Quinta do Ameal

Estávamos no final do ano de 2013, numa prova de vinhos, aguardávamos que nos enchessem os copos com Quinta do Ameal Loureiro, e apesar de já conhecermos os vinhos, ainda não conhecíamos o seu produtor, Pedro Araújo. Simpático, sorridente e com muita paixão nas palavras, após uma agradável conversa sobre os seus vinhos, lá nos confessou que estava a criar um enoturismo na sua quinta. Mostrou-nos fotos, falou-nos de todas as ideias, e o seu entusiasmo era de tal forma contagioso que auspiciava algo brilhante!


Os anos foram passando, fomos encontrando o Pedro por provas e mais provas, e ele sempre manteve o entusiasmo, agora a recuperação da quinta e todas aquelas ideias cativantes já eram reais. Em 2016 quase lá estivemos para ver e sentir de perto a razão de tanto entusiasmo, mas um imprevisto meteu-se no caminho!

A adega onde repousam os grandes vinhos do Ameal

Mas, finalmente lá aconteceu, e em 2107 percebi na perfeição a razão de tanta paixão nas palavras de Pedro, e assim, nasceu, também, a minha paixão pela Quinta do Ameal e pelo seu enoturismo.

Nada me faz mais feliz do que a conjugação do luxo com a natureza pura, selvagem, e no seu estado mais bruto.
É isso que define a Quinta do Ameal, um refúgio no meio da natureza que se mescla na perfeição com o luxo presente em cada detalhe.

Casa Grande

A quinta do Ameal é uma propriedade em Ponte de Lima que data de 1710, conta com 30 hectares e é aqui que Pedro cria e produz vinhos brancos de excelência da casta Loureiro.

Foi adquirida pela família na década de 90, após a venda da Ramos Pinto, sim o Pedro tem a história do vinho a correr-lhe no sangue, ou não fosse ele bisneto de Adriano Ramos Pinto. A Quinta estava completamente abandonada mas foi feito um excelente trabalho na sua recuperação.

Dos 30 hectares de quinta 14 são de vinha, o restante complementa-se com uma floresta virgem, e cheia de força, onde o Ameal Wine & Tourism Terroir ocupa o espaço das antigas casas, recuperadas e pensadas pela mente de Pedro, com um toque de bom gosto que não é comum a todos!

Chegamos à quinta num maravilhoso dia de sol, a primavera fazia as honras da casa, e as cores da natureza foram excelentes anfitriãs.

O caminho que se percorre desde a entrada até chegar às casas é divinal, dum lado as vinhas, do outro pinheiros mansos com mais de 200 anos de história e vida, que nos mostra que ali há uma forte influência do clima mediterrâneo, ou não fossem estas imponentes árvores originárias do Velho Mundo, mais precisamente do mediterrâneo!

O Pedro recebeu-nos com aquele sorriso que lhe é característico e sem demoras fez-nos sentir em casa.

Pela Quinta há várias atividades à disposição, seja ficar o dia todo a bronzear na piscina com a natureza como pano de fundo, seja passear e descobrir caminhos por entre árvores, flores e vinhas, enquanto se descobrem pequenos recantos românticos que fazem as delícias dum momento de ócio, seja apreciar os diferentes produtos que crescem na terra, e garantem uma panóplia de opções biológicas.


Para os mais aventureiros é possível organizar diferentes atividades no Rio Lima, como por exemplo descê-lo em Kayak. Quem gosta de caminhadas, nada como uma longa, muito longa caminhada, de cerca de 40km pela fabulosa eco via sempre com o rio Lima como companheiro.

Para os amantes de vinho, este local é mágico, comecem com uma visita às vinhas, com o Pedro como guia, passem pela adega e terminem com uma excelente prova dos vinhos do Ameal acompanhados com alguns petiscos.

Bem, mas vamos agora falar sobre a recuperação das casas antigas.
O edifício principal, a que chamam de Casa Grande (que seria efetivamente a casa principal de quem lá viveu) é o que alberga o maior número do alojamento, e uma zona de convívio, ou seja, a sala das provas, ou lounge, como lhe queiram chamar, e três suites (a Jardim, a Camélia e a Glicínia), quer dizer, são casas, mas já lá vamos!

Casa entre Bambus e Vinhas

A uns metros desta Casa, temos a Casa entre Bambus e Vinhas (antiga casa do vaqueiro) e por que se chama assim? Porque se situa entre uma zona de bambus que lhe dão um toque bem oriental, e algumas das maravilhosas vinhas!

Há ainda outros edifícios espalhados pela quinta, as duas antigas vacarias ainda por restaurar – talvez um dia dêem origem a um estábulo e permitam aos hóspedes terem ainda mais uma belíssima atividade à disposição na quinta – a casa do caseiro (fora o pleonasmo!), e os escritórios.

Mas falando do mais importante… a minha suite!
Ficamos na suite Jardim, que como o próprio nome indica, tinha acesso direto a um jardim imenso, quase como um recanto privado de natureza só para mim!

Bem, existem quartos, e depois existem aqueles lugares que te fazem querer viver lá! E este local fez-me sentir precisamente isso.
A sensação que eu tive mal entrei foi a de que poderia facilmente viver ali, principalmente porque a decoração tinha a combinação perfeita de história, rusticidade, elegância e luxo.


O branco das paredes transformava o quarto num ambiente sóbrio, enquanto a pedra que se fazia sentir em pequenas zonas lhe dava a rusticidade na medida certa, o mobiliário era o elemento história, cada peça já tinha tido uma outra função, sendo à posteriori recuperada, até a porta que nos dava acesso do quarto à sala foi noutra vida a porta de casa da avó de Pedro!

A cama, além de gigante, como eu adoro, deve ter sido das mais confortáveis onde já dormi.


A sala, que era simultaneamente cozinha, sala de estar e sala de jantar mantinha a mesma decoração e elegância do quarto, peças de arte, mobiliário acolhedor, rusticidade certa, e luz, muita luz, vinda das janelas meticulosamente enquadradas. Daqui tínhamos acesso ao jardim, como que um pedaço de paraíso só para nós! 
Por esta altura já devem estar a perguntar-se, e a divisão preferida da Cíntia?
Bem, deixem-me falar-vos do quarto de banho…
Meu Deus… para começar, um chuveiro onde caberiam facilmente meia dúzia de pessoas!!! Lavatórios duplos, que diga-se, é o melhor conceito que há, uma banheira plantada distante da parede, pormenor perfeito de decoração, muito mais interessante que aquelas banheiras que são um prolongamento da parede, e livros como detalhe decorativo, eu canso-me de referir isso, haverá melhor peça de decoração que um livro? Não, não há! E olhando para a fotografia vocês conseguem perceber a minha paixão pelo quarto de banho, mas há algo que aqui não se percebe, o chão aquecido, e isso é uma das maiores qualidades que um quarto de banho pode ter!

Sabem? Definitivamente, o luxo está nos detalhes!

Um dos melhores quartos onde já estive, sem dúvida!

Outro dos pormenores que me fascinou na Quinta do Ameal foi o facto de me sentir em casa de família, o facto de sentir aquele mimo sempre presente, em pormenores tão perfeitos como o de acordar de manhã com uma cesta de pequeno almoço à porta.

Óbvio que esse pequeno almoço foi tomado no jardim, e acompanhado com o som mais sublime de todos, o som da natureza!

Quanto a refeições, a quinta não tem restaurante (ainda!!!) mas garante refeições prontas a qualquer hora, que poderão ser aquecidas e/ou preparadas na sua suite ou na sala principal da Casa Grande, assim não temos sequer que nos ausentar. Mas, Ponte de Lima é igualmente um local de boa comida, por isso se precisarem, a equipa da Quinta do Ameal tem uma série de boas opções para vos indicar.

Sala Principal

Falando um pouco desta sala, segue a mesma linha dos quartos, decoração com pormenores contemporâneos, conforto em cada detalhe e elegância. Esta sala é equipada também com cozinha, que se transformou num local perfeito onde pudemos cozinhar e ter um jantar de amigos com boa comida, boa música e bons vinhos! Foi um serão perfeito!

Por falar em bons vinhos, é isso mesmo que se produz nesta Quinta, alguns dos melhores vinhos brancos produzidos na região dos Vinhos Verdes e em Portugal. Pelo que, como sabem, lá fomos “forçados” a uma prova dos vinhos da Quinta do Ameal, que serviu da aquecimento para o excelente serão que referi.

Quinta do Ameal Escolha

Como vêem não tivemos problemas de sede

Entre os vinhos provados, destaque para as colheitas de 2015 quer o Escolha, quer o Solo Único estavam em excelente forma, mas aquele que facilmente nos conquistou foi o Loureiro de 2007, a provar a grande capacidade de envelhecimento dos vinhos e a sua elegância.

Quem optar por se hospedar na Quinta do Ameal com amigos ou até mesmo em família, para estes o ideal será a Casa entre Bambus e Vinhas, pois é uma autêntica vivenda, com dois quartos enormes, e zonas comuns que fazem o sonho de qualquer mortal.

