Au Passage

O Au Passage nasceu com o Boom de neo-bistrots e Wine bars que foram invadido Paris a partir de 2010. Cedo ganhou destaque e em 2012 era já um dos preferidos da agitada nova cozinha parisiense, sendo inclusive um dos premiados como “Fooding d’Amour 2012”!

Quis o destino que um espaço que tanto reflecte uma nova forma de olhar a cidade, longe do luxo e dos palácios, mas sempre focado em mostrar os melhores produtos franceses, tenha vivido sobretudo de chefs estrangeiros ao leme da cozinha. De James Henry a Dave Harrison passando por Shaun Kelly ou Edward Delling-Williams (que já passou pelo Euskalduna para um jantar a 4 mãos com Vasco Coelho Santos), e que agora a “sorte” tenha calhado a Luís Andrade, um português, feito designer e transformado em cozinheiro pela vida parisiense.

Há anos que o restaurante andava na nossa lista de espaços a visitar, e desta vez tínhamos a desculpa perfeita!

O espaço reflete a agitação da nova e viva Paris, bem diferente da histórica Belle Époque, é certo! A decoração, saída de uma qualquer feira da ladra, transporta-nos para um ambiente de tal informalidade, que não é fácil distinguir entre clientes e funcionários, tal é a agitação que se vive durante o jantar.

Aqui é mais provável jantarmos ao som de Tupac ou B.I.G. que de uma calma música ambiente, acabando a abanar a cabeça enquanto vamos partilhando os vários pratos que compõem a carta e damos mais um mergulho na boa seleção de vinhos naturais.

Salsicha seca
A forma mais habitual de começar um jantar por aqui. Produto de excelente qualidade, bem acompanhado por pickles  e um excelente pão, que viria a revelar-se essencial durante todo o jantar.

Ostras e maracujá
Ostras de bom tamanho, regadas com uma espécie de ponzu de maracujá. Primeiro estranha-se depois acabamos rendidos e a achar a combinação de Luís Andrade bem conseguida.

Vieira e Kumquat
Aqui percebemos rapidamente que apesar de toda a descontração do espaço, dos preços e do ambiente, a cozinha segue numa direção quase oposta – há aqui muito trabalho, muitas ideias e muito rigor na escolha de produtos. Vieiras em tártaro, temperadas na perfeição, com elementos crocantes a dar o toque necessário e uma emulsão de kumquat, que nos prepara para perceber que o segredo deste chef são os molhos.

Abalone, aipo e cogumelos
O toque mais japonês do menu, chega com um delicioso caldo, bem rico pelo sabor dos cogumelos, ladeados pelo toque de frescura do aipo e a textura única do abalone. Muito bom!

Lavagante
Tagliatelle feito no restaurante, com um molho fantástico e repleto de sabor, com o lavagante cozinhado num ponto tão certo, que nem sempre o encontramos assim em restaurantes estrelados. Um dos melhores pratos de pasta com marisco que já provamos!

O padrão estava elevadíssimo! Na realidade estávamos como duas crianças a pensar no que mais poderia sair dali quando:

Moleja, Espinafres e tâmaras
Um grande, grande prato! Molejas bem trabalhadas com um delicioso molho de carne, feito com manteiga de alcaparras. Espinafres suaves com o toque de sabor e textura da amêndoa, e uma incrível pasta de tâmara. A esta altura já não havia pão que resistisse aos molhos.

Pombo, shiitake, café e Polenta
Mais um prato de grande de rigor técnico, onde menos é claramente mais! Tudo cozinhado nos tempos certeiros, com o pombo a fazer-se acompanhar mais uma vez por um molho de elevadíssimo nível e uma bem conseguida polenta de café.

Tarte de Belém e Chocolate
Duas sobremesas bem distintas, uma a fazer uma espécie de regresso a casa para o chef que pegou na receita do clássico Gâteau breton e o recheou com um creme semelhante ao nosso famoso pastel português.
O chocolate, como o próprio nome indica, era isso mesmo, diferentes técnicas e texturas de chocolate, apresentadas num só prato, onde o destaque vai claramente para a bem conseguida mousse.

Ambas as sobremesas se revelaram um final mais que feliz!

Sobre o serviço, é importante lembrar o comentário feito anteriormente, sobre ser difícil distinguir entre staff e clientes, o que neste caso provou a diligência e a camuflagem de que são munidos estes colaboradores.

Considerações Finais
Para quem vive a restauração como eu, não há muitas coisas melhores do que sair surpreendido de um restaurante, fazer wow a cada prato, enquanto reviramos os olhos e lambemos os lábios. Quando um espaço como o Au Passage, com menus em ardósias, copos sem interesse e uma decoração em jeito de aproveitamentos, nos surpreende desta maneira, é a felicidade total! Ao olhar para a carta e os seus preços estamos longe de perceber o trabalho por trás de cada prato, seria bem mais fácil descongelar e usar o micro-ondas, mas não, “não teria a mesma graça!” deverá pensar Luís Andrade e a sua equipa, que começam pela manhã a preparar os jantares (o restaurante apenas está aberto das 19h à 1h30).
É uma lufada de ar fresco encontrar pessoas dispostas a trabalhar ao ritmo da estação, com menus que mudam diariamente e que não têm pretensões de sobrecarregar os clientes com preços altos, porque qualidade, padrão e rigor em nada lhes falta!

Um restaurante a ir, voltar e repetir sem desculpas.

Au Passage
Preços a partir de 35€ (sem vinhos)
1 bis, Passage Saint-Sébastien – Paris
+33 (0) 1 43 55 07 52
baraupassage@gmail.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Le Roch Hotel & Spa

O luxo é cada vez mais intimista e menos palaciano! Procuramos incessantemente um local que nos faça sentir únicos e efetivamente importantes, e cada vez menos o bulício dos hotéis de grandes dimensões. Foi isso que nos levou a escolher o Le Roch na nossa última visita à cidade da luz!

Paris é e será sempre sinónimo de luxo, de elegância e de amor! O Le Roch é tudo isso! 

Um boutique hotel com uma localização perfeita na Rue Saint Roch entre a Place de l’Opera e a Place Vendôme.

Mal entramos percebemos que o lobby tem tanto de intimista como de acolhedor, com uma decoração contemporânea que privilegia o conforto acima de tudo mas sem descorar a elegância e a estética.

A média luz faz-nos sentir seguros, quase como se soubéssemos que aqui estamos escondidos do mundo lá fora. O azul e os jogos de luz nas prateleiras dos livros criam um ambiente que convida ao ócio.

Apesar de contemporâneo, muitos dos detalhes da decoração levam-me a viajar até aos anos 20 e a sua Belle Époque, e isso é o que se pede em Paris!

A decoração de interiores ficou a cargo da parisiense Sarah Poniatowski-Lavoine que aqui colocou toda a sua alma e paixão.

O Le Roch conta com 37 quartos, cinco dos quais suites.

Ficamos num quarto superior.

Os tons e a média luz são igualmente uma constante. A casa de banho, simples e elegante, conta com a presença dos produtos Codage.

A cama, extremamente confortável, e também ela com um design simples mas muito bonito.

Fomos recebidos no quarto com champagne – um detalhe que deveria ser obrigatório em todos os hotéis de luxo!

As janelas que desciam do teto ao chão com as suas cortinas bordeaux misturavam-se com a bonita carpete que mais uma vez me lembrou o estilo art decó.

O Le Roch tem a particularidade de ser um daqueles locais para onde queremos voltar depois dum dia frenético a deambular pela cidade. Seja para usufruir dum momento de relaxamento no bar acompanhado dum cocktail, seja para ler um livro no terraço maravilhoso que é uma espécie de jardim suspenso e que nos faz esquecer do mundo lá fora, seja para mimar o corpo e a mente no spa.

O terraço e a sua confortável “casa de Inverno”

Por falar em spa, este é seguramente o ex-libris do hotel. Com piscina aquecida (desta vez não me queixo da temperatura da água!), turco incorporado na piscina, jacuzzi (cuja pressão dos jatos é um pouco exagerada) e uma zona de relaxamento.  Spa com uma das raras piscinas interiores de Paris

Ao lado do spa, um pequeno ginásio equipado com tudo o que é necessário para manter a linha e combater os excessos da gastronomia francesa.

Além do Bar e do Terraço que já referi, o Le Roch conta com um restaurante comandado por Rémy Bererd.

Roch Restaurant

A clarabóia que se encontra no centro do restaurante faz com que uma luz natural ilumine de forma brilhante todo o espaço. Os azuis e os verdes dados pelos veludos das cadeiras e poltronas escolhidos por Sarah conferem à sala uma sensação de conforto sem igual, assim como a presença em muitas das principais revistas de decoração.

Aqui provei dos melhores ovos mexidos de sempre! Ao contrário do que muitos pensam, fazer ovos mexidos não é assim tão simples! Mas os do Le Roch são perfeitos, assim como a qualidade dos produtos apresentados para o buffet!

O Le Roch é o local para os viajantes de agora, os que privilegiam a simplicidade em vez da ostentação!

Apaixona-nos pela suas cores, os seus móveis e objetos autênticos, as suas linhas simples mas refinadas.

O ambiente acolhedor que é perceptível logo no preciso momento em que se cruza a entrada faz-nos querer ficar.

Os sorrisos genuínos de toda a equipa e a capacidade de nunca se tornarem invasivos faz-nos sentir em casa.

O Le Roch faz parte desta nova forma de luxo – a arte de provocar uma experiência privativa, intimista, empática e despretensiosa!

Até breve Paris! Até breve Le Roch!

Le Roch Hotel & Spa
Quartos a partir de 370€
28, Rue Saint Roch – Paris
+33 1 70 83 00 00
reservation@leroch-hotel.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Assiette Champenoise – Arnaud Lallement

Ás portas de Reims, bem no coração de Champagne, encontramos o L’Assiette Champenoise, um clássico restaurante-hotel francês, aberto há mais de 40 anos, hoje nas mãos da segunda geração da família Lallement.

Arnaud Lallement traçou bem cedo o seu futuro, sem pressões familiares, desde pequeno que soube que haveria de se tornar cozinheiro, ou não fosse na cozinha que toda a magia que envolveu o seu crescimento, acontecia. Estudou, formou-se e antes de se juntar à brigada do seu pai fez questão de aprender com alguns dos principais nomes da cozinha francesa de então, Roger Vergé, Michel Guérard e Alain Chapel – coisa pouca!

