Ichiban

Estamos em tempo de silly season política, com governantes a disparar ataques e desculpas sem anexo nem fundamento como é apanágio dos nossos governantes e os seus rivais. Mas desenganem-se, não mudei  o conteúdo dos meus textos, quero é com isto agradecer a um certo tipo de políticos que fez mais por Portugal do que muitos dos nossos dirigentes, e falo da embaixada do Japão, que com excepção do memorável mestre Yoshitaki, apresentou a Portugal os dois grandes Porta estandartes da cozinha nipónica no nosso país.

Primeiro foi Tomoaki Kanazawa – que se prepara agora para retornar ao Japão, para infelicidade dos portugueses – e depois Masaki Onishi que o substituiu na Embaixada e que 3 anos depois rumou ao Porto para abrir este Ichiban.

Ora, como o próprio nome indica (Ichiban significa “Primeiro” em japonês) o restaurante foi o primeiro espaço da cidade a apresentar uma cozinha de influência puramente japonesa e não tanto de sushi-fusão-brasil, como era habitual encontrar em 2011 e até nos dias de hoje.

E não terá sido certamente fácil esta adaptação do chef à cidade e dos comensais à sua proposta de crivo purista, onde o importante não é inventar ou reinventar mas sim aperfeiçoar o simples. Um trabalho de minúcia e detalhe, bem ao jeito da cultura japonesa.

O restaurante, em plena Foz do Douro, ocupa um pequeno espaço em frente ao Mar dividido em 3 pequenos pisos, de decoração minimalista ao bom estilo japonês com a madeira de tons claros a trazer conforto e aconchego. Cada sala tem o seu detalhe e cada uma delas pode satisfazer diferentes gostos, no piso inferior é possível assistir ao trabalho de Masaki Onishi na cozinha (há alguns anos que o chef entregou aos seus discípulos a confecção do sushi, dedicando-se inteiramente aos pratos de cozinha japonesa), no piso térreo é possível apreciar toda a agitação do restaurante e o trabalho dos seus Itamae, é aqui e ao balcão que preferimos ficar, já no piso superior, onde nos instalamos na última visita, não faltam as vistas sobre o mar e o piso térreo.

Já sentados e de pedido feito, é-nos proposto um pequeno snack (2€) que serve de couvert, e que normalmente viaja entre pratos de peixe ou estufados de porco preto, tendo numa última visita sido brindado com uma leve e saborosa salada de porco preto, com finas fatias de carne a serem bem conjugas com o molho leve e a frescura das verduras que o acompanhavam.

Tako Yaki (5,5€)
Tako Yaki é como quem diz ” a resposta japonesa a uma patanisca de polvo”,  pequenas bolinhas de massa  recheadas com polvo e preparadas numa forma especial. Aqui particularmente bem preparadas, com capa crocante e interior suculento e guloso, mais ainda quando conjugado com o molho especial de travo doce e a maionese japonesa. Assim vale a pena!

Okonomiyaki de Marisco (16€)
A tradicional panqueca japonesa, feita com uma massa semelhante à do Tako Yaki, aqui bem recheada de legumes, camarão, lulas e vieira. Uma dose farta e para partilhar, que apesar do excesso de molho se mostrou a um nível bastante alto, sem o sabor da farinha e com os elementos a realçarem-se num bom jogo de texturas e uma pecaminosa doçura.

Tempura Moriwase (16€)
Moriwase significa “à escolha do chef” pelo que é ele que se encarrega de escolher os produtos que são postos à nossa frente. Entre a variedade de legumes, destaque para o espargo e também os camarões, fritos  de forma irrepreensível em polme fino e crocante como manda a lei. Bom também o molho e a frescura do daikon e do gengibre ralados.

Carapau Ryukyu (10€)
Prato obrigatório em cada visita, bem pode ser um dos meus favoritos da carta. Uma espécie de tártaro de carapau em cubos mais grossos, preparado com molho “ryukyu” típico da região de Okinawa, e refrescado pelo gengibre, a erva príncipe e o cebolo.

Sashimi Moriwase (preço variado consoante o nº de peças)
Há lá melhor forma de apreciar o trabalho de um sushiman do que ver a passagem das suas afiadas facas pelo peixe, há, mas já lá vamos! Sashimi com uma alargada variedade de peixes (sempre um dos pontos fortes deste Ichiban), onde perdemos as contas à variedade de peixes brancos e onde provamos alguns como o peixe porco, o peixe agulha ou o rodovalho, que dificilmente encontramos noutros restaurantes. Destaque para o corte mais grosso e purista que nos permite saborear o peixe em todo o seu esplendor, assim como para o Tamago (omelete) que traz um final doce depois de tanto peixe.

Niguiri Moriwase (preço variada consoante o nº de peças)
E aqui está! É a ver a habilidade do chef a moldar os niguiris e depois de provar o seu shari (arroz de sushi) que podemos apreciar o seu trabalho em todo o seu esplendor! Nota alta para a qualidade deste último, irrepreensível em todas as visitas. Aqui destaque para o bom corte dos peixes, alguns deles complementados, e bem, por toppings. Quando há sardinha e o restante “peixe azul”, é aproveitar!

Gunkan de ouriço (preço variado) 
Há quando houver, é um dos bons lemas de quem prima pela qualidade do produto, e o Ichiban é um bom exemplo disso mesmo. Quando há ouriço – é certo que não estamos perante os grandes e cheios ouriços de Hokkaido – não deixamos de finalizar com uma explosão de mar e iodo na boca.

A acompanhar esteve o habitual chá verde japonês que me parece de estilo  “kukicha”, que é sempre o parente pobre da refeição, não pela qualidade do mesmo, mas pela forma como é preparado – utilizam sempre água demasiado quente, quando não deveriam passar dos 70/80º, queimando assim o chá e fazendo com que se percam muitas das notas de algas e frescura características do chá verde. Um ponto que merecia mais atenção!

O serviço decorre entre o português tímido da esposa do chef, sempre atenta a tudo e  uma jovem equipa de portugueses. Sempre de forma cordial sem pretensiosismos nem grande rigor técnico, mas que compensa tudo com o conhecimento da carta e dos peixes disponíveis.

Considerações Finais 
Masaki é homem de poucas palavras e para o ver é preciso espreitar pelo vidro que nos mostra a cozinha, mas o que importa é que em cada prato faz refletir a sua cultura e consequentemente a sua personalidade – rigoroso, quase austero, autêntico e misterioso.

É isso que sentimos quando mergulhamos quer nos pratos mais típicos dos “Izakayas” ou nos mais apurados cozinhados japoneses, um mar de descobertas e de sabores equilibrados, que são uma interpretação de um povo e a sua cultura.

O Ichiban é peixe e arroz, é sushi no seu estado mais puro e bruto, mas na realidade é muito mais do que isso, é um restaurante com uma cozinha séria e verdadeira, pelo que não foi à toa que em 2016 e 2017 venceu os prémios “Flavors & Senses – Os Melhores Para” na categoria “Restaurante Especializado” (ver). Pelo que não estamos apenas perante um grande restaurante do Porto, mas também um dos melhores embaixadores do Japão em Portugal.

Nota
Para quem ainda não descobriu a cozinha do Ichiban, podem sempre optar por um dos melhores menus de almoço da cidade , com opções de sushi e de cozinha e com preços entre os 17€ e os 21€, dependendo dos dias e do número de pratos.

Ichiban
Preço Médio: 40€ por pessoa sem vinhos
Avenida Brasil, 454 – Porto
226 186 111

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Rustichella d’Abruzzo na mesa do Antiqvvm

O Antiqvvm, desde a sua abertura, tem sido palco de um alargado número de jantares temáticos, onde Vitor Matos se debruça sobre um determinado produto ou convida outro chef com quem partilha a cozinha.

Um dos últimos combinou as duas coisas, juntando a mestria de William Zonfa – uma estrela michelin no Magione Papale em Abruzzo – com os excelentes produtos da Rustichella d’Abruzzo.

Vitor Matos e William Zonfa

 A Rustichella é, como o próprio nome indica, uma empresa da região de Abruzzo, que produz vários tipos de pasta de trigo duro desde os anos 20, sendo hoje uma das principais referências do mercado, não só pela ampla variedade de produtos e formatos mas principalmente pela qualidade do produto. Só quem nunca cozinhou com esta marca não lhe reconhece a diferença para as marcas mais comerciais. É sem dúvida um produto de excelência, mas se dúvidas restassem, estávamos no sítio certo para as tirar…

Depois de um brinde  ao por do sol a partir do fantástico jardim do restaurante, foi-nos apresentado o conceito do jantar assim como a marca, através de Giovanni Gianni (diretor de exportação).

