Dia dos Namorados – 12 Restaurantes imperdíveis no PORTO e arredores

É já uma tradição todos os anos fazermos uma sugestão de restaurantes para esta data, cada vez mais importante no calendário da Hotelaria e Restauração, que é o São Valentim.

Como sabem, muitos restaurantes aproveitam para criar bonitos menus, na maior parte das vezes mais caros e nem sempre tão interessantes quanto o menu habitual, mas isso agora não interessa nada!

É dia de celebração e toda a gente vai jantar fora, assim, e para ajudar alguns românticos indecisos sobre o melhor sítio para levarem a sua amada, escolhemos alguns restaurantes do Porto e da região, com base na sua oferta gastronómica, ambiente e experiência e divididos em várias categorias, de forma a ir ao encontro de todos os gostos e bolsas!

TRADICIONAL

Mário Luso, Carvalhos – Gaia

marioluso Mário Luso

No caso do Mário Luso, provavelmente um dos mais antigos restaurantes ainda no activo na região, onde a tradição ainda é o que era, ingredientes de alta qualidade cozinhados por mãos precisas e uma sala de serviço clássico e cuidado.

marioluso2 Arroz de Robalo

Mais informações, Mário Luso

Cozinha da Terra, Louredo – Paredes

cozinha da terraCozinha da Terra*

A cozinha tradicional e familiar juntamente com o ambiente revivalista criado por Teresa Ruão são o mote perfeito para uma refeição calma e romântica ao bom estilo do Norte do País. São as paredes de Granito, o calor da Lareira e as receitas mais tradicionais do Minho que não deixam ninguém indiferente.

Têm ainda a possibilidade de ficar a dormir no espaço.

cozinha da terra2Bacalhau Lascado em Pão*

Mais informações, Cozinha da Terra

COSMOPOLITA

Romando Privé, Vila do Conde

romandoRomando Privé*

Nasceu em 2015, fruto da junção da experiência do Romando e do Sushi Café com um club noturno, criando assim um ambiente único no Norte do País que nos transporta facilmente para qualquer capital mundial. Um espaço de glamour em que a comida não é posta de lado em detrimento do ambiente de festa. Os cocktails e o Sushi são os pontos fortes e o grande elemento diferenciado do espaço.

romando2Sushi*

Para mais informações, Romando Privé

Cafeína, Foz do Douro

cafCafeína

O nome Cafeína dispensa apresentações, sendo presença assídua em todos os rankings da cidade nos últimos 20 anos, tendo já vencido os prémios Flavors & Senses nesta mesma categoria “Restaurante Trendy”. A cozinha de inspiração na Bistronomie aliada à atmosfera única da sala são motivos mais do que suficientes para uma noite muito bem passada a dois.

cafeinaCoulibiac de Salmão

Mais informações, Cafeína

Tenra, Centro do Porto

tenraTenra*

Foi uma das grandes aberturas da Baixa do Porto em 2016, um restaurante dedicado às carnes mais nobres, com assinatura do chef Pedro Braga. O Bar que serve de peça central à sala transporta-nos rapidamente para um ambiente cool e cosmopolita, que aliados à modernidade e técnica apresentada nos pratos trazem ao Porto uma atmosfera cada vez mais internacional.

tenra2Tártaro de Wagyu

Mais informações, Tenra

INFORMAL

Shiko – Tasca Japonesa, Centro do Porto

shikotj

O Shiko foi um dos grandes vencedores dos prémios Flavors & Senses em 2016. Um projecto de identidade bem vincada a que ninguém tem ficado indiferente. Dos Sabores clássicos da cozinha Japonesa às combinações mais inusitadas criadas pelas mãos afinadas de Ruy Leão! Este ano o Shiko tem um menu especial para o dia dos namorados em jeito de Omakase entre clássicos e novidades da carta.(Ler Mais)

shikotj-3Mexilhões e Caril Japonês

Mais informações, Shiko – Tasca Japonesa

Esquina do Avesso, Leça da Palmeira

esquinadoavesso - 1Esquina do Avesso

Não sendo um espaço novo, foi em 2016 que o restaurante recebeu um refresh e que a assinatura do jovem chef Nuno Castro mais se começou a evidenciar. É um espaço informal, jovem e cool, onde o conceito passa por partilhar os pratos em jeito de petisco, mas desenganem-se os mais incautos, aqui os petiscos não são propriamente o que a tradição portuguesa escreveu na memória, mas sim combinações de autor, com bons ingredientes e excelente apresentação.

Eavesso-6Mousse de manteiga de amendoim

Mais informações, Esquina do Avesso

FINE DINING

Pedro Lemos, Foz do Douro

pedrolemos- 2Pedro Lemos

Pedro Lemos é mais do que um nome próprio, é um nome incontornável da cozinha feita em Portugal. A mestria com que domina os ingredientes e lhes retira o máximo de sabor com a máxima sensibilidade e simplicidade, fazem com que cada refeição se torne única. Certamente neste Dia dos Namorados não faltará um menu repleto dos melhores ingredientes do mercado e uma grande selecção de vinhos. (Ler Mais)

vesuviopl-6Vaca, aipo e cantarelos

Mais informações, Pedro Lemos

Antiqvvm, Porto

antiqvvmAntiqvvm*

Foi a grande novidade do final de 2016 ao conseguir a sua 1ª estrela Michelin em pouco mais de um ano após a sua abertura. A assinatura de Vítor Matos, um chef com veia de artista, garante a qualidade e a capacidade de surpreender os comensais com combinações menos previsíveis. A vista deslumbrante dos seus jardins e a decoração do espaço fazem do Antiqvvm um ótimo local para o romance!

antiqvvmA Horta de Vítor Matos

Mais informações, Antiqvvm

Boa Nova, Leça da Palmeira

rui paula - 1Boa Nova

A Boa Nova é o restaurante de assinatura do célebre chef Rui Paula, e foi também um dos novos premiados no último guia Michelin. Um edifício emblemático (assinado por Siza Vieira), uma vista deslumbrante e uma cozinha de autor irrepreensível, são o mote perfeito para um jantar de sonho inesquecível.

ccbnWagyu, Amaranto e couve flor

Mais informações, Restaurante Boa Nova

O Paparico, Areosa – Porto

opaparicoO Paparico*

O Paparico é fruto de um sonho e de uma visão muito própria da restauração e em particular da cozinha portuguesa do seu proprietário, Sérgio Cambas. A sala transporta-nos para uma casa antiga e rural do Norte de Portugal, num ambiente privado e acolhedor em que o serviço de sala se assegura de que nenhum detalhe é deixado ao acaso (venceram em 2016 o prémio de Melhor Serviço de Sala nos prémios Flavors & Senses).(Ler Mais)

 opaparico2016-6 Feijoada de Carabineiro

Mais informações, O Paparico

FerrugemFamalicão

ferrugem2016-13Ferrugem

O Ferrugem é um marco da gastronomia nacional, muito por culpa da “ingrata” missão a que se propôs – levar a cozinha criativa a bom porto e a um preço justo numa zona do interior de uma região tão tradicional como o Minho. Para o dia dos Namorados, o chef Renato Cunha irá preparar um menu exclusivo em harmonização com alguns grandes vinhos nacionais. (Ler Mais)

ferrugem2016-7Bacalhau com todos

Para mais informações, Ferrugem

Fotos: Flavors & Senses com a excepção das assinaladas com (*) pertencentes ao respectivo restaurante.

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Don Alfonso 1890 **

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Existem destinos e viagens com as quais sonhamos toda a vida e felizmente existem aqueles que vamos tornando realidade.

Amalfi era um desses sonhos, não só pelo ambiente luxuoso de cidades como Ravello e Positano, pelo cenário único desenhado pela natureza ou pela famosa estrada esculpida pelos homens. Para mim, era um sonho também pela sua comida, pelas tradições enraizadas do sul da Itália e muito em particular por um nome, o Don Alfonso 1890.

Como o próprio nome indica, falar do Don Alfonso é falar de uma história de família, de tradição e acima de tudo de uma enorme paixão. O restaurante está hoje entregue à 3ª e 4ª geração de uma família única, que soube desenvolver o seu projecto como muito poucos.

Muito antes de surgirem restaurantes como o Noma ou o The Blue Hill at Stone Barns, em que a quinta, a cozinha orgânica e sustentável ou o terroir, ganharam expressão máxima,  Alfonso e Livia Iaccarino acharam que esse seria o seu caminho quando em 1973 tomaram por completo as rédeas do restaurante, Alfonso na cozinha e Livia com todo o seu charme na sala.

Volvidos quase 50 anos têm ao seu lado Ernesto e Mario, os filhos que lhes seguiram as pisadas e continuam a desenvolver o trabalho dos pais com a mesma paixão com que eles próprios foram criados. O restaurante cresceu, ganhou duas estrelas no famoso guia michelin, e juntou-se um pequeno e luxuoso hotel com chancela da Relais & Chateaux, uma escola de cozinha e uma série de restaurantes de Macau a Marrakech passando por Roma e Dubai.

A esta altura perguntar-se-ão como se mantém a tal sustentabilidade e preocupação com a qualidade do produto – pois bem, a cerca de 30 minutos do restaurante, e num sítio onde poderiam ter edificado um hotel com uma das melhores vistas da costa, os Iaccarino criam a Le Peracciole, uma quinta de 8 hectares, instalada entre a o golfo de Nápoles e o golfo de Sorrento com vista directa para Capri, onde plantam os legumes, uma larga quantidade de espécies de tomate, oliveiras e galinhas que lhes dão os chamados “ovos felizes”.

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Mas deixemos esses e outros detalhes para um pouco mais tarde e prossigamos com a nossa experiência! Depois de uma longa condução desde a Toscana até à Costa de Amalfi, mais propriamente a Sant’Agata Sui Due Golfi, chegar ao restaurante  de tons brancos e apontamentos coloridos, ao bom estilo da região, foi como chegar ao Olimpo (se é que existe descrição para isso). Salas amplas e bem iluminadas, decoradas com bom gosto, com destaque para algumas peças centenárias que vão fazendo o deleite dos olhos enquanto somos acompanhados até à mesa.

cortonaCroquete de Batata, queijo, cenoura e molho de laranja

Já bem instalados, somos recebidos com um copo de Derbusco Cives Blanc de Blanc Doppio Erre, um espumante Franciacorta bem interessante, de tons amarelos e aromas amplos de fermento e fruta de polpa branca com nuances de baunilha. Na boca revelou-se seco e com a bolha elegante. A acompanhar, um delicioso croquete de batata, queijo e cenoura, refrescado por um leve molho de laranja.

Um início como deve ser!

donalfonsoLula, queijo ricotta, gel de vegetais e molho de pimento amarelo 
A primeira entrada traz-me à memória toda aquela história do cuidado com os produtos, os vegetais e em especial o pimento são de uma elegância e uma subtileza quase impossíveis de encontrar. Um prato simples, refinado e repleto de sabor, que reflete bem o almoço que se seguiria!