As estrelas foram-se sucedendo desde 2001, quando assumiu por completo a liderança do restaurante, até 2014, ano em que conquistou a tão ambicionada 3ª estrela no guia vermelho. Arnaud, por seu lado em nada veste o título de chef-estrela, provavelmente pelo percurso que teve é mais fácil encontrá-lo na cozinha ou numa vinha de champagne, do que em livros, televisões ou revistas. É na sua cozinha e com os seus clientes que se sente bem, e isso é o que se espera de um chef estrelado…

Mas passemos à nossa experiência, depois de surpreendidos pela decoração moderna e a qualidade dos quartos (ver aqui), é a vez de nos surpreendermos com o restaurante, à chegada somos recebidos por toda a brigada de sala, que nos acompanhou à mesa, como se de uma cerimónia de estado se tratasse, mas com simpatia, sorrisos e amabilidade, que tantas vezes falta no clássico serviço francês.

Mesas imaculadas, materiais nobres, uma sala cheia de detalhes e um clássico candeeiro Baccarat, para contrastar com os detalhes mais modernos da decoração.

Depois de instalados, começa rapidamente o show, primeiro com champagne Caillez-Lemaire Caillez Reflets Brut – elegante e bem equilibrado para começar a degustação. E em segundo por uma série de pequenos snacks que foram chegando à mesa.

Folhas crocantes, pequenas tarteletes, falafels, mousse de beterraba, entre outros. Tudo bem conseguido, a denotar o rigor técnico e a qualidade dos produtos, no entanto, sem surpreender!

Mas a surpresa não tardava a chegar, pão artesanal preparado com cerveja e manteiga semi salgada de Finistere na Bretanha. Tão bom que não consegui parar de o comer ao longo de toda a refeição.

A tradiçãoPotée Champenoise
O potée champenoise, está para a região como para nós um bom cozido, e é disso mesmo que se trata, um cozido de carnes de porco, batata e legumes. Aqui com Arnaud a abrir a refeição com uma homenagem à sua terra, num prato de altíssimo nível. Porco, couve e cenoura como mandam as regras, um caldo exímio e repleto de sabor, transformado num imaculado consomé, um apontamento crocante. Tudo perfeito e reconfortante, com as notas de pickles e mostarda a trazerem uma leveza vibrante ao prato. Um grande início!

Vieiras e endívias
Hoje as vieiras são quase chavão nos restaurantes gastronómicos,infelizmente com a maioria delas a não ser de grande qualidade! Não é o caso aqui, grandes, frescas e com uma cocção irrepreensível, acompanhadas por notas de terra dadas pelas endívias assadas com uma crosta de especiarias e telhas de paprika. Ainda no prato os elementos de ligação eram uma bela mousse de vieira e um elegante molho de vinho branco de champagne. Um prato de contrastes, sabores e texturas onde a França parece ter bebido um pouco de inspiração em Marrocos.

A harmonizar esteve um Julien Chopin Blanc de Blancs 2012 Premier Cru Les Originelles, com notas aromáticas clássicas de um champagne de chardonnay, boa acidez e ótima conjugação com as notas do prato.

Beterraba de Benoît Deloffre, algas e vermute
Quando o nome do agricultor ganha destaque no nome do prato sabemos que estamos perante um produto especial, e assim foi! Equilíbrio, gordura (dada por um excelente lardo di colonnata e uma manteiga de algas), notas de mar e de terra com um casamento perfeito, onde brilha o produto.

No copo bebeu-se um já nosso velho conhecido Legras Rosé, cuja maior estrutura e complexidade de sabores e aromas funcionou muito bem com um prato de “terra”.

Camarão e Cogumelos
Um pequeno prato mais uma vez a conjugar notas de mar e terra, com o camarão num ótimo ponto, cabeças crocantes e uns pequenos cogumelos, tudo casado com um molho de vinho tinto e refrescado pela raspa de lima. Bom, mas uns furos abaixo dos pratos anteriores.

A acompanhar esteve um Devaux 2008, um excelente millésimé de grande ano na região, a demonstrar-se ainda muito jovem, com uma bela potência, mas equilibrado e elegante. Terá um belo futuro!

Lavagante Azul, uma homenagem ao meu pai
Como uma boa homenagem, o prato de lavagante foi o momento alto do jantar, carne perfeita e um molho inesquecível! Não vale a pena dizer muito mais, soberbo!

No copo esteve um Janisson Blanc de Noir Grand Cru, um 100% pinot noir complexo, cheio de riqueza aromática, dos frutos vermelhos aos citrinos. Um belíssimo champagne!

Pithivier de Borracho, caillette de espinafres e jus de pombo
Técnica, técnica, técnica! Nada falha neste prato clássico da cozinha francesa, uma massa folhada de sonho, ou não tivesse o chef passado pela brigada do mestre Michel Guérard, carne no ponto, foie gras de alta qualidade, molho delicado e todos os elementos em grande comunhão. Escusado será dizer que a esta altura a 10ª fatia de pão limpava o molho do prato…

Para fugir à regra dos champagnes mas mantendo-nos na região, surge na mesa um tinto, Ormes Bérêche et Fils Coteaux Champenois Les Montées 2015, um pinot de champagne, que podia ser perfeitamente um belo vinho da Borgonha, ainda muito jovem, mas com um enorme potencial e a proporcionar já muito prazer à mesa.

Queijos de Philippe Olivier
Uma enorme seleção de queijos, criteriosamente selecionados por Philippe Olivier, para um momento de puro e simples prazer. E mais pão claro…

A sobremesa foi Maracujá e Pistáchio que entre o desfile bem ensaiado da equipa de sala e a vontade de provar, acabou por ficar sem fotografia… Uma combinação de texturas de maracujá, sablé breton, merengue negro e diferentes texturas de pistáchio. Uma proposta uns patamares abaixo dos pratos anteriores, ainda assim com excelente combinação de texturas e sabor, onde se destaca o gelado de maracujá.

petit fours

Como se tivéssemos comido pouco, chegam à mesa os petit fours, aqui novamente num nível altíssimo, e em quantidade – sim o que vêm na foto era para duas pessoas – deliciosos cannelés, marshmallows, bombons, tarte de limão, pâte de fruit e florentines. Apetecia comer tudo…

A harmonizar, como não podia deixar de ser,  Ratafia de champagne, o pouco falado licor produzido na região. Um grande final!

O serviço? Não há muitas palavras para o descrever, a não ser um teatro muito muito bem ensaiado, com todos os detalhes a serem meticulosamente cuidados. Dos tempos entre pratos, às reposições de água e vinho, sem esquecer um pormenor muito importante, o serviço de pão… sempre atento às minhas necessidades!

Considerações Finais
O L’Assiette Champenoise é hoje o único tri-estrelado da região de Champagne, e um dos grandes cartões de visita da região. Seja pelo seu fantástico hotel, ou como é óbvio pela cozinha. Arnaud Lallement tem a mesma tarimba dos grandes mestres da culinária francesa, excelente produto, muita técnica e claro, molhos inesquecíveis. A isso junta-se uma das melhores garrafeiras do mundo no que a Champagne diz respeito, e a possibilidade de harmonizar os seus menus de degustação com diferentes champagnes, para uma melhor viagem pela região.
Um chef que efetivamente está na sua cozinha, um grande restaurante, grandes vinhos e um belíssimo serviço, assim se descreve o L’Assiette Champenoise.

Ps – Para cativar a visita dos mais jovens a restaurantes gastronómicos, o chef propõe o seu menu com harmonização a um preço especial para menores de 35 anos. Uma ideia notável!

Assiete Champenoise
Menus a partir de 105€ (almoço)
40, Avenue Paul Vaillant-Couturier, Tinqueux – Reims
+33 (0) 3 26 84 64 64
infos@assiettechampenoise.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Assiette Champenoise


Depois de Épernay foi tempo de visitar Reims, mais propriamente o L’Assiette Champenoise.

Aqui, neste local, está um dos melhores restaurantes de França, e aquele onde tive uma das melhores experiências gastronómicas (como prenda de aniversário)!

Este local é também uma verdadeira História de Família!

Jean-Pierre e Colette Lallement abriram em 1975 um restaurante numa vila chamada Chalon sur Veles, próxima de Reims.

Mas em 1986 sentiram necessidade de crescer e evoluir e passaram para Tinqueux, ao lado de Reims. Transformando assim uma imponente casa burguesa num restaurante-hotel!

É já em 1996 que Arnaut começa a trabalhar com o pai. E em 2001 ganham a primeira estrela do guia Michelin, as restantes seguiram-se em 2005 e 2014, e mantêm-se até hoje (e muito bem, devo dizer!).

A decoração moderna em contraste com a história do edifício começa logo a cativar-nos ao olhar para a cobertura da entrada

Em 2009 quer o restaurante quer a recepção são totalmente renovados. E em 2010 é levada a cabo uma renovação completa do hotel e criam-se novas suites.

Toda esta mudança ficou a cargo do arquiteto de interiores Grégory Guillmain. Encontramos assim um hotel com uma decoração contemporânea que me faz lembrar o estilo bem disruptivo de Philipe Starck no uso do metal e na conjugação de materiais. Ou seja, incrível!

Em 2013 o Assiette é consagrado com um hotel  de cinco estrelas.

Mal chegamos ao hotel é possível verificar, ainda no exterior, uma casa burguesa imponente! Mas a receção mostra-nos logo o ambiente contemporâneo que tanto distingue o hotel. Esta combinação é perfeita, devo dizer!

Apaixonei-me sem demoras pelo conjunto de flores alinhadas em completa sintonia.

Fomos recebidos por uma equipa eficaz que nos acompanhou ao quarto. Que me transmitiram aquilo que eu adoro no serviço dum hotel de luxo: simpático, atento e nada invasivo! É a conjugação perfeita!

O hotel conta com 33 quartos distribuídos por quatro pisos.

Ficamos numa Suite Balcony. Que é como quem diz, uma casa!

Decoração contemporânea, mas cozy – mais uma combinação perfeita!

Uma casa de banho de serviço logo à entrada e depois uma sala de estar elegantemente decorada e com uma pequena sala de relaxamento anexa. Esta última com saída para um pequeno terraço com vista para os jardins do hotel.

Um pequeno closet incorporado no quarto serviu bem o seu efeito. E a casa de banho enorme só demonstrava a grandeza deste verdadeiro quarto de hotel de luxo.

A cama, essa, foi das mais confortáveis que já senti, e os lençóis, seguramente dos mais macios. Todos os detalhes foram tidos em conta neste quarto!

À nossa espera estavam saborosos religieuses e uma garrafa de Deutz!

Quarto aprovadíssimo! Estava na hora de conhecer melhor todo o hotel!

O hotel tem uma decoração que me enche as medidas a 100%, poderia facilmente viver aqui!