Fregola Sarda com manjericão, tomate e gelado de mozzarella fior di latte
E a festa começa com aquele que se revelou o mais simples e mais interessante prato da noite. Fregola (um tipo de massa em forma de pequenas bolas) cozinhada al dente, com um fantástico molho de sabor fresco a manjericão, enriquecido pelo pó de tomate e elevado pelo contraste de sabor, textura e temperatura do gelado de mozzarella. Um prato fantástico de William Zonfa, em que todos os elementos se evidenciam a solo e em conjunto.

Raviólis de queijo de Azeitão DOP com manteiga de salva, trompetas da morte e capuchinhas
O primeiro prato de Vitor Matos é também uma nova versão de um dos seus clássicos, aqui com os raviolis a serem preparados com a farinha da Rustichella e a apresentarem uma excelente textura e uma boa conjugação de sabores onde se destaca a riqueza da manteiga. Muito bom!

Paccheri recheado com brandada de bacalhau, caldeirada de amêijoas, bacalhau de meia cura e presunto de porco preto 
Um prato em que Vitor Matos nos trouxe os sabores de Portugal conjugados com a pasta italiana paccheri, aqui recheada com uma brandade que se revelou a um nível mais baixo do que o bacalhau de boa textura que a acompanhava. Um conjunto com vários elementos ao bom jeito do chef, mas onde o resultado final acaba por agradar e surpreender. Nota alta para a espuma de ervas que refresca um conjunto bastante rico e sabores bem portugueses.

Spaghettone del Leone com boletus, trufa de verão e mousse de amêndoa
Outro prato de William Zonfa, que em contraste com Vitor Matos foi trabalhando com poucos elementos em cada uma das suas propostas. Spaghettone de fantástico sabor e textura, bem conjugado com os restantes elementos, onde apenas a trufa de verão pouco ou nada acrescentava pela sua parca qualidade – fosse uma boa trufa negra na sua época e teríamos aqui um grande prato.

Panettone Clássico Rustichella d´Abruzzo com ananás dos Açores caramelizado, mascarpone, pêssego assado com mel e alfazema, chocolate branco e gelado de lima Kaffir
Mais um prato com uma longa lista de elementos, em que se destacaram os frutos bem trabalhados e a frescura do gelado de lima kaffir, acabando o Panettone por se tornar um elemento secundário e desnecessário no conjunto. Bom final!

 Petit fours ou as pequenas jóias de Vitor Matos

A harmonização dos pratos ficaram a cargo de vinhos também eles oriundos de Abruzzo, vinhos que não merecendo grandes destaques em termos qualitativos, acabaram por funcionar, e alguns deles até melhorar na companhia dos pratos.

O serviço decorreu de forma simples com alguns defeitos típicos deste tipo de eventos em que é preciso servir muita gente em simultâneo. 

Considerações Finais 
A Rustichella d’Abruzzo assume-se facilmente como uma das melhores produtoras de pasta disponíveis no nosso mercado. E se o objetivo do jantar era apresentar uma marca e um produto de excelência, o resultado foi mais do que conseguido, é impossível ficar indiferente à qualidade desta massa de trigo duro, mais ainda quando trabalhada pelas mãos aprimoradas de dois chefs estrelados.

Quanto a mim acho que me resta voltar a Itália para voltar a comer a Fregola Sarda com manjericão, tomate e gelado de mozzarella no Magione Papale de William Zonfa.

Antiqvvm
R. de Entre-Quintas 22o – Porto
+351 22 600 0445
antiqvvm@gmail.com

 English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Terminal 4450

O Terminal 4450 já não é uma surpresa para ninguém, do mais informado foodie ao cliente mais desatento já toda a gente visitou ou ouviu falar no projecto de Ricardo Rodrigues no antigo Terminal de Cruzeiros de Leça da Palmeira.

Muita tinta corrida, muitos blogs e muita azáfama nas redes sociais aliados a uma cozinha afinada, também ela com o selo de Nuno Crasto (Esquina do Avesso) e eis que temos um dos restaurantes mais trendy da cidade, valendo-lhe aliás a nomeação para restaurante Revelação e Trendy nos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores Para” respetivamente nas edições de 2016 e 2017.

Mas vamos lá escrever mais um pouco, para quem ainda não se cansou de ler sobre este Terminal. Ora onde antigamente funcionou um Bar, o empresário decidiu abrir um restaurante, que é também um “aeroporto” onde a viagem termina debruçada sobre o Mar, o rio Leça, os barcos, as gaivotas e os restaurantes de peixe de Matosinhos, tudo com um plano muito específico, trazer uma steakhouse a uma zona famosa pelo peixe.

A marca gráfica e a identidade do restaurante, trabalhadas por Ricardo e os designers da Another Collective, foram um dos primeiros sinais de sucesso em torno do restaurante – Um ponto que merece e precisa de ser cada vez mais trabalhado pelos restaurantes portugueses – .

Tal como referi, a ideia do aeroporto começa na manga de acesso, passa pelas malas, o balcão de check in e termina na mesa com o passaporte, que é como quem diz, a carta.

Instalados nas amplas mesas de madeira que trazem alguma rusticidade ao ambiente cosmopolita do restaurante, e de passaporte carimbado começamos mais uma viagem!

Couvert

Do couvert são já famosas as pipocas salgadas cujos temperos vão variando de dia para dia (oregãos nesta última visita), e os frascos, aqui com uma simples mas boa combinação de queijo feta e azeitonas.

 Bola de Rosbife (7€)
Uma das várias entradas disponíveis são as bolas com vários recheios, aqui optou-se pela de Rosbife, que se apresentou em melhor forma que numa visita anterior, em que o meu odiado óleo de trufa colocado em excesso abafava todos os elementos. Aqui com a carne no ponto, bem conjugada com elementos que lhe conferiam frescura e untuosidade. Um bom início!

Tártaro de Boi (10€)
Se estamos aqui para comer carne, um tártaro é ponto obrigatório. Tostas simples e competentes, carne bem cortada e saborosa, apesar do tempero modesto que poderia ser mais rico e ligeiramente picante, nota positiva para a cebola crocante e a mostarda em grão.

Costelinhas de Porco na Brasa (10€)
Aquela carne pecaminosa, cozinhada no ponto, ainda suculenta e bem temperada. Pontos para o molho de travo agridoce em contraste com um menos conseguido coleslaw.

Salsichas Artesanais (6,5€)
Mantêm-se como uma das melhores propostas desde a primeira vez que provamos este prato de inspiração noutros sotaques. Salsicha bem conseguida e de cocção irrepreensível, bem complementada pela esmagada de batata e a cebolada, que fornecem um bom jogo de texturas e contraste de sabores pecaminosos. Comida de conforto em alto nível!

 Costeletão (36€)
Numa refeição já bem rica e pesada, não podíamos deixar de provar o costeletão, que apesar de não ser proveniente de um animal velho apresentava uma boa quantidade de gordura e bom sabor. A faltar-lhe apenas as notas transmitidas pelo carvão!

De referir ainda os acompanhamentos, normalmente os elementos menos conseguidos deste Terminal 4450, onde se destacam pela positiva os bons palitos de polenta fritos e o arroz com pequenos pedaços de chouriço, que mais uma vez se revelaram uma escolha acertada.

Tarte de  Limão Merengada (4€)
As sobremesas são um dos pontos onde Nuno Castro mais se tem destacado, e a apresentação desta desconstrução da tarte de limão é um bom exemplo disso. Boa combinação de texturas, boa frescura do sorvete de limão que contrasta bem com a doçura (excessiva) do creme de limão.

Um bom final para uma refeição já longa e pesada!

Para acompanhar a refeição a escolha não recaiu sobre o habitual vinho tinto, mas sim sobre o fantástico Loureiro da Quinta do Ameal cuja colheita de 2015 está particularmente fantástica. Um dos grandes brancos portugueses!

Quanto ao serviço, nada de negativo a apontar, jovem, eficiente, de sorriso no rosto, com conhecimento da carta e a demonstrar atenção e cuidado com o cliente, mesmo com a casa cheia.

