Os segredos para um Bom Serviço #MAD4

Existe quem diga, que num restaurante com bom serviço se perdoa uma cozinha menos boa, no entanto quando o serviço é mau, raramente se perdoa, além de se julgar a comida pelo seu serviço.

Hoje, na era dos Chefs, das decorações modernas e da criação de ambientes diferentes, o serviço é mais um item, e não um dos principais. Longe vão os tempos, em que uma boa parte do entretenimento da refeição, estava em ver a chamada “cozinha de sala”, com molhos a serem preparados na frente do cliente, os famosos flamejados, ou a mestria na hora de decantar um vinho (no Porto ainda temos o Portucale).

Hoje tudo mudou, o principal entretenimento passa por um vidro entre a cozinha e sala além da originalidade e criatividade dos pratos que nos são oferecidos.  Com todas estas alterações a vontade do comensal continua a mesma, receber um bom serviço, e é sobre isso que o mestre Silvano Giraldin, a lenda à frente da sala do Le Gavroche, o 1º restaurante em Londres a conseguir 3 estrelas Michelin, falou no MAD 4.  Uma contextualização do serviço nos últimos 30 anos e as melhores dicas possíveis para um serviço de excelência.

Quem lê os meus artigos sabe o quanto valorizo o serviço, e a sua adequação ao restaurante em causa. Por isso aqui fica um vídeo obrigatório, para qualquer empresário da restauração e os seus profissionais de sala.

Silvano Giraldin: “The Art of the Table” from MAD on Vimeo.

“you can only see a service when he is missing it”

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Como andar em Amesterdão

A zona central da cidade é relativamente pequena com todos os principais pontos a serem de fácil acesso, daí dar uso às perninhas e caminhar pela cidade , perdendo-se entre ruas e canais e encontrando os encantos de Amesterdão ser uma boa opção. Outra, que tornará qualquer visitante num local, é a bicicleta, que também dá uso às perninhas e nos faz viver a cidade de uma outra forma.

Falando de bicicletas, se optarem por esta forma de transporte há dicas que tenho que vos dar: Muitos hotéis disponibilizam bicicletas para os seus hospedés passearem pela cidade, se não for o vosso caso, aluguem uma bicicleta, existem muitas lojas para escolher, como por exemplo a MacBike ou a Star Bikes, mas pesquisem os preços e os serviços. Para alugar precisam apenas de um cartão de identificação e passaporte, e também uma caução em dinheiro ou cartão de credito, há locais onde se paga adiantado e outros no acto de entrega da bicicleta.

Relativamente a percorrer a cidade de bicicleta, têm que ter alguns cuidados, respeitem os sinais de trânsito e as zonas onde devem levar a bicicleta pela mão, marcadas com um sinal de proibido. Os ciclistas têm prioridade exceto quando os veículos se apresentam pela direita (pelo menos na teoria, já na prática…). Algumas ruas têm ciclovia à margem da calçada, outras, faixa para ciclistas no asfalto, à direita das faixas dos carros. Há ruas sem ciclovia também. Quando não houver uma via exclusiva, devem pedalar sempre do lado direito, no mesmo sentido dos carros. Não devem parar no meio da ciclovia, e sempre que forem virar é importante não esquecer de fazer sinal com o respectivo braço. Existem também semáforos apenas para bicicletas. Ao estacioná-la, já sabem, prendam-na com dois cadeados ou correntes se a quiserem encontrar no sítio.

Basicamente, a palavra de ordem é a informalidade, e isto foi das coisas que mais adorei nesta viagem, as pessoas são práticas, simples, sem pretenciosismos e descontraídas.


Relativamente aos transportes públicos e para quem preferir um meio mais perguiçoso, pode optar por duas maneiras de viajar e economizar, adquirindo o I Amsterdam Card (passe turístico que inclui transporte ilimitado, estacionamento, descontos de 25% em restaurantes, passeio de barco pelos canais e entrada em quase todos os museus (com exceção de Anne Frank House e do Rijksmuseum – desconto de 2,5€), temos a opção de 24 horas (47 euros), 48 horas (57 euros) ou 72 horas (67 euros) – aconselho a comprar, a quem pretender utilizar muito os transportes e ver muitos museus, pois economiza-se bastante em tudo. A segunda maneira de economizar é com os passes diários da GVB – a empresa de transportes de Amsterdão. Os passes garantem de 24 a 168 horas de transporte ilimitado nos elétricos (Tram), no Metro e no Bus. Podem também optar pelo bilhete individual que vale para viagens feitas durante uma hora, mas se usarmos transportes várias vezes ao dia, o melhor é comprar um dos passes diários pois o passe válido por 24 horas custa 7,50 euros e a viagem individual cerca de 2.8€. Não se esqueçam, a validade passa a contar a partir da primeira utilização, e devem validar à saída do transporte também, nao só à entrada. Estes passes podem ser comprados diretamente a bordo do Tram, do Bus, ou nas máquinas de bilhetes nas estações de Metro. Importante, apenas transportes da GVB são contemplados pelo passe. Durante a vossa estadia, porém, dificilmente precisarão usar algum transporte em Amsterdão que não pertença à empresa.


Algo caricato que nos aconteceu foi que quando a estação em que queríamos sair estava próxima, tocamos no botão verde ao lado da porta para solicitar a paragem, o Tram parou mas não abriu a porta, teve que ser um Sr. a tocar novamente no botão verde para que a porta se abrisse, achavamos nós que bastava tocar uma vez! Por isso, um toque para solicitar paragem na próxima estação e um toque para a porta se abrir, e não se esqueçam de encostar o passe no leitor antes de descer. Os Trams circulam até meia-noite.

Existe ainda que opte por alugar um carro, que pessoalmente julgo só valer a pena para quem quiser andar pela zona campestre e visitar ouras terras nas proximidades, até porque conduzir e estacionar em Amesterdão pode ser um tanto ou quanto caótico e não é o que queremos para umas férias.

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Visitar Amesterdão

Amesterdão… Uma cidade que sempre quis conhecer. Sempre me seduziu e aguçou a curiosidade, uma cidade irreverente, excêntrica e descontraída. Claro que tanto interesse acarreta uma expectativa muito elevada, mas que foi em tudo superada!

Tudo é agradável na capital Holandesa, os canais, os passeios de bicicleta, as casas-barco, os bairros boémios, a arte e principalmente o estilo de vida livre e relaxado.
A cidade tem pouco mais do que 750mil habitantes, com um centro bastante pequeno, sendo que é possível atravessar-se todo a pé em cerca de meia hora.
Viajando um pouco no tempo, Amesterdão nasceu na foz do rio Amstel, uma região de extensos lagos e pântanos que se encontravam abaixo do nível médio das águas do mar. A cidade começou a sua origem por volta de 1200, quando se estabeleceu uma pequena comunidade piscatória no local onde hoje é a praça Dam. Nos séculos seguintes, tornou-se num dos principais portos de comércio da Europa.

As bonitas pontes da cidade, a Ópera de Amesterão e a igreja de Moisés e Aarão em fundo

Trabalhadores vindos de todos os locais, desde artesãos, mercadores, negociantes, juntaram-se na cidade e foram dando-lhe vida graças às trocas comerciais.
Amesterdão já é diferente desde o passado, ou seja, ao contrário dos seus vizinhos europeus que tinham um passado feudal, com uma nobreza ou clero influentes, aqui reinava o consenso social e o capitalismo mercantil, e foi esta história, esta diferença, que, muito provavelmente, serviu de impulsionador a uma das mais irreverentes e distintas cidades do mundo.

É uma cidade tolerante e de mente aberta, que percebeu que se não se consegue pôr fim a algumas questões, mais vale aceitá-las e “vigiá-las” minimamente. Assim, a prostituição é legal desde o século XVII, o consumo de marijuana nas coffeshops é livre e legal, a eutanásia também é legal, e o casamento entre homossexuais está legalizado desde 2001.
Aqui vive-se um espírito genuíno de tolerância e abertura e acredita-se na liberdade individual. No fundo, acho que é isto que tanto fascina nesta cidade!