Outra das particularidades desta casa, é o incrível e bem asiático chuveiro exterior, que nos remete de imediato para aqueles lugares exóticos espalhados pelo mundo, este pormenor encontra-se também presente na Suite Camélia.

Suite Glicínia

A verdade é que estes detalhes e recantos que distinguem um local do outro não seriam possíveis sem a visão e a cultura de viagem de quem os pensou, e efetivamente nisso o Pedro foi exímio.

A Quinta do Ameal e o seu projeto Ameal Wine & Tourism Terroir são o refúgio perfeito para quem quer abstrair-se e procurar um pequeno pedaço de paraíso na terra.

A natureza bruta, mas simultaneamente pura e virgem, sente-se com uma força que não se traduz em palavras!
Este local tem tanto de genuíno e autêntico como de irreal!

Obrigada Pedro e equipa da Quinta do Ameal por todo o mimo!

Até breve…

Quinta do Ameal – Wine & Tourism Terroir
Quartos a partir de 230€
4990 – 707
Refóios do Lima Ponte do Lima – PORTUGAL
+351 258 947 172
quintadoameal@netcabo.pt

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Quinta do Ameal a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – StreetXO

David Muñoz há muito que dispensa apresentações, desde que em 2010 rasgou com a cena gastronómica de Madrid ao ganhar a primeira estrela para o seu DiverXO  (é hoje o único 3 estrelas da cidade), numa fusão criativa, radical e até teatral da cozinha mediterrânica com sabores e ingredientes asiáticos.

Mas desengane-se quem pensa que Muñoz é um fruto da vanguardista escola Basca, que tantos nomes tem trazido à ribalta da gastronomia mundial, Muñoz começou a sua carreira um pouco pelo bom gosto dos pais que com alguma frequência o levavam, ainda jovem, ao clássico madrileno Viridiana, do chef Abraham García, onde acabou por trabalhar quando acabou os seus estudos, e ao qual continua ainda hoje a prestar homenagem nos seus menus, mais tarde rumou a Londres onde acabou por trabalhar vários anos em restaurantes asiáticos como o Nobu e o Hakkasan.

Uma formação que lhe serviu de base para as suas criações, onde técnica e genialidade se combinam para criar uma experiência de choques, de sabores e até de sentimentos, em que muitos casos se ama e noutros tantos se odeia.

Dito isto, a sua “chegada” a Londres para a abertura de um StreetXO – espaço mais informal e inspirado na Street Food asiática  que abrira em Madrid em 2012, e cujo sucesso o tem tornado num dos mais concorridos da cidade – fez correr muita tinta entre jornais, críticos e opinion makers.

Pelo que não poderiamos deixar de o visitar durante a nossa última passagem por Londres. Localizado no elitista bairro de Mayfair a decoração ficou a cargo do visionário Lázaro Ros-Violàn, cujos trabalhos não deixam ninguém indiferente. Este StreetXO não é excepção, com um ambiente que recria o imaginário louco de Muñoz combinado com um pouco de club de strip e filme de ficção ciêntifica ao estilo de Blade Runner.

É impossível ficar-lhe indiferente!

Já instalados, somos pronta e alegramente acompanhados ao longo de todo o menu, enquanto a equipa aproveita para nos demonstar o seu conhecimento sobre a carta e tenta fazer sugestões que vão ao encontro dos nossos gostos. A carta divide-se em pequenos momentos de finger food e pratos para partilhar ao bom jeito da comida de rua.

A refeição começou com a chegada dos cocktails, ou não estivessemos em Londres e a Liquid Kitchen (que é como quem diz bar) do StreetXO não fosse também um ponto de arrojo e criatividade, que bem combina com a carta.

Excelentes Dry, sweet and Sour!!! e o Pineapple slow roasted over coals, que combinava vodka, arandos, balsámico e uns doces de petazetas no caso do primeiro e rum velho com abacaxi, lima e infusão de tonka no segundo.

Dry, sweet and Sour!!!

Pequinese Dumpling… 
O primeiro prato é também o primeiro choque visual causado à mesa, numa combinação arrojada de de uma gyoza, com orelha de porco crocante (que infelizmente não estava crocante em todas as peças), ali-oli com yuzu , pickles e um molho hoisin de morango. Sabores bem conseguidos, com a doçura e notas salgadas e frutadas do hoisin a realçarem-se numa combinação que teria tudo para dar errado, mas não deu. Falha numa das peças onde a orelha não estava com a crocância que se pretendia.

Steamed Club Sandwich
Um pequeno bao, cozido a vapor e recheado com leitão, ricotta, maionese de chili e ovo de codorniz. Prato picante q.b., guloso e untuoso na boca, com o ricotta a trazer frescura ao conjunto ainda que pudesse estar presente em menor quantidade. Muito bom!

Korean Lasagne XO Style
Um dos pratos mais saborosos e confortáveis do almoço, com uma ótima combinação de texturas e sabores, fruto da ligação da carne galega com o molho picante coreano gochujang, e a riqueza do bechamel. Nota alta para o contraste da massa crocante que é desfeita sobre o prato depois de servida.

Prawn5
Havendo Carabineiro na mesa estou quase feliz, quando provo e o rei dos camarões está bem tratado aí sim é momento de festa! E foi o caso neste prato de apresentação irrepreensível e conjugação de elementos. Carabineiro no ponto, doçura certa e cabeça húmida e cheia de sabor. A conjugar com várias texturas de camarão, desde o dim sum, a lascas de camarão seco e um fino e crocante cracker de camarões baby. Molho rico e saboroso, com ali-oli de açafrão, amêndoa e edamame. Um grande prato!

Por esta altura passamos ao segundo round de bebidas e decidimos optar pelas combinações mais arrojadas da carta, um Tokyo-Jerez Montril’s, numa arrojada combinação de notas fumadas do chá de lapsang, com shiso, miso, yuzu, sake e sherry acompanhado de um camarão no carvão e a sua cabeça. Outro foi the Yellow Curry,  numa homenagem de sabores e culturas que rapidamente viajou entre a Europa, Bangkok e a Índia.

A equipa por trás da “liquid cuisine”

 Yellow Curry

 Atum, Manga verde, e molhos satay, coco, tamarindo e bergamota
Aquilo que parece carne é na realidade um corte de atum junto ao pescoço, cozinhado na robata e servido com contrastes interessantes de frescura e textura dados pela manga verde e pelos molhos que nos levam numa viagem rápida às espetadas asiáticas. Irrepreensível!

“La Pedroche” croquettes…
Neste prato, a Espanha foi conhecer o Japão, com os croquetes a fazerem a parte do shari (arroz de sushi) para a montagem de um niguiri de toro (barriga de atum). Croquetes crocantes e recheados de kimchi, leite de cabra e elevado pelas notas fumadas do chá preto LapSang SouChong. Nota alta para a qualidade do atum e a conjugação, não fosse a fritura não estar perfeita e seria um grande, grande final!

Para terminar, não existem propriamente sobremesas na carta, mas foi sugerido uma espécie de sobremesa/cocktail, servida no famoso copo da pantera cor de rosa (que faz parte do universo DiverXO), à base de chocolate branco, guava, ruibarbo, morango e caril com um toque de petazetas para alegrar mais ainda o final da refeição.

Sobremesa

O serviço decorreu de forma animada, com os pratos a sucederem-se a bom ritmo, com a equipa a demonstrar conhecimento sobre a carta, boas sugestões e um ambiente geral de satisfação, que enquanto clientes nos satifaz e nos motiva ainda mais a entrar dentro do espírito do restaurante, sim é preciso entrar de alma aberta e receptivo ao choque.

Manuel Villalba é o braço direito de Muñoz neste arrojado projecto na capital inglesa

Considerações Finais
David Muñoz é um génio criativo, amado por muitos e odiado por outros tantos, mas a verdade é que por trás de toda aquela imagem de enfant terrible, Muñoz é na realidade um cozinheiro, na sua mais pura essência, é mais fácil vê-lo nos fogões dos seus restaurantes (inclusive neste StreetXO de Londres) do que numa revista, programa de Tv ou mesmo na sala a dar asas ao estatuto de celebridade.

A sua “demência” no bom sentido da palavra é demonstrada no ambiente teatral que cria em torno de uma refeição e nas conjugações imprevisíveis de ingredientes e sabores que utiliza nos seus pratos, pode não se gostar e haverá sempre pratos que resultem melhor do que outros, é certo, mas a verdade é que é impossível ficar indiferente a esta cozinha.

Um dos espaços do momento em Londres!