Considerações Finais
O Terminal não é um daqueles restaurantes da moda em que apenas se quer ver e ser visto, ou onde se quer estar mais pelo ambiente do que propriamente pela comida. É um valor seguro e mais uma aposta ganha por Ricardo Rodrigues depois da Esquina do Avesso e da Sushiaria, que mostra que este jovem empresário ainda tem cartas para dar na restauração da cidade.

Um restaurante de marca e identidade fortes, conjugadas com uma cozinha simples e opções para todos os gostos e a preços corretos. É certo que tem ainda margem de manobra para melhorar em vários aspectos, desde a qualidade da matéria prima (têm já algumas peças de carne maturada que prometem fazer a diferenciação) a pequenos detalhes da sala e do serviço, mas o caminho está mais do que bem traçado, e  a nós resta-nos voltar para provar a nova carta!

 Terminal 4450
Preço Médio: 30€ por pessoa sem vinhos
Avenida Doutor Antunes Guimarães – Leça da Palmeira

+351 229 954 020

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Flavors & Senses – Os Melhores Para 2017: A Cerimónia

A 5ª edição dos prémios Flavors & Senses – Os Melhores Para… foram entregues na passada segunda-feira dia 17 de Julho, nas elegantemente renovadas caves da Cockburn’s, que através da Symington, abraçou este nosso ousado projeto, para em jeito de ante-estreia apresentar ao público parte do seu novo espaço de enoturismo.

Uma parceria de sucesso, que nos permitiu dar o salto qualitativo a que anualmente nos propomos, uma melhor organização, mais convidados, e claro um ambiente de festa e descontração onde a gastronomia é a nossa celebração.

 Arnaldo Azevedo do Restaurante Palco

Este ano contamos com o patrocínio já habitual da Riedel, através da Portfolio, que permitiu à Alejandra Jana, personalizar para os nossos prémios duas das peças mais emblemáticas da marca, o copo Riedel Sommeliers Burgundy Grand Cru e o Decanter Flirt com os quais presenteamos os vencedores.

Outro patrocinador de peso foi a San Pellegrino, que este ano se juntou a nós para apoiar os prémios atribuídos a chefs “Chef a Seguir” e “Chef do Ano”, presenteando os galardoados com uma jaleca personalizada.

Com os convidados a chegar ao interior da sala, começamos a festa com grandes Vinhos como já vem sendo hábito nos nossos eventos. Desta vez a cargo – como seria expectável – da Symington, com o tempo a pedir stocks do agradável Altano Branco, e o jovem Quinta do Ataíde, a revelar-se uma das mais agradáveis propostas de um “novo” Douro.

 A equipa do sucesso por trás do Vinum 

António Silva (TapaBento) e Ruy Leão (Shiko – Tasca Japonesa) 

Os afamados Tacos do Lucha Libre

Enquanto se ultimavam alguns detalhes e se aguardava a chegada dos restantes convidados, foi tempo de se ir provando algumas das excelentes iguarias que os nossos parceiros trouxeram até ao evento para cativar alguns dos palatos mais apurados do País. Destaque para os produtos de alta qualidade da Qual House, trabalhados com mestria pelo Lucha Libre de Camilo Jaña, que nos apresentou refrescantes tacos de peixe, e a Shika de Ruy Leão, que presenteou os convidados com algumas das iguarias do seu Shiko – Tasca Japonesa (Restaurante Revelação e Chef a Seguir na edição de 2016).

 O fantástico Sushi da Shika

Importante e concorrida é sempre a bancada da Bísaro, que este ano nos conquistou mais uma vez com o seu presunto com 30 meses de cura, magistralmente cortado no momento. Destaque ainda para os restantes cortes e peças de fumeiro, como o Lombo ou o Cachaço (sempre o meu preferido).

Nota alta também para o pão artesanal de Trás-os-Montes que se revelou a companhia perfeita para o fumeiro. Trigo, Centeio, Folar e uma bola de carne que não deixou indiferente quem a provou. Pão é efetivamente vida!

Dr. Aguiar Branco, Luís Cândido ( Garrafeira Tio Pepe) e Nuno Pires (Revista de Vinhos EV)

 Camilo Jaña (Grupo Cafeína)

 

Passando à apresentação dos prémios, mais uma vez a meu cargo e da Cíntia, este ano com um aprimorado trabalho de projeção, som e luz –  um excelente trabalho a cargo da Ugo Som e Luz.

 Licína Ferreira do Rei dos Leitões 

Este ano coube aos Restaurantes Fora de Portas abrir o palco, com o prémio “Restaurante Minho” a ser recebido pela surpreendida Licínia Ferreira do afamado Rei dos Leitões. Já em Restaurante “Trás-os-Montes” o vencedor foi o clássico Solar Bragançano, com o sr. Desidério Rodrigues a protagonizar um dos mais peculiares discursos da tarde. Para finalizar os prémios “regionais”, subiu ao palco Renato Cunha, que pelo 2ºano consecutivo venceu o prémio, agora com o título “Restaurante Minho”.

 O emotivo Desidério Rodrigues do Solar Brangaçano Renato Cunha com mais um prémio para o seu Ferrugem 

 As bloggers Gail (Gail at Large) e Rita Branco (O Porto Encanta)

 António Coelho, num dos mais importantes momentos da noite

Aproveitando a pausa entre os prémios, decidimos apresentar mais uma novidade e surpreender todos os convidados com um novo prémio. O prémio “Mérito e Excelência” que visa reconhecer o trabalho de uma vida em prol da gastronomia da região, tendo neste primeiro ano o prémio sido atribuído ao emblemático Sr. António Coelho que com mais de 50 anos de carreira tem tornado a sua Adega S. Nicolau num dos grandes porta estandartes da gastronomia da cidade.

Sr. Coelho que mais tarde voltaria a subir ao palco para receber,  pelo 2º ano, o prémio de “Restaurante Tradicional”.

 Mais uma vez em palco, desta feita para o prémio de Restaurante Tradicional

 Ricardo Rodrigues e Liliana Marisa que partilham com o chef Nuno Castro o prémio de Restaurante Petiscos

Seguiu-se o prémio de “Restaurante Petiscos” que este ano viajou até Leça da Palmeira, para a irreverente Esquina do Avesso.

Ao jovem e bem sucedido Puro 4050, na agitada Rua das Flores, calhou o título de “Restaurante Trendy”, recebido em palco pelo talentoso chef Luís Américo.

 Luís Américo  com o prémio do seu Puro 4050


João Vitorino do Ichiban com o prémio “Restaurante Especializado”

A João Vitorino, sushimen do japonês Ichiban, coube a responsabilidade de receber mais uma vez o prémio de  “Restaurante Especializado”. Um prémio que pretende eleger restaurantes que se especializam num determinado produto ou tipo de cozinha.

Chef Ricardo Costa (The Yeatman)

 Pedro Braga que recentemente abriu o seu “Mito”

Como “Serviço de Vinhos” foi eleito mais uma vez o The Yeatman, com a equipa de vinhos liderada por Beatriz Machado, a destacar a importância do serviço de vinhos para o restaurante do hotel.

 A equipa de Vinhos do The Yeatman

Na categoria que premeia o “Serviço de Sala”, a escolha recaiu uma vez mais sobre O Paparico, o restaurante que  Sérgio Cambas celebrizou muito por culpa dessa mesma hospitalidade. O empresário voltou ainda a pisar o palco para celebrar o prémio de “Empresário do Ano”, prémio esse que com muita emoção partilhou com o seu pai.

 Sérgio Cambas e o seu Chef de sala, com o prémio “Serviço de Sala”

 Aqui com o seu pai com quem partilhou o título de Empresário do Ano

O jovem Euskalduna, e o seu líder  Vasco Coelho Santos, tornaram-se os grandes vencedores da noite, com 3 prémios, respetivamente  “Restaurante de Autor”, “Restaurante Revelação By Quinta do Ataíde” e claro ” Chef a Seguir by San Pellegrino”, uma prova de que o Porto também está aberto a projectos inovadores e diferenciados.

 Euskalduna

 Vasco Coelho Santos – Chef a Seguir

 A Carismática equipa do Tapabento

 Elisabete Fernandes, Ricardo Costa e Beatriz Machado, com os 3 prémios conquistados nesta edição 

Ao The Yeatman e ao seu chef, Ricardo Costa, voltou a sorrir a noite, rematando um ano em cheio depois da conquista da 2ª estrela Michelin e do prémio de “Chef Revelação” para a Relais & Chateaux, com os prémios de “Chef do Ano by San Pellegrino” e o tão aguardado “Restaurante do Ano”.

