Osteria Gucci*

Cor e séculos de história nas paredes da Osteria Gucci*

Imagine um sítio onde gastrónomos, historiadores e fashionistas possam coincidir na mesma sala… esse sítio é a Osteria Gucci! O restaurante que nasce da junção da marca fiorentina ao nome mais alta da gastronomia italiana, Massimo Bottura, está instalado em plena praça della Signoria, no Gucci Gardens.
O suposto jardim não é mais do que o museu da marca e um mergulho no génio de Alessandro Michele, o director criativo da empresa, onde não faltam plantas, animais, padrões, muito charme e muita loucura ao qual se juntou também um restaurante de assinatura que vive e respira do mesmo rasgo criativo.

Sobre a decoração não há muito que se possa dizer, tudo está colocado na medida certa, no sítio e na dose certa. De destacar os brasões esculpidos que fazem parte da história da cidade e a sala privada onde tivemos o privilégio de jantar. Como seria de esperar nenhum detalhe é deixado ao acaso, dos menus às loiças criadas especificamente para o restaurante e cuja vontade é trazer todo o serviço para casa.

Ao leme do restaurante está Karime Lopez, uma mexicana com predicados que nos garantem, que aqui não estaremos num restaurante sem chef nem alma. A sua carreira levou-a pelo mundo, de trabalhar ao lado de Santi Santamaria ao Noma, passando por Mugaritz, Ryugin, Pujol e claro a Osteria Francesca, e é um pouco disso que vamos encontrar no seu menu de influência toscana, onde não falta espaço para algumas das suas criações .

gougères

Já instalados começamos por um uns ótimos gougeres para abrir o apetite, em que as notas umami do pó de tomate elevaram a pequena delicadeza.

Salumi – Culatello, spalla cotta, mortadella, stroighino
Uma daquelas seleções de enchidos e fumados às quais é impossível resistir. Produto criteriosamente selecionado, bem cortado, à temperatura ambiente e acompanhado por uma ótima escolha de pães, com destaque para os longos e viciantes grissinos. Um início sem criatividade como se espera, mas com muito sabor e a demonstrar muito bem o que é a osteria.

Pollockricotta, acelga, tomate e pimento
A técnica que imortalizou Pollock e as combinações de cores e disposições que sempre surpreenderam nos pratos de Bottura, aqui num raviolo de ricotta e acelga coberto com molhos dos restantes vegetais e um pouco de béchamel para ligar todos os elementos. Belíssimo e saboroso.

Tortellini em creme de parmigiano reggiano
Um clássico de assinatura do chef e por ventura o mais tradicional dos pratos do menu. Massa perfeita, bom recheio e molho rico, suptuoso mas simultaneamente delicado. Daqueles pratos que podemos comer todos os dias sem nos cansar-mos.

Vieni in Sicilia con Me – risotto, tomate e gamba vermelha
Provavelmente o melhor e mais bem executado prato da noite a par com os tortellinis. Risotto irrepreensível, cremoso e al dente sem excessos, gamba de boa qualidade e crua como mandam as regras. Tudo aprimorado com as notas de tomate e ervas colocadas em pó.

Dá para servirem todos os risottos por esse mundo fora assim?

Emilia Burger – chianina, cotechino, parmigiano reggiano, salsa verde e maionese balsâmica
Burger feito da combinação de chianina com a salsicha cotechino, acompanhado por diferentes molhos e pão brioche. Bom e delicado burger, mas ainda não nos traz a felicidade de um burger simples como o do Curb (quem nos segue no instagram sabe ao que me refiro).

Purple rain
As sobremesas trazem à mesa elegância máxima, ou não estivéssemos nós numa casa de alta costura. Mousse e sorvete de alfazema combinadas com diferentes texturas de coco. Fresco, leve, delicado e com sabor como se pretende de uma boa sobremesa.

Charley’s Sandwich
Uma sobremesa criada para o Charley, filho de Massimo, que muda consoante as épocas. Aqui numa típica ice cream sandwich, elevado ao estrelato. Avelã e chocolate em diferentes texturas, um apontamento de ouro e voilá. Dava para comer em quantidade…

Instalados com um pequeno grupo de amigos na sala privada o serviço decorreu de forma exemplar, sempre presentes quando necessário e com o profissionalismo que se espera da ligação de “duas marcas” de luxo.

Considerações Finais
Ao contrário de muitos restaurantes com assinatura de chefs estrelados que se limitam a dar rosto e assinatura da carta, faltando quase sempre a alma e pulso, aqui respira-se o mundo de Bottura e algumas das suas receitas mais clássicas como os tortellinis, mas a cozinha é de Karime Lopez, que com o seu jeito peculiar de combinar texturas e de dar elegância às tradições culinárias que não são suas, fazem deste Osteria Gucci muito mais do que uma sucursal. É um restaurante válido por si só, tão válido que em pouco mais de 1 ano ganhou a sua primeira estrela michelin e espalhou-se pelo mundo com novos restaurantes nos EUA e Japão.

Obviamente a combinação de Bottura e Gucci tem um preço, pelo que não se pode esperar uma refeição em conta como em muitos dos grandes clássicos fiorentinos, no entanto está longe de ser apenas mais um espaço para ver e ser visto. Aqui  a combinação gastronómica e o lado fashionista é feita em harmonia, satisfazendo a todos de igual forma, até o gastrónomo com alma de Anton Ego.

Osteria Gucci
Preços a partir de 75€ – (sem vinhos)
P.za della Signoria, 10 – Florença
+39 055 062 1744

English Version

Photos: Flavors & Senses e *divulgação

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Casa Marcelo

Quando falamos de alta cozinha galega há alguns nomes que normalmente saltam à primeira vista, raramente o nome que ouvimos é o de Marcelo Tejedor, ainda que seja ele, muito provavelmente, o “padrinho” de toda uma nova geração de chefs e restaurantes de refinado apuro gastronómico.  Formado junto de Juan Maria Arzak, Jacques Maximin, Paul Bocuse e Alain Ducasse, foi em 1999 que voltou a Santiago e iniciou a 1ª das suas revoluções. Ora vejamos,  na sua primeira roupagem a Casa Marcelo aparecia como um restaurante gastronómico, de cozinha aberta para a sala onde os cozinheiros eram muitas vezes os elementos da sala, a isso juntou-se uma única opção, um menu de degustação – ao leitor parecerá algo simples, que se vê um pouco por todo o lado mas em 1999 era disrupção ao mais alto nível!

Quis a história, a crise, e um cérebro inquieto que em 2013 Marcelo instalasse outra revolução no seu projecto, o restaurante deixaria de ser gastronómico, deixaria de trabalhar segundo padrões da crítica e das estrelas Michelin  e tornar-se-ia um gastrobar, informal, centrado no cliente e numa oferta de uma moderna cozinha galega em formato de tapas.

O sucesso imediato e a cozinha de rara sensibilidade de Marcelo e do seu braço direito Martín Vázquez, fizeram com que o guia vermelho esquece-se todas as suas exigências (pelo menos na versão portuguesa…) e lhe devolvesse a estrela michelin que tem mantido desde então.