StreetXO Londres
Preço médio: £70 por pessoa sem vinho nem taxas
15 Old Burlington Street, Mayfair – Londres
+44 020 3096 7555
reservations@streetxo.co.uk

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no StreetXO a convite sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – Carousel

Quando me vem à cabeça a ideia de restaurante Pop-Up os pensamentos nem sempre são os melhores, cozinheiros inexperientes saídos de um qualquer reality show, pratos com pouco conteúdo, quer em substância quer em sabor, condições de trabalho pouco adequadas, entre muitas outras que me levam a olhar com alguma relutância para este tipo de projecto.

No entanto, em 2014, os primos Ollie, Will, Ed e Anna Templeton decidiram revolucinar esta prática, abrindo o Carousel, um restaurante com todas as suas capacidades, que promove em jeito de curadoria a permanência de diferentes chefs ao jantar a cada 15 dias. É como encontrar um restaurante novo a cada duas semanas, só que em vez do jovem inexperiente que decidiu mudar de vida depois de um programa do Gordon Ramsay, temos jovens chefs que estão no topo da sua forma, alguns deles com restaurantes em diferentes partes do mundo, outros prestes a iniciarem novos projectos em Londres, que acabam por usar o espaço em jeito de teste e apresentação, chefs como o português Leonardo Pereira, ou Elizabeth Allen que se preparava para abrir um novo restaurante depois de conquistar uma estrela michelin para o Pidgin.

Com a sua localização a dois passos do nosso hotel – Hyatt Regency London – The Churchill (ver) – e ainda que não tenhamos conseguido uma reserva para o jantar, fomos conhecer o menu de almoço desenhado por Ollie Templeton, que se baseia bem na sazonalidade dos produtos e na oferta do dia.

A sala remete-nos para um estilo rústico e industrial, bem contemporâneo, com a madeira a trazer conforto, e as longas mesas partilhadas a indicarem que aqui o objectivo não é só criar uma refeição, como também a partir dela criar uma tertúlia, com confraternização e discussão entre os comensais.

Para começar somos brindados com um dos meus momentos preferidos , o Pão (em Londres, pelo menos, já que em Portugal o bom pão escasseia), e que belo Sourdought este, da famosa padaria Bread Bread, servido depois de uma segunda cocção já no restaurante, boa a textura, o aroma e o sabor. Bem que podia ficar por aqui sem que me fosse servido mais nada além do pão, provando que afinal de contas sou um homem fácil de satisfazer, basta o melhor, como diria Sir Wiston Churchill!

O delicioso pão da Bread Bread, servido com azeite e flor de sal

Salada de Agrião, maçã, nozes e vinagrete de manteiga queimada 
Começamos com uma salada leve, com todos os elementos na proporção correcta e bem conjugados. O detalhe da cebola caramelizada e o sabor de frutos secos da manteiga elevou o prato, bastante além de uma simples salada. Belo início!

Mexilhões, alcachofra e torrada
O pão surge mais uma vez, desta feita no prato, o que é sempre um bom prenúncio. Uma arrojada combinação de sabores e texturas, do mar e da terra, com o mexilhão e a alcachofra, que tinha tudo para ser memorável, não fosse a acidez do escabeche demasiado elevada, o que acabou por dificultar um pouco o saborear de todo o jogo presente no prato.

Cavatelli, choco e gremolata 
Com este prato ganhei o dia, a cozinha de conforto das velhas Nonas italianas a ser aqui muito bem representado. Massa bem al dente e de bom sabor, delicado e saboroso molho à base da tinta de choco, e o molusco na medida e textura certa. A gremolata trouxe uma interessante frescura. Um grande prato, aqui e em qualquer parte do mundo!

Presa de porco Ibérico, salsa e pickles de chalotas 
Digamos que sou daqueles que gosta de receber o porco rosado, que é como quem diz mal passado, um crime, um insulto e um atentado à saúde pública, dirão alguns, mas a realidade é que as coisas já não são bem assim. Isto para dizer que até para mim o centro desta presa estava demasiado mal passado. Carne delicada e saborosa que se faz valer por si só e que sofreu um pouco por esse ponto (quiçá por Londres gostem dela ainda mais mal passada do que eu). Interessante ainda o contraste com o pickle e a frescura da salsa, e claro para o pão que agradavelmente substitui qualquer acompanhamento que carne a pudesse levar.

Tarte de toranja
Recheio delicado fresco e untuoso, com uma cremosidade e textura aveludada digna de destaque, a contrastar com a capa fina de açúcar queimado e a base. Um final simples, saboroso e sem um grande pecado!

A acompanhar a refeição esteve, e muito bem, um alvarinho, que é como quem diz Albariño Zarate de 2015, das Rias Baixas, cuja acidez e mineralidade são dignas de destaque. Um alvarinho de grande elegância e frescura, que acompanhou muito bem a simplicidade e frescura da refeição.

Nota ainda para a carta, assente maioritariamente em pequenos produtores internacionais com Vitor Claro e os seus elegantes vinhos Alentejanos a serem o representante Português.

O serviço, e tal como seria de esperar deste tipo de espaço, decorreu sem formalidadades, atento e descontraído. Devo dizer que a simpática funcionária me conquistou facilmente pela forma pronta com que me repunha o cesto de pão!

Considerações Finais
O projecto Carousel, nasceu para trazer um pouco do teatro e do cinema até à restauração londrina, criando um conceito em que é possível, de 15 em 15 dias, reservar no site um bilhete para um jantar diferente, com equipas diferentes, cozinhas e sabores bem distintos, mas sempre com aquela mesma sala acolhedora e familiar. É um projecto de nicho, é certo, mas um dos que vale a pena acompanhar, louvar e provar a cada nova residência, onde é certo que a cada nova visita de um chef se está de certo modo a revolucionar um pouco o mundo da gastronomia. Ao almoço, a carta traz a simplicidade e o respeito por bons produtos, aliada a preços correctos sem os habituais excessos da zona em que se insere. Um valor seguro, para um almoço confortável e despretensioso!

A nós resta-nos voltar durante uma das residências, quiçá dum dos jovens talentos portugueses!

Carousel
Preço médio:
Almoço – £20 sem vinho nem taxas
Jantar – com bilhete £40 por pessoa sem vinho nem taxas
71 Blandford Street, Marylebone – Londres
+44 020 7487 5564
info@carousel-london.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Londres – Ametsa with Arzak Instruction

Com o Nahm a deixar um espaço vago no COMO The Halkin, depois de se mudarem de malas e bagagens para Banguecoque (ver), em 2013 nasceu o Ametsa, mais propriamente Ametsa with Arzak Instruction, um nome pouco feliz para o que se tornou a primeira saída de Juan Mari Arzak e da sua filha Elena para fora do país Basco e do seu mágico Arzak (***Michelin).

Sobre os pergaminhos dos seus criadores nada há a dizer que já não tenha sido dito, nem chegam a Londres com a necessidade de provar algo seja a quem for, no entanto sempre que um chef “celebridade” chega à cidade, mais ainda em jeito de consultoria, há questões que se colocam, principalmente sobre a capacidade de um espaço respeitar a identidade e a filosofia de um chef sem que o mesmo esteja na cozinha. Para isso os Arzak trouxeram até Londres alguns dos elementos chave da sua equipa de investigação e cozinha, Mikel Sorazu, Igor ZalakainXabier Gutierrez, para que nada fosse deixado ao acaso.

A decoração respeita a modernidade da cozinha, com uma sala branca com detalhes metálicos, onde o recurso à madeira nos traz algum conforto, tornando a sala menos fria e mais acolhedora. De notar ainda o detalhe especial do tecto, repleto de milhares de tubos de ensaio cheios com especiarias – um bom detalhe, que merecia ser mais explorado por quem nos recebe.

Já instalados, fomos mais uma vez recebidos em alto e bom português (os nossos jovens emigrantes estão por todo o lado!), um detalhe que nos deixa sempre rendidos e que bem ajudou a perceber os detalhes de todos os pratos.

Depois de um excelente Sourdough e de um ótimo pão integral com sementes de abóbora mergulhado num azeite fresco, herbáceo e picante, seguiram-se as clássicas boas vinda do chef.

 As boas vindas do Ametsa

Começando pelo Rascasso com massa kataifi ,  um clássico que há anos é apresentado nas boas vindas do Arzak, prestando assim uma espécie de homenagem à casa mãe, o peixe é transformado numa espécie de bolo bem preparado, com bom sabor e textura que contrasta bem com o exterior crocante da massa kataifi. Segue-se um Tubo de ensaio de Presunto ibérico, a mostrar todo o rigor técnico  da vanguarda espanhola, mas onde o bom jogo de texturas sofreu com a falta de sabor a presunto.

Por fim provou-se um Donut de Sardinha, com excelente apresentação, mas com uma massa muito densa, fazendo com que o sabor da sardinha se perdesse um pouco. Ótimo o contraste do pickle de cebola e molho de trufa.

Em suma, um início com altos e baixos, mas a deixar antever um bom nível para o que se seguiria.

No copo, abrimos as hostilidades com um Jerez, Delgado Zuleta Monteagudo Oloroso, um vinho bem gastronómico, de cor âmbar e notas acentuadas de frutos secos e madeira, na boca a sua secura e suavidade contrastam bem com a intensidade e profundidade do seu final de boca.

