“Croquetas” de cozido

Uma das mais clássicas e comuns tapas espanholas é sem dúvida a croqueta, seja de presunto, carne ou peixe. A base é sempre de béchamel, ao qual se juntam os mais variados ingredientes. Nesta versão do tradicional croquete de cozido, usou-se menos farinha para tornar o croquete mais leve do que os que normalmente se encontram, assim como o pão ralado asiático, panko, de forma a criar uma crosta ainda mais crocante. Um petisco simples, barato e de grande sabor.

Croquetas de Cocido

450 gr de carne do cozido ( frango, vitela, orelha de porco, pernil, etc)
2 ovos
1 L de leite
100 gr de manteiga
100 gr de farinha
1 dente de alho
1 cebola média
q.b. sal
q.b. noz moscada
q.b. pimenta preta
4 folhas de gelatina

Ovo
Farinha
Pão ralado (panko)

Picar a mistura de carnes (sem excesso de gorduras) num robot de cozinha e reservar.
Cozer dois ovos e picar grosseiramente, reservar.
Picar a cebola bem fina e o dente de alho.
Para o béchamel, levar uma panela alta a lume brando com a manteiga, a cebola e o alho, deixar suar bem a cebola até estar translúcida. Atenção para não queimar.
Juntar a farinha e mexer bem de forma a combinar todos os ingrediente, e cozinhar a farinha durante cerca de 2 min.
Aos poucos, juntar o leite, mexendo bem com um fouet de forma a que não se criem grumos.
Deixar engrossar ligeiramente e juntar as carnes e os ovos.
Temperar com a noz moscada, pimenta e sal (atenção ao sal já presente na carne).
Em simultâneo, hidratar as folhas de gelatina.
Quando o béchamel estiver grosso e com uma mistura homogénea, retirar do lume e juntar a gelatina bem escorrida.
Misturar bem.
Deitar a mistura sobre uma forma grande e tapar com película sobre o creme.
Levar ao frio até ficar bastante sólido*.

Retirar do frio e formar pequenos rectângulos ou bolas, passar por farinha, ovo batido e pão ralado.
Fritar de imediato ou congelar individualmente.

Nota
*Normalmente gosto de deixar a mistura no frio durante 2 a 3 dias antes de fazer os croquetes.

Na imagem servimos os croquetes sobre um pouco de aioli e coentros fritos de forma a ficarem estaladiços.

Inspirado em Esther Gonzalez Sarmiento

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Bar Tolo Meu

Se em tempos o objectivo era dizer que se tinha um restaurante com cozinha de autor ou de fusão, independentemente daquilo que se cozinhava, hoje não o é. A tendência actual é para espaços descomplicados, tabernas, tascos, petisqueiras, casas de pasto ou o que lhe quiserem chamar. Espaços para petiscar pratos tradicionais quer portugueses quer espanhóis  mas onde a ideia de tasca não é de todo seguida à letra, as decorações são aprimoradas para criar tascas “chiques”  e espaços da moda.

O Bar Tolo Meu é um dos mais recentes seguidores desta tendência, aberto desde o início do ano no coração da foz entre a rua de S.Bartolomeu e Senhora da Luz, num prédio de 3 andares, bem remodelado,  com uma decoração interessante e uma esplanada que promete bons finais de dia se o tempo alguma vez o permitir. Mas passemos à carta, Ricardo Coelho, o chefe, oferece uma carta (ou será uma banda desenhada?) rica em pratos portugueses simples  e servidos em pequenas doses para partilhar.

Numa noite de final de semana e com reserva feita partimos para mais uma refeição, começando pelo Couvert (1,5€), azeitonas (feias mas saborosas), um azeite fraquinho e um pão de qualidade duvidosa onde se salvou a pequena broa (sei que é cada vez mais difícil encontrar bom pão, mas não entendo como tascas, tabernas e afins continuam a servir assim). Depois do couvert começa a nossa interminável espera, primeiro pela carta, depois pelos pedidos e no final pelos petiscos que cerca de 1hora depois começaram a chegar até nós.