Bem, vamos agora percorrer a cidade. Podem fazê-lo a pé, de bicicleta ou de transportes públicos. Se optarem por percorrer a cidade a pé tenham cuidado pois a probabilidade de serem atropelados por uma bicicleta é bastante elevada, são centenas delas, e são elas que ditam as regras, a cidade tem leis que desencorajam o recurso do automóvel, e então, todos andam de bicicleta. É confuso, mas bem mais agradável e menos poluente.

A estação Central de Amesterdão

São muitos os museus em Amesterdão, mais de 50, e de todo tipo, por isso escolham os que mais se adequam a vocês.
Mais a ocidente da cidade podemos encontrar uma das casas mais mediáticas da história da Segunda Guerra Mundial. A casa de Anne Frank, onde viveu e se escondeu no sótão a menina judia de 13 anos juntamente com a sua família durante a perseguição e política anti-semita de Hitler, e onde escreveu durante dois anos, até ela e a família serem descobertos e levados aos campos de concentração, o diário mais traduzido de sempre. Façam a visita logo pela manhã para evitar filas.

Rijksmuseum

Próximo à casa, existe uma igreja, a Westerkerk, cujo som do sino era uma das poucas referências externas que a família tinha enquanto vivia em isolamento. No seu interior podemos ver frescos dos evangelistas de Gerard de Lairesse, um dos alunos de Rembrandt, cujos restos mortais foram aqui sepultados em local desconhecido.
Há pelos menos 3 Museus que considero imperdíveis em Amesterdão, um deles, o Rijksmuseum.

É o mais importante museu do país, e foi concebido pelo arquiteto Petrus Cuypers em 1885. É um imponente palácio de tijolo vermelho na sua maioria de estilo neorenascentista holandês mas com alguns apontamentos neogóticos e abriga um acervo de arte holandesa inigualável. A jóia da coroa é a “Ronda Noturna” de Rembrandt.
Para conhecer o Rijksmuseum é preciso bastante tempo e as filas são longas mas vale bem a pena.

A “Ronda Noturna” de Rembrant

Outro museu imperdível, o Museu Van Gogh que acolhe a maior coleção do mundo das obras deste génio que apenas começou a pintar aos 27 e que se suicidou 10 anos depois.
São mais de 200 quadros e 500 desenhos de diversas fases do artista, além das cartas que ele escrevia ao seu irmão mais novo, Theo, negociante de arte em Paris.

A jóia é o famoso “Os comedores de Batatas”.
O museu possui também obras dos seus “modestos” amigos, Gauguin, Monet, Bernard e Pissaro.

Encontramos também nesta cidade repleta de arte um dos mais importantes museus de arte contemporânea do mundo, o Stedelijk Museum, que inicialmente foi criado para abrigar a coleção particular de obras de arte de Sophia de Bruyn que foi doada à cidade, mais tarde, obras de Matisse, Malevich, Piet Mondrian, Picasso e Monet passaram a fazer parte da coleção.

Um dos Auto retratos de Van Gogh no Rijksmuseum

Além destes locais podemos encontrar muitos outros, a Casa de Rembrandt, o Museu Judaico, a Heineken Experience para os apaixonados por cerveja, o Museu da Marijuana, A Sinagoga Portuguesa, o Museu do Sexo (claro que não podia faltar), o Museu Erótico…. Há uma imensidão de coisas para se fazer. Decididamente não dá para ir só uma vez a Amesterdão.
Outros locais magníficos são as praças, a Dam, por exemplo, local onde nasceu a cidade, destaca-se pelo Koninklijk Paleis, ou palácio real e a basílica de Niuwe Kerk.

Koninklijk Paleis

Falando em praças podemos falar também em jardins, como o Vondelpark, um dos jardins mais concorridos da cidade com lagos artificiais, relvados e caminhos sinuosos entre as árvores.
Numa zona mais central da cidade encontramos um dos sítios que mais curiosidade me suscitava ( a mim e a qualquer turista que chega pela 1ª vez), o Red Light District ou Bairro da Luz Vermelha!

O Red Light District antes da hora de Ponta

É, sem dúvida, um local bastante diferente, irreverente e onde se vê de tudo, as janelas com as cortinas e luzes vermelhas exibem mulheres magras, gordas, muito gordas, novas, maduras, loiras, ruivas, morenas, todas praticamente nuas! Quando estas não estão disponíveis as cortinas estão fechadas.


Este bairro já existe desde o século XIII quando os marinheiros chegavam ao porto necessitados de companhia feminina. A prostituição cresceu e instalou-se com tanta força que depois de várias tentativas frustradas de eliminar a profissão no local, o ofício acabou por ser aceite e mais tarde legalizado.
Toda a gente é atraída para esta rua, toda a gente olha, toda a gente aguça a curiosidade. Além das janelas/montras a rua tem também sex shops, cafés, museus eróticos, shows de sexo explícito e restaurantes.

A Famosa Praça Dam

Além desta irreverência temos também outra em Amesterdão, os Smoking Coffeeshops (que aromatizam o ar um pouco por toda a cidade).
Estes não são os típicos cafés nos quais costumamos entrar durante uma viagem para descansar um pouco e recarregar as baterias. Nestes nem sequer é permitida a entrada de menores. Estes são os famosos bares onde a marijuana e haxixe são vendidos livremente. E para quem não fuma, podem também ser consumidas na forma de bolinhos e biscoitos. A quantidade de matéria-prima com que são confeccionados é sempre uma incógnita, por isso não se empolguem demasiado!

Amesterdão é muitas vezes apelidado de Veneza do norte pois os seus canais são igualmente bonitos, e conferem à cidade um charme inigualável.
Herengracht ou Canal dos Cavalheiros é um deles e está rodeado por exuberantes mansões altas e estreitas (para minimizar os impostos, uma vez que estes eram taxados de acordo com a largura). Singel é outro dos belíssimos canais, junto ao qual fica o mercado flutuante de flores e produtos orgânicos, o Bloemenmarkt.
Além destes grandes canais, temos muitos outros, uns mais pequenos, outros maiores, com cerca de 2500 Casas-Barco e com variadíssimas pontes.

Na Gastronomia, a cidade também marca alguns pontos, fugindo dos inúmeros espaços de batatas fritas que parecem uma espécie de praga, encontramos fantásticas padarias artesanais, lojas de queijos, mercados biológicos e restaurantes que vivem o espírito da cidade.
Esta cidade é única, irreverente, descontraída e acima de tudo boémia e alegre. Há tanto para ver e viver em Amesterdão, para todas as idades e para todos os gostos! Vão com tempo ou então façam como eu, marquem o Regresso!

A Ronda Noturna transformada em estátua numa praça da cidade

Fora da Cidade
Podem também, se tiverem tempo, passear fora da cidade pelas estradas da Holanda, com as paisagens de moinhos e flores (para isto escolham uma época do ano com sol-entre Abril e Junho). Se tiverem uns dias extra não deixem de visitar as vilas de Alkmaar e Haarlem. A primeira tem um dos mais antigos mercados de queijo da Europa, com origem no séc. XVII. Quanto a Haarlem é uma cidade que mantém a estrutura do séc. XVII com edifícios históricos, pátios e jardins interiores, com lojas de antiguidades únicas.

Onde Ficar
Hotel Dwars
Sofitel Legend The Grand Hotel

Onde Comer
L’Amuse (Stadionweg 147), é a loja indicada para os adeptos de queijo, por lá poderão encontrar os melhores exemplares dos mais variados queijos da Europa escolhidos a dedo pela mestre Betty Koster.
A Hartog’s (Ruyschstraat 56/cnr. Wibautstraat) é a padaria artesanal mais famosa da cidade, com tudo a ser produzido na casa desde a própria farinha.
No que a restaurantes diz respeito, Amesterdão está bem servido, com espaços com estrelas Michelin como o Ciel Blue (2 estrelas), restaurantes elegantes como o De Kas, localizado numa antiga enfermaria, passando pelo descontraído Ron Gastrobar, do famoso chef Ron Blaauw. É possivel ainda encontrar uma grande diversidade de espaços de cozinha tailandesa, japonesa e claro na Chinatown pode encontrar-se o mais tradicional que a cozinha Chinesa tem para oferecer.