Carabineiro, espinafres e flor de laranjeira
Para entrada foi-nos sugerido um carabineiro, de textura e cocção irrepreensível, bem conjugado com as especiarias e a frescura do gel de flor de laranjeira. Uma combinação de elementos improvável que resultou muito bem!

Robalo com escabeche de banana
Um prato cuja combinação algo tropical rapidamente me remeteu para os pratos de peixe com banana e maracujá da ilha da Madeira. Aqui a mostrar mais uma certa influência de outras latitudes, com uma viagem pela Ásia e a América Latina. Muito bom o sabor e a confeção do peixe, assim como o contraste de sabores e texturas da banana.

A harmonizar esteve um branco da Rioja 2015 – Tierra, um vinho de nuances douradas e aroma de fruta branca, cítrica e um pouco de madeira em excesso, a revelar na boca um caminho suave, com uma acidez que funcionou bem com o prato.

Veado com Longan
Excelente apresentação em mais uma conjugação de inspiração asiática com o recurso ao Longan, que trouxe um lado agridoce mas fresco ao acompanhamento do veado. A carne foi o elemento menos interessante, muito por culpa do ponto de cocção que poderia ser um pouco mais baixo. Nota alta para o molho de cardomomo e as notas do creme de pimento.

No copo viajou-se até Bierzo com um Xestal 100% Mencia de 2009, um vinho concentrado, repleto de fruta escura, estruturado na boca e com um longo final. Uma conjugação interessante para a riqueza do prato.

Limpa palato

Como limpa palato viajamos até ao Irão com um doce inspirado no Limu Omani, que é como quem diz as limas/limões secos preparados para se tornarem uma especiaria de notas cítricas e avinagradas. Aqui foram recreados através de um ótimo curd de limão coberto com chocolate e a beneficiar do aroma intenso das “verdadeiras” Limu Omani.

Trufa Gigante
A sobremesa é já um clássico do Ametsa, uma, aparentemente, gigante trufa de chocolate, que é depois regada com um molho de chocolate fazendo-a desfazer-se ao nossos olhos enquanto as várias texturas de chocolate e o cacau se combinam. Um pecado que toca bem no coração de qualquer apaixonado por chocolate e que se torna melhor ainda com as notas de Cointreau.

Petit Fours

 Para finalizar uma já longa refeição os petit fours viajam entre sabores de chocolate, pistácio e framboesa.

O serviço de sala correu lindamente, com um subtil toque de informalidade bem equilibrado com o rigor e conhecimento de um restaurante estrelado.

Considerações Finais
A marca dos Arzak na vanguarda espanhola está bem patente na cozinha deste Ametsa, obviamente ninguém pode esperar que um jantar aqui seja como uma viagem até San Sebastian, com Elena e Juan Mari ao comando das brigadas e a espalhar o seu charme pela sala enquanto falam com clientes e explicam as suas criações. Espera-se sim uma boa aliança entre contemporaneidade de decoração, bom serviço de sala e uma cozinha criada com pés e cabeça, e alguns pratos memoráveis.

Ametsa with Arzak Instruction
Preço médio: £70 por pessoa sem vinho nem taxas
Halkin Street  – Londres
+44 020 7333 1234
ametsa.thehalkin@comohotels.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Ametsa a convite do grupo COMO sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Hyatt Regency – The Churchill

O meu encanto pelo grupo Hyatt confirma-se e sedimenta-se a cada estadia num novo hotel. E assim se verificou neste renovado Hyatt Regency London – The Churchill, durante mais uma agradável passagem pela cidade de Londres.

Como o próprio nome indica, este hotel foi desenhado para transmitir uma autêntica homenagem ao honorável Winston Churchill e a todo o seu legado.

Situado numa das zonas mais nobres da cidade, mais propriamente em Portman Square, o hotel está próximo de alguns dos locais mais mediáticos de Londres, como o Hyde Park, o British Museum ou as principais lojas de departamento da cidade.

Primeira Impressão
Um edifício imponente numa praça requintada, repleto de funcionários atentos à nossa chegada. Mal o carro parou abriram-nos a porta e fomos logo agraciados com um Good Morning Madame!


Entramos sem demoras no hotel e deparamo-nos com um Lobby enorme, extremamente elegante, decoração clássica e colonial com pormenores modernos e repleto de arte em cada recanto. A azáfama típica deste tipo de hotel urbano e financeiro dá-lhe um certo carisma, apesar de toda a confusão que se instala.

Fomos rapidamente encaminhados à receção e o check in foi feito sem demoras enquanto bebemos uma água aromatizada.
O hotel passou por uma fase de renovação, que se iniciou em 2014 e se estendeu até 2016 e que o transformou num hotel muito mais sofisticado e atual, mas sem nunca perder a sua identidade e tradição, até porque, esta remodelação teve como ajuda, nada mais nada menos, que os familiares de Winston Churchill

Quartos
Contam-se 440, e são de quatro tipos, o Standard, o View, o Regency Club e as Suites – Saatchi, Churchill, Presidential e Royal.

À medida que íamos caminhando para o nosso quarto pude aperceber-me da elegância dos corredores, o chão com carpete sedosa e diferentes padrões, sempre de aspeto sóbrio, e um papel de parede com diferentes texturas a combinar na perfeição com o chão.

  As boas vindas ao Hyatt Regency

Ao longo dos corredores é também possível verificar a componente tecnológica da renovação de todo o hotel, nas paredes podemos encontrar ecrãs onde vai passando informação sobre o hotel, quer informação geral, quer informação sobre os diferentes eventos e conferências a acontecer nesse dia ou nos seguintes.

Ficamos num quarto do tipo View, ou seja, com vista direta para o jardim de Portman Square. Mal entrei pude perceber os tons neutros, numa decoração sóbria, elegante e ao mesmo tempo contemporânea, sendo que o conforto era a palavra de ordem.


À nossa espera estava um verdadeiro festim! Diferentes snacks, vinho e um presente, um livro com frases mediáticas de Winston Churchill. À nossa disposição encontravam-se também, chá, café e água que se mantiveram ao longo de toda a estadia.


A casa de banho foi a protagonista do quarto, ou não tivesse ela uma Sanita TOTO! Nunca sei para que servem aqueles botões todos, mas carrego em tudo(!) e aquele assento aquecido “mata-me”! Só se é verdadeiramente feliz depois de se conhecer esta sanita! Além disto, o roupão era do mais sedoso e confortável que já experimentei, e os produtos de higiene da marca Pharmacopia fizeram as delícias do meu banho! A casa de banho mantinha a mesma decoração do quarto e era adornada com um mármore em tons escuros lindíssimo.

 A famosa sanita da TOTO

Restaurante Montagu

Restaurantes/Bares
Este é um dos expoentes máximos do Hyatt Regency London – ou não estivessemos a falar de um hotel em Londres. Quer para os hóspedes quer para o público em geral, que fica deliciado quando passa pelo hotel e observa um dos mais bonitos jardins de Inverno que existem na cidade de Londres. Estou a falar-vos do The Churchill Bar & Terrace.

The Churchill Bar & Terrace

Inspirado no digníssimo Winston Churchill e na sua esposa Clementine, este bar oferece-nos cocktails de assinatura já muitas vezes premiados, uma variedade enorme de Gin, água tónica caseira, e um ambiente que tem tanto de boémio como de clássico. O espaço apresenta também um menu de charutos, que faz as delícias de apreciadores deste tipo de opções.


Assim, o espaço apresenta uma decoração extremamente luxuosa, podemos encontrar imensos livros com conteúdos que preenchiam os momentos de ócio de Churchill, e ainda pequenos pormenores que nos remetem para o amor entre Churchill e Clementine.

O ex libris deste espaço é o seu terraço ou jardim de Inverno. Um dos locais mais bonitos que vi ao longo desta viagem a Londres. Em tons de branco e cinza, com aspecto rústico e elegante a mesclarem-se na perfeição. Este espaço está sempre cheio, quer de hóspedes quer de locais, e percebe-se perfeitamente porquê!

Outro dos espaços gastronómicos do hotel é o Locanda Locatelli, um restaurante italiano premiado com uma estrela Michelin, mas que infelizmente não tivemos oportunidade de experimentar, mas quem conhece tece críticas bastante positivas.

 The Cheese and Wine Experience 

Por último mas não menos importante temos o Montagu. Um dos principais espaços do hotel, num ambiente que muito aprecio, o de open-kitchen. Este espaço tem uma decoração bem clássica, com pormenores modernos e com um ambiente de sala de jantar real, ou não tivesse sido ela inspirada na cozinha e sala de jantar de Chartwell, a casa de campo de Churchill!