Mas passemos à noite desta nossa visita, instalados em plena cozinha (todo o restaurante é um open space, pelo que tanto podemos ficar na corrida mesa vermelha, como em diferentes secções do espaço) e com a honra de ter o Martín como cicerone, rapidamente optamos por ficar nas mãos da equipa e ir medindo a fome ao longo do jantar.

Para começar não há melhor forma do que com pão, e que pão! Este que há anos produzem diariamente na cozinha da Casa Marcelo é perfeito a todos os níveis e vale a pena a visita apenas por ele – eu teria saído feliz com um saco debaixo do braço.

Ostra Peróla Negra, pimento padrón
Uma ostra de rara delicadeza aqui casada com um molho de pimento padrón e um óleo de especiarias que logo nos mostra a tal fusão de sabores e culturas que a cozinha de Marcelo tanto apregoa.

Tiradito de Robalo, Aji Amarillo
Produto galego, influência peruana, num fantástico tiradito cujo molho apetecia trazer em frascos, dado o equilíbrio de acidez com notas picantes.

Salada de Tomate cereja, pepino
Um clássico do restaurante, que tem conhecido várias versões ao longo dos anos, e que da aparente simplicidade apenas tem isso mesmo, a aparência. Tomate sem pele, pepino em granizado e um molho secreto que liga todos os elementos numa bela conjugação de doçura e acidez. Perfeito!

Har-gao de gambas al ajillo
Aqui começam as primeiras amostras da influência asiática na cozinha de Marcelo, experiências tão bem conseguidas que o levarão a abrir mais recentemente o restaurante Mr.Chu. Voltando ao nosso Har-gao o primeiro a chegar à mesa, veio ligeiramente colado ao prato, perdendo-se alguma da massa e por isso a sua plena sensação em boca. Apercebendo-se disso, chegou rapidamente um substituto, esse sim, brilhante! Camarão no ponto, notas vincadas da cozinha espanhola e uma massa de dim sum como nunca encontrei num restaurante que não fosse comandado por asiáticos.

Sardinha Assada, ratatouille
Mais um clássico da casa, e um daqueles que apetece comer às dúzias. Para mim durante os santos populares, podiam vir assim mesmo, perfeitas na textura, enriquecidas pelos legumes e com uma base crocante para pegar, tricar e sentir. Será pedir muito?

Poke de choco
Choco ligeiramente cozinhado sobre a sua tinta e arroz de sushi. Arroz de boa qualidade, num conjunto saboroso, mas onde a textura do choco não demonstrou o melhor de si. Não tendo qualquer erro foi o prato menos marcante do jantar.

Sargo Assado, pak choi
Mais uma vez a combinação perfeita de produto galego e sabores da Ásia, com recurso apurado à grelha, deixando o peixe sensível e delicado casado com um molho que nos fazia lamber os dedos (tudo que se pretende de um molho).

Bife Tártaro
Quem não gosta de bife tártaro nunca provou o da Casa Marcelo, e quem provou, dificilmente lhe encontra adjectivos. Tem tudo que se possa pedir, e quem me conhece sabe o quanto gosto de um bom bife tártaro!

Poke de Toro picante
Ao contrário do poke de choco, aqui nada falhava – ótima a barriga de atum com a sua gordura a cobrir toda a boca, bem acompanhada pelas notas picantes do tempero. Daqueles que não apetece parar…

Batata-porro, gema de ovo e toucinho ibérico
Na carta desde a 1ª versão gastronómica do restaurante, a batata é cortada e prensada para parecer um alho francês, bem crocante e a ganhar uma enormidade de nuances e contrastes gulosos com a junção do toucinho e da gema. Pecados dos bons!

Cerejas estufadas, mascarpone
Podia ser um tiramisù, mas era mais interessante… A cereja levemente cozinhada fundiu-se na perfeição com a delicadeza do creme de mascarpone e as notas amargas do cacau. Muito bom!

Abacate, abacaxi e coco
Frescura, frescura, frescura, é assim que gosto de terminar refeições longas e foi assim que terminamos um memorável jantar na Casa Marcelo. Texturas irrepreensíveis, acidez, doçura e gordura no ponto certo. Equilíbrio é o nome certo para esta sobremesa!

A carta de vinhos é curta, mas com opções criteriosamente selecionadas, onde obviamente se destacam os vinhos galegos e os preços justos. Bebemos um La Pola 2016,  da Ribeira Sacra, feito à base de godello, albariño e dona branca, um vinho que não cansou e acompanhou toda a refeição com as suas nuances e estrutura.

O serviço é frenético e simultaneamente de alto profissionalismo, o que nos leva a um cenário de imersão no trabalho de todos os que rodeiam a mesa enquanto preparam algumas das iguarias a serem servidas.

Considerações Finais
Ainda bem que existem pessoas como Marcelo Tejedor, pessoas livres e com vontade de correr riscos, sem medo de opiniões ou distinções. Foi essa peculiar personalidade e o raro talento e sensibilidade gastronómica que fizeram de Marcelo um cozinheiro tão especial, provavelmente o mais especial de toda a região galega. Um fora de série que hoje nos mostra não só sabores de outras latitudes fundidos com a sua Galiza como também nos mostra que a alta cozinha não tem de ser estanque, não tem de ter padrões de serviço ou de decoração. Tem sim de nos mostrar caminhos, abrir horizontes, surpreender a cada dentada e respeitar o produto que coloca sobre a mesa.

Assim, o que precisamos é de mais Marcelos e de mais viagens como aquela em que embarcamos quando entramos por esta porta. Por aqui ficam as saudades e a promessa de um regresso. Muitos regressos!

Casa Marcelo
Preços a partir de 45€ – (sem vinhos)
Rua das Hortas, 1, 15705 – Santiago de Compostela – Espanha
+34 981 55 85 80

Versão Portuguesa

Photos: Flavors & Senses

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The Vintage House Hotel

Como sabem o Douro tem um lugar muito especial no meu coração, não me canso de o visitar e o certo é que a cada visita me apaixono mais. Voltamos ao The Vintage House no Pinhão, um lugar que me traz memórias daquelas que não queremos perder nunca.

Agora a cargo da The Fladgate Partnership (com negócios associados ao Vinho do Porto, turismo e distribuição e que conta também com mais dois hotéis – o The Yeatman e o Hotel Infante Sagres), o The Vintage House apresenta uma nova roupagem, mantendo a mesma tradição e encanto que lhe são característicos.

Uma antiga adega deu origem a um hotel de luxo com uma das vistas mais idílicas do nosso país, esta é a história do The Vintage House.

Localizado no Pinhão, e dominado por quintas e vinhas em socalcos, as varandas dos quartos do hotel presenteiam cada acordar com esta imagem de cortar a respiração.

Primeira impressão
À chegada ao hotel a receção por parte do staff foi simpática com a cordialidade certa. O check in é agora feito numa sala mais ampla, bastante cosy e com vistas sobre o rio e as vinhas. Foi-nos oferecido um welcome drink enquanto aguardávamos num dos confortáveis sofás.

área de recepção do hotel

Após o check in fomos acompanhados por um elemento do staff que nos mostrou alguns pontos importantes do hotel, nos falou da nova dinâmica e organização e nos encaminhou ao nosso quarto.

Quartos
São de vários tipos – Standard, Junior Suite, Suite Deluxe e Master Suite, todos com uma importante particularidade: as idílicas vistas sobre o rio e as vinhas!

