Mugasa

É impossível negar que vivemos dias estimulantes no que diz respeito à nova gastronomia Portuguesa, novos chefs cheios de mundo, técnicas e garra, restaurantes estimulantes e produtores cada vez mais especializados. No entanto quantas mais vezes sou estimulado e desafiado pela criatividade e ousadia desses mesmos chefs, mais procuro contrabalançar esse lado com uma cozinha simples, autêntica e, acima de tudo, baseada no produto.

Ao contrário de muitos outros países, nomeadamente a nossa vizinha Espanha, os Portugueses, durante anos, pouco ou nada se têm preocupado em conhecer e enaltecer os seus produtos, ou restaurantes especializados “nisto ou naquilo”. Tudo isto com uma excepção, o célebre Leitão à Bairrada – quem nunca percorreu centenas de kms em romarias de amigos e família, para se deslocarem à Estrada Nacional Nº1 que atravessa a Mealhada e por lá se deliciarem com um dos mais célebres pratos do receituário nacional?

É um prato mítico do país e juntamente com o vinho o maior ex-libris de uma região inteira. No entanto, há restaurantes e restaurantes, leitões e leitões e há também espaços emblemáticos que fogem à morada habitual.

Um desses espaços situa-se na pequena localidade de Fogueira em Sangalhos, o Mugasa, aberto há mais de 40 anos por Álvaro e Helena Nogueira, foi-se tornando famoso pelos seus vários pratos à base de leitão e, claro, a chanfana, que apesar de perder na fama para o afamado bacorinho é um dos pratos mais antigos da região. Hoje, ao comando dos fornos está Ricardo Nogueira, nascido e criado entre a cozinha e os fornos a lenha, tem melhorado a técnica e a selecção do produto para levar até à mesa o melhor leitão possível – uma espécie de Victor Arguinzoniz do Leitão.

Mas, passemos à mesa, já instalados na confortável e recentemente renovada sala, a escolha era óbvia, e foi-se seguindo a bom ritmo, começando com o sempre saboroso pão da região.

Iscas de Leitão
De entrada vamos provado outras partes do leitão, como estas iscas de cebolada. Delicadas e de sabor menos intenso que as do seu “irmão mais pesado”. Ótimas no tempero, embora deva confessar que prefiro uma textura diferente no fígado, mais mal passado e consequentemente um pouco menos seco na boca.

Cabidela de Leitão
Preparada com mestria esta falsa cabidela (não leva sangue), bem merece uma viagem ao Mugasa só por si! Um conjunto de miudezas do leitão, bem estufadas e apuradas que depois é finalizada no forno a lenha por baixo do Leitão, absorvendo todos os sucos que este vai libertando durante a assadura. Delicioso!

Leitão à Bairrada
Por aqui os segredos são vários, mas nem por isso são escondidos de quem visita o Mugasa, primeiro, o Leitão – só se usam leitões pequenos, dificilmente os haverá com mais de 4,2kg e que foram criados no campo em vez da pocilga, de forma a desenvolverem uma melhor fusão entre a musculatura e a gordura. Depois, claro, a assadura, a lenha de vide, e os cuidados de quem faz disto vida. Por fim, e não menos importante, o corte, a técnica de Ricardo Nogueira é bonita de se ver (é sempre um momento alto quando se pode assistir ao corte do leitão na sala) e melhor ainda de se comer, com todos os pedaços com um tamanho pequeno e  a pele a estalar com um fantástico vibrato. Da prova não há muito a dizer – sabor, textura, untuosidade, suculência, tudo está perfeito!

Pudim de Coco
Na falta do fantástico Pudim Abade de Priscos do Miguel Oliveira (já tinha terminado), provou-se um bem competente pudim de coco, com duas camadas, doçura equilibrada (que é normalmente o problema destas sobremesas), e de boa textura e sabor, revelou-se uma agradável surpresa.

Provou-se ainda a aletria, dura e seca como é tradição na zona, não deixou memória a quem está habituado a uma aletria, rica e cremosa.

A carta de vinhos é outro dos grandes motivos para visitar o Mugasa, primeiro pela quantidade e variedade de espumantes nacionais, como seria de esperar maioritariamente bairradinos, em segundo pela relação qualidade/preço imbatível, com vinhos muitas vezes mais baratos que o preço em garrafeira. Uma perdição para qualquer enófilo!

No nosso caso acompanhou-se a refeição com espumante Vinha Formal 2010 de Luís Pato. Um vinho que está a passar por uma lindíssima fase de prova.

Considerações Finais
Infelizmente e durante muitos anos a cozinha de produto em Portugal perdeu o seu lugar para produtos competitivamente mais baratos e de menor qualidade, algo bem diferente do que vem acontecendo com a nossa vizinha Espanha. Felizmente, com a cada vez maior consciencialização dos comensais e a melhoria dos produtores e de novos projectos, começamos a ver um novo rumo, novos chefs, novos produtores e novos clientes que se preocupam mais com a qualidade do que comem do que com o aparato e beleza com que o prato chega à mesa.

Pois bem, este Mugasa é isso mesmo, um dos nossos Templos do Produto, e o Ricardo Nogueira é hoje o grande rosto por trás do futuro desta iguaria, ainda por cima a simpatia e paixão com que fala do seu trabalho não deixam ninguém indiferente. São exemplos destes que Portugal precisa para colocar a nossa gastronomia no mapa.

Leitões? Leitões há muitos mas o do Mugasa é único!

Mugasa
Preço Médio: 25€ por pessoa sem vinhos
Largo da Feira, Fogueira – Anadia
+351 234 741 061

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Prado


O Prado foi durante algum tempo a abertura mais aguardada do panorama gastronómico Lisboeta. Desde a sua abertura, no final de 2017, tem sido um caso de sucesso, onde, do mais conservador gastrónomo ao mais cosmopolita viajante todos se têm rendido à cozinha de António Galapito.

Lembro-me de conhecer o Galapito entre a cozinha e grelha do Mercado (ver), onde comandava o leme do espaço casual e português de Nuno Mendes. Um espaço onde os sabores e os ingredientes portugueses ganhavam outras formas e técnicas e sobre o qual me lembro também de escrever que era um restaurante que, por vários motivos, fazia falta a Portugal!

Pois bem, quis o destino que o Galapito regressasse a casa, cheio de mundo, ideias e sonhos, muito próprios de um jovem cozinheiro de 27 anos e uma convicção e um caminho traçados que poucos ousariam percorrer.

Instalado no piso inferior do Lisboans (um refinado e bem recuperado alojamento local), o Prado trouxe a Lisboa um outro lado cosmopolita, um lado aparentemente mais simples, mais preocupado com a natureza, a sustentabilidade e a origem das coisas, numa altura em que grande parte das aberturas se focavam na espetacularidade e no luxo. Pegando em Londres para fazer uma analogia, digamos que a maioria das aberturas Lisboetas queriam um pouco de Mayfair e o Galapito trouxe um pouco de Shoreditch e East London até Lisboa.

O espaço passa bem a ideia de “farm to table” e de um certo lado pós era industrial, muito comum nos países nórdicos. Amplo, bem iluminado, com uma traça muito própria e bem lisboeta, o resultado é um espaço acolhedor e bem conseguido.

Da cozinha esperam-se pratos centrados nos produtos portugueses, trabalhados com rigor e contenção, aliados a uma criatividade e a uma linha muito próprias. Uma refeição onde não se espera um menu e um circuito fixo de entrada, prato e sobremesa, a ideia é provar o máximo de pratos, partilhar e ir escrutinando ao máximo o sabor dos produtos que nos são familiares mas trabalhados por quem não tem falta de ousadia e criatividade.