 Pequeno almoço no Montagu

Neste espaço servem-se todas as refeições ao longo do dia, desde o pequeno-almoço – e que pequeno-almoço – ao almoço e jantar. Além destas já habituais refeições, podemos também experienciar o Sunday Champagne Brunch – que como o próprio nome indica tem champagne ilimitado logo pela manhã! – o New York Italian-Style Brunch que se realiza aos sábados, e o Afternoon Tea com o tradicional chá das cinco bem ao estilo inglês.

The Cheese and Wine Experience 

Uma das experiências que tivemos, e que não poderia ter sido mais perfeita, foi algo que o hotel realiza há poucos meses que é o The Montagu´s Cheese and Wine Corner, que nos apresenta uma experiência memorável que pretende trazer à memória os hábitos de Winston Churchill, com a sua preferência por grandes vinhos e grandes queijos (forma como normalmente acabava as refeições).

Assim, aqui tivemos a oportunidade de provar cinco opções de queijo, 20g de cada um, acompanhados com pão de excelente qualidade, fruta, doces e compotas produzidas no hotel, frutos secos, tostas e uns enchidos incríveis. Tudo isto foi harmonizado com vinho, o Nyetimber Classic Cuvee que exprime uma combinação perfeita de intensidade e delicadeza, que harmonizou lindamente com todos os queijos, e o Chablis Domaine Long-Depaquit cuja elegância o transformou igualmente no par perfeito para os queijos.

Nota alta ainda para o Solera 1847 Oloroso, um belo Jerez.

Destaque para a qualidade superior dos queijos de pequenos produtores bem afinados pela La Fromagerie, a mostrar que nem só de Stilton vivem os grandes queijos ingleses. Excelentes texturas, excelentes aromas e ótimos sabores a mostrarem um cuidado bem acima da média no que diz respeito a tábuas de queijo em hotéis.

Serviços
O Hyatt Regency London é um hotel para todos os gostos e para todas as necessidades, consegue ter a versatilidade de ser não só um hotel de negócios mas também, e ao mesmo tempo, um local onde nos apetece estar durante a nossa estadia em Londres.

Sem dúvida, que à primeira vista é nitidamente um Business Hotel, ou não fossem todas as suas facilidades coincidentes com esta designação, patentes por exemplo no seu Business Centre, com 12 salas específicas para isso, nos seus generosos 627m2!


Mas, estes mesmo espaços servem não só os negócios mas também o entretenimento, e as comemorações especiais, sim porque este hotel também pode ser o local onde dizemos o tão aguardado “I do!”, numa festa de casamento capaz de enaltecer qualquer relação amorosa.

O que precisarmos o hotel garante, e é isto que faz do Hyatt Regency um dos hotéis mais importantes da cidade de Londres.
Como o hotel fica muito bem localizado, uma das opções perfeitas é a visita a vários pontos de destaque na cidade, como o Hyde Park, ou um tour pela National Gallery, ou o imperdível British Museum, ou até mesmo seguir a linha Churchill e visitar as Churchill War Rooms, que devo dizer-vos, é um dos meus locais preferidos em Londres (ver).

Se a vossa preferência forem as compras, têm sempre a Bond Street, a Oxford Street ou a Regent Street muito próximas ao hotel.

O hotel possui também um Fitness Center, pequeno mas bastante dinâmico, aberto 24h por dia. Para mim não foi o ideal pois apresenta demasiados equipamentos de Cardio, e nenhum de musculação, pelo que o meu treino durante a estadia se tornou um pouco limitado (sim, porque eu agora já sou uma viciada nestas coisas!).

O hotel não possui Spa, mas é possível agendar uma massagem no quarto, sob pedido.
O hotel possui também serviço de Limusine disponível sob pedido, e transporte de e para o aeroporto sob as mesmas condições.

Para quem gosta de viajar com animais saiba que o hotel não é Pet Friendly, a não ser para animais de serviço.

O Hyatt Regency London apresenta também WIFI gratuito para os seus hóspedes, serviço de lavandaria e serviço de quartos 24h por dia.

Atendimento
O Hyatt é um grupo que nunca desilude no atendimento, as equipas possuem uma formação que garante uma educação e cuidado que agradam qualquer hóspede.

Desde o momento que chegamos ao hotel que fomos acompanhados sempre com carinho, com sorrisos, e com profissionalismo.

A nossa experiência no restaurante foi memorável, a equipa que nos acompanhou durante a Cheese and Wine Experience no Corner do Montagu foi duma simpatia que não dá para colocar em palavras, e tivemos uma surpresa maravilhosa, um dos funcionários, o Zé, era transmontano como o João, super genuíno, como qualquer bom transmontano, e amoroso, assim como a restante equipa.

Porque uma estadia num hotel não é só feita de atividades, serviços, gastronomia ou experiências palpáveis, é feita de pessoas, de pessoas que passado anos ainda estarão nas nossas memórias e nos farão sorrir como se estivéssemos no momento presente.

Obrigada Hyatt por mais uma estadia memorável, e obrigada Sir Winston Churchill por inspirar um espaço tão meticulosamente agradável.


Até breve Londres, até breve Hyatt Regency London – The Churchill!

Hyatt Regency London – The Churchill
Quartos a partir de 400€
30 Portman Square – Londres
+44 (0)20 7486 5800

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Hyatt Regency London – The Churchill a convite do grupo Hyatt, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – Eneko at One Aldwych

Londres é cada vez mais uma meca gastronómica, sendo não só um destino apetecível para todos os gastrónomos como também para os chefs que por lá se vão estabelecendo ou abrindo espaços – veja-se o caso de Heston Blumenthal, Daniel Boulud, a família Arzak, David Muñoz, Anne-Sophie Pic, Virgilio Martínez, Alain Ducasse ou Pierre Gagnaire, só para citar alguns.

A verdade é que chega a tornar-se difícil acompanhar toda essa azafáma na cena gastronómica Londrina, onde uma das mais recentes aberturas serviu de pretexto para uma rápida visita à cidade e a um hotel onde já tinhamos sido muito felizes, o One Aldwych, bem no coração de Covent Garden (ver).

Depois de cerca de dois anos de negociações e obras, o contemporanêo Boutique Hotel recebe o Eneko at One Aldwych, que como o nome indica, traz a Londres a cozinha do Basco Eneko Atxa (*** Michelin no seu Azurmendi e uma presença constante no guia The World’s 50 Best).  Uma “contratação” de luxo que durante muito tempo colocou os holofotes de olho na abertura deste espaço.

A sala de jantar do Eneko at One Aldwych*

Para esta abertura nada foi deixado ao acaso, desde a arrojada decoração entregue à famosa Casson Mann, que presta homenagem à origem industrial do edíficio do One Aldwych (que fora durante o século passado sede do jornal Morning Post), onde não falta um toque de País Basco com os sofás em tom de pimenta de Espelette, mobiliário desenhado especificamente para o espaço e uma combinação arrojada de texturas que torna o amplo espaço moderno mas simultaneamente acolhedor.

Todo este trabalho tem o seu auge mal passamos pela porta e começamos a descer a escadaria (digna de Reis e celebridades que gostam de vincar a sua entrada) e passamos primeiro pelo bar, onde à boa maneira basca é possivel degustar alguns Pintxos com Txakoli ou cocktails de assinatura, criados especialmente por Pedro Paulo para o restaurante.

Já instalados numa ampla e confortável mesa, demos início à nossa experiência.

E começamos muito bem, com uma ótima selecção de pães – com destaque para o sourdough – e uma deliciosa manteiga com manjerição e cebolinho que é combinada na mesa com bonito almofariz – um início simples e bem eficaz, que combinou na perfeição com o cocktail French 75 , uma criação que juntava Gin Mare, ervas frescas, limão e Cava.

Memórias da Baía de Biscaia
A cozinha deste Eneko, não é uma adaptação londrina do Azurmendi, é um espaço com a sua própria identidade, bem mais simples e informal onde o chef basco quis prestar homenagem às suas raízes. Um bom exemplo disso é esta primeira entrada “Memórias da Baía de Biscaia”, onde procura trazer a intensidade e os sabores do mar, tão populares por aquelas bandas. Para isso recorre a algas e gelo seco (sim ainda faz furor em 2017) para servirem de base a um ótimo caranguejo (provavelmente uma navalheira a julgar pelo tamanho) com molho armoricaine com toda a carne a ser servida dentro da carapaça, cheio de sabor a mar e uma elegante doçura.  A ostra soberba, com uma boa emulsão de plankton e um excelente tártaro de camarão com ovas de arenque servido dentro de um ouriço de porcelana. Um belo início!

Parfait de Foie, compota de maçã com Txakoli 
Outra interessante apresentação, com parfait a ser servido dentro de uma bonita maçã de porcelana. Nota alta para a frescura e combinação de sabores da maçã verde envolvida em vinho Txakoli e a textura e gordura do parfait. Boa nota também para a massa crocante que traz mais uma textura ao conjunto. Trocaria era facilmente as tostas de uma éspecie de sablée salgado pelo pão de sourdough!

