Bolonha

bolonnha1Piazza di Neptuno

Bolonha é a capital e a maior cidade da região da Emília-Romana, localizada no Norte de Itália. É uma cidade universitária animada e cosmopolita, com séculos de história, arte, gastronomia incrível, música e cultura.

Tagliatelle al ragù no La Montanara

Nem sempre Bolonha suscita o interesse de muitos, e mesmo eu, nas várias viagens que fiz a Itália, confesso que não era o local que mais despertava o meu interesse. No entanto, estava redondamente enganada! É uma cidade maravilhosa, cheia de arte, cultura, boa disposição, e com a melhor massa à bolonhesa de sempre, ou melhor dizendo, tagliatelle al ragu (0 melhor que provamos foi sem dúvida o do La Montanara – ver)! Sim, a gastronomia é, sem dúvida, o maior ex-libris da cidade, come-se bem e barato!

bolonha2A vista do alto da torre Asinelli 

Bolonha tem origem no povo Etrusco em 510 a.C., passando depois a ser uma colónia romana. Com a queda deste império, fez parte do Império Bizantino. Em 1506 esteve sob controle papal, entre 1796 e 1815 foi ocupada por Napoleão Bonaparte e até 1859 pertenceu aos Estados Pontífices. Durante a Segunda Guerra Mundial foi intensamente bombardeada e com o final do conflito tornou-se no centro italiano do socialismo e do comunismo.

Esta cidade magnifica é conhecida por “La grassa, La dotta, La rossa” (a gorda, a culta e a vermelha).

Bolonha - _21

Bolonha é o local onde foi criada a primeira universidade do mundo ocidental, que ainda hoje funciona (daí a designação La Dotta), daí ser uma cidade com tanta cultura e tão animada, pois está sempre repleta de jovens. Esta universidade foi fundada em 1088 e personalidades como Dante e Petrarca foram professores lá.

Aqui podem visitar o Archiginnasio, que antigamente era o prédio mais importante da universidade, construído no século XVI. Atualmente, contém uma enorme biblioteca municipal, desde 1838. Um dos locais mais interessantes é a Sala de Anatomia do Archiginnasio, toda feita em madeira e decorada com esculturas, esta data de 1636.

A cidade é toda em tom avermelhado (daí a designação La Rossa), devido às suas construções nesse mesmo tom, ao longo de toda a cidade podemos passear nas suas avenidas e vislumbrar todos os seus pórticos, que facilita imenso nas deslocações se estiver a chover ou demasiado calor! Bolonha tem o segundo maior centro histórico conservado da Europa.

Bolonha - _16

A cidade é tipicamente medieval, e os principais pontos a visitar situam-se circundados à zona histórica, nomeadamente ao redor da Piazza Maggiori.

Esta praça foi criada no século XV, e aqui podemos desfrutar de locais de pura história e que nos fará viajar no tempo. A Fontana del Nettuno, símbolo de Bolonha, foi construído em 1566.

Bolonha - _9

Além desta mítica fonte, temos também belos palácios que circundam a praça.
O Palazzo d’Accursio, câmara municipal, que contém obras de arte e história, e tem entrada gratuita.

Bolonha - _11Basilica de San Petronio

Aqui situa-se também a igreja mais importante de Bolonha, a Basilica de San Petronio (entrada gratuita). É a quinta maior igreja católica do mundo, existe desde 1390 e foi erguida em estilo gótico. As obras prolongaram-se por séculos, sendo suposto ser maior que a Basilica de Sao Pedro, em Roma, mas os fundos foram desviados para o Pallazo Archiginnasio e a fachada nunca chegou a ser concluída sequer. No interior abriga várias obras de arte, de autores como Jacopo della Quercia, Lorenzo Costa, Agostino de’ Marchi, Giovanni da Modena e Vignola.

Bolonha - _12Basilica de San Petronio

Na praça fica também o Voltone del Podestà, uma galeria entre o Palazzo di Podestà e o Palazzo Re Enzo, com dois arcos que se cruzam e com uma acústica perfeita, se sussurrarmos num canto de uma das paredes a pessoa que está no canto oposto consegue ouvir-nos.

Bolonha - _30Piazza di Neptuno

O Palazzo Re Enzo foi construído em 1245 como uma extensão do Palazzo del Podestà, insuficiente para as exigências da comuna de Bolonha. À direita do palácio está o acesso à capela de Santa Maria dei Carcerati, onde iam os condenados à morte.

Outro local de interesse histórico e que nos oferece o esplendor de toda a cidade, devido à sua vista de cortar a respiração, são as torres de Bolonha, que se avistam da praça. Asinelli e Garisenda são algumas das que subsistem do período medieval dum total de mais de 100.
Asinelli é a mais alta, com cerca de 97m, construída em 1119, conta com 498 degraus, daqueles antigos e ingremes, eu quase entrei em pânico a subi-los, mas depois de chegar ao topo valeu bem a pena, a vista é deslumbrante!

Bolonha - _27Estátua de San Petronio entre as duas torres

Garisenda tem apenas 47m e apresenta alguma inclinação, é da mesma época que a torre anterior mas devido ao solo onde foi construída foi inclinando com os anos, e por isso teve que ser diminuída no século XIV para não cair.

Um dos locais que suscitou bastante o meu interesse foi a Abadia de Santo Stefano. Um dos mais antigos e valiosos exemplos arquitetónicos da cidade, representa um conjunto de quatro igrejas dum total de sete, dentro duma só.

abadia bolonha1Abadia de Santo Stefano

Além destes pontos de interesse que eu tive oportunidade de visitar, Bolonha conta ainda com muitos outros, como o Santuário de San Luca que fica no alto de um monte, afastado do centro da cidade. A cidade tem também imensos museus, o Museu Arqueológico com peças e relíquias egípcias, gregas, romanas e etruscas, o Museu Medieval com peças da época, e o Museu de História de Bolonha.

Bolonha - _25

Mesmo que não visitem muitos locais, não se preocupem, Bolonha é um Museu a céu aberto! Podem simplesmente passear por toda a zona histórica e absorver  a energia da cidade, repleta de animação, com ruas preenchidas  de bares, cafés, restaurantes e mercados.

Podem comprar produtos incríveis nos mercados, desde frutas, queijos, enchidos, e produtos tradicionais do melhor que há em Itália. Sendo imperdível o Mercato di Mezzo nas imediações da Piazza del Neptuno com origem nos antigos mercados romanos (ver). Aproveitem para usufruir de uns aperitivos nos diferentes bares durante a Happy Hour (preço bastante acessível) entre as 18h e as 21h (por norma), e beber a bebida tipica, o Spritz, à noite podem desfrutar da energia das ruas repletas de universitários. Bolonha é uma cidade cheia de vida e com uma jovialidade sempre presente.

bolonhamezzo1Mercato di Mezzo

Bolonha é o local perfeito para se fazer uma viagem gastronómica! Os melhores gelados que já comi foram em Bolonha (Gelataria Saverio – ver), excelentes pratos de pasta, e a preços bastante recomendáveis! Não precisam fazer uma viajem prolongada por Bolonha, bastam alguns dias, podem aproveitar para voar para o aeroporto de Bolonha, ficar lá uns dois dias e depois apanhar o comboio e aproveitar para conhecerem outras cidades, quer as próximas de Bolonha, na Emilia-Romana, quer cidades um pouco mais distantes, como Florença, por exemplo.

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Ou então, façam apenas um “retiro gastronómico”, não se irão arrepender!

Mas, decididamente, não percam esta cidade!

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Fotos: Flavors & Senses

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Solar Bragançano – Bragança

Solar Bragançano - 1 Num Antigo Solar do séc. XVIII nasceu, há quase três décadas, um restaurante que representa Trás-Os-Montes como nenhum outro, falo do Solar Bragançano, a par do castelo, é uma das principais atrações da cidade de Bragança. Além disso, foi também um dos nomeados na categoria “Fora de Portas” para os  prémios “Flavors & Senses – Os Melhores Para 2015″ (ver).

O conceito é aparentemente simples, dentro do casal fundador, Ana Maria gostava de cozinhar e Desidério Rodrigues gostava de caçar, pelo que se foram especializando em pratos de caça, em que a servem cozinhada em Potes de Ferro colocados na lareira, como muito poucas pessoas ainda o fazem durante o Inverno nas suas aldeias.

Assim, a palavra que mais impera nesta casa é tradição, desde a traça do antigo solar ao qual “roubaram” o nome, às suas salas com mesas bem dispostas, ao linho e loiças com tanto de histórico como de romântico, até à sua cozinha com uma carta fixa há quase trinta anos, em que apenas vão rodando os acompanhamentos da época.

Solar Bragançano - 2

Já no interior somos recebidos por Desidério, que com a casa cheia de turistas e emigrantes que em Agosto voltam às suas origens, nos guiou gentilmente até à mais romântica das salas, o jardim, decorado com bonitas mesas de ferro, e muitas, muitas plantas. Não podia ter pedido melhor cenário para um almoço de Verão no interior do País!

Já instalados fomos dando início à refeição com um maravilhoso pão torrado com azeite transmontano e um pouco de pimenta, enquanto as restantes entradas iam sendo preparadas.

Solar Bragançano - 9 Alheira, Queijos e chouriça

Mesa transmontana é uma mesa farta e isso nota-se pelas entradas que nos foram surgindo na mesa, três tipos de queijo bem distintos, com destaque para o queijo curado com sementes de funcho produzido na região. Boa chouriça, e claro a alheira, assada na brasa como manda o histórico transmontano, esta revelou-se única, rivalizando com aquelas que cresci a comer, feitas com a mão certeira da minha avó. Houve ainda espaço para um pouco de salada de orelha, preparada de forma exímia e tempero certeiro, com o pimento a elevar os sabores.

Solar Bragançano - 7Salada de Perdiz (7,50€)
Delicada e suculenta a Perdiz desfiada em jeito de escabeche. Acompanhada e muito bem por uns deliciosos tomates do campo, azeitonas e couve roxa, que cortaram facilmente com a untuosidade da perdiz. Se os aperitivos já tinham sido um grande sinal, este modesto prato arrasou com as expectativas!