Ficamos numa ampla Junior Suite com uma casa de banho de fazer suspirar (já sabem a minha predileção por esta divisão!). Com uns generosos 42m2 e a sua cama king size bastante confortável fez as honras duns dias de descanso.

A decoração segue o mesmo padrão do restante hotel, em estilo clássico, como numa espécie de antiga casa de família que vai passando de geração em geração.

Mas sim, nada é mais importante nos quartos do hotel do que adormecer e acordar com os sons do Douro e as vinhas como confidentes!

Almoço no restaurante Rabelo

Restaurantes
O Vintage (permitam-me que o trate como um amigo) presenteia-nos com três espaços, o Restaurante Rabelo, o Bar Library e o Salão do Rio.

No primeiro tivemos a oportunidade de almoçar no terraço com ramadas de vinhas sobre a nossas cabeças e uma maravilhosa e calma vista para o Douro. Para quem prefere ficar dentro da sala do restaurante pode deliciar-se com as paredes preenchidos com pinturas alusivas ao Douro.

Mas com bom tempo e o cenário que temos à nossa frente seria até uma irresponsabilidade não ficarmos sentados no terraço. O almoço decorreu bastante melhor do que havia acontecido na nossa última visita, com pratos bem preparados e alguns detalhes técnicos de bom apuro, com destaque para a seleção de pães e bolas locais e um ótimo bacalhau.

The Library

No Library passamos um excelente fim de tarde a petiscar uns aperitivos e a degustar um bom vinho (o João, eu na altura tinha a Francisca na barriga!). Este bar tem um ambiente intimista de casa antiga onde a madeira é predominante. Confortável quanto baste, clássico e elegante como o restante hotel.

Nota alta para o simpático funcionário que nos acompanhou neste momento de ócio!

No salão do rio tivemos a oportunidade de tomar um pequeno almoço farto e com mimos por parte duma funcionária muito querida e o seu cuidado com o facto de eu  estar grávida. Mais uma nota alta para o staff! O salão do rio tem também vistas maravilhosas sobre as vinhas e o Douro!

Na piscina é também possível fazer refeições leves e tomar bebidas refrescantes ao longo de todo o dia.

Serviços
Podemos começar pela bonita e calma piscina mesmo em frente ao rio, seguindo-se todos os recantos do hotel que merecem pelo menos um passeio atento. Dentro do hotel, encontramos também o agradável Salão dos Ingleses, uma sala de jogos com bilhar, tv e lareira.

O Hotel oferece ainda um Court de Ténis e provas de vinhos, com loja de vinhos e produtos regionais. Possui ainda salas devidamente preparadas para conferências e diferentes eventos.

Para atividades extra hotel, temos a possibilidade de vivenciarmos momentos únicos ao longo do Vale do Douro, nomeadamente a bordo do PipaDouro (ver) ou na visita a muitas das Quintas do Douro, nomeadamente a Quinta do Bomfim (ver) que fica muito próxima, com o seu famoso restaurante Casa dos Ecos a cargo do Chefe Pedro Lemos que oferece uma experiência gastronómica imperdível!

Também muito próximo do hotel temos a Quinta da Roêda e a possibilidade de a visitar e ficar a conhecer a sua história e ainda saborear um farto piquenique num espaço bem intimista com uma vista deslumbrante sobre o Douro.

Atendimento
Infelizmente é do conhecimento geral que cada vez é mais difícil arranjar funcionários com formação em hotelaria/restauração, principalmente na região do Douro. No Vintage a nossa experiência decorreu sem nenhum tipo de problema no serviço (como por norma acontece infelizmente). O staff é jovem e simpático, e a forma como fomos recebidos em todos os departamentos do hotel foi calorosa e atenta.

Ponto bastante positivo para os funcionários que estiveram connosco no Library bar e no Salão do Rio.

Até breve Vintage House!

The Vintage House
Quartos a partir de 180€
R. António Manuel Saraiva, 5085-034 Pinhão
+351 254 730 230
reservations@vintagehousehotel.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Neolokal

Passaram-se vários anos desde que visitamos Istambul pela última vez (ver), desde aí muita coisa mudou na cidade e o Neolokal não foi excepção. O talento de Maksut Askar quebrou fronteiras, fez correr tinta na imprensa internacional, valeu-lhe um lugar de destaque entre as descobertas do 50Best e incluiu até uma rápida passagem por Lisboa para um jantar a 4 mãos com o Pedro Pena Bastos no extinto Ceia.

Com memórias bem presentes da sua cozinha e da forma como havia desdobrado e modernizado a tradição culinária da Anatólia, um regresso ao Neolokal era uma condição inequívoca numa nova passagem pela cidade turca.

E em boa hora o fizemos!

A sala do Neolokal continua de um encanto muito especial, mantendo a sua traça e carisma bem cosmopolita, podia estar em Londres ou Nova Iorque, podia! Mas é ali no bairro de Galata com uma vista estonteante sobre Sultanahmet que tudo faz sentido!

Chegando a carta, percebemos rapidamente que tudo evoluiu e que nenhum detalhe é deixado ao acaso, uma carta de boas vindas, o menu, uma explicação sobre a origem e construção de cada prato e um guia sobre as castas e os vinhos produzidos na Turquia – o Neolokal continua a apostar numa carta exclusivamente turca, tendo inclusivamente aberto recentemente um bar de vinhos, com destaque para os vinhos naturais e uma comida autêntica chamado – Foxy Local & Real.

O menu de degustação consiste numa partilha de pratos, dividido em várias secções de Mezze (vegetarianos, frios, quentes), pratos de peixe, carne e claro as sobremesas, ficando nas mãos do cliente a escolha do seu próprio menu, optando pelo número dos pratos e a escolha dos mesmos. Para nós a escolha foi simples, optamos por todos!

Pão de Sourdough com manteiga de cogumelos

Se no passado nos havia marcado muito pela positiva, podemos concluir que o pão continua a ser um ponto forte do restaurante, agora com ainda mais carácter e personalidade, fruto dos anos de vida da massa mãe, o difícil, mesmo, é não o manter ao nosso lado ao longo de toda a refeição.

Seguindo o pão, não tardaram na mesa os pratos, servindo os 3 pratos de cada secção em simultâneo, como em qualquer mesa mais tradicional.

Dolmade de couve e Siyez
Siyez é o grão mais antigo da Anatólia, e um dos primeiros a ser domesticado pelo homem, conhecido por cá como Einkorn, e usado neste prato como bulgur, que recheia o dolmade de couve. Junta-se-lhe melaço, folhas crocantes e puré de ervas e temos um prato vegetariano que facilmente nos deixa saudades.

Vegetais de raiz
Raiz de aipo, abóbora, batata, topinambur, marmelo, cenoura são cozinhados nos seus diferentes pontos em azeite segundo a técnica tradicional zeytinyağli. Posteriormente são servidos em diferentes texturas, e à temperatura ambiente. Um prato que evidenciou a qualidade do produto e o rigor técnico.

Topik, cebola, batata, grão de bico e tahini
Um meze inspirado na influência dos emigrantes arménios em Istambul, que resulta mais uma vez numa combinação única de sabores e texturas, onde o tahini, as ervas e o óleo das mesmas, eleva o prato a outra dimensão.