Segue-se o pão produzido na casa, com uma ótima selecção de pães, desde o branco, ao sourdough, azeitona e funcho e um azeite extra virgem  produzido na Le Peracciole que roça a perfeição.

donalfonso-2Gelado de enguia, caviar Oscietra, pasta de rosa e ervas
Uma entrada em que todo o lado criativo de Ernesto vem ao de cima. A pasta é infusionada com rosas que trazem alguma frescura a um conjunto salino de sabores a mar, com um brilhante gelado de enguia a transmitir tudo isso, mais ainda quando acompanhado do caviar. As notas de manjericão trazem-nos de volta a terra –  um conjunto em que estranhamente tudo funciona, das texturas aos sabores!

donalfonso-3Peito de Pato, canela, maça e redução de balsâmico
Se a apresentação do prato parecia um tanto ou quanto datada, os sabores  elevavam-se a outro nível, excelente o creme de maça em jeito de marmelada e a conjugação nada enjoativa do pato com a canela e a redução de balsâmico (daquele sério).

donalfonso-4Ovo, Burrata, feijão verde e trufa
Um prato inspirado no pequeno almoço de infância de  Ernesto, uma vez que as trufas eram guardadas no mesmo frigorífico que o leite e este adquiria os aromas únicos do fungo. Um prato brilhante, muito por culpa da qualidade da trufa apresentada, e a untuosidade e sabor criado pela conjugação da burrata em estado liquido e da gema a baixa temperatura. O luxo da simplicidade!

donalfonso-5Spaghetti, Cavala, pão ralado, pinhões, cebola caramelizada, molho de atum albacora e emulsão de manjericão
Pensar em massa e atum lembra-me os anos de juventude e faculdade, infelizmente os sabores na memória estão bem longe daquilo que este prato me proporcionou. Um dos melhores pratos de pasta que alguma vez provei, da qualidade e cocção da massa à conjugação dos molhos, sabores e texturas. Um prato que representa bem a cozinha do sul da Itália, com ingredientes aparentemente modestos que nos levam a outro patamar!

donalfonso-7 Capelli recheado com porco preto, molho amatriciana, parmigiano e trufa 
Outro grande prato, tecnicamente perfeito e munido de grandes ingredientes. A amatriciana de tomate amarelo deixa saudades, assim como a qualidade da trufa. De realçar também o interessante crocante de funcho, cuja textura e as notas de sabor acrescentam dimensão ao prato. Delicioso!

A harmonizar com estes pratos esteve o Contrada Marotta Greco di Tufo 2013 Villa Raiano um branco produzido na região, a nordeste de Nápoles. Um vinho complexo que conquista à primeira prova, aromas de pêssego, nêspera e toranja, com toques florais, revelando na boca uma mineralidade e uma acidez de grande nível. Foi uma excelente companhia para os primi platti.

donalfonso-8Lombo em crosta de pão, mozzarella, bochecha de porco, puré de tomate picante e creme mediterrâneo
A vitela utilizada é cuidadosamente selecionada de produtores na região de Benevento, também na Campania e isso nota-se na sua qualidade, um lombo com sabor, textura e suculência, envolto em queijo e bochecha de porco com uma capa fina e crocante de pão. Muito bem acompanhado e enriquecido pelos molhos que acompanhavam a carne.

No copo esteve outro vinho da Villa Raiano um Taurasi de 2012 , elegante no nariz, com fruta negra e notas de cacau e tabaco com a madeira bem integrada. Na boca a sua estrutura e potência revelou-se uma boa companhia para a carne.

donalfonso-9Petit fours

Entretanto surgem na mesa os petit fours, que em Itália tendem a surgir na mesa antes da pré e da sobremesa – destaque para o cannoli, os bombons de chocolate com laranja e as tarteletes, tudo ótimo.

donalfonso-10Pré-sobremesa

Para limpar o palato, nada como um eficiente gelado de limão de amalfi, crocante de pistácio e frutos vermelhos.

donalfonso-11Um Concerto de Limão – fragrâncias e sabores 
Uma sobremesa clássica do Don Alfonso que dá destaque a um dos ingredientes mais relevantes da região, o Limão. Frescura e doçura bem equilibrados, num jogo de texturas interessante, entre a massa choux, as frituras o creme e o caramelo crocante.

donalfonso-12Castanha e Romã
Uma sobremesa bem ao jeito do Outono (altura em que visitamos), com a conjugação da romã com a castanha. Nota alta para os sabores embora o creme de castanhas se revelasse denso em demasia para o “mil folhas”.

 Sobre os vinhos, a carta do Don Alfonso é uma das mais conceituadas de Itália, com mais de 25.ooo garrafas e 1.300 referências, guardadas numa cave histórica, que remonta a um túnel Etrusco, com muitos e muitos séculos de História.

 donalfonso-18 A cave

No final da refeição e depois de uma visita guiada à cozinha e à escola seguimos até à cave (algo que já faz parte da “experiência Don Alfonso”). Os vinhos estão distribuídos por vários andares e por fim em patamares de uma longa escadaria que termina no espaço onde curam e afinam os enchidos e os queijos produzidos pela equipa.

donalfonso-14Ernesto  Iaccarino na colorida e impressionante cozinha do restaurante

Quanto ao serviço, que infelizmente em Itália está normalmente muitos patamares abaixo da cozinha, aqui foi irrepreensível, demonstrando um bom jogo de técnica e movimentação, fluindo pela sala quase sem que se desse por eles, com conhecimento sobre os pratos e uma simpatia e sorrisos certeiros. Se falarmos sobre Livia e Mario, sobem ainda mais a fasquia espalhando o clássico charme italiano e paixão pelo seu trabalho em cada mesa por onde passam, deixando-nos ansiosos por provar o prato que nos estão a apresentar.

donalfonso-20 Mario Iaccarino

Considerações Finais 
Por vezes nem as estrelas Michelin ou os selos da JRE, da Le Soste, Relais & Chateaux ou Les Grandes Tables du Monde são suficientes para garantir uma marca de satisfação, é preciso estudar, ver, visitar, e acima de tudo provar para se entender um trabalho, ou neste caso uma Convicção, que Alfonso e Livia passaram como ninguém aos seus filhos.

A cozinha de Ernesto é profundamente marcada pela importância e qualidade do produto, é do mais sensível e refinado que se pode encontrar, o sabor de cada ingrediente é destacado sem máscaras, onde todo o rigor técnico é posto à prova para que cada elemento mostre o melhor de  si e isso nota-se a cada garfada.

A experiência no Don Alfonso 1890 é marcante a todos os níveis, desde o ambiente familiar para o qual somos transportados, à comida e ao ambiente. Dá vontade de ficar, de nos sentarmos a ouvir as histórias da família, aprender sobre os ingredientes e partilhar a refeição com pessoas únicas.

Até um regresso!

Don Alfonso 1890
Menus a partir de 140€
Corso Sant’Agata, 11/13 – Sant’Agata Sui Due Golfi
+39 081 878 00 26
info@donalfonso.com

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Bem Vindos ao Sul – Eis a Costa de Amalfi!

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Trânsito doentio, confusão sem igual, curvas e mais curvas, e uma imensidão de pessoas caracterizam a Costa de Amalfi!

À partida poderiam pensar que tudo isto é uma visão pouco positiva sobre aquele que é um dos destinos mais almejados de sempre, e no fundo até é. E porquê? Porque nem tudo é perfeito no paraíso!

Mas, a verdade é que até os seus defeitos contribuem para que a Costa de Amalfi seja isso mesmo, um paraíso!

A Costa de Amalfi sempre pertenceu ao meu top cinco da Europa, sempre tive um imenso desejo de a visitar, e assim, este Outono, em mais um regresso a Itália, decidimos incluir esta região em três dias da nossa viagem.

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Três dias chegam? Talvez não, se ficasse mais tempo teria visitado mais cidades ou vilas, mas foi o suficiente para absorver a verdadeira essência da Costa de Amalfi.

Esta região é, nada mais nada menos que, um trajeto de costa de cerca de 60km que se estende desde Sorrento a Salerno, constituído por vilarejos ou pequenas cidades históricas e cuja beleza natural e idílica lhe garantiu o título de Património Mundial da Humanidade em 1997.

Há vários locais a visitar, nós ficamo-nos por Positano, Amalfi e Ravello.

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Como chegar:
No nosso caso, vínhamos da charmosa Cortona (Toscana), e conduzimos até Sorrento (cerca de 4h30), onde fizemos uma breve paragem para um almoço memorável no Don Alfonso 1980, e depois conduzimos novamente (cerca de 1h) até que chegamos finalmente a Positano, ao belíssimo hotel Villa Franca (ver).

villafranca-33Positano

Ao conduzir até Sorrento pudemos ver algumas das regiões mais pobres do país, que nada faziam antever o luxo da costa. Por seu lado, Sorrento é mais uma espécie de estância balnear, já com uma infraestrutura de cidade grande, que combina o glamour clássico da Itália com um ambiente meio Algarvio de quem tem uma multidão para receber.

Por outro lado, também já se adivinhava alguma confusão no trânsito e na forma bem peculiar (que é como quem diz: bem psicopata!) de condução do povo italiano lá pelo sul – que é como quem diz: salve-se quem puder!

Mas lá chegamos sãos (não mentalmente – a condução dos italianos altera mesmo o meu sistema nervoso!) e salvos a Positano!

Caso não andem a visitar Itália de carro têm sempre a opção de chegar até à costa de transporte público. Por exemplo: se tiverem voado para Roma, podem apanhar o comboio até Nápoles (1h30 a 2h30) e depois procurar pela linha Circumvesuviana que vos levará até Sorrento (cerca de 1h), daí apanham um dos muitos autocarros que vos levarão até a Costa.

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Erros a não cometer:
Nos dias que se seguiram visitamos Positano, Amalfi e Ravello, e cometemos um erro gravíssimo que aconselho desde já a não cometerem, tentamos visitar Amalfi e Ravello de carro! Esqueçam!

Uma vez que ficamos em Positano pudemos visitá-lo a pé desde o nosso hotel. Quanto a Ravello e Amalfi, começamos o dia bem cedo e fomos diretos a Ravello (cerca de 1h – sem trânsito), e até aí tudo bem, tivemos onde estacionar, mas se tivéssemos chegado uns minutos mais tarde já o caos se teria instalado. Quando saímos de Ravello, ao início da tarde, e tentamos ir a Amalfi, já a situação era impossível.

Por isso, a dica é a seguinte: se optarem por ficar hospedados somente numa das cidades façam essa mesma região a pé, e as restantes de barco, nomeadamente de Positano a Amalfi, ou vice-versa. Quanto a Ravello, como não é junto à praia como as duas anteriores, se optarem por ir de carro saiam muito cedo do hotel para conseguirem arranjar estacionamento, mas mesmo assim não se esqueçam que quando vierem embora estará um trânsito doentio!

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Positano
Do hotel Villa Franca já conseguíamos ver as casas coloridas a descer em socalcos até ao azul brilhante do mar e a tocá-lo levemente. Uma das imagens mais bonitas da costa é, sem dúvida, esta conjugação entre o azul do céu e do mar e as cores vivas das diferentes casas ao longo da encosta.

Lembro-me perfeitamente da há uns anos atrás ver uma imagem deslumbrante deste vilarejo e de pensar: “Hei-de visitar este local!”.

E hoje percebo o quanto valeu a pena, e o quanto aquela beleza era real.

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Positano é sedução desmedida, é encanto e mistério, e é eterno.
Com contos e lendas à mistura, provenientes da proximidade com as Ilhas Li Galli e as suas misteriosas sereias, Positano terá sido desde sempre um local com extrema importância marítima e adorado por quem lá teve o privilégio de passar.

villafranca-16Ilhas Li Galli

Um autêntico refúgio dos Deuses, este pequeno vilarejo foi local de maravilhosas residências do período romano, e terá mudado a sua forma urbanística em 1268 quando saqueado pelos Pisanos, assumindo uma postura mais defensiva com ruelas estreitas e casas no alto das rochas, fortes e torres de vigilância.

