Chegou a 1ª PORTO FOOD WEEK para agitar ainda mais o cenário gastronómico Portuense

Inspirados pelo sucesso das 3 edições da Lisboa Food Week, as Edições do Gosto, decidiram que era tempo de rumar a norte, que o Porto também mexe, e o seu cenário gastronómico está cada vez mais vivo e criativo. É tempo de mostrar outros nomes ao mundo, outros restaurantes e outras formas de ver e pensar a gastronomia Portuguesa

E é já no próximo dia 21 que à boa maneira Portuense se dá início a um ciclo de jantares, tertúlias e rotas, que prometem tudo menos sossego aos foodies mais ávidos da cidade.

Para começar, uma mesa bem farta e nortenha, com a Ordem da Cabidela, onde Marco Gomes, convida para o seu Oficina, 5 chefs para criarem as suas receitas de cabidela, da galinha ao coelho, sem esquecer o Leitão, o Borrego o Javali. Diz-se até que haverá espaço para uma “cabidela” de sobremesa!

Antiqvvm

No dia 22, e porque estamos em final de semana, 2 jantares imperdíveis, o estrelado chef Vítor Matos, celebra no Antiqvvm a história e a técnica da cozinha francesa, celebrada com os delicados vinhos que fazem da França a grande potência vínica. Enquanto por outro lado, o mais clássico Hélio Loureiro, celebra as raízes e tradições da “Cozinha à Moda do Porto”

Para dia 23 à tarde está reservado um momento ao qual ninguém que visite o Porto pode resistir, uma Rota das Tascas, onde não faltarão as famosas bifanas, as sandes de pernil e, claro, os míticos cachorrinhos!

No mesmo dia mas ao jantar, juntam-se dois cozinheiros disruptivos, dois pensadores contra corrente, que transportam as suas ideias para os pratos, são eles Pedro Limão e o lisboeta Hugo Brito que à mesa do restaurante Pedro Limão, prometem muito arrojo e criatividade num menu a 4 mãos.

Para dia 24 e porque é Domingo, a galeria Fernando Santos, abre-se ao debate criativo entre artistas, sejam eles músicos, pintores, actores e, claro, cozinheiros. Mas nem só de arte e cozinha tratarão as conversas, dia 26, alguns dos principais empresários da restauração portuense juntam-se no Terminal 4450, entre eles Vasco Coelho Santos, Ricardo Rodrigues, Sérgio Cambas e Vasco Mourão, para debater o estado atual e o futuro da restauração Portuense.

Ao jantar de dia 26, Vasco Coelho Santos abre as portas do seu Euskalduna, a Arnaldo Azevedo e Pedro Braga, três cozinheiros bem distintos, que se juntam para um “Elogio à cozinha portuguesa” através de uma homenagem a Maria de Lourdes Modesto – Já esgotado!

Para dia 27 a gastronomia junta-se à música para “O som que a cozinha tem”, no Hard Rock Café, em jeito de discussão sobre processos de criação e a influência da música nas cozinhas. O músico João Só, Tiago Pereira e o chef João Pupo serão os intervenientes neste debate.

Ainda no dia 27, n’ O Paparico, o jantar promete uma homenagem às cozinhas históricas do Douro.

O Paparico

A 28, o regresso do mestre Miguel Castro Silva à cidade do Porto, dá-se com um jantar no seu Casario, onde prepara uma viagem pelos seus pratos mais clássicos.

Como não podia deixar de ser a 29 homenageia-se o vinho do Porto, com um jantar no Ode – Porto Wine House, com o mais célebre vinho português a servir de harmonização a pratos de inspiração Portuguesa.

Mas voltemos atrás no tempo, até dia 25, o dia alto da semana, que começa logo cedo com a estreia do fórum “Pensar Cozinha”, com curadoria de Paulo Amado e co-apresentado por Alexandre Silva. Um dia para ouvir, aprender e debater sobre o estado atual da nossa gastronomia, o território e o futuro da nossa cozinha.

Mais informações e bilhetes – aqui.

No mesmo dia, pelas 18h30, é tempo dos Prémios Flavors & Senses – Os Melhores para 2019, que depois de um ano de pausa, voltam a celebrar o que de melhor se faz na gastronomia do Porto e Norte de Portugal. Mas sobre isso falaremos mais tarde…

E porque não há festa que se preze se não houver uma after party, o restaurante Mito será o palco para essa mesma after, organizada pela Confraria da Rabanada, onde vários chefes irão apresentar as suas versões da cada vez mais famosa sobremesa!

O fim de uma semana ao rubro, dá-se com uma festa no Hotel Palácio do Freixo, onde Tony Salgado, Rui Martins, Luís Gaspar, António Carvalho celebram a “Baca na brasa”. Uma festa onde não faltarão as deslumbrantes vistas sobre o Douro, o fogo e a excelência da carne nacional!

Haja estomago que aguente uma semana assim!

Mais informações – Porto Food Week

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Um Hotel, o Douro, uma cozinha e 4 mãos de Luxo

Já se passaram largos meses desde a nossa última descida ao Douro, no entanto vale sempre a pena recordar que qualquer desculpa é um boa desculpa para regressar ao Douro! Mais ainda quando se regressa a um paraíso à beira rio plantado – Six Senses Douro Valley – desta vez para um jantar muito especial.

Um jantar que junta o enfant terrible da cozinha portuguesa, Ljubomir Stanisic, que nos dias de hoje dispensa apresentações, com um bem mais sossegado Alexandre Silva, o criativo e estrelado chef por trás do Loco.

Água e azeite, que se moldaram, se tornaram amigos e pela primeira vez cozinharam juntos, um feito para o alentejano mais jugoslavo do país (o trocadilho está certo, que ljubomir já se assume como um puro sangue alentejano) que diz “gostar pouco de pessoas”.

O cenário não podia ser melhor, uma mesa corrida para cerca de 14 pessoas, uma cozinha aberta e uma extensa equipa focada em proporcionar-nos uma experiência única de alta cozinha em pleno Douro.

E começamos bem o desfile de 14 pratos, um “mata-bicho”, que é como quem diz um tártaro de novilho entre duas fatias de bacon crocantes. A refrescar a untuosidade estava um bom apontamento de caviar de lima.

“Mata-bicho”

Depois da carne seguem-se os sabores a mar, numa ordem disruptiva mas que se revelou assertiva. Uma folha de videira crocante com caviar,  para um primeiro kick de mar. Seguido por “hossomaki” de uni, que é como quem diz, ouriço do mar enrolado em alga nori.

Uma bomba de mar e umami que resultou em grande nível.

Seguiu-se uma ostra com caril verde, moderado e equilibrado, em que a ostra conseguiu manter o protagonismo.