Nunca estive num hotel com tantos espaços dedicados apenas ao relaxamento e aos momentos de ócio.

Um dos ex libris é a piscina interior com água aquecida a 28 ºC (que poderia estar bem mais quente por mim!). Esta zona é toda em vidro o que permite estar em plena sintonia com os jardins do hotel que são um autêntico parque mas que aquando da nossa estadia estava camuflado pelo branco da neve!

No entanto este é mais um dos belíssimos locais do hotel. Seja para descansar depois duma visita a Reims, seja para ler um livro, seja para um copo de champagne ao entardecer.

Os encantos nevados dos jardins do hotel

Falando em champagne um dos locais mais vibrantes do hotel é o Le Bar, onde é possível fazer uma degustação de vários champagnes.

Le Bar

Mas o verdadeiro tesouro do hotel é o seu restaurante! Que, como já disse, mantém três estrelas Michelin desde 2014, com o cunho de Arnaud Lallement.

Aqui tive oportunidade de saborear uma das melhores refeições da minha vida e de assistir a uma verdadeira peça de teatro tal era a perfeição da sintonia entre toda a equipa de sala! Mas sobre isso, o João fala-vos melhor num artigo exclusivo!

A mesa preparada para o nosso jantar

Efetivamente não haveria melhor forma de celebrar os meus 35 anos do que num hotel cujo conforto e decoração tem a mais perfeita conjugação, cujo ambiente é do mais familiar e cujo restaurante é um dos melhores de França!

Era a certeza dum aniversário bem feliz! E assim foi!

Mais ainda quando depois de um jantar inesquecível, somos surpreendidos com um pequeno almoço a condizer, uma sala imaculada e cheia de tranquilidade, produtos de primeira qualidade e muito cuidado e amor em tudo o que se proporciona aos clientes!

Obrigada Assiette Champenoise, não vejo a hora de voltar!

Assiete Champenoise
Quartos a partir de 185€
40, Avenue Paul Vaillant-Couturier, Tinqueux – Reims
+33 (0) 3 26 84 64 64
infos@assiettechampenoise.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Champagne Pol Roger

Quem me conhece ou segue o blog sabe bem do meu fascínio por “bolhas” e pelos encantos e versatilidade que um bom champagne pode trazer em cada momento!

Poderia enumerar uma série de casas e vinhos com os quais vou flirtando de quando em vez, mas a Pol Roger é sempre o meu porto de abrigo, pela sua riqueza e complexidade brilhantemente combinadas com frescura e elegância.

Pelo que, quando decidimos visitar a região de Champagne, havia sempre um nome a soar mais alto no meu pensamento, uma visita à Pol Roger! Problema? A Pol Roger é uma das poucas casas que continua a não se preocupar com visitas ou investimentos em marketing, assim uma visita apenas poderia ser feita por convite. Uma pedra no caminho, mas como quem tem amigos nunca está sozinho, eis que estamos de visita marcada para um longo dia nesta inesquecível casa.

História
A Pol Roger começou como muitas outras empresas de vinho, uma pequena empresa que comercializava e produzia vinhos para grandes casas como a Moët & Chandon ou Perrier Jouët, até que o seu fundador – Pol Roger – após se estabelecer em Épernay decidiu comprar as suas primeiras vinhas e começar a engarrafar o seu próprio vinho.

Desde sempre a Pol Roger ficou conhecida por ser a mais britânica das casas de Champagne, por um lado por ter sido uma das primeiras casas a apostar nesse mercado e a trabalhar os vinhos de perfil Brut – o preferido dos ingleses – e depois pela relação duradoura que estabeleceram com Sir Winston Churchill, o célebre primeiro ministro inglês que sempre assumiu preferir Champagne a todas as bebidas e Pol Roger perante todas as marcas.

“Eu não poderia viver sem champanhe. Na vitória eu mereço-o. Na derrota preciso dele!”
Winston Churchill

A amizade de Churchill e Odette Pol-Roger tornou-se efectivamente no grande marco comercial e institucional da empresa, da homenagem feita a Churchill após a sua morte – todas as garrafas exportadas para o Reino Unido, passaram a exibir até aos anos 90 uma faixa preta – ao lançamento do seu vinho mais exclusivo em 1984 o Cuvée Sir Winston Churchill, feito apenas em anos de altíssima qualidade e cujo blend permanece um segredo de família, sempre com o ideal de que cada edição deste vinho iria agradar ao mítico primeiro-ministro inglês.

A Propriedade
É bem no centro da Avenue de Champagne em Épernay que toda a acção da Pol Roger tem lugar, da lindíssima mansão de influência inglesa (pois claro!) aos armazéns, e aos mais de 7,5km de túneis que se estendem ao longo da famosa avenida onde repousam os milhões de garrafas da empresa nas suas diversas fases de produção.

A guiar-nos esteve o sempre exímio e elucidativo Pierre-Samuel Reyne  (responsável pelo exportação da empresa), das notas das primeiras encomendas de Pol Roger em nome de Winston Churchill em 1908, às fotos de família, passando pelas garrafas recuperadas do histórico desabamento das caves da empresa que quase a levou à falência em 19o0. Tudo respira história combinada com um certo Noblesse oblige!

Mas conhecer o mundo da produção de champagne não é visitar um palácio, os seus elegantes escritórios ou os seus documentos históricos. Conhecer a verdadeira essência da produção de uma casa de Champagne está numa visita aos seus impressionantes túneis, onde os célebres remueurs, continuam nos dias de hoje a executar a remuage manual em todas as garrafas produzidas pela empresa – um caso único entre as grandes casas, que muito prova sobre a postura e a filosofia desta empresa.

Pascal, o mestre Remueur, cujo ritmo de movimento ninguém consegue acompanhar

Filosofia
Pol Roger é sinónimo de elegância e muita subtileza, é assim nos seus vinhos, e é assim na sua relação com o mundo e os seus clientes. Não existe uma relação entre a empresa e os media, não existe um investimento desmesurado em marketing, nem uma ligação a festas ou celebridades – com excepção da família real britânica que normalmente não abdica de Pol Roger nas suas celebrações.

Um estilo definido na origem da empresa e que os seus descendentes respeitam como ninguém, mesmo com a chegada de Dominique Petit o atual chef de caves em 1999, com mais de 20 anos de experiência na Krug, o estilo e a ausência de madeira mantiveram-se inalteráveis, com uma aposta cada vez maior nas melhorias na produção, na exaltação da fruta e claro na harmoniosa elegância que caracterizam os vinhos da Pol Roger.

 

Os vinhos
Chegados à histórica Sala de provas, onde dias antes a família se tinha reunido para decidir os pontos finais de mais um blend, aguardava por nós um pedaço da história da empresa, os vinhos, e uma bandeira de Portugal, numa clara demonstração de respeito e hospitalidade para com as visitas!

Pol Roger cuvée Brut Réserve
Um blend de 3 partes iguais de Pinot noir, pinot meunier e chardonnay de certa de 30 crus diferentes, combinados com 25% de vinhos reservados. Estagia em garrafa durante certa de 4 anos antes de ser colocado no mercado, resultando num dos vinhos mais interessantes do seu segmento. Um nariz atrativo, com fruta, flores e um delicado toque de brioche, que nos indica de imediato o que estamos a provar. Na boca, uma combinação de frutas compotadas, notas de mel e o longo mas subtil toque de casca de laranja para elevar a prova. Um Champagne de “entrada” que nunca, mas nunca, compromete!

Pol Roger cuvée Pure Extra Brut
Um blend semelhante ao Brut Réserve, mas aqui sem dosagem, num exercício de mostrar o estilo da casa num vinho próximo do seu estado natural. Ao nariz chega-nos uma delicada combinação de citrinos e fermento aprimorada por uma certa complexidade de aromas florais. Na boca a sensação é arrepiante, com a grande acidez a ser perfeitamente conjugada com a estrutura do vinho. Um vinho que não apetece parar de beber, especialmente se a companhia for a certa – Devia ser obrigatório em todas as marisqueiras!

Pol Roger vintage 2012 Blanc de Blancs
Os vintage da Pol Roger são os vinhos que deram nome à casa, especialmente pela sua personalidade e longevidade. O Blanc de Blancs é, como o próprio nome indica, feito exclusivamente com Chardonnay, neste caso apenas com Grands Crus da região Côte des Blancs. Um vinho de baixa produção, que estagiou 7 anos antes de chegar ao mercado. O nariz revela um pouco de frutos secos muito bem combinado com pêssego e um lado cítrico e exótico muito interessante. Na boca o vinho é bem direto, mostrando um lado complexo com uma vibrante juventude, com sabor a citrinos e uma acidez inesquecível.  Elegância será certamente o nome do meio deste vinho!

Pol Roger vintage 2009
O Vintage 2009 foi criado com o habitual blend dos vintage da casa, com 60% de Pinot Noir e 40% de Chardonnay, e uvas provenientes de Grand Cru e Premiers Cru da Montagne de Reims e Côte des Blancs. Este vinho estagiou por 8 anos nas caves da Avenue de Champagne antes de nos trazer à vista uma bolha bem viva e persistente e ao nariz a riqueza e a elegância de fruta branca bem conjugada com algumas notas de padaria. Um vinho delicado e elegante na boca – sim mais uma vez a palavra elegante – com a mousse, a acidez e a estrutura a preencher a boca como poucos. Um grande vinho, e uma das melhores relações qualidade preço no mundo dos champagne vintage.

Pol Roger vintage 2009 Rosé
O Vintage 2009 é criado num processo um pouco diferente de um clássico rosé. Ao vinho base do vintage clássico junta-se cerca de 15% de vinho tinto Pinot Noir antes da segunda fermentação, já em garrafa. O rosa salmonado da sua cor, cativa facilmente o interesse, e o seu aroma de frutos vermelhos, brioche e algum especiado dizem-nos que – sim! estamos perante um grande vinho. Na boca a frescura, estrutura e a complexidade de sabores levam o título…

Pol Roger Sir Winston Churchill 2008
O cúvee prestige da Pol Roger, criado em homenagem ao seu mais célebre embaixador. Um vinho preparado apenas com uvas de Grand Cru, de vinhas que já produziam na época de Churchill. O blend exacto, apesar de dominado pelo Pinot Noir, é um dos grandes segredos da família, que apenas produz este vinho quando conseguem encontrar aquilo que Churchill tanto apreciava nestes vinhos, robustez, volume e harmonia. Os aromas do vinho vão mudando consoante a temperatura, começando por mostrar fruta branca e padaria, passando depois a frutos secos e alguma laranja. Na boca o seu equilíbrio entre robuztez e elegância conquista rapidamente o provador, com citrinos e pastelaria a serem os sabores de maior evidência. Se 2008 é um grande ano para Champagne, o cúvee Winston Churchill será certamente um dos seus mais surpreendentes exemplares! Um grande vinho!