Que belo trio logo para a partida inicial!

Começamos a refeição com um orange wine natural, Chamlija Kehribar Narince 2018, feito 100% com uvas Narince. A cor vibrante faz-nos lembrar laranjada , o nariz leva-nos para aromas de pêssego, alperce , demonstra na boca um carácter fresco bastante surpreendente. Um vinho que embora laranja, siga mais para um lado quase próximo de um pet nat do que uma demonstração de taninos.

Su böreği
Su böreği costuma ser uma das minhas eleições para pequeno-almoço/almoço rápido à maneira turca. Uma espécie de lasanha de massa filo, recheada com salsa e queijo feta. Aqui foram obviamente mais longe, com a combinação de camarão, óleo de ervas, massas mais crocantes e massas mais “cozidas”. Excelente!

Anchovas Marinadas
As anchovas são provavelmente o peixe mais emblemático do Bósforo, sendo a sua conserva em vinagre um clássico de todo o mediterrâneo. Aqui ganham especial destaque pela inclusão do vinagre de figo, e pickle de feijão branco fresco. Combinação irrepreensível, cheia de sabor, com uma frescura e acidez que nos faz querer continuar a comer sem parar.

Truta Fumada
Uma salada kisir, de inspiração tradicional onde o bulgur é preparado com sumo de nabo e cenoura negra fermentado. Posteriormente acompanhada por uma irrepreensível truta fumada, com notas de pinho, pickles e uma leve maionese de ervas. Mais um conjunto fresco, repleto de texturas e sabores onde mais uma vez a acidez teve um papel fundamental na eficácia do prato.

A acompanhar esteve o Hasandede 2018 da Vinkara, um vinho de notas peculiares onde se destaca o louro, o marmelo e o limão que funcionou bastante bem com as entradas frias.

Kokoreç
A versão do neolokal de um clássico da comida de rua turca, aqui preparado apenas com o coração de cordeiro em vez de uma combinação de todas as entranhas. “Simples” e repleto de especiarias que relembram a magia da cozinha turca.

Içli Köfte
Uma espécie de pastel com a massa a ser preparada com bulgur e carne e o recheio feito com carne picada e frutos secos. Mais um take pela comida de rua que aqui ganha uma outra dimensão quando conjugado com a espuma de iogurte de limão e menta e o óleo de alho e salsa. Daquelas coisas que podemos facilmente comer todos os dias e ser sempre felizes!

Erişte com Polvo
Mais uma marca da rota da seda na cozinha turca, eriste é a versão turca da pasta italiana, aqui preparada num caldo de legumes e peixe, envolvida numa espécie de pesto de tomate seco, polvo e nozes. Um prato de puro conforto!

A acompanhar esteve um Pasaeli Sidalan 2017 da região de Kaz Daglari. Um vinho com personalidade, produzido de forma orgânica e respeitando as características da casta, foram as notas herbais e apimentadas que surpreenderam no conjunto com os pratos.

Papaz Yahni
Inspirado num estufado de peixe trazido pelos Arménios para a Turquia, aqui elevado pelo ponto irrepreensível do peixe (achigã) cozinhado com elevadas notas de especiarias e pelo molho onde se destacavam as notas de azeitona e do caldo rico de peixe. Delicado e delicioso!

Mom’s Meatballs
A cozinha das mães da Anatólia é aqui recriada com um kekab onde as almôndegas são grelhadas e acompanhadas pela tradicional salada “piyaz” aqui recriada num molho. Sabor, suculência e textura que com muito prazer comemos à mão já quase no final da refeição.

Sela de cordeiro
Um prato enorme para finalizar os principais. Cordeiro no ponto, repleto de notas da mistura de especiarias com que foi marinado, acompanhado por Mihlama, uma espécie de polenta mas com muito mais riqueza e sabor, e Uveyik um tipo de grão ancestral que aqui é de certa forma tratado como um risotto bem al dente.

Para as entradas quentes o vinho escolhido foi um Chamlija Papaskarasi 2016, mais uma casta que desconhecia e um vinho que se revelou na grande surpresa da noite, com grande elegância a fazer lembrar um pinot noir mais maduro mas de grande expressividade. Muito bom!

Baklava
Baklava é motivo por si só para visitar Istambul, massa crocante, mel, pistáchio e muita, muita técnica. A versão do Neolokal estava-me na memória desta a primeira visita, muito mais leve, mas igualmente delicada e saborosa. Servida com um creme de pistáchio, frutos secos caramelizados e gelado de amêndoa. Daqueles doces difíceis de resistir!

Bolo de Maçã
Mais uma homenagem à cozinha das mães  com um bolo de maçã cheio de nuances e técnica, com maçã e nozes, um crocante de bolo de cenoura, gelado de noz e um “merengue” sem claras , feito a partir da água de cozedura de uma raíz chamada çöven otu . Delicado, com todos os elementos a ligarem-se muito bem. Um doce de puro conforto.

Frigo
Dizem que nos cinemas da Turquia é normal comerem-se barras de gelados conhecidas por “Frigo”, aqui essa barra é levada a outra dimensão com notas de chá preto fumado, framboesas e diferentes texturas de pipocas, crocantes e em gelado. Um final feliz, depois de 15 momentos em que efetivamente parecia que estávamos no cinema a ver desfilar pratos e interpretações de sabores que nos são longínquos, mas que aqui ganharam uma contemporaneidade rara.

A harmonização das sobremesas fez-se com Suvla Tatli tatli karasakiz 2017  um delicado vinho de sobremesa que intriga pela sua dualidade entre aromas e sabores, se no nariz nos remetia para os frutos vermelhos mais clássicos na prova eram claramente as notas de marmelo que mais o marcavam.

Todo o serviço se desenrolou com grande profissionalismo e num bom casamento entre rigor técnico e descontração como pede o espaço e seu ambiente noctívago com destaque para o serviço de vinhos que aqui desempenha um papel essencial junto daqueles que como eu, pouco ou nada conhecem sobre o universo vínico da Turquia e das suas castas autóctones.

Considerações Finais
Na primeira vez que visitamos o Neolokal, o restaurante tinha praticamente acabado de abrir, e logo ali ficamos rendidos à cozinha de Maksut Askar, bom pão, empratamentos bonitos, muitas texturas e muito sabor com recurso a ingredientes muitas vezes completamente desconhecidos do nosso léxico. Ver a sua evolução ao longo dos anos e o bonito caminho traçado pela sua carreira tem sido um prazer enorme que culminou com uma certeza no final destes 15 pratos, ainda há muito que a Turquia e a cozinha da antiga Anatólia têm para dar à cozinha mais contemporânea. Dos ingredientes raros, às combinações de especiarias e jogos de texturas, todos temos um pouco a aprender e descobrir com o que se faz nesta cozinha e isso é motivo por si só para ser uma paragem obrigatória a cada visita à cidade.

Até breve!

Neolokal
Preços a partir de 50€ – (sem vinhos)
SALT Galata, Bankalar Caddesi Karaköy 34420 – İstambul
+90 212 244 00 16

Versão Portuguesa

Photos: Flavors & Senses

 

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Yeni Lokanta

A cozinha Turca é muito mais do que kebab, meze ou Lahmacun, como ficou bem patente na nossa última visita a Istambul, onde as combinações de ingredientes, especiarias e texturas nos deixou completamente rendido. Um mundo de novos sabores e descobertas quase sem limites, que tem servido o aparecimento de novos restaurantes e chefs dispostos a devolver à cozinha turca a importância de outros tempos.