Folhados de Alheira, molho de mostarda e mel (5€)
Passado tanto tempo e com a fome a apertar qualquer coisa parece boa, mas não é aqui o caso. Os folhados estavam muito bons, estaladiços com a alheira no ponto certo e um bom sabor agridoce entre o mel e a mostarda estilo Savora. Um dos melhores da noite.

Polvo à Galega (6,5€)
Continuando sem entender como um pouco de polvo previamente cozido demora tanto a chegar à mesa, eis o dito cujo, tenro, bem cozido, mas a merecer um pouco mais de tempero e quiçá quantidade.
Favas com chouriço picante, ovo escalfado ( 5,50€)
Apesar da pouco apreciada pele das favas, este tachinho funcionou muito bem. O picante do chouriço transformou os sabores, ovo e favas no ponto. Um petisco bem conseguido.
Atum marinado (6€)
Ao que me constava os peixes marinados são uma das especialidades da casa, aqui na sua versão de atum, com textura irrepreensível mas a precisar de um pouco mais de sabor, nomeadamente o ácido que o elevaria.
Ovos rotos, espargos e setas trufados (6€)
Não sendo a primeira vez que me acontece é algo que não entendo, ovos rotos e ovos mexidos não são de todo a mesma coisa, ponto. Aqui uns ovos mexidos, com uma combinação clássica de espargos e cogumelos, bem preparados, ou seriam, não fosse o excesso de azeite/óleo de trufa que fez com que não se sentisse mais aroma ou sabor nenhum a não ser o seu.

Preguinhos no pão (4,5€)
Carne de qualidade, boa salada, boas chips, pão mais uma vez duvidoso. Podia ser perfeito, um pão ligeiramente crocante, um pouco de mostarda e voilá.
Mousse de Avelã (4€)

Sem a melhor das apresentações, mas bem conseguida no sabor e textura.

A carta de vinhos está bem preparada com boas opções e preços sensatos. Acompanhamos a refeição com um bom Quinta do Vallado Branco 2011.

O Serviço esse é o ponto mais fraco, a casa é recente, é certo, mas a equipa não está de todo preparada para um boom de clientes em busca da nova moda. Mesas trocadas, pedidos trocados, uma hora para começar a receber petiscos são erros inadmissíveis para qualquer espaço.

Considerações Finais
O Bar Tolo Meu é um espaço bem localizado, com boa decoração e um conceito simpático. A sua cozinha de base portuguesa ainda precisa de alguns apuros e uma ou outra mudança. O sucesso que está a ter é bom e digno de ressalva, mas é preciso criar um suporte que o permita manter e para isso é preciso melhorar e muito no serviço. Um espaço a deixar amadurecer para depois certamente voltar.

Bar Tolo Meu
Rua Senhora da Luz, 185, Foz do Douro, Porto
224938987

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Ferrugem – Vila Nova de Famalicão

Com cerca de 1h de antecedência, reserva feita e  GPS operacional partimos do Porto em direcção a Portela, uma pequena aldeia do concelho de Famalicão, entre vinhas, curvas e casas tradicionais. Uma aldeia como tantas outras caídas no esquecimento, com a diferença de que Portela faz parte de todos os roteiros gastronómicos do Minho e de Portugal. A culpa é de Renato e Dalila Cunha que em 2006 revolucionaram as suas vidas,  deixaram os seus empregos e deram asas ao sonho de ter um restaurante, tornaram-se chefs autodidactas, cheios de amor pela tradição minhota e de paixão pelas técnicas mais elaboradas e ousadas que este ano culminou no título de “chef de cozinha do ano” da revista Wine. O restaurante é acolhedor com decoração sóbria, mesas amplas e bem dispostas.

O menu Outono/Inverno  conta com opção de Carta (29€, 3 pratos) e 2 menus de degustação (4 momentos – 33€, 6 momentos – 45€). A refeição começou pelo tradicional couvert (3€), aqui inovado pela presença de uma manteiga de azeite (azeite gelificado com recurso a goma xantana), de simpática textura e fantástica apresentação, um  aspecto que este casal de chefs não descura. Do pão, o realce vai para o excelente pão caseiro de maçã e para o ponto menos positivo de ser servido frio.