No copo esteve, como sempre a bom nível, o Vértice Cuvée, cuja bolha e acidez o tornam num bom parceiro para os primeiros snacks.

Seguiu-se um ovo, que é como quem diz, Berbigão, gelatina de uva e alho selvagem.

A alto nível estava o tártaro de gamba com sementes de mostarda e pickle de alho.

Mexilhão, Maçã e tomilho

Continuando nos sabores do mar, surge o Mexilhão, no seu molho, refrescado pela maçã e aromatizado pelo tomilho, num bom jogo de sabores e texturas.

A brindar, esteve a bom nível o ainda muito jovem Encruzado 2016 O Oenólogo da Casa da Passarela.

Em jeito de pausa nos sabores do mar, que tiveram a predominância no jantar, surge uma espécie de “ravioli”, panado e frito, recheado com queijo da serra numa espécie de carbonara e acompanhado por umas generosas lascas de trufa negra de verão. Saboroso e delicado com notas de sabor a terra que já se pediam nesta fase do jantar.

Sashimi de salmonete

Seguiu-se um regresso ao mar, com fresco e delicado salmonete, preparado com um toque de mestria por Alexandre Silva, antes de voltarmos à terra com um fígados de aves e cerejas de Resende, em jeito de chupa-chupa para adultos. Delicioso!

 

Enquanto isso, no copo havia tempo para conhecer o Encosta do Bocho com um Grande Reserva 2014. Um blend clássico do Douro bem casado com a madeira.

Continuamos com uma ótima gamba rosa, acompanhada pelo molho das cabeças, um rico tártaro de lingueirão e caril de coco. Boas texturas e  cocção da gamba, a contrastar bem com a intensidade dos molhos.

Seguiu-se a sopa de sardinha com alho francês. Um calor reconfortante nesta fase do jantar, elevado pela intensidade e riqueza de sabores a que não era fácil ficar indiferente.

Seguiu-se o Pregado cujo porte, de tão grande, deu para criar dois pratos distintos. Primeiro a aba, a minha parte favorita e que os portugueses insistem em continuar a deixar nas travessas. Aqui acompanhada por uma pequena mas intensa pasta de carne fermentada. Um prato que tinha tudo para dar errado mas que no fim nos surpreendeu positivamente.

Pregado, molho de algas e percebes

Ponto irrepreensível no pregado (será assim tão difícil aos nossos restaurantes não deixarem o peixe “morrer” na grelha?), acompanhado por um mergulho no seu habitat, molho de algas, percebes e um pouco mais de algas, a trazer uma explosão de mar ao palato.

Subindo a história dos pratos, subimos também o nível dos vinhos, com estes pratos a serem acompanhados pelo brilhante Branco de Cristiano Van Zeller, o Quinta Vale D. Maria Vinha do Martim 2016. Um branco de rara beleza, repleto de citrinos, mineralidade e uma ótima integração da madeira. Uma presença na boca que não deixa ninguém indiferente!

Peixe-galo, cerejas de Resende e espinafres

Se a esta altura do artigo se perguntam se não houve loucuras de Ljubomir durante o jantar, este momento que se segue bem pode ser a maior delas, e o pior – ou melhor dependendo do Ponto de vista – e que foi apoiada por Cristiano Van Zeller. Pois bem, o prato de Peixe-galo, de cocção irrepreensível, acompanhado por espinafres crus e cerejas de Resende foi harmonizado por um “modesto” Porto de 1870, uma amostra de casco do espólio da família Van Zeller.

Se funcionou? Estranhamente sim! Mas devo confessar que pouco me ficou na memória depois do Porto, um vinho para o qual não interessam notas de prova. Simplesmente sublime!

Uma trufa de verão de porte considerável 

Bochecha de Porco Bísaro, cogumelos, legumes e trufa negra

Foram muitos os pratos, os momentos de destaque e as surpresas antes de chegar a um competente prato de bochecha de Porco Bísaro, com sabores do bosque, sem pesos nem excessos, que era o que se pedia nesta altura.

Tal como se impunha e se esperava dos dois chefs, o final deste longo jantar foi leve e refrescante. Primeiro com ervas e folhas em jeito de sorvete para limpar todo o palato, e depois com morangos e frutos vermelhos, cheios de sabor, bem combinados com um granizado e um sorvete. Final Perfeito!

Um jantar único e irrepetível, pautado por pratos que se fundiram, como raramente se encontra nestes jantares a 4 mãos, onde é sempre fácil perceber os pratos de um ou outro cozinheiro, seja pelo estilo ou pela linha de cozinha.

Aqui Ljubomir e Alexandre Silva mesclaram-se como ninguém, para gáudio dos comensais que puderam desfrutar de produtos de primeira qualidade trabalhados com mestria e surpresa.

Esta série de jantares seguiu-se com Hugo Nascimento e Henrique Sá Pessoa e prometem voltar em 2019 para abrilhantar ainda mais os serões do Six Senses Douro Valley, e sempre com o mote de qualidade e sustentabilidade que tanto caracterizam o hotel.

Quanto a nós, resta-nos regressar ao Six Senses para conhecer o Terroir, o restaurante vegetariano que apaixonou Ljubomir, e onde tentam fazer uma cozinha baseada numa filosofia de baixa pegada ambiental, trabalhando com pequenos produtores e aproveitando ao máximo as hortas de que dispõe no hotel e nas suas imediações.

Até breve!

Hotel Six Senses Douro Valley
Quartos a partir de 290€
Quinta de Vale Abraão– Samodães, Lamego
+351 254 660 600 
reservations-dourovalley@sixsenses.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Six Senses Douro Valley – O Regresso ao Paraíso

Quando se ama uma experiência num dos mais bonitos locais do mundo, o que se faz?

Volta-se a repeti-la, obviamente!

No Outono de 2016 conhecemos o Six Senses Douro Valley (ver) e ficamos deslumbrados com aquele que consideramos um dos melhores hotéis da Europa. Neste último Verão decidimos revisita-lo!

As cores do Douro são totalmente distintas nesta época do ano, e as atividade do hotel também.

O motivo que nos levou novamente ao Six Senses (não que seja necessária uma razão específica) foi o jantar a quatro mãos de Ljubomir Stanisic e Alexandre Silva.

Á medida que nos aproximávamos do hotel podíamos ir observando o Douro e a sua combinação perfeita com a natureza envolvente. O verde das vinhas e o formato delas a desceram em socalco até ao rio fazem com que este continue a ser um dos mais belos postais do mundo.

O hotel mantém a mesma imponência de casa senhorial do século XIX mas desta vez a minha perspectiva dele era ainda mais perfeita, o Sol fazia parte da fotografia!