Pescada, Pimentos vermelhos e emulsão de salsa
A amada pescada dos bascos, conheceu aqui uma “adaptação à Inglesa” em jeito de Fish & Chips. Mas o prato é muito mais do que isso, é uma tempura irrepreensível – seca e bem crocante, e uma pescada mais do que perfeita – húmida e cheia de sabor. Bom apontamento dado pelo confit de pimentos que nos traz alguma carga e sabores da terra, mas aqui o destaque vai todo para a pescada, provavelmente o melhor pedaço de peixe frito que alguma vez comi!

 Rabo de Boi, emulsão de cogumelos
Apesar de ser um dos meus “cortes” fetiche, foi o prato que menos me surpreendeu. Apesar de visualmente irrepreensível e da fantástica emulsão de cogumelos, o desfiado de carne passou um pouco do ponto de suculência ideal e o conjunto tornou-se demasiado doce. Faltou um elemento ácido ou um acompanhamento que equilibrasse a balança.

Arroz de cogumelos 
Um arroz bomba, bem caldoso, cozinhado no ponto, e rico no sabor a cogumelos que é ainda elevado pela emulsão de cogumelos que lhe serve de topping. Um grande, grande arroz!

Marshmallow de Rosa, Sorvete de morango
Uma sobremesa bem ao meu estilo, leve e fresca sem muitos elementos e com algumas texturas. Fantástico o gelado de morango de textura aveludada ao bom jeito da pacojet, bem conjugado com os morangos frescos (estranhamente bons dada a altura do ano) e a espuma de morango juntamente com a leveza do marshmallow e as láminas de rosa. Muito boa a combinação dos sabores e aromas florais e frutados!

 Mousse de caramelo salgado, crumble de bolacha e gelado de leite de ovelha
Uma sobremesa bem mais pecaminosa ainda que com a doçura bem equilibrada. Excelente a mousse, fantástico o gelado, numa boa conjugação de elementos e texturas. Belo final!

A carta de vinhos, não sendo enorme, apresenta uma excelente seleção de vinhos espanhóis com muitas opções a copo. No nosso caso, optou-se por um vinho da Rioja, 100% Tempranillo (que é como quem diz a nossa Tinta Roriz) R & G de 2011, com notas de madeira, baunilha, fruta vermelha madura e várias especiarias. Na boca este vinho de Rolland Galarreta revelou algumas notas da tosta, um corpo médio, muita fruta e uns taninos bem marcados, um vinho moderno que segue as tendências mais atuais, mas que não me satisfaz pessoalmente. A hamonização foi particularmente feliz com o rabo de boi, o arroz de cogumelos e o confit de pimentos.

O Serviço de sala esteve mais do que à altura da refeição, demonstrando celeridade, simpatia, boas sugestões e um excelente conhecimento da carta apresentada.

Considerações Finais
Antes de pensar em marcar uma mesa neste Eneko at One Aldwych é importante evitar um erro em que muitas vezes se cai quando um nome como o de Eneko Atxa abre um novo restaurante, o excesso de espectativas. Isto porque a ideia não foi, nem é, criar um “novo” Azurmendi, mas sim abrir um novo conceito, bem mais informal, sem complexidade e claro, sem a estrutura e preços de um 3 estrelas . O selo do chef está bem patente, não só nas apresentações e técnicas como nas combinações de sabores e na inspiração basca que é aqui a sua principal base.

Posto isto, este Eneko é uma das novas grandes opções na zona de Covent Garden, a carta aparentemente simples tem detalhes de risco e inovação e algumas coisas que vivem na perfeição, como foi o caso da Pescada que tão cedo não esquecerei!

Visita obrigatória!

Eneko at One Aldwych
Preço médio: £40 por pessoa sem vinho nem taxas
1 Aldwych  – Londres
+44 20 7300 0300
eneko@onealdwych.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses / * foto de divulgação

Nota
Estivemos no Eneko a convite do One Aldwych Hotel, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Nespresso Gourmet Weeks 2017

Começa hoje o Nespresso Gourmet Weeks com um jantar no The Yeatman, que junta os dois mais recentes chefs com duas estrelas Michelin em Portugal – Ricardo Costa do The Yeatman e Benoit Sinthon do Il Gallo d’ Oro . 

O conceito do evento mantém-se pelo 3º ano, com os chefs anfitriões a convidarem amigos para em conjunto criarem um menu de degustação em que o café é a estrela mais brilhante.

Para esta edição a inspiração do evento  é a Nespresso Exclusive Selection”, composta por 2 cafés especialmente criados para espaços de fine dining. Provenientes de regiões inexploradas do Nepal e Tanzânia, o ‘Exclusive Selection Nepal Lamjung’ e o  ‘Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry’ foram desenvolvidos para tornar a  a experiência gastronómica  ainda mais inesquecível.

Aqui podem ver o calendário de jantares, assim como os chefs  e os seus convidados:

Um calendário de peso, com nomes que não deixam ninguém indiferente no mundo da gastronomia portuguesa.

As marcações, assim como informações sobre os preços de cada jantar, devem ser requeridas através do canal próprio de cada restaurante.

 

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One Aldwych London

Como sabem, eu adoro voltar onde já fui feliz, pelo que aliei essa ideia a uma boa desculpa, a abertura do restaurante Eneko at One Aldwych o ano passado, do aclamado chef Basco Eneko Atxa (*** Michelin), para regressar ao Hotel One Aldwych em Londres (ver artigo de 2015), bem no coração de Covent Garden.

Voltar a Londres é sempre um prazer, com ou sem Brexit, esta cidade continua a ser uma das minhas preferidas, e Covent Garden uma das minhas regiões de eleição, com a sua atmosfera de elegância despretensiosa e repleta de cultura.

O mote deste regresso foi efetivamente o Restaurante Eneko at One Aldwych, no entanto, a estadia no hotel merece mais uma vez um destaque especial. A imponência do hotel mantém-se inalterada, olhá-lo de fora é sentir a altivez de outra época.

Mal entramos tornei a sentir aquela azáfama vibrante e tipicamente boémia que só se sente nos bares de Londres, e que eu adoro!

Estava mais uma vez no ambiente do The Lobby Bar comandado pelo brilhante (e português!) Pedro Paulo – que por estes dias apresenta a sua nova carta de cocktails e sobre a qual falaremos mais à frente.


Dirigimo-nos à receção e fomos recebidos com um maravilhoso “Bom Dia”! Sim, o hotel está repleto de “boa gente” portuguesa!

O nosso quarto estava a ser preparado e então deixaram-nos entregues (e muito bem) às mãos do Pedro, no The Lobby Bar, fazendo com que a nossa chegada a Londres fosse um mergulho nas ótimas “bolhas”  Perrier-Jouet, enquanto pomos a conversa em dia.

The Lobby Bar

Neste preciso momento e olhando à minha volta relembro na perfeição porque me apaixonei pelo One Aldwych naquela primeira vez… a arte está bem presente em todos os espaços, numa atmosfera cosmopolita mas sem perder a identidade, numa azáfama de  comportamento boémio mas sem perder o conforto.

Entretanto, e após este agradável momento de ócio na companhia do Pedro, lá fomos encaminhados ao nosso quarto.

Os quartos no One Aldwych nunca desiludem, conforto e contemporaneidade são palavras de ordem, e a arte de bem receber está sempre presente em pequenos detalhes, seja na fruta fresca reposta diariamente, seja nos biscoitos que nos aguardavam no primeiro dia, seja nas frescas flores que harmonizavam ainda mais o ambiente do quarto.

A cama, ai…as camas deste hotel continuam a ser uma das mais confortáveis e funcionais que já experimentei!

The Lobby Bar

No que diz respeito a espaços gastronómicos, o One Aldwych não poderia estar melhor representado. Comecemos pelo restaurante Indigo, um espaço elegante mas informal que prima pela sua cozinha livre de glúten, onde em 2015 tivemos uma agradável refeição e onde desta vez pudemos (novamente) tomar um excelente pequeno-almoço, em modo à La Carte – com tudo a ser preparado a preceito e a chegar à mesa no momento certo.

Restaurante Indigo 

 Os clássicos Eggs Royale

Por sua vez, o The Lobby Bar mantém-se no topo das minhas preferências de todos os espaços do hotel, um ambiente cosmopolita, dinâmico e repleto de glamour.

Pedro Paulo

Aqui provei alguns dos melhores cocktails de sempre, pelas mãos do Pedro Paulo. Neste local servem-se também refeições leves ao longo do dia, e ainda um dos mais exuberantes Chá das Cinco de Londres!
Imaginem-se personagens do clássico conto de Roald Dahl, Charlie and The Chocolate Factory, e sintam-se presenteados pelos doces de Willie Wonka, porque é tudo isto que se lembrarão quando estiverem perante este chá das cinco do One Aldwych.

Este chá pode também ser servido privativamente numa das salas designadas para esse efeito, num total de 12 a 30 pessoas.