Um desses restaurantes é o Yeni Lokanta  – como o nome indica, “novo restaurante” – aberto em 2013 pelo jovem talento Civan Er, que procurava afirmar o seu nome numa cozinha informal e de partilha que se inspira na tradição para desenhar a sua interpretação da nova cozinha anatoliana.

Cocktails de apresentação simples e sabores bem conseguidos

Chegados ao restaurantes, facilmente percebemos o sucesso social do restaurante entre locais e visitantes, a decoração simples e algo rústica, com o ambiente a meia luz, cria no espaço uma aura própria onde apetece estar e ficar.

Bem instalados e com cocktails escolhidos, optamos pelo menu de degustação para 2, uma interessante forma de dar a conhecer a sua cozinha de partilha.

Manti, iogurte antiochian
Como primeiro momento, um dos mais marcantes de toda a viagem (tanto que acabados por visitar outro restaurante do chef apenas por ele!), Mantis, o primo turco do ravioli, neste caso com recheio de carne, um soberbo molho de iogurte e óleos de pimenta e ervas. Uma bomba de sabores e sensações onde tudo se complementa – podia facilmente comer isto todas as semanas.

Tártaro de Köfte, batata, sumac e gema de ovo
Tártaro inspirado nas habituais almôndegas turcas, bem preparado e temperado. Por cima uma espécie de scottish egg crocante de batata com uma gema líquida no interior. Nota de realce ainda para o “molho”, uma espécie de melaço feito com sumac (especiaria turca cujo sabor ácido substitui facilmente o limão).

Muito bom também o pão de sourdough servido a acompanhar!

Beterraba, ginga, amêndoas e kaymak
Um prato vegetariano, onde se destacam as texturas, e a ligação com as especiarias e os óleos de ervas e sumac. Tudo bem ligado pelo kaymak (nata mais densa e gorda, normalmente utilizada com as sobremesas turcas). Um bom prato, mesmo para quem não morre de amores por beterraba, como é  o meu caso.

Öcce, fritos de ervas, sorvete de ginga
Ervas em vez da clássica courgette, para criar umas pequenas bolas crocantes com um sorvete (na realidade era um molho e não um sorvete de ginga). Fresco e com algumas nuances de sabor, no entanto esteve uns furos a baixo dos pratos provados anteriormente.

Queijo de Cabra, acelgas, mel com chili, avelã e tamarindo
Um grande prato! Queijo untuoso e rico, grelhado no ponto o que lhe conferia uma interessante capa crocante, acelgas com boa textura e a casar muito bem com as notas de fruto seco e o equilíbrio de sabores dos molhos.

Camarão e folhas de videira em tempura
Uma tempura bem turca, com as clássicas folhas de videira a envolver bem os camarões e fritos numa palme fina e crocante. A acompanhar, um fresco molho de iogurte, acelga e gengibre. Interessante, simples e bem conseguido!

Salsicha de Cordeironozes, feijão borlotti e pepino
A cozinha turca trata o cordeiro como poucas, e este prato é prova disso – uma bomba de sabor! Uma fantástica salsicha de cordeiro grelhada no ponto, um creme de feijão e nozes repleto de sabor e a contrastante frescura do pepino. Mais um aparentemente simples, mas delicioso prato, bem conseguido desde o sabor à combinação de texturas.

Polvo, iogurte e butarga
O Polvo turco nunca me agradou e este não foi excepção, é a diferença na qualidade do molusco face ao português e espanhol que me deixa sempre de pé atrás, especialmente no que diz respeito à textura. Posto isto a frescura e leveza do acompanhamento assim como a dimensão de sabor dada pela butarga, acabou por criar um bom complemento à menos interessante proteína.

Baked Alaska (versão turca)
Framboesas, merengue, clotted cream e amêndoa são os ingredientes para um bem conseguido e equilibrado baked alaska em versão turca.

Mahlep, caramelo salgado, avelã e abóbora
Que é como quem diz, Panna cotta turca de caramelo salgado, mahlep (uma semente muito utilizada em padaria na Turquia), avelã e molho de abóbora. Equilibrada no açúcar, com boa textura – sem os habituais excessos de gelatina – e excelente combinação de sabores. Uma boa surpresa.

Acabamos por acompanhar a refeição sempre com cocktails, mas não falta uma ampla carta de vinhos turcos com muito para descobrir.

Considerações Finais
A cozinha turca e as tradições de toda a Anatólia estão numa fase de grande mutação, num país onde as tradições ainda são o que eram, são cada vez mais os jovens chefs como Civan Er que escrevem o futuro culinário do país, olhando para todo o seu historial mas também abrindo portas ao mundo, às técnicas e empratamentos mais modernos.
Foi exactamente isso que encontramos no Yeni Lokanta , pratos repletos de sabores fortes, alguns deles desconhecidos, grande combinação de texturas e muita frescura, tudo isto num ambiente moderno e cosmopolita que cativa tanto a clientela local como os locais. Quanto a nós, será certamente um espaço a que voltaremos,  até porque meses depois desta visita continua quase impossível esquecer os Mantis com que começamos o jantar.

Yeni Lokanta
Preços a partir de 40€ – (sem vinhos)
Tomtom, Kumbaracı Ykş. No:66, 34433 Beyoğlu – Istambul
+90 212 292 25 50

Versão Portuguesa

Photos: Flavors & Senses

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Lai’Tcha

Para quem se interessa pelos prazeres da mesa, Adeline Grattard dispensa apresentações, muito por culpa do seu restaurante gastronómico Yam’Tcha e da sua presença no bem sucedido “Chef’s Table” da Netflix. Mas façamos um pequeno resumo, formada pela célebre escola parisiense Ferrandi, foi ao lado de Pascal Barbot no L’Astrance que apurou a sua técnica, e onde conheceu o seu marido Chi Wah Chan, especialista em chás. Juntos embarcaram na aventura de viajar até Hong Kong, terra natal de Chi Wah Chan, onde Adeline acabou por descobrir um admirável mundo novo, um mudo de novos sabores, técnicas e condimentos, que foi aprendendo ao lado dos mais prestigiados chefs da região.

Regressados a Paris, decidem abrir o seu próprio restaurante, Yam’Tcha, onde o chá disputa com o vinho o lugar de destaque ao lado dos pratos de assinatura, que rapidamente foi reconhecido com uma estrela pelo guia Michelin e se tornou numa das mais interessantes mesas parisienses.

Entre os vários projectos, o último foi este Lai’Tcha – inspirado na típica bebida de rua que combina chá preto com leite condensado – um café nada parisiense e totalmente embebido do espírito de Hong Kong, com “pratos rápidos” de inspiração asiática, comida para levar, cafés e os óbvios chás criteriosamente escolhidos por Chi Wah Chan.

O seu nome bastaria para que a primeira visita fosse justificável, no entanto o que nos levou até a esta porta na zona de Les Halles foi um motivo ainda mais especial. Na impossibilidade de reservar e visitar o restaurante gastronómico durante uma curta estadia em Paris, e sabendo que às terças à noite o mítico casal ocupa a cozinha do Lai’Tcha, seguimos para uma degustação única de Adeline Grattard e as suas combinações mais descontraídas.