Caldo Verde com broa de milho tostada em azeite

Algum tempo depois eis que surge a saudação dos chefes, um caldo verde com broa de milho, um prato em que a tradição ganha uma imagem tradicional, com a presença de todos os sabores, a batata, a couve galega, o chouriço ou azeite, apresentados num delicado creme de um bonito tom verde e uma ótima e delicada textura. Um preságio que algo de bom nos esperava naquela noite.

Caviar Português, ovas de sardinha, caviar de vinagre, tomate gelificado, espuma de azeite, ervas e broa de milho
A versão mais recente de um emblemático prato do ferrugem, elementos bem portugueses, trabalhados de forma exímia, e a mostrar uma das melhores características de Renato e Dalila, a forma como combinam sabores e texturas. Neste prato, encontramos isso na perfeição, líquido das esferas, a leveza da espuma, o crocante da broa e a rugosidade das ovas, criando um jogo delicado e de sabores leves e subtis. Uma aposta ganha.

Hambúrguer de rabo de boi, queijo de S. Jorge, picle de pepino, pão de batata, cebola e sésamo e papel de tomate
Recriando todos os elementos de um clássico hambúrguer, os picles, o tomate ou queijo desta feita combinados com um magnífico estufado de rabo de boi. Uma entrada de excelente sabor onde o ponto menos positivo vai para o tamanho excessivo da “folha de tomate”, que acabando por se sobrepor em determinadas zonas dificultava a ingestão e o seu objectivo de se desfazer na boca.

O Salmonete e o Arroz de Carabineiros
Um prato de mar com um inolvidável sabor a isso mesmo. Salmonetes bem preparados e cozinhados no ponto, sobre um arroz carolino preparado como um risotto de carabineiros, também eles servidos no ponto. Mais uma vez e num prato mais confortável se verificam quer técnica quer o talento na combinação de dois elementos marinhos, tão nobres e de sabor tão rico.

Bochecha de porco bísaro, migas de castanha, crocante de orelha
Carne muito bem preparada, suculenta, tenra e com grande sabor a combinar muito bem com as migas de castanha, que tanta vez serve de alimento a este fantástico animal. Bom também o crocante de orelha. No geral todos os ingredientes funcionam bem, no entanto denota-se a falta de um molho ou um creme que ligasse melhor todos os elementos.

Pêra Rocha do Oeste, geleia de vinho do Porto, tarte de queijo fresco e sorbet de limão
Uma sobremesa clássica deste espaço, numa versão da casa de um cheesecake, bem acompanhado pela nossa famosa pêra cozida no ponto e balançado pela acidez do sorbet. Excelente opção.

Tributo a Abade Priscos, migas de toucinho do céu, gelado de pudim abade de priscos, folhas de amêndoa e caramelo de citrinos
Numa casa minhota, não poderia faltar uma homenagem à doçaria conventual, desta feita com um “toque” diferenciado. O Destaque vai para o excelente gelado de pudim abade de priscos, onde se verificam todos os seus elementos e sabor característico. Um prato muito bem conseguido e preparado não caindo no excesso de doçura.

A carta de vinhos é curta mas com opções para todos os gostos  e preços sensatos, com realce para os vinhos verdes, ou não estivéssemos nós no Minho. Acabamos por acompanhar a refeição com o Soalheiro clássico (17€). Existem ainda, muitas e boas opções de vinho a copo.

Da cozinha, saem pratos com respeito pelos ingredientes, sabores e ponto de cozedura, num reflexo da visão dos chefs sobre a cozinha local e tradicional recriada e exibida de forma moderna.

Considerações Finais
A visão de Renato e Dalila sobre o Minho leva a que sejam hoje, a par com os produtores de vinho verde, os melhores embaixadores daquela região. Sem cair em erros vão criando o seu sucesso calmamente desde que abriram em 2006 com uma matriz tradicional, moldando os gostos dos clientes por aquilo que idealizavam para a sua cozinha. Com sucessos comerciais como o seu Pastel de Bacalhau com Nata, que hoje se industrializou e um nome cada vez mais forte, este casal vai criando paulatinamente o seu merecido sucesso. Os seus pratos são bem pensados e preparados,  a combinação e o respeito pelos ingredientes é uma das marcas, assim como a apresentação e alguns apontamentos que acompanham os pratos. É sem dúvida um dos projectos mais interessantes do Norte e provavelmente do País. A nós resta-nos o desejo de voltar à rua das pedrinhas para conhecer a próxima carta.

