Le Narcisse Blanc

A subtileza do movimento de uma bailarina, a misteriosa expressão no seu olhar, e a beleza eterna duma musa são a inspiração que levou a dupla Laurent e Laurence a criar o singelo Le Narcisse Blanc.

Cléo de Mérode foi uma bailarina da Belle Époque (digamos que foi a primeira It Girl de que há registo!), cuja beleza inspirou alguns dos mais emblemáticos artistas da época. Era apelidada de “pequeno e belo Narcisso”, e foi esta subtileza que inspirou o ambiente e decoração daquele que se tornou num dos meus hotéis preferidos na cidade da Luz.

Primeira Impressão
Localizado na Rive Gauche, entre a Ponte Alexandre III e a Torre Eifel, o hotel tem a localização que mais se coaduna com a beleza sedutora e misteriosa da bailarina.

Mal nos aproximamos do edifício, onde se localiza o Le Narcisse Blanc, é visível a personificação da mais perfeita mente arquitetónica, a de Georges-Eugène Haussmann.

E mal entramos no hotel, somos invadidos por uma sensação de luxo intimista e privativo. Aquela sensação que nos faz sentir que somos os únicos hóspedes no hotel, e que este se transforma de imediato na nossa casa.

Toda a decoração e a essência do hotel se mesclam entre a Art Nouveau, Art Deco e alguns pormenores quase que arabescos. Inaugurado em 2016, o Le Narcisse Blanc sendo ainda uma criança a combater num meio de centenários, é já um dos melhores hotéis da cidade.

Criado pela dupla Laurent e Laurence, tem também o cunho dos seus proprietários e da dupla de decoradores de interiores Thierry Martin e Thibaut Fron. As cores predominantes são o branco, o beje, o champanhe, o pérola, o cinza e o rosa.

O ambiente é de conforto e de glamour, com um toque de sedução.

Fomos, então, recebidos pela equipa da receção que tratou do nosso check in sem demoras e nos acompanhou ao quarto.

Quartos
Contam-se 37 dos quais sete são suites.
São dum classicismo contemporâneo que nos arrebata de imediato, não são o clássico habitual nem o contemporâneo habitual, são uma mescla dos dois que se conjuga na mais perfeita harmonia e fazem deles quartos intemporais.

Uns são dotados de terraço para a Torre Eifel, outros para os Invalides, e outros para o panorama elegante dos telhados parisienses.


Ficamos numa Suíte Clássica com uns generosos 36m2 e dotada dum pátio como que a lembrar um refúgio privado dentro da cidade da luz.

O quarto foi, sem dúvida, dos mais elegantes e confortáveis onde já estive, a cama, por sua vez, de longe a melhor de todos os hotéis que já experienciei.

Os tons peróla, beje, branco e champanhe misturam-se com uma subtileza incomparável com os tecidos de cetim e veludo que predominam nas cortinas e nos mais diversos tecidos, conferindo-lhe uma harmonia sem igual.

À nossa espera estavam fruta, água, doces e um presente da emblemática Angelina, que foram sendo repostos ao longo da nossa estadia. O quarto possui também máquina de café e diferentes chás. Tudo isto se encontra na imensa sala adjacente ao quarto.


Na casa de banho predomina o mármore escuro, e a fragância exclusiva do hotel presente nos produtos de higiene (maravilhosos!). Aqui, as torneiras são bolas de vidro com pequenos e belos narcissos no seu interior!

Para mim, que amo casas de banho, esta divisão poderia ser um pouco maior, dado que o quarto tem umas dimensões bem generosas, no entanto, essa falha é colmatada com o facto da zona da sanita ser num espaço à parte da restante casa de banho!

Restaurantes
O espaço que serve de restaurante ao hotel transpira glamour, ou não fosse o seu nome Cléo!
Aqui são servidas as várias refeições ao longo do dia.

Na primeira sala que dá acesso à sala principal do restaurante, além de todos os tons do nosso quarto, um rosa bem suave junta-se à paleta de cores, garantindo um ambiente feminino, sensual e com uma elegância que não se traduz em palavras.


Aqui é possível tomar uma bebida ou aperitivos ao longo do dia, ou simplesmente descansar. É também aqui que servem o delicioso “Tea Time”, com pequenos doces ou salgados acompanhados de chá e café. Anexo a este espaço existe um pequeno terraço, também ele com o cunho da elegância e conforto.

O Pequeno almoço no Cléo!

No restaurante propriamente dito temos tons mais à volta do bege, castanho e champanhe, e o ambiente é agraciado com espelhos que descem do teto até ao chão, dando uma sensação de amplitude, assim como os candeeiros com média luz que proporcionam uma atmosfera bastante sedutora.

Aqui tivemos oportunidade de tomar o pequeno-almoço, buffet e à la carte, e também de experienciar um jantar que nos surpreendeu.

O fantástico pão do Cléo!

É fantástico quando chegamos a uma mesa sem grandes expectativas, e prato após prato nos vão conquistando e surpreendendo. Foi esse o caso deste jantar, com assinatura do canadiano Zachary Gaviller, que com uma combinação de influências que iam da cozinha Francesa até Espanha, Portugal ou Japão, foi cativando as nossas papilas, e começamos logo bem pelo pão fantástico que nos serviram.

 Caldo de cogumelos com trombetas da morte e milho

Salmão confitado com shiso

Começamos bem com um rico e levemente picante caldo de cogumelos, equilibrado pela doçura do milho, e um brilhante salmão confitado com folha de shiso, beterraba e citrinos. Uma bela surpresa!

Bacalhau com alcachofras e mexilhões

Seguiu-se um excelente prato de Bacalhau, sim Bacalhau, e uma massa strigoli com nduja, lulas e tomate, ambos excelentes no sabor.

Houve ainda tempo (e espaço) para um excelente lombo de atum, e uma pintada com delicioso puré de castanhas. Para terminar, nada melhor que um bom prato de queijos, ou não estivéssemos nós em Paris.

Sem dúvida que o Cléo! com menus entre 29 e 55€ é uma opção a ter em conta, não apenas para quem se hospeda no hotel, mas também para quem procura boa cozinha, num espaço próprio e cheio de identidade sem a loucura ou confusão de espaços mais famosos.

Muito próximo ao restaurante temos uma sala onde é possível organizar almoços ou jantares privados com capacidade para 10 pessoas. Uma espécie de sala de reuniões e biblioteca.

Serviços
O Le Narcisse Blanc tem todos os serviços inerentes a um hotel de luxo, desde serviço de quartos, lavandaria, wifi (e wifi pocket), serviço de estacionamento personalizado, business center com computador e impressora, imprensa nacional e internacional, entre outros.
O hotel conta ainda com uma sala de reuniões, a mesma referida anteriormente para jantares privados.

O Le Narcisse Blanc garante, ainda, uma experiência única em parceria com o Domaine de la Soucherie, de passar um dia/noite no coração de uma vinha, na La Maison des Amis e La Maison des Vignes, a apenas 2h30 de Paris.


Para os amantes de ginásio, o hotel tem uma pequena sala com passadeira, bicicleta e alguns pesos.

 O João em modo selfie artística 

Mas, o verdadeiro ex libris do hotel é o seu Spa, um dos mais bonitos da cidade, sem dúvida.
Com linhas elegantes e com uma atmosfera acolhedora que nos remetem de imediato para o relaxamento, o spa é constituído por uma piscina aquecida com jatos de hidroterapia e em contra corrente, um jacuzzi, um hammam, uma sauna e uma fonte de gelo. Possui, ainda, gabinetes de tratamento assinados pela luxuosa marca Carita.

O Le Narcisse Blanc é intimista, é elegante, é sedutor, é carismático e é dotado duma equipa extremamente perfecionista e atenta aos pormenores, sem ser invasiva.

 Parte do encantado Spa do Narcisse Blanc *

É o novo luxo, que nos garante a privacidade que tanto procuramos nos dias de hoje.
O glamour está presente em cada detalhe, basta estarmos atentos, e os Narcissos são, sem dúvida nenhuma, o expoente máximo desta atmosfera de elegância. Estão presentes em todo lado, nos puxadores das portas, nas escadas, nas pinturas de parede em tons de dourado, no chão, e nos quadros tão singelos e femininos que se encontram por todo o hotel.