Um dia de aniversário perfeito para a Cíntia, que começou com uma visita e prova na Pol Roger

Depois de uma fantástica prova, foi tempo de uma curta viagem até ao centro de Épernay para um almoço onde reinou, como é óbvio, a clássica cozinha francesa, e onde pusemos de lado as provas para passar efectivamente à degustação dos vintages da Pol Roger.

Por fim e antes de uma viagem a outro pequeno paraíso de champagne fomos visitar algumas vinhas da Pol Roger bem na encosta de Épernay, para encontrarmos um cenário único e inesquecível!

Winter is coming!

Obrigado Pol Roger e obrigado Pierre por este dia perfeito!

Pol Roger
Não são possíveis visitas, mas os vinhos estão em todas as grandes lojas do mundo!
polroger@polroger.fr

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Fotos: Flavors & Senses

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Champagne de Venoge – Les Suits du 33

No início deste ano rumamos mais uma vez a Paris, a eterna cidade que nos preenche a alma (e o estômago também!).

Desta vez não queríamos ir apenas a Paris e decidimos visitar uma região que há muito nos suscitava interesse – Champagne (porque será???)!

Começamos por Épernay, mais propriamente pela charmosa  Avenue de Champagne na belíssima propriedade de Venoge!

Decorria o ano de 1837 quando Henri-Marc de Venoge deixava a Suíça e se estabelecia em Champagne onde fundou a de Venoge & Cie com o seu filho Joseph.

Um ano mais tarde Henri-Marc eternizou um momento extremamente importante no marketing da história do Champagne criando o primeiro rótulo ilustrado.

Henri-Marc de Venoge

Após isso a casa ficou famosa por criar rótulos para outras importantes referências da região, assim como pelo adopção da sigla “cordon blue” em homenagem ao rio Venoge e à ordem dos cavaleiros do Saint-Esprit, a mais famosa da monarquia francesa.

Nos escritórios da de Venoge podemos ver os diferentes rótulos criados pela empresa ao longo dos séculos

O L’Hôtel de Venoge, património mundial da Unesco, viu a sua construção terminada já em 1900, mostrando o dinamismo pelo qual a região estava a passar já no século XIX, e que se traduziu numa propriedade cuja elegância e luxo se coadunam na perfeição com a imponência da rua que habitam.

Obviamente não ficamos na casa principal, aqui apenas tivemos o privilégio de fazer uma visita acompanhados pelo mais simpático dos anfitriões, o Noé Boinard. Um jovem apaixonado por champagne, por viagens e pela vida! Foi uma excelente companhia na visita à casa onde pudemos ver cada recanto de história da família de Venoge, como os primeiros rótulos das garrafas, por exemplo, e também à adega onde é guardado o bem mais precioso da casa – o Champagne.

Acabamos na mítica Sala Louis XV a provar os champagnes de Venoge. E que cenário mais elegante poderíamos querer para terminar a visita ao L’Hôtel de Venoge?

Anexo à casa de família está um local transformado mais recentemente, que é um edifício com quatro quartos deluxe e um apartamento apelidado de Les Suites du 33, numa alusão ao número da porta que ocupam na Avenue de Champagne.

Ficamos num dos quartos.

Muito semelhante a um quarto num hotel de luxo, o nosso quarto era constituído por sala com kitchenette equipada com tudo o que era necessário, desde frigorífico a máquina de café. Além deste local, tinha o quarto propriamente dito, com uma cama bem confortável e uma casa de banho bem elegante. A decoração do quarto mantém a mesma elegância da casa principal, mas obviamente menos clássico.

Já o apartamento, é perfeito para uma viagem em família ou com um grupo de amigos, já que possui três quartos.

Junto a este edifício, mais propriamente à frente, está o L’ Écurie. Um espaço renovado recentemente naqueles que eram os antigos estábulos da casa, é agora um bar e loja.

Foi aqui que tomamos um excelente pequeno almoço e que relaxamos um pouco do frio e da neve que se faziam sentir lá fora!

Pois é, o problema de viajar pela Europa em Janeiro é que se apanha muito frio!

Os jardins da casa não puderam mostrar todo o seu encanto pois apenas uma cor se fazia notar – o branco! Mas obviamente a neve tem os seus encantos!

E além disso, mais uma razão para regressarmos a Épernay e à elegante de Venoge – ver toda a sua magia com sol e cores dignas de primavera ou de outono!

Passando a palavra aos vinhos, ou não estivessemos aqui por eles, deixo algumas notas do João sobre os mesmos:

de Venoge Cordon Blue Brut
Um surpreendente “entrada de gama”, com excelente relação qualidade/preço para aquilo que normalmente encontramos na região. Um vinho em que o Pinot Noir se associa ao Pinot Meunier e ao Chardonnay, para criar um conjunto levemente dourado, de boa complexidade aromática, flutuando entre a fruta branca, a maçã e as amanteigadas notas de brioche. Na boca todo o conjunto revela muita elegância e complexidade com uma bolha longa e cremosa. Revela uma ótima capacidade de envelhecimento.

de Venoge Princes Blanc de Blancs
Uma homenagem criada em 1864 para o Princes d’Orange, perdura até aos dias de hoje como uma das linhas chave da casa de Venoge. Um vinho 100% chardonnay, feito apenas com uvas de Grand cru e Premiers cru, caracteriza-se por uma forte mineralidade e crocância, que nos traz notas secas e perfumadas de flores, maçã e citrinos. Na boca mantêm-se a frescura e as notas, aliadas ao habitual sabor de pêssego em compota, que tanto se associa ao chardonnay. Mais um vinho com enorme potencial de guarda!

de Venoge Princes Blanc de Noirs
Da mesma linhagem do anterior, o Blanc de Noirs, 100% Pinot Noir como tem de ser, revelou-se um vinho de excelência, repleto de frescura e com grande riqueza aromática.  Muito frutado no nariz, focado nos aromas de frutos vermelhos bem frescos, segue a mesma linha na boca, com complexidade, boa mineralidade e uma vinosidade que o torna único. Belíssimo vinho!

Até breve Champagne e até breve de Venoge!

Obrigada Noé por todo o carinho!
Champagne de Venoge – Les Suites du 33
Quartos a partir de 215€
33 Avenue de Champagne – Épernay
+33 (0)6 75 81 08 01
adv@champagnedevenoge.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Ekhaya Bush Villa

Localizado em Hoedspruit, muito próximo ao Kruger Park, existe um local que nos faz sentir parte duma grande família.

Esse local chama-se Ekhaya bush villa, e a sua equipa tem como principal objetivo garantir a hospitalidade e transmitir as verdadeiras tradições de África do Sul aos seus hóspedes.

Constituído por apenas seis quartos, o que o torna ainda mais intimista! Dispõe ainda de uma sala de estar e de jantar que é comum a todos os hóspedes e que torna toda a experiência dos Safaris num momento ainda maior de partilha e conhecimento.

Mal chegamos ao Ekhaya tivemos logo oportunidade de conhecer e conversar com um casal americano muito simpático com os seus 60 que já lá estava há dois dias e que nos confessou a sua paixão por viagens! Ao jantar conhecemos os restantes habitantes desta casa africana cheia de alma, e acabamos a nossa estadia a fazer amizade com um casal australiano.

Isto é a estadia no Ekhaya, uma casa de família onde todos vivem em harmonia!

As refeições são confecionadas pela simpática equipa que recebe os hóspedes e trata de toda a casa. São refeições de comida tradicional africana e todos os hóspedes jantam juntos enquanto se vão conhecendo!

O Ekhaya tem também uma piscina e um ambiente que convida ao relaxamento envolto naquele encanto tipicamente africano.

Durante a estadia nesta casa sul africana o que não falta são atividades que rapidamente se transformam nas melhores experiências da nossa vida. Seja um Safari pelo Kruger Park para ver os Big Five, seja um dia a fazer um tour pelo Blyde Canyon e as suas magníficas paisagens, seja a visitar o Hoedspruit Endangered Species Center, que como o próprio nome indica cuida e protege as espécies ameaçadas, seja a passear de barco por Blyde Dam e a observar o mais magnificente Canyon do mundo (sendo que é apenas o terceiro maior!).

  

E quando decidimos dar por terminada a nossa estadia eis que toda a equipa nos presenteia com uma canção de despedida bastante animada que nos enche os corações com vontade de voltar novamente!

Para nós o seu posicionamento estratégico junto ao aeroporto de Hoedspruit foi fantástico para uma noite de descanço antes de uma maratona de voos de regresso a casa.

Para quem procura um porto de abrigo junto ao Kruger Park o Ekhaya é uma ótima opção!

Ekhaya Bush Villa
Quartos a partir de 120€
374 Kierrieklapper StreetHoedspruit

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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&Beyond Ngala Safari Lodge

Como escrever sobre a melhor experiência da tua vida?

Passaram-se meses desde que vivenciei aquele que considero ser o mais genuíno e mais excitante momento da minha vida… aqueles 31 segundos do olhar mais penetrante e provocador que já senti!

Não, não vos vou descrever um qualquer Affair, nem tudo na vida é sobre sexo… às vezes a vida resume-se ao momento em que a natureza humana se cruza com a vida selvagem e à simples troca de olhares mais intensa de sempre entre um ser humano e um leopardo! Mas lá chegaremos!

Novembro foi o mês que escolhemos para conhecer outro continente que não a Ásia, foi o mês que nos aventuramos por África, que desbravamos a Cidade do Cabo e recordamos porque nós portugueses fomos tão importantes para o mundo, e foi o mês que me fez perceber que a nossa espécie é tão mais insignificante do que eu já achava.

Escrever sobre este momento demorou muito tempo porque não se pode passar para simples palavras aquilo que se vive na selva! Na verdadeira selva, onde as espécies vivem em perfeita comunhão e onde nós, nós homo sapiens “quase” não interferimos.

Parece-se com um mundo perfeito, não parece? O mais mortífero dos animais não interferir em nada?! É o momento em que nós passamos a estar novamente fora do topo da cadeia alimentar!

Sim, eu escrevo sobre hotéis de luxo, e óbvio que este artigo será sempre sobre isso! Sobre uma reserva natural chamada &Beyond Ngala, mas este artigo é muito mais do que isso. É sobre a melhor experiência de uma vida (até agora pelo menos!).