Já no século XVIII terá passado pelo seu momento de auge, graças ao porto e tráfego de mercadorias vindas de vários pontos estratégicos, no entanto, após a unificação de Itália, as novas rotas estabelecidas e a emigração para os EUA, Positano terá caído novamente em declínio.

Mas, graças à construção da famosa estrada Statale 163 (anteriormente a chegada a Positano só era realizada por mar ou por trilhos montanhosos) que liga toda a costa de Amalfi, este pequeno vilarejo esquecido renasceu das cinzas, e começou a tornar-se um verdadeiro refúgio do luxo!

Os antigos palácios transformaram-se em hóteis deslumbrantes e uma elite turística começou a transformar Positano e toda a costa na sua casa de férias. De Steinbeck a Picasso, todos queriam um bocadinho deste paraíso!

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O que fazer em Positano:
Mesmo que não queiram perder muito tempo nesta vila, só passear por ela já é fascinante. Percam-se nas ruelas, façam compras nas variadíssimas lojas de roupa (como a Missoni), o linho é o rei por aqui, e se gostarem de bebidas alcoólicas não deixem de provar a iguaria da costa, o Limoncello.

Entrem na majestosa Igreja de Santa Maria Assunta, onde podem encontrar uma imagem da Virgem do século XVIII de inspiração Bizantina.

Descansem na Praia Grande (se conseguirem, porque para quem está habituado a areia fina, estas pedras assustam um pouco!), enquanto têm o mar como confidente e se deslumbram com a montanha e as casas coloridas em socalcos.

Outra atividade interessante é o caminho desde a Praia Grande até às praias mais sossegadas e recônditas, como a de Fornillo, o trilho é muito bonito, interessante e pouco cansativo, mas para os mais preguiçosos podem fazer esta travessia de barco.

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Falando em barcos, não percam um passeio neste transporte, pois a visão que se tem do mar para a costa é ainda mais bonita que aquela que temos quando estamos em terra (há barcos a sair a cada instante da praia grande).

Podem também optar por visitar as Ilhas Li Galli e esmiuçar ainda mais a misteriosa lenda das sereias e das suas sedutoras vozes!

De Positano há imensos trilhos que nos levam a pequenas vilas escondidas nas montanhas e que nos permitem ter uma visão magistral sobre o azul do mar. Podem começar por seguir uma trilha que vai até ao Oásis de Vallone Porto, um local onde a natureza é rainha.

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De positano, por uma infinidade de degraus ou de carro rumem a Montepertuso, a cidade dos Montes Lattari, que separa Positano do céu.

No topo deste encontram o Burgo Nocelle, de onde podem admirar uma das mais bonitas imagens da Costa de Amalfi.

Usem e abusem deste refúgio dos Deuses que é Positano!

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Amalfi
Amalfi é um bocadinho mais confusa e mais agitada que Positano, e nós fomos no final de Outubro, mas como estava um clima maravilhoso, e como se avizinhava um feriado religioso, a cidade estava esgotadíssima! Nem quero imaginar como isto é em pleno verão!

De carro de Positano a Amalfi são cerca de 45min, que depressa se transformam numa 1h30. Por isso, ir de carro é para esquecer, não só porque o trânsito é exaustivo mas também porque lugares de estacionamento não existem, e os que existem já estão ocupados e são caríssimos. E como nós somos um bocadinho mais civilizados que os italianos, nem pomos em causa deixar o carro nas ruas estreitas e com curvas sinuosas, onde mal passa um carro, quanto mais dois e com carros mal estacionados! Por isso, já sabem, barco é das melhores opções.

Amalfi é a mais antiga República Marítima da Costa de Amalfi e de Itália. A sua beleza é ímpar, e ainda hoje mantém vestígios da sua origem romana do período imperial.

A sua beleza está presente nas casas muito próximas que conjugam o branco imaculado com as cores vivas, no azul do céu que é rasgado pela montanha, nas ruelas protegidas por pórticos, nas torres de vigilância e na praia preenchida por guarda-sóis coloridos que terminam no azul esmeralda do mar.

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O que fazer em Amalfi:
Não percam a visita à Catedral, o símbolo máximo da cidade. Iniciada no século IX foi restaurada várias vezes dando origem à imponente construção que vemos hoje. A sua bonita fachada policromada antevê o interior ainda mais majestoso. Este último de estilo barroco com a estátua de bronze de Sant´Andrea no altar.

Dentro da catedral temos acesso à primeira catedral aqui construída, a Basilica del Crocefisso e ao Chiostro del Paradiso, o antigo cemitério dos cidadãos ilustres.

No exterior temos a Piazza del Duomo, com a Fontana del Popolo no centro. Próximo, passando por um pórtico, chegamos aos Antigos Arsenais, onde eram construídos os navios de guerra. A poucos metros encontram também a Piazzetta dos Doges com oficinas típicas.

Para quem for com mais tempo, imperdível a visita a Atrani, muito próxima de Amalfi.

Para quem quiser relaxar, a praia é a melhor opção.

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Ravello
Dos três locais em que estivemos, sem dúvida que Positano era o que ocupava o espaço mais querido no meu coração, mas eram dois locais em Ravello que viriam a levar o prémio para casa!

A Villa Cimbrone e a Villa Rufolo. Decorem estes nomes, pois estes são os dois locais a não perder numa visita à Costa de Amalfi.

amalfi coastVilla Rufolo

Ravello é um misto de arte, cultura e música, tendo já sido palco de nomes como Wagner, Miró e Viriginia Wolf, entre muitos outros.

Fontes históricas relatam a presença de famílias nobres que se revoltaram contra as autoridades da Costa de Amalfi e se mudaram para Ravello. Este prosperou bastante e no século XI rompeu laços com a República Marítima de Amalfi. O declínio não tardou com as conquistas normandas, e no século XIX foi unificada a diocese de Amalfi. Mas Ravello jamais perdeu a sua beleza e elegância tão características.

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Pelo contrário, Ravello tornou-se no local das mais importantes personalidades do mundo, que se renderam totalmente ao seu charme.

amalfi coast-6Villa Rufolo

O que fazer em Ravello:
Chegamos a Ravello bem cedo, ao contrário de Positano e Amalfi, Ravello não se situa à beira mar, mas sim, mais acima, fomos de carro desde positano e demoramos cerca de 1h15min, não havia grande trânsito. Estacionamos num parque de estacionamento pago, e rumamos à praça principal, onde se encontra a Catedral.

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Este é o primeiro cartão de visita desta cidade, mas não o mais importante.

Daqui seguimos sem demoramos para a Villa Rufolo, que se localiza mesmo ao lado da praça. A entrada é paga, mas um valor bastante simbólico para a beleza do local, 5€.
Esta foi construída na segunda metade do século XIII pela nobre família Rufolo, e o mais fascinante é a sua arquitetura que mescla estilo árabe com linhas árabes-normandas e mouriscas.

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Todo o complexo é deslumbrante mas o ex libris são mesmo as vistas que se obtêm do mar. Divinal, sem dúvida alguma!

Aqui acontece, também, o festival de música Wagneriano.

Da Villa Rufolo seguimos para a Villa Cimbrone, onde se encontrava o local que me levou a Ravello, aquele que aparece no Google quando pesquisamos por Costa Amalfi, o Terraço do Infinito.

Muito provavelmente um dos mais bonitos locais do mundo!

amalfi coast-25Villa Cimbrone – Terraço do Infinito 

Este também terá sido o pensamento de Lord William Beckett quando em 1904 comprou o terreno onde existia uma antiga casa abandonada e o transformou num dos mais idílicos locais de sempre. Aqui podemos encontrar uma mistura de estilos e épocas intemporais e distintas com restos arqueológicos fascinantes.

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Os jardins são adornados com estátuas, fontes, templos, grutas e plantas de várias espécies.
O ex libris é mesmo o Terraço do Infinito. Honestamente, podia passar a minha vida toda a tentar explicar-vos o que se sente quando se chega a este local, mas nada do que eu possa dizer é suficiente para descrevê-lo, não há adjetivos para isto!

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O ponto mais alto desta viagem a Itália e, sem a mais pequena dúvida, um dos locais mais idílicos, majestosos, divinais e perfeitos onde já estive.

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Na Villa Cimbrone localiza-se também um hotel de luxo, um restaurante com estrela michelin, e é ainda possível a realização de casamentos, que diga-se de passagem, será certamente o local mais bonito do mundo para se casar!
A entrada no complexo é paga: 7€.

Para quem ficar mais do que um dia em Ravello pode ainda visitar o Auditório de Oscar Niemeyer. Uma arquitetura completamente distinta da restante cidade.

Esta foi a nossa experiência num dos mais belos locais do mundo, a Costa de Amalfi, uma arquitetura única, um charme peculiar, uma azáfama que tem tanto de irritante como de característico, e uma autêntica visão do paraíso que não se encontra em mais lado nenhum.

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Percebe-se perfeitamente porque os habitantes referem que a chegada ao paraíso não será nada de entusiasmante… Eles já estão no paraíso dentro das suas próprias casas!

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Hotel Villa Franca

villafranca-37O Hotel Villa Franca é uma espécie de refúgio onde o azul do céu e o azul do mar se mesclam na mais perfeita harmonia.

Chegar até ele de carro não é tarefa fácil, não porque este se encontre mal localizado, pelo contrário, a região é deslumbrante, mas porque conduzir no sul de Itália é uma verdadeira aventura, de terror obviamente!

Assim, este Small Luxury Hotel of the World situa-se na Costa de Amalfi, mais propriamente na belíssima vila de Positano.

villafranca-24Primeira Impressão
A expectativa era bastante alta, as imagens que já tinha visto das vistas que se tem do hotel eram de tal forma idílicas que pareciam irreais. Mas depressa descobri que não eram!

Chegamos de carro bastante cansados, estávamos a conduzir já desde Cortona e tínhamos parado para um almoço memorável no Don Alfonso em Sorrento, e por agora só queríamos parar um pouco e desfrutar do melhor de Positano, e assim foi.

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Mal paramos o carro à entrada do hotel pudemos perceber a sua elegância, um branco imaculado rivalizava com o azul do céu, ainda não conseguíamos ver o mar, mas não iria demorar muito mais.

Entramos no Villa Franca e fomos recebidos numa pequena mas acolhedora receção em que o check in foi feito sem demoras, do lado direito já se via um azul brilhante lá ao fundo.

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Fomos de imediato acompanhados ao quarto, e mal saímos da receção para entrar no lobby a surpresa foi imensa. Uma decoração contemporânea com peças de arte únicas que faziam uma simbiose perfeita com a calma que se sentia vinda do mar. Conseguimos ter uma visão plena do azul do mar e do céu pois parte do hotel é em vidro.

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Entramos num quarto onde o branco predominava mas era enriquecido com pinturas coloridas, quer nas paredes quer no chão. Pequeno mas extremamente elegante, depressa se fez notar a luz forte que entrava pela varanda.

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Dirigi-me a esta, abri as cortinas e lá estava a visão do paraíso! Mar, céu e sol! Depressa chegaram ao quarto doces e prosecco, sentamo-nos na nossa varanda e desfrutamos simplesmente da beleza do momento… o verdadeiro Dolce Far Niente!