Eles dão nome ao hotel, e são a sua marca distintiva, e possuem a beleza e subtileza de Cléo de Mérode.

Um dos melhores hotéis de Paris para quem procura uma nova forma de experienciar o luxo, e um dos poucos a que não me importaria de chamar casa na cidade luz!

Até Breve, meu pequeno narciso!

Le Narcisse Blanc
Quartos a partir de 300€
Boulevard de La Tour-Maubourg, 19 – Paris
+33 1 40 60 44 32
contact@lenarcisseblanc.com

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses e *Divulgação

Nota
Estivemos no Le Narciso Blanc a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Le Duc

Acabados de aterrar em Paris e sem reserva para o almoço de sábado, a escolha foi simples – tentar uma mesa no Le Duc, cujas recomendações e elogios da nossa querida Aiste (Luxeat) já há muito nos haviam conquistado.

Uma chamada da concierge, e 10 minutos de Uber e lá estávamos nós à porta de uma instituição gastronómica, aberta em 1967 pelos irmãos Minchelli, e que pouco ou nada mudou desde essa altura (e o bom disto tudo é que, neste caso, este é um facto mais do que positivo).  Ora vejamos, o Le Duc foi um dos primeiros restaurantes a dedicar-se em exclusivo aos produtos do mar, e foram os irmãos que durante o berço da Nouvelle Cuisine revolucionaram a forma de preparar e servir peixe, livrando um produto de primeira qualidade de mergulhos em molhos espessos, pesados e de uma cocção muito além do ponto ideal. Foram muito provavelmente os primeiros a servir peixe cru na cidade.

A decoração idealizada por Slavik (o Lázaro Violán dos restaurantes parisienses dos anos 70) remete-nos para o interior de um clássico iate de luxo, num jeito estranho de nos fazer viajar até aos anos dourados da costa sul de França.

Se o interior pode ser considerado velho, ultrapassado e completamente fora de moda, é também tudo isso que lhe dá encanto, quando passamos a porta e sentimos que estamos efetivamente a experienciar Paris, como um bom e refinado parisiense. E é isso mesmo que encontramos quando nos sentamos à mesa e em nosso redor se encontram clientes habituais, normalmente da alta sociedade francesa e da classe política, a sua maioria com um pézinho na reforma, e muito, muito poucos turistas – abençoados guias que volta e meia se esquecem de fazer justiça a verdadeiros templos de alta cozinha!  Sim , porque a alta cozinha também é subtileza, cuidado e produto de altíssima qualidade como os apresentados durante a nossa visita.

Caramujos quentes servidos como aperitivo

As boas vindas não tardaram em fazer-se sentir e a anunciar que estávamos num restaurante de peixe e marisco, Caramujos, acabados de cozer, repletos de sabor e cozinhados no ponto, a dar um bom presságio do que se seguiria. Segue-se o pão e a manteiga, não estivéssemos nós em Paris e num restaurante clássico, manteiga prensada com o nome do restaurante como mandam as regras e um ótimo pão a acompanhar, e a dificultar a concentração na leitura da carta.

Acabamos por optar pelo menu de almoço a 55€ (duas entradas, um prato e uma sobremesa), que se revelou uma ótima opção, ainda que pouco depois tenha passado algum tempo a namorar o prato de lagostins da mesa do lado – mais um bom motivo para voltar.

Tártaro de Robalo e Salmão
Servido numa pequena taça de prata, o tártaro revelou-se ainda mais precioso que a peça em que era servido. Cortes exímios, peixes de altíssima qualidade e bom tempero. É simplesmente um prato perfeito, que poderia comer todos os dias sem me cansar!

Salmão ao Natural
Um carpaccio de salmão da Escócia, simplesmente regado com um fio de azeite e alcaparras. Rico, untuoso e cheio de sabor, a mostrar aquilo que pode e deve ser um verdadeiro salmão.

Ostras 
Ostras cozinhadas ligeiramente até abrirem e ficarem mornas, regadas com um molho amanteigado e fresco, e um sabor irrepreensível. Produto, produto, produto!

Lulinhas fritas 
A perfeição pode ser algo tão simples como estes “calamares”, de fritura brilhante, textura crocante, e leve kick de picante da pimenta de espelette que contrasta bem com a acidez e frescura do limão. Viciante!

 Salmonetes e Tranches de Robalo com lima
Seguiram-se um ótimos salmonetes, que aparentavam uma cocção mais forte do que o desejado, mas que se revelaram imaculados quando degustados, deixando-nos sentir o seu sabor único, que tanto me faz apreciar este peixe.

O prato de robalo é um dos pratos clássicos do Le Duc, com finas tranches de robalo a serem cozinhadas no prato quente e regadas com um molho leve de manteiga e sumo de lima.

Dois grande pratos, muito bem acompanhados por um arroz negro de grande sabor e aipo gratinado, cuja textura e sabor se revelaram uma bela surpresa.

Baba ao Rum
Chegada a altura de escolher a sobremesa, e é ver o célebre carrinho das sobremesas a aproximar-se da mesa e a fazer-nos pensar mais do que era suposto sobre a escolha. Mas estando num clássico parisiense, a Baba ao rum era uma escolha mais do que obrigatória. Uma generosa fatia, bem regada no momento – a garrafa de rum fica na mesa para o caso de não terem colocado o suficiente. Nota alta para a textura e sabor, com um excelente chantilly.

Sim os meus níveis de álcool passaram o recomendado depois da sobremesa.

E por falar álcool, a carta de vinhos acompanha a excelência da carta (e os preços!), onde não faltam os grande vinhos franceses e em especial da Borgonha para fazer a maridagem certa com uma cozinha tão cuidada e um produto tão fino. Optamos por um Roully 1er cru de Olivier Leflaive de 2013 (50€), que se comportou competentemente com os pratos escolhidos.

O serviço é também ele clássico e afinado pelos anos de experiência, em que os elementos mais novos da equipa foram certamente bem ensinados pelas gerações anteriores.

Os sempre delicados petit four, para terminar a refeição

Considerações Finais
O Le Duc é um daqueles restaurantes que passa ao lado dos holofotes e dos media, não tem uma celebridade à frente do restaurante, nem foca parte do seu orçamento em Relações Públicas e marketing. O esquema aqui é outro: satisfazer os clientes, na sua maioria habituais, apresentando-lhes o melhor produto do mercado, preparado da forma mais simples e pura para enaltecer todas as suas características, tal como criaram os Minchelli no passado, e que hoje todos os chefes, um pouco por todo o mundo, vão recriando, mesmo sem saber quem esteve na génese de um método, que na realidade talvez seja mais uma filosofia.

Hoje a cozinha está entregue, e bem, a Pascal Hélard, que continua a traçar o futuro com todo o seu foco nos produtos e numa simplicidade estética tão apurada que se o restaurante não tivesse cerca de 50 anos parecia recentemente assinado por um mestre japonês. É seguramente um dos melhores restaurantes de peixe da cidade, e é um daqueles espaços a que recorremos como um porto de abrigo, onde a tradição ainda é o que era e o produto é quem mais ordena!

Agora só me resta voltar!

Le Duc
Preço Médio: 100€ por pessoa sem vinhos (menu de almoço: 55€)
Boulevard Raspail, 243 – Paris
+33 1 43 20 96 30 

English Version

Fotos: Flavors & Senses

 

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Estão aí as novas estrelas Michelin para Portugal e Espanha

Depois de alguma tinta corrida e muita especulação (ainda que a maioria dos jornalistas se tenham esquecido dos restaurantes este ano!), já são conhecidas as novidades para esta edição do guia, “um ano de consolidação” como afirmavam os responsáveis pelo Guia.

Tiago Bonito e a Casa da Calçada conseguiram manter a estrela no Largo do Paço, ao contrário do que muito se especulou nos últimos meses – mais um jovem talento português que vê agora uma lufada de ar puro para levar a sua carreira e mostrar todas as suas capacidades.

Outro dos vencedores era conhecido como o eterno candidato, o Gusto no Conrad Algarve, que desde a sua abertura se posicionou com o objectivo de atingir as estrelas, ou não fosse a cozinha assinada pelo célebre Heinz Beck (***La Pergola, Roma), que junta agora mais uma estrela à sua carreira.