Solar Bragançano - 6Faisão com Castanhas (14,5€)
Para os pratos principais não podíamos fugir ao pote e à caça, primeiro um Faisão, cozinhado lentamente com castanhas. Carne delicada de sabor bem marcado. A acompanhar muito bem com o puré de maça, que não só corta a “força” da caça como lhe acrescenta cremosidade e ligação. Muito bom.

Solar Bragançano - 5Javali à Campesino, estufado em pote de ferro ao lume (14,5€)
Confesso que javali é uma das minhas carnes de eleição, tendo crescido a comê-lo regularmente (vantagens de nascer transmontano). Ana Maria prepara-o de forma exímia, suculento, tenro e repleto de sabor. O tempero é certeiro e a castanha ajuda a transportar-nos para as mesas transmontanas de outros tempos. Muito boa também a ligação com a maça ligeiramente cozinhada com compota de frutos vermelhos, a acidez e doçura a complementar muito bem o javali.

Solar Bragançano - 4Abóbora Dourada (4€)
Esta sobremesa é uma das sugestões de Ana Maria, um doce de Abóbora bem preparado com os seus fios bem visíveis, como é tradição na região, e gemas de ovo, criando uma sobremesa que poderia ser uma bomba de doçura mas não foi, o doce estava lá na medida certa. Delicada e Deliciosa.

A carta de vinhos contempla todas as grandes referências nacionais, com destaque para alguns vinhos antigos, os vinhos do Douro e claro, os vinhos Transmontanos. E se nas louças e faqueiros o restaurante não falha, os copos também não ficam atrás, com uma boa seleção de copos de qualidade para os mais diversos vinhos. A harmonizar com esta refeição esteve o branco da casa, Solar Bragançano de 2013, produzido no Douro, um vinho leve e frutado de fácil degustação e o Quinta da Leda 2011, um dos vinhos emblemáticos da Casa Ferreirinha, num dos seus melhores anos. Um grande, grande vinho, repleto de elegância e complexidade que se tornou uma companhia mais que perfeita para estes pratos de caça.

O serviço é também ele único, e segue os passos dessa mesma tradição, a cozinha marca os tempos do serviço, e os pratos demoram o que tiverem de demorar, porque quem manda é a lareira e o fogão a lenha e não há tempo para pressas numa casa como o Solar Bragançano. Na sala e em dia de casa cheia, tudo vai decorrendo normalmente, com uma simpatia genuinamente transmontana e a mão única de Desidério, que entre, sugestões, histórias e brincadeiras nos faz sentir em casa!

Considerações Finais
Posso facilmente assumir que o Solar Bragançano, além de ter merecido a nomeação e muito mais, é o porta estandarte da gastronomia transmontana, um hino à tradição e o cartão de visita da cidade de Bragança. Uma sala que junta embaixadores com filhos da terra saudosos das suas memórias gustativas e viajantes recomendados pelos mais importantes guias. Um restaurante em que viajamos no tempo, para pratos de apurado sabor cozinhados a baixa temperatura com a roner e o sous vide a serem substituídos pela brasa e o pote, luz de velas e serviços de prata num ambiente histórico e charmoso do qual não apetece sair. É sem dúvida uma casa transmontana, em que somos recebidos não só como clientes mas como parte da família aos quais se serve o melhor que a terra tem para oferecer. Agora resta-me o desejo de aqui voltar durante a época da caça e provar todos estes pratos, no pico da sua forma e excelência, será certamente um deleite.  Até Breve!

Solar Bragançano
Praça da Sé, 34 – Bragança
273 323 875

English Version

Nota
A refeição descrita foi oferecida pelo Solar Bragançano, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

Fotos: Flavors & Senses

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Passear por Veneza de Gôndola

Veneza - _39Pois é, muitos se questionam se vale a pena fazer este passeio que tem tanto de turístico como de romântico. Querem a minha opinião? Vale MUITO a pena, não deixem de o fazer, não se privem desse momento nas vossas vidas!

Mas, há uma série de coisas que têm que ter em conta para que tudo corra da melhor forma e para que não se arrependam de seguir o meu conselho!

1. Não cometam o erro de apanhar uma Gôndola na Praça de São Marcos, é mais caro com mais “caça” ao turista e com gondoleiros menos experientes ou apaixonados, se a apanharem aqui custa-vos cerca 100€ a 120€, se forem passeando a pé pela cidade e a apanharem num pequeno canal, numa pequena ruela, fica-vos por cerca 80€.

2. Escolham um Gondoleiro mais velho, não quer dizer que seja “o certo”, mas a probabilidade de ter mais experiência e já trazer toda a tradição com ele é muito mais elevada.

3. O passeio de Gôndola tem um preço por passeio de cerca de 40min  e não por pessoa, o que faz com que também o viajante Low Cost não deva abdicar do passeio, podendo dividir a gôndola com outros turistas ou casais.

4. Regateiem o preço, eu sei que regatear com um italiano nunca poderá ser uma boa opção, mas se regatearem, o preço pode acabar por baixar!
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Além de uma viagem romântica, um passeio de Gôndola é uma autêntica aula de história. Tivemos a sorte de calhar com um gondoleiro fantástico que tinha a profissão bem enraizada na família, que já vinha desde o seu avô, e que acabou por se revelar um excelente guia turístico. Além de que se revelou também um romântico e um bom cantor, pois num momento de perfeito silêncio, após nos ter indicado que estávamos a chegar à Ponte dos Suspiros, e que para dar sorte ao nosso amor deveríamos beijar-nos ao passar por baixo da ponte, qual não é o nosso espanto quando ele começa a cantar “Besame Mucho“.

Bem, só me resta desejar-vos uma experiência tão perfeita como a nossa!
Veneza - _45Agora Procurem por este senhor, normalmente num canal próximo do Campo San Moisè

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Artigo completo sobre Veneza

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Fotos: Flavors & Senses

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Top 10 – O que ver em Veneza

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Veneza… Poucos locais são tão desejados como esta cidade, acho que não deve haver muitas pessoas que não sonhem conhecer Veneza. Esta cidade é um dos maiores símbolos do romantismo, e uma das que melhor fica nas fotografias de recordação.
É mágica, é romântica, é única, é histórica, é monumental e é de cortar a respiração!
Visitei Veneza durante uma viagem por várias cidades de Itália, e não minto, quando vos digo que na viagem de comboio desde Florença, até me sentia nervosa, tal era a minha expectativa sobre a cidade!

Quando chegamos à estação de Santa Lucia saí do comboio um pouco a medo, sabia que ia gostar de Veneza mas isso não me chegava, queria amar e não simplesmente gostar, queria deslumbrar-me, queria emocionar-me, queria poder dizer a todas as pessoas que me tinham dito que me ia desiludir que eram completamente malucas!

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E assim foi! Mal pus os pés em Veneza fiquei com taquicardia, com taquipneia, excitadíssima mesmo!!! Fiquei desorientada com a imensidão de água, com as pontes, com a arquitetura dos edifícios, com todo o conjunto de magia e mistério que a cidade apresenta e dei também por mim a divagar como era possível nos dias de hoje ainda termos algo assim, tão mágico e tão magistral! E a perguntar-me que raio de cidade aquelas pessoas tinham visto para me dizerem que me ia desiludir! Não era Veneza, de certeza! Sim, eu sei, tenho que me habituar que somos todos diferentes, que os gostos não se discutem (lamentam-se!), etc etc etc…. Por favor!!! É VENEZA!

Claro que eu, como sempre, sendo uma mulher cheia de sorte, apesar de ter ido em Outubro, estava um tempo maravilhoso com o sol a incidir na água e a enaltecer ainda mais os encantos da cidade. Há quem refira que por vezes cheira mal, principalmente quando chove, e há inundações, mas o que é que vocês esperam? São canais de água em vez de ruas, com séculos e séculos de história e que como é óbvio, algo que se tem conseguido manter inalterado ao longo dos tempos também tem de ter os seus pontos negativos. Mas dizer que a cidade não é bonita ou que não vale a pena visitar por causa do cheiro ou porque é velha, por favor!

Embora não haja grande registo histórico sobre a origem de Veneza, pensa-se que esta terá tido o seu início no século V, com habitantes vindos de outras cidades romanas, que aqui se refugiavam devido às sucessivas invasões a que a Península Itálica estava sujeita.
No século X esteve entregue ao império Bizantino, tornando-se independente e evoluindo imenso através da localização privilegiada, o que lhe permitia unir o comércio ocidental e oriental.
No entanto, os Portugueses (sim, Nós!) descobriram o caminho marítimo para a Índia e para a América, deslocando as rotas do comércio, e Veneza viu-se obrigada a sustentar uma luta esgotante contra os otomanos.

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No século XVIII Napoleão Bonaparte conquistou Veneza, depois passou a pertencer aos austríacos, até 1866 com a unificação de Itália.
Veneza é realmente uma cidade diferente e única.
A cidade está coberta por 177 canais, 400 pontes e 118 ilhas, estando localizada entre a foz do rio Ádige (a sul) e do rio Piave (a norte). O centro histórico é totalmente pedonal e os barcos são o único meio de transporte na zona. Os Vaporetti são os transportes públicos, cujo itinerário mais bonito é o 1º, que segue pelo Grande Canal. Podem deslocar-se neles para as várias zonas da cidade. Para um transporte mais luxuoso e rápido podem optar pelos Taxis aquáticos, para uma viagem diferente, mais romântica e mais intimista podem sempre deslocar-se de Gôndola, e aconselho-vos a não deixarem de o fazer, pois é um dos momentos altos de visitar Veneza.