 Flavors & Senses e Óptica do Porto


André Ribeirinho (Adegga) e Tânia Oliveira

 

As fotografias da praxe com os convidados 

Prémios e vencedores apresentados, foi tempo dos convidados se soltarem e confraternizarem enquanto iam regando o espírito com os vinhos da Symington e enquanto passavam também ao capítulo doceiro com os nossos já clássicos e deliciosos Pudins Abade Priscos da Doçaria da Cruz de Pedra em Braga.

A companhia perfeita para um Porto Tawny 10 anos da Cockburn’s.

Impossível resistir ao Abade Priscos da Doçaria da Cruz de Pedra

Aos pudins juntaram-se este ano os saborosos, refrescantes e delicados gelados da Artiframi – gelados artesanais. Um pecado (provar apenas um, entre os cerca de 10 sabores apresentados no evento)!!!

 A atarefada preparação dos gelados da Artiframi

E foi assim, num incrível clima de confraternização e amizade que acabamos a noite a celebrar não só os vencedores como toda a gastronomia do Porto e do Norte, do espaço mais tradicional aos afamados restaurantes Michelin. Sem esquecer as figuras históricas da nossa gastronomia que tanto merecem o nosso reconhecimento.

Não posso finalizar o artigo sobre este inesquecível final de tarde, tão memorável e  tão bem passado sem referir o apoio incondicional do Tiago Lessa por todas as magníficas fotos e vídeos , do Pedro Lopes, da Marta e de todos os nossos amigos sempre dispostos a ajudar no que fosse preciso.

A empresas como a Ugo Luz E Som, a Químico Digital e a Óptica do Porto que não estando minimamente ligadas ao sector, e sem terem propriamente algo a ganhar com isto, não deixam de querer associar-se ao que de melhor a nossa região tem para oferecer, empresas e pessoas dispostas a ajudar sem pedir ou exigir nada em troca, só assim  fizemos o impossível de criar um evento deste género, que vive sem grandes patrocínios ou fundos.

Que surgam mais novidades e até 2018!

Mais Informações:
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Fotos: TIAGO LESSA

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Flavors & Senses – Os Melhores para 2017: Nomeados e Vencedores

Este ano o “Flavors and Senses – Os Melhores Para…” celebrou a sua 5a edição e como uma boa criança manteve o seu desenvolvimento, crescendo com a divisão da categoria FORA DE PORTAS, a partir da qual nasceram 3 novos prémios, RESTAURANTE BEIRAS, RESTAURANTE TRÁS-OS-MONTES e RESTAURANTE MINHO. Uma alteração que visa dar protagonismo a mais espaços e a mais trabalhos de valor que merecem também eles ser reconhecidos, independentemente das localidades onde estão inseridos.

A escolha dos nomeados é feita depois de muito debate entre a nossa equipa, depois de avaliarmos a média de uma primeira escolha onde consultamos um restrito grupo de pessoas, desde simples comensais a chefes, bloggers e jornalistas, e finalizada por nós com todo o cuidado e dedicação, pelo que acreditamos que todos os 5 nomeados merecem um destaque especial e que cada um deles seria um justo vencedor na respetiva categoria.

Mas, como em todos os prémios, tem de existir sempre um vencedor e para isso recorremos uma vez mais a um alargado leque de votantes, cerca de 120 pessoas, entre empresários, jornalistas, críticos, bloggers, chefes, produtores de vinho e gastrónomos de reconhecido valor.

Este ano a lindíssima Cave de envelhecimento das renovadas Caves da Cockburn’s foi o local escolhido para um animado final de tarde, em que conseguimos reunir a grande maioria dos nomeados – uma tarefa árdua, dada a particular altura do ano em que estamos.

Um cenário idílico, onde se vive a história do vinho do Porto, foi também o contexto para um momento histórico para nós, João e Cíntia, que é como quem diz Flavors & Senses!

Um ambiente descontraído, de diversão e convívio que deixou bem patente o dinamismo que se vive atualmente na região. Para manter as animosidades e o espírito “livre” valeram os vinhos da Symington, com destaque para o jovem Altano Branco, e o promissor tinto da Quinta do Ataíde, sem esquecer, como é óbvio, os vinhos do Porto da Cockburn’s.

Mais uma vez tivemos presentes o fantástico presunto e fumeiro da Bísaro com direito a corte manual de uma lindíssima perna com cura de 30 meses, um delicioso pão artesanal de Trás-os-Montes, os sempre fantásticos Pudins Abade Priscos da Doçaria Cruz de Pedra e os refrescantes e saborosos gelados da Artiframi.

Além destes excelentes produtos, tivemos ainda a presença de uma novidade, uma espécie de apresentação oficial do Lucha Libre, o irreverente projecto de Camilo Jaña, que implantou no parque da cidade a primeira Taqueria do Porto, aqui juntou-se à Shika, a famosa mota-cozinha de Ruy Leão que nos trouxe um pouco do seu Izakaya, Shiko – Tasca Japonesa, para abrilhantar o evento. Para isso contaram com o indispensável apoio da Qual House, que forneceu os ingredientes de alta qualidade aqui trabalhados com mestria.

Destaque incondicional para o apoio da Riedel que ano após ano surpreende com os seus copos (num novo modelo) e decanters de assinatura (verdadeiras obras de arte) que presenteiam os vencedores.

Este ano também a San Pellegrino se quis juntar a nós, abrilhantando o evento, com apoio a duas das principais categorias, CHEF A SEGUIR e CHEF DO ANO.

Uma outra forma de elevarmos a fasquia do evento, como nos propomos todos os anos, foi o incondicional apoio da Óptica do Porto, uma empresa de referência que não estando ligada à gastronomia, não hesita em apoiar o que de melhor se faz na cidade, tal como a Ugo Som e Luz, que nos permitiu criar um evento, quase profissional (não fosse o amadorismo do apresentador!). Finalizado brilhantemente no sempre irrepreensível design da Alejandra e as impressões da Químico Digital.

Deixo-vos aqui mais uma vez os vídeos de todos os nomeados em cada categoria, e os respetivos Vencedores:

Restaurante BEIRAS

Vencedor : REI DOS LEITÕES

Restaurante TRÁS-OS-MONTES

Vencedor : SOLAR BRAGANÇANO

Restaurante MINHO

Vencedor : FERRUGEM

Restaurante de Petiscos 

Vencedor : ESQUINA DO AVESSO

Restaurante Tradicional

Vencedor : ADEGA S. NICOLAU

Restaurante Trendy

Vencedor : PURO 4050

Restaurante Especializado

Vencedor : ICHIBAN

Serviço de Vinhos


Vencedor : THE YEATMAN

Serviço de Sala

Vencedor : O PAPARICO

Restaurante de Autor

Vencedor : EUSKALDUNA

Restaurante Revelação

Vencedor : EUSKALDUNA

Loja GASTRONÓMICA

Vencedor : CLUB DEL GOURMET EL CORTE INGLÈS

Empresário do Ano

Vencedor : SÉRGIO CAMBAS

Chefe a Seguir

Vencedor : VASCO COELHO SANTOS

Chefe do Ano

Vencedor : RICARDO COSTA

Restaurante do Ano

Vencedor : THE YEATMAN

Aproveito esta parte para mencionar uma última, mas não menos importante novidade, bem pelo contrário, a introdução de um prémio carreira com o nome MÉRITO E EXCELÊNCIA onde a grande consagração levou ao palco o Sr. ANTÓNIO COELHO, pela sua paixão e dedicação à cozinha tradicional Portuense e Portuguesa.

Para finalizar queria agradecer aos restantes elementos da equipa, à Marta por todo o apoio, ao Tiago Lessa pelos fantásticos vídeos e toda a fotografia, ao Pedro Lopes pelas filmagens, e claro, a todos os presentes e a todas as pessoas que direta ou indiretamente tornaram este evento possível.

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The Yeatman #Sunset Wine Party – 27 de Julho


No próximo dia 27 de Julho, o The Yeatman inicía a nova época das famosas Sunset Wine Parties.

Uma atmosfera de luxo, alguns dos melhores vinhos nacionais, petiscos, e uma imperdível vista sobre o Porto, são o mote para um Pôr do Sol único, repleto de glamour!

