Clementinas, morangos, e baunilha

Com o blog prestes a fazer um ano, é tempo de algumas retrospectivas, os posts, as ideias que ainda estão por realizar, o aumento gradual de amigos e leitores que o visitam e claro o feedback. Depois de anos enquanto leitor assíduo decidi arriscar e criar o meu próprio blog, com a ajuda imprescindível do Tiago Lessa (que criou o logo e a página) e o apoio incondicional  da namorada, a quem o blog, as fotografias e os artigos já roubaram bastante tempo (obrigado pela paciência).

Os posts tem variado entre receitas e artigos de opinião entre restaurantes e pontos de atracção que são outro hobby fundamental na minha vida, as sobremesas e os pequenos delitos, há semelhança de quase todos os blogs levam a dianteira na preferência dos leitores, que gradualmente tem vindo a crescer, começamos 10, passamos a 30 e hoje cerca de 230 visitas diárias e 626 likes no facebook, obrigado a todos pelas visitas, pelo tempo despendido na leitura e pelas opiniões.

Em véspera de uma viagem não existe tempo e hipótese para criar um post especial de aniversário, mas prometo que o festejarei em grande estilo e companhia, tal é o orgulho que me traz poder escrever isto hoje. Assim fica uma sobremesa que resulta da combinação de alguns ingredientes da época e de algumas receitas já existentes no blog.

P.s. sempre que nos visitarem sintam-se completamente à vontade para deixar um comentário e exprimir a vossa opinião.

Bolo de Clementina,  morangos em calda de baunilha e hortelã e gelatina de morango com gelado de baunilha

Bolo de Clementinas
Gelado de Baunilha
Morangos em calda de baunilha e hortelã
250 gr de morangos
30 gr de frutose
100 ml de água
1 vagem de baunilha
q.b. hortelã

Abrir a vagem de baunilha e retirar as sementes.
Colar numa caçarola a água, a frutose e a baunilha( vagem e sementes), levar ao lume e deixar ferver cerca de 5 minutos.Retirar.
Colocar algumas folhas de hortelã e deixar em infusão cerca de 30 minutos.
Retirar a hortelã e a vagem de baunilha e reservar no frio.
Cortar os morangos em quartos e juntar à calda quando esta estiver bem fria.
Deixar marinar cerca de 30 minutos a 1 hora antes de servir.

Gelatina de morango
450 gr de morangos
80 gr de frutose
7 gr de agar-agar
450 ml de água

Lavar e cortar os morangos em quartos, posteriormente juntar a frutose e deixar marinar cerca de 30 minutos a 1hora (mexendo algumas vezes).
Triturar os morangos com a ajuda de um liquidificador e passar pelo chinês para eliminar as sementes.
Dissolver o agar-agar na água mexendo bem.
Levar a mistura ao lume até ferver e mexendo continuamente durante 5/7 minutos.
Adicionar o puré de morango à mistura e mexer bem até que comece a borbulhar (2/3 minutos).
Colocar na forma e deixar arrefecer cerca de 1 hora. Reservar no frio.

Montagem
Com um aro cortar um pouco de bolo e colocar no centro do prato.
Rodear o bolo com morangos e regar com um pouco da calda.
Cortar pequenos cubos de gelatina e coloca junto com os morangos.
Fazer uma quenelle de gelado e dispor por cima do bolo acompanhado com um pouco de chocolate branco temperado para se obter um elemento crocante no prato.

Nota
Uso Frutose em vez de açúcar para realçar os sabores da fruta em vez de os alterar por completo.

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Spaghetti alla Carbonara

Originária da região de Lázio a “Carbonara” é hoje um sucesso mundial, com mil e uma versões e adaptações. Contudo, tal como todos os sucessos internacionais também é bastante mal tratada, por vezes os molhos transformam-se em ovos mexidos, outras num aguado molho de natas. Aqui fica uma receita com base na original onde se destacam a mistura de Parmigiano Reggiano com Pecorino Romano e a ausência de natas como dita a lei.

