Pedro Lemos Lança Menu de almoço

Não visitava o Pedro Lemos desde a sua reabertura em Maio de 2013, após uma passagem algo atribulada pelo projeto Clérigos. Durante o último ano, esteve aberto só ao jantar e com menus de degustação  que lhe permitem dar asas à sua criatividade e paixão. Com a chegada do bom tempo, foi também o momento de lançar uma nova e arrojada proposta, os menus de almoço, colmatando, assim, uma lacuna em termos de oferta. Aproveitando a apresentação à imprensa deste novo conceito, foi tempo de revisitar o espaço e ficar a conhecer as suas novas propostas, ao jantar tudo se mantêm com os habituais menus de degustação de 3, 5 e 7 pratos. Ao almoço mantém-se o conceito dos menus, com uma carta sazonal e de mercado, que muda diariamente de 3ª a 6ª feira, de acordo com os produtos disponíveis e a inspiração do chefe, os menus disponíveis são de 3 pratos a 20€ p.p. e a degustação completa de 5 pratos a 30€ p.p.

Mas passemos à cozinha que é o que verdadeiramente interessa e torna este novo menu numa das mais interessantes e arrojadas propostas da cidade. Começamos com um pequeno amuse bouche, boletos e túberas do alentejo, muito bom mas com as túberas a perderem-se um pouco dada a subtileza do seu aroma e sabor.

Ovo, toucinho fumado, broa de milho e ervilhas
Escolhendo entre as duas opções de entrada, optei pelo prato mais “terrestre”. Um conjunto delicado onde o ovo cozinhado na perfeição era o ponto alto, num bom jogo de  texturas e sabores delicados, onde o toucinho funcionou muito bem para dar mais força ao prato. Um excelente início.

Robalo do mar, tamboril e marisco à fragateira
Numa difícil escolha entre o clássico leitão do Pedro Lemos e esta caldeirada, optei pelo mar, ou não estivéssemos na casa de um apaixonado por peixe. Conjunto harmonioso de sabores, com todos os elementos de uma cataplana, e todos os elementos com a coacção certeira. Um excelente prato, onde apenas o camarão de bom tamanho mas parco sabor não me convenceu.

Crème Brûlée, maracujá e pimenta rosa
Nas sobremesas apenas uma opção, mas de grande nível, um excelente brûlée, de delicada textura, muito bem conjugado com a acidez e texturas do maracujá. Grande final.

Nesta apresentação acompanharam-se os pratos com os vinhos da Idealdrinks, Royal Palmeira da casta Loureiro, um Bella 100% Touriga Nacional e para finalizar o espumante Rosé Colinas.

Neste menu de almoço, os vinhos não são deixados ao acaso, passando a haver uma carta de vinhos de almoço, com 4 brancos, 4 tintos, 2 rosé e 2 espumantes, onde a garrafa mais cara custará 15€ e o vinho a copo rondará os 3 e os 3,5€.

Considerações Finais
É sempre bom voltar a um sítio onde já se foi muito feliz, mais ainda quando vemos que depois de uma fase mais sombria da sua carreira, encontramos um chefe cheio de vontade, com garra e determinação agarrando-se àquilo que faz melhor, cozinhar. O Desafio de criar e cozinhar coisas diferentes diariamente, pareceu-me sem dúvida uma mais valia para ele e para o espaço. As opções de almoço permitirão não só a criação de novos pratos como a reinterpretação e reintegração de clássicos que fizeram do Pedro Lemos um dos melhores destinos do Porto, e que são ainda hoje pedidos pelos seus clientes.

A relação qualidade/preço será certamente o grande diferenciador, que permitirá aos comensais frequentar o restaurante com mais frequência e chegar a algum público interessado e conhecedor que por razões económicas não o podem visitar durante o jantar. É certo que os pratos e os ingredientes nunca serão os mesmos dos menus de degustação mas a criatividade e a alma do Pedro estão todas lá.

Pedro Lemos
Rua do Padre Luís Cabral, 974 Foz, Porto
220115986

Nota
A Refeição descrita foi realizada a convite do restaurante Pedro Lemos, sendo a opinião e o texto da exclusiva responsabilidade do autor.

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Porto WineMarket 2014 by Adegga

Foi no passado dia 5 de Abril que a cidade do Porto abriu as suas portas ao grupo Adegga para a 1ª edição do Porto WineMarket, tendo como cicerone André Ribeirinho, que é certamente por estes dias o principal embaixador do Vinho Porto além fronteiras, e o Hotel Porto Palácio, como palco. Falando em espaço, é impossível não destacar a qualidade do mesmo para este tipo de evento, a circulação era fácil, a possibilidade de falar com os produtores também assim como provar e conhecer os vinhos, no entanto, tornava-se difícil identificar os produtores ao longe durante o período de maior afluxo.

Mas passemos ao importante, os vinhos, começamos a prova pela Niepoort, com o sempre incansável, Paulo Silva, a mostrar algumas das referências da casa, como os Dócil, Redoma Branco, um excelente Redoma tinto 2006, o fantástico Batuta de 2011 e um grande Omlet 2010, o vinho feito em parceria com Telmo Rodriguez, um vinho sem extração, com uma elegância fora de série. Destaque ainda para o Baga, que Dirk Niepoort havia trazido o lote final acabado de preparar, e que promete mais uma excelente edição deste vinho da Bairrada.

Niepoort

Ainda nos Projectos Niepoort, podemos falar de Susana Esteban, a espanhola mais portuguesa do mundo dos vinhos, que depois do Douro, tem transformado a forma de fazer vinhos no Alentejo, onde o destaque vai para a primeira edição do Aventura Branco 2013, mineral, fresco, com corpo e um final seco, será certamente um dos grandes brancos do alentejo. E claro, o Procura 2011, aclamado pela crítica e por qualquer um com bom gosto,  um vinho vivo, com força, taninos elegantes e uma grande complexidade de sabor.

Continuando no Alentejo foi a vez de provarmos os vinhos de Miguel de Sousa Otto  na Herdade do Vau, os Riso, onde se destaca o branco 2013 com uma interessante presença do Alvarinho, e o Reserva tinto 2011, um grande vinho, de carácter gastronómico, complexo e elegante com fruta escura, notas florais e um excelente final.

