Park Hyatt Dubai

O Dubai fazia parte do meu imaginário como uma espécie de filme de ficção científica, aquele local onde me sentiria parte dum qualquer mundo no ano de 2100! Identificava-o na minha mente como frenético, caótico e alucinante. Categorizei-o como sendo uma cidade extremamente cara e sem grande interesse para uma possível viagem!

Enganei-me redondamente!!! Não em tudo… é sim uma espécie de cenário de ficção científica!

Chegar ao Dubai, vindos da calma e paradisíaca Abu Dhabi cria um impacto em nós que tem tanto de entusiasmante como de estranho! Impossível perceber a dimensão dos arranha céus que rasgam o céu em tons de cinza metalizado! De Abu Dhabi ao Dubai é cerca de 1h e pouco de táxi, e os táxis praticam preços bem acessíveis, mesmo em viagens assim mais longas.

Mal chegamos ao Dubai é perceptível que a cidade está em constante mutação! Acredito que quando regressar já se terão erguido mais uns quantos arranha céus!

Esta viagem tinha como objetivo descansar, 2019 estava a ser um ano caótico e tudo o que eu precisava era de acalmar um pouco, e consegui essa proeza (sim, para mim acalmar um pouco é uma autêntica proeza!) em Abu Dhabi, mas quando me deparei com a loucura do Dubai achei que isso não seria possível!

Mais uma vez… enganei-me redondamente! E devo esse engano ao Park Hyatt Dubai, que se traduziu num autêntico oásis no meio da frenética cidade do Dubai!

Claro que posso começar por vos contar o nosso primeiro dia com o nosso cicerone de serviço, o amigo de longa data Nelson Catanho, que vive no Dubai há já bastante tempo, e que começou por nos levar a um brunch. Ao que parece as sextas-feiras no Dubai equivalem aos nossos domingos, ou seja, dia de Brunch e de dolce far niente!

E quem acha que não se bebe álcool no Dubai??? Pois bem… Desenganem-se!

Bebe-se sim, e muito, mesmo muito!!!

 

Mas, deixemos as histórias que não se podem ou devem contar e vamos lá ao que interessa! O nosso pequeno grande refúgio – Park Hyatt Dubai!

Primeira impressão
Chegamos ao hotel já de noite, mas a sua imponência era bem perceptível mesmo sem grande luz.

Localizado no extenso complexo Dubai Creek Golf & Yacth Club o Park Hyatt Dubai significa o verdadeiro escape de luxo na localização mais idílica. Estamos perto do caos da cidade, mas quase como se escondidos num mundo à parte, onde apenas a serenidade impera!

A chegada ao Lobby permitiu-nos imaginar um filme das mil e uma noites, com uma decoração maioritariamente árabe e com a riqueza dos detalhes a fazer-se notar de imediato.

O check in foi rápido, e prontamente fomos acompanhados ao nosso quarto, e muito bem acompanhados – de carro! Como o hotel tem dimensões consideráveis e para não cansar o hóspede, somos acompanhados por um funcionário de carro até ao nosso quarto. E que quarto!!!

Quartos
O hotel conta com 223 quartos e 34 suites, todos eles com uma vista deslumbrante para a Dubai Creek.

O nosso quarto, com um pequeno jardim e acesso direto à Marina, tornou-se no refúgio perfeito logo pela manhã com os sons da natureza a fazerem-se ouvir discretamente.

Enorme, com uma decoração que combinava pormenores árabes com estilo moderno, a casa de banho foi o local perfeito para mim. Banheira ao centro, rodeada de espelhos que faziam a separação perfeita do restante quarto, chuveiro espaçoso e um closet ao lado dos espelhos.

O quarto tinha a disposição perfeita para um despertar bem calmo, com a cama de frente para o enorme jardim e a vista sobre a Marina.

Os tons de beje, castanho e laranja subtil condicionaram os nossos sentidos em direção ao relaxamento.