Mas primeiro deixem-me falar-vos sobre a importância da cadeia de reservas naturais da &Beyond espalhadas por esse mundo fora.

&Beyond foi criada em 1991 na tentativa de acompanhar a crescente demanda por experiências de ecoturismo e vida selvagem, e na esperança de que, toda esta procura pudesse ter uma resposta num meio empresarial que pusesse a conservação da vida selvagem em primeiro lugar com uma base económica sustentável.

Assim nasceu a &Beyond que se espalhou por África e garantiu a conservação e proteção de zonas e espécies, mas também o trabalho que se traduziu em benefícios para toda a comunidade.

Sim, podem opiniar sobre o facto das estadias nestes Lodges serem caríssimas, podem! Mas acham que as coisas se pagam com o quê? Que se leva todo um sonho para a frente e se constrói um mundo melhor para todas as espécies sem dinheiro? Acham mesmo? Então reavaliem tudo aquilo que pensam que sabem!

O Seu lema? “Care of the Land, Care of the Wildlife and Care of the People!”

Atualmente podem encontrar este lema espalhado por África, Ásia e América do Sul. E é uma certeza de que onde a &Beyond estiver, esse local será um local sagrado, onde a natureza e todas as suas espécies vivem na mais perfeita sintonia!

Chegamos ao aeroporto de Hoedspruit ao início duma tarde bem quente.

A aventura começou logo no aeroporto! O mais carismático e cómico aeroporto de sempre! As imagens falam por si!

Esta era a sala de espera entre voos!

Esperavam-nos um simpático funcionário do &Beyond.

Fizemos a viagem de cerca de uma hora juntamente com mais 4 pessoas que também estavam hospedadas no hotel.

A viagem foi marcada pela presença de dois dos Big Five (os Big Five são, como o próprio nome indica, os cinco animais a não perder – elefante, rinoceronte, búfalo, leopardo e leão) – o elefante e o búfalo!

Um grupo de elefantes em reunião, pouco depois de arrancarmos do aeroporto

Ainda nem tínhamos chegado e já tínhamos visto dois??? O prelúdio da perfeição estava confirmado!

Chegamos ao &Beyond Ngala. Um autêntico oásis no meio da selva, um misto de algo rudimentar com detalhes luxuosos, uma certa mescla de autenticidade com magia!

Recebidos por um grupo de pessoas desprovidas de preciosismos, com um discurso genuíno foi-nos trazida água fresca e fomos convidados a relaxar um pouco enquanto nos entregavam um documento para assinarmos! Sem check in, toda a informação estava já lá, previamente tratada com o hóspede para não o incomodar mais durante toda a estadia! E que papel era esse que tínhamos que assinar?!

Nem li… já sabia o que era! Uma espécie de consentimento informado, a dinâmica do nosso comportamento de forma a respeitar a vida selvagem, a forma como tínhamos que aceitar que nós somos os visitantes e temos que respeitar tudo o que nos rodeia. E também, o facto de que se algo correr mal, pode correr mesmo muito mal! Sim, podemos morrer, ser atacados e morrer! E ou aceitamos e corremos o risco e assinamos o consentimento ou não poderemos participar nos Safaris! Assinado o papel foi tempo de nos ser atribuído um funcionário que nos acompanharia ao quarto naquele momento e a quem teríamos que contactar durante a estadia quando quiséssemos sair do quarto à noite! Pois é… estamos numa reserva no meio da selva, não há grades à volta do hotel! E recentemente tinham tido algumas invasões de alguns animais mais perigosos e então decidiram reforçar as entradas dos quartos e também o acompanhamento constante do hóspede. Assustados? Não fiquem! A adrenalina de estar lá e pensar nisso é indescritível!

Ao longo do caminho até chegar ao quarto ainda nos cruzamos com um bambi (Uma impala quero eu dizer!).

Algures no caminho para o quarto

Há 21 quartos no Logde, quatro dos quais específico para famílias, sim, as crianças são mais do que bem vindas.

O nosso quarto era constituído pelo quarto propriamente dito, um pequeno closet incorporado no quarto, um quarto de banho de serviço e depois o verdadeiro quarto de banho todo em vidro que dava para um chuveiro exterior e um espaço de jardim que nos fazia lembrar que estávamos no meio da savana, onde por vezes se esgueiravam alguns pequenos animais para nos fazerem companhia!

O quarto tinha também uma varanda com um sofá no qual ainda nos foi possível ter conversas interessantes com alguns esquilos que insistiam em tentar entrar no nosso quarto!

Nesse primeiro dia foi tempo de trocar de roupa e seguir para o bar/sala de convívio para tomar um refresco e seguir para o primeiro Safari da minha vida!

Uma das bonitas zonas de bar do lodge

Fomos incluídos num grupo de mais quatro pessoas, dois casais, que se viriam a revelar uma excelente companhia durante esta experiência. E fomos apresentados ao Shaun e ao Tom – o Ranger e o Tracker respectivamente, que nos guiaram e nos ensinaram como funciona toda a vida selvagem e que foram a chave do sucesso de toda esta experiência.

Os 40º que se faziam sentir foram-se dissipando quando subimos ao jipe (os jipes são abertos sim, somos nós e a selva numa proximidade que tem tanto de assustadora como de fascinante) e começamos a percorrer a reserva!

Bambis por todo o lado! É das espécies que há em maior número, a natureza tem o dom da perfeição, uma vez que estes são o alimento de várias outras espécies!

Kudu

Wildebeest

Nesse fim de tarde tivemos oportunidade de ver um leopardo fêmea, e toda a sua perspicácia na tentativa de caçar uma impala, e o Shaun disse-nos que se tivéssemos sorte teríamos oportunidade de conhecer a sua família, os dois bebés já grandinhos e o Macho, com quem eu viria a ter a troca de olhares mais perturbadora da minha vida e o rosnar mais sexy de sempre!

Em preparação para a caçada

Há Safaris ao nascer do sol e ao por do sol, de forma a garantir uma maior probabilidade de ver os animais, porque durante o dia tendo em conta as temperaturas que se podem atingir é quase impossível encontrar algumas das espécies. Principalmente porque o principal rio que passa naquela reserva está completamente seco.

Rio Timbavati completamente seco

Nesse fim de tarde foi ainda tempo para parar o jipe numa zona descampada e igualmente segura para beber um gin e petiscar algo. E que momento incrível – apreciar o por do sol no meio da savana, sem pretensiosismos, sem medos, completamente livres…

Penso sempre que adoro o expoente máximo do luxo, mas é nestes momentos que percebo sempre que nada é mais perfeito e me dá mais prazer do que a sensação de algo genuíno e virgem…

Nesse dia ainda aproveitamos a selva durante a noite, quando decidimos regressar do nosso pequeno descanso já tinha escurecido e foi excitante percorrer todo o trajeto de volta à reserva com apenas as luzes do jipe e uma lanterna (enorme, mas que não deixava de ser uma lanterna!) a iluminar o nosso caminho… não sei se têm noção, mas ali não há luz nenhuma à volta! Achamos que sabemos o que é a escuridão, mas viver na cidade não nos permite percebê-la na realidade. Ali não, ali, apenas as estrelas e a lua iluminam a noite. É mágico!

Na reserva os dias têm sempre a mesma dinâmica, levantar às 4h (o funcionário responsável por nós bate à porta a essa hora, para o caso dos despertadores não serem o suficiente!) e às 4h45 temos que estar no lounge para tomar café e arrancarmos para o primeiro Safari do dia às 5h!

Um dos confortáveis pontos de encontro

Na primeira noite não consegui pregar o olho sequer, tal era a excitação!

Nessa noite tínhamos chegado do Safari às 20h30, fomos diretos jantar no restaurante da reserva que com o seu staff está preparado para receber todos os hóspedes que chegam exaustos do Safari, com sorrisos genuínos e com comida tradicional e de conforto.

O Lindíssimo cenário que nos esperava para jantar

Lombo de vitela com satay de amendoim e tahini

Acabados de jantar fomos para o quarto, era tempo de descansar e o cansaço era bem presente mas a adrenalina de estar ali não me permitiu dormir!!!

No segundo dia quando o funcionário bateu à nossa porta estava eu já prontinha a partir para a aventura!

Equipas prontas para mais um dia

O encontro no lounge era sempre caracterizado pelas expressões de sono vs felicidade! Começamos a criar laços com as pessoas que iam no nosso jipe. A Zandri e o Brendon, curiosamente também eles Rangers de um outro Lodge do grupo, o  &Beyond Phinda. Quão privilegiados somos, 3 Rangers no mesmo jipe, só podia ser uma experiência incrível!

E a Anika e o Eshan, um casal maravilhoso do Sri Lanka que é louco por Safaris!

Grupo perfeito para uma viagem perfeita!

Shaun, o João, Brendan, Eshan, Anika, Zandri, eu e o Tom – que equipa!!

Pelo caminho ainda fomos travando amizade com pessoas do mundo inteiro, o que só tornou esta viagem ainda mais memorável.

Incrível como por norma os meus artigos são apenas sobre as características do hotel e a experiência duma forma mais objectiva, e agora não consigo não ser emotiva e falar sobre todas emoções que fui sentindo ao longo desta estadia… destes três dias que pareceram uma vida!

No segundo dia avançamos com o Safari da manhã que começou logo duma forma extremamente excitante… Cães Selvagens! Uma série deles aliás! Que de acordo com o Shaun, já não eram vistos há seis semanas.

Pudemos observá-los a organizarem-se para caçar, são das espécies mais mortíferas devido a essa capacidade de organização em grupo.

Wild Dogs

Outro dos highligths dessa manhã foram os jovens leopardos a descansar, e extremamente incomodados por sentirem o seu sono a ser perturbado!

Crias de Leopardo

Tempo de regressar para tomar um pequeno-almoço digno de guerreiros!

No &Beyond Ngala tem umas panquecas que são de morrer!

Nesse dia foi tempo de aproveitar a piscina do hotel, os 39ºC que se faziam sentir obrigavam a estar sempre dentro de água, enquanto observávamos uma família de warthogs, não sabem o que é? Lembram-se do Pumba do Rei Leão?! Esse mesmo!!! Andava um casal e as suas três crias a passear livremente pelo hotel e a tomar banho num pequeno lago que existia ao lado da piscina!

Cenário incrível!

O Pumba e os seus filhos a descansar nos caminhos do lodge

Não podia pedir muito mais para descansar!

Após um merecido descanso foi tempo de nos prepararmos para o segundo Safari do dia! Reunimos no lounge do hotel e decidimos iniciar a tarde com Gin, mal sabíamos que seria efetivamente um fim de tarde bem agitado e animado! Aproximava-se o momento crítico duma verdadeira batalha de titãs na selva!