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José Avillez

Existem pessoas que sonham, pessoas que criam e pessoas que executam, depois existem pessoas geniais que reúnem todas  essas características. José Avillez é uma dessas figuras geniais que brotam todas as características necessárias ao sucesso É um trabalhador incansável, um comunicador, humilde, e acima de tudo gosta de viver a vida com uma grande intensidade e paixão, porque contrariando um pouco Fernando Pessoa, não basta o homem sonhar para que a obra nasça.

Fomos conhecê-lo no seu novo restaurante, o Cantinho do Avillez, no Porto, o primeiro fora do seu “Reino” do Chiado e o 6º em apenas 3 anos.

De um estágio na Fortaleza do Guincho até à primeira estrela Michelin aos 29 anos, passaram pouco mais de 13 anos, como olha para esse passado?
Olho para o passado pensando que de facto foi tudo rápido e intenso. Há anos que praticamente me esqueci que passaram, com um turbilhão de coisas a acontecerem ao mesmo tempo. Há mesmo pessoas que conheci na altura e que hoje não me lembro se conheço ou não conheço. Mas olho com alegria, com um sentimento de que valeu tudo a pena, até porque, às vezes entre o ser bem sucedido e o mal sucedido, o trabalho não difere muito e muitas das vezes as pessoas trabalham o mesmo e são mal sucedidas. Por isso, agradeço a quem tenho de agradecer, à sorte e a outros fatores pelo facto de estarmos a ser bem sucedidos.

Passaram 3 anos desde a abertura do 1º Cantinho do Avillez ao qual se seguiram outros 5 restaurantes e uma estrela Michelin. Não foi tudo muito rápido?
Foi. Se há 3 anos um profeta me comunicasse que eu iria abrir 6 restaurantes em 3 anos eu diria que era um mau profeta, porque não estava a adivinhar nada do que iria acontecer. De facto não achava sequer possível, porque sei o trabalho que tudo envolve. Mas aconteceu… felizmente as coisas correm bem, há 3 anos éramos 17 pessoas a trabalhar na empresa hoje somos 138, e as coisas funcionam, com, por exemplo, o Cantinho a ser um sucesso desde o 1º dia, e o Belcanto, em que é preciso bastante antecedência para fazer uma reserva.

Com todo o trabalho, toda a dedicação, com a família a ser deixada um pouco para 2º plano e os amigos a quase deixarem de marcar presença, a cozinha tem de ser mesmo uma grande Paixão…
É uma grande Paixão, Sim, que nasce do meu prazer em comer. É uma exigência comigo próprio de querer fazer bem e de querer fazer melhor, é uma grande responsabilidade e acima de tudo um compromisso que vivo com grande Paixão.

Isso acaba por ser uma forma de motivar a equipa…
Sim mas de uma forma natural. A equipa é o mais importante no meio disto tudo, a propósito, eu costumo dizer que sou a locomotiva de uma série de carruagens que me seguem e muitas vezes a locomotiva desliga, porque simplesmente não aguento mais, até em termos de cansaço e tenho estas carruagens que pela força que têm me vão deslocando também. Com isso sei que fiz crescer muita gente que está comigo. O facto de não estar sempre ali de Babysitter faz com que as pessoas ou cresçam ou vão embora. E se muitos ficaram pelo caminho, muitos cresceram imenso com o nível de exigência e com a intensidade com que tudo acontece.

Falemos então das suas inspirações e influências…
Eu acho que isto se cruza sempre com um percurso pessoal, o que eu comi desde que nasci até hoje, o que comi em casa da minha avó, em casa dos meus pais, as viagens que fiz, entre outras coisas. Tudo o que se faz hoje em dia é fruto do que está para trás, daí a influência de Maria de Lurdes Modesto ou José Bento dos Santos, pessoas que além de ainda hoje serem meus professores são meus grandes amigos. Ferran Adrià se calhar mais do que todos, por me ter aberto os horizontes, pelo facto de ter convivido com ele, termos estado lado a lado, de termos trocado ideias. Mas também pessoas com quem não trabalhei, o Andoni (Andoni Aduriz – Mugaritz) , o Quique Dacosta ou o Joan Roca, pessoas que curiosamente, numa altura em que se calhar eu mais precisava me apoiaram muito mais até que outros cozinheiros Portugueses. Também referências Nacionais como Vítor Sobral, Miguel Castro e Silva ou Joaquim Figueiredo, pessoas que quando eu comecei marcavam a diferença na nossa restauração. O Ducasse também, pela perfeição e pelo seu lado empreendedor. O ler, sou muito influenciado por aquilo que leio, lembro-me de ter lido, por exemplo, o “Soul of a Chef” e o “ Making of a Chef “ do Michael Ruhlman, e lembro-me que aqueles livros mudaram radicalmente a minha forma de ver.

Todos os seus restaurantes têm conceitos diferentes. Como é que funciona um processo de criação tão abrangente?
O Belcanto é um bocadinho o seguimento do meu trabalho enquanto cozinheiro/Autor do Tavares. Os outros são muito à imagem do que me apetece encontrar noutros restaurantes que não seriam os meus, o que na realidade eu gostaria de comer quando saio. Todos os pratos são criados um pouco com base naquilo que me apeteceria comer, daí não ter em nenhuma carta, nenhum prato que eu não goste ou que eu não goste muito. Estou longe de ter as fórmulas de sucesso garantidas, é muito trabalho, é olhar muito para o mercado e ver o que as pessoas procuram.

Como surge a viagem do Chiado para o Porto?
O Cantinho do Porto surgiu muito a pedido de clientes que nos visitavam e me perguntavam, “então quando vai para o Porto?”, pessoas de cidades aqui à volta como Aveiro ou Guimarães mas que frequentam o Porto para comer, que constantemente nos deixavam mensagens no Facebook, e porque acreditamos que a cidade está na fase certa.

Também acha que o Porto está na moda?
Muita gente diz que está na Moda, eu não acho que seja estar na moda, as pessoas estão a começar a conhecer o Porto, a cidade está a ser arranjada mas mantêm uma tipicidade diferente que Lisboa não tem, provavelmente por ser maior. Há cada vez mais turistas e eu percebo, as pessoas são muito simpáticas, come-se bem e isto (Porto) é mesmo muito bonito. As Modas para mim são só ou para a moda, ou para coisas que não têm qualidade, porque quando têm as coisas perduram.

E este Cantinho do Porto?
As condições de trabalho deste Cantinho são muito melhores que em Lisboa. Temos uma equipa que trabalha comigo, em alguns casos, há muitos anos. Estamos numa rua que começa agora a desenvolver-se, aliás, não tenho nenhum restaurante que tenha tantos passantes como este, de todo, por isso acho que tem tudo para funcionar, mantendo a humildade e acima de tudo ouvindo as pessoas. Felizmente temos trabalhado muito bem, fomos muito bem recebidos pelas pessoas, desde os clientes aos nossos colegas.

O Porto é uma cidade diferente de Lisboa, será que a cidade também vai influenciar a carta? Como Lisboa tem feito com os outros restaurantes?
Nós entramos com uma oferta que não é muito diferente da de Lisboa, porque quero manter aqui um posicionamento, mas aos poucos, e porque está implícito na ideia do Cantinho, o objectivo é adaptarmo-nos um bocadinho à região. Eu não quero vir para aqui fazer as tradicionais Tripas à moda do Porto, mas é possível que eu faça um take das Tripas, ou da Francesinha ou dos Filetes de Polvo. Influenciado pela cidade mas sempre com o meu toque, o meu twist.

Se pudesse escolher apenas um prato que representasse este cantinho?
É muito difícil, e vou-lhe dizer porquê. Em Lisboa o Bacalhau com migas soltas é um dos pratos mais emblemáticos, aqui é um prato que divide as pessoas. Pelas suas vivências e expectativas, as pessoas esperam um prato mais intenso que é o que a ideia do Bacalhau lhes transmite.
Mas por exemplo, posso escolher os fígados de aves com compota de vinho do Porto, os Peixinhos da Horta, e o Hamburger. Aqui no Porto as vieiras ou a Vitela de comer à colher têm tido muita saída.