Durante a nossa visita, Pedro Paulo e a sua equipa estavam a últimar as preparações da nova carta de cocktails, que prometia ser a mais arrojada de sempre, e uma das que iria fazer correr mais tinta nas revistas londrinas da especialidade. Pudemos provar o clássico Old Fashioned preparado na mesa com auxílio de um elegante Trolley desenhado por Pedro, que promete fazer as delícias dos clientes e das suas câmaras – Em breve iremos mostrar-vos a preparação deste drink clássico.

(P.S. A carta viu a luz do dia recentemente, e a crítica inglesa já se rendeu aos novos preparos e conceitos duma carta inspirada nos teatros londrinos, dividida em Comédias, Sátiras e Dramas, onde os cocktails se baseiam em várias das famosas peças da cidade. Destaque ainda para um cocktail que promete uma viagem à origem do cocktail com direito a uma incursão pelo mundo da realidade virtual).

Por fim, temos como espaço gastronómico aquele que nos fez regressar, o restaurante Eneko at One Aldwych do consagrado Eneko Atxa´s, chef do Azurmendi Restaurant (***Michelin). Assim, neste seu Eneko em Londres podemos encontrar nas suas criações esta inspiração na tradição basca, mas, sobre isso fala-vos o João, noutra publicação.

Uma Pescada perfeita, em jeito de Fish & Chips no Eneko at One Aldwych

Mas como um bom hotel não se faz só de locais de gastronomia, vamos ao espaços de lazer e relaxamento.
Como vos havia dito no artigo anterior sobre o hotel, este possui serviços que conseguem suprir as necessidades de todos os hóspedes, começando pelo simples facto da sua perfeita localização.

Covent Garden é das regiões mais bonitas da cidade, e onde se localizam algumas das galerias e teatros mais importantes de Londres, nomeadamente o Lyceum Theater, que fica mesmo ao lado do One Aldwych, com a exibição do Lion King (que ainda não foi desta que vimos, infelizmente, mas que nos dá mais uma desculpa para voltarmos!).

Além da região, o hotel diferencia-se também pelo excelente complexo de spa que possui, com aquela piscina fabulosa da qual nunca me esqueci, com música debaixo de água, além de salas de tratamentos, circuito de banhos e um excelente ginásio (sim, porque eu agora sou cliente assídua deste tipo de locais!).

The Lounge 

Outro espaço que me fascinou no One Aldwych, e do qual não tinha qualquer noção aquando da nossa primeira estadia, foi o Lounge, que se situa mesmo à entrada do hotel com uma passagem quase secreta, um local bastante semelhante a um refúgio pessoal, onde o silêncio e a calma imperam, ao contrário do The Lobby Bar. É bastante interessante verificar esta dualidade de conceitos, dois espaços com ambientes totalmente opostos e com uma distância tão próxima entre eles.


Esta sala segue a linha do restante hotel, uma atmosfera de luxo contemporâneo, com atenção aos detalhes dados pelas peças de arte e pela presença constante das flores. Aqui encontram-se obras de arte com inspiração na história do hotel, quando este serviu de sede de diferentes jornais.


Um dos espaços mais relaxantes e bonitos do hotel.

Os momentos no One Aldwych, neste fim de semana prolongado em Londres, foram passados duma forma perfeita, seja pela felicidade em regressar onde já se foi feliz, seja pela descoberta de novos lugares, como foi o caso da nossa experiência no restaurante Eneko, seja pela redescoberta de locais que nos fazem gostar ainda mais deste hotel, como o The Lobby Bar ou o Lounge, seja pela equipa que desta vez foi ainda mais exímia no atendimento.


Sem dúvida, um dos meus locais de preferência na cidade, mesmo que não se hospedem no hotel, não percam uma oportunidade de o conhecer, entrem simplesmente para um cocktail no The Lobby Bar, e conheçam um dos mais importantes barmans de Londres, experimentem a sensação de fazer parte duma fantasia de doces com o memorável Chá das Cinco, ou reservem uma mesa no cosmopolita Eneko at One Aldwych, mas de forma alguma percam a possibilidade de conhecer um dos melhores hotéis de Londres, não se irão arrepender!

Mais uma vez te digo: “Até breve One Aldwych!”

One Aldwych
Quartos a partir de 390€
1 Aldwych – Londres
+44 (0)20 7300 1000

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no One Aldwych a convite do Hotel, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – The Ivy Market Grill Covent Garden

Depois de há mais de 10 anos Richard Caring ter comprado a Caprice Holdings o seu investimento em restaurantes e clubes nunca mais parou! No entanto, só em 2014 se aventurou a usar o nome daquele que seria, provavelmente, o mais famoso restaurante de Londres, o The Ivy, e criar novos espaços em torno de uma marca tão poderosa.

O especial do clássico The Ivy (que celebra 100 anos em 2017) não é só a sua comida de conforto, o seu serviço ou a decoração, mas sim o facto de durante anos ter tornado possível que o mais comum dos mortais partilhasse a sala de jantar com as principais figuras e celebridades de Londres e do Mundo.

Para a abertura do seu primeiro spin-off  (hoje já são vários) Richard Caring não se colocou numa estreita e escondida rua londrina, nem procurou criar uma porta repleta de paparazzis, bem pelo contrário, instalou-se bem no coração da famosa praça de Covent Garden com o “novo clássico” The Ivy Market Grill.

O espaço não podia ter sido melhor escolhido, um edifício de traça histórica, uma esplanada que convida a ficar, enquanto se observa toda a agitação de Covent Garden, e um interior dividido em 2 pisos.

Na decoração reina o metal, a madeira e a pele, num ambiente bem masculino e burguês que nos remete rapidamente para os cafés históricos de Paris, Londres ou Nova Iorque. O bar presta homenagem ao The Ivy Original, o espaço reduzido entre mesas lembra-nos que estamos numa espécie de brasserie e as peças de prata trazem-nos o conforto e a identidade de outros tempos. Esse é um dos talentos do estúdio  de Martin Brudnizki, responsável pela decoração, que fez com que um restaurante novo pareça existir naquela praça desde sempre.

Mas deixemos os negócios, a decoração e o glamour para falar do que nos traz aqui, a comida e o selo de garantia The Ivy. Neste Market Grill a ideia foi criar um all day dining, com opções desde o pequeno almoço, ao chá das cinco, sem esquecer os menus pré e pós teatro (ou não estivessemos junto a West End). Criando para isso um menu assente na cozinha de conforto, principalmente de matriz inglesa, com opções para todos os gostos e feitios.

Costumo dizer que algo de bom vai acontecer quando surge uma faca Lagouile 

E começamos bem, com um brinde do Champanhe feito especialmente para o grupo, o The Ivy Collection Champagne.

Salmão Fumado, Caranguejo, creme de funcho
Salmão bem fumado, com notas elegantes da madeira, a trazer complexidade ao aroma e sabor do peixe. Boa textura e muito bem conjugado com a pasta de caranguejo e funcho que refresca o conjunto. Simples e eficaz, um belo início!

Bife Tártaro
Um clássico francês, bem trabalhado, com a carne cortada à mão na perfeição, bem temperada com os pickles, a chalota, a salsa e um molho à base de tabasco e mostarda enriquecido pela untuosidade da gema. Um grande tártaro!

Tornedó Rossini 
Uma versão do clássico, com a carne selada na perfeição e no ponto certo, ótimo foie, trufa e um molho que poderia ter um pouco mais de intensidade.

Uma versão que certamente não envergonharia o Sr. Rossini!

Sheperd’s Pie 
O prato mais emblemático da marca The Ivy – a versão inglesa de um empadão – aqui preparado com pá de cordeiro cozinhada a baixa temperatura juntamente com vitela e um puré de batata com uma boa dose de manteiga e queijo Cheddar. A verdadeira comida de conforto, com sabores ricos e untuosos, perfeitos para o frio que se fazia sentir em Londres durante a nossa visita. A acompanhar Bimis salteados com zeste de limão.

Frozen Berries, Chocolate branco e gelado de iogurte 
A opção mais fresca da carta de sobremesas, que revela um bom jogo de temperaturas e texturas entre o congelado dos frutos vermelhos, a cremosidade e acidez do gelado e o molho quente de chocolate branco. Simples e eficaz.

Bomba de Chocolate, espuma de leite, favo de mel, gelado de baunilha e molho de caramelo salgado 
É a sobremesa mais famosa do restaurante e o oposto da anterior – uma bomba de pecado e doçura – em que todos os elementos se fundem com a junção do molho de caramelo salgado, criando um conjunto, que apetece meter à boca (enquanto se fecha os olhos e se esquecem as calorias).

A acompanhar esteve um branco da região de Veneto em Itália, um Soave Clássico da Suavia, 2015, 100% garganta, um branco leve, frutado e fácil de beber, com as notas cítricas e a mineralidade a exibirem-se muito bem. No tinto, optou-se por um tinto de 2013 de Lalande de Pomerol, um Plaisir de Siaurac que não sendo digno de grande história, não comprometeu a harmonização com as carnes, graças às suas notas de especiarias, frutos vermelhos e taninos elegantes. Nota ainda para os copos, cujo pé baixo os torna menos interessantes para a degustação.