O conceito é simples, reunir um alargado número de pessoas em torno de grandes vinhos, boa comida e muita, muita animação. Para isso ocupar-se-á todo um piso do Hotel, as suas bonitas e luminosas salas e claro o Terraço com as suas concorridas mesas e vista privilegiada para o Porto e o Pôr do Sol.

Cada Sunset Wine Party recebe uma variedade de vinhos criteriosamente selecionados por Beatriz Machado, Diretora de vinhos do grupo. Dos melhores espumantes nacionais  aos vinhos do Porto, passando pelos brancos frescos de verão e pelos tintos mais leves.

Imperdíveis são também os petiscos e os pratos de buffet, criados e selecionados por Ricardo Costa, com o cuidado e primor que lhe são característicos.

Mas existem mais surpresas. Para assegurar pequenos momentos de descontração, as terapeutas do Spa Vinothérapie® Caudalie proporcionarão massagens de mãos e conselhos de beleza personalizados.

A Sunset Wine Party do The Yeatman tem vindo a elevar a sua própria fasquia, ano após ano e festa após festa!

Dia 27 de Julho
Horário:
19h-1h.
Entrada:
80€
70€ (para grupos de 8 pessoas)

Próximas Datas:
24 de Agosto
21 de Setembro

Para reservar e comprar o seu bilhete pode fazê-lo online em: http://eventos.theyeatman.com/.

A Sunset Wine Party do The Yeatman tem vindo a elevar a sua própria fasquia, ano após ano e festa após festa! Se já foram certamente nos encontraremos por lá, se ainda não foram este ano não vão querer perder!

Fotos: Flavors & Senses 

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Puro 4050

O Puro 4050 é um dos mais falados restaurantes da cidade Porto desde o seu lançamento, localizado no agitado Largo de São Domingos, “tinha tudo” para funcionar ainda antes da sua abertura…

Como se “ter tudo” fosse algo assim muito simples e fácil, mas na realidade, depois da união do Luís Américo com a Inês Mergulhão no famoso Cantina 32 (ver), tudo que esta dupla criasse seria certamente um sucesso.

Mas vamos por partes, a cozinha mantém as linhas que Luís Américo tem definido – e bem – para os seus espaços, depois do saudoso Mesa (sim eu era daqueles que gostava, e muito, de ir jantar a um “lar de idosos”!!!), cozinha simples, desdobramento de produto, equilíbrio de sabores e texturas, algumas influências internacionais, pratos para partilhar e foco na cozinha fria, entre muitas outras coisas. Aqui entrou uma diferença – que é como quem diz, toda a diferença – a aposta num produto diferenciador, as Mozzarellas de Búfala importadas diretamente da Campania.

Ao qual se juntou o apurado sentido estético da Inês, e que fazem com que cada um dos seus restaurantes valha a pena apenas pela visita, espaços aparentemente simples, acolhedores mas ao mesmo tempo cosmopolitas e agitados, que nos transmitem facilmente a ideia de que podíamos estar em qualquer grande cidade europeia (é verdade que nisto, o número de turistas também ajuda!).

Já instalados na prazerosa esplanada, e entre uns brindes de um ainda jovem Soalheiro de 2016 – ao qual se augura um bom futuro, como tem sido seu apanágio ao longo dos anos – surge um modesto, mas confortável azeite, acompanhado de uma bem mais interessante e delicada manteiga de Búfala, que bem ajudou o pão a acomodar o estômago para o que se seguiria.

Burrata, Presunto de Parma DOP, Rúcula (12€)
E começou-se bem, com uma ótima Burrata, claramente a melhor que já provei na cidade, de cremosidade e riqueza sem comparação. A conjugação é clássica e impossível de dar errado! Muito bom!

Mozzarella Afumicatta, curgete laminada, compota de pimentos e pera cozida (11€)
Mais um prato fresco onde a estrela da companhia é a mozzarella, mas desta vez com uma versão fumada, que não será propriamente a melhor escolha para um cliente menos atento. As suas notas e textura são bem diferenciadas das mozzarellas mais comuns. Aqui servida numa boa conjugação de sabores, com destaque para a combinação da excelente compota de pimentos e da fruta, que já era nossa conhecida do Cantina.

Focaccia de Pizza, cebola caramelizada, mozzarella, alho negro e pimentos del piquillo (6,50€)
Embora em bom nível, foi provavelmente a menos interessante das propostas provadas durante este jantar. Com destaque para a utilização do alho negro, e o equilíbrio entre a doçura e a acidez, criando uma boa simbiose entre todos os elementos!

Tataki de Novilho, cogumelos e trufa (8,5€)
Por trufa, entenda-se a utilização do irritante óleo/manteiga de trufa, cada vez mais em voga entre nós! Mas adiante que o prato é bem mais interessante do que isso – carne no ponto e de boa textura e sabor, bem conjugada com cogumelos shimeji suculentos e terrosos. Simples e bem feito!

Risotto de Polvo e castanhas (12€)
A meu ver e partindo logo do pressuposto que não estamos perante um risotto mas sim de um bom prato de arroz, este é um dos grandes pratos do Puro, uma inspiração na cozinha brasileira, com recurso ao leite de coco e ao óleo de palma ou dendê (só para parecer mais entendido!), e uma arrojada combinação de Polvo e castanhas que primeiro se estranha e depois se entranha – isto enquanto me pergunto porque não existe no receituário transmontano uma combinação destes dois ingredientes).  Rico, untuoso, com doçura  e  boa textura. Vale a pena voltar só por este arroz (como já tenho feito…)!

Ossobuco de Wagyu, Puré de batata do Puro (25€)
A nobre carne massajada, apresentada aqui por um dos seus cortes “inferiores”, mas repleto de sabor. Boa textura da carne e boa ligação com o molho, enriquecido com o pouco tutano que fui conseguindo sacar do osso. Muito bom! E muito bem emparelhado, com o tal puré do Puro, que é na realidade uma esmagada de batata enriquecida com cebola caramelizada, que lhe confere um outro carácter e vida.

Tiramisú de Porto Tawny (4€) e Leite creme de Limão com Amaretti
Sem deslumbrar, foram duas sobremesas bem conseguidas, com destaque para a frescura do limão e o contraste de texturas com o biscoito e a cremosidade e ligação do Porto e chocolate no caso do Tiramisú. Um bom capítulo!

Salame de Chocolate com Amaretti (3,5€)
Pelo que parece é provavelmente a sobremesa fetiche do restaurante, ainda que tenha sido a que menos me cativou. Interessante a textura e o sabor do amaretti na boca, mas sem grande história!

Tarte de Ricotta de búfala, doce de abóbora (3,5€)
E deixei o melhor para o fim, a melhor sobremesa da noite, elegante e fresca como a ricotta, rica como um bom doce de abóbora. Uma sobremesa muito bem criada que é garantidamente o finalizar com chave de ouro de uma boa refeição.

Isso e uma memória de saudosismo de um famoso fondant de abóbora com requeijão que o Luís teima em não repetir e que muitos têm tentado replicar sem grande sucesso!

Nota positiva para a agilidade do serviço, fruto de uma carta bem pensada e para a simpatia da equipa, que sem grande formalismo e rigor técnico faz um acompanhamento da refeição bem enquadrado com a comida e o espaço.

Considerações Finais 
É certo e já o tenho deixado bem claro que não é neste registo que gosto de ver o Luís Américo, mas é certo que é isto que o mercado e a vida lhe tem pedido, e o que tem feito, tem feito bem, como o comprova o sucesso dos espaços que dirige e as várias consultorias que tem espalhadas pela cidade.

Além disso é sempre uma boa desculpa “Portuguesa” para visitar Macau!

Mas adiante… Este Puro 4050 é uma lufada de ar fresco na oferta gastronómica da cidade, um espaço que tem de tudo e para todos os gostos, do mais simples ao mais arriscado, passando pelos vegetarianos e os anti-glúten. É um espaço irreverente, agitado e apurado, que se posiciona na cidade com um lado cosmopolita que o Porto também merece e precisa! Com uma oferta de produtos únicos, como é o caso das excelentes mozzarellas, e de conjugações irresistíveis .

Até breve!