Para 2 pessoas

90 gr de Guanciale, Pancetta ou Bacon*
2 ovos inteiros
1 gema de ovo
180 gr de spaghetti ou tagliatelle
50 gr parmigiano regiano
50 gr pecorino romano**
q.b. pimenta preta
q.b. sal
1 fio de azeite

Ralar muito bem os queijos.
Saltear o bacon no fio de azeite e reservar.
Colocar a massa a cozer numa panela com água a ferver temperada com sal.
Num processsador de cozinha ou com um fouet, misturar os ovos inteiros com a gema e adicionar os queijos aos poucos até obter um creme espesso (reservar um pouco de queijo para polvilhar no final), temperar com pimenta preta.
Reservar um pouco de água da cozedura da massa.
Quando a massa estiver al dente, coar para um sauté e juntar o bacon e o creme de ovo. Se o creme estiver muito grosso juntar um pouco de água de cozedura da massa, mexer bem até obter um molho bem sedoso a envolver toda a massa.
Servir de imediato com um pouco de queijo ralado.

Nota
* neste caso específico usei bacon.
** caso não consigam obter pecorino romano, que não é fácil em Portugal, podem substituir por parmigiano regiano ou por queijo Machego (mais próximo do pecorino).

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Menu – Dia dos Namorados

O dia dos namorados é um dia especial para muitos,  um dia comercial ou não, o certo é que a sua importância é sempre considerada. Aqui vamos considerar “apenas” um jantar romântico, longe dos restaurantes lotados, da confusão e mais amigo da carteira. Para um jantar romântico, além de boa comida é necessário recriar todo um ambiente, decoração, mesa cuidada, boa música ambiente, um bom vinho e claro uma excelente companhia.

Com base em algumas das receitas colocadas no blog, decidi criar um menu de 3 pratos que traga ao casal um belo momento à mesa.

Entrada:
Salada de camarão com manga e vinagreta de mostarda

Prato Principal:
Tornedó chasseur com gratin dauphinois

Sobremesa:
Sorbet de Morango e Laranja com Mousse de chocolate negro, fruta fresca e coulis de morango

No final deixem-se levar pelos encantos de uma refeição romântica e sejam felizes.

 

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Bolo de Clementinas

Nada como boa fruta da época, nada como uma receita simples, nada como um bolo e um chá em dias frios. O que despertou o meu interesse neste bolo foi o facto de além de simples, utiliza todas as partes da fruta que é previamente cozida. Um sabor intenso a clementinas e amêndoa.

375 gr de Clementinas
225 gr de açúcar
250 gr de amêndoa
6 ovos
1 c.chá de fermento químico

Lavar bem as clementinas e colocar numa panela com bastante água a cozer durante cerca de 2 horas (cuidado para não deixar que a água se evapore na totalidade). Refrigerar.
Moer amêndoa com um processador de cozinha até ficar bastante fina.
Retirar as sementes das clementinas e colocar no processador/liquidificador e triturar as clementinas, juntar aos poucos a amêndoa até obter uma massa compacta.
Juntar o fermento. Triturar.
Bater os ovos com o açúcar e juntar ao preparado anterior. Triturar.
Colocar a massa numa forma previamente untada com uma folha de papel vegetal a forrar o fundo.
Levar ao forno entre 40 a 60min.
Arrefecer antes de desenformar e servir frio.

Nota
Servir com crème fraîche ou gelado de baunilha.

Adaptado de Nigella Lawson

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The Yeatman

Aberto há cerca de um ano e meio o Hotel Yeatman é a maior referência hoteleira da cidade do Porto, criado por um grupo detentor de caves de vinho do Porto, o hotel surge com um conceito de hotel vínico e marca posição não só no seu ambiente e decoração, mas também pela sua cave de vinhos, o seu spa, o seu bar e acima de tudo o seu restaurante. O espaço com o mesmo nome do hotel é comandado pelo jovem chefe Ricardo Costa que com pouco mais de um ano após a sua abertura, conseguiu reconquistar uma estrela Michelin para o seu palmarés e a única da cidade, um feito raro para o nosso país. A verdade é que ninguém que se senta com uma vista igual à deste restaurante consegue colocar grandes defeitos na comida, com os olhos deleitados tudo pode ser perfeito. Ao almoço o chefe apresenta o Menu express, com um preço fixo de 38€ por pessoa que inclui, entrada, prato e sobremesa com vinho a copo, uma ótima oportunidade para conhecer o que esta cozinha tem para oferecer.

Começamos a refeição com uma manteiga simples mas saborosa, azeite de qualidade mas sem grande destaque, pães caseiros e uma deliciosa broa de milho.