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O hotel conta com quatro tipos de quartos, o Classic (em que nós ficamos), o Superior, o Deluxe e o Deluxe Special, além das Junior Suite e Junior Suite Deluxe. Estes variam no tamanho e também nas vistas que oferecem, que diga-se são todas deslumbrantes, seja somente sobre o mar, seja sobre o mar e Positano.

villafranca-12Restaurantes
O hotel conta com algumas opções, como por exemplo o Li Galli, o restaurante principal, onde tivemos o prazer de desfrutar dum agradável jantar, sendo um dos principais restaurantes de Positano, contando com o célebre Chef estrelado Gennaro Esposito como consultor.

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De destacar, além da óbvia e incansável vista sobre o mar que de noite se torna num imenso negro, o tártaro de novilho com trufa e bolas de queijo crocante, e um risotto de altíssimo nível.

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Outro dos ex libris é o restaurante que fica no topo do hotel, que funciona como GalliGril Pool e como Gallis Sky Bar. O que permite desfrutar de um almoço com uma vista absolutamente vertiginosa, ou simplesmente beber um cocktail enquanto se petisca algo e se aprimora o bronze.

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A sala de pequeno-almoço é igualmente um local a não perder, não só pela variedade de produtos e opções gastronómicas mas pelo facto de termos uma visão bastante expansiva sobre a vila de Positano, com as suas casas coloridas a descer em socalcos em direção ao mar.

villafranca-20Não parece uma má vista para começar o dia!

Por fim, mas não menos importante, temos o Gallis Bar, ideal para um fim de tarde bem passado, num terraço praticamente privado.

Todos os espaços têm uma decoração semelhante ao restante hotel, contemporânea e com peças de arte exclusivas, bastante exuberantes até, mas o local mais elegante de todos, para mim, é sem dúvida este último, o Gallis Bar.

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O hotel disponibiliza ainda momentos únicos à volta da comida com experiências de Show Cooking para os hóspedes que se queram aventurar na cozinha italiana.

Um dos locais mais aclamados do hotel, e do qual eles se sentem mais orgulhosos é a Adega, com vinhos únicos e capazes de engrandecer qualquer momento especial. Assim, provas e degustações são bem-vindas, acompanhadas com queijos ou produtos tradicionais.

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Serviços
O Villa Franca oferece todos os serviços típicos de um hotel de luxo, como concierge, wi-fi, lavandaria, babysitting, e até dog-sitting, serviço de quartos, fax, parque de estacionamento privativo (por um preço razoável por dia), entre outras coisas.

Além disto, o hotel disponibiliza aos seus hóspedes experiências reais pelos encantos de Amalfi, seja organizando visitas a Positano ou às vilas mais próximas, seja passeios de barco, seja personal shopper.

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O Villa Franca fica a apenas uns minutos do centro de Positano e da praia principal, mas para quem não gosta de andar, o hotel garante transporte várias vezes ao dia de ida e vinda.
Para quem optar por ficar no hotel, as opções também são variadas. Uma tarde inteira no topo do hotel a relaxar na piscina e a bronzear, ou uma tarde a relaxar no banho turco seguido de uma massagem de relaxamento e tratamento facial não é nada má opção!

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Para os mais ativos (que agora já é o meu caso!) o Villa Franca tem um pequeno ginásio, mas com tudo o que é necessário, disponibilizando ainda um personal trainer.

Para quem gosta de levar um bocadinho de cada local para casa, no Villa Franca isso é possível, adquirindo produtos exclusivos de alta qualidade que passam pelas mãos de artesãos locais. Desde produtos de higiene e beleza, a roupa de cama, roupa de banho, e fragâncias.

villafranca-39Atendimento
A equipa do Villa Franca é simpática e educada, mas tem a particularidade de não invadir o nosso espaço.

Circulamos livremente pelo hotel e vamos encontrando sorrisos sinceros, mas sentimo-nos sem pressões e sem olhares constantes. Um serviço agradável sem os exageros de etiqueta constantes dos hotéis de luxo.

Algo bastante positivo é o número de funcionários, num hotel pequeno seria de esperar que este número não fosse tão elevado, mas é, o que garante o atendimento imediato a cada hóspede.

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O Hotel Villa Franca é um verdadeiro oásis de elegância e beleza circundante. Uma das melhores localizações na Costa de Amalfi, e que garantiu alguns dos melhores momentos deste nosso regresso a Itália.

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Memorável!

Nota: o hotel fecha durante o período de Inverno, de Dezembro a fim de Fevereiro.

Hotel Villa Franca – Small Luxury Hotels of the World
Quartos a partir de 340€
Viale Pasitea, 318 – Positano
+39 089 875 655
info@villafrancahotel.it

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Hotel Villa Franca a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Euskalduna

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Não tenho por hábito, nem por gosto, escrever e visitar restaurantes novos ou abertos recentemente, seja por achar que muitos dos espaços ainda se estão a definir, seja por considerar que as falhas são muitas das vezes perdoáveis, ou muito simplesmente porque a Internet já está cheia de nomes que vivem da publicação do novo, do trendy e do imediato. Mas existem sempre excepções para confirmar a regra e este é um restaurante diferente, a todos os níveis, pelo que a vontade de escrever surge facilmente.

Quando em 2o14 provei pela primeira vez a cozinha de Vasco Coelho Santos (ver), houve momentos altos e baixos com uns pratos mais bem conseguidos do que outros, mas o que sobressaiu naquela noite, e o que me fez afirmar que ainda iríamos ouvir falar muito do seu nome, foi o seu rasgo criativo, a técnica e o respeito pela matéria prima.

Pois bem, passaram-se quase 3 anos, umas dezenas de jantares privados, muitos erros e experiências, uma bem sucedida “casa de frangos” – BaixóPito -, mais umas quantas viagens pelo mundo… Et voilà! Nasce o Euskalduna Studio, fruto daquele arrojo e necessidade criativa que Vasco sempre demonstrou ter. Um restaurante contra a corrente, a começar pela localização,  numa mal amada área do centro do Porto, uma pequena sala de ambiente minimalista que ganha calor pelo uso da madeira e equilíbrio com uso do ferro e da pedra. Apenas duas mesas e um longo balcão que funciona em jeito de cadeiras de orquestra para uma peça de teatro em que a equipa em vez de uma peça de Kabuki (tipo de teatro japonês) nos apresenta um menu Omakase onde os comensais se aventuram para saborear o que de melhor os fornecedores têm para lhes entregar a cada dia.

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Se por um lado o conceito de comer e a decoração se inspiram no Japão o nome surge dum trocadilho com Vasco e País Basco “Euskalduna” na língua basca. Região essa que muito o influenciou a nível técnico e de composição dos pratos, fruto da sua passagem pelo El Bulli, Mugaritz e Arzak.

Adiante na história e passemos à visita, que decorreu logo no 2º dia do soft opening, juntando assim o nervosismo de uma abertura à exigente plateia que o visitava naquela noite, entre os quais  vários chefs, um deles com direito a estrela no guia vermelho, gastrónomos internacionais e amigos de longa data – fosse comigo e as minhas mãos tremeriam bem mais do que tremeram as de Vasco Coelho e a sua equipa!

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A ideia é entrar no restaurante e deixar-nos levar, tal como na falada peça de teatro, pelos argumentos (neste caso cerca de 10 momentos) propostos pelo chef, sem entraves ou restrições (pronto, a brigada anti-glúten pode sempre conferir com a equipa todas as suas restrições no momento de efectuar a reserva!). É verdade que gosto de escolher e saber o que vou comer, mas às vezes é importante sair fora da caixa e sabermos entregar-nos nas mãos de quem quer simplesmente agradar-nos e satisfazer-nos.

Euskalduna-2Edgar Alendouro – o escanção com um Quinta das Bágeiras Super Reserva 2013

Sentados ao balcão, onde a experiência se garante mais cativante, começamos o espectáculo com um brinde de Quinta das Bágeiras Super Reserva 2013, um dos grandes espumantes bairradinos feito pela mão certeira de um dos nossos melhores vignerons – Mário Sérgio – que com um blend de Maria Gomes e Bical produz um vinho com identidade, como se fazem muito poucos – austero e cítrico, na boca revela um interessante corpo e uma frescura que lhe permite acompanhar muito bem os snacks que se seguiriam.

Para começar, uma interessante e ótima versão do clássico Bolinho de Bacalhau – com uma capa crocante a lembrar um torresmo e um interior cremoso e delicado.

Euskalduna-5Caranguejo, rabo de porco
Seguiu-se o caranguejo, presente num ótimo creme e na carne branca das patas acompanhado de um peculiar crocante de rabo de porco. Se em separado todos os elementos funcionavam bem, no conjunto a intensidade do crocante de rabo demasiado tostado sobrepõe-se em demasia à doçura e subtileza do crustáceo.

Euskalduna-6Língua de Cordeiro, molho Holandês, trufa e flor de ervilha
Vasco deve ter alguma atracção especial por línguas, que diga-se, cozinha sempre magistralmente. Grande textura, sabor simples e elevado pelo molho que poderia ser ainda mais intenso e a trufa, ainda que a mesma já não estivesse na sua melhor forma.

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Euskalduna-8Alho e Parmesão
Se é certo que a língua irá chocar a maioria dos comensais, o alho não lhe ficará muito atrás. Um dente cozinhado a baixa temperatura, posteriormente nixtamalizado (processo de cozimento numa solução alcalina à base de cal) e finalizado com queijo parmigiano. Alho de capa crocante e interior cremoso, bom jogo de sabores, que traz consigo o factor Wow.

No copo esteve um Madeira Sercial 10 anos da Barbeito, cuja mineralidade, os frutos secos e as notas resinosas trouxeram uma grande frescura e se acomodaram muito bem com a intensidade deixada na boca pelo alho e o queijo.

Euskalduna-9Ouriço do Mar, Telha de Parmesão e capuchinhas
Ler o nome do prato é o mesmo que ler bomba de umami, e foi isso mesmo que recebemos, um ótimo snack em que até a combinação do queijo com o marisco funcionou.

Euskalduna-10Sopa do diaOvo a 70º, ervas, algas, beterraba e caldo de vegetais
Excelente o ovo cozinhado a baixa temperatura e curado em açúcar, bem acompanhado pela selecção de ervas e algas. A beterraba trouxe notas de terra que trazem mais algum calor e estrutura ao prato, mas faltou ao límpido caldo um pouco mais de intensidade e sabor.

A harmonizar esteve um jovem Pormenor 2015, um branco duriense que promete muito a quem o guardar por algum tempo, com uma acidez vibrante, estava ainda demasiado energético para não se sobrepor aos delicados pratos que acompanhou.

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Euskalduna-11Cavala, Pepino e Gin
Este é outro prato que o jovem chef tem vindo a desenvolver desde que iniciou o seu projecto de jantares privados, e mostrou-se em excelente nível. Excelente o rigor técnico, o sabor do peixe e a combinação da sua gordura e untuosidade com a frescura e acidez do gin e do pepino. Um grande prato!

Para acompanhar, nada mais do que um gin sour, preparado com recurso ao sifão, apresentando a mesma espuma que já encontramos no prato. Muito bom!

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Euskalduna-12Gamba do Algarve, pó de caril, salada de manga, creme de carabineiro
Este foi o momento alto da noite! As gambas estavam delicadas, doces e com a textura certa, muito bem complementadas pelo creme feito com as cabeças dos carabineiros (pergunto-me onde terá ido parar o corpo), uma salada fresca e ligeiramente picante de manga e um pó de caril gelado feito na pacojet.