Puro 4050
Preço médio: 25€ por pessoa sem vinho
Largo São Domingos, 84 – Porto
+351 22 2011 852

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Nespresso Gourmet Weeks na Casa de Chá da Boa Nova

O edífício talhado entre as rochas, que dispensa apresentações

Depois de um jantar no The Yeatman – sobre o qual já escrevi aqui – seguiu-se um jantar muito particular na Casa de Chá da Boa Nova, uma das últimas estrelas da região, comandada pelo célebre Rui Paula, que para este jantar convidou Miguel Rocha Vieira, uma dupla bem conhecida dos portugueses, ou não fossem eles os jurados do famoso Masterchef!

Fama, tv e celebridades à parte, estes jantares servem bem para mostrar que estamos a falar de pessoas do mundo real, que sofreram para subir na sua profissão e que é na agitação da cozinha, que se sentem felizes e como peixes na água.

Por falar em água, é coisa que não falta quando entramos na Casa de Chá da Boa Nova, e as amplas janelas de vidro nos mostram que estamos ali mesmo, prestes a jantar em cima do mar, com o som das ondas como música ambiente, e um benevolente S. Pedro a dar-nos uma noite melhor que muitas noites de Verão. Estava lançado o cenário perfeito!

E foi ali mesmo, na pequena esplanada sobre as rochas que começaram as festividades, um brinde com Cattier Blanc des Blancs,  de ligeira doçura mas com firme elegância, que serviria também de companhia aos pequenos snacks preparados para aquela noite.

Carlos Monteiro (Escanção)

E começamos muito bem, com uma interessante sopa de peixe a rechear uma massa crocante com salmão e ikura, técnica e sabor a representar na perfeição o que é a finger food.  Seguiu-se um refrescante e equilibrado cone de Cavala com iogurte, um pão Bao (pão asiático cozido a vapor) com atum e um ótimo Macarron (de textura bem diferente do doce parisiense) de algas com Sardinhas.

Sopa de Peixe

Cone de Cavala e Iogurte

Em suma, um excelente início, repleto de sabores a mar, que é o que realmente apetece quando jantamos num local com estas vistas, e um bom preságio para a refeição que se seguiria.

Já na mesa, bem posicionada junto a uma das largas janelas da sala, é díficil afastar os olhos do horizonte enquanto nos vão sendo apresentados os vários pães que acompanhariam o serviço, pão de chili, pão rústico e focaccia de mandioca. Pães sem grande glória, onde a focaccia passa com alguma distinção, mas os restantes a serem facilmente esquecidos quando combinados com as boas manteigas apresentadas – Manjerição, tradicional e de noz pecan.

O imperdível por do sol da Casa de Chá da Boa Nova

No que diz repeito aos pratos, coube a Rui Paula abrir noite, e logo com um dos melhores pratos da noite – Lagostim, couve-flor e ar de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry – prato de refinado balanço entre técnica, sabor e equilibrío. Lagostim de porte considerável cozinhado na perfeição, doçura bem conjugada com as notas de terra das texturas de couve-flor, molho rico e leve ar de café a trazer uma nova dimensão ao conjunto, sem o desvirtuar. Muito, muito bom!

Lagostim, couve-flor e ar de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Com o cuidado de escolher o vinho esteve António Lopes – sim, além de um chef convidado, para este jantar houve também um escanção convidado – e logo com um dos nomes fortes da nova geração de escanções portugueses, que depois de uma passagem pelo Gusto (Conrad Algarve) inicia agora um novo projeto com o grupo Anantara. E a sua escolha recaíu, e bem, sobre um Soalheiro Terramater 2015, de nariz intrigante para um alvarinho, mas complexo, com a boca a revelar algumas notas de manteiga, que combinada com a sua frescura, criaram uma óptima harmonização com o prato.

Pombo assado e beterraba com Exclusive Selection Nepal Lamjung

Da delicadeza do Lagostim, seguimos para um Pombo assado, apresentado por Miguel Rocha Vieira, que bem poderia ser um prato principal, demasiado rico e intenso para suceder à subtileza e elegância do Marisco. Ainda assim com cocção exímia, e sabores bem apurados, com o café a fazer-se sentir subtilmente, permitindo ao pombo brilhar com as boas nuances de terra dadas pela beterraba.

No copo, um dos vinhos que nos últimos tempos me tem dado bastante gozo de beber, o Conciso 2014 da Niepoort, o topo de gama da sua aventura de sucesso nos vinhedos do Dão. Um tinto bastante fresco e elegante como só Dirk Niepoort sabe fazer, aqui com a sua pouca concentração, a sua boa acidez e as notas de fruta fresca a equilibrarem muito bem com a riqueza do prato. Uma boa escolha de Carlos Monteiro, o escanção responsável pelos vinhos do Boa Nova.

Robalo do Mar, carabineiro, bisque, aipo e Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Mantendo-nos com Miguel Rocha Vieira, seguiu-se outro dos grandes pratos da noite, numa boa conjugação de sabores do mar e da terra, com um interessante jogo de texturas. Destaque para a doçura e iodo do carabineiro, bem casado com a bisque e o robalo de bom porte, que se eleva com a frescura do aipo e a textura e corpo da cevadinha que lhe serve de base. Bom também o recurso à pele do peixe crocante!

Nos vinhos a escolha manteve-se acertada, com um Principal Rosé Tête de Cuvée 2010, uma das grandes referências nacionais no que diz respeito a vinho rosé, que revela um nariz surpreendente para um vinho com 7 anos, com interessantes notas de fruta e uma ligeira tosta, a casar muito bem com as nuances de café trazidas pelo prato. Mas foi a frescura e a marcante acidez que certamente levaram o Carlos Monteiro à escolha do vinho.

Vazia de Wagyu, molho de pimenta  e crocante com Exclusive Selection Nepal Lamjung

Para finalizar os pratos principais, Rui Paula, apresentou uma vazia de Wagyu, de excelente textura e bom sabor, que ainda assim não deixou marca. Nota mais interessante para o apuro técnico do acompanhamento, com 3 texturas de batata – não quero imaginar a vida do infeliz que teve de preparar as pequenas pommes soufflé para todos os comensais!

No copo esteve um bem interessante Frei João de 1980,  cujas notas terciárias e a particular sensação de café, acabou por criar um bom conjunto.

Café da manhã com espuma de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Seguiram-se, e bem, duas sobremesas propostas pela equipa de Rui Paula, primeiro uma refinada alusão ao clássico pequeno almoço português – um galão e um bolo – aqui recriada com uma pequena bola de berlim, um gelado e uma espuma de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry que nos transporta rapidamente para esse momento do dia.

Bons sabores é certo!  Mas foi com a aparente simplicidade da segunda sobremesa que Rui Paula fechou a refeição com, digamos “talheres de ouro”. Uma combinação que a mim continua a remeter para a primeira refeição do dia, fruto do uso dos cereais, do pão tostado, do café e dos frutos secos.

Uma excelente combinação de texturas, que foram do gelado à mousse, ao crocante e caramelizado com sabores de panificação e fruto seco que se revelou perfeito na combinação com o excelente Malmsey de 1999 da Blandy’s.

Nota alta para os escanções que estiveram em modo de alta performance e para os chefs que levaram à risca a utilização dos novos cafés da Nespresso, exclusivos para restaurantes Michelin, que apesar de usados com bastante caução e subtileza estiveram presentes em todos os pratos do menu.

Considerações Finais 
Foi mais um ótimo jantar deste Nespresso Gourmet Weeks, com a particularidade de juntar dois dos mais badalados chefs nacionais, para uma refeição onde o café foi tema central e mostrou mais uma vez toda a sua vocação gastronómica.

Nota alta para a cada vez mais apurada e refinada sensibilidade da cozinha de Rui Paula e para o sempre engenhoso jogo técnico de Miguel Rocha Vieira em torno das texturas e dos acompanhamentos.

Agora é esperar pela edição de 2018!

Fotos: Flavors & Senses 

Nota
Estivemos na Casa de Chá da Boa Nova a convite da Nespresso, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor. 

 

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Nespresso Gourmet Weeks no The Yeatman

Cocktails com vinho do Porto para abrir uma longa noite de festa

A Nespresso organizou este ano, pela 3a vez, o seu festival gastronómico –  Nespresso Gourmet Weeks -, que juntou alguns dos principais chefs nacionais em jantares a 4 mãos, sempre com o café como tema de conversa, que é como quem diz como ingrediente quase constante ao longo dos vários menus.

Durante quase um mês o festival percorreu todo o país, tendo inclusive estreado-se com um jantar na Madeira, mais propriamente no recém estrelado William.