Ferrugem
rua das pedrinhas, 32, Portela, Famalicão
+41° 27′ 41.83″, -8° 26′ 53.63”
252 911 700

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Horta dos Reis

Um dos mais conhecidos restaurantes de Vila Nova de Gaia, quer pela deslumbrante vista sobre o rio e o centro histórico, quer pela sua cozinha que aliava o tradicional com as técnicas e apresentação mais modernas, viu a sua imagem ser transformada em finais de 2012. Manteve-se o espaço amplo, com vocação para festas e casamentos, e tornou-se a decoração mais alegre e colorida, a gerência ficou mas a cozinha, essa foi remodelada, passando a ter na mão do jovem chef portuense João Pupo Lameiras (Casa de Pasto da Palmeira) o seu novo instrumento.

A refeição começou com uma saborosa pasta de fígado com pimenta rosa  à qual se seguiram a bom ritmo os pratos escolhidos.

Alheira de caça, chutney de ananás e cebola roxa (7€)
Boa a alheira, panada com panko e com excelente fritura, melhor ainda o chutney que merece destaque por si só.

Caranguejo de casca mole, chutney de ananás e cebola roxa
Em contraste com a alheira, aqui a técnica ficou aquém do esperado, o caranguejo estava no ponto e saboroso, mas a polme que o envolvia estava mole e com bastante óleo. O excelente chutney funcionou muito bem como acompanhamento.

Vieiras, ovo e risotto de limão (17€)
Diz a tradição que se comem maus risottos pela cidade do Porto, aqui foi uma das grandes excepções à regra, cozinhado no ponto, cremosidade certa e bom de sabor. Um excelente acompanhamento para umas saborosas e bem preparadas vieiras. Destaque ainda para a gema cozinhada a baixa temperatura que ligou bem com os restantes elementos do prato.

Croquetas de Bacalhau e presunto, arroz caldoso de tomatinhos assados (15€)
As croquetas foram o prato menos interessante da noite, bem preparadas quer em termos de textura e confecção, no entanto é no sabor intenso e no recheio demasiado pesado que perde pontos. Por seu lado o arroz de tomatinhos assados estava imaculado e dava vontade que todo o prato fosse aquele arroz.

Falso Cheesecake de frutos vermelhos, ovos moles e sorbet
Em poucos restaurantes as sobremesas conseguem acompanhar a qualidade da refeição em alguns, como é o caso deste consegue mesmo supera-lá. A criativade é espevitada e o sabor saiu reforçado. Bem apresentado, com excelente creme de queijo com framboesas, pouco doce para se poder usar a pequena “pomada” de ovos moles, e sorbet com excelente relação entre sabor, frescura e textura. As petazetas foram uma agradável surpresa.

Infância, Bolo de chocolate, espuma de pipocas, gelado de cerelac, oreos, pintarolas e massa de bolo (5€)
O mais divertido momento da noite, com a presença de todos os sabores dos elementos descritos. Magnífica a espuma de pipoca e o gelado de cerelac.  Uma sobremesa para quem quiser relembrar os seus bons momentos de criança.

A carta de vinhos tem opções para todos os gostos e preços, servidos de forma correta e com algumas opções a copo.

O Serviço de sala  é cordial, um pouco desatento e com simpatia q.b., um ponto que merece ser melhorado em casa cheia.