Miguel de Sousa Otto

Do Alentejo, houve ainda tempo para provar os vinhos de João Portugal Ramos, e os vinhos bem portugueses da autoria de Paulo Laureano , com claro destaque para a recuperação da Tinta Grossa, uma velha casta da Vidigueira que produz um vinho que poderemos apelidar de exótico.

Ricardo Bernardo, enófilo e fotógrafo de serviço

Passando para a outra ponta do País, destaca-se a presença de Luís Cerdeira, da Quinta do Soalheiro, que não só produz os melhores Alvarinhos do país, como o seu melhor branco, o afamado Primeiras Vinhas. Desta vez houve tempo para dois dedos de conversa e um copo do seu espumante rosé. Muito Bom.

Soalheiro

Já na fronteira entre o que é Minho e Douro, a Covela de Tony Smith merece por estes dias todas as atenções, brancos excelentes e grandes tintos, com o Colheita Selecionada 2004 com uma acidez brilhante.

Quinta da Covela

Voltando ao Douro, depois dos vinhos da Niepoort, passamos aos vinhos da Quinta Vale Dona Maria, com apresentação a cargo de Joana Pinhão a enóloga de serviço, passando por uma prova horizontal dos vinhos da casa é impossível resistir ao Quinta Vale Dona Maria 2011, fruta bem concentrada, taninos elegantes num vinho de grande equilíbrio e poder.

Quinta Vale D. Maria

Provaram-se ainda outros vinhos e havia muitos outros produtores ( eram mais de 40 no total) a merecer uma visita, mas o tempo era pouco, e o grande momento do dia aguardava-nos no Vip Lounge do Porto Palácio, a Sala Premium do Porto Wine Market.

A principal vocação desta sala são os vinhos do Porto, escolhidos por André Ribeirinho, e que para marcar uma primeira edição do evento no Porto, foi muito além de uns “bons” vinhos. A presença do histórico Vintage Noval Nacional de 1964, indescritível e verdadeiramente uma experiência única. O Niepoort Vintage de 1942 (que infelizmente não tive oportunidade de provar), ou o Niepoort 1900, um vinho que vai muito além dos seus 114 anos, mais uma grande, grande experiência. Destaque ainda para o Noval Colheita de 68.

André Ribeirinho

Sala Premium

 Este Porto WineMarket foi mais do que uma prova de vinhos, foi um grande evento com a chancela da Adegga e uma experiência única de partilha e aprendizagem entre amigos e profissionais unidos por uma paixão. Para quem perdeu esta edição, podem sempre esperar por 2015 ou viajar até Lisboa no dia 5 de Julho.

Adegga

podem ver mais fotos do evento na página de Ricardo Bernardo

Fotos: Flavors & Senses e Ricardo Bernardo para Adegga

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Le Madison Hotel

Continunando a nossa entusiasmante viagem a Paris…

Conhecemos o Le Madison, um elegante boutique hotel numa das zonas mais privilegiadas de Paris, a Rive Gauche, mesmo em frente à igreja Saint-Germain-des-Prés, muito próximo de alguns dos mais emblemáticos cafés da cidade, Les Deux Magots e Cafe de Flore, de pastelarias de mestres como Pierre Hermé ou Patrick Roger, e claro, das não menos importantes lojas de moda do Boulevard Saint Germain.

Este exemplar de arte faz parte do grupo, com mais de um século de história, Les Hotels Maurice Hurand, que possui além do Madison, mais quatro hotéis que praticam, acima de tudo, uma filosofia que prevê uma experiência única de luxo exclusivo, cultura, atendimento personalizado e sofisticação.

Mas, voltando ao Le Madison Hotel, este existe desde 1925 e pertence ao grupo desde 1985, e é um local para amantes de cultura, arte e literatura, ou não fosse o hotel onde o famoso escritor Albert Camus terminou o seu livro L’Etranger durante a década de 40.

Este hotel intimista é um soberbo edifício Haussman que demonstra a elegância de Paris do tempo de Napoleão com um toque contemporâneo e aconchegante.

Pelas mãos do arquiteto e designer de interiores, Denis Doistau, foi totalmente renovado em 2010, consagrando 50 quartos, e oferecendo a quem nele fica, uma sensação de absorção entre o passado e o presente em cada recanto.

Falando de quartos, estes têm um design incrível, modernos, sofisticados, combinando cores, texturas e luzes com sombras vibrantes, com conforto e luxo em cada detalhe, nomeadamente o teto com um sistema de luzes que faz lembrar um céu estrelado.

Um dos ex-libris do hotel é a sua elegante sala de pequeno almoço, onde são servidos uma variedade de produtos locais e biológicos, sala essa que durante o dia se transforma no refúgio de muitos parisienses que procuram um local calmo e requintado para apreciarem um chá ou um copo de vinho à volta da lareira.

Importante referir que desde 2012 o Madison Hotel se associou a um desenvolvimento mais sustentável através de uma série de medidas que privilegiam o uso de fontes naturais e ações amigas do ambiente.

Sem dúvida, que estamos perante um hotel que ministra a arte e a cultura de uma forma contínua, apesar de não termos tido oportunidade de assistir, sabemos que o Madison Hotel faz, com alguma regularidade, noites de Jazz, eventos de prémios de literatura, exibições artísticas.

Um dos pontos fortes que não poderia deixar passar em branco é o serviço, completamente personalizado, aliás, fomos logo recebidos na receção por um funcionário poliglota, com um excelente português, o que nos fez sentir em casa.

Concluindo, o Madison Hotel tem uma localização privilegiada, e mesmo com a sua grande envolvência entre arte, cultura, literatura e sofisticação, consegue  ao mesmo tempo ser um local extremamente aconchegante.

Le Madison Hotel
Quartos a partir de 200€
143 Boulevard Saint-Germain, Paris

Fotos: Flavors & Senses / Le Madison Hotel

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Paris – La Bauhinia (Shangri-La Hotel – Paris)

O La Bauhinia, nome da flor nacional de Hong Kong, é um dos restaurantes do luxuoso Shangri-la Hotel – Paris (ver artigo), a par do Shang Palace especializado em cozinha Cantonesa (*michelin) e do L’Abeille (**michelin). Sendo a sala principal do hotel, serve também os pequenos almoços e lanches , mas sem perder o ambiente de restaurante, graças à majestosa decoração que o compõe, tecto alto, com um magnifico candelabro Baccarat, tons suaves   em contraste com tons quentes, texturas e padrões que misturam,  de forma cuidada, a Ásia e França.