Brasserie du Park

Restaurantes
Gastronomia de qualidade, decoração elegante e vistas deslumbrantes caracterizam os restaurantes e bares do Park Hyatt Dubai. Aqui encontramos gastronomia ocidental, tailandesa e francesa. Comecemos pela Brasserie du Park – com um toque de cozinha clássica francesa, foi aqui que nos deliciamos todos os dias com um excelente pequeno-almoço.

Já no Noépe, somos agraciados com as melhores vistas sobre a elegante marina e usufruirmos do conforto dum ambiente tipicamente de verão, que nos remete facilmente para Ibiza ou Mykonos, onde o branco e o azul marinho preenchem os elementos decorativos e onde podemos relaxar envoltos na brisa que se faz sentir e nos protege do bulício da cidade.

Noépe

Aqui tivemos um jantar agradável onde pudemos experimentar uma série de petiscos onde o Mar e marisco são o grande destaque do restaurante.

Prato de marisco do Noépe

O destaque do jantar vai claramente para o prato de marisco, onde não faltavam amêijoas, mexilhões, camarão, ostras e lavagante. Seguiu-se um bom périplo de snacks, como ceviche de atum, camarão e lulinhas fritas e para finalizar uma boa costela de vitela assada lentamente.

Não podia faltar a minha dose de açúcar!

Um dos locais que mais me apaixonou foi o eclético Seventyseventy!

Um espaço requintado, inspirado no design elegante do início dos anos 70.

Seventyseventy

A moda, o design e a atitude fazem deste espaço um local para clientes que procuram sofisticação.

Com cocktails de assinatura apaixonam-nos em todas as ocasiões, antes do jantar, ou num fim de noite num cenário de música da época a marcar um momento icónico numas férias memoráveis.

Outro dos espaços, mas que não tivemos oportunidade de experimentar, é o The Thai Kitchen. Com verdadeiros sabores da Tailândia, usando ingredientes tradicionais e importados diretamente de lá.

Já o Shisha Lounge foi um dos meus espaços favoritos para as noites quentes que se fizeram sentir. Um lounge em que o conforto é a palavra de ordem, com sofás, almofadas, velas, e uma cozinha árabe de café e shisha, com vista para a pitoresca marina e para o Dubai Creek.

Um dos locais mais utilizados durante a nossa estadia, uma vez que não arredávamos pé da piscina, ou da Lagoa, foi o Pool Bar, localizado no ambiente tranquilo da piscina.

Decoração elegante com apontamentos árabes foi o local perfeito para terminar todos os dias “exaustivos” de total relaxamento!

Para quem fica no hotel numa longa estadia e quer variar na gastronomia tem ainda várias opções no extenso complexo Dubai Creek Golf & Yacth Club – o Casa de Tapas, o Boardwalk, o Cielo Sky Lounge e o QD’s Bar & Grill.

The Lagoon
Serviços

Não me vou estender a falar dos serviços inerentes a qualquer cinco estrelas, principalmente sendo este hotel do grupo Hyatt. Quem segue o blog sabe perfeitamente do luxo a que o grupo Hyatt já nos habituou.

Aqui no Park Hyatt Dubai interessa sim falar dum local – The Lagoon! Um autêntico oásis no coração do hotel. Localizado nas margens do Dubai Creek, esta majestosa lagoa com efeito de infinity pool inclui também uma bela praia particular.

Quase como um retiro tropical de areia branca e água quente onde ao longe conseguimos quase sentir o bulício da frenética Dubai. Os locais privados em torno da Lagoa são o local perfeito para um sunset inesquecível.

Foi sem dúvida o meu local nestas férias!

A piscina rodeada com o seu jardim e o Spa Amara são um ex libris também, e fazem as delícias dos mais novos e das famílias, mas a Lagoa torna-se facilmente no local favorito dos casais pela sua tranquilidade e ambiente intimista.

O Park Hyatt Dubai é também o local perfeito para os amantes de Golfe ou não estivesse ele inserido num imenso complexo de Golfe, onde a loucura da cidade não se faz sentir e apenas a calma é nossa confidente.