A estes juntou-se a  estrela mais jovem do País, uma estrela que peca por tardia mas que paga a qualidade do trabalho de João Oliveira e de toda a sua equipa no Vista, o restaurante do Hotel Bela-Vista em Portimão.

Um ano em que o eixo Algarvio volta a reforçar o seu lugar no livro vermelho.

Podemos dizer que o guia continua a deixar muitos e bons espaços sem a sua merecida estrela, onde por exemplo, se continua a adiar a 2ª estrela de João Rodrigues no Feitoria, e se continua a ignorar a matriz de sabor puramente português e espaços menos formais, como vai acontecendo um pouco por todos os países.

Já em Espanha, o mesmo mal parece continuar a pairar sobre Andoni Aduriz, a quem o guia parece não reconhecer o valor que o resto do mundo tem visto no Mugaritz. Isto apesar de haver dois novos 3 estrelas no País – um é no outro País vizinho, a Catalunha – o Aponiente de Angel León em Cádiz, e o ABaC de Jordi Cruz em Barcelona.

Entre as novidades do Guia Espanhol, a verdade é que a Catalunha caminha para poder ter o seu próprio guia, com dois novos duas estrelas, Disfrutar e Dos Cielos aos quais se juntou o mais recente projeto de Albert Adrià, Enigma, com uma estrela, entre vários outros galardoados.

2 estrelas 
– Belcanto – Lisboa (chefe José Avillez)
– Il Gallo d’Oro – Funchal (chefe Benoît Sinthon)
– Ocean – Algarve (chefe Hans Neuner)
– The Yeatman – Vila Nova de Gaia (chefe Ricardo Costa)
– Vila Joya – Praia da Galé (chefe Dieter Koschina)

1 estrela 
– Alma – Lisboa (chefe Henrique Sá Pessoa)
– Antiqvvm – Porto (chefe Vítor Matos)
– Bon Bon – Algarve – chefe Rui Silvestre)
– Casa de Chá da Boa Nova – Leça da Palmeira (chefe Rui Paula)
– Eleven – Lisboa (chefe Joachim Koerper)
– Feitoria – Lisboa (chefe João Rodrigues)
– Fortaleza do Guincho – Cascais (chefe Miguel Rocha Vieira)
– Gusto by Heinz Beck – Algarve (chefes Heinz Beck) Novo
– Henrique Leis – Algarve (chefe Henrique Leis)
– LAB by Sergi Arola – Sintra (chefe Sergi Arola)
– L’And – Montemor-o-Novo (chefe Miguel Laffan)
– Largo do Paço – Amarante (chefe Tiago Bonito)
– Loco – Lisboa (chefe Alexandre Silva)
– Pedro Lemos – Porto (chefe Pedro Lemos)
– São Gabriel – Algarve (chefe Leonel Pereira)
– Vista – Algarve (Chefe João Oliveira) Novo
– William – Funchal (chefes Luís Pestana e Joachim Koerper)
– Willie’s – Algarve (chefe Willie Wurger)

 

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The Presidential: No Douro com história, luxo e gastronomia

Uma manhã de calor e sol no Porto fazia antever uma escolha certeira para uma visita ao Douro, mas não era uma visita qualquer, era um passeio num comboio histórico, onde outrora se fizeram transportar Reis, ditadores e presidentes da República, agora batizado de The Presidential.

Enquanto centenas de turistas se iam encantando com os azulejos da lindíssima estação de São Bento, os olhares mais atentos iam-se debruçando sobre este comboio, fotos para aqui e fotos para ali, e este comboio presidencial bem podia concorrer com o TGV, que sairia vencedor no concurso de fama e beleza!

À hora marcada somos convidados a embarcar no antigo vagão dos jornalistas (aquele que ficava mais afastado do vagão presidencial) e é aí que percebemos que a “festa” iria prometer, mal assentamos os pés no interior do comboio somos convidados a degustar um Porto branco, um belo Niepoort Dry White, que é sempre uma boa forma de receber os amigos.

Arranca o comboio e entre o frenesim e a excitação lá se vão apresentando os vizinhos de cabine, um casal inglês acabado de chegar ao Porto, com quem acabaríamos por passar o resto do almoço e da viagem.

Começamos entre histórias e brindes (fomos renovando o stock de vinho do Porto) e o barulho do ar condicionado, também conhecido como “janela aberta”, ou não tivéssemos a viver uma experiência histórica!

Passamos assim a fase menos interessante da viagem, et voilà, somos convidados a passar para a sala de jantar, que neste caso é como quem diz almoço, para passar as cerca de 2 horas e meia seguintes a degustar a cozinha do chef Miguel Rocha Vieira enquanto vamos intercalando os olhares entre as vistas estonteantes do Douro e os malabarismos da equipa de sala!

Ivo Peralta, o escanção da Fortaleza do Guincho apresenta o primeiro vinho do almoço, o espumante Bairradino Água Viva da Niepoort 

Começamos com o mar e as suas representações, ou não fosse o mar um dos elementos mais importantes da cozinha de Miguel Rocha Vieira na Fortaleza do Guincho. Entre snacks delicados como as conchas “comestíveis” e as manteigas, também elas a representar o mar, destaque para o mexilhão com pimento e para as manteigas de pimento vermelho e de algas.

  É impressionante o detalhe técnico colocado na recriação de elementos marítimos

Enquanto íamos degustando os aperitivos, onde não faltou também o sempre delicado azeite da Acushla, já se fazia sentir na sala e nos corredores o aroma do caldo de marisco de que iria “regar” a sopa do mar que se seguiria.

Mariscos servidos no ponto, com um contraste de texturas bem conseguido e uma explosão de sabor a mar, que nos transportou rapidamente em direção oposta à que o comboio levava. Um mergulho no oceano bem acompanhado pelo Redoma branco de 2016, mineral, fresco e com um delicado toque salgado que faz toda a diferença.

O fantástico Conciso, o Tinto que a Niepoort produz na região do Dão

Robalo de Anzol, Alcachofras e lula dos Açores

À sopa seguiu-se o prato de peixe, um Robalo de porte considerável, acompanhado de lula dos Açores, alcachofra e molho de vinho tinto. Elementos do mar, combinados com notas de sabor a terra  que normalmente servem de assinatura aos pratos de peixe do chef. Muito bom! E muito bem combinado com um vinho do Dão, que servido a uma temperatura mais baixa, demonstrou toda a sua versatilidade e capacidade. Um vinho de grande elegância!

Enquanto a paisagem se vai tornando cada vez mais deslumbrante – é uma das características mágicas do Douro, à medida que vamos entrando por ele, e percorrendo o seu trajecto, vai-se tornando cada vez mais bonito e imponente – viajamos também até ao Alentejo com um prato de Porco Preto.

 O momento da colocação dos molhos é um dos mais engraçados durante a viagem, é preciso mão firme e alguma sorte!

Entre um lombo de porco, um puré de milho, pezinhos de coentrada, “bolotas” e um xárem, seria impossível uma ode maior ao animal e à sua região. Um belo prato, que não me importaria nada de ver recriado com um corte mais suculento e saboroso. No copo, aí sim voltamos ao Douro, com o “clássico” Redoma tinto de 2014, menos concentrado que em anos anteriores, com uma excelente acidez e um lado vegetal muito carismático.

 Delícia do Algarve, com alfarroba, amêndoas e figos

Para terminar voltamos a viajar por Portugal, desta feita até ao Algarve, numa fusão muito bem conseguida dos  habituais elementos doces da região, bolo de figo e amêndoa, gelado de flor de laranjeira, alfarroba, biscoito crocante, tudo muito bem ligado por um molho Inglês. Grande final, mais ainda quando degustado com o rico porto Niepoort Branco 10 anos, onde as notas de frutos secos acompanharam o prato na perfeição.

Podia ser caso de “barriga cheia, companhia desfeita”, mas não num comboio presidencial que pretende tornar a nossa experiência num momento único.  Passado o Pinhão temos ainda uma viagem até à deslumbrante Quinta do Vesuvio, uma das grande paixões de D. Antónia – a célebre Ferreirinha – hoje nas orgulhosas mãos da família Symington.