Considerações Finais
O Horta dos Reis é um espaço rejuvenescido mas com marcas de quem veio para ficar, a imagem está modernizada assim como seu conceito. O espaço merece por estes dias umas mesas postas no jardim com uma das melhores vistas sobre o Porto. A identidade, essa, ainda esta a ser trabalhada, penso que a irreverência das sobremesas será o caminho a seguir no resto da carta, mas é uma aposta que dependerá muito da vontade de arriscar da gerência e dos gostos dos seus comensais. Tem altos e baixos, pontos excelentes e coisas a melhorar como o serviço de sala. No final  saímos com vontade de voltar…

Horta dos Reis
Rua Camilo Castelo Branco 947,V.N.Gaia
220 915 911

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Meia Desfeita de Bacalhau

O Bacalhau é por certo o fiel amigo de qualquer casa portuguesa, ainda que cada vez mais em menor quantidade e também qualidade. A oferta de peixes com uma cura menos boa e qualidade duvidosa, a compra nas grandes superfícies e a opção “pelo mais barato”, sinais de um país entroikado reflectidos no bacalhau. O Bom peixe, esse, é cada vez mais um ingrediente de festa aliado à tradição familiar ou num ingrediente de restaurante. Está na altura de deixar de comprar lombos injetados e congelados e voltar a palpar, cheirar, discutir com os vendedores entendidos, demolhar e degustar. Para isso, aqui fica uma das receitas clássicas, a meia desfeita de bacalhau, com algumas alterações como o puré de grão.

Meia Desfeita de Bacalhau

Para 2 pessoas

1 boa Posta de Bacalhau demolhado
150 gr de grão de Bico seco (podem usar de lata mas o resultado não será o mesmo)
1 ovo cozido
2 dentes de alho
1/2 cebola
q.b. água
q.b. azeite
q.b. vinagre de vinho branco
q.b. sal
q.b. pimenta
q.b. salsa
q.b. pimentão doce

Na noite anterior colocar o grão de molho.
No dia, lavar e colocar o grão ao lume com àgua fria até estar cozido (cerca de 2 horas).
Picar a cebola e o alho.
Colocar a posta de bacalhau num tacho com água fria até cobrir e levar ao lume até ferver.
Ao ferver, desligar e deixar repousar até que as lascas comecem a querer separar-se. Reservar a água e desfiar o bacalhau.

Para o Puré, retirar a camisa a cerca de 250gr de grão.
Numa caçarola, colocar metade da cebola picada e um pouco de azeite, deixar puxar e juntar o grão sem camisa.
Cozinhar ligeiramente e juntar um pouco da água de cozedura do bacalhau.
Triturar com a varinha e juntar um pouco mais de água e azeite até obter a textura pretendida. Retificar temperos.

Picar a salsa e juntar ao alho e à cebola, regar com azeite e um fio de vinagre, temperar com pimenta e sal se necessário.
Para empratar, colocar camadas de puré, bacalhau, o grão inteiro, o ovo às rodelas, o molho e salpicar com um pouco de pimentão.

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Londres – Tapas Brindisa

Londres é, por esta altura, uma das grandes mecas gastronómicas da Europa, restaurantes e chefs sonantes, influências de todas as culturas e claro um público interessado. Os mercados de rua imperam e o comércio directo é fácil, tornando simples o que numa metrópole poderia parecer complicado. É num desses interessantes mercados, Borough Market, próximo da London Bridge, que se encontra, entre muitos outros estabelecimentos, este Tapas Brindisa. A cozinha espanhola e em particular as Tapas estão neste momento a invadir a cidade com dezenas de pequenos restaurantes e o grupo Brindisa é um dos mais influentes com 4 estabelecimentos e uma loja online. Fizemos duas refeições nos seus restaurantes, de Borough Market e Soho, pelo que falaremos das duas experiências.

Ainda não eram 17h30 quando nos sentamos na mesa do pequeno restaurante de Borough Market, com a cozinha ainda fechada, optamos por aguardar, beber um copo e descansar dos largos quilómetros percorridos em passeio pela cidade. Ao nosso lado a actriz Indira Varma, da série Roma ia dando um ar da sua graça. Pelas 18h, com a cozinha já aberta o restaurante está cheio, começam a surgir pessoas à espera e a refeição começa cedo como manda a tradição londrina.

Pan de coca(3,5£)
O tradicional pão catalão, torrado com tomate e azeite. Simples e bem preparado, acompanhante ideal para a fantástica charcutaria espanhola.


Chorizo Iberico de Bellota (5,25£)
De ótima qualidade, bem cortado e em dose correta. Boa relação nos sabores com o pimentão a sobressair.