E no Futuro poderemos ver outros restaurantes do José Avillez pela cidade?
(Risos) Não está previsto, mas não digo que não, não sei… Mas há muita gente que diz “adoro o Cantinho, mas também devia trazer o Mini Bar para cá”, obviamente que nunca farei nada apenas nesse sentido, até porque há contas a pagar. Acima de tudo, agora estamos muito focados no Cantinho.

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Vinho Verde Wine Fest

Decorreu no passado fim de semana, na Alfândega do Porto, o 1º Vinho Verde Wine Fest, um evento adaptado do Porto Wine Fest (ver), onde se mantém o conceito e se altera o tipo de Vinho. A margem do Rio Douro e o simpático sol que se tem feito sentir permitiram criar um evento simples, e atrativo, com a presença de muitos dos mais importantes produtores de Vinho Verde, restaurantes da cidade Invicta, aulas temáticas sobre a prova de vinhos e as harmonizações e ainda os sempre concorridos Momentos de Showcooking.

O Evento contou com o patrocínio do Azeite Oliveira da Serra, que nos convidou a estar presentes numa introdução à prova de azeites e onde foi apresentado o Azeite Oliveira da Serra – Lagar do Marmelo “O Melhor Azeite do Mundo”, que foi o vencedor do Prémio Mário Solinas na categoria de Frutado Verde Ligeiro.

A iniciação à prova de Azeite foi conduzida pelo mestre provador António Nunes, que de uma forma bastante simples e certeira tentou desmistificar algumas crenças em relação ao azeite, à sua acidez, a produção e o tipo de Azeite. Em prova tivemos o já referido azeite do Lagar do Marmelo e o Oliveira da Serra Gourmet, diferenças enormes entre estes dois azeites desde o aroma ao sabor, com o Gourmet a revelar-se um azeite mais consensual e ao gosto dos Portugueses. Já o Lagar do Marmelo é de facto um azeite único, com um aroma intenso e notável que o torna perfeito para uma utilização a cru, seja com pão ou para finalizar um prato.

António Nunes – Mestre Provador dos Azeites Oliveira da Serra

Depois de um bom momento de aprendizagem, sobre aromas e sabores do azeite, houve tempo para passarmos aos vinhos, e nada melhor do que iniciar com uma aula de introdução à prova pelas mãos de António Cerdeira, o homem por trás dos Vinhos da Quinta de Soalheiro, tantas vezes referidos aqui no blog.

António Cerdeira – Introdução à Prova – Os 5 sentidos

Durante uma hora foi possível, a simples “bebedores”, apreciadores ou enófilos conhecer a importância dos sentidos no que à prova de vinhos diz respeito, através da boa explicação, onde a paixão de Cerdeira estava bem patente e de jogos que permitiram criar uma aula muito mais interactiva e interessante, fosse a descrever, cheirar ou simplesmente provar. Houve ainda tempo para provar 4 vinhos bem diferentes da Região dos Vinhos Verdes, onde os aprendizes começaram a usar o que lhes foi transmitido. Excelente momento.

Voltando aos Azeites Oliveira da Serra, havia ainda uma demonstração de Showcooking pela mão do Chef Vítor Sobral, consultor da marca e provavelmente o maior defensor da gastronomia Portuguesa além fronteiras.

Vítor Sobral em entrevista para a RFM

Para a sua aula, Vítor sobral teve como base os dois azeites que havíamos provado anteriormente, demonstrando uma utilização do azeite a cru, num Picado de Atum, e a quente numa Cataplana de Garoupa. Pelo meio houve explicações, desde os diferentes tipos de azeite, aos tipos de sal e a sua utilização. Simples, conciso e eficaz perante um público bastante heterogéneo.  Destaque para o picado de atum, com crocante de broa onde a presença do Azeite “Lagar do Marmelo” fez toda a diferença em termos aromáticos e de sabor.

Picado de Atum

Vítor Sobral a preparar a sua cataplana num cenário idílico

Findada a sessão de Vítor Sobral houve tempo para provar muitos e bons Vinhos Verdes, uma alargada variedade de castas e uma aposta clara nos espumantes, a revelar que os Vinhos Verdes estão em grande força e longe dos tempos menos nobres que ainda hoje lhe deixam algumas marcas para o consumidor menos informado.  Vinhos como os da Quinta da Covela, Quinta de Val-Bôa ou os meus favoritos da Quinta de Soalheiro não deixam ninguém indiferente.

Excelente o branco OLO, com o cunho de Dirk Niepoort para esta casa de Mondim de Basto

Mais um ano em que o recém lançado Reserva 2013 e o Primeiras Vinhas 2013 prometem dar muitas dores de cabeça aos concorrentes

O Vinho Verde está na moda, o seu consumo interno aumentou, assim como as suas exportações e consequentemente a sua produção e qualidade. O Vinho Verde Wine Fest trouxe ao Porto uma forma dos produtores se promoverem num ambiente descontraído e bem estruturado que promete vingar e voltar nos próximos anos.

  O nosso agradecimento à Sovena e ao Azeite Oliveira da Serra pelo convite

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Bruges

Cidade parada no tempo, tipicamente medieval, romântica, saída literalmente de um conto de fadas… Tudo parece uma bela moldura em Bruges, tudo parece perfeito com o charme intacto da história.
Praças magistrais, grandes candelabros, carruagens por todo o lado, ruas estreitas e canais que elevam o romantismo fazem desta pequena cidade um dos locais mais belos do mundo.
Talvez por isso o seu centro histórico é Património Mundial da Unesco desde 2000.

Parece uma “cidadezinha” esquecida e sem importância, mas o que muitos não sabem é que Bruges já foi uma das principais economias da Europa entre os séculos XII e XV. Esta cidade estava repleta de comerciantes de todo o mundo. Aqui havia trocas de tudo, desde seda, lã, tapetes orientais, vinho, fruta, animais exóticos, entre outros.
Mas, o rio que permitia este intercâmbio ficou obstruído, cortando o acesso à cidade. Assim, Bruges ficou adormecida por cerca de 400 anos.
Mas renasceu, e ainda bem, sendo hoje o destino de milhares de turistas.

Bruges tem uma Surpresa a cada esquina

Posso dizer-vos que visitei Bruges num dia! Estava em Bruxelas, apanhei o comboio e passado cerca de 1h30 estava em Bruges, fui de manhã bem cedinho e regressei à noite, e garanto-vos que deu para aproveitar muito bem a cidade. Claro que não entrei em todos os locais, mas deu perfeitamente para absorver a essência da cidade.

Grote Markt

Podemos começar por uma das principais praças, Grote markt ou Grand Place que é a praça central e é de cortar a respiração, esta conserva edifícios medievais, mesmo que reconstruídos, as típicas casas renascentistas Guildhuis e o alto campanário- Beffroi, datado do século XIV, que após a subida dos seus 366 degraus oferece uma vista panorâmica da cidade no seu total esplendor. Aqui temos também, para mim, o edifício mais incrível e monumental da cidade, o Tribunal Provincial, um exemplo do neo-gótico do século XIX.

Torre Beffroi

Continuando a percorrer a cidade pelas ruas aromatizadas pelo chocolate, sim, Bruges está repleto de lojinhas de chocolate e a cada esquina este é o único aroma no ar, chegamos a outra praça, Burg Plaats. Aqui encontra-se a Stadhuis (câmara municipal) em estilo gótico, imponente edifício que demonstra o poder de Bruges na Idade Média.

Ao lado da câmara municipal encontramos a Velha Casa dos Arquivistas, em estilo renascentista.
Esta praça tem a particularidade de reunir todos os estilos da arquitetura, gótico, renascentista e barroco.