Philippe Labbé, cozinheiro do ano 2013 para o guia Gault & Millau, do L’Abeille, ocupa-se do  comando da cozinha, num registo diferente do seu restaurante estrelado, menos intimista e sem as obrigações da alta cozinha, no La Bauhinia a base é combinar um menu de influência asiática e francesa com simplicidade e tradição sem nunca por de lado a criatividade e a técnica que caracterizam o chef.

Foi essa fusão de sabores e o encerramento para férias do L’Abeille que nos fizeram optar por jantar no La Bauhinia. Depois de observar todos os pormenores da decoração e já confortavelmente instalados, começamos a refeição com um  creme de queijo fresco mel e nozes para partilhar que se revelou melhor que o esperado. Um início simples mas eficaz.

Creme de queijo fresco, mel e nozes


Yam Som’O , camarão, toranja, amendoim, coentros e vinagrete picante
Um prato tradicional da Tailândia, onde a combinação de sabores e texturas se fazem com mestria. Nota alta para o balanço entre a  acidez e o picante, num prato que poderia estar melhor não fossem os camarões estarem um pouco para lá do ponto desejado.


Carpaccio de Vieiras, creme de cogumelos, vinagrete de vodka e  aipo
Nesta entrada tudo funcionou, desde a sua elegante apresentação, o primor técnico e claro o sabor. Excelentes vieiras a combinar muito bem com o delicado creme de cogumelos e com leve toque de aipo. Um grande prato.


Pad Thai
Outro prato tailandês e um dos mais celebrados internacionalmente, massa de arroz salteada com um variado leque de ingredientes como camarão, ovo, rebentos, sumo de tamarindo, amendoins ou daikon. Um prato reconfortante de inspiração tradicional, muito bem trabalhado, aqui com os camarões certíssimos e um impressionante equilíbrio entre todos os elementos. É daqueles pratos a que queremos voltar em qualquer altura.

Acompanhamos os primeiros pratos com um Sancerre 2011, Domaine Vacheron, um vinho leve de final persistente que se comportou muito bem com todos os pratos.


Linguado Meunière, puré de batata com trufa preta e molho de carne
Desta feita, um clássico francês, linguado cozinhado e apresentado de forma irrepreensível, no ponto, com uma excelente capa e muito bem acompanhado pelo puré com trufa e pelo molho que deu ao prato outra dimensão de sabor. Muito, muito bem conseguido.

A harmonizar, um Chardonnay Meursault Les Criots 2011 de Ballot Millot, um clássico de grande nível que complementou muito bem o prato.


Merengue de Chocolate, ganache de chocolate, nibs de cacau e chantilly
As sobremesas estão a cargo de François Perret, o mestre pasteleiro que se inspira na alta pastelaria francesa e na combinação com alguns ingredientes exóticos. Neste caso, foi servido um merengue que visualmente nos transportava para uma mescla entre o macarron e o éclair, de excelente textura e sabor com destaque para a ganache de chocolate.


Mil-folhas de baunilha, nozes pecan e gelado de baunilha
Poucas sobremesas em França atingem o estatuto do mil-folhas, aqui com uma massa folhada diferente da habitual, mas igualmente estaladiça, com um creme de pasteleiro de sabor a baunilha. Falando em baunilha, é o principal ingrediente no prato e o seu sabor é intenso quer no creme quer no gelado, mas sem se tornar enjoativo ou se sobrepor aos demais elementos. Uma excelente sobremesa.

O Serviço é um dos pontos altos do La Bauhinia, que não sendo um espaço de alta cozinha, mostra que no grupo Shangri-La nada é deixado ao acaso, desde o  elegante guarda-roupa ao minucioso cuidado com os detalhes,  o cuidado e a atenção dada ao cliente, a capacidade de criar uma conversa e a simpatia são pontos fortes.

Considerações Finais
Philippe Labbé definiu um estilo muito bem conseguido para este La Bauhinia, uma mistura entre as origens do grupo Hoteleiro e a cidade onde está instalado, numa carta que poderia facilmente perder-se sem qualquer sentido, tudo é bem definido e conseguido. Não apresentando uma cozinha arrojada e de ingredientes luxuosos como a sua cozinha no L’Abeille, o La Bauhinia cativa por isso mesmo, por ser um espaço mais descontraído num ambiente luxuoso. Ao jantar é ainda possível criar um menu de entrada+prato+sobremesa, com base em alguns pratos da carta, a 58€ (algo raro para os restaurantes dos principais hotéis de Paris). No final nada como um passeio nocturo pelas margens do Sena com a Torre Eiffel a iluminar o caminho.

La Bauhinia – Shangri-La Hotel – Paris
10, avenue d’Iéna, Paris
+331 5367 1991
labauhinia.slpr@shangri-la.com

Fotos: Flavors & Senses e Shangri-La Hotel -Paris

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Shangri-La Hotel – Paris

O esplendor, o luxo, a magnificência e a imaculada filosofia são sinónimos do Shangri-la hotel em Paris!

O grupo Shangri-La, oriundo de Hong-Kong baseia a sua tradição em diferentes valores meticulosamente escolhidos, a Sinceridade, a Humildade, o Respeito, a Prestatividade, a Cortesia e a Abnegação.
Grupo iniciado em 1971 com a abertura do Shangri-la Singapura, abre em 2010 o primeiro hotel na Europa, o Shangri-la Hotel Paris. E é sobre este espaço mais do que divinal, aliás, quase irreal, que vos venho falar.

Situado no antigo Palais Iéna, casa do Príncipe Roland Bonaparte, sobrinho-neto de Napoleão Bonaparte, este exemplo de arquitetura simultânea do século XVII e XIX e conhecida como “estilo eclético”, fica numa das melhores zonas da cidade de Paris e com uma das melhores vistas sobre o Sena e a torre Eifel.