Um grande prato em que tudo faz sentido e tudo se equilibra, incluindo o chá de cúrcuma (açafrão da Índia), com que fez o paring, cujas notas doces e quentes (ainda que estivesse um pouco frio) ajudaram a limpar os sabores mais fortes e marcantes do caril.

Euskalduna-15Tamboril, molho de miúdos de frango e nabos
Não fosse a relação entre peixe e miúdos ser excessiva para o lado das miudezas e estaríamos perante outro prato soberbo. Como a dose de peixe – cozinhado irrepreensivelmente – era pequena, o molho e a intensidade dos miúdos acabaram por tomar as rédeas do prato.

Nos vinhos, o escanção parece ter lido os meus pensamentos e trouxe um vinho que muito me agrada mas que raramente se consegue encontrar, o Encruzado Munda de 2008, um vinho que está a passar uma grande fase, ligeiramente oxidado, com uma bela estrutura e com todos os elementos já colocados no seu sítio, um vinho que não cansa e que neste caso acompanhou muito bem o prato.

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Euskalduna-17Costela Mindinha e Ananás
Um dos meus cortes favoritos, como bom transmontano que sou, e tantas vezes menosprezado, aqui muito bem tratado com a cocção a baixa temperatura, faltando-lhe apenas um pouco mais de caramelização na capa exterior. Nota alta para o doce “mil folhas” de ananás assado e muito alta para o molho de carne que acompanhava o conjunto – um bom pickle podia também ter ajudado a elevar o conjunto.

Houve ainda tempo de limpar o molho com o pão que a equipa tem vindo a tentar desenvolver sob a orientação do mestre Mário Blanco Peres, que não estando ainda afinado deixa antever, pelos aromas da sourdough, que vai valer a pena que o pão se torne num dos momentos do menu.

Com a carne bebeu-se um duriense, Campo Ardosa 2009, de notas a erva típica da região, fruta controlada e boa estrutura e final.

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Euskalduna-19Maça
A pré sobremesa traz fruta e frescura, num conjunto de várias texturas de maça verde que serviu, e bem, para limpar o palato.

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Euskalduna-22Rabanada, Gelado de gorgonzola
O final apresenta-se de forma simples e de aspecto modesto, mas desengane-se o comensal, esta rabanada confeccionada ao jeito Basco é um assombro, desde o sabor ao jogo de texturas e a sua boa relação com o ótimo gelado de gorgonzola. Uma bonita homenagem à região que tanto influenciou o chef, e que resulta simultaneamente num grande final!

E para brindar, um delicioso Kopke branco 10 anos, um vinho aromático, equilibrado na madeira e intenso, resultando bem com a sobremesa e com a conversa que se vai criando entre os comensais e a equipa no final da “peça”.

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É ainda importante destacar a arrebatadora louça utilizada na apresentação dos pratos, em particular para as peças desenhadas de propósito para o Euskalduna em barro negro de Molelos.

Considerações Finais
O Euskalduna é um daqueles restaurantes onde não vamos para comer, vamos para ter uma experiência, uma “encenação” gastronómica que culmina com a satisfação das nossas papilas e dos sentidos. É um espaço conceptual até que rasga os hábitos da cidade e promete várias sensações aos visitantes, da sensação de descoberta, ao desconforto e ao êxtase, é um jogo de altos e baixos em que brilha o jogo de texturas – fruto da sua paixão e inspiração pelo Mugariz – e o respeito por uma matéria prima de excelência.

Um espaço que, apesar dos erros que referi, deve manter-se fiel ao seu espírito irreverente e inquieto, assumindo os riscos da criação quase diária de um menu. Cabe ao comensal aprender a aceitar os altos e baixos, como são os momentos e os actos de uma boa peça de teatro, porque no final o sorriso e a vontade de aplaudir não lhe irá fugir!

A colocar na lista! Um futuro caso de sucesso do Porto e de Portugal!

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Euskalduna Studio
Menus a 70€(Sem bebidas)
Rua de Santo Ildefonso, nº404 – Porto
00351 935 335 301

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

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Cortona

cortona-4Piazza Della Republica

Regressar ao paraíso… perdão, à Toscana!

Quem conhece o Blogue sabe da nossa predileção por Itália, mais concretamente pela Toscana, e aquando da nossa viagem de 2013 por esta região ficaram algumas zonas por ver, nomeadamente a perpetuada por Frances Mayes, em “Sob o Sol da Toscana”. Sim, é verdade que o filme americano homónimo catapultou Cortona e a Toscana para o mapa dos americanos e agora só se ouve inglês por lá, mas apesar de tudo a região consegue manter a tradição e a identidade como muito poucos destinos turísticos.

E Cortona é das mais características, pertencente à província de Arezzo e com origens etruscas, conseguimos identificar pormenores de vários períodos da história, desde romano, medieval, renascentista e, obviamente, etrusco.

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Situa-se no alto de uma colina, e a sua origem remonta ao século IV a.c. e toda a sua visita é um verdadeiro regresso ao passado.

Como estávamos hospedados em Cortona, no Il Falconiere, a viagem até à cidade foi rápida, cerca de 5min de carro. Se estiverem a fazer uma viagem pela Toscana, em princípio estarão também de carro uma vez que é a forma mais fácil de visitar várias regiões, e podem ou hospedar-se no maravilhoso Il Falconiere (ver) ou ficar numa cidade próxima e tirar um dia para visitar Cortona.

A cidade é circundada por uma muralha já bastante antiga que contém seis entradas distintas, algumas das quais do próprio período etrusco, a Porta de Santa Maria, a de Sant´Agostino, a Bifora, a Colonia, a Berarda e a Montanina. Estas são as seis entradas principais, apesar de haver várias entradas, estas são as que se encontram preservadas, mais antigas e com mais história.

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Como vínhamos de carro, e pretendíamos deixá-lo estacionado antes de entrar na cidade e percorrê-la toda a pé, estacionamos na Viale Cesare Battisti num parque de estacionamento gratuito (há vários espalhados à volta da cidade).

Entramos pela Piazza Garibaldi (aqui também há um parque de estacionamento mas é pago), e percorremos a Via Nazionale cheia de lojas, café, comércio local e de onde irradiam belíssimas ruelas íngremes, até chegar à Piazza Della Republica.

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Aqui foi outrora o Fórum Romano, e é a praça mais importante da cidade, podemos ainda encontrar a antiga residência do Cardeal no século XVI, o Pallazzo del Capitano del Popolo, onde hoje funcionam os Correios, e também o Pallazo Comune, com a sua bonita escadaria e que foi utilizado no século XII para reuniões de conselho relativos a assuntos políticos, religiosos e culturais.

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Daqui seguimos para a Piazza Signorelli onde podemos encontrar a distinta fachada neoclássica do Teatro Signorelli no meia da praça tipicamente medieval. O Teatro ainda se encontra operacional e organiza eventos de vários tipos, por isso se forem com tempo e ficarem uns dias por Cortona deem uma vista de olhos no programa mensal.

Do lado esquerdo do Teatro temos o Palazzo Casali do século XVI que abriga o Museo dell´Accademia Etrusca e della Città de Cortona (MAEC), além da biblioteca.

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Ao sábado há feira nesta praça, por isso se estiverem por Cortona num sábado não percam.

Próximo daqui fica a Piazza do Duomo e o Duomo, que foi construído nas ruínas de um edifício pagão, e será do ano 1000, apesar da sua atual estrutura ser uma reestruturação renascentista. O seu interior é uma inspiração da arquitetura de Brunelleschi.

cortona-11 Igreja di San Francesco

Em frente ao Duomo é possível encontrar o Museo Diocesano colocado na antiga Chiesa del Gesù. No seu interior encontram-se obras de arte de diferentes igrejas que pertencem à diocese.
Andando cerca de 500m encontramos a Igreja di San Francesco, construída por Frei Elias em 1247 sobre as ruínas das termas romanas, em homenagem a São Francisco.

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No interior existem algumas relíquias, como a sua batina, um travesseiro e o seu livro do Evangelho. O monumental altar de mármore abriga os restos da Santa Cruz. Aqui encontram-se sepultados o pintor Luca Signorelli e Frei Elias.

Saindo da igreja do lado esquerdo (quem está virado para o altar) encontram um espaço, uma espécie de sala com a porta aberta e lá dentro conseguem verificar uma série de pinturas expostas, e ao fundo um homem envolvido nos seus desenhos. Entrem por favor! Não vos posso garantir que esteja lá sempre, mas pelo que percebi é um artista da região e tem o seu trabalho ali exposto. Fiquei completamente deslumbrada. E até podem comprar as pinturas, se gostarem do seu trabalho!

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Bem, voltando à caminhada, agora esforcem-se mais um bocadinho e comecem a subir para chegar até à Basílica de Santa Margherita. Façam-no pela via Santa Croce, que nos brinda com um caminho repleto de ciprestes dos dois lados e que nos fazem sentir verdadeiramente na Toscana.

Quando chegarem ao fim desta via encontrarão a Piazzale Santa Marguerita e a Basílica (para quem não se aventura a subir tudo isto, esta praça tem estacionamento gratuito).

cortona-15Basílica de Santa Margherita

Esta igreja é dedicada à santa padroeira da cidade, a Santa Margherita, e terá sido construída em 1297 após a sua morte, no local onde a santa escolhia como lugar de culto.

No seu interior está o túmulo dedicado à Santa, em mármore esculpido, mas os seus restos mortais são mantidos numa urna acima do altar.

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Daqui, seguimos para um dos locais que mais queria visitar, a Fortezza di Girifalco.

Construída em 1556, a pedido do famoso Cosimo I de Medici, foi idealizada com fins defensivos, apesar de nunca ter enfrentado batalha nenhuma! Terá sido construída sobre as ruínas de fortificações etrusca, romana e medieval.

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Na fortaleza temos vontade de tocar na história, e chegamos mesmo a sentirmo-nos parte dela. O edifício em si não tem nada no interior, mas as vistas que se obtém do topo são estonteantes, com uma visão de 360º sobre Cortona e o Vale de Chiana e um vislumbre do Lago Trasimeno. A entrada é paga mas acessível, 5€.

cortona-19A deslumbrante vista da Fortaleza sob o Vale de Cortona

Quando terminarem esta visita desçam pela Via Santa Margherita e poderão observar a obra de Gino Severini, um importante pintor do século XIX oriundo de Cortona que foi co-fundador do Manifesto Futurista em Paris. Aqui, a sua obra data de 1947 e ao longo de toda a via podemos observar os 14 belíssimos mosaicos que representam a Via Sacra, ao descer a Via irão ver do XIV para o I.

cortona-20Via Santa Margherita

A fome já apertava e decidimos regressar à Piazza Della Republica para comer algo. Acabamos por comprar uma pizza e gelados (que como é obvio não podem faltar numa viagem a Itália!) e sentamo-nos na escadaria do Palazzo Comune a soborear sem demoras, enquanto observávamos a vida serena dos habitantes de Cortona.

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cortona-21Os ótimos gelados da Gelato ti amo

Cortona pode visitar-se num dia, mas se quiserem desfrutar com calma aconselho-vos a ficarem hospedados no Il Falconiere, que como já referi é muito próximo e maravilhoso!