Pão de trigo barbela (Gleba)
Manteiga fresca de cabra, sal fumado e alface do mar
Gordura de porco batida, alho e louro
E começamos “muito mal”, com um excelente pão da gleba à base de um dos mais antigos e saborosos trigos produzidos em Trás-os-Montes (hoje quase extinto e revitalizado graças a esta nova geração de padeiros e cozinheiros). Um pão rico e saboroso com uma crosta pecaminosa que nos faz mergulhar na manteiga e na gordura como animais famintos. Um grande início, que acabaríamos por ir repetindo ao longo de toda a refeição – mas alguém resiste a um bom pão quente?

Tártaro de Arouquesa e couve galega grelhada
Carne repleta de sabor, sem exageros de tempero ou de elementos, contando com cogumelos shitake e uma gema curada para intensificar a riqueza e o umami, servida numa espécie de Taco de couve galega em que a grelha lhe dá uma tosta que a desidrata e lhe intensifica o sabor. Um pouco mais tostada e seria um tiro ao lado, assim conseguiu-se um belo momento de sabor e textura.

Lula, alho francês e tinta
O que o próprio nome indica é o que nos é colocado à frente, o mar dos Açores em tiras de lula magistralmente preparadas, um caldo intensificado pela tinta da própria lula e a textura crocante do alho francês. Contenção e sabor, num grande prato que mostra bem o que é a cozinha do Prado.

Tosta de Toucinho fumado, maçã florina e poejos
Bom pão com coisas igualmente boas é sempre um momento de prazer, mais ainda quando o pão volta a ser o da Gleba, e é coberto por finas fatias de um rico e muito bem trabalhado toucinho, maçã florina (outro produto quase desaparecido), que lhe traz alguma textura e doçura, e o pejo cujas notas mentoladas refrescam todo conjunto e elevam as notas gordas da tosta. Fossem todas as sandes do país como esta tosta…

 Acém de Arouquesa, alface fermentada e manteiga tostada
À semelhança da carne do tártaro, este acém estava cheio de sabor, cozinhado irrepreensivelmente e elevado pela riqueza de aromas e sabores da alface fermentada, a cebola e o molho com a manteiga tostada, onde era impossível não acabar com o pão a servir de esponja. Delicioso!

Gelado de cogumelos, cevada, dulse e caramelo
O nome deixa-nos primeiramente apreensivos, mas lembrando um fantástico gelado de cogumelos que já havia provado numa viagem à Turquia, a escolha final teria de ser esta. E em bom tempo o foi, de aspecto e composição que nos remete para um sundae, o gelado de cogumelos estava afinado na perfeição, com a doçura no ponto e uma certa salinidade que o elevava. Ótimos também os restantes elementos, com o caramelo e a cevada a trazerem o molho e a doçura que envolve o prato, e a alga dulse a trazer mais notas de frescura. Não haverá na cidade sundae que se lhe compare…

Além do talento e dos ideais o jovem Galapito sabe também rodear-se de grandes talentos, e não estou a falar necessariamente da cozinha, os produtos que apresenta no restaurante só podem sair das mãos de agricultores e produtores talentosos e cheios de paixão, o pão do Diogo Amorim (Gleba) e, claro, os cocktails da raposa silvestre que é como diz Constança Cordeiro (que acaba de abrir a sua Toca da Raposa, o novo bar da cidade). Cocktails esses que seguem a mesma base criativa da cozinha, onde sabores e ingredientes portugueses se tornam a base da mixologia. Um bom exemplo disso foi o excelente “Prado Collins” que provamos, com vodka e uma bem sacada combinação de erva doce e tangerina.

A carta de vinhos segue pelos caminhos da intervenção mínima e dos vinhos naturais, com várias opções nacionais e internacionais, que podem agradar ao enófilo mais conservador e fazer as delícias de qualquer hipster. No nosso caso provou-se um cumpridor Rufia Branco de 2016, produzido por João Tavares de Pina na Quinta da Boavista, no Dão.

Considerações Finais
É uma nova vaga de cozinheiros, de produtores e até mesmo de clientes, que está a redefinir a nova cozinha portuguesa, uma cozinha assente numa fantástica matéria prima, nas raízes e sabores mas também na leveza, na técnica e nas apresentações que o mundo foi dando a essas pessoas. Esse é um dos méritos de Galapito, até porque a cozinha portuguesa está nos seus ingredientes, e esses no Prado são respeitados como em muito poucos sítios. Além disso, junta-se um outro argumento de peso, numa balança já de si repleta de elementos positivos – a relação custo/benefício é uma das mais interessantes de uma Lisboa cada vez mais dispendiosa.

É um restaurante que fazia falta a Lisboa e que desbrava caminho, para muitos outros jovens talentos que vêem aqui um exemplo de que fazer “bom e bem é possível” neste cantinho da Europa. Para juntar à muita tinta já percorrida e a todos os comentários da Internet, o Prado acaba de ser eleito pela Condé Nast Traveller para a lista dos melhores novos restaurantes do mundo em 2018.

E não é que o foi com todo o mérito?!

Prado
Preço Médio: 35€ por pessoa sem vinhos
Travessa das Pedras Negras, 2 – Lisboa
+351 210 534 649

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Almeja

Nos últimos anos com o desenvolvimento do turismo o Porto tem sofrido, para o bem e para o mal, um mar de mudanças. Da agitação do imobiliário, aos novos hotéis, novas estradas e, claro, muitos, muitos restaurantes. Restaurantes bons, cozinheiros jovens e talentosos, boas decorações e até alguns projectos arrojados que dificilmente imaginaríamos poderem resultar na cidade. Mas, claro, a esses juntam-se dezenas de maus conceitos, maus empresários e muitos espaços que não conseguiram vingar por este ou aquele motivo.

Esse insucesso ou a simples aceitação do fracasso não estavam nos ideais de João Cura e Sofia Gomes quando decidiram abrir o seu primeiro restaurante, onde o nome, “Almeja” deixava já antever uma vontade de singrar e um desejo enorme de deixar a sua marca…

Pois bem, a verdade é que esse sucesso chegou, talvez até mais rápido do que esperavam, tal é a receptividade e as muitas e boas críticas que o Almeja e a cozinha de João Cura têm recebido. João é ainda um jovem cozinheiro, daqueles que abandonam uma formação universitária para, por desejo e vocação, se instalarem em frente aos fogões.  Da escola de hotelaria de Coimbra seguiu para Barcelona, onde trabalhou nos estrelados Dos Cielos e Cinc Sentits e no célebre restaurante vínico Monvínic, criou um projecto de “chef em casa” e o resto é o presente que está a desenhar no nº819 da Rua Fernandes Tomás.

Com um conceito de “Casual Fine Dining” o Almeja pretende aliar a cozinha de autor à informalidade e a uma boa relação de custo/benefício. A decoração revela isso mesmo, simples mas com bom gosto, a manter a traça da antiga mercearia “Japonesa”, que ali havia existido.

Croquetes

Já instalados a experiência começa mesmo em jeito de fine dining, com os snacks a chegarem rapidamente à mesa, 1º um croquete, panado com panko, bem crocante por fora e de interior cremoso, como manda a regra, mas que poderia ter menos óleo e um pouco mais de sabor. Seguiu-se uma ótima madalena com chouriço e gel de maçã, que se viessem em packs de 6 não seria mal pensado – muito boas!

 Madalenas de Chouriço, com gel de maçã

Segue-se o momento do pão, um sourdough feito na casa, com bom aroma e textura a ser muito bem acompanhado por uma manteiga com crocante de leite e flor de sal e um ótimo azeite Angélica.

 Tosta, cabeça de xara, escabeche e maçã
A apresentação transporta-nos para a pastelaria francesa, mas não nos deixemos levar pelo apurado sentido estético do prato, o que aqui está é uma boa tradição portuguesa. Cabeça de xara muito bem preparada, levada pela combinação com o toque ácido do escabeche. Um prato muito bom, no qual senti apenas falta de um elemento mais crocante, uma vez que a tosta e a maçã não apresentavam tanto essa textura.