Ficar hospedado neste hotel significa ter o lendário Jardin des Tuileries ao virar da esquina, assim como ter os estilistas de moda exclusivos da Avenue Montaigne e Avenue George V mesmo ao nosso lado.


Nada é deixado ao acaso no Shangri-La e o respeito pela arquitetura original do edifício é algo bem presente, com um projecto guiado pelo arquiteto Richard Martinet e pelo designer de interiores Pierre-yves Rochon, toda a renovação do edifício foi pensada no sentido de ressalvar o melhor da arquitetura dos séculos anteriores e transferi-la para o luxo e sofisticação do século XXI. Protegendo, assim, zonas e partes do palácio como “monumentos históricos”.

Razão pela qual, quando entramos no Shangri-la temos a sensação de ter viajado no tempo!
Este local traz-nos o melhor de dois mundos: a arte ancestral de bem receber asiática e a arte luxuosa da vida francesa.

Ao entrar nos portões de ferro originais, chegamos a um pequeno pátio protegido sob o pórtico de vidro restaurado, logo de imediato deparamo-nos com dois vasos inspirados na dinastia Ming que ladeiam a porta de entrada e definem logo à partida a conjugação Ásia/Paris! Quando entramos na sala de bilhar histórica com lareira, sentimos que demos um passo atrás na história.

lobby

Banhado por luz natural, o lobby do hotel é rodeado de tectos altos e mármores remodeladas. Vários pontos do Hotel contêm insígnias imperiais e monogramas ornamentados do príncipe Bonaparte subtilmente integrados na arquitetura.

Quarto Deluxe

Os seus 101 quartos são magistralmente pensados, decorado em tons de azul, branco e cru, em consonância tanto com o império europeu como com a estética asiática, criando uma harmonia de cores e texturas. Toda a decoração foi elaborada após um estudo exaustivo dos arquivos pertencentes à decoração da altura de Bonaparte.

Detalhes da Suite Imperial

Suite Chaillot

Ver a Tour Eiffel diretamente da banheira do nosso quarto é provavelmente uma das melhores experiências que vamos ter na vida! No Shangri-la as experiências amontoam-se umas atrás das outras, tamanha é a irrealidade.

Todos os seus imensos salões, Grand Salon, Salle à Manger e o Salon de Famille têm apontamentos de história pura, através de esculturas, frescos, lareiras, quadros, o que permite a quem neles entra ter a sensação que está numa festa que evoca o espírito dos elegantes eventos sociais da sociedade parisiense do século XIX.


Outros dos espaços que merece atenção é o Spa, ou o seu espaço de bem estar, que permite ao comum dos mortais sentir-se no céu, tudo isto com tratamentos com a assinatura da marca Carita Paris.

Restaurante La Bauhinia

O Shangri-La contempla, também, três restaurantes com estilos diferentes, o L’Abeille, o restaurante de assinatura de Phillipe Labbé com 2 estrelas Michelin e uma das salas mais exclusivas da cidade. O Shang Palace com 1 estrela Michelin que traz até Paris o melhor que a cozinha chinesa tem para oferecer, e  o La Bauhinia, também com a batuta de Phillipe Labbé, que une a cozinha asiática com a francesa numa fusão sobre a qual falaremos mais à frente num artigo específico.

Le Bar 

Tudo o que eu possa dizer ou todos os adjectivos que eu possa usar para adjectivar este hotel serão sempre poucos, porque isto não é um hotel é mesmo um palácio, digno de reis e rainhas, digno de contos de fadas, digno de um luxo que é inimaginável a uma grande parte do comum humano.

Sinto-me uma privilegiada por ter conhecido tão memorável espaço, provavelmente um dos melhores espaços da tão magnífica cidade da luz.

Shangri-La Hotel – Paris
Quartos a partir de 900€
10, avenue d’Iéna, Paris

Fotos: Shangri-La Hotel – Paris

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Paris – Pur’ * (Park Hyatt Paris – Vendôme)

Para completar uma estadia no Park Hyatt Paris-Vendôme (Ver), nada como visitar, a convite da fantástica Coralie Malazdra (Direcção de comunicação), o seu restaurante de assinatura, o Pur’, chefiado desde 2005 por Jean-François Rouquette e detentor de uma estrela Michelin. Ao entrar somos forçados a perder algum tempo a observar a elegante garrafeira que serve de acesso à sala de jantar, tal a qualidade dos néctares e a forma como estão dispostos.

  Já na sala, a decoração busca influências do chic Americano, com elementos mais simples e alguns detalhes irreverentes, como os candeeiros ou a zona central em forma circular. As mesas estão dispostas na perfeição, pelo que será difícil ser incomodado pela conversa do lado. Outro dos elementos, e provavelmente o mais marcante é a cozinha aberta para a sala, permitindo aos comensais acompanhar a preparação dos pratos e toda a ação dos bastidores.

Já instalados, um brinde com Champagne Fleury Pinot Blanc, um champanhe raro, de produção limitada e diferente na casta e na produção natural e biodinâmica, muito bom. Entretanto eis que surgem os primeiros aperitivos, indicando que algo de bom poderia vir daquela cozinha, destaque para a técnica e a presentação das miniaturas, onde o destaque vai para o lollipop de foie e para a cenoura com maracujá e sésamo.  Seguiu-se uma boa manteiga da bretanha ( adorei a base em pedra), e uma boa selecção de pães , com destaque para o de cereais e a baguete de trigo sarraceno.

Aperitivos

Continuamos a bom ritmo, com amuse bouche, funcho em várias texturas, com destaque para a espuma e uma tosta de pão negro com manteiga de algas. Os sabores funcionaram bem deixando as papilas gustativas preparadas para a refeição.


Lagostins, geleia de peixe, abacate, rabanete e caviar ossetra
Visualmente irrepreensível,  o lombo de lagostim foi escalfado e arrefecido até ao ponto certo, dando-lhe uma excelente textura. O límpido caldo de peixe e marisco foi transformado numa fina geleia com notas picantes, que ligaram todos os elementos e ajudaram a elevar o prato.  Grande início.

Para harmonizar, a simpática sommelir escolheu um Calligramme 2011, Domaine de Bellivière, um vinho de Jasnières  que funcionou na perfeição com a sua elegância e notas cítricas.