Amuse Buche
Skrei com terrina de legumes

O Skrei (tipo de bacalhau fresco) estava cozinhado na perfeição, a leveza da terrina de legumes com um toque ácido caiu como uma luva na abertura da refeição.
Lagostins de mar
Creme aveludado de lagostins, sardinha ligeiramente fumada, tomate confitado e pesto de oregão
Um creme de sabor a mar bem que me deleitou, um lagostim revestido por uma massa frita(wonton?) que se destacou de todo o conjunto pela execução e sabor, uma sardinha fumada no ponto que trouxe substância ao prato. Uma entrada a repetir.
Atum
Terrina de Atum com foie gras, iogurte de citronela e pão de pistáchio
Foie é sempre foie, o difícil é trata-lo mal, aqui, escusado dizer que foi super bem tratado, o toque ácido do iogurte casou bem com a gordura do foie e atum. O ponto alto revelou-se nos pequenos pedaços de courato que se sobrepunham na terrina e que com a sua crocância e sabor característico elevaram o prato.
Pescada da Póvoa
Com escamas de batata, gnocchi de caril, alcachofra e molho de carabineiros com manteiga de coral
Apesar de considerada um peixe modesto, foi aqui delicada e maravilhosamente tratada, cozinhada no ponto, com umas originais “escamas”(imagem de marca do chefe no tratamento de peixe), bem combinada com os legumes e a espuma. Apenas os gnocchis, apesar de saborosos tinham uma textura e forma pouco interessantes.
Pintada
Peito lacado com citrinos e coxa confitada, almondega trufada, batata ratte, endívia balsâmica e molho de laranja
As várias texturas apresentadas da pintada são sem dúvida o grande destaque do prato, a almôndega com aroma de trufa, deliciosa, o peito nada seco com uma interessante gelatina de laranja, e a coxa confitada. Este prato segue a tendência actual de servir um ingrediente de diferentes formas no mesmo prato e aqui conseguiram revelar as capacidades de uma ave pouco conhecida por cá. A pintada foi muito bem acompanhada, pelas batatas de execução perfeita e um ótimo puré.

Abóbora Menina
Bolo cremoso de abóbora frita com iogurte de mel e toffee de frutos secos caramelizados, gelado de nata
Uma sobremesa da qual aparentemente se esperava pouco, acabou com as dúvida na primeira garfada do bolo, era fantástico, húmido, doce q.b. e com um verdadeiro sabor a abóbora. Gelado cremoso e um crocante delicado a contrastar.
Mignardises
Pequenos delitos que acompanhavam a “infusão do chefe” ou os cafés. No que à infusão diz respeito é de lamentar que a mesma não seja concebida pelo próprio mas sim um bom mas habitual chá de pacote.

Acompanhou-se a refeição com um espumante rosé Filipa Pato e um Porto branco Taylor’s Chip Dry como aperitivo e um branco Reserva Comendador com a pescada e um tinto Meruge 2007 com a pintada que casaram perfeitamente com a refeição.

O Serviço de sala é bem afinado, atento e cordial. Toda a refeição correu sem erros de serviço e com notas bastante positivas. O único senão vai para o facto de numa sala com poucos comensais os vários funcionários decidam ser muito comunicativos entre si, é que ninguém a aproveitar uma bela refeição quer saber sobre a vida privada e as relações de facebook dos outros.

Considerações Finais
No mais belo e luxuoso Hotel da cidade, o restaurante com a melhor vista cumpre as exigências do título. Galardoado este ano com a 1ª estrela do guia vermelho, o The Yeatman é o novo ponto alto da cidade e a verdade é que não deixará ninguém defraudado. O chefe Ricardo Costa consegue sem grandes mediatismos e em tempo record recuperar uma estrela que já havia ganho na Casa da Calçada em Amarante. A Visita a este espaço é quase obrigatória e o almoço em formato “médio-cost” é uma boa introdução ao espaço. Voltaremos brevemente para um menu de degustação.