Spring Roll de Caranguejo Real e Vieiras com especiarias
O início da degustação diz-nos logo que vamos ter sorte com o jantar… Começando pelo Spring Roll, obviamente feito na casa, com o caranguejo ainda suculento e cheio de sabor, bem acompanhado por uma espécie de molho barbecue, versão chinesa e caseira. Vieiras cozinhadas com especiarias, legumes e a frescura dos coentros para contrastar.  Ótimo!

Beringela, marisco e arroz
Seguiu-se um confortável prato de beringela, estufada com mariscos, legumes e temperos asiáticos, servida sobre arroz. Um prato leve e ao mesmo tempo com várias dimensões de sabor e texturas. Não sendo eu propriamente fã de beringela, podia ter comido duas ou três taças, o que já diz algo sobre o prato…

Polpette, China vs Itália
Uma adaptação das célebres almôndegas italianas, ao receituário chinês, que rapidamente nos transporta para o recheio de dim sum, repletas de sabor e bem equilibradas pelo molho à base de fuyu e cogumelos. A fotografia infelizmente não faz jus ao sabor do prato!

Pomelo, Maracujá e Shiso e Mocchi
A frescura que qualquer final pede, com uma simples mas bem executada salada de pomelo com maracujá e shiso. Mochi bem preparados, com a massa delicada e suave como deve ser! Belo final!

O serviço foi simples e discreto, num ambiente calmo  e super sereno – parece que há muita gente que ainda não sabe sobre os jantares da chef no restaurante.. O que para nós acabou por ser ótimo!

Considerações Finais
Poderia ser um restaurante ou um café de bairro, mas a comida, o conceito e, claro, as pessoas por trás dele, fazem do Lai’Tcha uma experiência distinta! Seja pela oferta  quase exclusiva de pratos e bebidas de Hong Kong, seja pela qualidade das matérias primas apresentadas – Adeline Grattard orgulha-se de manter os mesmos fornecedores e produtores do seu restaurante gastronómico – a visita vale mais que a pena, como já acontecia no pequeno Boutique Yam’Tcha. Os menus de terça-feira com assinatura da chef são a cereja no topo do bolo, para uma das melhores experiências de influência chinesa da cidade Luz. Ahhh e diz-se que por lá o Brunch é também um dos melhoras da cidade…

A repetir!

Lai’Tcha
Preços a partir de 33€ – (sem vinhos)
7 rue du Jour – Paris
+33 1 40 26 05 05

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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A Porto Food Week está de regresso à cidade Invicta

Depois do inevitável adiamento, a Porto Food Week regressa à cidade em moldes de “safe edition” de 12 a 20 de Junho, num momento onde se privilegia não só a ida e descoberta de novos restaurantes como também experiências diferenciadoras de  take away ou delivery. São cerca de 16 restaurantes e mais de 20 chefs envolvidos para relançar o movimento gastronómico da cidade.

A II edição da Porto Food Week, estava agendada para o final do mês de Março, mas teve que ser adiada por motivos que todos, infelizmente, conhecemos!  Numa altura em que desconfinar é preciso, a organização surge com um programa muito semelhante ao original, com rotas – grelhados, arrozes e novos restaurantes –, diversos jantares, almoços e demonstrações e conversas gastronómicas, que irão da critica gastronómica (com a nossa presença) à demonstração de receitas de rabanadas, conduzidas por chefs da #confrariadarabanada.

Com o mote de “safe edition”, a aposta passa fortemente por criar menus e propostas que além de poderem ser experienciadas nos restaurantes, poderão também ser degustadas em casa, através do take away e delivery (isto para quem ainda não se sentir tão à vontade com o desconfinamento).A Francesinha do Brasão

A semana começa, como não poderia deixar de ser, com a “Francesinha à mesa”, realizando-se simultaneamente nos restaurantes Cervejaria Brasão Aliados e Foz, juntamente com o Terminal 4450, com menus em torno da iguaria portuense e da cerveja Superbock 1927 (patrocinadora do evento).

Ainda no Terminal 4450, celebram-se as rabanadas! De 12 a 14 de Junho, seja no restaurante ou em Take Away, será possível provar as rabanadas de alguns renomeados chefs da cidade como Nuno Castro, Tiago Bonito e Arnaldo Azevedo.

A Rabanada do Euskalduna que serviu de mote ao nascimento da confraria

Segue-se o “Novo Porto” a 13 de Junho que nos traz três criativos restaurantes: Almeja, Atrevo e Apego. Três localizações, três chefs e três menus bem distintos, que mostram as características e as abordagens únicas ao produto de cada um.

Outro prato bem portuense a merecer destaque são as Tripas, com o almoço de 14 de Junho a merecer o título  “Das Tripas Coração” . Uma homenagem à tradição portuense a decorrer em simultâneo na Adega S. Nicolau e no restaurante Líder.

Adega São Nicolau

A 16 é a vez de Vasco Coelho Santos convidar alguns amigos a criar um menu em torno de Bivalves e moluscos para ser servido no Semea by Euskalduna.

Nuno Castro e Pedro Braga reúnem-se no Fava Tonka para um jantar a 4 mãos no dia 17 de Junho, com um menu em torno dos vegetais e da criatividade de cada um dos cozinheiros. A 18 o GWR PWR sobe ao palco do Cruel, com as chefs Joana Duarte e de Margarida Rego a criarem um menu surpresa em torno das memórias que as conduziram ao longo da carreira.

Fava Tonka

Os petiscos também ganham destaque durante esta semana gastronómica, no dia 19 com os restaurantes Bacalhau, Mito e Oficina a oferecerem diferentes propostas para partilhar. A 20, e para terminar em beleza com uma refeição “mais leve” a Ordem da Cabidela faz o seu encontro anual no In Diferente.

Mas porque nem só de Jantares, Restaurantes e Take Away vive a Gastronomia, há ainda espaço para conversas gastronómicas – A 15 de Junho sobre Crítica Gastronómica – com Paulo Amado, Rafael Tonon, Rui Martins, José Augusto Moreira e eu mesmo!  Segue-se a Neuro Food Talk, sobre emoções, cozinha e as reacções provocadas no cérebro, com a presença de Marta Almendra, João Pupo Lameiras, Nuno Castro, Pedro Braga, Pedro Mendonça e Marta Fraga.

Haverá ainda tempo para demonstrações em directo nas redes sociais, onde será possível aprender a fazer diferentes estilos de rabanadas, bolos e cocktails !

 

Saibam todo o programa aqui!

 

 

 

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La Table D’Eugène

Montmartre é um dos bairros obrigatórios de Paris! Das suas colinas, à basílica do Sacre-Coeur, da vista única sobre os telhados da cidade, aos artistas que se acumulam na Place du Tetre, as suas construções históricas, e claro o ambiente boémio dos anos 2o/30 que ainda se consegue respirar entre as suas ruas estreitas e inclinadas.

Como em qualquer ponto mais turístico a melhor opção é fugir dos espaços com grande aglomerado, sentir a atmosfera do bairro e da sua arquitectura deambulando entre as suas ruas enquanto se imaginam na companhia de Hemingway, Picasso, Monet e muitos outros.