Madeira essa que serve também de casa ao chef convidado do jantar de estreia que decorreu no The Yeatman, um momento especial que juntou lado a lado Ricardo Costa, chef anfitrião, e BenoÎt Sinthon, o franco-madeirense do Il Gallo D’Oro, que é como quem diz, foi o jantar que juntou os dois tipos que este ano conseguiram alcançar as duas estrelas michelin no Guia Vermelho, juntando-se ao exclusivo grupo onde apenas contavamos com o Ocean, Belcanto e Vila Joya.

Ostras com soja e ovas de tobiko

Entre as habituais e imperdivéis fotos da vista do hotel, uns simpáticos cocktails de vinho do Porto com aromáticos e ginger ale e dois dedos de conversa, foram surgindo a bom ritmo os primeiros snacks, que faziam antever que estariamos perante um boa noite de gastronomia. Destaque para as interpretações de Ricardo Costa, sobre o clássico italiano Vitello Tonnato e o peruano Ceviche, aqui servido com notas menos ácidas e com a interessante adição da cereja.

Cracker de Vitello Tonnato e caviarCeviche de Lírio

Já na sala principal, e depois da azafáma que é sentar todas as pessoas em diferentes grupos, iniciou-se o jantar com brinde do ótimo espumante nacional Colinas Brut Rosé em garrafa magnum, um vinho de bolha elegante com a persistência certa que só o tempo e os anos de estágio lhe permitem adquirir.

A fazer pandam com o vinho esteve uma interessante proposta de Carabineiro, de textura delicada e sabor a realçar a sua doçura e o seu lado iodado que funcionou muito bem com as algas e o pão Bão, também ele de algas, que o acompanhava.

Carabineiro, lima, molho thai e algas do Algarve

Seguia-se o primeiro prato de Benoît e provavelmente o prato mais ovacionado da noite, apesar da combinação quase clássica de café com foie, e da subtileza com que as notas de café se faziam sentir, o chef consegiu criar neste pequeno e elegante prato, finalizado na mesa com a neve de foie e a quinoa crocante, um grande jogo de delicadeza, sabor, textura e temperatura. Um prato de grande rigor técnico e de aprimorado sabor. Muito, muito bom!

Foie Gras, compota de cereja e cardomomo com geleia de ristretto

Seguiu-se uma viagem até à “praia” de Ricardo Costa, que é como quem diz os pratos de peixe, com um fantástico pregado, cozinhado na perfeição, e acompanhado por vários elementos que reforçam o sabor a mar, como a muxama, o choco as percebes e a salicornia, que nos levam delicadamente a um mergulho nas profundezas. Nota menos positiva para a subtil utilização do café que nada trouxe ou acrescentou ao prato.

Pregado do mar, salicornia, ar de limão e lungo leggero

Para completar o mergulho no mar, a harmonização fez-se com um vinho de Colares, o Arenae 2013, que tem ainda muito para mostrar, mas cuja peculiar acidez, as notas de fruta branca e a salinidade própria da região, fizeram desta uma excelente harmonização.

Lombinho de vitela assado com ervas, cogumelos, raviolis de Queijo da Serra

Seguiu-se a proposta de carne de Ricardo Costa, num prato que veio trazer, peso e substância à degustação depois de um inicío mais leve e elegante. Lombo de vitela, sabores da terra, ricos e concentrados, elevados pela presença da trufa e bom jogo de texturas. Menos positivo, o ravioli de queijo da serra, de massa um pouco grossa com o queijo a não se fazer sentir num conjunto tão expressivo.

A acompanhar, esteve, e bem (como foi apanágio ao longo de toda a refeição) um Quinta da Romaneira de 2009, com maior elegância do que eu estaria à espera, revelou-se à altura do prato com os seus taninos a argumentarem muito bem com o peso e a sumptuosidade do prato.

Seguiram-se duas sobremas, duas grandes sobremesas, aliás, a primeira a cargo de Ricardo Costa, que preencheu todos os requesitos naquilo que eu procuro no final de uma degustação –  frescura, doçura q.b, texturas e acidez -, com uma criação à base de laranja sanguínea, creme de açafrão e gelado de pistácio.

Laranja sanguínea marinada, creme de açafrão, gelado de pistáchio, servido com Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Efectivamente, uma grande sobremesa, que foi degustada com um não menos interessante Moscatel Roxo Superior de 2009 de Ermelinda Freitas, em que o casamento se dá bem pelo lado das notas de casca de laranja e da boa acidez do vinho.

Nute-Espresso v.2017, com Exclusive Selection Nepal Lamjung

Por fim, uma tanto ou quanto démodé verrine de chocolate, mas não não é uma verrine qualquer, é uma conjugação de 3 diferentes chocolates da fantástica Corallo, com o toque de Benoît Sinthon, pelo que não faltou o casamento perfeito com a avelã e a brincadeira de criança com o uso das petazetas.

No fim só se pode dizer que bem gostava de ter o frigorifico cheio destas verrines, estejam elas fora de moda ou não!

Dizer que os cafés que acompanharam e integraram as sobremesas são a grande novidade da Nespresso para o universo do fine dining. Dois cafés de grande raridade e consequente limitação de stock, que só podem ser adquiridos por restaurantes estrelados. É o chamado marketing das estrelas!

Para terminar, não, não foi um café, que esse já se tinha feito sentir, ainda que discretamente ao longo de vários pratos, um brinde com o Porto Morgan’s Vintage de 1977, a passar ainda por uma fase interessante, com um corpo médio e umas notas de café que condizem com a temática do jantar.

Nota alta para o trabalho da Sommelier Elisabete Fernandes, pelas harmonizações muito bem conseguidas e pela forma simpática e divertida com que nos acompanhou ao longo de todo o jantar, que pecou pelo tempo de serviço e as longas horas à mesa – algo normal neste tipo de evento!

Considerações Finais 
Mais uma vez uma ótima iniciativa da Nespresso, que culmina aqui o seu posicionamento premium, ao apostar num festival gastronómico em que a habitual bebida do fim de refeição, passa a marcar presença de uma forma mais vincada ao longo de todo o menu, ainda que neste jantar em particular, o uso do café tenha sido muito ponderado e subtil, sem os riscos que vi serem cometidos no passado!

Quanto ao jantar em si, uma prova do valor mais que firmado de ambos os chefs, a delicaza e jogos de Benoît Sinthon e a técnica apurada e os sabores do mar de Ricardo Costa.

Um evento a repetir !

Fotos: Flavors & Senses 

Nota
Estivemos no The Yeatman a convite da Nespresso, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Quinta do Ameal

Estávamos no final do ano de 2013, numa prova de vinhos, aguardávamos que nos enchessem os copos com Quinta do Ameal Loureiro, e apesar de já conhecermos os vinhos, ainda não conhecíamos o seu produtor, Pedro Araújo. Simpático, sorridente e com muita paixão nas palavras, após uma agradável conversa sobre os seus vinhos, lá nos confessou que estava a criar um enoturismo na sua quinta. Mostrou-nos fotos, falou-nos de todas as ideias, e o seu entusiasmo era de tal forma contagioso que auspiciava algo brilhante!


Os anos foram passando, fomos encontrando o Pedro por provas e mais provas, e ele sempre manteve o entusiasmo, agora a recuperação da quinta e todas aquelas ideias cativantes já eram reais. Em 2016 quase lá estivemos para ver e sentir de perto a razão de tanto entusiasmo, mas um imprevisto meteu-se no caminho!

A adega onde repousam os grandes vinhos do Ameal

Mas, finalmente lá aconteceu, e em 2107 percebi na perfeição a razão de tanta paixão nas palavras de Pedro, e assim, nasceu, também, a minha paixão pela Quinta do Ameal e pelo seu enoturismo.

Nada me faz mais feliz do que a conjugação do luxo com a natureza pura, selvagem, e no seu estado mais bruto.
É isso que define a Quinta do Ameal, um refúgio no meio da natureza que se mescla na perfeição com o luxo presente em cada detalhe.

Casa Grande

A quinta do Ameal é uma propriedade em Ponte de Lima que data de 1710, conta com 30 hectares e é aqui que Pedro cria e produz vinhos brancos de excelência da casta Loureiro.

Foi adquirida pela família na década de 90, após a venda da Ramos Pinto, sim o Pedro tem a história do vinho a correr-lhe no sangue, ou não fosse ele bisneto de Adriano Ramos Pinto. A Quinta estava completamente abandonada mas foi feito um excelente trabalho na sua recuperação.