Tupinambo, compota de trufa preta, crocante de trigo sarraceno com avelã e trufas pretas
O tupinambo é certamente uma das raízes mais apreciadas pelos chefes franceses e presente em quase todas as cartas. Aqui conjugada de forma a juntar dois mundos, a cozinha pobre e a cozinha rica, com a junção da excelente compota e as largas fatias de trufa. Quando provado em conjunto o tupinambo perde algum protagonismo face às trufas e à avelã do crocante.

Acompanhou muito bem com uma escolha arriscada, um Assyrtiko 2012, Gaia da região de Santorini, um vinho diferente, com notas fumadas, e uma mineralidade fantástica.


Abalone, vinagre de algas, alcachofra, arroz negro e miso
Um prato particularmente feliz, com elementos da cozinha francesa e japonesa, ambas apreciadoras do molusco. Muito bom o jogo de texturas e sabores criado pelo chef neste prato.

Para conjugar, um menos interessante, Clos Bellane Les Echalas 2009, um branco da região de Rhône, que não um vinho ao nível dos antecessores, não acrescentou nada ao prato.


Pregado, butarga, edamame, funcho baby, tomate seco e espuma de anis
Um prato com grandes contrastes de textura. Peixe certíssimo e  uma espuma de anis que juntamente com a butarga deu alguma força a um prato de sabores suaves.

Funcionou bem com um Riesling 2010, Le Dragon de Josmeyer, um excelente vinho da região da Alsácia.


Alcatra de Vitela, molejas, cebola ccaramelizada, croquete de batata e trufas pretas
Carne suculenta, cozinhada com mestria. Molejas de cordeiro crocantes no exterior e macias por dentro. Um prato da terra, que funcionou muito bem na ligação entre todos os elementos conseguida por um fantástico molho de cogumelos e outro feito com os sucos do cordeiro e claro pela presença da trufa de excelente qualidade que elevou o prato a outro nível.Não posso deixar de comentar as facas Laguiole, que me deixam sempre com olhar de criança  na secção dos brinquedos.

A harmonizar um Marques de Morietta, Dalmau 2007, um fantástico tinto da Rioja, cujos taninos,  a acidez e a sua complexidade ajudaram a um casamento perfeito.

Seguiu-se o prato de queijos com uma fantástica seleção de Marie Quatrehomme ( a primeira mulher a conseguir o titulo de Meilleur Ouvrier de France e dona de uma das melhores lojas de queijo da cidade), uma lista impressionante, que dificulta  a escolha, apenas facilitada pela mestria com que o especialista nos explica os detalhes e características de cada um. Optei pelo ótimo Comté de Marcel Petite e um fantástico Charolais  da Borgonha.

Como pré-sobremesa,, foi servido um creme de doce de leite com gel de manga e estragão e gelado de caramelo com manteiga salgada. Um bom conjunto que serviu para criar expectativas sobre a qualidade das sobremesas que lhe seguiriam.


Tarte de citrinos
Não é certamente a habitual tarte de limão, aqui apresentada com base em vários elementos realizados com diferentes tipos de citrino. Mão de buda, limão da Sicília, limão do méxico  eram alguns dos citrinos, muito bem conjugados com um balanço perfeito entre a acidez e a doçura. Uma grande forma de terminar a refeição.

A acompanhar um Kracher Nouvelle Vague 2006, nº8, as suas notas de laranja, limão, caramelo e especiarias foram uma excelente companhia para a sobremesa. Um grande vinho.


Chocolate “Janus”, avelã de Piemonte, caramelo
Visualmente irrepreensível, tudo gira em torno do chocolate de grande qualidade e da sua integração com a avelã. Uma delicada e saborosa sobremesa.

Resultou bem com um Pedro Ximenez, Emilio Hidalgo.

O serviço foi irrepreensível, quer nos tempos de uma longa refeição, no cuidado dado à apresentação de cada prato e claro nos pequenos pormenores. Com os níveis de exigência do clássico serviço francês, conseguem não ser invasivos com um trato fácil e simpatia genuína. Nota alta para o excelente trabalho da Sommelier que conseguiu harmonizar muito bem todos os pratos da carta com escolhas menos óbvias e algumas surpresas.

Olhando para a cozinha aberta, somos confrontados com uma peça de teatro, eximiamente ensaiada, sem barulhos além do habitual “Oui Chef”, onde a primeira fila da mesa do chefe, se torna, certamente, uma experiência única.

Considerações Finais
A cozinha de Jean-François Rouquette reflete um estilo mais moderno da cozinha francesa, com uma escolha de produtos diferente, elementos mais irreverentes e preços ligeiramente mais acessíveis que os restantes restaurantes dos mais luxuosos hotéis da cidade. Um estilo que se reflete não só na cozinha, mas também na decoração e na relação com os clientes, um luxo moderno, digamos assim. É sem dúvida um espaço que nos proporciona mais  do que uma refeição, mas sim toda uma experiência  difícil de esquecer. Quanto às estrelas, a segunda tarda em chegar mas virá certamente.

No final, e para quem ainda tiver estômago, nada como terminar uma grande noite no Le Bar, com um cocktail preparado com mestria num grande ambiente.

Park Hyatt – Paris Vendôme – Restaurant Pur’

+331 5871 1060
5 Rue de la Paix, Paris
julia.plagiau@hyatt.com

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Park Hyatt Paris-Vendôme

“O luxo é pessoal”

Ao início talvez seja uma afirmação um pouco dúbia, no entanto, depois da nossa estadia no Park Hyatt Paris-Vendôme todas as dúvidas se dissiparam para dar lugar a certezas incontestáveis.

Em mais uma viagem pela cidade da luz, em mais uma experiência pelas ruas daquela que é considerada uma das mais emblemáticas e deslumbrantes cidades do mundo (tão verdade!), ficamos hospedados naquele que eu considero um dos melhores hotéis onde já estive, o Park Hyatt!

Este luxuoso hotel de 5 estrelas desenhado por Ed Tuttle, situa-se na Rue de la Paix, a rua das famosas joalharias, nomeadamente em frente à Tiffany’s, entre a elegante Place Vendôme e a bela Opéra Garnier, e fica extremamente próximo de locais de visita obrigatória em Paris, o Louvre, o jardim  das Tuileries ou o Museu d’Orsay.
Desde a sua abertura em 2002 já ganhou algumas das mais elevadas distinções em hotelaria, nomeadamente o título de Palace Hotel, desde 2011, atribuído pelo Governo Francês.