Hotel The Yeatman
Rua do Choupelo (Sta. Marinha), 4400-088 Vila Nova de Gaia, Porto – Portugal
+351 22 013 3100

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Square – Hotel Intercontinental

O renascer da baixa portuense teve o seu ponto alto com a inauguração do Hotel Intercontinental – Palácio das Cardosas, um 5* localizado bem no coração dos Aliados. De decoração clássica e ostentativa toda a recuperação do edifício merece mais que aplausos. O Hotel tem aberto ao público em geral, o café Astoria, que serve refeições ao almoço além do serviço de salão de chá, o bar das cardosas com decoração acolhedora, boa carta e ao fim de semana boa música ao vivo, por último abriu o seu restaurante, o Square, comandado agora por René Sandoval que rumou ao norte depois de vários anos no calor algarvio. O restaurante de decoração neo clássica, apenas está aberto para jantar e a sua carta assenta em raízes bem portuguesas, com base em pratos tradicionais dando-lhe uma roupagem mais actual e destaque para a qualidade dos Ingredientes.

Começamos a refeição com pães fantásticos, com destaque para os de tomate e de tomilho, e um azeite normal sem grande interesse. Nas opções para jantar o menu é curto, com 3 entradas, 2 sopas, 3 pratos de peixe ou de carne e 4 sobremesas, mas é suficiente para nos fazer ter uma encantadora e variada refeição.

Salada de Polvo, pimento verde e vermelho, tomilho, azeite em pó e avruga ( Amuse Buche)
Uma Interessante reinterpretação de um clássico nacional numa saborosa e original composição de sabores.
Salada de Legumes grelhados, com queijo de cabra curado (8€)
Uma simples e bem composta salada com destaque para a beringela e a curgete, grelhadas no ponto a balançar bem com o queijo de excelente qualidade e os frutos secos. Os “verdes” poderiam ser melhorados com uma mistura mais interessante e não só a tradicional alface.
Essência de Tamarindo e tomate, torteloni de agrião, nabo e porco bísaro (9€)
Uma sopa que envolve um sem número de técnicas é sempre algo que me desperta o palato. O “consommé”, era bastante saboroso, com uma agradável comunhão entre o tamarindo e o tomate. A massa que constitui o torteloni poderia ser melhorada ao nível de textura enquanto o seu recheio é delicado e delicioso.
Bacalhau com Natas envolto em massa folhada, grelos salteados, e espuma de salsa ( 21€)
Um clássico é sempre um clássico e tentar reinventá-lo é muitas vezes uma prova à criatividade e originalidade do chef. Neste Prato e seguindo o conceito do restaurante não se reinterpreta na íntegra a receita mas dá-se-lhe uma outra roupagem. O bacalhau com natas valia por si mas ganhou pontos ( e calorias) quando conjugado com a massa folhada que lhe deu crocância quanto baste para elevar o prato. Já nos grelos uma mão pesada de sal decompôs um pouco a harmonia do prato.

Tornedó de Novilho Transmontano, risotto de cogumelos silvestres, molho de queijo da serra, castanhas (27€)
Um prato sem inovação mas com história onde tudo foi bem feito. Carne irrepreensível, mais do que tenra e no ponto pedido. Um risotto cremoso com ótimos cogumelos e um bom molho. Sem dúvida uma excelente opção.
Mousse de chocolate e caramelo, laranja caramelizada, azeite e flor de sal (6,5€)
Mais caramelo que chocolate,que pouco se fazia sentir, esta sobremesa traz à memória uma lembrança que me é querida, os caramelos espanhóis que os familiares traziam nas suas viagens até à fronteira. Uma modesta mas saborosa sobremesa.

Crumble de alfarroba, maça bravo de esmolfe e creme de mascarpone (7€)
Maça bravo de esmolfe fazem sempre lembrar a história do patinho feio, maças feias que se revelam deliciosas. Um crumble diferente mas interessante revela a influência algarvia sobre o chef. Uma boa opção para quem não quiser algo extremamente doce.

A Carta de vinhos é extensa e bem catalogada, contudo os preços são algo desconexos para o serviço prestado. Optou-se por vinho a copo com um alvarinho Soalheiro 2010 (6€), um branco Chardonnay da Quinta do Cidrô (5€) e um tinto Crooked Wines de 2007 (7€) que acompanharam a refeição sem comprometer.