Santuário Heilig Bloedbasiliek

Ainda na praça Burg, o santuário Heilig Bloedbasiliek fica numa entrada discreta e pequenina que pode passar em branco para os mais distraídos, mas não a percam, o seu interior guarda uma relíquia poderosa: um frasco com o sangue de Cristo (diz-se)!


Um dos pontos mais importantes é a Igreja da Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekerk), não só pelo seu estilo romano a gótico com uma torre de 122 m, mas também porque aqui se encontra uma belíssima obra, uma Madonna de Michelangelo.

Um dos locais que achei mais especiais foi Begijnhof, que podemos designar como casa de uma comunidade de freiras.
Este espaço oferece-nos a experiência intimista e única de observar a vida e as orações das freiras, exatamente como acontecia há séculos atrás. O nome Begijnhof refere-se a um conjunto de pequenas construções usadas pelas freiras beguinas. Esta irmandade foi formada no século XIII. Muitas mulheres ingressaram na ordem após a redução da população masculina devido à guerra.

Begijnhof

O local foi fundado em 1245 pela Condessa de Flandres. A maioria das casas do complexo é dos séculos XVII e XVIII. Admirem as residências com paredes brancas, os caminhos de pedra, os candeeiros antigos e um pequeno jardim.
A entrada no Begijnhof é gratuita. No entanto deve ser respeitada a privacidade das residentes.

A Torre da Igreja de Nossa Senhora em pano de fundo

A cidade tem também dois importantes museus, o Groeningemuseum e o Memling in Sint-Jan-Hospitaalmuseum, que não tive oportunidade de visitar, fica para uma próxima, certamente, mas se forem com mais tempo, não percam.

Aproveitem para andar de barco nos belíssimos e românticos canais, afinal, Bruges é considerado por muitos a Pequena Veneza do Norte.

Nem o frio cortante que se fazia sentir acaba com as filas para os passeios de barco

Percam-se na cidade, nas ruelas, comam chocolate, imaginem-se a viver um conto de fadas povoado por cavaleiros imponentes nos seus belos cavalos, permitam-se viver uma história de amor nos bucólicos canais… Percam-se na era medieval que Bruges eternizou em cada recanto, em cada esquina, em cada momento!

Para quem estiver indeciso sobre a sua visita a Bruges podem sempre ver o bom e original filme Em Bruges com Colin Farrell, que mostra muito bem a cidade.

Onde Ficar
Hotel Dukes’ Palace (5 estrelas)
Podem também optar pelos muitos e bons B&B da cidade.

Onde Comer
Não podem perder os maravilhosos chocolates de Pierre Marcolini, ou os mais conhecidos Godiva e Neuhaus
A região de Brugges é um dos mais importantes destinos gastronómicos da Bélgica, com cerca de 16 restaurantes estrelados no Guia Michelin. Desses destancam-se os 3 estrelas, De Karmeliet  e Hertog Jan.

 

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Bruxelas

Numa das nossas viagens a Paris, decidimos apanhar um comboio na Gare du Nord, e em cerca de 1h30min chegamos à capital da Bélgica, Bruxelas.
Vista por muitos como uma cidade cinzenta (tenho uma certa tendência a concordar), onde a vida anda à volta das instituições europeias ali sediadas, esta cidade revelou-nos algumas surpresas com uma animada vida social e cultural.

Bruxelas é a sede da Comissão e do Conselho Europeu, sendo responsável por 75% do trabalho do Parlamento Europeu, o que a transforma na capital da União Europeia, conferindo-lhe, sem dúvida, um carácter sério!
No entanto, é uma cidade que vale a pena a visita, nem que seja assim de uma forma mais curta, como foi o nosso caso! É um lugar com história, que reúne construções de estilos gótico, barroco, neogótico e clássico, e ao mesmo tempo é uma cidade cosmopolita, onde podemos encontrar desde executivos a estudantes (encontramos na praça principal uma tuna académica portuense! ) ou simplesmente boémios.

Tuna Académica Portuguesa na Grand Place

É a sede dos maiores museus de miniaturas e carros antigos da Europa, a capital mundial da cerveja, chocolate (onde comi os meus chocolates preferidos, Pierre Marcolini – ver) e waffles.

Aconselho-vos a comprar o Brussels Pass, que permite a entrada gratuita em mais de 30 museus, transportes públicos gratuitos (bus, comboio e metro da empresa STIB), descontos em restaurantes e bares e descontos no acesso a algumas atrações culturais/turísticas. Podem comprar para 24, 48, ou 72h, por 24, 36, ou 43€ respectivamente, e adquirir este cartão nos postos de informação a turistas que encontram na Praça principal da cidade, por exemplo.

Grand Place

Por falar nesta praça, Le Grand Place, é considerada por muitos como uma das mais belas do mundo, como descreveu Victor Hugo. Tenho que admitir que a chegada a Bruxelas e o início da visita não estavam a ser particularmente interessantes, como são normalmente as minhas viagens, o frio intenso e o cinzento do céu também não ajudava muito (fomos em Fevereiro), no entanto, quando chegamos a este local mágico, tudo se desvaneceu criando-se um novo universo à minha volta.

Hôtel de Ville

Esta praça foi construída no local onde no século XI se desenvolvia o antigo mercado de padeiros e carpinteiros, talhantes, entre outros ofícios. Os seus imponentes monumentos e edifícios datam do século XV, mas só o Hôtel de Ville (câmara municipal) de Bruxelas e algumas fachadas resistiram aos bombardeamentos franceses de 1695. Reconstruída anos mais tarde, conta agora com uma belíssima arquitetura eclética.
Desde 1998, a Grand Place é Património Mundial da UNESCO.

Com 96 metros de altura, o prédio mais imponente é o Hôtel de Ville, onde é possível fazerem uma visita guiada e ficarem deslumbrados com as belíssimas coleções de objetos de arte. Outro edifício monumental é a Maison du Roi onde fica o Museu de Bruxelas com uma miscelânea da história da cidade.

Maison du Roi

A praça é maravilhosa, a arquitectura é estonteante num misto de gótico, neo-gótico, barroco e clássico que se verificam nas diferentes Guildas, ou antigas corporações de ofício – associações que surgiram na Idade Média, a partir do século XII, para regulamentar o processo produtivo artesanal. Assim, a praça é constituída por edifícios simbólicos e estátuas históricas, como é o caso de Le Renard, Guilda dos Capelistas, representado pela estátua duma raposa, que lhe justifica o nome; Le Cornet, Guilda dos Barqueiros; Le Cygne, que pertencia à Guilda dos talhantes, representado por uma lindíssima estátua de um Cisne; Maison des Boulangers, Guilda dos Padeiros, representado por um magnífico edifício que contém figuras demonstrativas dos elementos da arte de fazer pão.

Le Renard

Se tiverem oportunidade de visitar Bruxelas em Agosto, saibam que a cada 2 anos, e durante uma semana, o centro da praça é preenchido por um tapete florido, repleto de begónias coloridas, criado pela primeira vez em 1971, e mantendo-se até aos dias de hoje, atraindo milhares de turistas.

Mas, nem só da praça vive esta cidade.
Numa caminhada descontraída, podemos descobrir toda a energia, arquitetura, cultura e animação que Bruxelas nos oferece.

Rue des Bouchers e os habituais restaurantes de caça ao turista. FUJAM!

Para isto, a melhor forma é seguir caminhando pela cidade fora! Esta percorre-se bem a pé, num total de cerca de 10km. Podem sempre, se preferirem, optar pelo autocarro turístico, por 22€ o dia inteiro, parando em vários pontos importantes, ou pelo aluguer de uma bicicleta (sistema Villo!) com preços bastante convidativos (grátis nos primeiros 30min, 0,5€ na primeira hora, 3€ na hora seguinte e 2€ a cada hora), e com vários pontos de retirada e entrega espalhados por toda a cidade, ou ainda, mantendo-nos nas bicicletas, pelo sistema de Brussels Bike Tours, que sai da Grand Place, dura cerca de 3h30 custa 25€ e percorre a cidade de bicicleta com um guia turístico que fala em Inglês. Muito sinceramente, eu prefiro sempre andar a pé!