É quase impossível descrever-vos toda a experiência neste hotel, porque é tudo tão incrivelmente mágico e irreal! Mas vou tentar!
Logo à entrada somos recebidos duma forma personalizada e educadíssima, desde o porteiro até à receção, e sim, este é um caminho um pouco mais longo que o habitual, uma vez que o primeiro contato no interior do hotel é a zona do concierge, e só mais à frente a receção, o que lhe confere um efeito mais privativo e muito agradável pois permite-nos ir apreciando o hotel sem sermos logo confrontados com a receção.


Na altura em que estivemos no Park Hyatt, decorria a semana da moda de Paris, o que fez com que o hotel acomodasse algumas celebridades, que pelos vistos já é costume mesmo noutras alturas do ano, e percebe-se bem o porquê de o escolherem, porque a discrição é um dos pontos fortes do hotel.

Sem querer exagerar, o hotel tem um funcionário atento às nossas necessidades a cada 5 metros, basicamente quase existe um funcionário por hóspede, pelo menos é essa a sensação que temos, pois nada, mesmo nada é deixado ao acaso. É provavelmente o serviço mais exímio que já tive o privilégio de receber.

La Cheminee

Uma das muitas coisas que me deixou fascinada foi o facto de ser um hotel com grande sentido artístico, a decoração de cada sala é baseada na peça de arte escolhida inicialmente para aquele local. Falando em arte, existe uma particularidade exclusiva do Park Hyatt Paris que não deixa ninguém indiferente, as estatuetas de bronze presentes nos candeeiros, espelhos, puxadores das portas e janelas, estas peças de arte são assinadas por Roseline Granet e são algo que distingue totalmente este hotel.

O nosso quarto durante a estadia

Tudo é mágico aqui, até o cheiro está meticulosamente pensado e por isso o Park Hyatt contratou o famoso perfumista Blaise Mautin que desenvolveu uma fragrância única de assinatura do hotel e dos produtos de higiene. É um aroma discreto e misterioso que se sente ao longo de todo o hotel incluindo nos quartos.Por falar em quarto, existem 153 quartos e Meu Deus, foi o mais perfeito que já experienciei!


Paredes de mogno polido, molduras douradas, tons elétricos, cama imensa e super confortável, um closet digno de uma shoppaolic, enfim, tudo pensado na perfeição. Mas o que mais me apaixonou foi o quarto de banho, tenho que confessar, eu sou obcecada por esta divisão! E o quarto de banho do Park Hyatt é de morrer, chão aquecido, banheira e chuveiro com apontamentos dourados, arquitetura perfeita que me fascinou enquanto relaxei num agradável banho de imersão.

Les Orchidees

Fazendo agora uma tour pelo hotel, para vos dar uma noção mais exata, conseguimos encontrar espaços que queremos levar embora connosco, espaços com glamour, com sofisticação e acima de tudo com referências para todos os gostos. O La Cheminee, um espaço aberto que funciona como um local de encontro de amigos, ou até de negócios, onde podemos degustar um snack ou um chá. O espaço Les Orchidees onde tomei um pequeno almoço digno de Reis, e onde se pode também almoçar entre amigos ou para tratar de negócios. Por falar em Orquídeas (a minha planta preferira, aliás) todo o hotel está impecavelmente decorado com elas, é um autêntico jardim resplandecente!

Le Bar

No coração do Park Hyatt temos o La Terrasse, que funciona como um charmoso jardim de inverno ou de verão.Temos também o Le Bar, onde pudemos degustar um excelente cocktail, com todo o ambiente digno da atmosfera de Paris.

La Terrasse

Um dos ex-libris do hotel é o seu restaurante Pur’ com assinatura do chefe Jean-Francois Rouquette, galardoado com uma estrela michelin, onde tivemos oportunidade de jantar, e sobre o qual falaremos num post específico.(ver)


Outra das relíquias do hotel é o seu Spa, com a assinatura da excelente gama de produtos Crème De La Mer, que combinado com o ambiente acolhedor e relaxante eleva os nossos sentidos ao relaxamento total.

Spa – Crème De La Mer

Bem, acho que apesar da experiência ser quase indescritível consegui que acima de tudo percebessem que quando forem ou regressarem a Paris, o Park Hyatt Paris-Vendôme é o Hotel a ficar!
A expectativa pode ser elevadíssima mas este hotel supera-a sem dificuldade!

O luxo, a elegância, o serviço exímio, o acolhimento, o mimo, a discrição, a arte, a fragrância…tudo tem a assinatura da perfeição!

Park Hyatt – Paris Vendôme
Quartos a partir de 650€
5 Rue de la Paix, Paris
paris.vendome@hyatt.com

Fotos: Flavors & Senses / Park Hyatt – Paris Vendôme

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Hotel Thérèse


Um boutique hotel relativamente pequeno e  intimista que se situa na estreita rue Théresè, à qual rouba o nome, muito próximo de locais como o Louvre, a Ópera ou o Palais Royal. Este magnífico exemplo de arquitetura do século XVIII foi recentemente restaurado dando lugar a um edifício repleto de glamour com um toque contemporâneo e sofisticado sem perder a essência do passado que se verifica, por exemplo, no seu esplêndido hall de entrada e nas suas banheiras de mármore e aguarelas originais.


É visível uma excelente combinação de materiais luminosos e ricos, uma harmonia singular de cores, e o efeito desgastado e oxidado dos materiais que ilustram o espírito vintage do século XX.  Todo o hotel é elegante e charmoso, com apontamentos de luxo na medida certa, caracterizando bem a cidade onde se situa.


Muito próximo da receção encontramos um belíssimo espaço, uma sala, que serve de zona de relaxamento, onde podemos descansar enquanto tomamos um chá.
Os seus 40 quartos são caracterizados por  esquemas de cores com um ambiente contemporâneo, estilo elegante e moderno, e até mesmo um tanto ao quanto exótico.