Uma boa seleção dos fantásticos Gins sul africanos

A água é essencial ao longo de todo o safari

Começamos por ver uma mãe e uma cria de rinocerontes, e tal era o espanto do bebé que se tornou dos momentos mais cómicos da tarde!

Perguntam vocês como conseguem todas estas espécies não atacar o jipe mal nos vêem? Primeiro porque estes jipes e a nossa espécie nunca constituíram uma ameaça para eles, segundo porque não somos a sua presa, e terceiro porque a equipa do &Beyond vai treinando a forma como vai aparecendo às crias, para que estes se possam habituar desde pequenos à nossa presença.

Os verdadeiros fotógrafos de Safari

Depois foi tempo de ver a família dos elefantes com um bebé que ainda andava meio a cambalear, como se estivesse extremamente tonto! Uma ternura!

Os elefantes são animais que transmitem uma imagem ternurenta mas que são provavelmente o animal que mais respeito impõe na selva! Nesse dia estaríamos prestes a perceber isso!

O bebé ainda mal conseguia andar!

Continuando o nosso Safari foi ainda tempo de ver hienas, animal com aquele ar meio traiçoeiro! Também excelentes caçadores por trabalharem muito bem em grupo.

Hiena

Girafa

Onde está o wally?

Entretanto o Shaun recebeu um aviso das outras equipas nos outros jipes – um conjunto de leões estaria no rio… óbvio que fomos sem demoras!

E lá estava um conjunto de leões, desde fêmeas, machos e bebés, muitos bebés, sendo que um deles era branco! Algo raríssimo, existem cerca de 15 no mundo inteiro! Que privilégio poder estar no meio da selva e presenciar um dos mais raros exemplares desta espécie.

Existe algo mais lindo?

Senti-me das pessoas mais felizes naquele momento… senti-me completa! Mal eu sabia que ainda faltava acontecer tanta coisa naquele meu novo mundo selvagem!

Minutos depois a família de elefantes que tínhamos visto há pouco começou a descer as margens do rio mesmo em frente ao nosso jipe, por precaução afastamo-nos.

E assistimos a uma iminente guerra de titãs! Achava eu… não há leão nenhum que seja titã o suficiente para um elefante! Não, o Leão não é o rei da selva, esse é mesmo o elefante! O bebé branco foi o primeiro a fugir “deixa-me fugir que eu sou demasiado raro e não posso morrer!” Deve ter sido o seu pensamento! Os machos e os restantes bebés foram os seguintes, apenas duas fêmeas ficaram, incrível como os elementos do sexo feminino são os mais corajosos, seja qual for a espécie!!!

Assustador ficou quando o bebé elefante começou a aproximar-se e uma das fêmeas (provavelmente a mãe) decidiu levantar a tromba (sinal de ataque) e correr atrás das Leoas! Foi de tremer! Mais ainda quando também se virou para o jipe e tornou a levantar a tromba, e por um milésimo de segundo tu pensas: se eles se dirigirem para nós, não há como escapar!

Provavelmente o momento mais excitante de sempre na minha vida! Achei eu! Mal sabia eu o que me esperava na manhã seguinte!

Após esta loucura toda foi tempo de parar num local seguro para petiscar algo e brindar a mais um dia incrível!

Ainda houve tempo para mais um rinoceronte

Descobrimos que era o aniversário do Eshan e o hotel mais uma vez mostrou a sua capacidade exímia de tratar os seus clientes. Havia uma garrafa de espumante para comemorarmos o dia especial do Eshan e também este dia memorável para todos nós!

Shaun Zandri e Brendan

Voltamos à reserva e foi tempo de nos prepararmos para um grande jantar! O jantar que juntava todos os hóspedes numa festa bem animada! Estes jantares fazem-se como forma de despedida dos diferentes grupos. Basicamente é apenas aconselhável ficar três a quatro dias nestas reservas, pelo grau de cansaço que este tipo de experiência provoca, e pelo grau de exigência deste tipo de turismo.

Daí, a cada três dias faz-se um jantar que englobe todos os hóspedes e grupos de Safaris com os rangers e os trackers para que possamos ter uma festa de despedida! É nestes detalhes que percebemos o serviço que o &Beyond providencia. É a isto que podemos chamar luxo!

Uma noite bem dormida era tudo o que precisava antes me preparar para o último dia na selva! E nessa noite já dormi, o cansaço foi superior à adrenalina!

Mais um encontro às 4h45 no lounge, e toda a mentalização de que este seria o último dia em comunhão total com a natureza!

Após o fim de tarde do dia anterior ia convicta que não haveria muito mais para ver ou sentir! Nada podia ser mais intenso que aquilo que tinha acontecido ontem… nada podia criar tanta adrenalina dentro de mim como ver leões e elefantes a enfrentarem-se! Não era possível! E não era mesmo… até nos cruzarmos com o Leopardo macho!

Apanhado!

O “meu” leopardo

Antes disso fomos passando por girafas e búfalos, sendo estes últimos um animal impressionante, duma beleza e imponência sem igual!

E entretanto a Zandri (que também é Ranger) avistou um leopardo, o leopardo macho da família da qual já tínhamos vistos todos os restantes membros.

Estava a tentar dormir debaixo duma árvore, essa manhã estava extremamente quente, ainda era cedíssimo e já estava um calor insuportável. Ficou incomodado com a nossa presença, levantou-se e mudou de local, insistimos em ir atrás, mais uma vez se tentou afastar de nós! Mais uma vez nós insistimos! E então ele decidiu começar a rodear o jipe dando três voltas e começando a cheirar não só todo o jipe, mas a nós também! E parou de repente! Parou à minha frente, estávamos à distância de um braço apenas, olhou-me nos olhos da forma mais penetrante com que eu já fui olhada em toda a minha vida, rosnou-me duma forma que tinha tanto de meiga como de sexy, tornou a olhar-me sem desviar o olhar e fez com que eu me apaixonasse perdidamente por aquele momento! É inexplicável, é assustador, é excitante, é desconcertante… o mundo parou durante cerca de 30 segundos!

Atrás de mim só se ouvia o Shaun: “don’t move Cíntia, don’t move, keep steel…”

É verdade que se devem aproveitar os momentos sem o telemóvel a atrapalhar, mas agradeço todos os dias por estar a gravar todo este momento, assim posso eternizá-lo duma forma ainda mais real!

Medo? Nenhum, nenhum mesmo… só queria ter podido estender o braço e tocar-lhe… mas sei que isso não seria possível!

Perguntei ao Shaun se aquilo era normal, se o leopardo achou que eu constituía algum perigo para ele, e porque parou especificamente à minha frente? E ele apenas me disse! “Ele cheirou algo em ti que lhe despertou interesse! E quis perceber melhor o que era!”

Feliz por perceber que as minhas feromonas até na selva têm impacto!!!

O último café na selva

Voltamos à reserva para o último pequeno almoço e a minha mente estava já  noutro universo! Foi de longe a experiência mais incrível que já tive em toda a minha vida… todo o contacto com a natureza no seu estado mais puro e mais virgem é duma sensação disruptiva que não se consegue traduzir totalmente em palavras. Mas estar tão próximo dum felino e senti-lo a olhar daquela forma tão intensa fez-me ficar com a perfeita sensação que esta era a experiência duma vida!

Búfalos

Nesse dia e antes de virmos embora foi ainda tempo de comprar uma série de souvenirs para a família e os amigos. Principalmente porque na loja do hotel grande parte do valor que se paga pelos souvenirs reverte a favor duma série de projetos de proteção de algumas das espécies, nomeadamente dos rinocerontes, que são caços furtivamente para lhes extraírem os cornos, que se acredita terem propriedades curativas.

A loja &Beyond no Ngala

Podem saber mais sobre o “Rhino’s whithout Borders”  e ajudar aqui!

Chegou a hora de ir embora! Tempo de despedir do grupo que nos acompanhou nesta experiência, agradecer-lhes toda a companhia, agradecer-lhes o carinho e a amizade que ficou.

Tempo de dizer:

“obrigada Shaun e Tom por terem tornado tudo isto possível!”

Obrigado a todos!

“Obrigada &Beyond Ngala por cuidarem deste bocadinho de paraíso em que todas as espécies vivem em perfeita comunhão, deste e de muitos outros espalhadas por esse mundo fora! Obrigada por continuarem a acreditar que há muitos mais locais no mundo onde podem levar a cabo este projecto tão nobre. “

Todos os recantos do Ngala, são mágicos!

E…

Obrigada meu Perfeito Leopardo por me teres proporcionado o momento mais excitante de sempre!

Até breve &Beyond!

&Beyond Ngala Safari Lodge
Quartos a partir de 560€ por pessoa com tudo incluído
&Beyond Ngala Private Game Reserve – Kruger Park

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Aubergine

Alemão, crescido no campo junto à fronteira com a Bélgica, feito cozinheiro um pouco por todo mundo… este poderia muito bem ser um resumo da vida de Harald Bresselschmidt, que depois de uma bem sucedida passagem pelo Grande Roche Hotel em Paarl, decidiu instalar-se em Cape Town e abrir o seu Aubergine.

Corria o ano de 1996, quando Harald se instalou numa casa histórica do século XIX, para rapidamente começar a mudar o cenário gastronómico da cidade. Formado na cozinha francesa mais clássica, como é apanágio dos chefs da Europa Central, e inspirado pelos ingredientes Africanos e Asiáticos e as carnes de caça únicas da África do Sul, Harald criou um espaço muito próprio, onde o vinho (uma das suas grandes paixões) ganha um papel preponderante.

Mas passemos à nossa visita… Logo à entrada somos brindados com toda a simpatia pelo staff, algo que viria a repetir-se ao longo de todo o jantar, o ambiente, dividido entre diversas salas e um terraço para as noites mais quentes, é acolhedor e mais informal do que se espera habitualmente de um clássico restaurante de fine dining.

Já instalados, somos rapidamente convidados a conhecer o menu, enquanto nos explicam as diversas opções de degustação e os vários pratos da carta.

Escolhas feitas, somos brindados com diferentes pães, uma ótima manteiga de cogumelos e azeite.

Seguiu-se uma muito refrescante, Sopa de Pepino com Tofu e Sementes, que cumpriu lindamente com a obrigação de despertar o palato.

Sopa de Pepino, Algas, Tofu e Sementes

No copo começou-se, e bem, com um Ambeloui, Methode Cap Classique, feito na combinação clássica de Pinot Noir e Chardonnay e com 3 anos Sur Lies.