Por favor não se percam somente na visita aos locais obrigatórios, percam-se sim na vida real de Cortona. Observem os habitantes, a sua forma de estar, a sua forma de viver, respirem a cidade e sintam-se também parte dela.

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Onde Comer
Il Falconiere (*Michelin – ver)
Bottega Baracchi (dos mesmos donos do Il falconiere)
Osteria del Teatro
Gelateria – Gelato ti Amo

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

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IL Falconiere *

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Sobre o maravilhoso hotel que nos serviu de refugiu numa curta visita a Cortona pouco haverá a ser dito que não tenha sido descrito pela Cíntia no seu último artigo (ver). Pelo que vamos debruçar-nos sobre o restaurante estrelado deste clássico Relais & Chateaux.

Quando Silvia, nascida numa família de restauranteurs e cozinheira de formação, decidiu juntamente com o seu marido Ricardo recuperar para da antiga casa de família para lá instalar um restaurante, estava longe de adivinhar a repercussão que essa mesma abertura viria a ter.

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A Silvia juntou-se Richard Titi, chef executivo, que num exercício raro de partilha e cooperação comanda os fogões do restaurante desde a conquista da primeira estrela Michelin em 2002. Ao restaurante, por seu lado, juntou-se um hotel, uma adega, uma marca de vinhos e um marco na vida das pessoas que visitam aquele refúgio “Sob o sol da Toscana”

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A visão de Silvia é apostar na cozinha toscana e em particular da região de Abruzzo, com ingredientes locais aliados a um refinamento técnico numa apurada combinação de comida de conforto e fine dining.

Mas passemos à nossa experiência, chegados à sala – infelizmente já não estávamos em tempo de poder jantar no encantador jardim – somos surpreendidos por um magnífico teto e as pinturas que tão bem representam a história arquitectónica da Toscana.

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Já na mesa, ampla e confortável, somos confortados com uma lista improvável, a carta de águas, uma ampla selecção de águas italianas e estrangeiras, naturais ou com gás, com opções para todos os gostos e feitios.

Segue-se uma ampla selecção de pães, com focaccia de tomate, pão de azeitona ou pão de espinafres para citar alguns – Destaque para a focaccia e para o ótimo azeite que produzem na quinta.

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 Como boas vindas do chef, surgiu na mesa um creme de avelã com pão tostado e um creme de queijo pecorino acompanhado de um copo do espumante bruto 100% Trebbiano de 2013 produzido pelos Baracchi.

Depois de um bom início seguimos para uma viagem pelo menu de degustação intitulado de “Diário do caçador”.

ilfalconiere-79Terrina de caça, abóbora, pão de rosmaninho e couve rocha
Terrina de sabor e textura correcta com um bom equilíbrio criado pela doçura da abóbora e e o kick de sabor da roma e da alcaparra. Uma entrada que sem surpreende consegue cumprir as suas funções numa interessante combinação de texturas e sabores.

ilfalconiere-80Sopa de cogumelos, ovo e trufas
Uma leve e reconfortante sopa de cogumelos, elevada pela adição de ovos mexidos e trufas de verão. Um prato simples e reconfortante, que vence pela combinação clássica de ingredientes e o tempero afino. Deliciosa!

Deixamos o espumante e passamos a um branco do produtor, o Astore 2015, também ele produzido com uvas Trebbiano. Um vinho de grande estrutura e corpo, fruto do estágio (sur lies), com notas que fluem entre os cítricos, a fruta de polpa branca e as flores. A sua intensidade e final longo fizeram uma ótima parelha com a sopa e os seus sabores e aromas.

ilfalconiere-81Pici, ragù de javali e vinho syrah
Este foi o prato da noite – mais uma vez inspirado nas tradições da região toscana, primeiro pelo uso do Pici – um tipo de pasta grosso e artesanal, e em segundo pela utilização do javali como proteína. Um prato que nos traz tudo o que faz  o sucesso da cozinha italiana, aliado ao refinado apuro técnico do fine dining, massa no ponto, um ragu incrível e em tudo elevado pelo delicado molho de vinho tinto syrah com notas de baga de zimbro. Um grande prato!

No copo esteve um Baracchi Smeriglio 2013, 100% Syrah, um vinho robusto, cheio de fruta madura, especiarias e terra molhada.  Na boca fez bem a ligação com prato, muito por culpa do molho de syrah e estrutura do ragù. Um belo vinho!

ilfalconiere-82Faisão recheado com Finocchiona e batata e brócolos
À primeira vista, o faisão aparentava estar para lá do ponto, mas era apenas isso mesmo uma aparência, um ótimo e muito bem conseguido recheio, em que a finocchina (tipo de salsicha/enchido italiano) traz à carne de faisão mais untuosidade e sabor. Excelente também o molho com o acompanhamento a ser o elemento menos interessante do prato.

Para harmonizar, a escolha recaiu sobre, imagine-se só, mais um Baracchi, desta vez com um Ardito 2011, produzido com Syrah e Cabernet Sauvignon. Um topo de gama complexo, rico, profundo e concentrado, repleto de fruta escura e bem madura, equilibrada pelas notas de pimenta e tabaco. Um vinho que poderia facilmente sobrepor-se à delicadeza do prato não fossem as dimensões e sabor do recheio aumentar toda a estrutura do prato.

ilfalconiere-85petit fours

Seguiram-se os petit fours, que à boa maneira italiana surgem na mesa antes da sobremesa,   numa louca, mas “saudável” combinação de doces clássicos, onde não faltaram os ótimos cantucci, as mousses, o tiramisu e até as castanhas assadas, tão habituais no início do Outono.

ilfalconiere-83 Mil folhas de Castanha, folha de louro e dióspiro 
Uma massa folhada que foge do registo francês, doce quanto baste e bem crocante, muito bem acompanhada de um delicioso creme de castanha e de marron glacé, onde o elemento que eleva ainda mais a fasquia é o creme de dióspiro. Uma combinação mais do que certeira que culminou num grande final.

O serviço foi muito bem conduzido pelo  mestre Luigi Pipparelli, com aquele jeito de que ninguém está muito ocupado a fazer seja o que for, mas que quando nos apercebemos tudo está no sítio certo, no momento certo e sem detalhes deixados ao acaso.

Considerações Finais
É fácil perceber porque é que depois da abertura do restaurante Silvia e Ricardo foram obrigados (e ainda bem) a criar os quartos e o hotel. Primeiro, não é fácil conduzir pelas estradas da Toscana depois de um jantar, segundo depois de entrar naquela quinta ninguém vontade de ir embora, ao bom jeito de Frances em “Sob o Sol da Toscana”, todos queremos em um ou outro momento ficar ali para sempre. E se não bastassem, as vistas, o sossego e o conforto, a comida também prova que se pode fazer uma ótima cozinha sem os truques mais mirabolantes, preservando a autenticidade e transportando alguma da rusticidade da clássica cozinha da região para os pratos, tudo isto sem esquecer a utilização de grandes ingredientes!

Resumindo se dormirem no Hotel é obrigatório passar pelo restaurante, se estiverem de visita à região e a Cortona o desvio diz que irão encontrar outro grande monumento da cidade!

Il Falconiere – Relais & Chateaux
Ver artigo sobre o hotel
Loc. San Martino a Bocena, 370 – Cortona
+39 0575 612 679 
info@ilfalconiere.it

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Il Falconiere a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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IL Falconiere

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É costume dizer-se que não se deve voltar onde já se foi feliz… mas eu sou totalmente contra essa premissa, eu adoro voltar onde já fui feliz e voltar a sê-lo, normalmente mais ainda! E esse foi o mote que me levou de volta a Itália, e de volta à Toscana. Desta vez para conhecer Cortona, uma belíssima cidade etrusca, e o charmoso Il Falconiere. E é sobre este último que vos falo hoje.

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Rodeado de vinhas e oliveiras, num ambiente tipicamente toscano, assim se apresenta o Relais Chateaux Il Falconiere. Mal se entra neste local somos invadidos por uma sensação de serenidade, que permanece dentro de nós durante toda a estadia.

A quinta tem uma história bem longa, contando já com quatro séculos, e pertencendo já há dois à mesma família, os Baracchi. Após algum abandono, em 1985 Ricardo Baracchi e a sua esposa Silvia decidiram voltar à casa de família e revitalizá-la, e por que não fazer também daquilo uma das suas profissões? E assim foi!

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Abriram um restaurante comandado por Silvia (que ainda hoje se mantém), começaram a produzir vinho e desta forma puderam iniciar a partilha de uma casa repleta de história com o resto do mundo!

Mas, apenas isto não chegava aos clientes, e estes começaram a pedir alojamento, e foi aqui que Ricardo e Silvia decidiram transformar o Il Falconiere num autêntico refúgio no meio da natureza. Esta transformação começou na casa principal, com apenas nove quartos, mas depressa surgiu a necessidade de criar mais e mais espaço para os hóspedes que não paravam de chegar!

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Assim, hoje existem 22 quartos espalhados por toda a propriedade, decorados com peças da família, criando uma atmosfera que nos envolve não só com a região como com os próprio Baracchi, aos quais se junta uma imensidão de atividades e opções de como passar umas férias de sonho numa das regiões mais idílicas de Itália.

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Primeira Impressão
O caminho que se percorre até chegar ao Il Falconiere é estreito e tem aquele charme característico da Toscana, onde ciprestes, vinhas e oliveiras se tornam cicerones!

Chegados, encontramos uma propriedade enorme e repleta de lindíssimos tons avermelhados que o Outono pinta sobre as vinhas, e ao fundo, no topo da montanha, a cidade de Cortona.

O Staff recebeu-nos sem demoras, convidou-nos a descansar um pouco e a ofereceu-nos um chá e água. Percebemos uma simpatia genuína na arte de receber.

ilfalconiere-50 A Casa principal da propriedade

Olhando à volta estamos rodeados de natureza, em frente à zona da receção percorremos um jardim e estamos perante um edifício do século XVII, a casa principal da propriedade, dum lado da receção vemos um belíssimo terraço e um local com uma entrada charmosíssima de vidro que dá acesso ao restaurante, do outro lado da receção, uma pequena capela.

Fomos encaminhados ao nosso quarto, que ficava anexo à capela e mesmo ao lado do spa!

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Quartos
Contam-se 22, distribuídos pelo edifício principal, pela zona junto à capela e ao spa, e pela zona da adega.

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Ficamos numa Junior Suite cuja entrada ficava mesmo ao lado da entrada do spa, aliás para chegar ao nosso quarto tínhamos que passar próximos à piscina (com jacuzzi) aquecida que se encontrava dividida entre o interior e o exterior do spa. Um sonho que teria a minha presença assídua durante toda a estadia!

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Mal entramos no quarto deparei-me com uma lareira enorme e um ambiente extremamente aconchegante. Do lado direito o quarto, separado da sala por um arco, o teto em terracota e vigas de madeira junto com o mobiliário antigo conferiam ao espaço um charme sem igual. A cama confortável, junto a uma janela por onde se via a natureza, serviu vários momentos de relaxamento puro – especialmente depois de uma longa viagem de carro!

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No quarto esperavam-nos também fruta da época, chá, café, água e um mimo muito especial (no nosso último dia) – aqueles biscoitos saborosos tradicionais da Toscana, os Cantucci.