Croquetas de Jamon (6,90£)
Os tradicionais croquetes espanhóis de béchamel e presunto. Bem preparados, com um creme leve sem a forte presença de farinha como acontece muitas vezes, panado com panko e fritura corretíssima.


Patatas Bravas (4£)
Batata ao cubo, muito bem frita (2 frituras), molho picante mas não tanto quanto deveria.


 Huevos Rotos, sobresada (6,95£)
Os meus queridos ovos rotos, desta feita acompanhados por Sobresada, um embutido tradicional das ilhas baleares. Bom sabor apesar de as gemas terem chegado um pouco para lá do ponto desejado.

Depois deste simples mas eficaz e saboroso repasto lá nos dirigimos para West End onde a fantástica Sofia Escobar nos proporcionou um ótimo serão.

Ditou a sorte, ou azar, que no dia seguinte voltássemos ao Tapas Brindisa, desta feita no Soho, depois de uma tentativa frustrada de um jantar no famoso Polpo, onde a fila de espera prometia mais de 2 horas  em pé. Acabamos por repetir muitos dos pratos, provamos ainda as Batatas com Aioli (4£), com um molho bem mais interessante que o das Bravas, ovos rotos desta feita,  muito bem acompanhados por morcela, pratos mistos de charcutaria (12,50£), com destaque para o ótimo lombo de bolota.

Em ambos os espaços o serviço foi rápido, eficiente e simpático.

Considerações Finais
Os petiscos do Tapas Brindisa, estão ao nível dos melhores da capital londrina, a comida é correta e eficiente, mas claro difícil de comparar quando estamos a habituados a comer tapas por Espanha. O Serviço nestes estabelecimentos é bastante eficiente ou não fossem quase tantos os funcionários como as mesas. Falando nas mesas, um dos poucos pontos negativos está relacionado com o sistema de reservas, ou a falta dele, uma tendência cada vez maior por Londres, conseguindo criar loucas e um tanto ou quanto estúpidas filas de espera. Um espaço a considerar, sem dúvida

Tapas Brindisa

*os preços acrescem 12,5% de taxa de serviço

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Peixe em Lisboa 2013

Começou ontem no fantástico Pátio da Galé mais uma edição daquele que é provavelmente o melhor certame nacional de gastronomia. Além das famosas e concorridas aulas de cozinha, há degustações criadas para o evento por alguns dos melhores restaurantes da cidade, onde o mote é, claro, o nosso maravilhoso peixe e um mercado gourmet.

Este ano o Peixe em Lisboa conta com a presença de grandes chefes nacionais (José Avillez, Bertílio Gomes, Vitor Matos, Vitor Sobral ou Tomoaki Kanazawa – já o podemos considerar português) e com convidados estrangeiros onde o meu destaque vai para a presença de Virgilio Martinez, o peruano mais famoso do momento dos restaurantes Central (Lima) e Lima (Londres) , hoje às 19 horas. Estarão também presentes noutros dias do evento Mauro Uliassi (Itália, **Michelin) e Pepe Solla (Galiza, *Michelin).

Um evento com selo de qualidade Essência do Vinho e organização de Duarte Calvão (Mesa Marcada).

Peixe em Lisboa

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Falso Ravioli do Cachaço com Queijo da Serra

Não há nada como a criatividade na cozinha, seja para pratos simples ou mais complexos. Os chefes ganham destaque pelas suas combinações ousadas, técnicas inovadores e pelos sabores únicos. Em casa divertimo-nos a “copiar” algumas dessas técnicas, a experimentar e a enriquecer o nosso conhecimento. Outras vezes simplesmente brincamos,  sem trabalho, sem técnicas “xpto”, sem volumes ou pesos, juntamos ingredientes habituados a conjugarem-se e damos-lhe um visual diferente.

Esse é o resultado deste post.. um pequeno petisco que não passa de pão com queijo e fumeiro da marca Bísaro.

Falso Ravioli do cachaço com Queijo da Serra

Peça de Cachaço Fumado – Bísaro
Queijo da Serra
Pão
Azeite

Cortar o pão em fatias e levar a tostar ligeiramente.
Fatiar finamente o Cachaço.
No centro de uma fatia de enchido, colocar um pouco de queijo da serra e sobrepor com outra fatia de enchido uniforme.
Com as mãos juntar bem as pontas das duas fatias do enchido, até aderirem uma à outra.
Repetir para as restantes peças.
Colocar um pouco de azeite sobre a tosta e servir com o “ravioli”.