No que a serviço diz respeito, a equipa de sala é competente, comandada por um bom chefe de sala, podia ser dada mais alguma atenção à introdução dos pratos servidos e a uma ou outra falta de atenção para com o comensal. Numa Sexta de casa cheia é de lamentar que os jantares de grandes grupos ocorram na mesma sala que os demais jantares, modificando completamente o ambiente esperado. Na cozinha, a equipa apresenta uma boa dinâmica, para um serviço recente, com uma carta nova feita com um seguimento lógico e de raiz portuguesa.

Considerações Finais
O Square é um restaurante que pretende marcar uma determinada posição na restauração portuense, apesar de localizado num hotel de luxo é um local que pretende mais uma maior rentabilização do que propriamente a criação de uma imagem. É um belo espaço de cozinha de base clássica, feita com técnica e ingredientes de grande qualidade que se torna apreciável por todos, comum cidadão ou o ocasional turista. É um espaço que merece ser visitado e que promete a longo prazo tornar-se uma referência da cidade.

Hotel Intercontinental – Restaurante Square
Praça da Liberdade, nº 25, Porto
220035600

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Roma – Da Gino

Uma das coisas mais importantes quando procuro um restaurante em viagem é não ir pelo óbvio, procurar um sitio fora dos roteiros turísticos, sem menu para turista, sem gato por lebre, é algo que me dá prazer. Sempre que ouço alguém falar que come mal quando viaja para este ou para aquele país a minha resposta é sempre a mesma, simplesmente não procuraste. O mesmo acontece em Portugal onde existem restaurantes bons e maus, restaurantes a sério e “cantinas turísticas”. Uma das formas mais simples de verificar se um local vale a pena é olhar para a sua clientela, por exemplo em Roma, uma casa cheia de romanos em dia semana pode facilitar a escolha.

Este é o caso do Da Gino, um pequeno restaurante que tem passado de geração em geração criando e fidelizando clientes nas suas redondezas, sem preocupações com o design actual e com os pratos mais contemporâneos, mantendo-se fiel ao passado e com isso conseguindo que a clientela continue a voltar.  Após uma procura exaustiva pela Internet o Da Gino tornou-se numa das possíveis escolhas para um jantar em Roma. De decoração pitoresca e ambiente acolhedor e simpático onde se fala italiano em alto e bom som. Em bom momento, um passeio pela Piazza di Spagna nos levou até ao Da Gino, encontrá-lo não é uma missão fácil, é preciso dominar 1 ou 2 Gps ou como nos bons velhos tempos o mapa de papel. Chegamos pouco antes das 20 horas, sem reserva e felizmente foi o momento certo para conseguir a única mesa sem reserva e ver a fila começar a formar-se enquanto nos acomodamos na cadeira. Como manda a lei, começamos a refeição com um bom pão italiano e uma série de antipasti.

Misto de Charcutaria, salumi, bresaola, prosciutto, speck, ciccioli (8€)
Um misto que abraçava vários tipos de charcutaria italiana com destaque para um fantástico salame picante e para o ciccioli ( feito com restos gordos de carne de porco que é feito ao estilo de uma terrina francesa).
Anti Pasti misto, legumes grelhados, azeitonas, prosciutto, ciccioli, bresaola, queijo pecorino (8,5€)
Com ótimos legumes grelhados onde se destacou a chicória vermelha e a beringela gratinada com parmesão.
Cacio e Pepe, pasta com molho de queijo pecorino e pimenta preta
No Da Gino as pastas frescas são de uma qualidade extrema, cozinhadas no ponto, e esta não podia ser exceção, com um molho leve de intenso sabor a pecorino e pimenta como manda a receita.

Spaghetti Carbonara
Feita sem natas como dizem os romanos, com misto de pecorino e parmegiano reggiano, pancetta e ovo, esta foi uma das melhores massas que provamos na viagem por Itália, o molho cremoso e aveludado era soberbo e passou a marcar a fasquia para futuras carbonaras ( um prato do qual sou fã incondicional).

Tiramisu (5€)
Aqui ao contrário do típico cacau em pó, o Tiramisu é coberto por pequenos pedaços de chocolate negro, o que lhe fornece uma interessante crocância. Uma excelente opção.

Bebeu-se um vinho tinto da casa, de baixo preço e que acompanhou muito bem a refeição.

O Serviço é feito sem grandes pretensões, num ambiente quase familiar onde se nota que este é um clássico restaurante de bairro.