Os portões de acesso a algumas das vinhas da Quinta do Vesuvio

Desembarcados no Vesuvio, o comboio e a equipa seguem até ao Pocinho para um merecido almoço e descanso. Enquanto isso, Gonçalo Castel-Branco, o mentor do projeto The Presidential, convida-nos a visitar a Quinta, a conhecer a Adega onde se produzem alguns dos mais clássicos Portos e vinhos de mesa da região, ou simplesmente a aproveitar a paz e sossego do Douro, que a varanda da Quinta representa na perfeição.

 Quinta do Vesuvio

Conhecendo bem a Quinta de outras núpcias, optamos por aproveitar o bom tempo que se fazia sentir e a calma característica desta quinta do Douro para desfrutar de um charuto e de alguns dos vinhos da Symington, nomeadamente o Graham’s Single Harvest de 1972.

Um vinho com uma história interessante para a atual geração da Symington, já que, depois da aquisição da Graham’s pela família, foi o primeiro vinho que Peter Symington selecionou para envelhecer e que anos mais tarde o seu filho Charles, que lhe sucedeu na responsabilidade enológica, engarrafou. Rico, interminável e cheio de complexidade, é um Tawny que me enche completamente as medidas.

De regresso ao comboio somos recebidos com notas de piano na Sala Bar, enquanto o sol se começa a pôr e o Douro ganha uma cor irresistível.

 

É o momento do regresso e de tentar descobrir alguns dos encantos que o rio e a paisagem nos tinham deixado escapar na viagem de vinda. Uma prova de que é impossível resistir ao Douro é que após várias horas de comboio e algumas no Vesuvio, continuamos a não conseguir tirar os olhos da janela, por mais encantos e momentos que o comboio nos vá proporcionando.

Passado o Pinhão, estamos de novo à mesa, para um pequeno lanche, em jeito de homenagem à Portugalidade, com produtos nobres, que mostravam um pouco da excelência do que por aqui se faz, com conservas, enchidos da Qualifer – o emblemático talho do Pinhão que merece uma visita por si só (ver) – queijos, com destaque para o Queijo da ilha com 24 meses de cura e, claro, o delicioso pão da Gleba, ao qual ninguém tem conseguido ficar indiferente.

Houve ainda tempo para mais vinhos, sempre com o selo Niepoort, sempre com sinónimo de satisfação, e de uns docinhos produzidos pelos chefes residentes Vitor Areias e Rui Santos.

Pelo meio não faltou uma visita das históricas vendedoras de rebuçados da Régua, e o som da Guitarra Portuguesa, carregada de emoções e sentimentalismo bem português.

Mais do que caída a noite, regressamos à nossa cabine para um resto de viagem confortável e uns dedos de conversa, onde a temática era óbvia, uma retrospectiva do dia magistral que se havia passado a bordo de um comboio.

Quase no Porto, e numa fase em que o coração está mais do que conquistado, a equipa decidiu aquecer-nos a alma e aconchegar-nos o estômago, com uma recriação do clássico caldo verde, que assentou na perfeição.

Findada a viagem é tempo de despedida, tempo de parabenizar toda a organização e toda a equipa de sala e cozinha por se terem tornado verdadeiros actores, e nos terem proporcionado também a possibilidade de nos fundirmos com um cenário único. Um verdadeiro espetáculo!

E agora? Agora é esperar por 2018, que está prometido um regresso.

The Presidential

English Version

Fotos: Flavors & Senses 

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Le Cinq Codet

Na busca incessante do luxo cada vez mais nos deparamos com os holofotes e as purpurinas do “ver e ser visto”. Para mim essa busca cessa, precisamente, quando me deparo com essa necessidade doentia do “mostrar”.

O luxo é muito mais do que isso, é discreto, é intimista, é a simples subtileza que nem todos conseguem compreender.

Já não procuramos os grandes palácios, e o exagero do luxo, o atendimento invasivo e servil… procuramos sim, e cada vez mais, o genuíno, a empatia, o conforto, e, acima de tudo, a privacidade.

Primeira Impressão
Quando me deparei com o Le Cinq Codet foi simples de perceber a sua contemporaneidade burguesa e boémia em simultâneo, características bem presentes da região parisiense em que se situa.

A Rive Gauche tem a capacidade de nos fazer viajar no tempo e na história da burguesia mais interessante de Paris, a boémia!


Uma antiga central telefónica com um toque despretensioso e elegante, uma mescla de arte e natureza e a melhor localização da cidade são (apenas) algumas das características do Le Cinq Codet.

A vista que se tem do hotel é, nada mais nada menos, que a cúpula dourada do Hôtel des Invalides!

Fomos calorosamente recebidos, à entrada, por um funcionário de sorriso sincero e com a descontração e educação/simpatia na proporção certa, após alguns minutos de uma boa conversa apercebemo-nos que era casado com uma portuguesa!

Acompanhados por ele à receção, o nosso check in foi feito sem demoras, e com o mesmo comportamento simpático e despretensioso.


Como chegamos cedo, o quarto ainda não se encontrava pronto e por isso optamos por relaxar um pouco no Lobby de entrada enquanto aguardamos pelo uber para nos levar a um almoço memorável no clássico Le Duc.

No Lobby está bem patente o estilo contemporâneo do hotel, cores sóbrias misturam-se com cores fortes e transmitem um ambiente vivo e entusiasmante ao hotel.

Pierre-Emmanuel Vandeputte na exposição Supper Green

Pudemos aperceber-nos da importância da arte para o Le Cinq Codet, razão pela qual se iniciou em Setembro e até ao final de Outubro a Super Green Exposition. Aqui, os hóspedes foram convidados a reconectarem-se com a natureza através duma exposição sensorial elaborada pelo Studio Marant, onde a arte entra em comunhão com o design como um todo. Desta forma, ao longo de todo o hotel, os espaços estão imersos numa onda de verde, ambiente esse que também se encontra presente na cozinha, onde o chefe criou um menu feito especialmente para a ocasião.


Um ambiente que nos leva a questionar: “Qual é a verdadeira natureza do mundo atual?”

Após um almoço incrível, lá regressamos ao Le Cinq Codet para conhecermos o nosso quarto.

Quartos
Os quartos são um dos ex libris do hotel. Contam-se 67 e dividem-se em quartos – Classic, Superior, Duplex, Deluxe e Family – e Suites – Junior, Duplex, Superior e Prestige. Caracterizados pelas cores quentes e vivas mescladas com madeira branca, cabedal, e pormenores boémios com alguma sensualidade discreta, tudo tem o toque do designer Jean Philippe Nuel.


Ficamos num Deluxe, com uns generosos 29m2. Com um toque de contemporaneidade extremamente elegante, e com uma funcionalidade como nunca vi, o que me arrebatou de imediato foi a banheira no meio do quarto!


Os quadros estrategicamente pousados na cabeceira da cama, e as cores fortes que preenchiam o quarto faziam daquele espaço um local com vida própria.

Tudo no quarto foi pensado ao pormenor, a atenção dada à parte funcional foi elaborada por alguém que efetivamente sabe as necessidades dos hóspedes mais minuciosos. Quer a cama quer o sofá estavam devidamente equipados com todas as funcionalidades electrónicas necessárias.

Sem a mais pequena dúvida, o quarto mais funcional onde já estive, e um dos mais interessantes e vibrantes.

De salientar que no último andar, as suites têm terraços de cortar a respiração com vistas para a Torre Eifel e o Hôtel des Invalides, em que quase parece que conseguimos tocar-lhes!


Restaurantes
Contam-se três espaços que se encontram em perfeita comunhão. O restaurante propriamente dito, o Pátio e o Lounge Bar.

O pátio é talvez um dos locais mais bonitos do hotel, um ambiente típico dos jardins parisienses, com um toque de decoração industrial e artística num formato contemporâneo, transmite aquela sensação de conforto e elegância em simultâneo. Aqui podem ser servidas as diferentes refeições ao longo do dia, assim a meteorologia o permita!