Atendimento
O Hotel tem aquilo a que eu chamo de equilíbrio perfeito no que diz respeito ao atendimento. A sensação que dá é que temos toda a privacidade do mundo mas quando precisamos dum funcionário ele aparece miraculosamente!

um dos meus spots preferidos do hotel

Por exemplo, passar o dia na Lagoa ou na piscina, e de repente pensar: “este calor merecia algo bem fresco!” Abrem os olhos e andam funcionários a distribuir gelados! Isto é a dinâmica do hotel! Atentos às necessidades dos hóspedes mas sem o mínimo de invasão!

Imaginem-se numa cidade que não parece ter fim, numa cidade que não parece dormir e numa cidade que nos entra na mente como se nos fosse possuir… essa cidade, que parece só existir nos recônditos mais loucos da nossa mente, é o Dubai!

Mas agora imaginem que conseguem estar nessa cidade mas protegidos pela serenidade dum local que parece quase ser o paraíso – esse local é o Park Hyatt Dubai!

Park Hyatt Dubai
Quartos a partir de 170€
PO Box 2822, Dubai – Emirados Árabes Unidos
+971 4 602 1234
dubai.park@hyatt.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Din Tai Fung Dubai

Din Tai Fung é um nome inconfundível para quem gosta de gastronomia, famosa pelos seus xiao long bao e todos os clássicos de dim sum, preparados à mão em cada uma das suas lojas. Hoje este pequeno restaurante de Taiwan, nascido nos anos 70 tornou-se numa das maiores cadeias mundiais de restaurantes, estando espalhada um pouco por todo o mundo, mas sempre com mesmo foco inicial – bons produtos, trabalho de artesão, pratos feitos na hora e um serviço rápido e atento.

Considerando a minha paixão por comida chinesa, e em particular por bom dim sum, não podia deixar escapar esta oportunidade para visitar um dos seus espaços durante a nossa estadia no Dubai, mais propriamente a loja do Dubai Mall. A visita deu-se durante o período do Ramadão, pelo que a afluência estava limitada a estrangeiros e turistas, pelo que fomos prontamente atendidos e acompanhados à mesa.

Sobre a decoração, nada a apontar, nem é isso que nos traz aqui, embora a vista para a famosa fonte do Dubai Mall e o prórprio Burj Khakifa sejam um ponto a destacar. Isso, e claro, a possibilidade de ver as mãos eficientes da equipa a preparar os nossos dim sum.

A velocidade com que produzem as pequenas peças de comida é  por si só uma atração.

Ao contrário do habitual aqui não há porco, de forma a respeitar os costumes locais, a carne de ovelha e galinha ganham destaque numa adaptação aos clássicos da cozinha chinesa.

Shumai de galinha e camarão
Um clássico bem executado, com a carne de galinha a manter a suculência, massa irrepreensível e camarão no ponto. Um belo início!

Xiao long bao de caranguejo e galinha
São a bandeira da casa e facilmente se percebe porquê! Apresentação delicada, dobras certeiras e recheio delicioso, que quando comido como mandam as regras do xiao long bao se transforma na epítome da comida de conforto.

Jiaozi de camarão e galinha
O tradicional prato chinês que deu origem às famosas gyozas no Japão. Era assim que eu desejava que me fossem sempre servidos, capa fina e bem crocante a contrastar com a maciez da restante massa e suculência e sabor do recheio. Perfeitos!

Sopa de wonton de camarão e galinha com noodles
Sopa não é propriamente o melhor prato quando lá fora estão cerca de 40ºC, mas este caldo de galinha exímio, a textura dos noodles e os fantásticos wontons fizeram tudo mudar de figura. Delicioso da primeira à última garfada.

Considerações Finais
Quando Bing Yi-Yang e a sua mulher decidiram transformar a sua loja de óleo num balcão de venda de xiao long bao, estavam longe de imaginar até onde levariam o nome da sua pequena loja em Taiwan. Hoje estão por todo o mundo, e em Hong Kong conquistaram a tão almejada estrela michelin, que só serve para garantir que aquilo que fazem é efetivamente bem feito. No Dubai a experiência é um tanto ou quanto única, face à substituição da carne de porco, normalmente mais saborosa e suculenta, por galinha, ainda que o resultado final seja francamente positivo, não dando por nós a desejar que o recheio fosse diferente.