É aí que surge o La Table D’Eugène, considerado por muitos como o melhor restaurante do icónico bairro parisiense. Aberto em 2008 por Geoffroy Maillard, começou por ser um clássico Bistrot de bairro, mas a formação de Geoffroy – passou por  Le Nôtre, Plaza Athénée com Éric Briffard e por fim o Epicure do Hotel Le Bristol com Éric Frechon – levou-o a caminhar a passo para o fine dining, que em 2015 culminou na conquista da 1ª estrela michelin, que mantém desde então.

Chegados ao restaurante e passando a longa cortina, somos prontamente surpreendidos por uma sala pequena, bem decorada e acolhedora, sem o formalismo aparente de um clássico michelin. Bem recebidos e prontamente acompanhados à mesa, não tardamos a receber uma pequena explicação sobre conceito, carta e menus.

À boa maneira francesa, o brinde inicial fez-se com Champagne Pierre Gimonnet & Fils 1er Cru enquanto chegavam à mesa os primeiros snacks.

Dashi, foie gras e ravioli de rábano

Tartelete de milho com ovas de salmão

Tempura de vegetais com carvão vegetal e especiarias

Se não tínhamos chegado ao restaurante com ideias feitas e expectativas traçadas, logo aqui percebemos onde estávamos e que algo de bom haveria de surgir naquele almoço. Excelentes o Dashi e Tempura!

Ceviche de Vieira, rabanete, citrinos, meregue e ovas
“Leche” servido num shaker como se de um cocktail se tratasse, um prato repleto de elementos frescos e texturas que demonstram o grande apuro técnico da equipa. Um início leve e fresco com uma elegância marcante.

Gravlax de Cavala, água chile de beterraba, dashi e hibiscos
Um prato trabalhado a partir de uma cor, e da conjugação de um interessante gravlax de cavala com sabores mais térreos. Tecnicamente perfeito e com uma excelente combinação de sabores, poderia apontar-lhe apenas que o gravlax acaba por perder um pouco do protagonismo, perante tantos e bons elementos, texturas e sabores.

Pela mão da encantadora Catherine, chegou ao copo um Pouilly-Fumé Les Cris 2018 do Domaine A. Cailbourdin, um puro Sauvignon Blanc, frutado e marcado pela mineralidade. Acompanhou bem a cura do peixe e as notas de terra do prato.

Raíz de Aipo, queijo pecorino e manteiga fumada
O prato vegetariano do menu foi também o mais desafiante em termos de sabores e texturas. A cocção da raíz de aipo moldou-lhe a intensidade enquanto lhe dava uma textura agradável e um sabor que funcionou lindamente com as notas fumadas da manteiga e untuosidade da espuma de queijo.

Ao copo chegou um Arbois Cuvée d’Automne do Domaine de la Pinte, um clássico do Jura, em que as notas complexas da Savagnin, moldadas pelo Chardonnay, resultam num vinho complexo e fresco, cujas notas de frutos confitados e secos funcionou lindamente com o prato.

 Tamboril, couve, kale e beterraba
Se ao ser pousado na mesa o prato indiciava “bom aspecto”, à prova revelou-se fantástico! A cocção do tamboril estava irrepreensível – como muito poucos que tive o prazer de degustar -, bem conjugado com os sabores terrestres e as notas especiadas da pimenta que envolvia o peixe. Um grande, grande prato!

Pintada, puré de vegetais, alho francês, amendoim e mole
Bonito, repleto de texturas e sabores que elevaram a pintada a um grande nível. Mais um prato em que se percebeu facilmente o elevado nível da cozinha aqui praticada. E sim, aquele molho que veem na foto obrigou-me a continuar a comer pão (bom pão, por sinal).

Acompanhou-se, e bem, com um tinto de Languedoc repleto de fruta vermelha e boa estrutura, um Corbières Rozeta 2017 de Maxime Magnon.

Queijo de cabra, azeitona e caramelo de whisky – uma pré sobremesa que era também um desafio à degustação pela conjugação de sabores. Óptima!

Pera, limão, chocolate branco, gengibre, líchias e geranium
A sobremesa manteve o nível alto dos pratos salgados, com o chef a trabalhar mais uma vez, e bem, as combinações de texturas, num final leve e fresco, como tanto me agrada.

Esfera de chocolate
Quando pensávamos que tudo estava terminado, surge na mesa um clássico do restaurante, A esfera de chocolate, coberta com molho de chocolate, gelado de chocolate e fava tonka e crêpes dentelle. Um pedaço de pecado para quem não resiste a uma sobremesa com chocolate. Nós não resistimos, de todo!

Finalizou-se com um Gaillac DouxLoin de L’Oeil du Domaine Plageoles 2016, cuja doçura e aromas funcionou particularmente bem com a pêra.

O serviço foi irrepreensível ao longo de todo o almoço, com os pratos a serem corretamente explicados, sem pressas nem pretensiosismos.

Considerações Finais
Um restaurante de bairro, que é muito mais do que isso! Em poucos anos Geoffroy Maillard transformou o seu pequeno bistrot naquilo que melhor sabe fazer, um fine dining! Sem as decorações palacianas, nem as mesas pomposas de muitos dos grandes restaurantes da cidade, o chef conseguiu aqui um excelente equilíbrio entre informalidade e requinte, aliados à alta cozinha. Os pratos apresentam uma capacidade técnica muito acima da média, assim como uma surpreendente capacidade de conjugação de sabores.

Foi certamente uma das mesas que mais se surpreendeu nas últimas visitas a Paris. A voltar com prazer!

La Table D’Eugène
Preços a partir de 38€ – menu de almoço (sem vinhos)
18 rue Eugène Sue – Paris
+33 1 42 55 61 64

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Maison Favart

Na Rue de Marivaux, na histórica praça junto da Opéra Comique e no coração do 2 º distrito de Paris, está o elegante Boutique Hotel Maison Favart.
Não sendo o meu bairro favorito da eterna Cidade da Luz, é certamente um bairro que transborda energia boémia. Efusivo quanto baste, é o bairro dos Grands Boulevards, onde se misturam amantes de música, cinema e gastronomia. Este último, como sabem, é de grande importância para nós, pelo que não nos faltou uma visita à Passage des Panoramas, alguns restaurantes e winebars do bairro.

Muito próximo, é possível encontrarmos alguns dos locais mais icónicos da cidade – a Ópera Garnier, as Galeries Lafayette, o Le Printemps e a praça Vendôme.

A Maison Favart está repleta de história, devendo o seu nome ao célebre casal Favart, responsáveis pelo nascimento da Opéra Comique na cidade.

Mal chegamos ao hotel, e mesmo antes de entrar, a sensação que dá é a de estarmos perante uma espécie de casa de bonecas, elegante e com um certo toque de magia nos seus tons cinza e rosa. A fachada da Maison Favart transporta-nos de imediato no tempo, numa história imersa na beleza do séc. XVIII.

Mal entramos a sensação é de surpresa – quase como se fossemos transportados para um porta-jóias com música clássica como som ambiente. Toda a decoração é requintada, onde os tons pastel, cinza e rosa se mesclam nos tecidos aveludados.