Fomos recebidos com a mesma delicadeza e a mesma elegância que tanto caracterizam o serviço do Six Senses Douro Valley.

 Um quarto com vista

Seguimos para o nosso quarto, ficamos no Quinta Panorama Suite com uma vista deslumbrante sobre o Douro que se apodera de toda a atmosfera através das janelas que sobem desde o chão até ao teto, quer no quarto quer na sala.

A ligação entre a tecnologia (hi-tech) o conforto e a decoração do quarto fazem jus à acumulação de prémios que o hotel soma a cada ano.

A tarde já ia longa num dos meus locais preferidos do hotel, o Wine Library & Terrace, onde a vida se faz apenas de vinhos e livros, quando decidimos prolongá-la um pouco mais para aproveitar um belo momento de ócio no Quinta Bar & Lounge.

A noite terminou com um belo jantar e uma companhia perfeita no Restaurante Vale do Abraão, onde os chefes Ljubomir e Alexandre Silva presentearam todos os comensais com uma experiência gastronómica fabulosa. Mas sobre isso o João fala-vos ao pormenor noutro artigo.

Confesso que não foi fácil chegar ao quarto nessa noite!!!

No dia seguinte a luz entrava duma forma quase mágica através da imensa janela do nosso quarto, o Douro chamava por mim, mas o que me fez verdadeiramente levantar, após a longa noite do dia anterior, foi o pequeno-almoço do Six Senses!

Este é seguramente um dos melhores pequenos-almoços de hotel que já provei, e como sabem eu já tive o privilégio de provar alguns!

Um espaço e uma companhia perfeita para um pequeno almoço ao ar livre

É um facto de que as fotografias não falam, mas olhando para estas acredito que a hipersalivação seja algo com o qual vão ficar familiarizados!

Bem, barriguinha cheia é tempo de relaxar!

Quando estivemos a primeira vez no Six Senses o frio e a chuva eram demasiados para que conseguíssemos sequer ficar a conhecer o exterior do hotel, e por isso ficamos muito bem entregues ao Spa.

Desta vez o Sol que se fazia sentir convidava aos jardins, aos terraços e à piscina. Passeamos um pouco, fomos ver a famosa horta do Ljubomir e descansamos a manhã toda na piscina! Como todas as manhãs do ano deveriam ser!

O staff do hotel continua simpático como da primeira vez, continua com um sorriso no rosto e continua atento às necessidades de cada hóspede.

Foi um prazer regressar e foi um privilégio ser recebidos novamente pela querida Joana Van Zeller e por toda a equipa.

Mais uma vez…

Até breve Six Senses Douro Valley!

Hotel Six Senses Douro Valley
Quartos a partir de 290€
Quinta de Vale Abraão– Samodães, Lamego
+351 254 660 600 
reservations-dourovalley@sixsenses.com

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Fotos: Flavors & Senses

 

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Il Falconiere *

Não há muito mais que possamos dizer sobre o Il Falconiere, depois de duas estadias memoráveis que a Cíntia descreveu aqui e aqui. Pelo que vamos mais uma vez debruçar-nos sobre o restaurante estrelado do hotel que foi o motivo pelo qual conhecemos primeiramente este reduto de hospitalidade.

Silvia nasceu na cozinha, numa família de restaurantes. O seu marido, Ricardo, nasceu enólogo numa propriedade familiar há muito ligada à agricultura, em especial o vinho e o azeite. O mote estava lançado para que juntos recuperassem a antiga casa de família e lá instalassem um restaurante, cuja repercussão estavam longe de imaginar.

Vivíamos os anos de fulgor de Frances no seu “Sob o Sol da  Toscana” – aliás é fácil encontrar a autora do livro por aquelas paragens  – e toda a gente tinha a toscana como destino de sonho, e o restaurante de Silvia como ponto de paragem obrigatório na remota região de Cortona.

Ao lado de Silvia está Richard Titi, chef executivo, que tem comandado o destino dos fogões e da cozinha do Il Falconiere desde a conquista da estrela Michelin em 2002.

A ideia dos Baracchi passa por apostar na tradição toscana, mais em particular da região de Abruzzo, e criar uma cozinha que viva toda a atmosfera que sentimos quando entramos na sua propriedade. Uma cozinha clássica, com o conforto e conhecimento da cozinha tradicional, com as técnicas e uma estética mais contemporâneas.

Chegados à sala percebemos facilmente onde estamos e ao que vamos, enquanto vamos apreciando as históricas arcadas e as pinturas que nos garantem que estamos na Toscana.

Confortavelmente instalados, somos rapidamente brindados com o espumante clássico da família Baracchi, e uma larga seleção de pães, onde não faltam até opções livres de glúten (esse vilão!).

Entre as várias opções de carta e degustação, optou-se pelo menu dedicado aos pratos de caça, que já na visita anterior nos tinha ficado no olho, ou não estivéssemos nós numa região com forte tradição em caça.

Amuse Bouche

O início deu-se com um interessante amuse bouche, que juntava um souflé de ricotta com beringela, curgete e pimento, a contrastar com a quinoa e uma telha de tinta de choco que lhe elevava as texturas e os contrastes.

Terrina de Caça, crumble de zimbro, cacau e molho de visciolino
Um prato tecnicamente bem mais complexo do que recordava da nossa visita anterior. Boa conjugação de sabores em torno do bosque com a complexidade da terrina. Nota alta para o molho de visciolino – um vinho doce de final ligeiramente amargo – feito na casa e que elevou toda a harmonização.

Almôndega frita de Javali com puré de marmelo e creme de avelã
Não seria de todo a primeira ideia que me viria à cabeça quando penso em comer javali (uma das minhas carnes de eleição). No entanto, a fritura bem executada, de carne ainda húmida e suculenta, revelou uma prova acima das expectativas.

Tortellini de Faisão, o seu caldo e vinho marsala
A um nível bem superior, chegou-nos um tortellini perfeito – massa no ponto, recheio certeiro de faisão e um caldo que aquecia a alma. Uma excelente forma de elevar a cozinha tradicional!

Pasta recheada com Veado, sopa de castanha e grão de bico
Outro excelente prato, com um creme cheio de sabor, um ótimo ragù de veado e um aromático azeite de sementes de funcho que refrescava o aroma do conjunto. Outro prato autêntico, de cozinha puramente italiana, apresentado a um nível alto.

Codorniz com figos secos e finocchiona, folhas de chicória e batata
De sabor bem mais interessante que o aspecto, surpreende pelo recheio de frutos secos com finocchiona (um tipo de salame, típico da Toscana). Clássico e saboroso!

petit fours 

Seguiram-se os petit fours, que como é apanágio italiano vão surgindo na mesa como pré-sobremesa.  Combinação de doces clássicos, onde não faltaram os ótimos cantucci.