 Cogumelos, tupinambo e limão
Um dos melhores momentos da noite foi este “simples” prato de cogumelos silvestres, com um aveludado puré de tupinambo e um molho de limão, cuja frescura contrastou com as notas de terra dos restantes elementos e elevou o prato a um belíssimo nível.

Canja de Galinha
Um prato de conforto de uma noite fria, que era simultaneamente uma reintrepretação da nossa célebre canja de galinha. Um bom consommé, ovo a baixa temperatura com a gema no ponto e a massa a ser substituída por uns pequenos raviolis. O toque de alho francês serviu para dar mais sabor ao prato.

Arroz do Mondego
A “cozinha portuguesa” de João Cura não passa apenas pela reinterpretação de receitas clássicas, mas também pela tentativa de apresentar produtos e produtores vincadamente nacionais e que poucos conhecem, um bom exemplo disso é a sua homenagem ao Arroz do Mondego. Onde utiliza provavelmente o melhor arroz nacional “Arroz da Ereira”, para criar um grande, grande prato! Arroz, berbigão, lingueirão e lula, tudo no ponto certo e enriquecidos pela intensidade e salinidade da salicórnia e do plâncton. Um grande prato!

Barriga de Porco
Barriga de porco irrepreensível, suculenta e de pele crocante, bem acompanhada pela couve pak-choi e uns divertidos soufflées de batata em forma de porco que devem dar mais trabalho que todo o restante prato junto! Muito interessante também a marmelada de demi glacé que elevava todo o conjunto.

 Manga, coco e lima 
Uma sobremesa leve e fresca, como gosto, mas que se perdeu no excesso de texturas entre o cremoso e o gelatinoso.

Banoffee, banana, amendoim e chocolate branco
A última sobremesa repôs o nível dos pratos anteriores, aqui sim com uma boa combinação de texturas, do bolo ao gel e aos purés, passando pelo crocante e o excelente chocolate branco caramelizado. Um ótimo e guloso final!

Nos vinhos optou-se por um Riesling Duriense, 2015, de Marcos Hehn. Um vinho elegante, que denota bem a casta e cuja acidez e elegância funcionou muito bem ao longo da refeição. Sobre a carta de vinhos, assenta maioritariamente em pequenos produtores nacionais, onde tudo é bom mas também demasiado “certinho”. Um pouco mais de arrojo nas escolhas, à semelhança daquilo que se apresenta no prato, é o que se pede para o futuro.

Sobre o serviço esperava uma pouco mais de “casual” e menos de fine dining, da louça lindíssima à luva branca ou os pequenos detalhes de serviço tudo se aproximou mais do refinamento de um restaurante de topo do que dos seus congéneres mais informais. Também aqui o Almeja, desejou mais e melhor, o que se revelou uma agradável surpresa, especialmente por poderem mostrar um serviço diferenciado a um público mais alargado.

Considerações Finais
Em menos de um ano o jovem João Cura fez deste Almeja um dos projectos mais interessantes da cidade, bons produtos, boa técnica, um apurado sentido estético e preços honestos (algo cada vez mais raro). Além da carta, o Almeja pode ser descoberto através de um menu de Degustação (55€) ou provado num interessantíssimo menu de almoço (15€), onde se vão fazendo alguns testes para novas cartas. A cozinha é portuguesa com algumas e óbvias influências da passagem do chef por Espanha. Demonstra conhecimento mas com uma capacidade de restrição que normalmente é raro encontrar em cozinheiros ainda jovens, que naturalmente tentam mostrar mais e mais, acabando por errar.

Se Almejar é desejar ou querer muito, este Almeja sonhou, desejou e conseguiu tornar-se num porto de abrigo neste cada vez mais competitivo Porto gastronómico. Pelo que só nos resta acompanhar o trabalho deste jovem talentoso e da sua equipa, porque o futuro, esse, são eles que o traçam…

Almeja
Preço Médio: 30/35€ por pessoa sem vinhos
Rua Fernandes Tomás,819 – Porto
22038120

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Fotos: Flavors & Senses

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Restaurante Brasão – Felgueiras

Muitas vezes ouvimos que “a tradição já não é o que era”, que este ou aquele sítio mudaram, que “antigamente é que era bom”. Infelizmente são várias as vezes que essas expressões se revelam verdadeiras, mas volta e meia há aqueles que mudam para melhor, para se recriarem, estimularem e para simplesmente nos continuarem a satisfazer e surpreender.

Um bom exemplo disso é António Carvalho, que ao longo de mais de 40 anos tem dado vida à gastronomia regional de Felgueiras. Tornou épico o Santa Quitéria, passou pelo Algarve e assentou no seu original Brasão, onde continua a experimentar e apreender como qualquer jovem talento da cozinha.

O caminho é fácil, e rapidamente chegamos do Porto à estrada de Refontoura, onde irá aparecer um grande placard com a foto do chef a garantir que chegamos ao sítio certo.

No interior do restaurante lá está António Carvalho, dividido entre a cozinha e a sala, por onde vai espalhando sugestões e encantos de quem sabe o que se pretende de um bom cicerone. E começamos bem, com um bom e variado cesto de pão e uma tábua de queijos e enchidos com “presunto de lavrador”, este último um pouco dominado pelo sal.

Seguiram-se umas pataniscas bem trabalhadas e a primeira surpresa, um salmão fumado na casa, que certamente ninguém espera encontrar num restaurante de cozinha tradicional portuguesa. Diz o chef que aprendeu a trabalhar o salmão nas suas viagens ao Brasil, e que bem lhe fizeram essas viagens…

Salmão de cura caseira 

 Sopa de Garoupa
Se há sopa que tenha marcado no último ano, foi esta sopa de garoupa que reune tudo aquilo que a nossa cozinha tradicional deve ser, bons produtos, pouco trabalhados, substância, frescura e muito, muito sabor! Os generosos pedaços de peixe juntamente com o ovo escalfado, o tomate, os pimentos e a massa, tornam um prato aparentemente simples numa genuína interpretação da nossa tradição.

Vale a pena uma visita ao Brasão nem que seja apenas para provar esta sopa!

Polvo Assado no Forno
Molusco de bom porte, primorosamente cozinhado com a textura revelar-se perfeita. Rico e untuoso como qualquer bom assado deve ser!

 Carne na brasa com arroz de Fumeiro 
O que me pareceu ser uma boa vazia de vaca, grelhada com exactidão, mostrou que também as carnes são trabalhadas e selecionadas de forma especial. Mas o melhor foi mesmo o arroz de fumeiro, rico e saboroso, com legumes e feijão a tornarem-no quase num prato completo. Muito bom!

Torta de Laranja
Uma boa torta de laranja é sempre difícil de encontrar, ora não tem a textura certa, ora é demasiado doce, e poucas (ou nenhumas) chegam perto da receita da mãe, que sempre foi marcando o meu palato e deixando o patamar alto. Pois bem, aqui a torta está lá perto, bem executada e sem excessos, com sabor ainda fresco. Um final com alguma frescura depois de uma já longa e pesada refeição.

Mas haveria tempo para finalizar a refeição com um pequeno Queque de Cenoura e Pinhão, feito na hora, húmido, quente e cheio de sabor, que se revelou a escolha para as visitas seguintes.

Queque de Cenoura e Pinhão

A carta de vinhos é outro dos pontos altos deste Brasão, com muitas e boas opções de todas as regiões do País, com destaque para os Vinhos Verdes e o Douro. Para esta refeição optou-se por um sempre fantástico Alvarinho da Quinta de Santiago.

O serviço decorreu de forma correcta, com a mise en scène de sala a ser bem trabalhada e a revelar muito mais cuidado do que aquele que habitualmente encontramos num restaurante de cunho tradicional.

Considerações Finais
Uma refeição imaculada, como, aliás, têm sido todas as nossas visitas ao reino do Sr. Carvalho. Um mestre, para o qual a reforma ainda parece algo muito longínquo, tal é o brio e encanto com que enfrenta cada serviço.