Considerações Finais
O Da Gino é um restaurante que deixou boas recordações, de cozinha tradicional, toda a sua confecção é simples e com base na qualidade do produto. Com destaque para as pastas frescas de altíssima qualidade e o ambiente onde se descobre a verdadeira essência de um restaurante italiano e do seu povo.É um restaurante cuja única ambição é fazer aquilo que tem feito ao longo de todos os seus anos de serviço, servir boa comida, e é por isso que lá voltaremos.

Da Gino
Vicolo Rosini, 4, 00186 Roma, Italia
Tel: 066 873434

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Linguini alla Amatriciana

Numa altura em que o “Álvaro” (como gosta de ser chamado) fala na exportação do Pastel de nata, infelizmente julgava-o um pouco mais genial,  a cozinha italiana continua a sua exportação, essa sim bem feita e com benefícios para os produtos Italianos. Na base dessa exportação estão as suas pizzas, as pastas e os seus tradicionais molhos. Um desses Molhos é o Amatriciana, originário da cidade de Amatrice na zona montanhosa da região de Lázio, é hoje um dos mais emblemáticos pratos da cozinha Romana quando servido com Bucatini ( massa tipo de entremeada).

Linguini alla Amatriciana

Para 2 pessoas
180 gr de Linguini
250 gr de tomate pelado em lata
90 gr de Guanciale, pancetta ou bacon*
40 gr de queijo Pecorino Romano**
1 cálice de vinho branco seco
1 fio de azeite
q.b. sal
q.b. pimenta preta
q.b. malagueta
q.b. água da cozedura da massa

Cortar o Guanciale em pequenos lardos (pedaços verticais que intercalem carne com gordura), cortar os tomates e colocar a água a ferver com sal (juntar a massa quando a água ferver).
Num Sauté saltear o Guanciale com um fio de azeite,quando estiverem bem cozinhados juntar a malagueta, o tomate e deixar cozinhar um pouco.
Refrescar com o vinho branco e deixar cozinhar em lume brando.
Temperar com pimenta e sal e caso seja necessário juntar um pouco da água de cozer a massa.
Quando a massa estiver al dente, passar de imediato para o sauté, juntar um pouco de água e mexer bem.
Juntar 30 gr do queijo ralado, aos poucos, mexendo sempre para incorporar o molho e a massa.
Retificar temperos.
Servir com o restante queijo.

Nota
* Guanciale é um tipo de charcutaria italiano semelhante ao bacon mas feito com as bochecas, sendo uma carne mais delicada. No entanto pode usar um bacon normal para esta receita.
** O Queijo usado na cidade de Roma é o Pecorino Romano ou o Pecorino Amatrice (menos picante), são queijos dificeis de encontrar nas lojas Portuguesas pelo que pode ser substituido por um bom Machego ou Parmigiano-Reggiano.

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Laranja com molho de mel, azeite, canela e flor de sal

Durante algum tempo o blog esteve afastado de posts com receitas, um punho partido não me deu nem vontade nem capacidade para que tal acontecesse. Mas como águas passadas não movem moinhos, estamos de volta ao receituário. Para começar 2012 é necessária uma desintoxicação alimentar  depois dos excessos cometidos durante as festas, o que não quer dizer que tenhamos de deixar de lado as sobremesas, basta simplifica-las e aproveitar a boa fruta que ainda vamos tendo.  A receita de hoje nem pode ser considerada uma receita de tão simples que é a sua execução, considerem-na uma dica para comerem as laranjas sempre ao natural, uma apresentação diferente, com excelentes sabores em menos de 1 minuto.

Laranja com molho de mel, azeite, canela e flor de sal

Para 2 pessoas

2 laranjas do Algarve
2 c.sopa de mel
1 fio de azeite
1 pitada de flor de sal
1/2 c. café de canela em pó

Descascar e laminar as laranjas.
Numa travessa, espalhar sobre as laranjas o mel e regar com o azeite.
Colocar num prato de servir e espalhar um pouco de canela e flor de sal por cima das Laranjas.