 Biscoito de chocolate negro, caramelo de mácide, castanhas e gelado de café
Com chocolate ninguém se compromete! Aqui apresentado em jeito de crumble de biscoito, bem conjugado com os sabores da estação com as notas de noz moscada, do mácide e das castanhas e com um bom gelado de café. Um fim simples e bem conseguido!

Para harmonizar, a escolha recaiu, como seria de esperar, num vinho da família Baracchi, desta vez com um Ardito 2012, produzido com Syrah e Cabernet Sauvignon. Um topo de gama em linha com a colheita anterior, complexo e concentrado, repleto de fruta escura e bem madura, equilibrada pelas notas de pimenta preta. Um vinho com personalidade forte, como se pretende para acompanhar as carnes que compuseram o menu.

Ao leme da sala continua Luigi Pipparelli, o que só por si serve de garantia para um serviço eficiente, sem pressas nem complicações mas também sem deixar detalhes ao acaso.

Considerações Finais
Como a Cíntia tão bem escreveu no seu último artigo sobre o Il Falconiere (ver), é sempre bom voltar onde se foi feliz. Mais ainda quando percebemos que as coisas não estão estanques nem presas ao passado. A cozinha de Silvia Baracchi e Richard Titi mostra isso mesmo, uma evolução técnica, um maior cuidado estético e atenção aos pequenos detalhes, mas também a mesma tradição de sabores ricos e de conforto que nos transportam sempre para uma cozinha de alma e autenticidade.

Um espaço de confiança, onde é sempre bom voltar e degustar a pureza da Toscana!

 

Il Falconiere – Relais & Châteaux
Preço médio: 70€ sem vinhosLoc. San Martino a Bocena, 370 – Cortona
+39 0575 612 679 
info@ilfalconiere.it

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Fotos: Flavors & Senses

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Montepulciano

2018 foi um grande ano, cheio de mudanças e também de muito sucesso, mas como o sucesso vem repleto de trabalho, foi igualmente um ano exaustivo! E às vezes essa exaustão não nos permite fazer aquilo que mais gostamos, que no meu caso é Viajar.

Já estávamos a preparar uma grande viagem para África do Sul (que mudou completamente as nossas vidas!) mas queríamos fazer algumas viagem mais pequenas antes disso, e então decidimos regressar a um dos nossos locais seguros, daqueles que nunca nos desiludem!
Voltamos a Itália!


Escolhemos o Il Falconiere em Cortona (ver artigo) como refúgio, porque somos da opinião que se deve voltar onde já se foi feliz! E revisitamos algumas cidades como Cortona (ver artigo), Pienza (ver artigo) e Florença (ver artigo)!

Como estávamos hospedados em Cortona, e esta faz fronteira com Montepulciano, decidimos ir à descoberta de mais uma vila típica da Toscana, onde o vinho também tem um papel importante!

Montepulciano pertence à província de Siena (ver artigo) e visita-se praticamente num dia (como a grande maioria das vilas da Toscana).

A cidade está situada no topo de uma colina entre dois belíssimos vales, o Vale di Chiana e o Vale d’Orcia (um dos locais mais deslumbrantes do mundo).

Ou seja, já aqui temos um dos esplendores da cidade – as Vistas!

As suas origens são etruscas e remontam ao século IV a. C..

Além de ser um local imperdível é também um ponto estratégico para quem visita a Toscana, pela sua proximidade de locais de excelência, como Pienza e Siena.
Atualmente tornou-se mais turístico, quer pela série Médici, quer pela saga do filme Twilight,que foram filmados lá.

Montepulciano é uma daquelas cidades medievais que apetece descobrir e explorar. Os seus palácios renascentistas, as suas elegantes praças, os seus pequenos recantos e as suas vistas tornam a vila numa das mais bonitas da Toscana.

A Não Perder:

• Iniciar a Cidade por uma das suas portas – Porta al Prato ou Porta delle Farine – a partir daqui não entram automóveis o que transforma automaticamente a cidade num recanto único com um toque de viagem ao passado!

• Antes de entrar numa das portas da muralha podem visitar a Chiesa e Convento di Sant’Agnese, a padroeira de Montepulciano.

Chiesa e Convento di Sant’Agnese

• Percorrer as ruelas e observar as casas nobres e elegantes que nos remetem para as famílias ricas e importantes que aqui habitaram durante os séculos XIV e XV. Apesar de que a verdadeira riqueza chegou já no século XVI quando os Médici tomaram o poder cidade.

Caffè Poliziano – café histórico de Montepulciano que data de 1868. Elegante, refinado e repleto de história! O seu nome deve-se ao importante poeta, humanista e dramaturgo do século XV, Poliziano, um dos braços direitos de Lorenzo de Médici, o Magnífico.

• Encontrar o Leão Heráldico de Florença (símbolo de força, poder e prestígio)- na Colonna del Marzocco ou no Palazzo Avignonesi – um dos mais bonitos palácios de Montepulciano.

• Descobrir a fachada junto ao chão do Palazzo Bucelli – onde encontrarão urnas e inscrições etruscas e latinas.

• A elegante Igreja de Sant’Agostino e mesmo sem entrar observar no alto da porta a Madonna con Bambino e Santo Agostinho e João Batista.

• Ouvir e observar, a cada hora, o sino da Torre dell’ Orologio o della Pulcinella.

• Visitar o Museo Civico Pinacoteca Crociani – num palácio do século XIV onde podemos encontrar achados arqueológicos, pinturas do período medieval e renascentista, e obras de Andrea della Robbia.

• Perder tempo no verdadeiro coração da cidade – a Piazza Grande, que serve de palco aos principais acontecimentos da cidade.

Na Piazza:
Palazzo dei Capitano del Popolo e o mítico Pozzo dei Griffi e dei Leoni – uma obra renascentista que representa o poder e prestígio da família Médici e de Florença.

Pozzo dei Griffi e dei Leoni

Palazzo Comunale – igual ao da Piazza della Signoria, o que não é por acaso pois foi Cosimo I di Médici que o ordenou!
Duomo – Catedral di Santa Maria Assunta com obras primas da escola de Siena.

• Percorrer a fortaleza e parar em cada recanto para simplesmente observar os vales que se estendem por km e km de esplendor.