A cozinha do Brasão mostra bem o que pretendemos da nossa cozinha, bons produtos e muito, muito sabor. Por falar em sabor, à quarta-feira (ou por encomenda) serve-se aqui uma Costela de Boi cozinhada inteira, e no bafo, por 8h, que é de chorar por mais, e que aliada à sopa de garoupa, promete criar uma refeição difícil de esquecer.

Infelizmente, e em especial nas grandes cidades, são cada vez menos os grandes restaurantes de cozinha tradicional, pelo que são pessoas e espaços como o Sr. Carvalho e o seu Brasão que nos fazem acreditar que vale a pena cada viagem e cada km para nos deliciarmos com os encantos e a sabedoria de quem dedica a vida aos sabores únicos e autênticos da verdadeira cozinha tradicional portuguesa!

Restaurante Brasão
Preço Médio: 20€ por pessoa sem vinhos
Rua da Liberdade, 4082, Refontoura – Felgueiras
255336118

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Fotos: Flavors & Senses

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Lausanne Palace

A imponência dum palácio da Belle Epoque, a singularidade duma vista privilegiada, e o expoente máximo na arte de receber fazem do Lausanne Palace um dos melhores hotéis da Suíça.

Situado bem no coração da cidade de Lausanne, com o cunho do The Leading Hotels of the World, o Lausanne Palace foi das melhores experiências que já tive num hotel.


Um palácio que testemunhou a beleza e boémia dos anos 20, manteve, desde junho de 1915, sempre a mesma premissa – a hospitalidade Suíça, com a felicidade e o conforto dos seus hóspedes como objetivo primordial.

Desde final de 2016 com Ivan Rivier no comando, o Lausanne Palace representa na perfeição o sucesso da hotelaria de luxo, em que o Savoir-être e o Savoir-faire são os grandes pilares da hospitalidade.

Chegamos ao hotel depois de uma bela viagem de comboio desde Lucerna (ver),  e como a estação central ficava a menos de 500m do hotel fizemos esse percurso a pé.

Primeira impressão

Mal chegamos ao hotel e olhamos a sua fachada, conseguimos recuar no tempo e imaginar-nos como parte integrante de uma qualquer história cheia de glamour da Belle Epoque. As varandas cobertas com um toldo vermelho dão-lhe uma elegância típica dos palácios parisienses.

O hotel está rodeado quer pela cidade quer pelo lago de Genebra e os Alpes.

Entramos e fomos logo recebidos com o tão delicado “Bonjour Madamme”!


O lobby é enorme e à nossa frente apresenta-se logo um dos bares do hotel, repleto de hóspedes na sua combinação típica de relaxamento e azáfama.


Estamos perante o Bar 1915, num ambiente que consegue ser intimista mesmo estando num espaço totalmente aberto. Encontra-se elegantemente rodeado de flores, e decorado com cores sóbrias que lhe conferem uma atmosfera de conforto.


Dá vontade de o experimentar mesmo antes de fazer o check in!
Fomos encaminhados à receção, à nossa esquerda, e recebidos pela equipa que tratou do nesse check in sem demoras.

A receção em mármore com tetos altos, candeeiros em cristal e colunas neo clássicas segue a mesma imponência presente na fachada do hotel.

Quartos
Contam-se 140, incluindo 30 Suites e Junior Suites.
Ficamos numa Suite Lake View. De longe, dos melhores quartos onde já estive!


Uns generosos (cerca de) 100m2, distribuídos por uma sala de estar com um ambiente de conforto com cores sóbrias, um quarto elegante, que inspirava relaxamento e luxo, dois quartos de banho, um mais pequeno com duche, e outro maior com banheira, e por fim, mas mais importante, duas varandas com uma das melhores vistas de sempre, o Lago de Genebra e os magnificentes Alpes. Estes últimos, cobertos de neve, numa combinação mágica com o sol que se fazia sentir nesse dia.


Foi aqui que relaxamos parte dessa tarde, com um cenário de sonho, acompanhados com os chocolates, as frutas e o café e chá que tínhamos à disposição no quarto.


A aromatizar a nossa tarde estava um conjunto de rosas vermelhas com uma carta de boas vindas.

A atmosfera que se fazia sentir era perfeita – de conforto, de elegância, e de família, como se aquilo fosse a nossa casa (que bem podia ser!).


Além de internet gratuita, aqui também o conteúdo do minibar é gratuito, com sumos, bebidas não alcoólicas e alguns snacks.

A casa de banho tem os luxuosos produtos da renomada marca inglesa Penhaligon’s.

O quarto é extremamente funcional, e controla-se basicamente tudo a partir da cama.

Relativamente a esta, infelizmente, para mim, apostaram na firmeza do colchão e não na envolvência, como eu tanto gosto!

Nessa noite, ainda chegou ao quarto uma garrafa de Champagne Deutz, alguns snacks e mais uma rosa! E foi nesse momento que tivemos a certeza que não há hospitalidade como a hospitalidade Suíça.


São inigualáveis na arte de receber! (E, felizmente, descobriram a minha perdição por “bolhas”!)

Restaurantes e Bares

Um dos ex libris do hotel, pois contam-se variadíssimos espaços e de qualidade elevada.
O Bar 1915, que já vos falei, é o centro do hotel, onde se encontram hóspedes e locais quer para pequenos almoços diferentes, quer para cocktails ao longo do dia, quer para reuniões de negócios com um cunho mais interessante.
Além deste contam-se mais três bares.


O LP’s Bar, com uma atmosfera muito ao estilo urban-chic.
Basicamente um local, em Lausanne, onde todos vão para ver e ser vistos!

Com uma decoração conjugada entre o moderno e o colonial, está preparado para realizar os nossos desejos desde manhã até de madrugada! O terraço panorâmico enfeitiça quem por lá decide ficar a relaxar.

À noite o bar transforma-se num local boémio onde tudo pode acontecer, com música ao vivo de terça a sábado.


Neste bar há uma sala muito especial, a famosa Sala Krug, um espaço intimista, que conjuga dois dos maiores prazeres que o comum mortal pode alcançar, livros e vinhos – muito particularmente uma selecção dos melhores Champagnes da Krug!


Outro espaço de grande interesse para os apreciadores é o Habana Bar, que como o próprio nome indica, é um espaço para os amantes de tabaco, não um qualquer, mas sim os tão afamados cubanos! Digamos que é um local para gostos bem peculiares!

Com uma decoração que anda entre a elegância da Madeira e o brilho das peles, este bar é um espaço com personalidade.

E para terminarmos os bares, temos um bem diferente dos anteriores, um Vegan Bar, o Yogi Booster, o primeiro restaurante vegetariano e orgânico de Lausanne com uma série de menus com alimentos saudáveis e naturais e uma cozinha desintoxicante.

Esta experiência gastronómica pode ser realizada em conjunto com os tratamentos detox do spa do hotel.

Mas, falemos agora de restaurantes. Contam-se quatro, um deles com estrela Michelin!

Dos quatro espaços a escolha é variada e com opções para vários gostos: o Sushi Zen Palace, um japonês tradicional para os amantes deste tipo de gastronomia; o Côté Jardin, famoso pelo Brunch, com os seus sabores mediterrâneos e que serve todas refeições do dia, onde tivemos oportunidade de tomar um excelente pequeno almoço com os Alpes como cenário; a Brasserie du Gran Chéne, no seu estilo típico parisiense, que nos remonta ao passado com a elegância das Brasseries parisienses e os sabores da grande gastronomia francesa. Um dos ex libris é o seu Bar de Ostras.

E por fim, o aclamado e estrelado La Table D’Edgard, a cargo de Edgard Bovier, uma das principais referências gastronómicas da cidade e da região, que combina a alta cozinha com as mais bonitas vistas da cidade.