A mim resta-me esperar! Na ânsia de voltar a um destino em que um Din Tai Fung esteja ali ao virar da esquina para mais um festim de conforto, sabor e prazer!

Din Tai Fung Dubai – The Dubai Mall
Preços a partir de 25€ (sem vinhos)
Dubai Mall Fashion Avenue Ground Floor nº203
+971 4 32 00 477

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Park Hyatt Abu Dhabi

Às vezes a única coisa que precisamos é fugir um bocadinho à realidade, e para isso nada melhor do que nos refugiarmos num autêntico cenário das mil uma noites.

Foi isso que nos fez optar pelo Park Hyatt Abu Dhabi. Hyatt é sempre sinónimo de luxo e arte de saber receber. É daqueles grupos que quem nos segue sabe que nunca nos desilude, e a ideia de passar uns dias no Park Hyatt Abu Dhabi parecia dar-nos a garantia de um refúgio que teria tanto de excitante como de relaxante!

E assim foi! Mas já lá iremos.

Localização e Primeira Impressão
O Park Hyatt Abu Dhabi Hotel e Villas está convenientemente localizado na praia de Saadiyat e perto de tudo o que é importante nesta região. Do aeroporto, das principais áreas financeiras e comerciais, dos campos de golfe, das principais atrações e a apenas alguns minutos do distrito cultural de Saadiyat.

Tornando bastante acessível a visita aos mais mediáticos locais como é o caso da imponente Mesquita  Sheikh Zayed e do icónico Louvre Abu Dhabi.

Mal chegamos ao hotel era tal a sua grandeza que o deslumbramento foi inevitável.

Um lobby de cortar a respiração, decoração simples, com cores neutras mescladas com cores quentes, e uma música ambiente que nos faz entrar de imediato num qualquer filme das mil e uma noites.

O lobby, enorme, menos intimista devido a essa particularidade, mas com um ambiente bastante calmo que transmitia na mesma uma sensação de privacidade.

A equipa, bastante simpática e eficaz no check in, acompanhou-nos entretanto ao quarto.

Quartos
O hotel conta com 306 quartos, dos quais alguns são quartos propriamente ditos, outros suites e algumas vilas.

Ficamos num quarto King Bed com vistas para o mar. Uma decoração contemporânea com detalhes árabes que lhe conferiam tanto de conforto como de luxo.

À nossa espera estavam vários tipos de fruta, frutos secos e pastelaria. Pequenos detalhes que fazem toda a diferença, com os mesmos a serem repostos diariamente e a mostrar os diversos produtos da região.

O quarto com cerca de 50m2 tinha uma casa de banho em mármore, bastante espaçosa, um quarto com uma cama king size extremamente confortável, espaço de escritório e um sofá que conferia ainda mais conforto ao quarto.

O ex libris? Uma varanda com uma vista de cortar a respiração sobre a praia e o mar de Saadiyat, onde tive uma das melhores experiências desta estadia… no primeiro dia acordei às 6h e, sem perturbar o ainda dorminhoco João, decidi aproveitar o silêncio perfeito do nascer do sol e a sensação plena de paz que o mar transmite naturalmente.

Restaurantes
O hotel conta com quatro opções, sendo que uma delas se divide em duas.

The Park Grill

O Park Bar & Grill é o restaurante galardoado do Park Hyatt Abu Dhabi. Desde as excelentes carnes grelhadas no carvão, ao saboroso marisco passando pelos pratos asiáticos.

Tivemos um jantar incrível na esplanada com a noite quente de Abu Dhabi como nossa companheira. Boa matéria prima, trabalhada de forma simples como se pretende num restaurante onde a grelha é o destaque.