Relativamente ao Lounge Bar, este é uma espécie de extensão do Pátio, com uma simples parede de vidro a servir de fronteira. A luminosidade que se faz sentir, o ambiente e a decoração transportam-nos para os anos 40, diretamente para um ambiente de art deco.


Por fim, mas não menos importante, e num ambiente que tem tanto de cosmopolita como de privativo, temos o Restaurante. Este serve as diferentes refeições ao longo do dia.

Aqui tivemos a oportunidade de tomar o pequeno-almoço e de ter um jantar bem agradável, agraciados pelas noites de jazz que o hotel oferece aos sábados.

Se ao pequeno-almoço o serviço é simples e eficiente, com um buffet criteriosamente selecionado, onde não faltam os produtos de pastelaria de Eric Kaiser, bons chás e queijos de afinada qualidade, ao jantar o espaço torna-se mais íntimo e ainda mais cosmopolita.

Na nossa visita acabamos por degustar o menu especialmente desenhado pelo chef Antoine K’ros para a Exposição Supper Green, numa combinação de ingredientes leve e bem conseguida.

Frango do campo com legumes

Destaque para o aveludado e delicado creme de couve flor assim como o Frango com legumes e creme de beterraba onde as notas frescas do abacaxi deram uma nova dimensão ao prato.

Uma “maçã” de framboesa para terminar a refeição

Serviços
Além de todos os serviços habituais num hotel de luxo, desde Concierge, a Wifi, lavandaria, serviços de quartos, entre outros, uma das melhores características do Le Cinq Codet é a sua localização, naquele que é um dos melhores bairros de Paris, o 7º.


O hotel está próximo de algumas das melhores atrações da cidade, desde a Torre Eifel, à Ponte Alexandre III, e ao Museu Rodin.

Mas, talvez um dos ex libris do hotel será mesmo o seu Spa, o Sundãri Spa. Aqui, podemos usufruir do mais perfeito relaxamento enquanto esquecemos o bulício da cidade da luz.

Equipado com uma sala dupla, uma sauna e um jacuzzi incorporado num bonito terraço que fez as delícias da minha estadia!

Associado a este espaço de relaxamento temos também uma pequena sala de fitness.

Atendimento
Como fui referindo ao longo do texto, a simpatia e educação num ambiente descontraído são o mote da equipa do Le Cinq Codet. Os rostos são jovens e os sorrisos são constantes.

Há uma forma de atender sem invadir que muito caracteriza o novo luxo, a privacidade é o mais importante, e por isso os funcionários quase parece que nem se encontram no hotel. Mas, sempre que temos necessidade de algo eles antecedem a resposta aos nossos pedidos.

O Le Cinq Codet é tudo aquilo que procuramos no novo luxo ou, melhor dizendo, da nova forma de usufruir dele – privativo, intimista, genuíno e despretensioso. A melhor localização da cidade aliada a estas características, que tão bem o definem, fazem deste novo Boutique Hotel um local imperdível.

Le Cinq Codet
Quartos a partir de 230€
5 rue Louis Codet – Paris
+33 1 53 85 15 60
contact@le5codet.com

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Le Cinq Codet a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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5 restaurantes a não perder em Bragança

Este é um fim de semana de festa em Bragança com a Feira Internacional do Norte, mais conhecida por Norcaça, Norpesca e Norcastanha – um evento onde é possível conhecer um pouco mais sobre tudo o que de bom Bragança tem para oferecer (onde muito passa por isso mesmo, caça, pesca, castanha e os cogumelos que infelizmente este ano tardam em chegar).

Por isso, e a pensar em quem vai visitar a cidade (e sim, devem visitar Bragança e Trás-os-Montes) deixamos 5 restaurantes onde poderão provar o que de melhor a região tem para oferecer.

Solar Bragançano
Um clássico da cidade e uma presença habitual nos prémios Flavors & Senses (vencedor em 2017 na categoria Restaurante Trás-os-Montes), é um paraíso para os amantes de pratos de caça, trabalhados à moda antiga, pelas mãos sábias de quem ainda hoje utiliza o pote como meio de cocção.

De realçar ainda a fantástica carta de vinhos.

A salada de Perdiz é um dos pratos a não perder

Praça da Sé 34, 1º – Bragança
273 323 875

 Porta
Muito se comenta no meio gastronómico o que terá levado o chef André Silva a abdicar da sua estrela Michelin no Largo do Paço para abraçar um projecto em nome próprio na isolada cidade de Bragança, o que é certo é que fica a ganhar a cidade e, claro, quem a visita. Aqui podem esperar uma proposta refinada influenciada pela região e não só, onde a técnica e o cuidado com o produto são uma assinatura do chef.

restaurante Porta**

Largo Forte S.João, 204 – Bragança
273 098 516

O Geadas 

Se os irmãos Óscar e Tó Gonçalves são hoje conhecidos pelo seu restaurante Gastronómico “G”, aqui foi onde tudo começou! O restaurante aberto pelos pais, e onde a mãe é ainda quem tem a batuta da cozinha, presta homenagem às melhores tradições da região, onde não faltam enchidos e pratos de caça para conquistar o mais difícil dos comensais.

Nos vinhos, percam-se entre as colheitas antigas de referências conhecidas ou deixem-se levar pelos muitos e bons vinhos da região.

Estufado de javali no “O Geadas”

Rua do Loreto
273 326 002

D. Roberto
A fama é antiga e as “peregrinações” de clientes levaram a família a apostar na produção de enchidos e na criação de porcos de raça Bísaro. Mas o restaurante mantém a sua traça, e apesar do sucesso da “marca” é a mesma família que continua a cuidar criteriosamente da cozinha e dos clientes. Não deixem de provar o famoso Butelo ou a trilogia de porco bísaro.

Trilogia de porco bísaro

Trilogia de porco bísaro

R. Coronel Álvaro Cepeda – Gimonde
273 302 510

“G” Pousada 
Aproveitando a vista deslumbrante da Pousada sobre o Castelo e a cidade, os irmãos “Geadas” decidiram apostar numa cozinha de autor, onde brilham alguns produtos da região bem combinados com outros sabores bem típicos de Portugal, como o peixe de Peniche.

Os vinhos são uma das apostas fortes da casa pelo que as harmonizações preparadas por Tó Gonçalves irão surpreender no casamento com a cozinha do seu irmão.

A vista imperdível do “G”*

Pousada de S. Bartolomeu
Rua estrada do Turismo – Bragança
273 331 493

Deixem-se levar pela magia dos sabores ricos e autênticos da Região!

Fotos: Flavors and Senses e *André Ribeirinho, **Divulgação

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Rota das Estrelas: Casa de Chá da Boa Nova

 Há artigos que pecam por tardios, mas a cerca de um mês do anúncio das estrelas para 2018, e uma vez que este ano anda tudo muito sossegado quanto aos nomes que conseguirão manter ou conquistar as suas estrelas (os fenómenos dos media são mesmo assim), estamos perante uma boa altura para falar daqueles que normalmente mais brilham, ou seja, os chefs!

E para isso nada como um jantar da Rota das Estrelas, onde 4 dos mais bem sucedidos chefs em Portugal se reuniram para um jantar com o Mar como pano de fundo.

A batuta coube a Rui Paula, o anfitrião que recebeu na sua Casa de Chá da Boa Nova, Hans Neuner (Ocean, **Michelin), Miguel Rocha Vieira (Fortaleza do Guincho, Costes, Costes Downtown, *Michelin), Rui Silvestre (Bon Bon, *Michelin), que é como quem diz, uma cambada de tipos com pedigree.

Um irresistível Presunto Ibérico com corte afinado

A festa começou no exterior, com o sol a mostrar-se envergonhado à boa moda do Porto, mas com champanhe Pommery em quantidades suficientes para nos transportar para melhores climas. Não faltou um impecável Presunto ibérico bem laminado pelo Vítor Oliveira da Academia de Corte, salmão fumado artesanal feito pela equipa do Boa Nova, que se revelou uma bela surpresa.

 Salmão fumado artesanal

E continuamos com os snacks de Verão do Boa Nova, que já conhecíamos de outras visitas e uma colorida selecção de pães, com variedades e ingredientes para todos os gostos.