Serviços
O Lausanne Palace é um hotel de luxo preparado para satisfazer toda e qualquer necessidade dos seus hóspedes.

Equipado com cinco salas para eventos e comemorações, está preparado para receber centenas de pessoas, sem nunca descurar o serviço de excelência. Mas, se o foco são os negócios, também neste âmbito o hotel esta um passo à frente, com as suas oito salas devidamente equipadas com a mais alta tecnologia para receber dezenas de pessoas.


Se, como eu, o foco é o relaxamento, o CBE Concept Spa é o local perfeito. Constituído por piscina interior aquecida, jacuzzi, duas áreas (feminina e masculina) de banho turco, sauna, e jacuzzi, salas de tratamento, e o melhor ginásio que já vi num hotel.

Nada, mesmo nada, é deixado ao acaso e a sensação de bem estar e plenitude é uma constante neste espaço.

Além destes, o hotel tem todos os serviços típicos dum hotel de luxo, e mais algum que possa ser necessário a algum hóspede mais exigente. Basta contactar o Concierge ou qualquer membro da equipa.

Da minha estadia fica saudade, fica gratidão e fica, essencialmente, deslumbramento. Como pode um hotel centenário ser tão intemporal, ser tão tradicional e ao mesmo tempo tão cosmopolita, ser tão genuíno e tão atento com os seus hóspedes quando tem dimensões de palácio, ser tão autêntico e tão exímio na arte de receber?

Mas sim, um hotel pode ser tudo isto!

E desta estadia levo, acima de tudo, Autenticidade e Hospitalidade.

Até breve Lausanne Palace!

Lausanne Palace
Quartos a partir de 270€
Rue du Grand-Chêne 7 – Lausanne
+41 21 331 31 31
info@lausanne-palace.ch

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 Fotos: Flavors & Senses

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Adegga Winemarket Porto 2018

O Adegga Winemarket Porto 2018 vai decorrer já no próximo dia 5 de Maio no Hotel Porto Palácio.

“O Adegga WineMarket Porto é mais do que vinho.
É sobre quem encontramos, as gargalhadas que soltamos, o tempo que passamos a sorrir.
É emoção e alegria. Somos nós, são vocês.
São as pessoas.”

 É desta forma que um dos mais interessantes projectos de divulgação do vinho nacional se apresenta, pelo que o nosso Blog não poderia, há semelhança dos anos anteriores, deixar de apoiar esta nova edição daquele que é um dos eventos vínicos mais interessantes do panorama nacional (Ver).

E porque para o Adegga a inovação está nos genes do evento e dos seus organizadores, a edição de 2018 junta várias novidades, sendo a mais especial a introdução da gastronomia através da Mesa do Chef, onde alguns produtores se aliam a chefs para preparar um petisco especialmente concebido para harmonizar com um vinho.

Para mais informações ou aquisição de bilhetes : Adegga

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Lucerna

Localizada na Suíça Central, o centro geográfico e histórico do país, Lucerna é uma daquelas cidades que poderia facilmente ter sido idealizada para um verdadeiro conto de fadas.

É a maior cidade da Suíça Central e situa-se na margem oeste do Lago homónimo.
Tem as suas origens numa aldeia piscatória, mas desde 1220 que protagoniza um papel importante a nível económico e comercial com a abertura do Desfiladeiro de Gotthard.

A religião predominante é o Catolicismo, marcada pela sua história na liderança da resistência católica durante o período da Reforma. Atualmente, e já desde o século XIX, que o turismo se tornou na sua principal atividade económica.

Um dos muitos motivos que leva milhões de turistas a Lucerna é o Festival de Música Clássica.
Lucerna é uma daquelas cidades que se percorre facilmente a pé, podendo quase explorar-se toda a cidade em apenas um dia. Dois dias bem aproveitados são o suficiente, três a quatro dias se quiserem explorar outras pequenas cidades à volta do Lago de Lucerna.

Para se situarem, a cidade é dividida em norte e sul pelo Rio Reuss.

Na margem norte fica a Cidade Velha medieval, e na margem sul a estação de comboios, por onde provavelmente irão chegar a Lucerna.

Focando-nos neste último ponto, como chegar a Lucerna?
Voar para Zurique e depois ir de comboio até Lucerna. Este será o caminho mais simples e rápido.

As viagens de comboio deverão ser compradas com alguma antecedência (ver), e prepararem-se porque são bem caras!

Para os que pretendem visitar várias cidades suíças, uma das opções é voar para Zurique ou Genebra (depende por onde se quer iniciar a viagem) e alugar carro, ou moverem-se de comboio.

O que fazer em Lucerne?
Há locais imperdíveis em Lucerna e, quer queiramos quer não, vamos ter sempre que aceitar que vai haver turistas espalhados por esses locais ditos ex-libris. Afinal, nós somos o quê? Turistas também! Não vale a pena lutar contra isso! Explorar locais menos comuns, menos visitados, sim! Mas os mais visitados tem que ser explorados na mesma, ou não seriam eles “os mais visitados”! Certo?

A visitar

Na margem Sul

Mesmo ao lado da estação de comboios ergue-se um imponente edifício moderno todo em vidro. Estão perante o KKL ou Kultur-und Kongresszentrum Luzern, que é como quem diz, Centro de Congressos e Cultura de Lucerna.

Aqui podem encontrar, além de salas de conferências e espetáculos, o Kunstmuseum com pinturas suíças desde o século XVIII ao século XX, assim como exposições temporárias que vão variando.

A cerca de 400m para a esquerda (virados para o Rio Reuss) e se quiserem manter o ambiente de Arte, encontram a Coleção Rosengart, onde, entre as muitas obras reunidas pelos negociantes de arte Siegfried e a sua filha, tem também obras de Picasso, Cézanne e Monet.

Mas deixemo-nos de museus e vamos descobrir outro tipo de arte, num estilo muito específico, a arte sacra.

Igreja Jesuíta de São Francisco Xavier

Ainda a sul do rio, temos dois símbolos da religião, a Igreja Jesuíta de São Francisco Xavier, do século XVII, cujas imponentes cúpulas bulbosas só foram construídas já no século XIX. O interior é barroco e no teto pode observar-se a apoteose de São Francisco Xavier.

Muito próximo encontra-se a Franziskanerkirche, uma igreja franciscana mais antiga, já do século XIII, construída inicialmente em estilo gótico mas alterada ao longo dos séculos para pormenores barrocos e renascentistas.

Ainda do lado sul encontram o Museu de História de Lucerna num edifício renascentista, onde se localizou em tempos o antigo arsenal, e onde podem encontrar toda a história da cidade. Adjacente a este edifício têm uma opção ótima para quem viaja em família e com crianças, o Museu de História Natural com destaque para a Zoologia, Paleontologia e a Geologia.

Na margem Norte

Ao passarmos para o lado norte da cidade, vamos conhecer dois dos seus ex-libris, a SpreurerBrücke e a KapellBrücke, as pontes mais emblemáticas de Lucerna.
A primeira, a ponte de madeira mais antiga da Europa, data do século XIV, e atravessa o rio em ângulo oblíquo. Foi outrora parte das fortificações da cidade. A meio a ponte está ligada à Wasserturm, uma torre octogonal que já serviu de farol, de prisão e de tesouraria!


Ao caminharem ao longo da torre observem o seu teto, vão encontrar pinturas sobre a história da cidade, assim como da vida de São Leodegário e São Maurício (mártires que se tornaram padroeiros). Algumas estão bastante desgastadas, e alguns dos painéis já nem contêm pinturas pois muitas foram destruídas no incêndio de 1993.

A SpreurerBrücke, também de madeira, é um pouco mais recente, do início do século XV, e percorrê-la é também observar o seu telhado forrado com painéis de Kaspar Meglinger que retratam a Dança da Morte culminando no triunfo de Cristo (no sentido Norte-Sul).