Se formos vagueando pelas ruelas que circundam a Grand Place vamos descobrir uma série de locais ou simplesmente pontos de especial e até estranho interesse, como é o caso de Manneken-Pis, uma pequena escultura de bronze (61 cm) de um menino a urinar.
A estátua original foi construída em 1618, e está guardada na Maison du Roi.

Manneken-Pis

Não existe bem um consenso quanto à origem desta peça de arte, nem se sabe muito bem qual o seu significado, mas que tem a sua piada tem, principalmente quando esta é vestida com roupas de temas diversos, o que acontece todas as semanas.

Um dos locais pelo qual passamos primeiro, pois ficava junto ao nosso hotel, foi La Bourse de Bruxelles, ou a Bolsa de Bruxelas, fundada em 1801 por Napoleão, quando a Bélgica era uma colónia francesa. Exemplo de grande arquitetura de estilo neoclássico, várias esculturas decoram o exterior do prédio, representativas do comércio, indústria, arte, ciência, metalúrgica e outras áreas. Rodin foi responsável por parte do trabalho deste magistral edifício.

La Bourse de Bruxelles

Ainda passeando pela cidade, encontramos o Palais Royale e a Place du Palais. A sede do poder executivo belga, com uma lindíssima fachada neoclássica, foi construído depois de 1900, sob a iniciativa do rei Leopoldo II. As salas e os jardins do palácio são abertos todos os anos para visita entre o final de Julho e o começo de Setembro.

Outra das obras-primas da cidade é o Palais de la Justice, Localizado no alto de uma colina, e inaugurado em 1883, é conhecido por ser a maior construção do século XIX. A sua imponente cúpula de 116 metros de altura pode ser vista de toda a cidade. A poucos passos do Palácio fica a boémia região de Marolles, onde turistas, curiosos e bons negociadores procuram pequenos tesouros nos seus mercados.

Palais Royale

Uma das zonas mais encantadoras da cidade é o Mont des Arts, que inclui L’Albertine, Musée des Instruments de Musique, Carillon du Mont des Arts. Esta região é histórica e fica numa ladeira repleta de museus de arte e belas ruas. Do jardim da mítica e florida praça L’Albertine (pena que na altura que lá estivemos o jardim não estava florido) é possível ver a Grand Place, o centro histórico, a Basílica de Koekelberg e até o Atomium. Nesta zona encontramos também o Musée des Instruments de Musique que apresenta a maior coleção de peças de música do mundo. Por fim, o Carillon du Mont des Arts com 24 sinos (12 na frente) e 12 figuras históricas e folclóricas da história belga.

L’Albertina

Para quem se quer dedicar às compras, podem optar por visitar Lês Galeries dês Saint Hubbert. Esta foi a primeira  galeria comercial da Europa, aberta em 1847 pelo Rei Leopoldo I. É coberta por uma enorme cúpula de vidro, o que faz dela uma das mais bonitas do continente Europeu. Aqui dentro, há do mais luxuoso (e caro) desde jóias, chocolates, roupas, além de restaurantes, cafés, cinema e teatro. Foi aqui que abriu a primeira loja de chocolates da Neuhaus, em 1857.

Duma perspetiva diferente, mais actual e certamente mais financeira também, podem visitar o Le Quartier Européen: Parlamento Europeu (Parlement Européen), Praça de Luxemburgo (Place du Luxembourg), Comissão Europeia (Comission Européen), Parque do Centenário (Parc du Cinquantenaire), basicamente os prédios mais imponentes e modernos da cidade. No Parque do Centenário, os bruxelenses aproveitam o jardim e a companhia do Arco do Triunfo para descansar.

Quem lê o blog apercebe-se perfeitamente da minha paixão por arte sacra, não sou religiosa, ou sou apenas q.b., mas realmente as igrejas despertam imenso o meu interesse.
Em Bruxelas encontramos várias. Três delas chamaram bastante a minha atenção.

Catedral St-Michel et Ste-Gudule

Igreja Notre Dame du Sablon e Petit Sablon – de estilo gótico, do século XV e XVI, com vitrais coloridos, arcos góticos, duas capelas em estilo barroco. À frente exibe-se uma monumental praça cercada por 48 colunas góticas com pequenas estátuas de bronze em cima que representam profissões antigas e uma fonte cercada de 10 estátuas.

Cathedrale St-Michel et Ste-Gudule – Uma das mais bonitas catedrais da Europa, localizada no alto do monte Treurenberg, foi a primeira igreja do país, datada do século XV. O nome faz referência aos santos padroeiros da Bélgica.

Por fim, A Basílica de Koekelberg – Basílica do Sagrado Coração – é a mais imponente e importante igreja da Bélgica.
Foi Construída para comemorar o 75º aniversário da independência do país, foi iniciada em 1905, mas devido à escassez de recursos financeiros (a construção dependia inteiramente de doações feitas pelos fiéis), só foi inaugurada em 1971.
A decoração no interior é em estilo Art-Deco, com uso maioritariamente de mármore. Além das cerimónias religiosas, possui um teatro e dois museus. oferece uma das melhores vistas de Bruxelas a partir da plataforma existente na sua cúpula.

Museu dos Instrumentos de Música

A cidade está recheada de locais com um tanto ao quanto de curioso e animado, como por exemplo o Parque Mini-Europa, um dos principais parques de miniaturas do mundo. Construído numa área de mais de 24 mil m², tem atualmente mais de 300 atrações de 80 cidades europeias. É engraçado verificar locais onde já estivemos e vê-los em ponto pequeno, os detalhes são incríveis!

Outro local que merece visita é o Atomium, um conjunto de nove esferas metálicas construídas para a exibição universal de Bruxelas de 1958. Localizado no Heysel Park, tem 103 metros de altura, e simboliza uma molécula de ferro ampliada 165 bilhões de vezes, representando a importância da Bélgica na produção do aço e fazendo uma alusão às nove províncias belgas da época.
É um ícone nacional, basicamente o Atomium é quase o mesmo que uma Torre Eiffel para Paris.

A banda desenhada junto do Palais de la Justice

Já todos sabemos que Bruxelas é um paraíso para os amantes de histórias de quadrinhos (é a terra de origem do Tintin, Lucky Luke, Smurfs) mas o que eu não sabia era que como uma maneira de promover os personagens e trazer um pouco mais de cor à cidade, surgiu em 1991 um projeto com o objetivo de realizar pinturas de histórias em quadrinhos em áreas públicas. O que começou com um projeto pequeno, apenas para dar um pouco de vida aos muros e laterais de prédios antes pintados de branco, mais de 20 anos depois é um sucesso, atraindo turistas interessados em conhecer não apenas o centro histórico, museus, parques e gastronomia, mas sentir-se parte das histórias representadas nos painéis e, porque não, matar saudades da infância. Além de podermos desfrutar disto a cada rua e esquina, podem visitar, também, o Centre Belge de Bande Dessinée, eu adorei percorrer as histórias de quadradinhos, sentir-me parte da fantasia, voltar a ser criança!

O Songoku também faz parte do Centre Belge de Bande Dessinée

Outra zona magnífica que merece a vossa visita é o distrito de Laeken, localizado na região noroeste de Bruxelas, famoso por ser a residência oficial da família real belga, o Castelo Real de Laeken é a casa do Rei Albert II e da sua família. Aqui podem encontrar a Igreja Notre Dame de Laeken, o Monumento Rei Leopoldo I, as Estufas Reais de Laeken, a Torre Japonesa e o Pavilhão Chinês. Infelizmente já não tivemos tempo de percorrer esta região, mas se vocês tiverem, não deixem de o fazer.

Entrem nas imensas cervejarias tradicionais e percam-se na imensidão de oferta das cervejas tradicionais belgas

Lembro-me que ao início a sensação que tinha era que Bruxelas não estava a ser interessante. Mas findada a viagem, percebi que tinha ficado muito por fazer, e que a cidade era um infindável poço de beleza, e que mesmo com todo aquele ar sério de cidade financeira e industrializada, Bruxelas tem muito para nos oferecer.