O serviço, esse é um dos pontos fortes, funcionários descontraídos, simpáticos, sem grandes formalidades e atentos às nossas necessidades.
Algo que me chamou mais à atenção foi a sala onde é servido o pequeno almoço, a sensação é a de que estamos numa espécie de bunker, é, sem dúvida, interessante toda a estrutura e arquitetura.


Quem viaja para Paris e procura um local bem localizado, onde se possa sentir em casa, um local onde se é tratado com toda a simpatia, onde se respira elegância e charme, e que ainda por cima apresenta preços muito em conta, pode e deve procurar o Hotel Théresè.

Hotel Thérèse
Quartos a partir de 180€
5/7, rue Thérèse – Paris
+33(0)1 42 96 10 01
info@hoteltherese.com

*Fotos: Hotel Thérèse

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Paris – La Grande Cascade *

 Paris é a cidade da luz e do luxo, desde há séculos que ninguém negoceia nesse ramo como os franceses. As lojas de moda, os hotéis, a joalharia e claro a haute cuisine são claros exemplos disso.  Restaurantes afinados ao pormenor, com decoração clássica e ambiente formal são um clássico de Paris que merece ser experimentado, nem que seja uma vez na vida. Um desses restaurantes é o La Grande Cascade, localizado fora do centro, no coração verde da cidade o Bois de Boulogne, num pavilhão mandado edificar por Napoleão III para ser a sua base em época de caça e desenhado por Haussmann (o pai da cidade de Paris tal como a vemos hoje). Em 1900 por altura da exposição mundial sofreu alterações e tornou-se num restaurante, passando, desde então, por todas as fases da cozinha francesa e pela mão de chefes famosos como Alain Ducasse ou Jean-Louis Nomicos, hoje entregue a Frédéric Robert antigo chefe do Lucas Carlton aquando do seu auge.

Quando passamos a porta da entrada, a decoração transporta-nos para um ambiente da Belle Époque, como uma viagem no tempo ao jeito de Woodie Allen e do seu Midnight in Paris, motivos florais, impressionantes mármores florentinos, lustres de cristal e mobiliário com mais história do que a que alguma vez viveremos. A impressão é de que não estamos a entrar para comer, ou simplesmente comer, mas sim para apreciar o momento, a envolvência, observar os pequenos detalhes e deixar-nos levar no tempo.

Já na mesa, espaçosas e minuciosamente dispostas em frente das grandes janelas do edifício, começamos a refeição com um pequeno Amuse buche, que nos mostrou que ali havia mais do que uma decoração e um fator histórico. A espuma de ovo com puré e molho de trufas estava divinal.

Amuse Bouche

Enquanto aguardamos as entradas, é servido pão , de excelente qualidade e variedade (não me canso de pão em Paris), e uma ótima manteiga.


Lagostim à la plancha, agnolotti de abóbora, caldo de erva-príncipe, maça verde, cogumelos
Um prato refinado, com ingredientes bem conjugados, e acima de tudo saboroso. Massa com excelente textura, lagostins no ponto certo e um caldo brilhante. Um grande início.

Harmonizou bem com um branco simples de Vale do Rhône, um Château Saint-Roch 2012.

Vieiras, Tupinambo, alho francês baby, molho de vin jaune e manteiga, trufa preta
Mais uma elegante apresentação, num conjunto que funciona bem. As texturas do tupinambo e do alho francês, o crocante e a delicadeza da vieira resultaram. Sendo esta  última o único elemento menos conseguido com algumas das vieiras a passarem do ponto. O  molho de vin jaune ( um tipo de vinho francês parecido com o Sherry mas sem ser fortificado) e as trufas fizeram uma excelente ligação de todos os elementos.

A acompanhar, um Chablis 2011, Domaine D’Elise.


Carré Cordeiro de Lozère, tomate recheado com beringela, flor de courgete recheada com alcachofra, creme de pimentos assados e molho  de pimenta
O cordeiro de Lozère, na região dos Pirenéus, é famoso por toda a França, aqui magistralmente cozinhado por Frédéric Robert, num conjunto colorido e funcional, sem sobreposição de sabores num grande jogo de textura. É um clássico da casa que se vai reinventando a cada estação.

Funcionou particularmente bem com um Syrah 2011 cuja casa fugiu aos meus registos.


Saint-Marcellin caseiro, gemgibre confitado, alperce , avelã e torradas de Sourdough
Em França sê Francês, e não há nada como os seus vários e poderosos queijos. Gosto particularmente deste, Saint-Marcellin, um queijo aparentemente simples, com uma textura cremosa que apresenta um complexo sabor a frutos secos. Excelente.

Resultou particularmente bem com um Des Soulanes, Maury, um vinho doce, bastante leve.


Mousse de castanha, merengue de coco, gelado de cassis, creme inglês, chocolate
Uma sobremesa que pretende realçar a castanha, numa soberba mousse com pequenos pedaços de castanha glacé, a ligar com elementos mais frescos como o gelado de cassis e o coco presente no meregue. Excelente apresentação e sabor, onde o ponto menos positivo foi o merengue um pouco grosso e por isso mais duro e difícil de comer.

Enquanto terminamos a refeição e vamos aproveitando o tempo que nos resta no ambiente único do La Grande Cascade, são servidos os Petit four, gelado de frutos exóticos e uma ótima patê à choux com avelã.

Petit Four

O Serviço é irrepreensível e formal com toda a mestria do classicismo francês sem se tornar invasivo ou constrangedor. Funcionando calma e paulatinamente permitindo aos comensais desfrutar dos pratos e do ambiente.

Das mãos do chefe Frédéric Robert saem pratos visualmente irrepreensíveis, com cada elemento a ser criteriosamente colocado num jogo de cores, volumes e texturas que não deixam ninguém indiferente. Aliando, claro,  a técnica refinada e o sabor, que em momento algum um ou outro pontos menos conseguidos, conseguiram comprometer.