Ainda em Montepulciano mas fora da fortaleza:

Templo do San Biagio – Onde um fresco, que remonta ao século XIII, de Madonna con Bambino e San Francesco, se ergueu em tempos numa igreja milenar e ao qual em 1518 se atribuíram alguns milagres. Milagres esses cuja importância levou a que Poliziano decidisse construir um templo. O projeto foi entregue a Antonio da Sangallo, o Velho (um dos mais importantes arquitetos do renascimento), que projetou o templo em forma de cruz grega e no centro foi colocado o fresco milagroso!

Templo do San Biagio

Montepulciano é mais um daqueles locais que têm o dom de nos transportar no tempo, é uma vila capaz de carregar em si a beleza e a história dum local sagrado e imponente com um toque de mistério e magia!

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Fotos: Flavors & Senses

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Il Falconiere – Voltar onde se foi Feliz

“Sem dúvida um local que deixará imensas saudades e ao qual iremos regressar no futuro!”

Foi assim que, há dois anos atrás, terminei o meu artigo sobre o Il Falconiere em Cortona, Itália, e é assim que o inicio hoje!

Numa breve viagem pela Toscana, no Outono do ano passado, decidimos revisitar o Il Falconiere, e se a primeira vez já nos tinha apaixonado esta conquistou-nos de vez!

É, sem alguma dúvida, um dos locais mais mágicos para nos hospedarmos na Toscana! Pois representa tudo o que esta é na sua essência.

Tradição, ambiente familiar, atmosfera de Dolce far niente, comida e vinho, muito vinho!

Quando chegamos, as cores do Outono brilhavam com o sol que se fazia sentir. Um dia muito ventoso que parecia brincar com toda a natureza envolvente!

Fomos recebidos como família, com aquele mimo dum familiar que já há muito não nos via. Os restantes hóspedes que estavam na pequena recepção tiveram a mesma simpatia genuína, notava-se que alguns eram igualmente repetentes!

Acompanhados ao nosso quarto fomos observando toda a quinta à volta, que nostalgia sentia em mim, que felicidade em regressar! As vinhas, as oliveiras, os ciprestes eram novamente meus confidentes.

A Toscana é o meu refúgio preferido já há seis anos, nenhum lugar no mundo me faz sentir tanta serenidade e plenitude.

Quando chegamos ao quarto, quer dizer casa… percebi que devíamos ter trazido todos os amigos e família!

Um quarto que na realidade podia ser uma casa

Ficamos numa das casas de família do Il Falconiere! Mesmo ao lado da Adega, e em tempo de vindimas, o aroma que se fazia sentir era rejuvenescedor!

Dois quartos enormes, um deles com sala integrada, mais um andar superior que eram também quartos. A decoração segue toda a linha do hotel com um ambiente extremamente aconchegante e confortável, onde é possível encontrar peças e mobiliário histórico da família Baracchi.

Os tetos em terracota e vigas de madeira junto com o mobiliário antigo conferem ao espaço um charme intemporal.

Os produtos de higiene que se encontram nos quartos de banho são orgânicos e produzidos à base de azeite, conferindo um aroma e textura à pele que apetece tocar.

No quarto esperavam-nos fruta, café, doces, e chá. Tudo o que se precisa quando se chega a um espaço que é a nossa casa longe de casa.

Nessa tarde fomos apenas aproveitar um excelente momento de ócio bebendo alguns dos vinhos produzidos na quinta. Ponderamos o terraço que eu adoro, com a melhor vista sobre as vinhas, mas o vento não nos permitiu e então optamos pelo bar que nos envolve naquele ambiente bucólico de fim de tarde. Aqui pudemos beber um bom vinho e petiscar uns snacks bem interessantes do restaurante.

Em Roma sê Romano, numa adega bebe vinho!!

Mais tarde, já pela noite divertimo-nos imenso com um workshop de pizzas num dos restaurantes da família Baracchi, o Locanda del Molino, onde literalmente metemos a mão na massa!

Sim eu fiz a minha própria pizza!!!!

Este restaurante serve comida italiana, boa e a com uma relação qualidade preço incrível. Tem um ambiente tradicional e familiar que nos conquista e nos faz sentir descontraídos durante toda a experiência. Mas sobre isso, o João fala-vos aqui.

Além deste restaurante, regressamos também ao restaurante estrelado de Sílvia Baracchi onde tivemos uma experiência ainda mais agradável que da última vez.

O sucesso do restaurante, que se foi tornando numa das maiores atracções de Cortona, foi uma das principais razões para que Sílvia e Ricardo Baracchi transformassem  o Il Falconiere num refúgio de todos e para todos.

A sala dos espelhos sempre preparada para um simpático e caseiro pequeno almoço

E como cada vez mais e mais pessoas descobrem este paraíso na terra, foi necessário aumentar o número de quartos, e por isso neste momento o Il Falconiere está em obras e garantir mais oito quartos, que se juntam aos 22 já existentes, mesmo na zona acima da piscina.

No Il Falconiere, apesar da paz constante, há atividades para todos os gostos, para os meus particularmente, as vinhas, a adega, os vinhos e o Spa são tudo o que preciso para ser feliz.

E por falar em Spa, lá estava ele, o Thesan Etruscan Spa, à minha espera quase intocável ao longo destes dois anos.

Entrei no jacuzzi de cromoterapia e esqueci que o resto do mundo existia. A natureza foi a minha única companhia nesse momento (e o João também, admito!).

Cá está ele!

Mas quem quiser algo mais ativo, pode sempre passear pela imensa propriedade, a pé ou de bicicleta, realizar diferentes percursos equestres ou visitar a vila de Cortona (ver), tudo devidamente preparado pelo staff.

Ou então dedicar-se à Falcoaria, atividade que dá nome à propriedade.

O Il Falconiere é um dos paraíso possíveis de encontrar na Terra. É um dos locais que nos faz esquecer o mundo, e entrar em comunhão com a natureza.

Dizem que a perfeição não existe, mas existem sim momentos e locais perfeitos, e essa é a sensação com que saímos do Il Falconiere.

Obrigada Sílvia, obrigada Anna Maria, obrigada a toda a equipa do Il Falconiere por serem como são simplesmente!

Mais uma vez digo…

Vou querer continuar a voltar onde fui feliz! E que esse regresso seja num futuro próximo!

Il Falconiere – Relais & Chateaux
Quartos a partir de 200€
Loc. San Martino a Bocena, 370 – Cortona
+39 0575 612 679
info@ilfalconiere.it

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Fotos: Flavors & Senses

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Locanda del Molino

Uns dias livres são sempre uma boa desculpa para uma rápida visita a Itália, mais propriamente aos vales e encostas encantados da Toscana. Como gosto de acreditar que é sempre bom voltar onde já se foi feliz, regressamos à encantadora cidade de Cortona para mais uma estádia no Relais Il Falconiere (ver).