Sobre o serviço de sala as menções não poderiam ser estranhamente melhores, é impressionante a qualidade e atenção dada numa sala com tantos lugares sentados e a servir ininterruptamente do pequeno almoço ao  jantar. Ritmo, simpatia, conhecimento, recomendações, alegria – a máquina de sala deste Market Grill está verdadeiramente bem oleada e é um dos seus pontos mais fortes.

Considerações Finais
O Market Grill é bastante mais do que um spin-off de um produto famoso, é um espaço que homenageia o The Ivy mas que tem a sua própria identidade.  A sua atmosfera convida-nos a ficar e usufruir do charme e boémia de outros tempos, enquanto a cozinha nos transmite sensações de conforto, com pratos simples, bem elaborados e com boa matéria prima.

É certo que não é o restaurante para uma surpreendente experiência gastronómica, mas é um dos espaços certos para viver Londres, com a sua energia e agitação através da mesa.

The Ivy Market Grill
Preço médio: £30 por pessoa sem vinho nem taxas
1 Henrietta Street, Covent Garden – London
+44 20 3301 0200
reservations@theivymarketgrill.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Magna Pars Suites Milano

Imaginem o que é ficar hospedado numa antiga fábrica de perfumes, em que as essências de variadíssimos aromas nos preenchem o olfacto e nos transportam para locais tão distintos quanto comuns…

Assim é uma estadia no elegante e contemporâneo Magna Pars Suite na cidade da moda, Milão.

Aberto desde 2013, este Small Luxury Hotel of the World é o primeiro hotel do mundo dedicado ao perfume, ou não tivesse ele nascido sob uma antiga fábrica de perfumes. À sua estrutura foi adicionado o glamour típico da cidade da moda, numa zona próxima do distrito financeiro e cultural mas com o ambiente dum verdadeiro refúgio, na Via Forcella, a apenas alguns minutos da estação de comboio Porta Genova.

Primeira Impressão
Efetivamente as primeiras impressões são tudo, e a do Magna Pars Suites não desilude em nada! O edifício causa um impacto sem igual nas nossas mentes com um design totalmente diferente daquilo que se espera dum hotel de luxo. Percebe-se perfeitamente a herança industrial da antiga fábrica de perfume.


Até chegarmos à receção vamos percebendo os diferentes espaços de convívio, e a presença constante da natureza com o seu exuberante jardim central.

Percebemos que estamos num hotel que nos conta uma história, uma história de fragrâncias que se espalham e se mesclam por todo o ambiente.

Mas se o nosso olfato não for assim tão astuto, mal entramos no lobby temos acesso a diferentes secções com vários aromas suscetíveis de prova.

A receção propriamente dita é pequena, mas serve bem o efeito, porque o importante aqui é todo o espaço envolvente do hotel. Nesta temos biscoitos, sumos e água para descontrair enquanto fazemos o check in.

O funcionário que nos recebe é simpático e sem pretensiosismos, e descreve-nos um pouco a história da fábrica/hotel, explicando-nos que este se encontra dividido em três zonas distintas: Flores, Frutos, Madeira, personificados pelas diferentes fragrâncias que se fazem sentir.

O check in é feito após esta agradável conversa e somos encaminhados ao nosso quarto, ou deverei dizer loft?!

Quartos
Contam-se 39 suites, e são verdadeiros lofts, com uma decoração contemporânea e peças de arte capazes de agradar ao mais exigente dos hóspedes.

O mobiliário foi desenhado por fabricantes da região da Lombardia e cada suite está decorada com domínio do branco, acompanhado de cores sóbrias, tecidos refinados, sofás e cadeiras de couro, mesas de vidro e pinturas inspiradas nos elementos olfativos.

Ficamos numa Prestige Suite com os seus generosos 65m2, e o que mais me chamou a atenção além de todo o luxo, foi a luz que se fazia notar por todo o quarto. Com janelas a substituir as habituais paredes e totalmente controlado por domótica, todo o quarto era invadido por uma luz intensa e que nos mostrava também o belíssimo jardim interior, e toda a estrutura do hotel, assim como os outros quartos (ainda tivemos direito a uma sessão fotográfica, no quarto em frente, bem animada, digamos!!!).


Cada quarto é presenteado com uma nota olfativa – floral, frutada ou de madeira, o nosso era o Cedro, que se fazia sentir pelo quarto duma forma subtil e harmoniosa.

A localização das suites é, também, baseada na altura da árvore que representam.
Efetivamente foi tudo pensado ao pormenor!
Nota alta, igualmente, para o prosecco e fruta que nos deram as boas-vindas.

Restaurantes/Bares
O hotel conta com dois espaços, o DA NOI IN e o Liquidambar.
O primeiro é um restaurante e o segundo o bar do hotel.


O DA NOI IN, caracterizado por uma cozinha moderna e criativa com recurso a produtos e ingredientes de qualidade, é inspirado nas genuínas receitas italianas, e está nas mãos do chefe Fulvio Siccardi.

Aqui os comensais podem esperar um ambiente de hospitalidade, glamour e elegância que caracteriza todo o hotel. Está aberto não só para os hóspedes mas também para todo o público.

Serve almoço e jantar, mas também nos presenteia com um maravilhoso pequeno-almoço.

Quanto ao Liquidambar é o local mais cosmopolita do hotel. Abre-se para o jardim interior numa combinação perfeita entre a arte e a natureza, e consegue criar um ambiente sem igual.

Com cocktails, petiscos e vinhos faz as delícias de todos.
Aqui é também possível agendar festas privadas.

Serviços
O hotel possui todos os serviços típicos dum hotel de luxo, desde serviço de quartos, lavandaria, wifi, parque de estacionamento, entre outros.

Um dos serviços que torna o Magna Pars Suites único é o facto de ser o local perfeito para eventos, com um total de quatro salas para esse efeito, e um catering organizado pelo restaurante DA NOI IN.

Assim, O Magna Pars Event Space, inaugurado em 1991, está localizado no piso térreo do antigo edifício da fábrica de perfumes do início do século XX.

Graças ao Magna Pars Suites Milano foi renovado e elegantemente estruturado, reinterpretando as características originais do edifício pós industrial e transformando-o num estilo contemporâneo.


O hotel possui ainda um espaço dedicado ao bem estar, com ginásio devidamente equipado, salas de tratamento e relaxamento em sintonia com o jardim exterior.


Um dos ex libris do hotel é o seu Roof Deck, um terraço com 300m2 preparado para um evento social, mas também para uma conferência.

Dois dos meus locais preferidos foram o Lybrary Hall & Balcony Hall e o Jardim. O primeiro com sofás confortáveis e onde a madeira é rainha permite-nos momentos perfeitos de ócio com um bom livro como companheiro, o segundo garante-nos uma comunhão única com a natureza.


O hotel tem uma zona ímpar que serve de mote a toda a história do hotel, o LabSolue, ou seja, o Laboratório onde se criam as fragrâncias que sentimos ao longo de toda a nossa estadia.

A arquitetura do espaço reflete um lado criativo e com herança ao mesmo tempo. Este espaço mostra-nos o passado do Magna Pars Suites repleto de emoções e prestígio.

Um elegante armário de madeira rouba a nossa atenção, e nele podemos ver o antigo laboratório farmacêutico da Marvin, a histórica marca de cosméticos estabelecida por Vicenzo Martone.

Neste local, hóspedes e também turistas curiosos (o laboratório está próximo à rua e é todo em vidro) podem apreciar as 39 essências selecionadas para o hotel.


Há também neste espaço uma pequena biblioteca privada com obras de arte da perfumaria e literatura sobre perfume.

É também possível adquirir as fragrâncias do hotel.
Sem dúvida um local diferente com uma combinação perfeita entre elegância e história.

Atendimento
No Magna Pars Suites temos a sensação que estamos na nossa casa, pois circulamos por todo o hotel livremente quase sem darmos pelos funcionários. Há sempre um simpático funcionário na receção, mas ao longo do hotel não nos cruzamos com mais ninguém, a não ser durante as refeições.

Isto até poderá ser um ponto negativo para alguns hóspedes, mas tendo em conta o ambiente cosmopolita e descontraído do hotel até achei interessante.

O Magna Pars Suites foi uma agradável surpresa na cidade de Milão, um hotel único, com uma atmosfera que tem tanto de herança como de contemporaneidade. Um local que nos encanta pelo olfato e nos deslumbra pela decoração.

Tenho que vos confessar que morava naquele Loft que eles insistem em chamar de quarto!

Arriverdeci Milano!

Magna Pars Suites
Quartos a partir de 234€
Via Forcella ,6 – Milão
+39 02 833 837 99
Info@magnapars.it

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Magna Pars Suites a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

 

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