A comuna de Veneza não está dividida, ao contrário do que é habitual em Itália, em frações comunais. O centro da cidade segue uma tradição de divisão em bairros chamados sestieri. Contam-se seis:
Cannaregio – que contém a estação ferroviária de Venezia Santa Lucia.
Castello – o mais oriental.
Dorsoduro – o mais meridional de Veneza.
San Marco – constitui o coração da cidade e inclui a Praça de São Marcos, a Basílica e o Campanário.
San Polo – o menor, de um dos lados da ponte de Rialto.
Santa Croce – o mais ocidental.

Passear em Veneza, seja a pé ao longo das magistrais praças, ou de barco pelos canais, é o mesmo que passear dentro dum museu!

Tudo tem história nesta cidade, mesmo que não visitem o interior de nenhum local, só deambular pela cidade já nos aquece a alma.
No entanto, há locais imperdíveis, por isso preparei-vos um Top 10, ciente de que há muito mais para visitarem, mas quem é apaixonado por esta cidade (como eu) certamente irá voltar, por isso, numa primeira visita podem optar por estes locais.

Para visitar estes locais com desconto ou gratuitamente e sem se aborrecerem em filas podem sempre adquirir o Venezia city pass.

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Se formos percorrendo o Grande Canal podemos ir observando os magníficos locais a visitar do nosso Top 10, por exemplo:

De Santa Lucia a Rialto

Ca´d´oro
Encomendado em 1420 por Marino Contarini, este prometia ser o palácio mais imponente da cidade! A sua fachada é ornamentada da forma mais requintada para a época de construção, que inclui folha de ouro, cinabre e azul-marinho. Ao longo dos séculos o palácio foi sendo remodelado e chegou a estar ao abandono até que em 1846 foi adquirido pelo príncipe russo Troubetzkoy para oferecer à bailarina Maria Taglioni. Este foi restaurado de uma forma bastante agressiva, sofrendo várias alterações, como por exemplo, perder a sua esplêndida escadaria. Felizmente, este foi salvo pelo Barão Franchetti em 1915, que legou quer o edifício quer a sua coleção privada ao estado.

Apesar do edifício por si só já valer a pena a visita, aqui podemos encontrar obras de Andrea Mantegna, Tulio Lombardo, Giovanni Bellini, Ticiano, entre outros.

Ca´Pesaro
Este Palácio do século XVII é o maior exemplo do Barroco Veneziano com colunas clássicas e uma ornamentação rica mas subtil. O grandioso palácio, agora sede da Galeria Internacional de Arte Moderna (Galleria internazionale d’arte Moderna) e do Museu de Arte Oriental (Museo d’arte Orientale) de Veneza, foi projectado no século XVII pelo arquitecto Baldassarre Longhena por vontade da riquíssima e nobre família Pesaro. Este só ficou concluído pelas mãos de Gian Antonio Gaspari, que o completou em 1710, respeitando o projecto original. Passando depois por diferentes famílias, foi adquirido pela Duquesa Felicita Bevilaqua La Masa, que o destinou a tornar-se numa galeria de arte moderna.

Veneza - _13Ponte Rialto

Esta é a mais mediática (e consequentemente a mais turística) ponte de Veneza. Esta zona foi das primeiras a ser habitada, sendo inicialmente uma zona bancária, transformando-se depois numa zona mercantil. Desde o século XII que já havia pontes, no entanto, de material e construção diferente, como de madeira, por exemplo. Só em 1588 é que foi construída a Ponte Rialto, terminando em 1591 e sendo a única que garantia a passagem a pé pelo Grande Canal. Esta dá acesso ao Rialto Mercato, com a Erberia, mercado de fruta e legumes, e a Pescheria, mercado de peixe.

Veneza - _47

De Rialto a San Marco

Ca´Rezzonico
Este edifício começou a sua construção em 1667, passando de família em família que normalmente esgotavam o seu dinheiro na construção do Palácio. Tem salas decoradas com frescos, pinturas e peças do século XVIII que ilustram bem a Veneza da época.
Uma das grandes atrações do palácio é o magistral salão de baile de Giorgio Massari.

Accademia
Aqui podemos encontrar a maior coleção de pintura veneziana do mundo.
Desde o Bizantino ao Barroco, passando pelo Renascimento, na Accademia reúne-se o panorama completo da Escola de Veneza.

Esta foi criada a partir das obras da Academia di Belle Arti fundada em 1750 pelo pintor Giovani Battista Piazeetta, à qual se uniu, em 1807, obras de arte de igrejas e mosteiros, retiradas por Napoleão Bonaparte.

Veneza - _32Santa Maria Della Salute

Esta grandiosa igreja barroca é um dos principais marcos arquitetónicos da cidade. Foi construída em 1630 por Baldassare Longhena, que trabalhou nela até ao fim da sua vida, apesar de esta só ter ficado terminada 5 anos após a sua morte, em 1687. A igreja foi construída para agradecer a salvação da cidade da peste de 1630, daí o nome Salute (saúde e salvação).
Aqui podemos encontrar obras de Giusto Le Corte, Ticiano, Tintoretto.

Desembarcando em algumas das zonas emblemáticas da cidade, e percorrendo rua a rua também vamos descobrindo as maravilhas que Veneza tem para nos oferecer, como por exemplo:

Zona de San Polo

Santa Maria Gloriosa di Frari
Mais uma majestosa igreja de estilo gótico. Entre 1250 e 1338 foi mandado erguer pelos franciscanos o primeiro templo neste local, mas só em meados do século XV se elevou tão monumental edifício na mesma zona. Possui verdadeiros tesouros no seu interior, como A Assunção da Virgem de Ticiano, A Virgem e o Menino de Bellini, o Campanile com 83m de altura, o maior a seguir ao de San Marco, entre muitos outros.

Scuola Grande di San Rocco
Este magnífico exemplo de arte é muitas vezes apelidado de Capela Sistina de Veneza!
A sua construção iniciou-se em 1515 com Bartolomeo Bon, e posteriormente com Scarpagnino, e foi realizada em honra de San Rocco, um santo que dedicou a sua vida a ajudar os mais doentes. Esta começou por ser uma simples confraria da caridade mas rapidamente se tornou uma das mais ricas de Veneza. Em 1564 a decoração das paredes e teto ficou a cargo de um dos génios renascentistas, Tintoretto. Das suas obras notáveis aqui presentes destacam-se A Crucificação, A Fuga para o Egipto e A Tentação de Cristo.

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Zona de San Marco

Veneza - _26A Piazza San Marco é “A mais elegante sala de recepções da Europa”, como a descreveu Napoleão, e é provavelmente um dos locais mais visitados do mundo.
Aqui podemos encontrar dois dos pontos mais importantes do Top 10 que vos preparei.

Veneza - _27Basílica di San Marco

Esta é a mais famosa basílica de Veneza e consegue conjugar os mais belos estilos arquitetónicos quer do oriente quer do ocidente.
Este é o terceiro templo cristão erguido neste local, uma vez que antes já havia um santuário onde jazia o corpo de S. Marcos no século IX, e posteriormente foi construído um segundo edifício que depois foi demolido para que se pudesse erguer a Basílica que vemos hoje. Foi construída segundo um plano em Cruz grega e coroada com cinco cúpulas.

Esta foi inspirada na Igreja dos Apóstolos em Constantinopla. Conta a história que todos os barcos que regressavam das suas viagens tinham que trazer um presente precioso para ornamentar ainda mais a Casa de San Marco. O seu interior é de uma beleza magistral, revestido com mosaicos deslumbrantes, que decoram a basílica combinando a inspiração bizantina e ocidental, podem também encontrar-se muitos desenhos de Tintoretto, Ticiano, Veronese, entre outros.

O maior ex-libris da Basílica é a Pala D’ Oro, este consiste em 250 painéis cobertos com folha de ouro com uma moldura gótica de ouro. Napoleão apoderou-se de algumas das suas preciosas pedras, mas este mantém ainda hoje as suas safiras, rubis e ametistas. A basílica apresenta também um museu, Museo Marciano, onde se encontram os célebres cavalos de bronze cuja sua origem, romana ou helénica, se mantém um mistério.

Enfim, que mais dizer, estamos perante uma das mais belas basílicas do mundo!

Veneza - _21Palazzo Ducale

A antiga sede do poder político é um autêntico triunfo da arquitectura gótica. Este foi a residência oficial dos governantes de Veneza e foi fundado no século IX. Temos obras de Tintoretto, como O Paraíso que ornamenta a parede da Sala del Maggior Consiglio (onde os membros do conselho se reuniam). A visita ao longo deste edifício transporta-nos para outro local, ao conduzir-nos através de salas e átrios ricamente decorados. Estes dispõem-se ao longo de três pisos até à famosa Ponte dos Suspiros que liga o palácio às prisões, o seu nome deve-se aos suspiros dos presos quando aqui passavam e tinham uma visão única para o exterior.
Sem dúvida, um local a não perder.

Veneza - _30

Sim, tenho que admitir, Veneza é uma das cidades que trago no meu pensamento a cada segundo, é uma das cidades mais maravilhosas que já visitei, esqueçam o facto de ela estar repleta de turistas, pois se está, é um excelente sinal, é sinal de que à semelhança de vocês também os outros estão a tentar ser felizes! Esqueçam os cheiros desagradáveis (se é que os vão sentir) e usufruam dum dos mais esplendorosos locais de todos os tempos.

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Veneza - _10           Veneza - _5          Veneza - _3

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Fotos: Flavors & Senses

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Cantina 32

Cantina32 - 1

A Cantina 32 é um espaço que dispensa apresentações, em pouco mais de um ano já ocupou linhas nas mais variadas publicações nacionais e internacionais (onde se inclui o NY Times), blogs e redes sociais. Pelo meio conseguiu ainda o “fantástico” título de Restaurante Revelação nos prémios Flavors & Senses – Os Melhores Para 2015 (ver).

O conceito é relativamente simples, uma cozinha descomplicada em que o objectivo é a partilha e a interacção entre comensais e equipa, criando um ambiente familiar. Para isso conta com a assinatura de Luís Américo, famoso pelas suas pizzas ou a sua grelha, mestre por pratos como o fondant de abóbora ou o bacalhau em massa de pão que lhe valeu o título de Chefe Cozinheiro do Ano em 2004.