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Quanto à casa de banho – Para chegar até ela descemos uns degraus e deparamo-nos com uma porta que possui o símbolo da cruz em pedra (percebemos de imediato que este local, estando adjacente à pequena capela, teria outrora pertencido à mesma!), entramos e o espaço surpreendeu-nos com as suas paredes de pedra, o seu charme do passado, e a sensação constante de pisar a história.

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Os produtos de higiene são orgânicos e produzidos à base de azeite, com um aroma e uma textura maravilhosa!

Um excelente quarto, sem dúvida!

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Restaurantes
A propriedade conta com um espaço que serve vários propósitos, cuja a entrada é toda em vidro e ferro forjado conferindo-lhe um aspeto bastante romântico. Esta dá acesso (no piso superior) à sala dos relógios, ou sala do pequeno-almoço, que também pode servir bebidas e snacks durante a tarde.

ilfalconiere-32A sala dos relógios preparada para o pequeno almoço

Ao lado, um terraço que apaixona qualquer um e onde, com o clima certo, se pode fazer o mesmo que se faz nas salas anteriores, mas aqui em perfeita comunhão com a natureza.

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Neste local não se admirem se forem presenteados com a figura mais importante da casa, o Giacco, o cão da família, super meiguinho e que nos faz companhia quando estamos a petiscar!

ilfalconiere-63 ilfalconiere-64 ilfalconiere-65O bar e alguns dos vinhos produzidos pelos Baracchi

Descendo umas escadas da entrada de vidro chegamos a dois espaços distintos, o bar, uma sala extremamente cozy, onde a madeira predomina e onde somos tentados de imediato a beber um vinho ou um whiskey, ler um livro e relaxar durante umas boas horas na companhia duma imensa garrafeira.

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O outro espaço é o ex libris da Vila, o restaurante que detém uma estrela desde 2002 e que levou a que tudo isto exista atualmente, e a que cheguem a Cortona pessoas vindas de todo o mundo.

ilfalconiere-81Pici com ragú de javali e molho de syrah

Este nasceu dum antigo limoeiro (casa onde se guardavam os limões depois de colhidos) com uma vista perfeita sobre as colinas de Cortona.
O cenário envolvente serve de inspiração à cozinha concebida pela Chefe Silvia Baracchi. O respeito pela sazonalidade e a utilização de produtos locais combinada com uma vasta seleção de vinhos, fazem deste restaurante um dos mais falados da Toscana. Mas, sobre a nossa experiência aqui falar-vos-á o João no próximo post.

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Serviços
O Il Falconiere é por excelência um refúgio do relaxamento, no entanto, e porque há gostos muito diversos, conseguiu criar uma panóplia de atividades capaz de suprir as necessidades de todos.

Assim, temos como opção (obrigatória!) visitar a pequena mas muito interessante Cortona, que fica a apenas alguns minutos de carro do hotel. O staff ajuda a organizar o nosso dia, indicando-nos quais os pontos mais importantes a conhecer e ainda nos dá umas aulinhas de história! Também organizado e devidamente marcado podem optar por escolher atividades como caça, passeios de bicicleta pela montanha, caminhadas e percursos equestres, golfe e yoga.

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Outra das opções de atividade, e a que dá o nome à propriedade, é a Falcoaria, ou seja, a arte de criar, cuidar e treinar falcões, normalmente esta cerimónia, dirigida por Ricardo Baracchi, termina com a entrega de um diploma.

Para quem opta por ficar pela propriedade não pode perder uma das grandes paixões da família Baracchi, o vinho, assim podem visitar as vinhas, participar na vindima, visitar a adega e fazer uma prova de vinhos com os diferentes selos que a família produz.

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Um local perfeito para passar um calmo entardecer enriquecido com um bom vinho e queijos é o terraço, ou se o frio não o permitir, podem sempre optar pelo ambiente bucólico do bar – que me encheu as medidas num maravilhoso fim de tarde.

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Durante o verão a piscina é o local preferido de todos, e o Il Falconiere conta com duas, a principal, junto ao spa, e uma na zona da adega que normalmente é mais utilizada pelos hóspedes que ficam nos quartos desse edifício.

É também neste último local que se localiza a cozinha que serve de espaço a uma das mais interessantes atividades do Il Falconiere, as aulas de cozinha da famosa Chef Silvia Baracchi. E aqui, toda a gente “mete a mão na massa” que é como quem diz, trabalha! Aprendendo pratos tradicionais da Toscana numa cozinha bem rústica e autêntica onde no final cada um aprecia e degusta a sua “obra prima”!

Os casamentos também são bem vindos a esta Vila, sendo que os noivos podem inclusive (com antecedência, claro) reservar toda a propriedade para si e os seus convidados. Quem não gostaria de casar sob a beleza da Toscana?!

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Para mim o ex libris é mesmo o spa, o Thesan Etruscan Spa, que como o próprio nome indica é um spa de características etruscas, que evoca o passado, e eleva os nossos sentidos ao mais perfeito relaxamento. Este é composto por algumas salas de tratamentos, sauna, banho turco, e uma das mais bonitas piscinas que já vi.

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A piscina aquecida com jacuzzi e cromoterapia é rodeada por duas zonas bem distintas, o interior e o exterior, no interior várias poltronas, camas de relaxamento e uma lareira completam o ambiente acompanhado com música que relaxa a nossa mente. No exterior a rainha é a natureza! E não há nada mais perfeito do que terminar o dia a ver o pôr do sol misturado com os vales da toscana numa piscina bem quentinha e aconchegante!

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Atendimento
Há três anos atrás iniciamo-nos pela Toscana e ficamos apaixonados, hoje posso dizer que a paixão é ainda maior, e isso deve-se não só às paisagens e à gastronomia mas também ao seu povo, que me arrisco bem a dizer que é totalmente diferente do resto de Itália. Há uma genuinidade sem igual, e uma capacidade de nos fazer sentir em casa muito semelhante às “gentes” das nossas aldeias portuguesas.

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E a equipa do Il Falconiere foi e é tudo isso, é genuína, meiga e focada no nosso bem estar, além de que o ambiente é totalmente familiar, aliás é mesmo uma casa de família e isso sente-se tão mas tão bem!

Sem dúvida um local que deixará imensas saudades e ao qual iremos regressar no futuro!

Imperdível!

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Il Falconiere – Relais & Chateaux
Quartos a partir de 200€
Loc. San Martino a Bocena, 370 – Cortona
+39 0575 612 679
info@ilfalconiere.it

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Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Il Falconiere a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Ferrugem (Revisitado 2016)

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Ferrugem é um nome que toda a gente, mais ou menos atenta à cena gastronómica nacional, já ouviu falar, mas que poucos tiveram a ousadia e a consequente satisfação de visitar e vivenciar. Somos um povo dado a comodismos, e percorrer km’s de autoestrada para visitar um restaurante ainda não faz parte do roteiro habitual dos portugueses, ainda que esteja a menos de uma hora do Porto!

Pois bem, este Ferrugem nasceu em 2006, na invulgar localidade de Portela, junto a Famalicão, pela mão do casal Dalila e Renato Cunha, que juntaram a sua paixão autodidata pela cozinha com a ousada – talvez louca seja a expressão mais correcta – vontade de criar um restaurante de autor numa zona rural da conservadora região do Minho. O talento foi-se fazendo sentir e a sua marca de “Portugalidade” foi conquistando até os críticos mais difíceis (os locais), basta para isso recordar o imenso sucesso do seu Pastel de Bacalhau com Nata, o seu caldo verde, ou a sua Cavala fumada com ovas de vinagre Moura Alves (ver).

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Quis o destino que estas 4 mãos se separassem, mas que o projecto se mantivesse vivo e à prova de ferrugem! Com Renato Cunha ao leme do projeto, o restaurante vive uma fase bonita da sua vida, tendo já em 2016 conquistado o título de Melhor “Restaurante Fora de Portas” nos prémios Flavors & Senses – Os Melhores para 2016 (ver).

Mas deixemos a história e rumemos a mais uma visita pelo Portugal gastronómico.

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O restaurante mantém a decoração sóbria de influência minhota, em que o alto pé-direito e as paredes de granito ganham conforto e aconchego na moderna lareira que serve de peça central ao restaurante.

Já na mesa, bem instalados e com conforto, mantêm-se prazeres de outros tempos, como a Manteiga de Azeite, e o pão caseiro de Ameixas e noz. Na manteiga está bem patente a ideia de recriar a Portugalidade, transformando o nosso clássico azeite numa pasta para barrar no pão que é servida em jeito de bisnaga de pasta medicinal Couto.

ferrugem2016-3Iogurte de Carabineiro
O primeiro snack não tardou na mesa, e se antes tínhamos sabores clássicos, agora a boca leva um kick de alegria e frescura que a prepara, e bem, para a refeição que se seguiria, deixando as papilas bem activas. De iogurte, apenas o nome e textura de um creme à base de nata, cabeças de carabineiro assadas e citrinos, com destaque para a lima kaffir. O Marisco é servido na sua forma mais nobre, cru, e ligeiramente marinado. Um belo início!

ferrugem2016-4Entre o Panadinho e o molho verde, venha o Polvo e Escolha!
O nome do prato diz quase tudo sobre ele, e na sua génese esteve a combinação de dois clássicos da cozinha tradicional, a modesta e inocente salada de polvo e os reconfortantes filetes de polvo, que com o twist habitual da casa se transformou num “gelado” de polvo frito, acompanhado de uma maionese de alho e cebolinho ao jeito de um molho tártaro, cebola crocante e camarão da costa desidratado. Nota alta para a qualidade da fritura e para a brilhante textura do polvo, muito bem conjugado com a untuosidade e frescura da maionese e o sabor da cebola, elevando-se no final com o sabor intenso e a crocância do camarão. Delicioso!

A harmonizar esteve um vinho de um dos mais cativantes produtores da Região dos vinhos Verdes, Aphros, com um interessante Aphros Loureiro Reserva Bruto 2014, um espumante jovem, ainda cheio de garra e com grande poder aromático, o que facilitou a combinação com os snacks.

ferrugem2016-5Caldo Verde, Broa de milho
Esta é, há anos, a habitual saudação do chef no Ferrugem, e percebe-se porque não sai de cena. 1º porque personifica o espírito e ideologia do restaurante, 2º porque é ótimo! É comida de conforto, que de olhos fechados nos leva para a cozinha da avó ou de uma tia com mão de cozinheira, é o Minho e é Portugal. O sabor está lá todo, e o chouriço é o que está em maior destaque como gostam os minhotos e nós transmontanos. A textura quase sedosa é outro dos pontos altos.

ferrugem2016-6Bacalhau com Todos
Este foi o último prato de Renato Cunha a tornar-se famoso, muito por culpa da sua apresentação no Congresso Nacional de Cozinheiros, julgo que em 2014. Outro prato que parece recriar, em arte moderna, a Gastronomia Portuguesa imortalizada por Maria de Lurdes Modesto. Os elementos não poderiam ser mais conhecidos, grão de bico transformado numa espécie de húmus, azeitonas cobrançosa e bical em forma de pasta, cebola nuns brilhantes pickles, ovo de codorniz e claro o nosso Rei, o bacalhau, servido cru, depois de uma cura que não me parece a habitual e muito bem cortado em jeito de fatias de sashimi. Uma salada fria, com uma ótima conjugação de sabores e texturas onde o ex-libris é sem dúvida a textura do bacalhau e delicadeza e sabor dos pickles de cebola (feitos com açafroa dos Açores e beterraba).