Na ânsia de uma cozinha tradicional, bem ao jeito das avós italianas, acabamos a noite na Locanda del Molino, um pequeno restaurante e hotel de charme, também ele pertença da família Baracchi. 

Localizado no antigo lagar de azeite da família, o espaço é um hino à boa recuperação italiana, mantendo bem as suas raízes e traça histórica, num espaço confortável em que apetece estar e efectivamente nos sentimos na verdadeira Toscana.

Mas passemos ao que nos levou até ali, una vera cucina italiana. A surpresa começou rápido, chegados ainda cedo ao restaurante, somos apanhados a meio de uma aula sobre pizza para os hóspedes da Locanda, que decidimos também nós abraçar.

Espanto maior só quando a Cíntia nos brinda com a sua primeira pizza!

 A Cíntia e a sua 1ª Pizza

Entre fatias de pizza, copos de vinho e algumas dicas sobre a massa e o trabalho no forno, lá seguimos para a mesa.

Pão e azeite na mesa, ou não estivéssemos num antigo lagar de azeite, enquanto vamos escolhendo os pratos que viriam a revelar-se numa escolha acertada.

Flor de curgete recheada com ricotta e molho de manjericão 
E não podíamos começar de uma forma mais italiana e irrepreensível, ótimos flores com recheio na medida certa e as notas do manjericão e do azeite que elevam o conjunto. Muito bom!

Tagliatelle com ragù de coelho e Tagliolini rosa com molho de parmesão e trufa preta
Na dificuldade de escolher entre as pastas frescas optamos por partilhar duas. E em boa hora o fizemos, ambas cozinhadas no ponto, com nota especial para o delicado e saboroso ragù de coelho, nada seco e cheio de nuances, e para o sabor rico e generoso do molho de parmesão e trufa.

Ossobuco com ervilhas e pancetta
Para o secondi, optou-se por um prato de tacho, também ele em bom nível de sabor e cocção. Carne a desfazer e ainda suculenta, bem acompanhada pela combinação clássica de ervilhas e pancetta.

Crostata de amora e pinhões 
Uma tarte de aspecto rude e bem familiar é o que se pede num espaço como a Locanda del Molino. Ótima no sabor do recheio de amora e pinhão, pecou pelo excesso de massa que lhe serve de base. Mais fina e teria sido um êxito!

Tiramisù
Uma sobremesa pouco toscana, mas vá estamos em Itália, equilibrado na presença do café e com um creme de mascarpone de alto nível. Acompanhou estranhamente bem com as fatias de maçã que o acompanhavam e equilibravam na frescura e doçura. Um ótimo final!

A mesa bebeu-se um Syrah Smeriglio da família Baracchi, um DOC de Cortona, de cor intensa, e de nariz bem vincado, com notas de especiarias, frutos vermelhos e algum café e baunilha. Na boca segue o mesmo padrão, com uma boa persistência e riqueza de sabor a frutos. Uma boa companhia para os pratos de sabores mais ricos como foi o caso do nosso jantar.


Serviço amigável e familiar, sem pressas ou momentos de stress, bem à italiana, que nos fez sentir como parte da casa num jantar de família.

Considerações Finais 
A Locanda del Molino é um ponto de paragem obrigatório para quem passa por aquela zona da Toscana, seja para dormir, ou como nós, para ter uma refeição ao bom jeito das avós. O ambiente é autêntico assim como os pratos criados por Silvia Baracchi (*Michelin, no Relais Il Falconiere).  Os preços praticados são justos pela qualidade da cozinha e dos produtos o que nem sempre é fácil de encontrar em espaços muito frequentados por turistas.

Agora só me resta voltar a Cortona e continuar a ser feliz!

Locanda del Molino
Preço Médio: 30€ por pessoa sem vinhos
Località Montanare 10, Cortona
+39 0575 614 016

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Fotos: Flavors & Senses

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Lausanne – o que não perder na mais bela cidade da Suíça!

Lausanne foi fundada pelos Romanos à beira do lago no século I. Mais tarde, a população viria a descolar-se para as colinas onde estariam mais seguros.

Aqui fica atualmente a bonita e mágica Cidade Velha (Vieille Ville).

É uma das cidades mais bonitas da Suíça e um dos principais centros da cidade económica e cultural da Suíça Francófona.

Estivemos em Lausanne apenas três dias, que chegaram para que nos apaixonássemos por cada detalhe.

O que não pode perder nesta cidade que embeleza o norte do Lago de Genebra?

Estadia no Lausanne Palace
Um hotel memorável com um requinte sem igual, e ao qual pretendo voltar no futuro! Mas sobre essa experiência falo-vos mais aqui.

Tour Bel-Air e Salle Métropole
O edifício que confere à cidade um toque cosmopolita, e que tanto deu que falar na altura da sua construção!
O arquiteto Alphonse Laverrière quis dar um toque de Wall Street em Lausanne e então construiu em 1931 o primeiro arranha-céus da cidade, mas a população na altura insurgiu-se contra (e muito bem, na minha perspectiva) pois temia que este passasse a altura da catedral e pelo facto de wall street ser um dos epicentros do crash económico.

No entanto, hoje em dia é um dos principais cartões postais da cidade.

Eglise St-Laurent
A fachada é o único exemplar de arquitetura neoclássica da cidade.
Uma igreja protestante construída entre 1716-19 sobre as ruínas duma igreja muito antiga do século X.

Place de la Palud
Umas das mais bonitas praças da cidade, onde se localizam o Município de Lausanne de estilo renascentista, e a Fontaine de la Justice do século XVI.
Aqui é onde se sente pulsar a vida da cidade como se lhe pertencêssemos.
Todas as quartas e sábados há mercado de rua e uma vez por mês a praça enche-se de artesanato.

Vale um bom tempo passado aqui simplesmente a apreciar a vida!
Para lá da fonte tem uma modesta escadaria de madeira – Escaliers du Marché – que vai dar a outra escadaria que sobe até ao mais bonito ponto da cidade, a Cathédral Notre-Dame.

Cathédral Notre-Dame
Para mim foi o ex libris da visita a Lausanne. Admito que a sorte esteve do meu lado, como já é habitual! Decidimos subir até à Torre e durante os bons minutos que perdemos a subir, o clima lá fora mudou e começou a nevar, então, deparamo-nos com uma vista deslumbrante sobre uma cidade pintada de branco e uma sensação de que o tempo teria parado só para nós. Foi um dos mais belos momentos que já tive numa viagem.

Mas, voltando à Catedral:
Foi iniciada no século XII e concluída só no século seguinte.
É o edifício gótico mais imponente de todo o país.