Cantina32 - 2

A decoração, a cargo da co-proprietária Inês Mergulhão, é um dos chamarizes do espaço, com um ambiente que mistura na perfeição o industrial chic, com o vintage e o rústico, criando um ambiente informal e cosmopolita em que é fácil sentir-se bem.

Desde a abertura que estão quase sempre cheios, num misto de portuenses e turistas, pelo que se tornou num dos restaurantes da cidade onde é mais difícil conseguir uma mesa – reserva obrigatória e a antecedência é a alma do negócio!

Mas passemos ao verdadeiramente importante, a mesa. Já instalados começamos pelo couvert (1,80€ p.p.), bom pão, uns divertidos tremoços e uma interessante manteiga de banana, que nos traz facilmente memórias de pão com banana e marmelada! Passando os olhos pela lista, encontramos os pratos divididos em categorias, “Picar, Petiscar e Partilhar”, “Sanduíches e Coisas do Género”, “Saladas e Sugestões Mais Ligeiras” e “Propostas verdadeiramente Sérias”.

Começamos por uma série de petiscos que rapidamente surgiram na mesa e ao mesmo tempo, para nos dificultar um pouco a vida!

Cantina32 - 5Salmão Curado em Mostarda, laranja, molho de chalotas e ovo raspado (8,50€)
O salmão curado é uma das imagens de marca do espaço e algo a que dificilmente resistimos quando aparece numa carta. Boa cura, bom molho com aneto e a chalota a criarem uma boa dimensão de sabores, também a laranja funciona bem com a sua frescura, embora a preferisse mais ácida. Interessante também 0 ovo e o ralador, em jeito de faça você mesmo. Muito bom.

Cantina32 - 6Portobello com queijo de cabra caramelizado, barriga fumada e compota de pimentos (8,50€)
Um prato aparentemente simples, que vive do jogo de texturas  bem conseguido e boa ligação entre os elementos dada pela compota de pimentos.

Cantina32 - 4Paté de fígado de Pato com compota de frutos vermelhos e aniz (8,00€)
Os meus queridos patos e gansos que me perdoem mas raramente consigo resistir aos seus fígados. Aqui apresentado numa generosa terrina, à temperatura certa e com uma gulosa compota de frutos vermelhos que balançou muito bem a gordura da terrina. A melhor das entradas.

Cantina32 - 7Cachaço de Porco Bísaro, arroz de cogumelos e castanhas (20€)
Excelente a carne, cozinhada à temperatura correta, húmida e a desfazer, e sabor delicado. O arroz que a acompanhava tinha tudo para dar certo, não fosse a quantidade excessiva de sal.

Cantina32 - 8Cheesecake de banana caramelizada e chocolate (3,5€)
A apresentação deste cheesecake, embora não seja original (lembro-me por exemplo de Heston Blumenthal apresentar um Tiramisú no mesmo registo), faz as delícias dos clientes e é certamente um dos mais pedidos/comentados/fotografados pratos do Cantina 32. A terra à base de bolacha de chocolate (estilo Oreo), contrasta bem com a combinação clássica de banana e caramelo. A sobremesa falha na textura demasiado gelatinosa do cheesecake. Um caso em que o olhar vence o sabor.

A carta de vinhos é um dos pontos menos interessantes deste restaurante, a oferta de vinho a copo é boa mas a quantidade e seleção dos vinhos é curta. Esperava algumas sugestões mais irreverentes e “fora da caixa”, um pouco à semelhança do espaço. Acabamos a acompanhar a refeição com um Diálogo Branco 2013 da Niepoort (15,5€).

O Serviço é o mais informal e divertido possível, embora deva confessar que gosto de criar alguma empatia com quem nos serve e isso torna-se difícil quando somos atendidos por todos os elementos da brigada. Ainda assim é de louvar a rapidez e eficiência em noite de casa cheia.

Cantina32 - 3

Considerações Finais
Tudo que Luís Américo faz, normalmente faz bem, seja em conceitos simples com uma fórmula quase matemática ou com propostas um pouco mais arrojadas, e este Cantina 32 não é excepção. Um conceito muito bem criado e estudado, uma cozinha honesta e quase familiar com uma roupagem divertida que cativa o interesse dos comensais, onde é possível comer por pouco dinheiro ou por 40€ p.p., abrindo  a porta todo o tipo de clientes.

É, sem dúvida, um espaço em que um ou outro erro não nos tira a vontade de voltar, está-se muito bem nesta Cantina e o repasto é reconfortante, e o seu sucesso é prova disso mesmo! Mas é também um espaço que me faz sonhar com outros pratos sabendo que a capacidade de Luís Américo vai muito além da comfort food. Talvez um dia! Ou então marcamos uma viagem para Macau!

Cantina 32
Rua das Flores, nº 32 – Porto
+351 222 039 069

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Lisboa – Um fim-de-semana a passear pela Baixa

Lisboa2015 - 60
É certo que aquilo que me dá mais prazer na vida é viajar (comer e beber também, claro) mas isso nem sempre implica sair de Portugal.

A nossa Terra é perfeita (sim, eu sei, sou suspeita), tem um pouco de tudo, praia, rio, montanha, campo, história, gastronomia, um povo simpático, segurança e muito, muito mais, a verdade é que me dá um gozo enorme andar a percorrer o meu país!

Por isso, desta vez vamos “viajar” um fim-de-semana pela capital.

Lisboa2015 - 35Vista do Castelo de São Jorge

Há umas semanas atrás deslocamo-nos a Lisboa para experimentar duas novidades hoteleiras, o magnífico PortoBay Liberdade (ver), e a estonteante Pousada de Lisboa (ver), o que nos permitiu aproveitar para revisitar uma das nossas cidades de eleição.

O tempo era curto, e de trabalho (sim, porque isto parece, mas não é só boa vida!) e dessa forma optamos por deambular pela Baixa.

 Lisboa2015 - 55A Visão de Marquês de Pombal, patente no Arco da Rua Augusta

Lisboa tem uma história e cultura sem igual, já passou por um período neolítico, romano, muçulmano, e sob a alçada de Afonso Henriques no século XII foi reconquistada, mantendo-se desde então como o centro político, financeiro e cultural do país. Após o terramoto de 1755, a visão do Marquês de Pombal trouxe à cidade o glamour e a elegância das grandes cidades europeias.

Portobay - 11mNo dia em que chegamos já era tarde e por isso ficamo-nos pelo PortoBay, a relaxar no jacuzzi do Deck7 e mais tarde a jantar no Bistrô4 (e que jantar! – ver).

Noite bem dormida, energias recarregadas com um pequeno-almoço digno de Reis, é hora de deambular pela cidade e descobrir a sua verdadeira essência.

Lisboa2015 - 1Príncipe Real

Quem conhece o blog sabe que somos peritos em caminhar horas e horas simplesmente a apreciar tudo que nos rodeia, seja um jardim, um monumento, um edifício mais clássico, outro mais contemporâneo, uma simples loja, uma pastelaria, um parque, uma ruela, ou simplesmente o desenrolar do percurso de cada pessoa com quem nos cruzamos.

Adoramos consumir a vida que cada local nos consegue transmitir, e isso sim, é o mais importante e o mais enriquecedor duma viagem.

Lisboa2015 - 2Príncipe Real

Começamos por passear pela recuperada e agora cosmopolita zona do Príncipe Real, bem localizado no coração de Lisboa, junto ao Jardim Botânico, ao Bairro Alto e a apenas uns minutos a pé do Chiado.

Este local já serviu, outrora, de palco a um mercado de porcos e à feira das Amoreiras. Mais tarde sofreu uma organização diferente, alinhando-se numa praça e também num jardim. Aquele que é atualmente o Jardim França Borges.

O jardim foi concebido segundo o estilo romântico inglês e nele destacam-se várias espécies arbóreas, com um enfâse especial para o enorme cedro-do-Buçaco, com vinte metros de diâmetro (lindíssimo).

Lisboa2015 - 3
No centro da praça do jardim encontra-se um lago circular rodeado por roseiras, sob o qual se aloja o Reservatório da Patriarcal, parte do Museu da Água.

Existem também quiosques, alguns com serviço de cafetaria, onde podemos observar a vida agitada de Lisboa em momentos de pausa!

Em torno do jardim, podem observar-se palacetes do século XIX, como o Palacete Ribeiro da Cunha, de estilo neo-árabe. Ao Sábado é imperdível o Mercado Biológico do Príncipe Real onde se abastecem muitos dos famosos chefs da cidade.

Lisboa2015 - 4

Bem próximo deste jardim, aliás, outrora alimentado pelo reservatório da Patriarcal, encontramos um dos pontos que nos garante uma vista de cortar a respiração sobre Lisboa, o Miradouro de São Pedro de Alcântara.

Este belíssimo local está inserido num jardim com um pequeno lago, cuja imponência da paisagem nos transporta para longe. Aqui vislumbramos o leste da cidade, e a margem sul do rio Tejo.

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Mesmo ao lado do Miradouro temos a mítica Calçada da Glória, que liga o Bairro Alto à Praça dos Restauradores através do seu Elevador, que faz as maravilhas de qualquer lente fotográfica!

Aqui fizeram, há um século atrás, provas de ciclismo, a chamada Subida à Glória, que se retomou agora em 2013.
Esta magnifica obra do ascensor data de 1885 pelas mãos dum engenheiro português mas de origem francesa, responsável por muitos projetos do mesmo género, Raoul Ponsard. Já se fez, outrora, esta travessia à luz da vela, mais tarde, já em 1915 passou a ser movido a eletricidade.

 Lisboa2015 - 10m

Pensamos descer o ascensor, mas como queríamos almoçar na zona do Príncipe Real deixamo-nos ficar cá por cima e optamos por deambular pelas ruas e ruelas do Bairro Alto, que por sinal, são bem mais calmas durante o dia. Apesar de adorar a frenética noite deste bairro, também é bom descobri-lo durante o dia e conhecer as suas verdadeiras origens e gentes.