“Macarron” de algas e sardinha

António Lopes (Wine Guru, Anantara Vilamoura) foi o escanção convidado para se juntar a Carlos Monteiro

Durante a azáfama de ordenar todos os convidados nas suas respetivas mesas, não se dá pelo passar do tempo, enquanto vamos apreciando todos os encantos da Casa de Chá da Boa Nova e do seu enquadramento perfeito que, mesmo com mau tempo, nos transmite sensações únicas (é de facto uma sala única e especial).

A bom ritmo, surge no copo um Cattier “Clos du Moulin” Rosé, o champanhe que viria a fazer um excelente casamento com o prato que se seguiria, com as suas notas de frutos vermelhos e verbena.

Rui Paula – Caranguejo Real, Tomate e Morango
Um prato leve, fresco e aparentemente simples. Grande rigor na execução dos frutos, tomates e emulsões, mas para um início perfeito teria de ter sido o Caranguejo real a brilhar, o que acabou por não acontecer, pelo excesso de “picado” e da secura da carne.

Hans Neuner – Ostra, Foie gras fumado e ananás dos Açores
Este prato trouxe-me memórias duma grande refeição do Ocean, onde este prato tinha brilhado entre os restantes momentos. Não estando naturalmente ao mesmo nível, que a versão apresentada no Ocean (por todos os motivos e mais alguns), parecendo-me aqui que o ananás se sobrepôs um pouco aos demais ingredientes. Ainda assim uma entrada irresistível!

No copo o casamento revelou-se a bom nível, com a cremosidade da bolha e o final fresco do Billecart Salmon  Blanc Des Blancs.

Rui Silvestre – Lavagante do Atlântico, gema de ovo e caviar imperial
Existem pratos que por ingredientes mais nobres que tenham e por melhor que seja a técnica executada, não nos entusiasmam. Faltou-lhe a alma (e possivelmente um caldo) para o levar a outros voos.

A acompanhar o prato a escolha recaiu sobre o Principal Rosé de 2010, um vinho que foi controverso à mesa, com alguns comensais a considerar que já tinha perdido o seu fulgor e a sua energia, mas que a mim me deu gosto beber e que combinou bem com o lado mais gordo do prato.

Rui Paula – Homenagem aos Pescadores
A inspiração veio de uma Chora (sopa tradicional do receituário dos nossos pescadores), aqui presente no molho e na espuma que dão vida ao prato, onde as texturas e os peixes confeccionados no ponto criaram a simbiose perfeita e fizeram deste o prato da noite. Muito bom!

A acompanhar, não poderiam ter feito melhor escolha, com um dos meus vinhos preferidos da região dos Vinhos Verdes, o Ameal “Escolha” 2015, um grande ano, em que este exemplar 100% Loureiro se mostra em grande esplendor, com frescura e muita complexidade.

Miguel Rocha Vieira – Cherne de Anzol, alcachofras e lula dos Açores
Gosto da forma como o chef Miguel Rocha Vieira normalmente pensa os seus pratos de peixe e a forma como lhe adiciona contrastes fortes de sabor a terra, seja pela beterraba, a cenoura ou neste caso a alcachofra.  Tecnicamente irrepreensível no aspecto, teve algumas falhas na cocção do peixe – é um daqueles casos em que se o prato fosse preparado na sua cozinha e pela sua equipa durante um serviço normal, nos faria aplaudir.

Ainda assim foi um excelente momento à mesa, mais ainda quando conjugado com Niepoort VV de 2015, o grande branco que Dirk Niepoort criou na Bairrada a partir de uma combinação de Maria Gomes e Bical.

Rui Paula – milho e molho do assado
É impressionante a evolução da cozinha de Rui Paula nos últimos anos, lembro-me de há menos de uma década servir o seu cabrito assado, o seu pastelão com bife do Lombo, que depois evoluiu para pratos como o peixe galo com risotto de lima e que nos últimos tempos tem apresentado combinações de texturas e platings arriscados. A evolução é isso mesmo, aprender, criar e executar, e no caso de Rui Paula, é visível que tem aprendido a tirar elementos dos pratos e a fazer brilhar aqueles com que efetivamente decide trabalhar.

Apresentando aqui um bom jogo de texturas em torno do milho, com puré, maçaroca, milho baby, blini e a pipoca (dispensável), sabores adocicados, afinados pelas algas e o molho do assado, que apesar da pouca quantidade, fez maravilhas ao conjunto.

E se até aqui a escolha vínica ia em alta, este momento não seria excepção, com o impressionante Quinta da Pellada Primus 2015 a ser servido. É ainda muito jovem para ser totalmente apreciado, mas é um vinho que impressiona, seja pela mineralidade, a acidez ou a sua frescura e longevidade na boca. Um grande vinho!

Pré-Sobremesa

Pausa no jantar, onde não houve pratos de carne, e onde não fizeram falta, e eis que surge a pré-sobremesa, bem trabalhada pela equipa de Rui Paula, com sabores quentes e ricos, do chocolate, figo e cereja. Muito bom.

Rui Paula – Avelã, cereais e pão tostado
Um prato que já tinha provado e aprovado numa visita anterior ao Boa Nova (ver). Uma combinação que nos transporta para o pequeno almoço, com os seus sabores e ingredientes de conforto muito bem trabalhados.

Ainda assim e depois de uma refeição tão longa, não seria pior se o final fosse um pouco mais leve e fresco (que é sempre a minha opção para sobremesas em menus).

Para terminar não houve um mas sim dois vinhos, um Porto Dalva Colheita de 2007 e um Madeira Barbeito “Bual” de 1995. Ambos em excelente forma, mas com o Madeira a conquistar-me para o último gole. Que grandes vinhos está a fazer o Ricardo Diogo e a sua equipa.

E por falar em vinho, não posso deixar de destacar o trabalho do Carlos Monteiro e do António Lopes, quer pela seleção de grandes vinhos com que nos presentearam quer pela forma como souberam harmonizá-los com os pratos servidos.

Considerações Finais
Eventos como o Rota das estrelas não deve ser vistos como “extraordinários momentos gastronómicos”, isto porque, sem dúvida, cada chef brilha muito mais na sua própria cozinha, no seu habitat e com a sua equipa. Devem ser vistos como grandes festas, festas gastronómicas, onde num jantar apenas se conseguem reunir 4 ou 5 nomes que dificilmente se voltam a juntar e provar pratos que de outra forma nos fariam viajar por todo o país (não que comer não seja o principal motivo para eu viajar!).

Sobre este jantar, resta-me dar os parabéns a todos os chefs e em especial ao anfitrião, Rui Paula, que recebeu cozinheiros e comensais no seu cenário inigualável e com o seu habitual savoir faire.

Um brinde aos chefs e às novas estrelas que estão quase aí a chegar!

English Version

Fotos: Flavors & Senses 

Rota das Estrelas

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Ichiban

Estamos em tempo de silly season política, com governantes a disparar ataques e desculpas sem anexo nem fundamento como é apanágio dos nossos governantes e os seus rivais. Mas desenganem-se, não mudei  o conteúdo dos meus textos, quero é com isto agradecer a um certo tipo de políticos que fez mais por Portugal do que muitos dos nossos dirigentes, e falo da embaixada do Japão, que com excepção do memorável mestre Yoshitaki, apresentou a Portugal os dois grandes Porta estandartes da cozinha nipónica no nosso país.

Primeiro foi Tomoaki Kanazawa – que se prepara agora para retornar ao Japão, para infelicidade dos portugueses – e depois Masaki Onishi que o substituiu na Embaixada e que 3 anos depois rumou ao Porto para abrir este Ichiban.

Ora, como o próprio nome indica (Ichiban significa “Primeiro” em japonês) o restaurante foi o primeiro espaço da cidade a apresentar uma cozinha de influência puramente japonesa e não tanto de sushi-fusão-brasil, como era habitual encontrar em 2011 e até nos dias de hoje.

E não terá sido certamente fácil esta adaptação do chef à cidade e dos comensais à sua proposta de crivo purista, onde o importante não é inventar ou reinventar mas sim aperfeiçoar o simples. Um trabalho de minúcia e detalhe, bem ao jeito da cultura japonesa.