Palais de Rumine
Edifício Neorrenascentista construído entre 1896-1906 foi outrora a universidade de Lausanne.
Hoje é apenas a biblioteca da universidade e mais cinco museus.
O Musée Cantonal des Beaux-Arts, o Museu de Arqueologia e História e os outros três estão dedicados à Geologia, à Numismática e à Zoologia.

Passear pela Rue du Bourg
Zona de casas antigas com joalharias, lojas de grife, bares e clubes de jazz.
Um dos locais mais alternativos e animados da cidade.

À volta de Lausanne

Saindo um pouco de Lausanne, em direção a Crissier, encontram o Hôtel de Ville com três estrelas Michelin.
Uma experiência imperdível para quem visita Lausanne.
Algo que infelizmente não tivemos oportunidade de fazer, daí termos que voltar urgentemente à cidade!

Olympic Museum
Aqui sente-se a história dos atletas da Grécia Antiga até aos jogos olímpicos da era moderna.
Não visitamos para podermos ter mais uma razão para voltar a Lausanne!

Admito que Lucerne mexeu mais comigo nesta primeira visita à Suíça. Mas Lausanne é sem a mais pequena dúvida um local a regressar, quero voltar ao Lausanne Palace, quero visitar o Hôtel de Ville em Crissier e quero regressar à Cathédral Notre Dame.

Para quem prepara uma viagem à Suíça, Lausanne é seguramente um local a não perder.

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Fotos: Flavors & Senses

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Monte da Ravasqueira – um Alentejo muito próprio

O Monte da Ravasqueira, ali bem próximo de Arraiolos, é um projecto da Família José de Mello, que ao longo de várias décadas se tem concentrado em desenvolver uma propriedade única, que conta hoje com cerca de 3000 hectares de uma rara e idílica paisagem alentejana.

Entre montes, diferentes altitudes e várias barragens o Monte da Ravasqueira foi-se transformando ao longo dos anos.

De uma propriedade famosa pela criação de cavalos, à fruta, passando pelas primeiras vinhas em 1998 e à revolução dos seus vinhos com a entrada do jovem enólogo Pedro Pereira Gonçalves. Enólogo que desde 2012 tem vindo a inovar todo o projecto da empresa, do enoturismo à vinha, da viticultura de precisão aos vinhos.

Pedro Pereira Gonçalves 

Mas passemos ao que realmente interessa, os vinhos e a sua prova. O cenário não poderia ser melhor: provamos os vinhos à mesa do The Yeatman, acompanhados por pratos únicos assinados por Ricardo Costa (**Michelin).

Depois de uma série de bem conseguidos snacks e uma  prova leve e descontraída dos vinhos mais descomplicados da gama Monte da Ravasqueira, seguimos para a mesa, onde os vinhos começaram a mostrar outros voos.

MR Premium Rosé 2015

MR Premium Rosé 2015 – Claramente um dos Rosés mais interessantes do país, feito a 100% com Touriga Nacional e passando por uma fase de battonage e estágio em Madeira. Um vinho complexo e sofisticado que mostra que o rosé pode ser muito mais que um vinho para momentos leves e de Verão. De aroma menos intenso que na edição anterior, continua com uma bela presença de fruta em contraste com leves notas fumadas. Na boca ganha dimensão, potência e exotismo, com a mineralidade, a frescura e a complexidade das leves notas a demonstrarem que estamos perante um belíssimo vinho que pede mesa e comida.

E para isso não poderia estar melhor acompanhado do que com uma interpretação mais arrojada e técnica da clássica salada Caprese, onde Ricardo Costa fundiu os 3 ingredientes clássicos numa série de técnicas da vanguarda espanhola. A essa experiência mais “molecular”, seguiu-se uma bomba de umami, com um prato à base de choco, carabineiro, soro de leite e enguia fumada. Um sonho!

Ravasqueira Reserva da Família 2016 e MR Premium Branco 2014

Ravasqueira Reserva da Família 2016 – Um branco muito premiado e que apesar da combinação de Alvarinho com Viognier, resulta num vinho de perfil clássico, com estágio carvalho francês, que nos leva a sentir citrinos e algum alperce, enquanto a boca nos traz complexidade e riqueza.

MR Premium Branco 2014 – Um ótimo branco, que se mostra melhor quando provado ligeiramente acima da temperatura habitual para vinhos  brancos. Uma combinação das castas Viognier, Alvarinho, Semillon, Arinto e Marsanne com estágio em madeira sur lies,  que resulta num vinho fresco, complexo q.b., que nos leva ao nariz notas cítricas e de fruta branca com uma leve nota de querosene. Demonstra uma fantástica acidez e uma mineralidade que perdura durante todo o seu final longo. Um grande branco do Alentejo!

 Dois belíssimos vinhos que resultaram muito bem com a untuosidade, gordura e riqueza da proposta do chef, um prato com Bacalhau, ovo BT, presunto e coentros.

  Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2014 e MR Premium 2014

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2014 – Onde antes existiram romãs,existem hoje cepas de Syrah e Touriga Franca, que combinadas resultam num impressionante vinho que combina um certo carácter clássico, através de um prolongado estágio em madeira com a frescura e leveza de um vinho mais moderno. Grande concentração de fruta escura, bem límpida e madura, que contrastam com as notas a especiarias e baunilha trazidas pela madeira. Na boca continua a revelar a fruta, com uma frescura, acidez e leveza invulgares para quem passou cerca de 20 meses em madeira nova. Um vinho com força e personalidade que vive agora uma ótima fase de prova, mas que tem ainda um bom futuro em cave.

MR Premium 2014 – Um dos mais poderosos vinhos do Alentejo, resulta da combinação de Syrah, Aragonês e das Tourigas Nacional e Franca. O MR Premium é um daqueles vinhos que merece ser guardado por um longo período de tempo, deixando a sua prova imediata notas de um futuro ainda mais promissor. Um vinho de grande concentração, que traz ao nariz uma grande complexidade de aromas que vão da fruta escura às especiarias, passando pelo bosque e ervas aromáticas. Na boca é claramente um vinho de emoções fortes, revelando muita fruta bem acompanhada por excelentes taninos e uma finesse rara que não cansa. É um vinho que merece ser guardado por um bom período de tempo.

Aqui o Vinha das Romãs foi uma escolha consensual, é um vinho mais pronto a ser bebido, mais elegante e fácil, que acabou por harmonizar muito bem com os pratos de leitão que o acompanharam.

Dois pratos de Leitão segundo Ricardo Costa 

Por falar em leitão, devo deixar uma nota alta para a assadura irrepreensível, que resultou numa pele de vidrado crocante e uma carne suculenta e saborosa. Se estava boa a combinação com abacate e mole mexicano, o arroz caldoso com leitão e trufa negra estava simplesmente delicioso.