Lisboa2015 - 12Street Art no Bairro Alto

Sem rumo fomos descobrindo cada ruela estreita, com diferentes bares e restaurantes, com lojas e edifícios seculares e tentando também imaginar como seriam as noites naquele local no antigo século XVI.

lisboa2015- - 1xx

Certamente, tão ou mais animadas que as de hoje, aliás, tudo indica que terá sido um lugar de muita prostituição, mas também, já no século XX, um lugar da boémia lisboeta, frequentado por artistas, escritores e jornalistas, aliás foi a sede de muitos jornais.

A Cevicheria - 1

Já bastante cansados e com fome (algo que, infelizmente, insiste em perseguir-me o dia todo!) voltamos ao Príncipe Real para uma visita ao restaurante do jovem, mas brilhante Chef Kiko Martins, A Cevicheria, descansamos e saímos deliciados com um almoço que ficou na memória (ver).

Preparados para continuar e com um ou outro desejo menos cultural e mais fútil, decidimos ir às compras, e qual o melhor local para o fazer?!

Sim, deve haver vários, eu sei, mas nós optamos pela imensa e famosa Avenida da Liberdade, sim, porque, com muita pena minha, ao Porto falta-lhe uma avenida assim, que reúna as grandes marcas, mas pronto, tem muitos outros encantos, como é óbvio (não quero guerras entre portuenses e lisboetas nos comentários!).

Após o terramoto de 1755, Marquês de Pombal mandou construir o Passeio Público na área atualmente ocupada pela parte inferior da Avenida da Liberdade e Praça dos Restauradores. Inicialmente este era rodeado por muros e portões por onde só passavam membros da alta sociedade. Porém, em 1821, o rei D. João VI ordenou que os muros fossem derrubados para que toda a gente pudesse circular livremente pelo Passeio.

A avenida, como nós a vemos atualmente, foi construída entre 1879/1882 no estilo dos Champs Elysees em Paris e atualmente serve de palco a cortejos, festividades e manifestações, conservando sempre a sua elegância, com fontes e esplanadas magníficas sob as árvores.

Esta liga a Praça dos Restauradores, a sul, à Praça do Marquês de Pombal, a norte.

Lisboa2015 - 53A Ginjinha – um dos clássicos da cidade de Lisboa

Continuamos a descer a Avenida e terminamos na idílica Praça dos Restauradores, enaltecida pelo seu obelisco de 30m de altura, que não deixa esquecer a libertação do país do domínio espanhol de 1640.

Lisboa2015 - 54A Estação do Rossio

Bem próximo desta praça temos uma das mais bonitas zonas da baixa, o Rossio ou a Praça de D. Pedro IV, com a maravilhosa Estação do Rossio a espalhar o seu charme.

Claro que nas zonas mais importantes das cidades, houve sempre um Hipódromo na era Romana (como adoro estes pormenores da história!), e também já foi navegável na era medieval, devido a um afluente do Tejo. Já foi local de feiras e mercados e circundado por vários edifícios importantes, mas os terramotos foram destruindo tudo e as reconstruções foram edificando aquilo que conhecemos hoje.

Nesta praça, que já foi o local de encontro de nomes importantíssimos como o de Bocage, já se viveu de tudo, touradas, feiras, festas, festivais, romarias, decapitações, enforcamentos, paradas militares, festas cortesãs, revoluções populares, e um sem fim de acontecimentos.

Hoje podemos observar momentos da história presentes, por exemplo, na Estátua de D. Pedro IV (vigésimo-oitavo rei de Portugal e primeiro Imperador do Brasil), no Teatro Nacional D. Maria II, e na imponente Estação do Rossio em estilo Manuelino.

Lisboa2015 - 25Chiado

Continuando o nosso percurso, há um local em Lisboa que não consigo deixar de parte sempre que a visito, o Chiado. O mais elegante, boémio e cosmopolita bairro da cidade.

Em 1856, com a criação do grémio literário, o Chiado tornou-se o centro do Romantismo Português, e ponto de passagem obrigatório para quem queria ver e ser visto na cidade.

Em 1988, na madrugada de 25 de agosto, deflagrou um incêndio no edifício Grandela, que viria a tomar proporções enormes e que destruiu parte do Chiado, altura em que este caiu completamente em decadência, tendo sido reavivado durante toda a década de 90 com design a cargo de Siza Vieira.

Lisboa2015 - 26Fernando Pessoa é companhia certa à mesa d’ A Brasileira

Alguns dos grandes nomes da literatura portuguesa estão imortalizados nas estátuas do Chiado, como é o caso da mediática estátua de bronze sentada num banco do Café A Brasileira, de Fernando Pessoa.

Passear por este local por si só já nos enaltece os sentidos mas para quem vai com mais tempo do que nós, há uma imensidão de sítios a entrar, Teatro S. Luiz, Teatro da Trindade, Teatro São Carlos (o único de ópera em Portugal), Museu Nacional de Arte Contemporânea, igrejas barrocas – a Igreja de Loreto e a Igreja Nossa Senhora da Encarnação, o Largo do Carmo com o Museu Arqueológico do Carmo, o mediático Elevador de Santa Justa e a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, entre muitos outros locais de interesse.

Lisboa2015 - 52Elevador de Santa Justa

Terminamos o dia no movimentado Cais do Sodré, entre restaurantes e bares, mas como já não temos capacidade para diversão noturna (pelo menos hoje), optamos pelo Time Out Mercado da Ribeira, e deparamo-nos com a confusão de perceber o que escolher e onde comer (quero provar tudo, quase tudo, pronto!).

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Após algumas indecisões a escolha recaiu sobre o Prego da Peixaria, o João já conhecia, eu não, mas fiquei fã!
O Mercado, que já era bonito, não perdeu a sua traça original, apenas ganhou uma nova dinâmica.

   Lisboa2015 - 19       Lisboa2015 - 20       Lisboa2015 - 21

Barriguinha cheia, vamos lá conhecer e finalizar o dia na idílica Pousada de Lisboa, quem poderia pedir melhor?!

Pousada de Lisboa - 33mQuarto com vista sobre o Terreiro do Paço

Noite perfeita, pequeno-almoço ainda mais perfeito, e rumo a mais um dia a deambular pela Baixa Lisboeta.

Quem leu o nosso artigo da Pousada de Lisboa sabe que esta se situa no antigo Ministério Da Administração Interna em pleno Terreiro do Paço, e foi mesmo por aqui que começamos o nosso dia.

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Este local, também apelidado de Praça do Comércio, uma das maiores da Europa, já foi o local do palácio dos reis de Portugal durante dois séculos, hoje encontra-se ocupado por ministérios.

Esta praça é o elemento fundamental daquele que foi o plano de Marquês de Pombal após o terramoto de 1755 que destruiu o antigo Palácio Real cuja biblioteca albergava 70 mil volumes e centenas de obras de arte, nomeadamente de Ticiano.

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Nesta Praça já se desenrolaram alguns dos acontecimentos mais importantes do país, desde o fim da União Ibérica, o homicídio do Rei D. Carlos e seu filho, a revolução de 1910 e a proclamação da República, a Revolta do Movimento das Forças Armadas de 1974, entre outros.

Além das maravilhosas arcadas que formam uma ligação entre os diferentes edifícios da Praça do Comércio, o mais emblemático será, talvez, o Arco Triunfal da Rua Augusta e a estátua de D. José I.

A conjugação perfeita que se estabelece entre o Terreiro do Paço e o Tejo é um dos expoentes máximos da cidade.

Lisboa2015 - 61Esplanada Ribeira das Naus

O calor que se fazia sentir neste dia (mas por que é que o Porto não este clima?) era intenso e por isso fomos obrigados a parar para descansar um bocadinho, e escolhemos a recente Esplanada Ribeira das Naus, na remodelada Avenida Ribeira das Naus, a vista é a melhor que se poderia pedir, só nos restou escolher uma mesa à sombra e recuperar com uma bebida bem fresca.

Lisboa2015 - 14

Daqui subimos a Rua das Flores em direção à Taberna da Rua das Flores, o já mítico estabelecimento de André Magalhães (a wikipedia portuguesa de Gastronomia), para um almoço com um dos mais interessantes Lisboetas com quem temos a felicidade de privar, André Ribeirinho, o fundador do projeto Adegga (ver).

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Ao almoço a experiência na Taberna é bastante distinta do Jantar, com uma oferta mais curta e pratos mais reconfortantes e menos criativos, pelo que a verdadeira mostra deste fantástico espaço fica para um outro artigo, numa outra passagem pela capital.

Tabernaruadasflores - 5 Cataplana de Pescada

Comemos muito e bem, a começar pelo fantástico Queijo Fresco da Queijaria das Romãs, o Salmorejo, o entrecosto de vitela com puré de aipo, a cataplana e claro a imperdível Mousse de Chocolate com azeite e flor de sal.

  Tabernaruadasflores - 3       Tabernaruadasflores - 4       Tabernaruadasflores - 6

Após um excelente almoço, subimos até ao Largo de Camões com a imponente estátua do poeta ao centro, e fomos diretos à Manteigaria, como este fim-de-semana foi curto e não deu para passar em Belém optamos por levar daqui os divinais pastéis de nata, não fosse a família maltratar-nos se chegássemos a casa sem esta iguaria!

Verdade seja dita, estes não ficam nada a perder para os famosos pastéis de Belém.

manteigaria - 1Os deliciosos pastéis de Nata da Manteigaria

Antes de rumarmos ao Porto, havia ainda mais dois locais que eu não queria perder, a Sé e o Castelo de São Jorge, quer a um quer a outro só tinha ido em pequena, e queria revisitá-los.

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Isto significava também andar a deambular pelo mais antigo e um dos mais típicos bairros de Lisboa, Alfama.