Mas, foquemo-nos agora na zona norte da cidade e principalmente na Cidade Velha!
Esta foi a minha zona preferida de toda a viagem, como ficamos no Hotel des Balances estávamos mesmo na cidade velha, e de cada vez que saíamos do hotel e a percorríamos a pé descobríamos um detalhe novo, uma ruela para explorar, e uma nova história!


A Cidade Velha conseguiu chegar aos nossos dias bastante preservada e real. As fachadas dos edifícios históricos estão pintadas com frescos e protagonizam belíssimos momentos de espanto a quem as observa. O bairro histórico de Lucerna é um local vibrante repleto de lojas, restaurantes e cafés.

É um local onde podemos sentir verdadeiramente a vida dos seus habitantes, e a essência da cidade.

Weinmarkt

Uma das praças mais bonitas é a Weinmarkt, a antiga praça onde se vendia vinho, que é constituída por várias casas encantadoras, na sua grande maioria antigos grémios. Outra das praças mais interessantes é a Kapell-Platz que se torna ainda mais vibrante nos dias de mercado. O seu nome deve-se à Peterskapelle, uma capela construída no local de uma igreja do século XII.


Mas a beleza de Lucerna é precisamente percorrê-la a pé, sem pressas, sem procurar algo concreto, deixem-se levar apenas pela vossa curiosidade e deslumbrem-se a cada ruela, a cada detalhe e a cada encanto deste pequena cidade medieval.

Acima da Cidade Velha está a imponente Museggmauer, a bem preservada secção norte da muralha medieval que percorre cerca de 850m desde a margem norte do Rio Reuss até à margem norte do lago de lucerna. A muralha tem nove Torres, mas apenas três estão abertas ao público, e somente no verão.

A noroeste da cidade velha também há alguns pontos de destaque, o Bourbaki Panorama, um dos poucos panoramas restantes no mundo que retrata a marcha do exército francês contra a Suíça às ordens do general Bourbaki durante a guerra Franco-Prussiana; o Richard Wagner Museum – o compositor viveu em lucerna durante um período de tempo onde compôs algumas das suas obras; e por fim, o emblemático Löwendenkmal, uma figura enorme de um leão moribundo trespassado por uma lança que pretende homenagear os Guardas Suíços de Luís XIV de França.

Estes defenderam o Palais des Tuilerries em 1792 quando este foi atacado por revolucionários. Este leão esculpido, numa escarpa de arenito sobre as águas dum pequeno lago, emana drama! (Bem mais interessante que o Manneken Pis de Bruxelas!)

Para que visitar a cidade com mais tempo, um dos locais a não perder é o Museu Suíço do Transporte. É uma excelente opção para viagens de família.
Infelizmente Não tivemos tempo suficiente na cidade para o ir conhecer.

Outras das opções para quem vai com tempo é visitar outras cidades à volta do Lago de Lucerna.

Mas para quem, como nos, apenas vai por dois dias, o ideia é percorrer a cidade sem compromisso e sem pressas e ir absorvendo o que de melhor Lucerna tem, que é a sua autenticidade, a sua beleza medieval, a sua história, e a beleza natural.


Acordar de manhã e poder ver o sol a refletir no Lago de Lucerne, enquanto rivaliza com o branco da neve sobre os Alpes é um privilégio inesquecível.

Até breve Lucerna!

Onde Ficar
Hotel Des Balances

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Fotos: Flavors & Senses

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Hotel des Balances

Localizado na cidade encantada de Lucerna na Suíça, o Hotel des Balances é um Boutique hotel de quatro estrelas que bem poderia ser classificado com cinco!

Situado na mágica cidade velha, a sensação que nos dá é a de entrar numa outra época, inicialmente uma época medieval mas depois identificamos rapidamente características bem cosmopolitas e boémias, ou não fosse o seu restaurante um dos mais trendys e elegantes de Lucerna, com um bar e terraço únicos e com uma vista privilegiada sobre o rio.

As raízes do hotel, ou pelo menos da região onde se situa, remontam ao século XIII, idealmente situado entre o mercado de peixe e o mercado de vinho, uma zona que sempre foi considerada nobre e que hoje mantém esse estatuto, sendo a sua vista sobre o lago o cartão de visita da cidade.

Mas, a vida do Hotel des Balances inicia-se a 1837 e evolui como um dos hotéis mais emblemáticos da cidade pelas mãos dos hoteleiros Jean Haecky e Fritz Rindlisbacher.

Primeira Impressão
Começamos a nossa visita à Suíça pela pequena cidade de Lucerna, e mal chegamos fomos em direção ao hotel. Eu sabia que se situava junto ao rio Reuss, e que as vistas eram deslumbrantes, mas nunca pensei que a nossa estadia pudesse ser tão incrível como foi!

Mal vi o hotel ao longe percebi as bonitas varandas que permitiam observar o rio, mesmo em frente via-se a Igreja Jesuíta na outra margem, do lado esquerdo a KapellBrücke e do lado direito a SpreurerBrücke, ou seja, alguns dos ex libris da cidade!

As suas varandas pitorescas, o seu aspecto requintado e elegante e a junção com o rio quase me fizeram lembrar alguns dos palácios de Veneza.

Fomos caminhando em direção ao hotel, e apercebemo-nos da azáfama do seu restaurante.

 A emblemática fachada do Hotel

E ao contornarmos o hotel, para poder entrar nele, deparamo-nos com uma das mais bonitas fachadas da cidade. Esta demonstra o estilo do famoso artista suíço Hans Holbein, e ninguém lhe consegue ficar indiferente.

Entramos e fomos recebidos com eficácia e sorrisos sinceros.

A receção faz lembrar os anos 20 e a Belle Époque, e a sala que se mostrava à nossa frente estava decorada com simplicidade e elegância para a época que se celebrava, a natalícia. Um ambiente bem cosy, devo dizer. Estava portanto perante um Boutique Hotel, com todo o conforto e aconchego que eu adoro neste tipo de hotéis.

O nosso check in foi imediato e aqui foi-nos oferecido um vale para um cocktail no bar e um pass gratuito para os transportes públicos, o que facilita a nossa deslocação ao longo da cidade.

Quartos
Aqui contam-se 56 e são de vários tipos, Single Room, Double Room, Junior Suite, Suites, e Romantic Suite (especialmente idealizada com pormenores para enaltecer qualquer lua de mel!).

Ficamos numa Junior Suite, constituída por uma pequena sala de estar bastante confortável, um quarto de banho com um maravilhoso kit de produtos L’occitane, e um quarto decorado elegantemente. As cores sóbrias e neutras mais os apontamentos dourados trouxerem o conforto e simplicidade certos ao quarto.

Mas o verdadeiro ex libris deste quarto é a sua varanda e a vista deslumbrante que se tem dela. O rio Reuss tornou-se o nosso confidente e os Alpes suíços cobertos por neve o nosso mais perfeito horizonte.

À disposição no quarto estavam chá e café e, para nos mimar um pouco, o Hotel des Balances decidiu mostrar porque a hospitalidade Suíça é a mais completa de todas – presenteando-nos com uma garrafa de Veuve Clicquot, fruta e chocolates. E que belo momento de ócio tivemos nós na varanda do hotel! A recordar, sem dúvida!

Pena a má insonorizarão do quarto, caso contrário teria sido um estadia incrível, principalmente porque falamos dum quatro estrelas e não dum cinco.

Restaurantes
Dentro do mesmo espaço encontramos o Restaurant Balances (galardoado com 14 pontos no guia Gault-Millaut), o Bar Lounge e o Terrace. Considerado um dos melhores espaços da cidade, e provavelmente o mais Trendy de todos, aqui o ambiente é cosmopolita, com um toque boémio e de constante festa, mas com toda a descontração necessária para nos sentirmos bem.

Um local extremamente elegante, à semelhança de todo o hotel, com um terraço de cortar a respiração, e onde se encontram diariamente os amigos de todos os cantos de Lucerna.