Considerações Finais
O La Grande Cascade é um histórico de Paris, e será certamente um dos restaurantes mais românticos da cidade, se não o mais.  Pode facilmente ser aquilo que imaginamos quando pensamos em grandes e imponentes restaurantes franceses. É um espaço vivido com carinho pelos parisienses que por lá gostam de celebrar datas importantes ou marcar almoços de domingo com a família. Não é, à semelhança dos principais restaurantes da cidade, um espaço barato, aqui o luxo é condição certa, desde a escolha dos ingredientes, à louça ou os elementos decorativos. Mas a cozinha de Frédéric Robert, galardoada com uma estrela Michelin, a elegância do espaço e as memórias únicas para o futuro são um cartão de visita mais do que válido, que tornam um daqueles sítios a visitar pelo menos uma vez na vida, seja em clima de romance ou de revivalismo histórico. E no Verão a maravilhosa esplanada promete ser uma paragem obrigatória.

À saída não deixem de visitar a cascata que lhe deu nome.

La Grande Cascade
Allée de Longchamp – Bois de Boulogne, Paris
0145 2733 51
grandecascade@restaurantsparisiens.com

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Paris – Les Bouquinistes

Se a um dos bairros mais gastronómicos da cidade juntarmos um restaurante com vista para o Sena e a bela Pont Neuf, com a assinatura de Guy Savoy, temos promessa de sucesso. O Les Bouquinistes foi completamente remodelado nos finais de 2013, dando ao espaço um ambiente moderno e cosmopolita com mais inspiração em Nova Iorque do que nos espaços clássicos parisienses. Como elemento decorativo não se esqueceram dos livros que lhe dão nome, e dos vinhos, ou não estivéssemos nós num restaurante francês. Falando em vinhos, lindíssimo o expositor em vidro criado por Jean Michel Wilmotte que aproveitou muito bem toda a iluminação do restaurante.

Apesar do selo de Guy Savoy, este funciona como uma referência, em vez dos habituais chefes ausentes que controlam a orientação do restaurante e assinam as cartas, sendo a cozinha totalmente controlada por Stéphane Perraud, assistente de Savoy há vários anos. A cozinha segue as paixões de Savoy, com ingredientes exóticos, combinações originais e pratos leves com recurso a bastantes legumes e ervas.

Ao almoço com a carta de  “cozinha do mercado” é possível escolher uma entrada, prato e sobremesa (entre duas opções de cada um) por 35€  (inclui copo de vinho), ou 31€, entrada/prato ou prato/sobremesa, também com vinhos. Pelo que pode certamente ser uma boa opção, ainda que menos criativa que a carta normal, para quem quiser um almoço sobre o Sena, com preços mais convidativos.

Dando total liberdade à cozinha começamos com uma simpática seleção de pães e azeitonas, aos quais se foram seguindo as entradas a bom ritmo.


Terrina de foie gras, chutney de frutos tropicais e kumquat
Não poderíamos ter começado melhor. Excelente a textura e sabor da terrina, que se conjugou muito bem a gordura com a acidez dos restantes elementos.

A acompanhar um copo de Château la Rose Bellevue 2012 Sauvignon Blanc, que com as suas notas tropicais e acidez harmonizou muito bem com o prato.

Lagostins em caldo Thai, creme de cenoura e gengibre, legumes grelhados
O prato revelou-se menos picante do que o anunciado, com um caldo translúcido e saboroso, preparado com as cabeças do marisco. O lagostim foi sem dúvida o destaque do prato, cozinhado no ponto, com uma textura irrepreensível. Os legumes, assim como os rebentos deram uma ótima envolvência ao prato.

O Château de Chamirey Blanc 2008, um 100% Chardonnay, mostrou-se um grande vinho e completou muito bem com este prato e o que se lhe seguiu.


Vieiras, puré de couve flor, cogumelos e chouriço
A simplicidade de um prato que veio a revelar-se a estrela do almoço. Excelentes e bem cozinhadas vieiras, com couve flor em puré e finas lascas, cogumelos salteados com chouriço e ar deste último. Uma excelente conjugação de sabores, texturas e aromas, num prato mágico.


Ovo escalfado, tupinambo, pato fumado e coulis de agrião
Mais um prato que reflete a leveza e elegância da carta, ovo cozinhado na perfeição sobre um macio puré de tupinambo, pato levemente fumado, e um interessante e bonito coulis de agrião, tudo ligado por uma vinagrete de trufa preta que eleva os restantes elementos. Textura, sabor e beleza num excelente prato.

Harmonizou-se com um Lucien Muzard, Santenay Maladière 1er cru 2011, um Pinot da Borgonha, ainda bastante jovem, mas que fez uma boa conjugação com a sua mineralidade e notas florais.


Leitão, Barriga de porco confitada, molho de alho negro, cogumelos e lentilhas
Um prato com altos e baixos, grande sabor no seu conjunto, com apenas a pele do leitão a desiludir, não estava crocante, e era esse o elemento que faltava ao prato para brilhar. Fantástico o estufado de lentilhas, que acompanhava o prato, bem que podia ser uma refeição por si só que eu ficaria feliz.

A acompanhar um Syrah 2011, La Rosine de Michel & Stephane Ogier, um vinho de excelente relação qualidade/preço, que funcionou bem com o prato.


Chocolate
Uma pequena sobremesa para terminar uma já farta refeição. Chocolate 75%, fino e crocante praliné, delicada ganache e um delicioso sorbet de chocolate com nibs de cacau. O doce apresentou-se no ponto certo, deixando sobressair a qualidade do chocolate. Uma boa sobremesa, ainda que em Paris se espere sempre mais e mais quando o assunto é pastelaria.

O serviço tem todo o profissionalismo da restauração francesa, sem as grandes etiquetas clássicas, permitindo um ambiente mais descontraído e  quase caseiro, uma vez que muitos dos clientes da sala eram visitantes regulares.

Considerações Finais
Em resumo, o Les Bouquinistes tem mais para nos oferecer do que apenas um selo com o nome de Guy Savoy, tem um caminho e uma identidade própria, com uma cozinha de grande qualidade, ingredientes bem trabalhados e a mão afinada de Stéphane Perraud. Aliando isto a uma decoração atrativa e um ambiente descontraído com vista sobre o Sena e uma das mais elegantes pontes da cidade, não pode deixar de ser uma boa opção, quer para quem se aventurar na carta como nós, ou para quem optar por um almoço mais em conta com uma das melhores relações entre custo e beneficio daquela região da cidade.

Les Bouquinistes
53, quai des Grands Augustins, PARIS
+33 (0)1 43 25 45 94
bouquinistes@guysavoy.com

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