Este peculiar e popular bairro é um dos mais bonitos e seguros de Lisboa, e assemelha-se quase a uma aldeia, os seus restaurantes, as suas casas de fado e as suas festas de Santos Populares fazem deste bairro um dos meus preferidos.

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Quanto à Sé de Lisboa ou Igreja de Santa Maria Maior, a sua construção foi iniciada na segunda metade do século XII após a tomada da cidade aos Mouros por D. Afonso Henriques, provavelmente no local onde existia uma antiga mesquita, e conjuga diferentes estilos arquitectónicos, o românico, o gótico e o barroco.

Quem me conhece sabe bem a minha paixão por arte sacra, e sempre que tenho oportunidade de entrar numa igreja, entro. Nesta, ainda tive a sorte de ter um encontro imediato de primeiro grau com o célebre Joaquim de Almeida!

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Daqui seguimos, então, a subir (muito mesmo) até ao Castelo de São Jorge.

O seu nome deriva da devoção do castelo a São Jorge, santo padroeiro dos cavaleiros e das cruzadas, feita por ordem de D. João I no século XIV.‪‬

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Mas, desengane-se quem acha que o seu aspeto medieval se deve ao seu perfeito estado de conservação, porque não foi isso que aconteceu (infelizmente).
Ao longo do tempo o castelo, assim como as diversas estruturas militares de Lisboa, foi sendo remodelado, sendo que no século XX já se encontrava em avançado estado de ruína. Na década de 40 foram realizadas variadíssimas obras de reconstrução, levantando-se grande parte dos muros e alteando-se as torres.

Lisboa2015 - 41No entanto, não deixa de ser monumental que este local seja a mais alta colina do centro histórico, proporcionando uma das mais belas vistas sobre a cidade e o Tejo.

Lisboa2015 - 45Esta esplanada tem certamente uma das melhores vistas para o Pôr do sol em Lisboa

E sim, conseguimos na mesma imaginar histórias de reis e rainhas, de lutas e de jogos, de guerras e de triunfos!
A entrada no Castelo é paga e tem um custo de oito euros, mas vale bem a pena, até porque tem um dos mais idílicos cenários do pôr-do-sol da cidade de Lisboa.

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Por muito bem aproveitado que tenha sido este fim-de-semana, não foi de todo suficiente, razão pela qual temos que voltar a Lisboa o mais rápido possível! Há tanta coisa para fazer nesta cidade, tanta cultura, tantos restaurantes, mercados, lojas, tanta vida… poderia facilmente ir a Lisboa uma vez por mês.

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Para alguns de vós que vão com mais tempo aconselho-vos a fazer grande parte deste percurso, que fizemos neste fim-de-semana, duma forma também diferente, através do Elétrico 28, o mais mediático da cidade. De manhã bem cedo (para evitar as grandes filas), apanhem-no na Basílica da Estrela e vivam a história e a natureza da cidade através das janelas deste pitoresco meio de transporte.

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Podem fazer o percurso todo seguido duma ponta à outra, ou ir saindo em diferentes paragens e usufruindo de cada local em particular. Para isso existem os bilhetes individuais ou então os passes de 24h, escolham a opção que melhor serve os vossos gostos.

Bem, só me resta concluir que por muito que viaje para fora de Portugal, este continua a ser um dos meus países preferidos para desbravar!

Onde Ficar
Pousada de Lisboa
PortoBay Liberdade

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Fotos: Flavors & Senses

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#Sunset Wine Party – The Yeatman

sunsetyeatmanjul - 6 Na passada quinta-feira, 23 de Julho, o Hotel The Yeatman organizou a primeira Sunset Wine Party deste Verão. O cenário era este que já todos conhecemos e que tem valido ao Hotel um sem número de prémios, os seus amplos terraços com vista sobre o Douro e o Porto.

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O conceito era simples, reunir um alargado número de pessoas em torno de grandes vinhos, boa comida e muita, muita animação. Para isso ocupou-se todo um piso do Hotel, as suas bonitas e luminosas salas e claro o Terraço com as suas concorridas mesas e vista privilegiada para o Sunset.

sunsetyeatmanjul - 9 Até aqui tudo parece relativamente fácil e simples, o mais complicado vem depois – como tratar 500 pessoas com exclusividade e a qualidade a que o The Yeatman as têm vindo a habituar?

A resposta foi mais simples do que aquilo que eu imaginei quando me referiram o número de pessoas que estariam presentes, muita organização e claro, muito staff. Não faltaram áreas de serviço de vinhos, com mais de 40 referências, grande parte delas em garrafas Magnum, áreas de queijos, com um particular foco nos queijos portugueses e nas suas grandes marcas, enchidos de porco Bísaro da excelente Quinta das Poldras, áreas com pratos quentes criados pelo chefe Ricardo Costa e preparados pela equipa em jeito de live cooking e claro, um fantástico Porco no Espeto.

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Como se isso não bastasse, havia ainda Sushi, pães de todos os tipos acompanhados de uma fantástica seleção de alguns dos melhores azeites nacionais, ostras de Aveiro e uns deliciosos Gelados artesanais feitos pela Artiframi.

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Ou seja, ninguém deixou a festa com fome! Nós começamos cedo, e abrimos a festa com Luís Pato e o seu espumante Vinha Formal de 2009, um vinho cheio de classe, uma cor elegante e uma boca delicada e complexa,  uma fantástica companhia para as ostras, às quais nunca conseguimos resistir.

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Haveria ainda tempo de provarmos muitos outros vinhos de excelente qualidade, como o Tiara 2013 em garrafa magnum, um vinho cuja mineralidade e acidez deixam qualquer um rendido. Escusado será dizer que muitos outros vinhos são mesmo muitos outros vinhos, com destaque para os sempre fantásticos vinhos da Quinta do Ameal, o Alvarinho do Capitão-Mor, o Douro visto pela Dona Berta, o projecto Mãos ou a interessante Quinta do Pessegueiro.

sunsetyeatmanjul - 11 Sem dúvida um sem fim de opções e para todos os gostos, dos vinhos mais leves e furtados aos mais complexos e exigentes. Uma celebração do vinho sem as normas e as exigências de uma prova, a palavra de ordem era diversão!

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Para isso houve Dj, com uma boa e calma selecção musical durante o final de tarde, criando um ambiente de festa mas permitindo também que se pudesse manter uma boa conversa. Felizmente muitas no nosso caso, entre amigos e conhecidos o Sunset do The Yeatman começa-se a afirmar como uma das grandes festas do Verão Portuense.

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E porque a boa vida não se faz só de Vinhos e Comida (no meu caso, quase), o premiado Spa do Hotel também criou uma pequena área para massagens e conselhos de beleza, onde não faltaram senhoras interessadas.

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Com o cair da noite e depois de muita comida, não tenho culpa de ter ficado na secção do Porco no Espeto durante um bom bocado e que o assador me achasse um bom garfo, partimos para as sobremesas e para os vinhos que roubam o nome à cidade.

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Destaque para  um Vintage Croft de 1955 da Croft que terminou antes da minha chegada às sobremesas (culpa do porco, mais uma vez), provei o novo Crusted 2012 da Niepoort (ainda por rotular), um vinho de cor forte e excelentes aromas, a mostrar a exuberância da juventude. Provaram-se ainda bons LBV´s da Croft e Passadouro e um Delicioso Moscatel, o Favaios 1980.

Nas sobremesas, mais uma vez os excelentes queijos e duas preparações de Ricardo Costa, uma à base de Chocolate Negro e outra de Côco.

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Com a noite veio também uma banda para animar o final do serão com música ao vivo a pedir um pezinho de dança aos mais animados.

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Foi, sem dúvida, uma noite de grande animação, organizada com pés e cabeça e repleta de coisas boas!

A #SunsetWineParty do The Yeatman tem vindo, assim, a elevar a sua própria fasquia, ano após ano e festa após festa, pelo que só nos resta esperar pela próxima. Felizmente, não teremos de esperar pelo próximo ano, porque o evento vai repetir-se a 27 de Agosto, uma vez que foram muitas as pessoas que não conseguiram a sua entrada para esta festa. Fica a promessa da organização de manter o bom ambiente a boa comida e de trazer mais vinhos e diferentes produtores até este Sunset.

Por isso já sabem apressem-se nas reservas!

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Info:
THE YEATMAN
Preço – 65€ p.p.
Reservas AQUI
Lugares Limitados
Dress Code – Casual Chic
Mais informações – 220 133 121
events@theyeatman.com

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Sunset Wine Party a convite do The Yeatman, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho, cuja opinião e texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Pousada de Lisboa

Lisboa2015 - 58mA antiga sede do Ministério da Administração Interna deu origem à nova Pousada de Portugal, um edifício com história, charme e luxo a percorrer todo o seu interior.

Pousada de Lisboa - 41A localização não poderia ser mais idílica, o Terreiro do Paço.
O Tejo rivaliza com a Praça ao mesmo tempo que cria com ela quase uma sinergia de paixão avassaladora, o ambiente é perfeito, a vista é deslumbrante e a nossa mente perde-se na arquitetura daquela que foi a visão única de Marquês de Pombal.

A Pousada de Lisboa situa-se no canto noroeste deste conjunto arquitectónico, que é Monumento Nacional desde 1910.

Pousada de Lisboa - 40Primeira Impressão:
Depois da azáfama em conseguirmos chegar de carro à Pousada – mais culpa do GPS que do condutor, diga-se – lá fomos recebidos por um dos mais educados e simpáticos funcionários que alguma vez nos recebeu (algo nem sempre comum, infelizmente).

Pousada de Lisboa - 30mA entrada não poderia ser mais memorável, uma escadaria de mármore e alcatifa aveludada dignas de gala, surgem à nossa frente, e terminam num vitral colorido a chamar por nós. No entanto, esta não é a entrada da Pousada, era sim, outrora, o acesso principal ao Ministério da Administração Interna.