Pudemos desfrutar dum jantar bem farto, e saboroso, com um ambiente constante de vai-e-vem de turistas e locais.

Do jantar destaque para um contrastante dumpling de Beterraba com salmão  e rábano picante, num bom contraste de sabores terra/mar e frescura.

 Dumpling de Beterraba

Robalo, emulsão de salsa e risotto de abóbora com arandos e bacon

Houve ainda tempo para um Robalo de cocção irrepreensível, uma ótima selecção de queijos afinados e uma excelente sobremesa que combinava Chocolate com yuzu e avelã.

 Chocolate, Yuzu e avelã

Após o jantar passamos para o bar, acompanhados de amigos portugueses numa feliz coincidência de encontros, onde assistimos a um momento incrível em jeito de Piano Batlle! Um tipo de animação que se mostrou ser já habitual nas noites do bar.

No bar e Lounge é também possível degustar uma refeição acompanhada de vinho.

Quanto ao pequeno-almoço podemos tomá-lo no restaurante, à semelhança das restantes refeições do dia, mas nós optamos por tomá-lo na sala junto à receção. Aqui num ambiente mais intimista, com uma decoração mais natalícia e com uma panóplia de sumos de fruta que embelezavam a sala como uma verdadeira paleta de cores. Um excelente pequeno almoço!

Serviços
Além dos habituais serviços, como serviço de quartos, Wi-Fi, lavandaria e concierge, o Hotel des Balances possui também outros serviços para os seus hóspedes.

Pode dizer-se que a localização é talvez das melhores da cidade, o que facilita a visita de quem viaja a lazer mas também de quem viaja a trabalho ou vai simplesmente assistir a um congresso.

Falando em trabalho, o hotel disponibiliza três salas capazes de receber quer conferências, quer eventos ou celebrações, sendo que duas das salas se podem unir e transformar num salão.

Para quem gosta de personalizar a sua estadia basta falar com o concierge e um plano será preparado ao nosso gosto, desde visita a museus, um dia de compras, assistir a um espectáculo, ou fazer uma viagem de barco a outras vilas próximas de Lucerne.

Atendimento
A hospitalidade Suíça transforma qualquer simples estadia num momento de perfeita harmonia, e isso é notório no Hotel des Balances.

A equipa é jovem, simpática e atenta aos pormenores.

O ambiente é elegante mas descontraído e como se trata dum hotel relativamente pequeno há aquela sensação cosy de que estamos um nossa casa.

Senti-me tão bem recebida e tão mimada (e não, não digo isto só porque me conquistaram com o Veuve Clicquot!!!).

O Hotel des Balances é um daqueles casos em que percebemos que alguns hotéis de quatro estrelas são melhores que alguns de cinco!

Situado numa das cidades mais bonitas e pitorescas da Suíça consegue fazer com que nos sintamos especiais.

É um local com história, com um ambiente mágico e ao mesmo tempo cosmopolita e trendy.

É um hotel de onde saímos já com vontade de regressar!

Hotel Des Balances 
Quartos a partir de 150€
Weinmarkt, CH-6004 – Lucerna
+41 414 182 828 
info@balances.ch

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Chryseia 2015 e a cozinha de Vítor Matos

Numa  altura em que ja se deve estar a preparar o lançamento da edição de 2016 do Chryseia, é impossível deixar de tecer algumas palavras sobre um dos grandes vinhos do Douro, mais ainda sobre um ano tão peculiar como 2015.

E começou bem a apresentação, um dia de sol, o elegante terraço do Antiqvvm, o sempre refinado Champanhe da Pol Roger e os snacks frescos de Vítor Matos, onde não faltou um ceviche de camarão, “sandes” de queijo e presunto e tomate com queijo fresco.

“Sandes” de Queijo e Presunto

Já à mesa, e sem a habitual presença de Bruno Prats (reputado enólogo que se associou à Symington para abraçar o projecto da Quinta de Roriz), tivemos a oportunidade de provar  alguns dos seus vinhos, começando por um peculiar Chardonnay Chileno, Sol de Sol 2012.

Um branco muito bem concebido, com notas cítricas, algum fruto seco, boa untuosidade e ótima acidez.

Pregado do Atlântico, ervilhas, batata, espinafres e trufa

Para dar início ao menu, Vítor Matos escolheu um prato muito bem conseguido, em torno de um Pregado do Atlântico. Peixe no Ponto, bom equilíbrio de sabores e texturas, com corpo e peso, sem que nenhum dos elementos se sobrepusesse ao delicado Pregado.  Funcionou muito bem com o vinho!

 Charles Symington

Seguiu-se a prova da tão esperada edição de 2015 do já clássico Chryseia. Um vinho que segue na linha da edição de 2012, que não tendo o poder e o reconhecimento do 2011 (3º Lugar no Top 100 da Wine Spectator), mostrou um vinho muito mais elegante, sofisticado e harmonioso.  Vinhos que dão prazer beber e descobrir, porque não nos expõe tudo à primeira vista.

O nariz traz-nos notas marcadas pela Touriga Nacional, com aromas florais, e alguma esteva a harmonizar com muita fruta, especiarias e jovialidade, um nariz que chama e nos transporta pelo Douro. Por sua vez, a boca traz-nos uma ótima estrutura, uns taninos bem presentes mas moldados e uma frescura rara que lhe traz a elegância e leveza que muitas vezes falta aos grandes vinhos do Douro.

O tempo tratará de fazer deste 2015 uma das melhores edições do Chryseia, o segredo é conseguir reservar as garrafas escondidas por mais alguns anos!

 Pombo Royal, foie, rabo de vitela baronesa , tupinambo e beterraba

A acompanhar esteve um prato gordo e rico, com um excelente equilíbrio de doçura, numa conjugação de Pombo Royal, Foie e rabo de Vitela Maronesa. Ótimo no contraste de texturas e sabor das carnes, faltou-lhe apenas um pouco de frescura, para elevar o prato a um outro nível.

Seguiu-se um dos momentos altos da tarde, a prova de um dos grandes vinhos criados por Bruno Prats, na sua antiga propriedade em Bordéus, o Grand Cru Classé  Cos D’ Estournel 1986Um clássico bordalês, ainda em grande forma, com o Cabernet Sauvignon a levar-nos para aromas de tabaco, especiarias, cogumelos e algum fumado. Um grande vinho!

Queijo de Azeitão e Queijo Serra da Estrela 

Uma dupla interpretação de Vitor Matos de dois clássicos queijos nacionais, que partilham a sua origem. Muito boas conjugações e boa imaginação, especialmente com a compota de cebola e vinho do Porto e os frutos vermelhos, fizeram deste um momento bastante interessante no que diz respeito a trabalhar o queijo sem o desrespeitar.

Como boa casa Duriense que se preze, o almoço não poderia terminar sem o Vinho do Porto, neste caso um Vintage 2000 da Quinta de RorizAinda com uma ótima cor e cheio de fruta escura que começa a ganhar harmonia com aromas terciários. Muito prazeroso na boca, fez uma boa harmonização com a sobremesa de Chocolate e Cereja de Resende.

 Chocolate e cerejas de Resende, balsámico velho, pistácios e café

Uma sobremesa bem conseguida, com as notas de café e chocolate a funcionarem sempre em grande harmonia. A elevar o prato estava o kick final do balsâmico, num conjunto onde o creme de pistácio pouco acrescentou.

Foi um ótimo almoço, que não só vem provar a criatividade e qualidade da cozinha de Vitor Matos, mas também um novo rumo na sua cozinha, mais elegante e subtil, vincadamente menos marcada por demasiados elementos no prato, mais  centrada no produto e no sabor do elemento principal.

Quanto aos vinhos não há qualquer tipo de dúvida de que esta parceria entre a Symington e Bruno Prats cria, ano após ano, um dos grandes vinhos do Douro. Se os anos seguintes seguirem este perfil do 2015, serei sempre um homem muito feliz quando provar um copo de Chryseia!