Este Post conta com o apoio da marca:

Os produtos da Bísaro podem ser encontrados em lojas online, grandes hipermercados e lojas especializadas.

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Costume Bistrô

 Numa histórica e estreita rua da baixa portuense, entre antigas tascas e restaurantes tradicionais, abriu em 2010 o Costume Bistrô, um pequeno restaurante, com uma decoração moderna, simples e acolhedora. Um dos primeiros espaços a querer introduzir um ambiente mais requintado e uma carta mais moderna no coração da cidade. Da cozinha não saem as habituais propostas de um bistrô parisiense, mas sim pratos de confecção  contemporânea com ingredientes e bases portuguesas.

A refeição começou com o habitual couvert (2€), constituído por um pão de qualidade, manteiga e pequenos cubos de queijo feta em azeite e ervas.

Salada de pato fumado com ovos de codorniz (5€)
Simpático o pato fumado, mas de compra, ovos para lá do ponto desejado com uma simpática mistura de alfaces e uma vinagrete simples.

Fondant de alheira de caça (5€)
Existem nomes que hoje dão para tudo, fondant é um deles. Um folhado de alheira com massa filo, muito bom de sabor, com a agradável gema líquida para os destemidos das salmonelas. Precisava apenas de uma massa mais crocante em todas as zonas e um acompanhamento mais interessante que a modesta salada.
Frango recheado com ricota, espinafre e tomate seco (15€)
O menos agradável da noite foi este prato, se pelo nome na carta despertou interesse pelo seu conjunto de ingredientes, com a chegada do prato as expectativas foram defraudadas. O frango foi cozinhado muito mais que o desejado, roçando o queimado. Acabando por não ser salvo pelo bom recheio, pelo molho ou pelo excelente gratin de batata que o acompanhava. Feito correctamente tem tudo para funcionar.

Bife Wellington, puré de cenoura, brócolos (17€)
Este clássico que Gordon Ramsay trouxe até à ribalta era o prato mais pedido da noite, pelo que decidimos seguir a opinião geral e escolher o Wellington. Desta vez a carne estava perfeita, não sendo tenra como o lombo, ganhava em sabor. A massa estava bem cozinhada mas a falta do presunto e da carne repousar depois de selada, deixou algumas partes menos boas. Interessante o puré de cenoura que o acompanhava.
Tarte tatin de pêra com gelado de baunilha (5€)
Uma versão do tradicional doce francês, com uma fina massa de bolo em vez de massa folhada. Bom sabor.

Crepe crocante com leite creme (5€)
Interessante “crepe” de filo, bem crocante com um delicado sabor de leite creme. A melhor opção.

A carta de vinhos é pequena mas com opções para todos os gostos, acabamos por acompanhar muito bem a refeição com um Ensaios de Filipa Pato.

O Serviço de sala é descontraído e correto.

Considerações Finais
Este espaço bem localizado na baixa portuense, é agradável e convidativo para um jantar de final de semana. No entanto, a verdade é que com alguns erros da sua cozinha os pratos tornam-se “normais”, deixando fugir alguns adjectivos que pretendemos emitir no final de uma refeição. Hoje mais do que nunca as pessoas querem sair felizes, satisfeitas e com os pratos na sua memória, algo que infelizmente não aconteceu nesta visita.

Costume Bistrô
Travessa dos Congregados n.º17, Porto
222 015 015

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“Tapear” em Valladolid

Catedral

Uma das coisas que mais agrada aos espanhóis é o seu conceito de Tapas, que hoje se espalha por todo o mundo com pequenos Bares/restaurantes. É verdade que também por cá se fala em Tapas, novos restaurantes e  espaços mais trendy falam em tapas em vez de petiscos, mas será que o fazemos da mesma forma? Bem, nem por isso.. A Ideia do Tapeo, vai muito além de uma mesa cheia de pequenos pratos para partilhar, sendo inclusivamente mais próximo daquilo que se passa com os copos no Bairro Alto ou na baixa Portuense do que propriamente nos nossos “restaurantes de Tapas”.