Conforto e sensação de bem estar são as palavras de ordem, mas a elegância é uma constante.

Um autêntico estilo do séc. XVIII mas revisitado!

A equipa recebe-nos com um sorriso caloroso enquanto nos serve um café junto à lareira e trata do nosso check in.

Da poltrona é possível ver o jardim de inverno que se situa mesmo ao lado da receção. Cada recanto do hotel é único e leva-nos a viajar nas memórias do casal Favart.

A Maison Favart conta com 39 quartos, de diferentes tipologias, desde o Clássico, ao Deluxe, Duplex, ou Suite, até à La Petite Maison.

Ficámos num  Quarto Clássico.

As cores fortes dadas pelo rosa contrastavam com a serenidade trazida pela luz que invadia o quarto vinda da Place Boieldieu.

O quarto tinha uma decoração de estilo contemporâneo mas com inspiração no séc. XVIII. Aconchegante, confortável e, à semelhança do restante hotel, tinha uma elegância que parecia a personificação de uma casa de bonecas.

Após umas horas a usufruir do nosso quarto, foi tempo de explorar o honesty bar da Maison Favart. Mesmo ao lado da receção, naquela que é também a sala do pequeno-almoço, temos um espaço de bar, com aquele conceito que eu tanto gosto, o de honestidade! Em que cada hóspede se pode servir do que tem à disposição e apontar o que gastou. Um fim de tarde bem passado num momento de ócio que apela a um comportamento tão nobre.

Honesty bar

E por falar nesta sala, onde se serve um pequeno-almoço típico parisiense, é provavelmente a que melhor descreve aquilo que tenho vindo a dizer: este hotel é uma espécie de porta jóias ou de casa de bonecas. Vejam e digam-me se não tenho razão na descrição?!

Outro dos serviços do hotel é a sua área de bem estar composta por piscina aquecida com cascata de água e uma espécie de nuvem de espelhos, uma sauna e uma sala de massagens com uma excelente marquesa de água que proporciona um verdadeiro refúgio do bulício de Paris nesta altura do ano.

Aqui, encontramos também um pequeno ginásio para ajudar a desgastar o exagero de ingestão gastronómica e vínica ao longo de toda a estadia!

Outra das atividades que a Maison Favart promove é a visita a uma propriedade de viticultura – a Domaine de la Soucherie  – que pode receber hóspedes para estadia na sua La Maison des Amis, e os seus quatro quartos elegantemente decorados, ou apenas para visita à propriedade e degustação, com uma vista deslumbrante sobre o vale, e tudo isto a menos de 2h30 de Paris.

A Maison Favart é um pequeno e mágico refúgio no centro de Paris. Um boutique hotel que nos faz regressar à infância e àquele local seguro.

É uma casa enfeitada com glamour de outra era, onde sorrisos e lembranças de outros séculos nos enchem a alma!


Maison Favart
Quartos a partir de 270€
5, rue de Marivaux – Paris
+33 1 42 97 59 83
contact@lamaisonfavart.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Zuma Dubai

Trendy, trendy, Trendy ! Muitos são os restaurantes onde “ver e ser visto” são palavras de ordem, no entanto, poucos ou nenhum conseguem levar e manter um padrão de alto nível como o Zuma – são mais de 10 restaurantes espalhados pelo mundo, milhares de clientes, milhares de pratos e um padrão sempre relativamente elevado.

No meio de tudo isto o Zuma Dubai é o porta estandarte do grupo fundado em 2002 por Reiner Becker e Arjun Waney, pelo que não poderíamos deixar de o visitar na nossa primeira visita ao Dubai. Um feito ninguém tira a este Zuma, conseguir ser durante mais de 10 anos o restaurante mais badalado e celebrado do Dubai e é um feito de grande valor! Especialmente numa cidade onde tudo acontece e onde não param de abrir novas cadeias e restaurantes de elevado nível.

Conseguir mesa não é tarefa fácil, mas um bom concierge é meio caminho andado e lá nos conseguiram encaixar na primeira hora do almoço! Chegamos 5 minutos antes da abertura e pudemos acompanhar à distância o briefing de toda a equipa, num misto de exigência com sessão de motivação e energia, rapidamente cada elemento recolheu à sua posição e fomos prontamente acompanhados à mesa.

O espaço, dividido em diferentes patamares, vive da luz natural e de uma decoração cosmopolita onde impera o conforto e os longos balcões onde podemos acompanhar o trabalho, quer na Robata quer no Sushi bar.

Confortavelmente instalados e atendidos de forma célere e exímia, começamos pelos cocktails como não poderia deixar de ser, ou não fosse o bar um dos pontos fortes do restaurante.

Rikka tonic

Usuzukuri de hamachi, ponzu e óleo de trufa

O prato mais celebrizado, e simultaneamente o mais copiado do Zuma – finas fatias de Hamachi cobertas cm molho ponzu, preparado com óleo de trufa. Ao contrário daquilo que normalmente provamos nas “cópias”, aqui o aroma falso do óleo não se sobrepõe a nada, deixando brilhar o peixe e a frescura do ponzu, dando-lhe apenas um pouco mais complexidade.

Vieiras, Umeboshi e mentaiko
Vieiras de Hokkaido preparadas na Robata, servidas no ponto com um pouco de umeboshi e ovas de mentaiko. Saboroso e delicado!

Karaage de frango
Coxas de frango desossadas, panadas e fritas com um molho levemente picante. Petisco bem conseguido, da textura à suculência e sabor. Viciante!


Geshi smash

Sashimi
Fatias de diferentes peixes, com destaque para a apresentação e para a qualidade do atum. Peixe bem cortado mas sem se revelar surpreendente.

Nigiri premium
Uma seleção dos melhores nigiris criados no restaurante, com destaque para o toro de atum com ouriço, o camarão com trufa de verão, a enguia preparada na casa e, claro, o wasabi fresco, e verdadeiro, que – para quem nunca o provou – faz toda, mas toda a diferença! Arroz no ponto e peixe bem cortado.

Mais cocktails – eu nem queria!

Souflé de Maracujá, Gelado de sesámo
Souflé preparado com mestria, interior quente e cremoso, a contrastar  muito bem com a temperatura e o sabor do gelado. Um final delicado e saboroso!

 O serviço decorreu de forma exímia, das recomendações à mise en scène tudo funcionou de forma célere e com uma boa disposição contagiante, especialmente se tivermos em conta o número de clientes que atendem diariamente.

Considerações Finais
O Zuma é há mais de 10 anos o restaurante mais concorrido do Dubai, tornando-se quase num ritual para os expatriados que por lá vão passando. Ser trendy e hype é nos dias de hoje algo relativamente fácil de conseguir, haja algum bom gosto e muito dinheiro para investir, o difícil é conseguir isso tudo com recurso a produto de boa qualidade, e uma consistência muito acima da média, quer no serviço quer na comida.

É certo que está longe de ser inesquecível, ou uma experiência única para comensais experientes, especialmente quando temos em conta os preços praticados, no entanto, toda a experiência é de alto nível e tornou-se quase numa visita obrigatória para quem passa pelo Dubai.

Zuma Dubai
Preços a partir de 50€ – menu de almoço (sem vinhos)
Dubai Mall Fashion Avenue Ground Floor nº203
+971 4 32 00 477

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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