Vou regressar, certamente.

Bem, agora, rumo a Bruges que fica mesmo aqui ao lado!

Onde Ficar
Hóteis Sofitel
Hotel Metropole
Onde Comer
Imperdíveis os chocolates de Pierre Marcolini
Para o clássico prato de Mexilhões e batatas fritas, nada como o Au Vieux Bruxelles.
Para os mais exigentes e requintados podem sempre optar pelos vários restaurantes com estrela Michelin como o Comme Chez Moi (2*) ou o Moderno WY de Bart De Pooter (1*)

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Portarossa

O Portarossa nasceu em 2013, no espaço onde outrora viveu o Corte Real, pela mão do inevitável Vasco Mourão e de Gonçalo Correia dos Santos.  Nada foi deixado ao acaso, a decoração a cargo de Artur Miranda e Jacques Bec (Oitoemponto), criou uma atmosfera única, tornando-o num dos mais elegantes e bem decorados espaços da região. O conceito é de cozinha italiana, centrando-se muito nas Pizzas e no seu forno a lenha, e é certamente o italiano mais bonito da cidade, sem os habituais e horríveis clichés da decoração dos “nossos italianos”. A aposta deve-se certamente ao desejo antigo de Vasco Mourão de chegar a um público mais jovem que o do Cafeína ou do Terra, e foi bem sucedida. Hoje, é uma das casas mais badaladas da cidade, onde é difícil conseguir mesa, mesmo na esplanada em dia de chuva. Foi também por isso eleito pelos nossos jurados o Restaurante Trendy, nos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores para 2014″.(ver)

Como tem vindo a ser habitual nos projetos de Vasco Mourão, a cozinha ficou a cargo do chileno Camilo Jaña, que tendo pouco de italiano (talvez o feitio, quem sabe), mostra a sua capacidade de trabalho, adaptação e rigor.

Nesta visita, começamos pelo habitual couvert (1,80€), uma simples mas correta pasta de azeitona, pão de qualidade, bom azeite, azeitonas e grissinis. Ao que se seguiu uma panóplia de entradas.


Mexilhões gratinados com pimentos (8€)
Confesso que normalmente não fico agradado com a mistura de queijo com marisco, mas por vezes tenho de dar algumas excepções à regra. Esta foi uma dessas vezes, com o mexilhão fresco, preparado no ponto certo, com todos os elementos a combinarem entre si sem que nenhum se sobrepusesse ao delicado sabor do bivalve. Excelente início.


Sfilatino de Cogumelos trufados (5,5€)
Um rolo de massa de pizza, recheado com cogumelos e queijo mozzarella com um leve toque de azeite de trufa. Uma entrada quente e reconfortante, onde a untuosidade do queijo e o sabor dos cogumelos funcionou bem.


Focaccia de Liguiça, com ovos de codorniz e grelos (4,5€)
Não é certamente uma focaccia mas sim uma pequena pizza, mas perdoa-se o nome pelo bem que sabe. A junção da melhor linguiça do Porto (reconhece-se a léguas), com os grelos e os ovos de codorniz, não poderia ser mais certeira, num prato que combina e muito bem a cozinha italiana com sabores bem lusos. Excelente.


Marguerita DOP, mozzarella fresco e tomate san marzano (11€)
Já visitamos o Portarossa desde os seus primeiros tempos, e posso facilmente dizer que hoje a sua base está melhor do que nunca, assim como a técnica no forno. Isso é bem patente nesta simples pizza, com a base bem crocante, mesmo no centro, em que foram colocados ingredientes com bastante líquido, como os tomates e o queijo mozzarella (cozinhado na perfeição, sem perder as suas características e textura). Uma combinação de sabores clássica, onde apenas a técnica poderia ter falhado, mas não foi o caso. Grande Pizza.


Calzone, mozzarella, cogumelos, fiambre, espinafres e ovo (11€)
A clássica pizza fechada, com a massa bem cozinhada tanto por cima como por baixo, interior cremoso graças à gema e ao queijo, e muito bem acompanhada pela habitual salada de Camilo Jaña ( com mistura de alfaces, cebola roxa, tomate seco). Uma boa pizza.


Fettucine com mexilhões e açafrão (14,5€)
E porque nem só de pizzas e do forno a lenha vive o restaurante, a carta de massas tem algumas opções irresistíveis, como este fettuccine, cozinhado no ponto e envolvido num saboroso molho de natas com açafrão (das índias?)  e um leve toque de pimento. Muito, muito bom.


Fettuccine com Manteiga de Trufas e Foie gras (15,5€)
O prato tem tanto de bom como de pecaminoso. A gordura do Foie a envolver-se com a massa bem preparada é deliciosa. Apenas a textura do foie não me convenceu totalmente, mas o sabor compensou, enquanto desejava umas lâminas de trufas como cereja no topo do bolo. Um prato diferente que se tornará certamente num dos ícones da casa.


Panna Cotta de baunilha com frutos silvestres (4€)
Confesso que raramente dou o braço a torcer por uma panna cotta, quase sempre com excesso de gelatina e sem sabor. Opto pela minha, caseira que dificilmente é batida, a não ser por esta do Portarossa, textura fantástica ( quase diria que nem leva gelatina), baunilha verdadeira e espalhada por todo o doce. Quando o mais simples se torna perfeito, tudo fica bem e os frutos silvestres acabam por ser apenas um bom adorno. Só é pena que a porção não tenha o dobro do tamanho.

A carta de vinhos do Portarossa é única, não só pelas referências presentes (raras para uma pizzeria), mas pela forma como os vinhos estão distribuídos,  por preço, Low Cost (9€), Value For Money (19€), Premium (29€), Super Premium ( 39€), Special One, Sparkling, Sangrias e Cocktails, sendo um dos poucos sítios no Porto onde é possivel beber um Spritz. Acabamos por acompanhar a refeição com um sempre simpático Kopke Tinto 2011 da categoria Low Cost.

O Serviço, e baseado não apenas numa, mas em várias visitas ao espaço, é jovem e  super simpático, numa equipa desnivelada, com elementos muito bons e outros visivelmente inexperientes. Ainda assim, o serviço flui muito bem, sem erros dignos de destaque podendo atingir o ponto de ebulição nas noites de fim de semana em que Foz e mais meio mundo ruma ao pequeno restaurante ( não será certamente fácil de gerir).

Considerações Finais
O Portarossa é hoje, e em apenas um ano de existência, uma das principais referências italianas e não só, o espaço não vale apenas pelas suas pizzas saborosas, é um sitio em que vale a pena estar,  a decoração  é de grande elegância e o serviço, com um ou outro erro consegue acompanhar bem a qualidade do espaço e da cozinha. Falando em cozinha, Camilo Jaña preparou uma excelente e bem estruturada carta, com aposta nos clássicos dos quais é impossível fugir  e noutras opções de grande criatividade ( recordo por exemplo um carpaccio de lírio, ou a desaparecida pizza à moda do Porto com sardinha e pimentos que me deixa grande recordação e saudade). É certo que nas noites de final de semana pode ser caótico, pela lotação e pouco espaço, mas a semana é grande e o restaurante nunca fecha. Ao almoço existe uma opção diária a 12 € com entrada, prato e bebida, já ao fim de semana assam um tradicional cabrito transmontano em Forno a lenha. O Portarossa é mais um sucesso de Vasco Mourão e do seu sócio Gonçalo Correia dos Santos, não só na teoria, mas também na prática, sendo hoje o meu italiano preferido na cidade.

Portarossa
Rua Côrte Real, 289 Foz do Douro – Porto
+351 226 175 286

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Férias em Família: 5 Destinos, 5 Hotéis

Depois do Artigo sobre 10 destinos e 10 das melhores piscinas de Portugal (ver), este artigo vem, de certa forma, dar resposta a alguns pedidos que recebemos por email sobre hotéis para férias em família. Férias e Verão levam-nos a querer passar tempo com as nossas famílias e desfrutar do tempo e das crianças, com as quais se passa cada vez menos tempo, seja pelo excesso de trabalho ou pelas actividades em que os pequenos estão envolvidos. Para isso escolhi alguns dos melhores hotéis de Portugal, tentando ao máximo fugir do cliché da Praia, optando também por espaços verdes, com actividades ao ar livre ou espaços com história, porque aprender em família será certamente mais divertido.