O restaurante, em plena Foz do Douro, ocupa um pequeno espaço em frente ao Mar dividido em 3 pequenos pisos, de decoração minimalista ao bom estilo japonês com a madeira de tons claros a trazer conforto e aconchego. Cada sala tem o seu detalhe e cada uma delas pode satisfazer diferentes gostos, no piso inferior é possível assistir ao trabalho de Masaki Onishi na cozinha (há alguns anos que o chef entregou aos seus discípulos a confecção do sushi, dedicando-se inteiramente aos pratos de cozinha japonesa), no piso térreo é possível apreciar toda a agitação do restaurante e o trabalho dos seus Itamae, é aqui e ao balcão que preferimos ficar, já no piso superior, onde nos instalamos na última visita, não faltam as vistas sobre o mar e o piso térreo.

Já sentados e de pedido feito, é-nos proposto um pequeno snack (2€) que serve de couvert, e que normalmente viaja entre pratos de peixe ou estufados de porco preto, tendo numa última visita sido brindado com uma leve e saborosa salada de porco preto, com finas fatias de carne a serem bem conjugas com o molho leve e a frescura das verduras que o acompanhavam.

Tako Yaki (5,5€)
Tako Yaki é como quem diz ” a resposta japonesa a uma patanisca de polvo”,  pequenas bolinhas de massa  recheadas com polvo e preparadas numa forma especial. Aqui particularmente bem preparadas, com capa crocante e interior suculento e guloso, mais ainda quando conjugado com o molho especial de travo doce e a maionese japonesa. Assim vale a pena!

Okonomiyaki de Marisco (16€)
A tradicional panqueca japonesa, feita com uma massa semelhante à do Tako Yaki, aqui bem recheada de legumes, camarão, lulas e vieira. Uma dose farta e para partilhar, que apesar do excesso de molho se mostrou a um nível bastante alto, sem o sabor da farinha e com os elementos a realçarem-se num bom jogo de texturas e uma pecaminosa doçura.

Tempura Moriwase (16€)
Moriwase significa “à escolha do chef” pelo que é ele que se encarrega de escolher os produtos que são postos à nossa frente. Entre a variedade de legumes, destaque para o espargo e também os camarões, fritos  de forma irrepreensível em polme fino e crocante como manda a lei. Bom também o molho e a frescura do daikon e do gengibre ralados.

Carapau Ryukyu (10€)
Prato obrigatório em cada visita, bem pode ser um dos meus favoritos da carta. Uma espécie de tártaro de carapau em cubos mais grossos, preparado com molho “ryukyu” típico da região de Okinawa, e refrescado pelo gengibre, a erva príncipe e o cebolo.

Sashimi Moriwase (preço variado consoante o nº de peças)
Há lá melhor forma de apreciar o trabalho de um sushiman do que ver a passagem das suas afiadas facas pelo peixe, há, mas já lá vamos! Sashimi com uma alargada variedade de peixes (sempre um dos pontos fortes deste Ichiban), onde perdemos as contas à variedade de peixes brancos e onde provamos alguns como o peixe porco, o peixe agulha ou o rodovalho, que dificilmente encontramos noutros restaurantes. Destaque para o corte mais grosso e purista que nos permite saborear o peixe em todo o seu esplendor, assim como para o Tamago (omelete) que traz um final doce depois de tanto peixe.

Niguiri Moriwase (preço variada consoante o nº de peças)
E aqui está! É a ver a habilidade do chef a moldar os niguiris e depois de provar o seu shari (arroz de sushi) que podemos apreciar o seu trabalho em todo o seu esplendor! Nota alta para a qualidade deste último, irrepreensível em todas as visitas. Aqui destaque para o bom corte dos peixes, alguns deles complementados, e bem, por toppings. Quando há sardinha e o restante “peixe azul”, é aproveitar!

Gunkan de ouriço (preço variado) 
Há quando houver, é um dos bons lemas de quem prima pela qualidade do produto, e o Ichiban é um bom exemplo disso mesmo. Quando há ouriço – é certo que não estamos perante os grandes e cheios ouriços de Hokkaido – não deixamos de finalizar com uma explosão de mar e iodo na boca.

A acompanhar esteve o habitual chá verde japonês que me parece de estilo  “kukicha”, que é sempre o parente pobre da refeição, não pela qualidade do mesmo, mas pela forma como é preparado – utilizam sempre água demasiado quente, quando não deveriam passar dos 70/80º, queimando assim o chá e fazendo com que se percam muitas das notas de algas e frescura características do chá verde. Um ponto que merecia mais atenção!

O serviço decorre entre o português tímido da esposa do chef, sempre atenta a tudo e  uma jovem equipa de portugueses. Sempre de forma cordial sem pretensiosismos nem grande rigor técnico, mas que compensa tudo com o conhecimento da carta e dos peixes disponíveis.

Considerações Finais 
Masaki é homem de poucas palavras e para o ver é preciso espreitar pelo vidro que nos mostra a cozinha, mas o que importa é que em cada prato faz refletir a sua cultura e consequentemente a sua personalidade – rigoroso, quase austero, autêntico e misterioso.

É isso que sentimos quando mergulhamos quer nos pratos mais típicos dos “Izakayas” ou nos mais apurados cozinhados japoneses, um mar de descobertas e de sabores equilibrados, que são uma interpretação de um povo e a sua cultura.

O Ichiban é peixe e arroz, é sushi no seu estado mais puro e bruto, mas na realidade é muito mais do que isso, é um restaurante com uma cozinha séria e verdadeira, pelo que não foi à toa que em 2016 e 2017 venceu os prémios “Flavors & Senses – Os Melhores Para” na categoria “Restaurante Especializado” (ver). Pelo que não estamos apenas perante um grande restaurante do Porto, mas também um dos melhores embaixadores do Japão em Portugal.

Nota
Para quem ainda não descobriu a cozinha do Ichiban, podem sempre optar por um dos melhores menus de almoço da cidade , com opções de sushi e de cozinha e com preços entre os 17€ e os 21€, dependendo dos dias e do número de pratos.

Ichiban
Preço Médio: 40€ por pessoa sem vinhos
Avenida Brasil, 454 – Porto
226 186 111

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Fotos: Flavors & Senses

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Rustichella d’Abruzzo na mesa do Antiqvvm

O Antiqvvm, desde a sua abertura, tem sido palco de um alargado número de jantares temáticos, onde Vitor Matos se debruça sobre um determinado produto ou convida outro chef com quem partilha a cozinha.

Um dos últimos combinou as duas coisas, juntando a mestria de William Zonfa – uma estrela michelin no Magione Papale em Abruzzo – com os excelentes produtos da Rustichella d’Abruzzo.

Vitor Matos e William Zonfa

 A Rustichella é, como o próprio nome indica, uma empresa da região de Abruzzo, que produz vários tipos de pasta de trigo duro desde os anos 20, sendo hoje uma das principais referências do mercado, não só pela ampla variedade de produtos e formatos mas principalmente pela qualidade do produto. Só quem nunca cozinhou com esta marca não lhe reconhece a diferença para as marcas mais comerciais. É sem dúvida um produto de excelência, mas se dúvidas restassem, estávamos no sítio certo para as tirar…

Depois de um brinde  ao por do sol a partir do fantástico jardim do restaurante, foi-nos apresentado o conceito do jantar assim como a marca, através de Giovanni Gianni (diretor de exportação).

Fregola Sarda com manjericão, tomate e gelado de mozzarella fior di latte
E a festa começa com aquele que se revelou o mais simples e mais interessante prato da noite. Fregola (um tipo de massa em forma de pequenas bolas) cozinhada al dente, com um fantástico molho de sabor fresco a manjericão, enriquecido pelo pó de tomate e elevado pelo contraste de sabor, textura e temperatura do gelado de mozzarella. Um prato fantástico de William Zonfa, em que todos os elementos se evidenciam a solo e em conjunto.

Raviólis de queijo de Azeitão DOP com manteiga de salva, trompetas da morte e capuchinhas
O primeiro prato de Vitor Matos é também uma nova versão de um dos seus clássicos, aqui com os raviolis a serem preparados com a farinha da Rustichella e a apresentarem uma excelente textura e uma boa conjugação de sabores onde se destaca a riqueza da manteiga. Muito bom!