Ananás, Chá Verde e Pistachio

Monte da Ravasqueira Late Harvest 2015 – Produzir um Late Harvest no calor Alentejano parece quase um contrassenso, mas o certo é que o resultado de uma viticultura de precisão combinada com altas técnicas de vinificação tem algo de moderno e surpreendente. Inspirado no processo de um Ice Wine, este vinho 100% Viognier, vive e reflete a casta com as suas notas de citrinos e alperces, combinada com alguma fruta em calda e mel. O bonito é que o vinho além da doçura revela uma surpreendente e agradável frescura, que demonstra uma preocupação em seguir as tendências mais atuais.

Vinho este que combinou lindamente com a sobremesa, leve e fresca, como gosto de terminar as degustações.

Terminado o jantar houve ainda tempo para mais uma agradável surpresa do Monte da Ravasqueira, o seu vinho licoroso.

Monte da Ravasqueira Vinho Licoroso  Alentejano 

Monte da Ravasqueira Vinho Licoroso  Alentejano – Um licoroso alentejano de raro prazer, inspirado num clássico “Ruby” de Vinho do Porto, onde vai buscar as principais castas e a aguardente. Um Licoroso rico na fruta, com taninos marcados mas muito elegantes e uma certa frescura que não cansa a prova. Um vinho para beber no imediato e guardar a bem conseguida garrafa.

Em suma, os vinhos da Ravasqueira estão em alta e revelam um dos mais interessantes projectos alentejanos, mostrando muito bem que é possível a uma grande empresa criar vinhos distintos, arrojados e diferenciados.

Monte da Ravasqueira

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Com as Mãos na Massa – A (r)evolução do Pão

18h20 e lá estou eu bloqueado trânsito, cada vez mais intenso para os lados da Invicta, os nervos iam-se acumulando e o motivo não era para menos. Estava atrasado para um momento que aguardava efusivamente há algum tempo, a minha primeira formação sobre pão, pão a sério, de base tradicional e massa mãe (ou isco como lhe preferirem chamar).

Quem me conhece sabe que gosto pouco de atrasos e que gosto ainda mais de pão, pelo que os nervos não eram para menos, mas cheguei ainda durante os últimos preparos e com outros formandos ainda presos no trânsito.

À nossa espera estava Daniel Brandão, o padeiro cuja jaleca não deixava dúvidas sobre onde estávamos. Daniel é o responsável de padaria de O Paparico, para o qual produz aquele que é muito provavelmente o melhor pão da cidade, e das Cervejarias Brasão, onde provam que é possível levar bom pão, feito de forma artesanal a centenas de pessoas diariamente.

#danielbrandaopadeiro

Em cima da bancada não faltavam livros nacionais e internacionais sobre pão nem frascos com os mais variados tipos de farinha para que pudéssemos perceber facilmente todas as diferenças entre os tipos de grão, de moagem e, claro, de qualidade.

Há muito que me interesso e estudo o máximo sobre pão, mas é muito diferente quando alguém que vive esse trabalho diariamente nos vai explicando e tirando dúvidas sobre produtos e conceitos, e foi por aí que começamos a formação, com uma pequena e didática parte teórica antes de podermos entrar no vício, que é colocar a mão na massa!

Equipa de luxo

Aprendemos sobre os tipos de cereais, as diferentes moagens e os vários produtores, os tipos de fermento e, claro, sobre as linguagens e as percentagens de padeiro.

Posto isto, não há como passar à ação, a Formação era sobre Pães Tradicionais de Massa Mãe, pelo que haveríamos de aprender a adaptar pães como Mafra, Alentejano, Pão de Água, Broa de Milho ou a Sêmea, do fermento industrial para uma pura e rica massa mãe.

Mãos na massa e no primeiro dia lá fomos aprendendo sobre autólise, temperaturas, janela de glúten e voltas (parece chinês eu sei, mas é bem mais simples do que parece…). Enquanto isso fomos dando asas ao trabalho manual e ao prazer que é ver água, farinha e sal a transformarem-se em algo completamente distinto e essencial.

Massas feitas e preparadas para um merecido repouso de cerca de 24h, regressamos a casa de coração cheio e vontade que o dia seguinte chegue rápido para vermos a transformação final do nosso trabalho (e provarmos o pão, claro!).

Dividimos as diferentes massas, aprendemos a formar o empelo e a deixar o pão levedar nos bannetons (cestos próprios para dar forma ao pão), enquanto vamos fazendo uma delicada broa de milho.

A formação já ia longa, os olhos não paravam de se cruzar com a manteiga que faria dupla inseparável com o nosso pão, mas a massa só haveria de entrar nos fornos quando o “toque” assim o dissesse e a levedação estivesse no momento certo.

Aprendeu-se a cozer em fornos industriais e a recriar o “ambiente” num forno caseiro, mais tarde veríamos ótimos resultados em ambos os casos.

 Broa de Milho prestes a iniciar o processo de levedar.

Pães no forno, um tipo de cada vez, que cada pão tem a sua temperatura e tempo de cozedura ideal. Os primeiros a sair indicam que fizemos um bom trabalho, crosta dourada (nada de pães crus como gostam os portugueses) e um cheiro inconfundível. O resultado?  Parecíamos crianças quando recebem um novo brinquedo ou quando há um bolo no forno!

Os primeiros pães a sair do Forno

Diferentes formas e diferentes reações da massa diziam-nos que todos temos ainda muito caminho pela frente, a base está lá, agora é preciso melhorar as técnicas de amassar e dar forma ao pão para que ele responda no forno da melhor forma possível.

Houve pão para provar e levar para casa (que ainda havia de obrigar alguém a levantar-se da cama para uma pequena prova!!!), houve partilha de receitas e uma generosidade enorme por parte do Daniel que nos transmitiu paixão e sabedoria e que, infelizmente para ele, desde então lá vai levando com as minhas dúvidas!

Mas houve mais, cada um de nós trouxe para casa um pouco da massa mãe do Daniel, um tamagotchi dos bons que tenho cuidado com amor e carinho e que há pouco tempo acabou de celebrar dois anos de vida.

 Um grupo fantástico de apaixonados por pão verdadeiro

Agora e enquanto aguardamos que a Padaria GRANU ganhe vida em 2019 (novo projecto de Sérgio Cambas com Daniel Brandão), vamos replicando as receitas do Daniel em casa!

Nota: Para 2019 estão previstos muitos e vários tipos de Workshops com o Daniel, de Pães tradicionais a Bolos ou até Bolo-Rei. Para mais informações ou datas basta seguirem o Facebook da Granu.

 

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