Minho

Fábrica do Chocolate, Viana do Castelo


Localizado no edifício que foi outrora a mais antiga fábrica de Chocolate em Portugal, o Hotel presta homenagem a toda a história do espaço e do seu ingrediente principal. Escusado será também falar na ligação entre as crianças e o chocolate, pelo que se torna mais um hotel indicado para famílias. Aqui qualquer um solta o Willy Wonka que há em si, com quartos temáticos, um Museu do Chocolate e claro, aulas e ateliers para transformar as crianças em verdadeiros mestres chocolateiros.

Mais informações, Fábrica do Chocolate

Beira Interior

Casa das Penhas Douradas, Manteigas – Serra da Estrela

A Serra da Estrela é muito mais do que um destino de Inverno e as actividades deste pequeno Boutique Hotel, inserido em pleno parque natural, são exemplo disso mesmo. Trekking, Btt,  lagos, desportos aquáticos, tudo servirá para manter ativos os mais pequenos. Aproveitem ainda para conhecer algumas das aldeias históricas de Portugal e alguns Castelos Raianos. Na Casa das Penhas Douradas é possível juntar o desporto, a natureza e a história numas animadas e relaxadas férias.

Mais informações, Casa das Penhas Douradas

Centro

Penha Longa Resort, Sintra

Existem poucas localidades em Portugal com a mesma magia que Sintra (confesso que tem um lugar muito especial no meu coração), pelo que não poderia deixar de escolher um hotel nesta região. O Penha Longa Resort tem como objectivo dar o máximo aos seus hóspedes, e para isso preparou-se também para as suas famílias, com uma equipa especializada, um Kids Club repleto de actividades e brinquedos e ainda actividades mais indicadas para Adolescentes, em que nada é deixado ao acaso. A envolvência permite ainda passeios a cavalo, golf, ténis e claro passear e descobrir a Vila de Sintra.

E não esquecendo que estamos num blog gastronómico, o Resort conta com alguns dos melhores restaurantes da região como o Arola ou o japonês Midori.

Mais informações, Penha Longa Resort

Alentejo

Eco Suites Resort, Santiago do Cacém

Perdido no meio dos Montes Alentejanos, o Eco Suites consegue reunir a paz e serenidade para umas férias em família de braços dados com a natureza. Sem os Luxos de outras unidades aqui recomendadas, a Infinity Pool é uma das mais interessantes do Alentejo, os campos que envolvem o resort são perfeitos para caminhadas e passeios de bicicleta, dando a muitas crianças uma envolvência que a cidade não permite. Outro dos pontos fortes é mesmo a localização, próximo da praia, da Reserva Natural da Lagoa de Santo André e claro se o assunto é família e crianças, do famoso Badoca Safari Park.

Mais informações, Eco Suites Resort

Algarve

Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort, Albufeira

Uma das maiores e melhores unidades hoteleiras do Algarve que tem vindo a ser reconhecida como um dos melhores hotéis para férias em família da Europa. O Resort tem uma atenção especial para as crianças, com campos de jogos como o Campo Pirata ou o Junior club, escola de ténis, escola de Golf, salas de videojogos, serviço de babysitter e claro muitas e boas piscinas. Também a possibilidade de passar as férias nos apartamentos do Pine Cliffs traz mais comodidade para as famílias que rumam ao Algarve para as suas férias de Verão. (Artigo Completo)

Mais informações, Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort

 

Muitas destas unidades oferecem o alojamento para crianças até aos 12 anos.

 Nota: As fotos utilizadas pertencem às unidades hoteleiras com excepção da foto do Sheraton Algarve & Pine Cliffs Resort

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Book

No coração da “movida” portuense, onde outrora viveu a Livraria Aviz, existe hoje o restaurante Book, fruto de uma parceria entre o grupo Thema, do Hotel Infante de Sagres, e os donos do Bar Casa do Livro. A transformação do espaço ficou a cargo de Pedro Trindade, respeitando, e muito bem, a traça original da livraria, usando os livros como um forte elemento decorativo. A sala é moderna e acolhedora com um conceito intimista.

A carta apresenta-se dividida como um livro ( e dentro de um), prólogo, introdução, capítulos e conclusão. A oferta varia entre a tradição portuguesa e a cozinha italiana. Assim, começamos com a chegada do couvert (2,5€), uma boa seleção de pães, boa manteiga e as menos interessantes pastas de atum e de azeitona.


Legumes no Forno, mozarella gratinada e pesto (9,50€)
Os legumes ( curgete, espargos, beringela  e pimentos), estavam saborosos e cozinhados no ponto, sobre um pesto cremoso, diferente do habitual. Menos positivo o queijo gratinado  que estava já um pouco seco.


Creme de Sapateira, como se fosse Recheada (6,5€)
Bem, aqui o único problema é a expressão “como se fosse recheada”, faz-nos esperar por mais carne de sapateira do que um ligeiro apontamento quase decorativo. Posto isto, o creme estava muito bom, excelente textura, sabor delicado a sapateira e bem temperado. Muito bom, não faltasse o tal recheio.


Açorda de Camarão com ovas (17€)
Os pratos são serviços em bonitas caçarolas de cobre que não consegui fotografar. Camarão de boa qualidade, salteado  no ponto e com bom sabor. A açorda apetitosa, perdia em textura, se por um lado as ovas funcionaram bem, a açorda estava liquida demais. Um bom prato, que precisa de afinar os pormenores.


Bochecha de Vitela com molho de Especiarias (17€)
Bochecha delicada e bem preparada, a desfazer e cheia de sabor, acompanhada de batata gratinada estilo dauphinois e grelos. Um bom prato não fosse o tal molho de especiarias quase não existir nem no prato nem na caçarola de forma a unir todos os elementos e tornar o prato mais suculento.


Mil Folhas de Mascarpone com fruta (8€)
A escolha da sobremesa levou a melhor sobre o suposto “melhor pão de Ló do Universo”  ( ainda há, e  muito, quem acredite neste tipo de marketing) por conter mascarpone que é um vício cá por casa. Quanto à sobremesa em si, o folhado estava estaladiço q.b.,  num conjunto fresco, onde o elemento mais fraco foi mesmo o creme/mousse de mascarpone, demasiado denso e seco. Uma sobremesa Razoável.

A carta de vinhos é curta mas com boas opções, já os preços são desajustados ao serviço, os copos não são os adequados, como se verificou na mesa ao lado alguém beber um bom e caro vinho tinto, num copo desajustado. Nós acompanhamos com um Quinta do Ameal (15€), servido quase à temperatura ambiente, que parece quase a minha sina nos últimos tempos, e eu nem sequer quero o vinho gelado.

O Serviço de sala é como o serviço de vinhos, desajustado ao preço e ao enquadramento em que o restaurante se quer inserir. Se por um lado havia funcionários muito simpáticos e profissionais, outros nem por isso, além de ter pelo menos 4 pessoas diferentes que atenderam a nossa mesa, o que acaba por não ser a melhor opção neste tipo de espaço.

Considerações Finais
Este Book, está regularmente cheio de turistas e alguns portuenses que o decidem visitar, no entanto, para se poder destacar no segmento em que se insere é preciso mais, muito mais. A cozinha é correcta, com algumas falhas no campo técnico, que são facilmente corrigidas, mas que face aos preços praticados já não assim tão toleráveis quanto isso. Esse é o grande problema do restaurante, a relação custo/benefício, tendo em conta os preços, a comida e o serviço, não é seguramente das melhores da cidade, que nesse segmento tem muitas e boas opções. O Bonito espaço do Book precisa de se reajustar e alterar alguma das suas fasquias, ou baixa de preço ou melhora a cozinha e serviço, aí sim teremos um boa aposta no centro do Porto.

Book
Rua de Aviz, nº 10, Porto
91 795 33 87

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