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Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na apresentação do Chryseia a convite da Prats & Symington, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Quinta De La Rosa

Quando o mundo foi idealizado o Douro foi um dos locais escolhidos para representar a perfeição! E esta é cada vez mais uma certeza quando regresso ao Douro!

Desta vez, regressamos para conhecer a Quinta de La Rosa, localizada muito próxima do centro do Pinhão.

Esta Quinta, de cunho bem familiar, foi oferecida como presente de baptismo a Claire Feuheerd, avó da atual gestora (Sophia Bergqvist), em 1906. A empresa de exportação de vinho do porto da família foi vendida nos anos 30, no entanto, a La Rosa foi mantida e gerida por Claire.

Em 1988 Sophia e o seu pai Tim Bergqvist decidiram recomeçar o negócio de família, lançando a Quinta de La Rosa como um dos primeiros produtores e engarrafadores de vinho do Porto no Douro.

Atualmente, a Quinta é gerida por Sophia, com a ajuda do seu irmão, e do enólogo Jorge Moreira, que tem criado uma ligação muito forte à marca nos últimos anos.

Vinhas do Vale do Inferno 

Os 55 hectares de vinhas, localizadas no coração do Alto Douro Vinhateiro, na margem direita do rio, permitem produzir anualmente cerca de 50.000 litros de porto e cerca do triplo de vinhos de mesa.

A Quinta de La Rosa está na família há várias gerações, mas são também várias as gerações que têm cá trabalhado, razão pela qual este local tem um ambiente tão familiar e acolhedor.

Fomos à La Rosa para conhecer o Hotel e aproveitar a abertura do seu novo restaurante, A Cozinha da Clara, cujo nome pretende honrar a memória de Clara Feuheerd.

Primeira Impressão
Não há descrição possível quando estamos a referir-nos ao Douro!
A Quinta de La Rosa fica numa das encostas do Douro, com as vinhas a descer até ao rio em socalcos, cujas cores se mesclam criando uma natureza com uma harmonia perfeita.

Fomos recebidos por uma equipa jovem e simpática, numa receção que serve também de loja e sala de provas para os visitantes da Quinta. Um espaço moderno onde estão expostos os vinhos, azeites e vinagres de produção própria.

Daqui fomos encaminhados até ao nosso quarto que ficava na Quinta Amarela, muito próxima da Casa Principal.

Quartos
Já há mais de 20 anos que a Quinta recebe hóspedes, o que fez com que desenvolvesse um refúgio especial para quem ama o douro e os seus vinhos. Assim, em 2012 a Quinta de La Rosa foi devidamente restaurada de modo a que pudesse acomodar mais pessoas e com alojamento de maior qualidade.

 Quinta Amarela

A quinta conta com 21 quartos mais uma casa com capacidade para 6 pessoas.
Ou seja, há quartos na Casa de Família, onde estamos em contacto direto com 100 anos de história, há quartos na vinha, cujos nomes nos remetem para membros da família, e há duas casas, a Quinta Amarela (onde ficamos) que se divide em cinco quartos mas que pode ser alugada como um todo, e a Quinta das Lamelas, com capacidade para seis pessoas.

Quinta Amarela


A Quinta Amarela possui, então, cinco quartos, e um espaço comum, uma sala com todo o conforto duma casa de família. Além disto tem também um terraço e uma piscina privada. Ficamos no quarto Amarela 1, mas é interessante pensar que poderíamos ter juntando 4 casais amigos e ter alugado a casa toda só para nós!


O nosso quarto era um Superior Duplo, com um estilo mais rústico do que os quartos recentemente recuperados da casa principal. A cama era confortável e a vista que se tinha de uma das janelas era o Douro. À disposição tínhamos água, chás e café.

No entanto, faltaram-me pequenos detalhes, como um miminho de boas-vindas e um roupão (eu não vivo sem roupão!)
O melhor da Quinta Amarela será talvez o seu terraço e piscina cuja vista nos remete para um paraíso chamado Douro!

Restaurantes
A cozinha da Clara, um espaço que pretende homenagear a avó de Sophia, é o único restaurante da Quinta e foi a sua inauguração em Maio de 2017 que nos levou até lá.

Um espaço a imitar o interior duma pipa e com quadros de família espalhados por algumas das paredes, mas que para mim poderia ter um toque menos moderno e um pouco mais tradicional.
Aqui tivemos a oportunidade de experienciar quer o pequeno-almoço quer o jantar.


O pequeno-almoço foi tomado no terraço cuja localização parece permitir-nos tocar o rio! Incrível!


Pequena nota apenas para o facto dos ovos serem uma opção extra ao pequeno-almoço, e num local cuja a maioria dos hóspedes são ingleses isto não faz grande sentido.

Para o jantar a proposta da Cozinha da Clara assenta nos sabores nacionais revisitados pela mão do jovem chef Pedro Cardoso. Uma cozinha de assinatura que transporta não só a herança do Douro, com os azeites, os vinhos, o pão e os enchidos como também alguns sabores nacionais de outras paragens, como o Leitão ou as sardinhas.

Chamuça de Sardinhas com Pimentos 

 Terrina de Leitão e Cogumelos 

A harmonizar estiveram, como é óbvio, os bons vinhos da Quinta, do Rosé ao Reserva Tinto e claro, como não poderia deixar de ser, o clássico Colheita de 2008 e o Tawny 20 anos que estiveram em “desafio” para acompanhar a sobremesa à base de chocolate e frutos vermelhos.

Uma nova cozinha, um novo restaurante a juntar-se à cada vez mais interessante, mas ainda curta, oferta gastronómica do Douro.

Serviços
A Quinta de La Rosa oferece uma série de opções e atividades que fazem da nossa estadia um momento real de contacto com o Douro, o vinho, as vinhas e a natureza.

Assim, é obrigatória uma visita à adega e a toda a produção de vinho com a prova como finalização.

Na La Rosa é-nos possível acompanhar todo o processo de produção desde as vinhas até ao engarrafamento. É possível realizar esta visita todos os dias de Abril a Outubro às 11h.


No final da visita é realizada uma prova de vinhos na loja da Quinta, o que nos permite comprar quer os vinhos, os azeites ou o vinagre.

Durante a altura da vindima, em Setembro ou Outubro (nos anos normais a nível climático!), é possível, também, participar na mesma.

Mas a estadia na Quinta de La Rosa está repleta de atividades que nos colocam em contacto direto com a natureza, como passeios, nomeadamente à vinha Vale do Inferno (cerca de 20min a passear ao longo das vinhas), que é uma verdadeira obra de arte, ou à Casa das Lamelas, (cerca de 1h30) que nos permite visualizar o Douro e as vinhas duma localização bem elevada.

É possível também a realização de piqueniques, que podem ser organizados em diferentes locais ao longo da quinta sempre com a melhor vista do Douro.

À volta da quinta são diversos os passeios, seja uma caminhada até ao Pinhão, para visitar a histórica estação ferroviária e provar as iguarias do talho Qualifer, seja uma viagem mais demorada até à belíssima aldeia de Provesende.


Mas, para quem prefere relaxar simplesmente na La Rosa, as opções podem passar, essencialmente, por usufruir das piscinas, quer a da Casa Amarela, quer a da casa principal, isto se o clima o permitir, ou então descansar simplesmente nos vários recantos enquanto se lê um bom livro.

Na minha estadia mudava, talvez, alguns detalhes (como já fui referindo) que não sendo graves, poderiam levar a experiência a outro nível.

A La Rosa situa-se num pequeno pedaço do céu, as vistas são estonteantes e o contacto com a natureza fazem deste local um local com magia própria.

Quinta de La Rosa 
Quartos a partir de 125€
Quinta de La Rosa, 5085-215  – Pinhão (Douro)
+351 254 732 254
bookings@quintadelarosa.com

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Quinta de La Rosa a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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