Espargos Brancos, Vieira, ovas de salmão e sashimi de truta de mar
Uma composição clássica, com a vieira num ponto irrepreensível, um bom “sashimi” da barriga e do lombo da truta, e em geral um bom contraste entre as notas de terra dos espargos com os sabores mais marítimos do prato.

Desafiados por Ralph Reynolds, o “apaixonado” Sommelier do restaurante, acompanhamos o prato com dois vinhos distintos, o Aubergine 2013, feito especialmente para a casa com Sauvignon Blanc e Semillon, um vinho muito interessante na boca, sem exuberâncias nem excesso de doçura com uma forte presença da fruta.  E o Savage 2015, também ele feito com Sauvignon Blanc e Semillon, mas desta feita, resultando num vinho mais intenso, mais complexo, alcoólico e longo na boca, um grande vinho!

Lulas, tomate, risotto nero e açafrão
Apresentação mais uma vez algo datada, mas o arroz, as lulas e todos os elementos, criaram o melhor risotto que comi em muito tempo, e que desde então continuo sem comer melhor em restaurantes. Um belíssimo prato!

Para harmonizar Ralph propôs-nos TMW Mourvèdre 2016, que é como quem diz Tim Martin Wines,  um vinho com o mínimo de intervenção, elegante, fino e preciso.

Gnu, favas, pancetta, pera glaceada e cogumelos com molho de berberis 
Existe sempre uma primeira vez para tudo, e a carne de Gnu foi uma agradável surpresa! Mal passada, em jeito de rosbife, e muito bem ladeada pelos restantes ingredientes. Grande molho!

Avestruz, queijo azul, legumes, papel de parede e molho infusionado com alecrim
Excelente ponto de cocção da avestruz, bem ladeada pelos sabores dos legumes, cogumelos, as notas de queijo azul e o excelente molho com alecrim. Mais um prato com uma proteína pouco comum, que surpreendeu!

Dois pratos de caça, dois vinhos distintos, primeiro o Beaumont Pinotage 2015, provavelmente o melhor pinotage que já provei, bem equilibrado entre a fruta e a madeira, corpo médio e taninos bem integrados. Bebeu-se também o Migliarina Shiraz 2012, produzido em Stellenbosch, demonstrou características próprias da casta, alguma evolução ainda que com uma interessante intensidade e notas de especiaria que combinaram muito bem com o prato.

Duo de Huguenot e tartelete de Boland com tapenade de azeitonas e kumquats
Dois queijos produzidos na queijaria Sul Africana Dalewood, e os dois que mais os caracterizam, Boland, que resultou numa ótima tartelete, e o Huguenot em lascas finas. Um momento a que nunca consigo resistir, e do qual saí agradavelmente surpreendido pelos queijos produzidos na região. O Cabo não para de me surpreender…

No copo, Intellego Chenin Blanc 2012, a mostrar-se num belíssimo momento de prova, muito complexo e refinado. Um grande vinho, que ficou lindamente com os queijos!

Mocha Semifreddo, texturas de uvas, gelado de arroz tostado
Leve doce e equilibrado, com as uvas a fazerem um bom contraste com as notas mais intensas do mocha. Nota alta para o gelado de Arroz.

A acompanhar, o clássico, Signal Hill Straw Wine 2001,  feito de uvas provenientes de vinhas muito velhas, segue o processo clássico deste estilo em Jura. Com uma doçura elevada, não lhe faltam notas de mel, baunilha, canela, especiarias e marmelo, conjugadas com muita complexidade.

Bola de Berlim de caramelo, fondant de chocolate com gelado de baunilha, mousse de morango, tartelete de chocolate e framboesa e semifreddo de menta e maçã
A sobremesa perfeita para quem não se consegue decidir por apenas uma – que é como quem diz, a Cíntia! Preparações clássicas, tecnicamente bem executadas e com bons sabores. Destaque para a tartelete de chocolate e framboesa e a bola de berlim de caramelo.

A harmonizar esteve um Noble Late Harvest 100% Chenin Blanc Joostenberg 2017, de doçura equilibrada, com notas de marmelada, alperce e mel, finalizadas com uma excelente acidez.

Petit fours

Tal como disse ao início, todo o serviço decorreu de forma exímia, desde o tempo entre pratos à simpatia da equipa e às suas explicações sobre os pratos.  Uma das coisas que não posso deixar de destacar são os vinhos, o serviço e a qualidade da harmonização. O sommelier Ralph Reynolds explicou-nos que o chef é também um grande apaixonado por vinhos, e que muitas das vezes pensa primeiro no vinho que quer servir e depois cria o prato a partir daí, e isso verificou-se na qualidade da harmonização, surpreendente em muitos dos pratos!

Considerações Finais
O Aubergine é um dos históricos restaurantes da Cidade do Cabo, com Harald Bresselschmidt a desafiar o mercado há mais de 20 anos com as suas propostas de cozinha e atmosfera de fine dining, e a servir de abertura de portas para a boa revolução gastronómica que hoje se vive na cidade.
Os pratos de caça são memoráveis, assim como as combinações mais inusitadas de ingredientes. Mas o que surpreendeu mesmo foram as harmonizações vínicas, e a forma como comida e vinho se complementaram ao longo de todo o jantar.
Aqui estamos na casa certa para qualquer apaixonado por vinhos que visite a cidade!
Harald Bresselschmidt

Aubergine
Preço médio: 50€ sem vinhos
39 Barnet Street, Gardens  – Cidade do Cabo
+27 021 465 0000
info@aubergine.co.za

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Cidade do Cabo

V A Waterfront

Terminamos as nossas viagens do ano de 2018 pelo continente Africano.

Foi a primeira vez por este continente e uma agradável surpresa, principalmente para mim que não levava na mala nenhuma expectativa.

Confesso que queria tanto ter feito Camboja e Vietname que quando o João me conseguiu convencer com a ideia da África do Sul decidi nem me preocupar com esta viagem! Mas hoje posso dizer-vos que foi uma das melhores experiências da minha vida!

A vista sobre o centro da Cidade do Cabo

Voamos do Porto para Madrid e depois daqui para Joanesburgo, onde apanhamos mais um avião para a Cidade do Cabo. Isso tornou-se aliciante para mim pois era apenas uma viagem de longo curso (quando vamos para a Ásia são duas viagens de longo curso) e mais duas pequenas e ainda por cima a viagem de Madrid para Joanesburgo (que são 10h) foi durante a noite. O que dá sempre para descansar mais!

Voamos com a Ibéria, companhia que nunca tínhamos experimentado mas que ficamos completamente fãs. Mas sobre essa experiência o João fala-vos melhor aqui!

Fomos conhecer um bocadinho de África do Sul. E começamos pela Cidade do Cabo, a Capital Legislativa do país e a mais populacional a seguir a Joanesburgo.

As Praias lindas e geladas da Cidade do Cabo

Famosa pelo seu Porto Natural, a Cidade do Cabo tem significado histórico para nós portugueses por ter sido aqui, no Cabo da Boa Esperança, que os navegadores portugueses provaram mais uma vez o seu valor na época dos Descobrimentos, mas quanto a este assunto, lá chegaremos!

Breve resumo da História

Os vestígios mais antigos de algum tipo de ocupação humana datam de 10000 a. C. E estão presentes nas Grutas de Peers.

Mas, a primeira vez que a cidade efetivamente deu que falar foi na altura dos Descobrimentos, e graças a quem? Ao navegador Português Bartolomeu Dias!

Tantos tentavam transpor o Cabo das Tormentas – nome dado por Bartolomeu após duras tempestades que sofreram para o dobrar – mas foi este navegador português que alcançou esse feito e abriu caminho para as futuras navegações para a Índia, criando a importante ligação entre o Oceano Atlântico e Indico.

Cabo esse que João II de Portugal apelidou de Cabo da Boa Esperança! E tudo isto aconteceu em 1488.

Mas a cidade começou a crescer somente em 1652 com a Companhia Holandesa das Índias Orientais pelas mãos de Jan Van Riebeeck.

Estabelecendo-se aqui um importante ponto de comércio que servia de apoio às viagens das Índias orientais da Holanda.

Com o trabalho escravo da Indonésia e de Madagáscar a cidade prosperou, mas na altura da Revolução Francesa, Holanda estava demasiado ocupada e perdeu o controlo da Cidade, dando origem a que os Britânicos tomassem conta desta e lá se estabelecessem a partir de 1795.

A descoberta de diamantes já no século XIX aumentou o fluxo de imigração a África do Sul, e a Cidade do Cabo foi prosperando.

África do Sul e consequentemente a Cidade do Cabo passaram por momentos de grande tensão na história, nomeadamente de 1948 a 1990 com o Apartheid (como é possível pensarmos que há bem poucos anos aqui ainda existia segregação racial?E já terá terminado totalmente?), mas foi a partir de 1994 que as eleições passaram a ser livres.

O país passa por um momento incrível a nível económico, quer na área do turismo quer no ramo imobiliário, mas é bem presente a disparidade e o fosso gigantesco que separam a pobreza da riqueza, uma espécie de cidade encantada envolta numa autêntica favela onde milhões de pessoas tentam construir as suas vidas.

Este foi o primeiro impacto mal chegamos à Cidade do Cabo. A periferia está imersa em pobreza mas quando se chega à cidade propriamente dita a riqueza é uma constante.

Mansões dignas de Bervelly Hills, automóveis dignos de estrelas de cinema, e a beleza natural envolvente quase que nos fazem esquecer que acabamos de passar por milhões de pessoas que vivem num limite de pobreza assustador.

Se devem ir à Cidade do Cabo apesar deste choque, SIM… a minha resposta será sempre essa, quando estamos num país que provoca em nós um sentimento de angústia, revolta, mas ao mesmo tempo de deslumbramento.

A Cidade Do Cabo tem a vista sobre o oceano mais sublime que já tive o prazer de experienciar, conheci pessoas incríveis que me trarão memórias de felicidade para sempre, e acima de tudo, consegui dar ainda mais valor ao que tenho, às oportunidades que a vida me deu e que eu aproveitei sem hesitar, e ver o mundo e o ser humano com um olhar ainda mais atento.

Mas então, o que não perder nesta Cidade???

Selecionei 10 coisas que para mim são imperdíveis!