Dos 30 hectares de quinta 14 são de vinha, o restante complementa-se com uma floresta virgem, e cheia de força, onde o Ameal Wine & Tourism Terroir ocupa o espaço das antigas casas, recuperadas e pensadas pela mente de Pedro, com um toque de bom gosto que não é comum a todos!

Chegamos à quinta num maravilhoso dia de sol, a primavera fazia as honras da casa, e as cores da natureza foram excelentes anfitriãs.

O caminho que se percorre desde a entrada até chegar às casas é divinal, dum lado as vinhas, do outro pinheiros mansos com mais de 200 anos de história e vida, que nos mostra que ali há uma forte influência do clima mediterrâneo, ou não fossem estas imponentes árvores originárias do Velho Mundo, mais precisamente do mediterrâneo!

O Pedro recebeu-nos com aquele sorriso que lhe é característico e sem demoras fez-nos sentir em casa.

Pela Quinta há várias atividades à disposição, seja ficar o dia todo a bronzear na piscina com a natureza como pano de fundo, seja passear e descobrir caminhos por entre árvores, flores e vinhas, enquanto se descobrem pequenos recantos românticos que fazem as delícias dum momento de ócio, seja apreciar os diferentes produtos que crescem na terra, e garantem uma panóplia de opções biológicas.


Para os mais aventureiros é possível organizar diferentes atividades no Rio Lima, como por exemplo descê-lo em Kayak. Quem gosta de caminhadas, nada como uma longa, muito longa caminhada, de cerca de 40km pela fabulosa eco via sempre com o rio Lima como companheiro.

Para os amantes de vinho, este local é mágico, comecem com uma visita às vinhas, com o Pedro como guia, passem pela adega e terminem com uma excelente prova dos vinhos do Ameal acompanhados com alguns petiscos.

Bem, mas vamos agora falar sobre a recuperação das casas antigas.
O edifício principal, a que chamam de Casa Grande (que seria efetivamente a casa principal de quem lá viveu) é o que alberga o maior número do alojamento, e uma zona de convívio, ou seja, a sala das provas, ou lounge, como lhe queiram chamar, e três suites (a Jardim, a Camélia e a Glicínia), quer dizer, são casas, mas já lá vamos!

Casa entre Bambus e Vinhas

A uns metros desta Casa, temos a Casa entre Bambus e Vinhas (antiga casa do vaqueiro) e por que se chama assim? Porque se situa entre uma zona de bambus que lhe dão um toque bem oriental, e algumas das maravilhosas vinhas!

Há ainda outros edifícios espalhados pela quinta, as duas antigas vacarias ainda por restaurar – talvez um dia dêem origem a um estábulo e permitam aos hóspedes terem ainda mais uma belíssima atividade à disposição na quinta – a casa do caseiro (fora o pleonasmo!), e os escritórios.

Mas falando do mais importante… a minha suite!
Ficamos na suite Jardim, que como o próprio nome indica, tinha acesso direto a um jardim imenso, quase como um recanto privado de natureza só para mim!

Bem, existem quartos, e depois existem aqueles lugares que te fazem querer viver lá! E este local fez-me sentir precisamente isso.
A sensação que eu tive mal entrei foi a de que poderia facilmente viver ali, principalmente porque a decoração tinha a combinação perfeita de história, rusticidade, elegância e luxo.


O branco das paredes transformava o quarto num ambiente sóbrio, enquanto a pedra que se fazia sentir em pequenas zonas lhe dava a rusticidade na medida certa, o mobiliário era o elemento história, cada peça já tinha tido uma outra função, sendo à posteriori recuperada, até a porta que nos dava acesso do quarto à sala foi noutra vida a porta de casa da avó de Pedro!

A cama, além de gigante, como eu adoro, deve ter sido das mais confortáveis onde já dormi.


A sala, que era simultaneamente cozinha, sala de estar e sala de jantar mantinha a mesma decoração e elegância do quarto, peças de arte, mobiliário acolhedor, rusticidade certa, e luz, muita luz, vinda das janelas meticulosamente enquadradas. Daqui tínhamos acesso ao jardim, como que um pedaço de paraíso só para nós! 
Por esta altura já devem estar a perguntar-se, e a divisão preferida da Cíntia?
Bem, deixem-me falar-vos do quarto de banho…
Meu Deus… para começar, um chuveiro onde caberiam facilmente meia dúzia de pessoas!!! Lavatórios duplos, que diga-se, é o melhor conceito que há, uma banheira plantada distante da parede, pormenor perfeito de decoração, muito mais interessante que aquelas banheiras que são um prolongamento da parede, e livros como detalhe decorativo, eu canso-me de referir isso, haverá melhor peça de decoração que um livro? Não, não há! E olhando para a fotografia vocês conseguem perceber a minha paixão pelo quarto de banho, mas há algo que aqui não se percebe, o chão aquecido, e isso é uma das maiores qualidades que um quarto de banho pode ter!

Sabem? Definitivamente, o luxo está nos detalhes!

Um dos melhores quartos onde já estive, sem dúvida!

Outro dos pormenores que me fascinou na Quinta do Ameal foi o facto de me sentir em casa de família, o facto de sentir aquele mimo sempre presente, em pormenores tão perfeitos como o de acordar de manhã com uma cesta de pequeno almoço à porta.

Óbvio que esse pequeno almoço foi tomado no jardim, e acompanhado com o som mais sublime de todos, o som da natureza!

Quanto a refeições, a quinta não tem restaurante (ainda!!!) mas garante refeições prontas a qualquer hora, que poderão ser aquecidas e/ou preparadas na sua suite ou na sala principal da Casa Grande, assim não temos sequer que nos ausentar. Mas, Ponte de Lima é igualmente um local de boa comida, por isso se precisarem, a equipa da Quinta do Ameal tem uma série de boas opções para vos indicar.

Sala Principal

Falando um pouco desta sala, segue a mesma linha dos quartos, decoração com pormenores contemporâneos, conforto em cada detalhe e elegância. Esta sala é equipada também com cozinha, que se transformou num local perfeito onde pudemos cozinhar e ter um jantar de amigos com boa comida, boa música e bons vinhos! Foi um serão perfeito!

Por falar em bons vinhos, é isso mesmo que se produz nesta Quinta, alguns dos melhores vinhos brancos produzidos na região dos Vinhos Verdes e em Portugal. Pelo que, como sabem, lá fomos “forçados” a uma prova dos vinhos da Quinta do Ameal, que serviu da aquecimento para o excelente serão que referi.

Quinta do Ameal Escolha

Como vêem não tivemos problemas de sede

Entre os vinhos provados, destaque para as colheitas de 2015 quer o Escolha, quer o Solo Único estavam em excelente forma, mas aquele que facilmente nos conquistou foi o Loureiro de 2007, a provar a grande capacidade de envelhecimento dos vinhos e a sua elegância.

Quem optar por se hospedar na Quinta do Ameal com amigos ou até mesmo em família, para estes o ideal será a Casa entre Bambus e Vinhas, pois é uma autêntica vivenda, com dois quartos enormes, e zonas comuns que fazem o sonho de qualquer mortal.

Outra das particularidades desta casa, é o incrível e bem asiático chuveiro exterior, que nos remete de imediato para aqueles lugares exóticos espalhados pelo mundo, este pormenor encontra-se também presente na Suite Camélia.

Suite Glicínia

A verdade é que estes detalhes e recantos que distinguem um local do outro não seriam possíveis sem a visão e a cultura de viagem de quem os pensou, e efetivamente nisso o Pedro foi exímio.

A Quinta do Ameal e o seu projeto Ameal Wine & Tourism Terroir são o refúgio perfeito para quem quer abstrair-se e procurar um pequeno pedaço de paraíso na terra.

A natureza bruta, mas simultaneamente pura e virgem, sente-se com uma força que não se traduz em palavras!
Este local tem tanto de genuíno e autêntico como de irreal!

Obrigada Pedro e equipa da Quinta do Ameal por todo o mimo!

Até breve…

Quinta do Ameal – Wine & Tourism Terroir
Quartos a partir de 230€
4990 – 707
Refóios do Lima Ponte do Lima – PORTUGAL
+351 258 947 172
quintadoameal@netcabo.pt

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Quinta do Ameal a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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