Paris, pelo que a comparação era obrigatória. Não estando ao mesmo nível, não comprometia em sabores e texturas, muito bem conseguida, com boas camadas e balanço entre carne e gordura. Pecou apenas por ser servida um pouco fria (beneficiava  se fosse à temperatura ambiente). Bom início.

reitoria - 6Portobello, ovo BT, espuma de Tallegio e espargos verdes (8€)
A descrição dos ingredientes no menu criava espectativas altas, às quais a imagem não correspondeu. Mas no mais importante, o sabor, o prato entrega aquilo que promete, um bom conjunto de sabores terrestres que se complementam muito bem entre si. Ótima a espuma de queijo.

reitoria - 3Bochecha de Novilho Confitada, espuma de batata e legumes (15€)
Sabendo que estamos numa steakhouse, optámos por pratos que não conhecem a grelha, uma vez que tendo algumas expectativas quanto ao trabalho do jovem chef Pedro Braga, quisemos conhecer os seus pratos mais trabalhados. Um desses pratos foi uma fantástica bochecha de novilho, cozinhada na perfeição, macia e suculenta com um excelente molho. Boa também a escolha dos legumes e a sua cocção. Para mim a espuma de batata, ainda que interessante no conceito e leveza, pecou na temperatura (estava fria), num conjunto que nada pede por uma combinação de diferentes temperaturas. Estivesse quente e era um brilharete.

reitoria - 4Barriga de Porco Asiática (16€)
Foi por um prato assim que me mantive afastado da grelha, uma barriga bem preparada e cozinhada, de textura irrepreensível e sabor delicado. Acompanhada por um caldo límpido e ligeiramente picante (aqui talvez pudessem ser mais audazes nos sabores asiáticos, mas compreendo a contenção), batata no ponto e couve. Muito Bom.

Da lista de guarnições, escolhemos ainda uma selecção de legumes assados com balsâmico e coentros (3), muito bem preparados e mais uma vez com uma escolha diferente do habitual.

reitoria - 2Bolo encruado de chocolate, panacotta e frutos vermelhos (6€)
Com uma apresentação menos interessante que a dos pratos principais, a sobremesa cumpriu bem a sua função. Com o bolo a ser isso mesmo, um bolo ligeiramente cru e sabor a chocolate, o destaque vai para a panna cotta de baunilha, com uma textura fantástica (nada dos habituais excessos de gelatina) e sabor delicado. Um bom final, que merecia melhor apresentação.

A carta de vinhos não é um dos fortes do espaço, curta, ainda que com boas opções, maioritariamente do Douro. Acabamos por acompanhar muito bem a refeição com clássico Quinta dos Aciprestes da Real Companhia Velha.

O serviço de sala, com um elemento já nosso conhecido de outras lides, foi eficaz, com descontracção, à semelhança do espaço mas com eficácia na resposta, da simpatia ao conhecimento demonstrado sobre a carta.

De negativo devo realçar a carta e a iluminação. A carta impressa numa folha a4 de papel, meio amarrotada e com um grafismo algo deficiente, não se coaduna com os preços, a cozinha e o próprio ambiente do espaço. Um ponto importante e simples de rever. A iluminação por seu lado é muito baixa, gosto de restaurantes  a meia luz, com ambiente cosmopolita, mas gosto também de apreciar os pratos, as cores e um pouco mais do espaço.

Considerações Finais
O Reitoria é sem dúvida um dos melhores espaços da nova vaga da restauração portuense, com produtos de qualidade e uma oferta diferenciada, desde as informais sandwiches às mais requintadas carnes grelhadas num magnífico Josper. É certo que tem pontos a melhorar e algumas falhas incompreensíveis, como o grafismo e o papel do Menu, mas da sua cozinha saem pratos interessantes, com bons produtos, boa técnica e um ou outro rasgo de criatividade do jovem chefe Pedro Braga, que espero ver seguir mais essa vertente, ainda que mantendo o conceito bem conseguido de Steakhouse.  Voltaremos em breve!

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Vinho em Viagem #1 – Graham’s Tawny 20 Anos

septime - 2 Restaurante Septime (*Michelin)

Já há algum tempo que a ideia de promover algo Português nas nossas viagens pairava sobre a minha cabeça, conhecemos locais fantásticos, restaurantes maravilhosos e excelentes hotéis, porque não levar até eles um pouco de Portugal?

Como não podia deixar de ser, o vinho foi o património escolhido, e que património! Com as visitas aos restaurantes, e as tão escassas presenças portuguesas nas cartas internacionais, o Vinho era aquilo que mais sentido fazia para nós divulgarmos.

allard - 3gr Restaurante Allard (Alain Ducasse)

Assim começa o nosso “Vinho em Viagem” na nossa última visita a Paris e com apoio da Symington e da sua Graham’s ( a quem agradeço desde já todo o apoio nas nossas iniciativas), fomos acompanhados de um especial vinho do Porto Graham’s Tawny 20 anos.

Um vinho que consideramos bastante versátil, e que pelas suas notas de frutos secos, casca de laranja e doçura bem balançada poderia tornar-se uma excelente companhia para as sobremesas mais tradicionais da cozinha francesa.

Le Chiberta - 2 gr Restaurante Le Chiberta (*Michelin)

Assim, armados com “Portugal numa garrafa”, rumamos a alguns excelentes restaurantes de Paris, desafiando os Escanções a harmonizar as suas sobremesas com o Graham’s 20 anos, e a servi-lo fresco (ideia que muita gente ainda não tem sobre o vinho do Porto).

O Resultado não podia ter sido mais interessante, 1º todos os que o provaram na nossa companhia se renderam à qualidade do vinho ( Ainda que a França seja um grande mercado de vinho do Porto, normalmente fica-se pelas gamas mais baixas), 2º de sobremesas como a Tarte de Limão merengada, queijos e a île flottante no Allard de Alain Ducasse, o Bolo Ópera de Guy Savoy ou os queijos do Septime, tudo funcionou na perfeição com este versátil e delicado Tawny.

O vinho serviu ainda para presentear algumas pessoas, como toda a equipa do Allard (ver mais), o Chef Betrand Grébaut do Septime (ver mais), e o mestre Jean-Paul Montellier que tão bem nos recebeu na sala do Le Chiberta (ver mais).

Esperamos que lhe tenham dado bom uso, e que o Vinho do Porto comece a fazer parte das suas harmonizações.

Dupondsmith - 28gr

Para finalizar a viagem do Graham’s Tawny 20 anos,  decidimos celebrar sozinhos, armados com uma série de doces do surpreendente Pierre Hermé, e um fantástico quarto de Hotel, onde tudo funcionou na plenitude e no dia seguinte a boa disposição também se soube manter.

allard - 15grRestaurante Allard

Uma excelente experiência que garantidamente se irá repetir durante as nossas próximas viagens.

Graham’s Tawny 20 anos com o apoio da Symington Family

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