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Traça

Gosto de experimentar restaurantes novos, não recém nascidos mas quando começam a gatinhar, por vezes corre bem, por vezes corre mal, outras são lineares sem deixar memórias. Falando em espaços novos, surgiu há alguns meses num espaço com graça o restaurante Traça, espaço que pretende marcar pela diferença da sua cozinha, pela originalidade do seu espaço e claro à semelhança de outro espaço dos mesmos donos, para ser um sitio da moda, para “gente gira” como se diz e para o qual convém fazer uma reserva com antecedência. O restaurante localizado no recuperado Largo de S. Domingos está maravilhosamente decorado, mantendo a “Traça” do espaço original com apontamentos que lhe dão um ar kitsch bastante acolhedor. Com a carta decidiram colmatar uma falha na cidade e apostar numa carta de inspiração espanhola em particular os pratos de caça.

Iniciamos a refeição com um couvert simples mas bem constituído por um saboroso pão e manteiga de ervas.

Pão com Tomate (2,20€)
Saboroso molho de tomate a fazer lembrar um Romesco onde se volta a encontrar pão de ótima qualidade.

Traçados com creme ali-oli (7€)
Traçados, isto é, panado de porco enrolado com presunto e pimento piquillo. O Panado em si estava bem confecionado e revelou-se interessante (e calórico) quando combinado com um saboroso molho que não fosse o nome interessante com hífen e seria um aioli a caminhar para tártaro. Sem dúvida uma boa entrada.

Croquetes cremosos de cecina ou presunto (7€)
Foi bom verificar que alguém por estas bandas utilizou cecina num restaurante, a cecina, é semelhante ao presunto mas oriunda da vaca. Os croquetes de estilo espanhol com um forte bechamel misturado com a cecina ou com o presunto, eram bastante saborosos, contudo devem ter em atenção a técnica de fritura para que não sejam servidos com demasiado óleo.


Lombo de Javali Recheado com queijo de cabra e foie sobre compota de frutos vermelhos e creme de maçã servido com batata palha (18€)
A casa promete especialidade em pratos de caça, o nome salta à vista e cativa o comensal, com a chegado do prato verifica-se que a apresentação é curiosa, mas é também ai que surgem os problemas. Os molhos vinham demasiado frios e consequentemente também a carne. A compota, o creme de maça, mais a redução criavam uma mistura doce, demasiado doce para contrastar com o pouco queijo que recheava o interior das esferas de javali. Quanto à batata palha, eu sei que na cidade do Porto é um acompanhamento clássico para uma série de pratos, mas aqui não fez grande sentido. Um prato que precisa de ser claramente trabalhado e servido correctamente.

Entrecote de Vitela na chapa com batata palito e salada (15€)
O Entrecôte chegou à mesa no ponto desejado (apesar de não me ter sido perguntado qual seria, adivinharam), a salada, podia ser algo mais elaborada e bem apresentada. No que diz respeito à batata mais uma vez existem falhas, a batata é demasiado simples e para isso deveria ser extraordinária ou neste caso, saborosa e bastante crocante.

Mousse de Queijo com frutos vermelhos (3,20€)
Um Delicioso creme de queijo bem acompanhado por uma sopa de frutos vermelhos. Uma ótima escolha.


Tarte fria 3 chocolates (4,5€)
Desta sobremesa só lamento que a dose não fosse maior. Uma boa base crocante, 3 camadas de chocolate bem distribuídas, sem excesso de doçura e com uma ótima textura.

A carta de vinhos tem boas referências com preços corretos, além de um bom serviço de vinho a copo.

O Serviço de sala é correcto e musculado (têm de subir e descer vários lances de escadas) sem grandes lacunas. Na cozinha é que deve ser tida em conta a temperatura dos pratos e os pontos de técnicas de confeção.

Considerações Finais
A verdade é que o Traça é um restaurante diferente, pelo hype em que está envolvido, pela decoração e ambiente, pela influência espanhola (ou ibérica como se diz) e pelo preço (não é um restaurante barato). Face a este último ponto, existem falhas que não devem acontecer quando se cobra um determinado preço pelos pratos. Dito isto, o Traça é mais que um restaurante da moda, é um restaurante que vale a pena visitar, com destaque para as entradas que poderão servir de tapas para um animado jantar (além das nossas, fomos vendo outras que voavam para as mesas vizinhas e algumas, como é o caso da sertã de bacalhau ou das lâminas de foie prometem. Se o Traça é um grande restaurante de caça, digo enquanto transmontano que não é, mas também não acredito que o queira ser.

Traça
Largo S. Domingos, 88, 4050-545 Porto
222 081 065

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