No copo não faltou um clássico que é também um dos meus brancos preferidos, o Soalheiro Primeiras Vinhas, neste caso o 2015, um grande ano, que não só nos dá grandes alegrias hoje como o fará certamente daqui a 10 anos, elegante de aroma perfumado e com fruta na dose certa, cresce na boca com a mineralidade que o caracteriza e uma grande complexidade de sabor. Um grande vinho para um grande prato!

ferrugem2016-8Robalo Selvagem, foie do mar e arroz de boletos
Este foi o prato que me fez marcar o regresso ao restaurante (depois de ver o chef a apresentá-lo num programa televisivo) e não me desiludiu. Peixe de grande porte (5kg) cozinhado na perfeição depois de algum tempo em salmoura, fígado de raia, com a gordura e untuosidade certa, chutney de boletos, e arroz cremoso de boletos servido no ponto. Excelente o contraste de sabores Terra/Mar e o jogo de texturas posto no prato, os rebentos que normalmente nada trazem aos pratos, dão aqui um ligeiro toque de frescura que aligeira o prato.

No que a vinhos diz respeito voltamos ao projecto Aphros para uma grande, grande surpresa, um Afros Loureiro 2009, um vinho ligeiramente oxidado e com tempo suficiente de descanso para pensar no que se queria tornar, e assim foi, tornou-se um vinho muito mais delicado e interessante que um Loureiro de Verão, uma espécie de Riesling, com notas maduras, alguma doçura mas com acidez e carácter para o fazerem durar.

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Para limpar o palato, um simples mas sempre eficiente sorbet de limão, aromatizado com amêndoa amarga e elevado pelas petazetas que sempre nos fazem regressar à infância, enquanto todos os comensais esboçam sorrisos de alegria à medida que se vão fazendo sentir os estalidos.

ferrugem2016-10Arouquesa Maturada, puré de cenoura
Pojadouro maturado por 5 semanas, cozinhado no ponto, de textura ainda firme e com alguma resistência que compensa a rigidez com o sabor e gordura bem entremeada. A acompanhar esteve muito bem o puré, ligeiramente doce e amanteigado que contrasta bem com o a explosão do pickle. Ótimo o jus que rega a carne e liga todos os elementos.

Para acompanhar a carne viajamos até ao Alentejo com um tinto, Julian Reynolds Reserva 2009, um vinho cheio de fruta, que se liga bem com a carne, com boa integração da madeira  e taninos elegantes. Sem surpreender foi uma boa companhia para o prato.

ferrugem2016-11Queijos Portugueses
Para terminar não houve a homenagem ao Abade Priscos que deve ir na sua 4ª interpretação, mas houve um Queijo São Jorge DOP com cura de 30 meses, que Renato trouxe de uma visita recente aos Açores e que nos levou a um elevadíssimo nível de prazer. Competente também o queijo amanteigado, tudo muito bem acompanhado pela espécie de gelado de figo pingo de mel com vinagre Moura Alves e as telhas crocantes que trouxeram ao prato dimensão, textura e sabor.

A harmonização ficou a cargo de um elegante vinho doce de Setúbal, Moscatel Roxo 20 anos da José Maria da Fonseca, um vinho de um lindíssimo tom âmbar e notas de laranja, caramelo e especiarias que funcionaram lindamente com o queijo.

ferrugem2016-12Renato Cunha*

O Serviço de sala é competente e a presença do chef na sala para apresentar e explicar os pratos, sempre que possível, torna a experiência ainda mais interessante e completa do ponto de vista do comensal que quer conhecer uma cozinha de autor.

Considerações Finais
Lemos muitas vezes que não existem mais estrelas Michelin em Portugal (ainda que este tenha sido um bom ano) porque os críticos espanhóis não compreendem a cozinha Portuguesa tal como ela é, em certa parte tendo a concordar, mas por outro lado, foi quando os restaurantes de fine dining se voltaram para os sabores do nosso país e os seus ingredientes e raízes que o seu trabalho começou a ser mais reconhecido a todos os níveis. Pergunto-me também se são só os críticos que não compreendem essa Portugalidade ou se os portugueses também não! – Mas isto daria asas para muito texto e este já vai longo.

O que quero dizer, e passando a bola de novo para o Ferrugem, é que este projecto de Renato Cunha tem muito para oferecer, acredito que tem ainda mais a oferecer no dia em que Renato tenha o suporte dos comensais para dar liberdade à sua veia criativa, ao produto e à sua paixão pelo que é nosso, sem ter de se preocupar tanto com a gestão, as contas, os ordenados e a sustentabilidade do projecto ( sim, para os leitores mais desatentos nem tudo na vida de chef é Rock & Roll!). A estrela ajudaria a isso, ajudaria a que os portugueses abrissem os olhos e fossem visitar um dos melhores restaurantes com relação/qualidade preço do país, que por sinal não está nem em Lisboa nem no Porto para benefício da regionalização. Mas para que chegue, e acredito que irá chegar, há detalhes que precisam ainda de ser limados e aprimorados como Renato e a sua equipa saberão melhor do que eu, o que não é justo é que os críticos e os portugueses se esqueçam de visitar uma pequena aldeia minhota em que se serve Portugal com uma ou outra pitada de magia.

Ferrugem
rua das pedrinhas, 32, Portela, Famalicão
+41° 27′ 41.83″, -8° 26′ 53.63”
252 911 700

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses e * Tiago Lessa 

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Quinta do Vesuvio 2014 e Pedro Lemos

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O lançamento de uma nova colheita é sempre motivo de festa e celebração, é tempo de provas e apresentações, de bulício e nervosismo. Mas também é tempo de desfrutar, mais ainda quando se trata de um grande vinho, de um nome incontornável e claro de um produtor como a Symington.

A Symington é uma daquelas empresas em que nenhum detalhe é deixado ao acaso, pelo que não foi à toa que escolheram o estrelado Pedro Lemos para apresentar a sua mais recente colheita da Quinta do Vesuvio, o 2014.

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Sobre o chef pouco há a dizer que ainda não tenha sido dito aqui, quem acompanha o blog sabe a minha admiração pelo seu trabalho e a mestria com que trabalha os ingredientes elevando o seu sabor sem máscaras e maquilhagem.

Assim, estava lançado o mote para um daqueles convites irrecusáveis, a cozinha de Pedro Lemos e os sempre estimulantes vinhos do Vesuvio.

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Para abrir as “hostilidades” nada como um sempre assertivo Pol Roger Blanc de Blancs 2008 (conhecido entre os “amigos” como Paulo Rogério!), um Champanhe que com os seus 8 anos é ainda uma criança cheia de vivacidade, aromas clássicos, amêndoa, brioche, flores brancas e a frescura dos citrinos. A acompanhar, Tomate, mozzarella e tapioca, num amuse bouche, que juntou textura e frescura, numa conjugação clássica de sabores.

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vesuviopl-3Porco, amêijoa e gamba do algarve
Já na mesa, as boas vindas do chef chegam-nos em jeito de viagem entre o Alentejo e o Algarve, ou entre a Terra e o Mar, se preferirem. Carne suculenta e cozinhada a preceito, camarão cru e doce como se pretende. Mas aqui aquilo que verdadeiramente nos leva a outro patamar é o caldo, uma profundidade de sabor em que se distingue na perfeição o sabor forte e untuoso do porco com a delicadeza e profundidade do marisco. Bem rematado com o “kick” de frescura do pickle. Um grande Prato!

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vesuviopl-5Lula recheada com sabores portugueses, caldo de carabineiro
Aqui está mais uma vez a “falta de máscara” da cozinha de Pedro Lemos, uma  lula aparentemente simples mas cozinhada na perfeição e bem conjugada com os sabores fortes do recheio onde não faltava a intensidade dos nossos enchidos e o sabor a mar do caldo rico de carabineiros. Não fosse uma réstia de areia no interior da lula e teríamos mais uma vez perfeição à mesa!

A acompanhar esteve o elemento mais jovem da família, o Pombal do Vesuvio 2014*.

vesuviopl-6Vaca, Aipo e cantarelos
Para prato principal Pedro Lemos escolheu a Vaca como proteína, apresentando-a em 3 cortes e 3 texturas, língua, rabo e carpaccio de carne maturada, bem acompanhada por texturas de aipo, cogumelos cantarelos e cebolinha, com um molho rico e delicioso como já é apanágio do chef. Muito, muito bom!

No copo esteve o grande motivo desta “reunião”, o Quinta do Vesuvio 2014**.

vesuviopl-7vesuviopl-8  Morango, manjericão, espuma de limão e gel de vodka
E chegou a vez do primeiro momento doce do almoço – morango granizado, sorbet e molho, sabores frescos e naturais, muito bem combinados com o creme de manjericão e a espuma. As notas da vodka dão ainda mais dimensão ao prato.

A harmonizar esteve, como não podia deixar de ser, aquilo que tornou famosa a Quinta do Vesuvio, o vinho do Porto, desta feita com um Quinta do Vesuvio Vintage 1995. Um vinho equilibrado, maduro com apontamentos de especiarias e um nariz interessante que mostra ainda alguma fruta. Um vintage fácil e elegante!

vesuviopl-11Queijo Azul, Pera, chocolate e nozes 
Para terminar, e acompanhar a “surpresa” da noite, Pedro Lemos decidiu recriar numa sobremesa algumas conjugações clássicas do vinho do Porto, como a pera bêbada, o chocolate ou o Stilton. Gelado de queijo azul, chocolate negro de São Tomé, pera bêbada e gel de pera rematado com noz caramelizada. Muito, muito bom e uma grande combinação com o Porto Vintage Dow’s de 1963.

Um ano mítico para o vinho do Porto onde este Dow’s não é excepção, a passar a sua melhor fase, com uma acidez cativante e um final longo e profundo, as notas fluem entre os frutos secos, alguma flor e tabaco. Rico e delicioso!

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Foi sem dúvida um almoço memorável, que – como se ainda houvesse necessidade disso – provou a grande forma que atravessa Pedro Lemos, o “mestre do sabor”, aliado a vinhos nobres e muito bem pensados e executados, que só vêm ajudar a definir cada vez mais o Douro enquanto uma grande região de vinhos DOC.

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* Pombal do Vesuvio 2014
Este Pombal apresenta no seu lote mais Touriga Nacional do que as edições anteriores, pelo que estão também mais presentes as notas de Violeta acompanhada de notas silvestres e algum vegetal. Na boca o vinho mostra-se redondo, pronto a consumir, com a madeira bem integrada, rico em fruta escura sem o peso das compotas, com notas leves de pimenta e chocolate que lhe trazem umas nuances agradáveis. Um grande vinho, e uma das melhores relações qualidade/preço na sua gama.

**Quinta do Vesuvio 2014
Aqui também predomina a touriga nacional, num lote que junta também uma criteriosa selecção de Touriga Franca e Tinta Amarela (as mesmas castas que se reúnem no Pombal), resultando num vinho ainda muito jovem e que irá a médio prazo viver a sua melhor forma. Um vinho com os aromas clássicos do Douro, algum balsâmico e muita fruta. Na boca, destaque para a sua estrutura, acidez cativante e fruta saborosa. Um grande vinho, um grande Douro para comprar e guardar, que o futuro promete muitos e melhores momentos de prazer!

Pedro Lemos
Rua do Padre Luís Cabral, 974 – Porto
+351 220 11 59 86

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

Nota
Estivemos na apresentação da Quinta do Vesuvio a convite da Symington, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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