  Pousada de Lisboa - 31       Pousada de Lisboa - 29       Pousada de Lisboa - 24
Entramos assim, pelo lado esquerdo, numa porta de vidro que se abriu para nos receber e onde se situa a receção.
A decoração não poderia ser mais imponente, fiquei hipnotizada pelo teto, numa singela homenagem ao País deparamo-nos com os Descobrimentos, através dos astrolábios, naus, marinheiros, e rosas-dos-ventos.

Pousada de Lisboa - 13No centro desta sala contígua à receção, além desta ode aos Descobrimentos, temos também uma estátua de Nuno Álvares Pereira, livros sobre a História e Literatura Portuguesas, duas antigas liteiras de madeira, um busto de Amália Rodrigues e um de Luís Vaz de Camões e quadros de Nadir Afonso espalhados pelas paredes.

Pousada de Lisboa - 15Pois é, ainda nem saímos da receção!

O nosso Check-in foi realizado com prontidão e fomos acompanhados ao quarto, enquanto, o mesmo funcionário que nos recebeu à entrada, nos ia guiando numa viagem pelo tempo e mostrando as diferentes peças de arte ao longo do edifício.

 Pousada de Lisboa - 1Quartos:
São 90 quartos, distribuídos ao longo de quatro pisos e divididos em cinco tipos: o Classic, o Superior, o Deluxe, o Duplex e cinco suítes, três standards, uma intermédia, a Praça do Comércio, e uma presidencial, a Dom Perignon.

Pousada de Lisboa - 3Os quartos podem ter vista para a Praça do Comércio, para a Rua Áurea, para a Câmara Municipal de Lisboa ou para a colina do Castelo de São Jorge.

Ficamos num Deluxe com uma vista deslumbrante para a Praça do Comércio com o Tejo como horizonte.

Pousada de Lisboa - 11mBem, foi amor à primeira vista… Eu e o quarto criamos uma paixão instantânea!

Uma banheira em mármore que se abre para todo o quarto, seis almofadas gigantescas, uma delas era praticamente do meu tamanho (também não é difícil, eu sei!), e uma chaise longue no cantinho das portadas que se abrem para a Praça do Comércio! E pronto, encontrei a felicidade!

Pousada de Lisboa - 6m

Pousada de Lisboa - 10A vista única sobre a Praça e o Tejo

Não fosse o facto de não haver um pequeno apontamento que servisse de “Boas-Vindas” e tudo teria sido perfeito neste quarto.

Pousada de Lisboa - 38Restaurantes:
O pequeno-almoço é servido num pátio interior, que à semelhança do restante hotel, homenageia mais uma vez o país, com chão em calçada portuguesa, e duas magníficas réplicas dos painéis de São Vicente.

Pousada de Lisboa - 18Este átrio é preenchido por luz natural graças ao teto envidraçado que se abre para nos iluminar.

  Pousada de Lisboa - 20       Pousada de Lisboa - 19       Pousada de Lisboa - 17

Ao lado deste local fica a entrada para o restaurante do hotel, o Lisboeta (com entrada também pelo exterior), de inspiração na gastronomia tradicional portuguesa, a cargo do jovem mas promissor chefe Tiago Bonito. O restaurante possui também bar e esplanada sob as míticas arcadas de pedra do Terreiro do Paço.

Pousada de Lisboa - 26Lisboeta

Pousada de Lisboa - 35Serviços:
O hotel tem um excelente espaço para “recarregar baterias”, um pequeno Spa que inclui piscina interior (que infelizmente no momento em que decidimos utilizá-la estava com algum problema técnico e por isso a água não estava à melhor das temperaturas), sauna e um fitness center.

Pousada de Lisboa - 32Com acesso direto da zona da piscina, por uma pequena escada em caracol, subimos até ao solário natural, no fundo é um pequeno, mas muito agradável, terraço em volta da clarabóia do pátio interior.

Pousada de Lisboa - 27Salão Nobre 

O hotel integra, ainda, duas salas para reuniões ou eventos, que albergam entre 140 a 150 pessoas, a Sala Terreiro do Paço, e o imponente Salão Nobre. Esta última apresenta um magnífico teto todo trabalhado com adornos em estuque, e ornamentado com folha de ouro, o enorme candelabro no centro possui um brilho que nos faz imaginar o mais elegante e luxuoso dos bailes de outrora.

Pousada de Lisboa - 23Atendimento:
Uma equipa muito bem preparada, com uma simpatia bem acima do habitual, com um serviço cuidado e atento.

Apesar de ser um espaço tão recente nota-se que há todo um trabalho bem desenvolvido por trás, com o selo de garantia do grupo Pestana,  que faz com que nos sintamos importantes, sem nos sentirmos demasiado invadidos.

  Pousada de Lisboa - 36       Pousada de Lisboa - 14       Pousada de Lisboa - 12

Certamente o caminho a seguir continuará a ser este e no sentido de receberem cada vez mais e melhor os seus hóspedes, naquele que é o hotel que em cada metro quadrado presta uma humilde homenagem a este país “à beira-mar plantado”.
Pousada de Lisboa - 22É possível sentir que ao longo de todos os espaços do hotel o clássico entra na mais perfeita simbiose com o contemporâneo, que vai aliando as peças de mobiliário antigo e as várias obras de arte.

As obras de reabilitação procuraram manter a traça original deste edifício histórico, e conseguiram, e a prova disso é o verdadeiro esplendor presente em cada espaço e em cada pormenor que nos remete facilmente para um edifício do século XVIII. Que todas as Pousadas de Portugal saibam manter assim a identidade dos seus edifícios.

Pousada de Lisboa - 22mA Guerra dos Tronos

Uma estadia memorável, a repetir, certamente!

Pousada de Lisboa
A Pousada de Lisboa faz parte dos Small Luxury Hotels of the World - www.slh.com
Quartos desde 189 euros
Praça do Comércio, 31-34 – Lisboa
(+351) 210 407 640
​guest@pousadas.pt

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Pousada de Lisboa a convite das Pousadas de Portugal, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho, cuja opinião e texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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A Cevicheria

A Cevicheria - 1Depois de uma viagem pelo globo e um imenso sucesso com o seu O Talho, muitos especulavam que Kiko Martins se mostraria num novo projeto, desta vez mais sério e complexo, um pouco à semelhança de José Avillez quando abriu o Belcanto depois do sucesso do seu Cantinho. Mas Kiko trocou-lhes as voltas e decidiu voltar a “Comer o Mundo” trazendo até Lisboa uma Cevicheria, inspirado na sua viagem pela América Latina e no sucesso mundial da Cozinha Peruana e de Chefs como Gastón Acurio ou Virgilio Martínez.

A Cevicheria - 3

O Chef Kiko, como é conhecido, demonstra aqui mais uma vez a vontade de marcar o panorama gastronómico da capital, com ideias fora da caixa e uma capacidade única de as fazer vingar no mundo real. A concepção de todo o projeto demonstra bem toda essa capacidade, desde  a escolha do espaço, no cada vez mais concorrido Príncipe Real, que não sentará mais de 26/28 pessoas, as enormes portadas, que dão uma luz natural única à sua decoração, onde o interior branco nos faz sentir ainda mais essa luz, o balcão que ocupa a maior parte do espaço e onde é possível comer enquanto nos vamos entretendo a observar os cozinheiros na preparação ao vivo dos pratos, e claro o Polvo, que será certamente uma das novas atracções da cidade de Lisboa. Não há quem fique indiferente a este polvo que ocupa grande parte do teto e que serve como elemento quase único de decoração, não há cliente que não o fotografe nem transeunte que não pare a observá-lo. Um genial golpe de Marketing.

A Cevicheria - 2

Mas passemos ao que realmente interessa, a comida, a carta está divida em pratos principais e sobremesas, com uma série de ceviches, e alguns pratos quentes, além de um interessante menu de Degustação (6 pratos – 35€). Como fomos mais à hora do lanche que de almoço, para evitar filas (o restaurante funciona das 12h30 às 00h e não aceita reservas), optamos por partilhar alguns pratos.

A Cevicheria - 5couvert

A acompanhar um correctíssimo Pisco Sour (cocktail Peruano à base de pisco, sumo de Lima, clara de ovo, xarope de açúcar e angustura) chegou o couvert (2,5€), com uma boa manteiga com tinta de choco, e um simpático dip de tomate com ricotta e azeitona. Como pão, umas leves tostas de pão de trigo e pão de milho feito na casa, acompanhados também por umas ótimas Canchas, que é como quem diz um tipo de grão de milho maior ligeiramente tostado com sal, como há milhares de anos se come na região dos Andes. Muito Bom.

A Cevicheria - 7
Ceviche “Puro”, Corvina, cebola, leche de tigre, algas wakame e batata doce (11,80€)
O peixe varia de dia para dia, utilizando sempre peixes brancos com boa capacidade para aguentar o tempero cítrico, como a garoupa o pampo ou a corvina que nos foi servida. A batata doce aparece em duas texturas, crocante e num levíssimo puré que quase parece uma espuma, um apontamento interessante que dá, não só novas texturas, como também mais alguma substância ao prato. Nota altíssima para o tempero do Leche de Tigre, pujante quanto baste, e para a introdução das algas. Muito bom.

A Cevicheria - 9Quinoto do Mar, Quinoa, camarão, pampo, berbigão, mexilhão, algas e espuma de ostra (13,60€)
Foi sem dúvida o momento mais memorável da refeição. Quinoa cozinhada como risotto, mas sem o peso do queijo e da manteiga, cozinhada num caldo semelhante ao de uma caldeirada de marisco e acompanhado de alguns habitantes do mar e um pedaço de Pampo bem selado com a pele crocante. O que mais nos fica na memória não é certamente a quinoa, os mariscos ou as texturas, mas sim o sabor a mar que se sente naquele prato, da conjugação do caldo com as algas, o marisco e a brilhante espuma de ostras, ali tudo é mar e cada garfada é uma espécie de mergulho no fundo do oceano!