As tapas nascem como um acompanhamento para o copo, e que de certa forma incentiva-se o consumo, algo como os amendoins ou tremoços, com a evolução dos tempos, a tapa ganhou o papel principal e o copo passou a ser o seu aliado. Assim, à semelhança de andar de bar em bar para falar com os amigos e beber uma ou outra especialidade de determinado espaço, é norma circular entre os vários restaurantes, pedindo a especialidade de cada um acabando por fazer um jantar em vários restaurantes diferentes.

Deixando a história de lado e voltando à cidade, Valladolid, é uma das cidades com mais presença deste conceito de comer, organizando anualmente um famoso concurso de tapas que conta com muitos e bons espaços por onde circular e degustar com qualidade.Tapa Mistério – La Perla de Castilla

Na barra de um restaurante clássico, La Perla de Castilla, podemos encontrar uma das tapas mais originais, Tapa Mistério, um delicioso creme de  pimentos, compota de cebola, foie gras, e cobertura de chocolate branco. O sabor a Pimento é intenso, mas toda a combinação funciona bem, resultando num bom jogo de sabores e texturas.

Plaza Mayor

Já bem no centro da movida da cidade, a região da Plaza Mayor, entramos no restaurante Los Zagales, famoso por ser um dos espaços com mais títulos nos concursos nacionais e de Valladolid no que a tapas diz respeito. É curioso ver como um espaço tão antigo e de decoração tão tradicional nos traz ofertas tão curiosas e originais. Uma das suas criações mais famosas é o Tigretostón, em homenagem ao famoso bolo para crianças Trigretón, desta feita com pão escuro, morcela, confit de cebola e queijo creme. Com um nome mais suis generis provamos Obama en la casa Blanca, pincho de ouro em 2009. Uma base de massa folhada, coberta com um creme de setas, um ovo cozido a baixa temperatura e batatas desidratadas com tinta de choco. Fantástico.

Obama en la Casa Blanca – Los Zagales

Outro dos seus pratos, Bread Bag, prata em 2011, é constituído por uma mini baguete com calamares, molhos de alho e tomate picante, e a sua surpresa, um saco transparente e comestível, feito com base em fécula de batata, que também José Avillez utiliza no seu Belcanto num prato de Leitão para “ensacar” a batata frita.

Bread Bag – Los Zagales

Pelas bonitas ruas do centro histórico da cidade, dirigimo-nos à La Taberna del Herrero, para degustar a sua famosa sopa de alho, um prato também tradicional por cá mas confeccionado de forma diferente, esta versão serve-se com todos os ingredientes misturados, à semelhança da Açorda, com a junção de tomate, chouriço e pimentão. Muito bom.

Sopa de alho – La Taberna del Herrero

Outro dos petiscos que nos trouxe até aqui foram os Ovos Rotos, comidos na sua versão tradicional, sem chouriço ou presunto, com ovos estrelados na perfeição mas com batatas um pouco aquém do esperado.

Ovos Rotos – La Taberna del Herrero

Depois de mais uns pratos e uns copos de vinhos foi tempo de provar o clássico croquete, ou croqueta de jamon, lá partimos em busca do bar El Corcho. Croquetas bem crocantes com um delicioso recheio de jamon e bechamel sem excesso de farinha.

Croquetas de Jamon – El Corcho

Ainda no El Corcho houve, tempo e barriga para uma Tajada de Bacalao, que é como quem diz, bacalhau frito com uma polme de leite e bicarbonato, frito até um tom castanho dourado e bastante crocante. Muito bom.

Feitas as contas foi uma noite muito bem passada, com muitas tapas e copos de vinho tinto da Ribera del Duero, em boa companhia e com ótimos cicerones. Mais Uma vez o meu obrigado à Esther e ao Mariano.

La Perla de Castilla – Avenida Ramón Pradera, 15-19
Los Zagales – Calle de la Pasión, 13
La Taberna del Herrero – Calle Calixto Fernández de la Torre, 4
El Corcho – Correos, 2

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