Ficar no hotel The Twelve Apostles
O staff mais simpático que já vi, e um ambiente de tal forma sereno que não apetece sair de lá! Contrastando apenas com a loucura do Leopard Bar que é o ponto de encontro dos locais! Por isso, se não tiverem oportunidade de se hospedar no 12 Apostles, por favor não percam uma ida ao Leopard Bar ao fim da tarde para beberem um Gin e observarem o por do sol! Eles têm um menu de Gins incrível e a um preço bem em conta para um bar de hotel de luxo! Aliás, toda a lista tem preços bastante justos. Outro ex libris do hotel é o seu Spa. Dos melhores circuitos de água onde já estive. Mas sobre toda esta experiência no Hotel 12 Apostles falo-vos mais aqui!

The Twelve Apostles

Passear por V&A Waterfront e sentir a vibração da cidade!
Há animação por todo o lado, os diferentes grupos musicais fazem fila para poder mostrar os seus dotes artísticos e entreter quem por lá passa. Este é o coração da cidade, por aqui passam milhões por ano, turistas e locais. Se a intenção é visitar um museu, passear, fazer compras, sentir a agitação e as pessoas de Cape Town, este é um local imperdível! Honestamente acho que quem passa pela Cidade do Cabo deve passar pelo menos umas horinhas por aqui.

Não é de longe o mais interessante da cidade mas merece uma visita! Daqui tem acesso a diferentes locais, como por exemplo Robben Island – onde Nelson Mandela foi mantido durante anos; Cape Wheel – a roda Gigante, que eu, como sempre, dispenso!; a Nobel Square – com estátuas dos quatro premiados ao Nobel da Paz; o Two Oceans Aquarium – para quem viaja com crianças é uma excelente opção; o SpringBok Experience para os amantes do filme Invictus; a Clock Tower – no seu estilo vitoriano, que estava fechada para obras aquando da nossa viagem; o Diamond Museum – como não poderia deixar de ser numa cidade tão rica em diamantes!Se o intuito, como foi o nosso caso, não é visitar nada em concreto, aconselho-vos a desfrutar apenas da animação constante desta região! A sentir a vida que fervilha por aqui, e a observar a Table Mountain com a sua imponência! No entanto, optamos por entrar em dois locais quando visitamos a Waterfront! Curiosamente no mesmo edifício! Mas dada a excelente experiência eles constituem mais dois pontos de importância na Cidade do Cabo! E são eles o Zeitz Mooca Museum e o Silo Hotel.

Zeitz Mooca Museum
O maior Museu do mundo dedicado à Arte Contemporânea produzida por artistas africanos, aberto desde 2017 no edifício do Hotel Silo, no Silo’s District. Tenho que vos confessar que não me apetecia perder tempo a visitar um museu nesta viagem, ainda resisti à primeira tentativa do João, mas como na manhã em que era suposto irmos à Table Mountain foi impossível por causa do vento, lá decidimos ir ao Zeitz Mocca Museum! E ainda bem pois amei! A estrutura original do edifício tem uma forte herança industrial que se coaduna na perfeição com a arte contemporânea apresentada no seu interior. As obras, o ambiente, e o edifício em si transformam este museu num dos meus preferidos de todos os que já visitei. Imperdível!

Preço: 190ZAR (13€ aproximadamente)

https://zeitzmocaa.museum

Já que estão por Silo’s District e neste edifício aproveitem para – Tomar um cocktail no Silo Hotel!
Se tiverem sorte ainda arranjam mesa no Rooftop (só acessível a hóspedes, mas quando há mesas eles facilitam o acesso) senão fiquem-se pelo 6 andar pois o bar é igualmente incrível.

Uma das experiências mais incríveis da Cidade do Cabo são as vistas deslumbrantes e megalómanas que se têm da Table Mountain.
Este é sim, sem a mais pequena dúvida, um local a não perder! Mas, boa sorte, porque tendo em conta o vento que se faz sentir na cidade, às vezes é impossível subi-la, por questões de segurança, obviamente. Tentamos duas vezes, mas sem sucesso, mas à terceira foi de vez! Fizemo-lo de funicular mas para os mais atléticos é possível fazerem-no a pé pelos trilhos preparados para isso. Honestamente, sou uma pessoa de momentos, e o momento em que chegamos ao topo da Table Mountain foi de longe dos melhores que já tive numa viagem. É mágico, é indescritível e por muito que tentem compreender olhando para as fotografias nunca vão conseguir, por isso, confiem em mim – Este tem que ser um dos vossos itens numa wishlist! O nome deve-se ao formato da montanha que se assemelha a uma mesa, que se desenvolve num autêntico planalto de 3km! Estende-se desde o chamado Devil’s Peak (melhor local para ver o pôr do sol, aliás!) a leste até à Lion’s Head a oeste, compondo o anfiteatro natural! A primeira ascensão documentada aconteceu em 1503 por António Saldanha (navegador português). Que foi o responsável pelo atual nome, por observar um terreno extenso e plano, e quem colocou uma cruz que ainda hoje é visível nas imediações da Lion’s Head! Se fizerem a subida e descida de funicular os bilhetes podem ser comprados diretamente lá, e não são caros, apenas têm que esperar um pouco nas filas!

Visitar Cape Point e o Cabo da Boa Esperança.
Se podem não fazê-lo podem, mas se são portugueses têm mesmo que o fazer. E, assim, fazer jus a Bartolomeu Dias que dobrou este último numa altura em que mais ninguém conseguia. Façam uma viagem de cerca de 1h e pouco de carro desde o centro de Cape Town até Cape Point (nós alugamos carro em Cape Town pois assim podíamos fazer este tipo de viagens e ir apreciando tudo o que queríamos com o nosso tempo – se não quiserem alugar carro e conduzir podem contratar motorista privado, ou ir nos passeios realizados por agências privadas). Conduzimos pela inconfundível Chapman’s Peak Drive e paramos em cada local da estrada cujas vistas nos deslumbravam (há vários trajetos para que possam parar em segurança).

Chegamos então ao Table Mountain National Park. A entrada é paga (303ZAR – cerca de 19€ ) e quando entramos é-nos dado um mapa bastante simples para orientação dos dois cabos.

Quais as variadíssimas razões que justificam a visita a Cape Point e ao Cabo da Boa Esperança? Se são portugueses já falamos sobre a questão histórica (de orgulho!), mas há muitas mais! É a ponta mais a sudoeste do continente africano. E a natureza é provavelmente a principal razão de o visitarem. É um parque natural com kms e kms duma beleza única, onde podem avistar uma diversidade imensa de animais (cuidado com os Babuínos!) e onde irão respirar o ar mais puro e fresco das vossas vidas (relacionado com uma corrente de ar que vem da Antártida).


Uma vez dentro do parque podem seguir sempre em frente pelos caminhos e vão diretos a Cape Point com o seu antigo Farol. Daqui têm uma vista incrível sobre todo o Cabo da Boa Esperança. Podem subir até ao farol de funicular ou pelas íngremes escadas, que vos aconselho pois podem ir apreciando as vistas! Do Farol podem tornar a pegar no carro e seguem as placas que vos levam ao Cabo da Boa Esperança, ou mal terminam as escadas do farol encontram um caminho pedonal para a Boa Esperança. Ao longo do parque podem também encontrar dois monumentos de homenagem aos dois navegadores portugueses Bartolomeu Dias e a Vasco da Gama.

Atenção ao vento que se faz sentir que é sempre imenso! E aos horários do parque – que variam de 6h/7h-17h/18h de acordo com o por e nascer do sol durante todo o ano.

Depois dos Cabos optem por parar na pequena cidade portuária Simons Town e apreciar as casas com aquele estilo totalmente colonial, que nos fazem quase viajar no tempo.

Aqui, aproveitem também para provar o fish & chips típico desta zona. Tivemos um almoço interessante no Bertha’s, o mais embemático espaço da cidade, com uma esplanada bem posicionada sobre o porto.

Depois do almoço nada como parar para ver a colónia de pinguins em Boulders Beach que é algo que certamente não imaginariam ver na vida! São centenas e centenas de pinguins africanos que se estebeceram nesta praia já desde 1982.

Entrando na colónia, e depois de comprarem o bilhete (76ZAR – 5€), podem seguir em frente ou pela direita, sigam pela direita que essa zona tem muito menos pessoas e é mais fácil ver os pinguins. Não, não podem tocar, até porque não têm acesso à praia, vão vê-los dos estrados de madeira que estão devidamente acima da areia.

Uma forma de terem um contacto mais direto com os pinguins é na praia ao lado, na Foxy Beach, mas cuidado que os pinguins não são assim tão amistosos quanto parecem! Esta zona é também ótima para fazer praia pois devido à forma da sua estrutura granítica a praia fica mais protegida do vento.

A pior altura para visitarem é Janeiro pois os pinguins encontram-se mais no mar à procura de alimento.

 

Um dos ex libris de África do Sul são os vinhos!

Por isso, uma vez em Cape Town torna-se imperativo visitarem regiões e quintas vínicas. Muito nos falaram de Stellenboch, que muito queríamos ir mas que foi impossível de conjugar com os nossos timings. E por isso optamos por visitar a quinta Bouchard Finlayson pertencente à família Red Carnation e fomos acompanhados pelo carismático Frank Woodvine, que nos deu uma aula de biologia incrível ao longo de toda a quinta.

Almoçamos com o Enólogo Peter Finlayson que foi um anfitrião maravilhoso, durante todo o almoço e prova de vinhos. Esta quinta é das mais importantes de África do Sul, e os seus vinhos dos mais galardoados, a região fica a apenas 1h30 de carro do centro da cidade mas vale cada km só para desfrutar dum ambiente familiar e genuíno e provar cada um dos vinhos.

Fizemos esta visita organizada pelo hotel the 12apostles, uma vez que os proprietários do hotel são os mesmos da quinta. (ver)

Frank Woodvine

Tivemos ainda tempo para Visitar mais uma quinta vínica, a famosa Klein Konstantia, uma propriedade lindíssima que nos foi indicada por um querido amigo produtor de vinho que já lá tinha estagiado. Uma propriedade enorme e cuidada até ao último detalhe, numa das áreas mais bonitas do Cabo. Constantia tem mesmo uma beleza inigualável, e os vinhos ali produzidos são também eles únicos e memoráveis.

Mas se tiverem oportunidade façam o circuito do vinho pela região de Stellenboch.

Alem dos vinhos, a gastronomia é algo a Experimentar em Cape Town. Apesar do nos ter parecido bastante internacionalizada houve alguns restaurantes que não posso deixar de mencionar como “a não perder” em Cape Town, como é o caso do Aubergine e do Salsify. Mas sobre estas experiências o João fala-vos ao pormenor noutros artigos (como aqui e aqui)!

Certamente haverá muito mais a visitar nesta cidade tão culturalmente rica e com um povo tão meigo, por isso, daqui a uns anos será imperativo o nosso regresso!

Até breve Cape Town!

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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