A Cevicheria - 10Doce de Leite e Piña Colada, Torta recheada com doce de leite, creme de cocô e abacaxi caramelizado com rum (6,30€)
Na América Latina quando o assunto é doce, é mesmo doce, e com a Cíntia à mesa não havia como fugir ao doce de leite, para mal dos meus pecados! Já na mesa, revelou-se aquilo que se esperava, uma sobremesa bonita, que nos transporta para outras latitudes. Uma torta bem conseguida, doce sem ser maçuda, mas muito doce como se esperava. A acompanhar muito bem o creme que lhe dava alguma leveza mas beneficiaria certamente de um sorbet, fosse ele de abacaxi ou piña colada. Escusado será dizer que para a Cíntia estava perfeito!

A Cevicheria - 4

A acompanhar a refeição houve Pisco Sour (7,5€), Gin Tónico (9,50€) e uma boa limonada (3€). Já a carta de vinhos é curta com algumas opções mais frescas e próprias para os pratos apresentados.

O serviço é mais uma das assinaturas de Kiko Martins, o tal Chef Kiko da Tv, informal e descontraído com um profissionalismo bem acima do posicionamento do restaurante, já comi em restaurantes com a famosa estrela michelin em que os pratos não me foram tão bem apresentados. Nota ainda para o aspeto cuidado de toda a equipa, da “sala” à cozinha, do bar ao balcão tudo tem aquela “pinta” que nos transporta para um ambiente cosmopolita em que chefs são estrelas de rock e capas de revista. Podíamos estar em Londres ou Nova Iorque, mas não, era mesmo Lisboa.

A Cevicheria - 8

Considerações Finais
A Cevicheria é mais um projeto, bem pensado e bem montado por Kiko Martins, que depois do sucesso das carnes mostra audácia nos peixes. É uma cevicheria de base clássica, com um ambiente único, da sala à banda sonora que nos tira de Portugal por alguns instantes. A comida não sendo tão arrojada como a de alguns projetos de base peruana que têm surgido na Europa, demonstra uma qualidade notável e alguns pratos difíceis de esquecer, como o caso daquele Quinoto do Mar. É um espaço em que tudo funciona bem, dos pratos ao serviço passando pelo marketeer Polvo e certamente pelas longas filas de espera que as Sextas e Sábados devem atingir. Agora é esperar por um regresso a Lisboa e provar o resto da carta.

A Cevicheria
Rua D.Pedro V, 129 Lisboa
218038815

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Bistrô4 (PortoBay Liberdade)

portobay - 33No novíssimo PortoBay Liberdade (ver artigo), um novo Hotel 5 estrelas na agitada Av. da Liberdade, surge um restaurante com assinatura de Benoît Sinthon ( *Michelin,  Il Gallo D’Oro) que quebra as barreiras do luxo e das mais exigentes normas dos restaurantes de Hotel, inspirando-se na nova vaga da Bistronomie francesa, prometendo uma cozinha de alta qualidade num ambiente informal típico dos antigos Bistrôs.

 Portobay - 14

A inspiração de Benoît não segue as linhas mais contemporâneas dos novos “Reis” da Bistronomie, comoSeptime, o Frenchie ou o David Toutain, mas sim uma cozinha de autor mais aberta e descomplicada à semelhança da de Yves Camdeborde, o fundador do conceito, hoje no Le Comptoir du Relais.

A decoração do espaço segue as linhas bem conseguidas do restante Hotel, com destaque para a bonita garrafeira que serve de entrada ao restaurante e o pátio, decorado com Oliveiras e Limoeiros e um bonito painel de azulejos de Joana Rêgo, onde nos instalamos.

As boas vindas foram dadas com um espumante Bairosa e por um excelente cesto de pão, cuja origem apostaria vir de uma padaria francesa. A acompanhar uma boa manteiga e uma impecável pasta de frango com caril.

bistro4 - 1Ceviche

Começamos então pelos petiscos (5€ cada), divididos em Frios e Quentes e onde optamos por um Ceviche à base de corvina com umas bonitas chips de batata doce e leves apontamentos de purê do mesmo tubérculo. Apresentação cuidada e boas texturas, tendo feito falta a cebola e um pouco mais de acidez.

bistro4 - 2Pernas de codorniz

Nos quentes optamos por umas pernas de codorniz panadas com panko. Fritura dominada com mestria, crocante, sem excessos de óleo e a carne no ponto. No entanto, o ponto alto foi o excelente molho agri doce de inspiração asiática que acompanhava as pernas. Um deleite!

bistro4 - 3Lapas na Frigideira, Bolo do caco com manteiga de alho (14,5€)
Não há muito a dizer sobre este prato, tudo estável irrepreensível, desde a cocção das lapas, ao molho de manteiga, alho e ervas passando pelo bom bolo do caco que as acompanhou. Podia passar o resto da refeição de volta destas lapas.

bistro4 - 5Pâté en Croûte Maison, pickles , puré de aipo e mostarda (13,5€)
Apresentação cuidada de um clássico da cozinha francesa que me trouxe boas memórias de um brilhante Pâté en Croûte que tinha comido num restaurante de Alain Ducasse. Recheio impecável, temperatura certa, e boa introdução do pistácio. Nota menos positiva para a massa que devia ter cozido um pouco mais em alguns pontos. Excelentes também os pickles e a junção do puré de aipo com a mostarda à antiga, cuja acidez e frescura funcionou muito bem com a gordura e untuosidade da terrina.

bistro4 - 6Omeleta de Camarão (13,5€)
Como já aqui havia escrito, sou exigente com omeletas, gosto do interior meio líquido sem tons de castanho no exterior. Aqui tinha algumas reticências quando li na carta que era regada com um molho de crustáceos, mas decidimos apostar. E em boa hora o fizemos, a omeleta vinha exactamente como gosto, cremosa e de exterior claro. O molho funcionou à base de uma bisque, funcionou bem com os ovos, aumentando o sabor a marisco sem se sobrepor.

bistro4 - 7Peixe e Conchas (18,5€)
Apresentado num elegante tacho La Creuset, o prato era uma espécie de caldeirada, com todos os elementos cozinhados no ponto, da corvina às amêijoas passando pelas batatas. O grande destaque do prato vai para o seu caldo, com notas de crustáceos e peixe, que abrilhanta o prato com o seu sabor e na forma como uniu todos os elementos.

A acompanhar com este e os pratos anteriores esteve muito bem um Madrigal, 2013 (8€ o copo), da Quinta do Monte D’Oiro (na carta referiam 2011), um vinho feito com a casta Viognier, de nariz bem expressivo e uma mineralidade única, que lhe permitiu harmonizar bem com todos os pratos.

bistro4 - 8Bochecha de Vitela confitada, Lentilhas estufadas (19€)
Foi o prato menos conseguido da noite, não por culpa do sabor ou da Bochecha, ótima por sinal, mas sim da textura das lentilhas, ainda demasiado dura e crocante para o meu gosto. Al dente, mas nem tanto!

A fazer companhia à Bochecha, esteve um tinto, Terrenus 2011 (8€) de Rui Reguinga, um vinho potente, de aroma complexo e taninos suaves com um final longo a combinar bem com os sabores do estufado.

bistro4 - 9Queijos, Azeitão, Amarelo da Beira Baixa e Vaca Curado (3 queijos 12,5€)
Uma seleção simples mas bem apresentada de alguns queijos nacionais, com destaque para o Amarelo da Baixa.  Um departamento que merece mais atenção e destaque ou não estivéssemos num Bistrô.

bistro4 - 10Trouxa de Maracujá, Panna cotta de Banana (6,5€)
Normalmente as sobremesas são o capítulo mais fraco da maioria dos nossos restaurantes, mas felizmente não foi o caso do Bistrô4. De apresentação cuidada, viajamos até à madeira, com a banana e o maracujá num jogo de texturas brilhante. A trouxa recheada com sagu e maracujá estava perfeita, bem combinada com o crocante do biscoito, o doce do côco e a frescura do maracujá fresco, tudo ligado por uma elegante panna cotta que escondia o fundo do prato. Muito, muito bom.

bistro4 - 11Choc “Snick” Ben (6,5€)
Para esta sobremesa a inspiração de Benoît Sinthon foi o famoso snickers, aqui reinterpretado numa elegante barra de chocolate com todos os seus elementos construídos de uma forma diferente e menos doce, bem acompanhada por um brilhante sorbet de ananás que me arrebatou por completo. Mais uma excelente sobremesa.

A carta de vinhos apresenta uma excelente selecção com foco nas principais referências nacionais, mas passando também pelo estrangeiro e claro, não podia deixar de conter uma excelente seleção de vinhos da Madeira.

O serviço decorreu como manda a bistronomie, de forma relaxada e profissional com pontos de alegria e diversão quebrando a barreira entre os comensais e a brigada.

Considerações Finais
A “chegada” de Benoît Sinthon ao Continente é por si só um motivo de alegria para a agitada cena gastronómica Lisboeta. A sua assinatura leva-nos a uma viagem pelo mundo, com escala óbvia em França de onde importou o conceito do espaço, passando pela “sua” Madeira e também pelo Brasil. A chefiar a cozinha está também um Madeirense, João Espírito Santo, que demonstrou ao longo da refeição um excelente domínio técnico e gosto apurado.

Foi uma excelente refeição, marcada por alguns excelentes momentos que em nada se deixaram sobrepor pelos pequenos erros de um ou outro prato. É um restaurante recente que consegue bem aquilo que lhe é pedido, quebrando com as regras da habitual restauração de Hotel     facilitando certamente a aproximação a todo o tipo de clientes, sejam hóspedes ou não.

A nós resta-nos esperar por um regresso a Lisboa, para ver as novidades que Benoît trará no futuro.

Bistrô4 – Hotel PortoBay Liberdade
Rua Rosa Araújo 8, 1250-195 Lisboa
+351 210 015 700
portobayliberdade@portobay.pt

English Version

Nota
Estivemos no Bistrô4 e no PortoBay Liberdade a convite do grupo PortoBay, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

Fotos: Flavors & Senses

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