Paccheri recheado com brandada de bacalhau, caldeirada de amêijoas, bacalhau de meia cura e presunto de porco preto 
Um prato em que Vitor Matos nos trouxe os sabores de Portugal conjugados com a pasta italiana paccheri, aqui recheada com uma brandade que se revelou a um nível mais baixo do que o bacalhau de boa textura que a acompanhava. Um conjunto com vários elementos ao bom jeito do chef, mas onde o resultado final acaba por agradar e surpreender. Nota alta para a espuma de ervas que refresca um conjunto bastante rico e sabores bem portugueses.

Spaghettone del Leone com boletus, trufa de verão e mousse de amêndoa
Outro prato de William Zonfa, que em contraste com Vitor Matos foi trabalhando com poucos elementos em cada uma das suas propostas. Spaghettone de fantástico sabor e textura, bem conjugado com os restantes elementos, onde apenas a trufa de verão pouco ou nada acrescentava pela sua parca qualidade – fosse uma boa trufa negra na sua época e teríamos aqui um grande prato.

Panettone Clássico Rustichella d´Abruzzo com ananás dos Açores caramelizado, mascarpone, pêssego assado com mel e alfazema, chocolate branco e gelado de lima Kaffir
Mais um prato com uma longa lista de elementos, em que se destacaram os frutos bem trabalhados e a frescura do gelado de lima kaffir, acabando o Panettone por se tornar um elemento secundário e desnecessário no conjunto. Bom final!

 Petit fours ou as pequenas jóias de Vitor Matos

A harmonização dos pratos ficaram a cargo de vinhos também eles oriundos de Abruzzo, vinhos que não merecendo grandes destaques em termos qualitativos, acabaram por funcionar, e alguns deles até melhorar na companhia dos pratos.

O serviço decorreu de forma simples com alguns defeitos típicos deste tipo de eventos em que é preciso servir muita gente em simultâneo. 

Considerações Finais 
A Rustichella d’Abruzzo assume-se facilmente como uma das melhores produtoras de pasta disponíveis no nosso mercado. E se o objetivo do jantar era apresentar uma marca e um produto de excelência, o resultado foi mais do que conseguido, é impossível ficar indiferente à qualidade desta massa de trigo duro, mais ainda quando trabalhada pelas mãos aprimoradas de dois chefs estrelados.

Quanto a mim acho que me resta voltar a Itália para voltar a comer a Fregola Sarda com manjericão, tomate e gelado de mozzarella no Magione Papale de William Zonfa.

Antiqvvm
R. de Entre-Quintas 22o – Porto
+351 22 600 0445
antiqvvm@gmail.com

 English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Terminal 4450

O Terminal 4450 já não é uma surpresa para ninguém, do mais informado foodie ao cliente mais desatento já toda a gente visitou ou ouviu falar no projecto de Ricardo Rodrigues no antigo Terminal de Cruzeiros de Leça da Palmeira.

Muita tinta corrida, muitos blogs e muita azáfama nas redes sociais aliados a uma cozinha afinada, também ela com o selo de Nuno Crasto (Esquina do Avesso) e eis que temos um dos restaurantes mais trendy da cidade, valendo-lhe aliás a nomeação para restaurante Revelação e Trendy nos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores Para” respetivamente nas edições de 2016 e 2017.

Mas vamos lá escrever mais um pouco, para quem ainda não se cansou de ler sobre este Terminal. Ora onde antigamente funcionou um Bar, o empresário decidiu abrir um restaurante, que é também um “aeroporto” onde a viagem termina debruçada sobre o Mar, o rio Leça, os barcos, as gaivotas e os restaurantes de peixe de Matosinhos, tudo com um plano muito específico, trazer uma steakhouse a uma zona famosa pelo peixe.

A marca gráfica e a identidade do restaurante, trabalhadas por Ricardo e os designers da Another Collective, foram um dos primeiros sinais de sucesso em torno do restaurante – Um ponto que merece e precisa de ser cada vez mais trabalhado pelos restaurantes portugueses – .

Tal como referi, a ideia do aeroporto começa na manga de acesso, passa pelas malas, o balcão de check in e termina na mesa com o passaporte, que é como quem diz, a carta.

Instalados nas amplas mesas de madeira que trazem alguma rusticidade ao ambiente cosmopolita do restaurante, e de passaporte carimbado começamos mais uma viagem!

Couvert

Do couvert são já famosas as pipocas salgadas cujos temperos vão variando de dia para dia (oregãos nesta última visita), e os frascos, aqui com uma simples mas boa combinação de queijo feta e azeitonas.

 Bola de Rosbife (7€)
Uma das várias entradas disponíveis são as bolas com vários recheios, aqui optou-se pela de Rosbife, que se apresentou em melhor forma que numa visita anterior, em que o meu odiado óleo de trufa colocado em excesso abafava todos os elementos. Aqui com a carne no ponto, bem conjugada com elementos que lhe conferiam frescura e untuosidade. Um bom início!

Tártaro de Boi (10€)
Se estamos aqui para comer carne, um tártaro é ponto obrigatório. Tostas simples e competentes, carne bem cortada e saborosa, apesar do tempero modesto que poderia ser mais rico e ligeiramente picante, nota positiva para a cebola crocante e a mostarda em grão.

Costelinhas de Porco na Brasa (10€)
Aquela carne pecaminosa, cozinhada no ponto, ainda suculenta e bem temperada. Pontos para o molho de travo agridoce em contraste com um menos conseguido coleslaw.

Salsichas Artesanais (6,5€)
Mantêm-se como uma das melhores propostas desde a primeira vez que provamos este prato de inspiração noutros sotaques. Salsicha bem conseguida e de cocção irrepreensível, bem complementada pela esmagada de batata e a cebolada, que fornecem um bom jogo de texturas e contraste de sabores pecaminosos. Comida de conforto em alto nível!

 Costeletão (36€)
Numa refeição já bem rica e pesada, não podíamos deixar de provar o costeletão, que apesar de não ser proveniente de um animal velho apresentava uma boa quantidade de gordura e bom sabor. A faltar-lhe apenas as notas transmitidas pelo carvão!

De referir ainda os acompanhamentos, normalmente os elementos menos conseguidos deste Terminal 4450, onde se destacam pela positiva os bons palitos de polenta fritos e o arroz com pequenos pedaços de chouriço, que mais uma vez se revelaram uma escolha acertada.

Tarte de  Limão Merengada (4€)
As sobremesas são um dos pontos onde Nuno Castro mais se tem destacado, e a apresentação desta desconstrução da tarte de limão é um bom exemplo disso. Boa combinação de texturas, boa frescura do sorvete de limão que contrasta bem com a doçura (excessiva) do creme de limão.

Um bom final para uma refeição já longa e pesada!

Para acompanhar a refeição a escolha não recaiu sobre o habitual vinho tinto, mas sim sobre o fantástico Loureiro da Quinta do Ameal cuja colheita de 2015 está particularmente fantástica. Um dos grandes brancos portugueses!

Quanto ao serviço, nada de negativo a apontar, jovem, eficiente, de sorriso no rosto, com conhecimento da carta e a demonstrar atenção e cuidado com o cliente, mesmo com a casa cheia.

Considerações Finais
O Terminal não é um daqueles restaurantes da moda em que apenas se quer ver e ser visto, ou onde se quer estar mais pelo ambiente do que propriamente pela comida. É um valor seguro e mais uma aposta ganha por Ricardo Rodrigues depois da Esquina do Avesso e da Sushiaria, que mostra que este jovem empresário ainda tem cartas para dar na restauração da cidade.

Um restaurante de marca e identidade fortes, conjugadas com uma cozinha simples e opções para todos os gostos e a preços corretos. É certo que tem ainda margem de manobra para melhorar em vários aspectos, desde a qualidade da matéria prima (têm já algumas peças de carne maturada que prometem fazer a diferenciação) a pequenos detalhes da sala e do serviço, mas o caminho está mais do que bem traçado, e  a nós resta-nos voltar para provar a nova carta!

 Terminal 4450
Preço Médio: 30€ por pessoa sem vinhos
Avenida Doutor Antunes Guimarães – Leça da Palmeira

+351 229 954 020

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Fotos: Flavors & Senses

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