Tártaro de Atum

Lavagante grelhado

Do tártaro de Atum, ao bife de Wagyu passando pelo lavagante grelhado ou pelo pide com trufa negra, a execução esteve à altura, ou não fosse a cozinha comandada por um chef brasileiro apaixonado pela grelha.

As vistas noturnas do The Park Grill são meio caminho andado para uma excelente refeição

Este restaurante tem também no piso superior o The Park Bar, com uma seleção ótima de cocktails e com um ambiente vibrante. Aqui pudemos degustar um menu de inspiração asiática, onde a cozinha Vietnamita e Tailandesa se destacam. A acompanhar, uma degustação única de cocktails para celebrar a nossa primeira noite pelas arábias!

The Park Bar

Um negroni de influência asiática

A refeição foi leve, fresca e de grande prazer como se espera da cozinha desta região. Nota alta para o Pho, os tacos vietnamitas e o caril de camarão.

Tudo delicioso!

O hotel conta ainda com aquele que é considerado um dos terraços mais cosmopolitas de Abu Dhabi – o Beach House.

Beach House

Um espaço que conquistou turistas e locais, pelas vistas deslumbrantes sobre a praia de Saadiyat, a música, e claro, a cozinha mediterrânea onde os sabores espanhóis e o modelo de tapas é a principal referência.

Tivemos oportunidade de almoçar aqui depois de uma manhã incrível de muito sol e muito mar. Começando com cocktails (já me conhecem!) e acabando numa ótima crema catalana de sobremesa.

Os ótimos camarões al ajillo no Beach House

O local de pequeno almoço, e um dos espaços mais importantes para mim (quem lê os meus artigos conhece bem a minha predileção por pequenos almoços), é o The Café.

Um espaço aberto o dia todo que serve especialidades do Médio Oriente e cozinha internacional.

The Café

Quanto ao pequeno almoço, efetivamente não se poderia pedir muito mais, dos sumos naturais, à pastelaria, da cozinha internacional à cozinha clássica do médio oriente, a produtos sem glúten, nada foi deixado ao acaso, ou não estivéssemos num Park Hyatt.

 

Por fim, mas não menos importante, temos o The Library.

Um salão de chá contemporâneo que serve diferentes tipos de chás e café, além de chocolates e doces caseiros.

Com os seus detalhes de couro laranja, mármore preto e lareira convida a momentos de ócio únicos.


Serviços
A verdade é que quando ficamos num hotel do grupo Hyatt não há praticamente nada que não seja possível ao hóspede, porque o mais importante é que o hóspede sinta a felicidade plena que o fará regressar.

Por isso, além de todos os serviços inerentes a qualquer hotel de luxo, o Park Hyatt Abu Dhabi tem o privilégio de estar literalmente em cima da praia de Saadiyat, o que permite ao seu hóspede usufruir da beleza de areia fina e mar de água quente.

Uma das coisas que mais me surpreendeu nesta viagem aos EAU foi encontrar uma praia como a de Saadiyat, com um ambiente de serenidade, de água cristalina e temperatura perfeita, e que me permitiu relaxar e sentir-me num autêntico oásis sem ter que recorrer aos tradicionais paraísos do globo para “fazer praia”.

As várias piscinas e jacuzzis ao longo do hotel garantem diversão e relaxamento quer aos mais novos quer aos mais velhos.

E apesar de eu gostar de praia, adoro piscina! E foi onde passei parte do meu tempo durante esta estadia, primeiro porque o complexo de piscinas era tão grande que conseguíamos quase estar sozinhos durante grande parte do dia, segundo porque como havia piscinas e locais específicos para crianças, o silêncio era uma constante, e por último, e mais importante, estava mais próxima do bar e por isso os cocktais chegavam mais rápido até mim!!!

O seu ginásio e spa permitem enaltecer ainda mais os momentos de relaxamento e de ausência do mundo real.

Importante referir que atualmente eu já me considero uma aficionada da atividade física (nem por isso, mas pelo menos já o pratico!) e por  isso logo no primeiro dia fui cliente acérrima do ginásio. No primeiro e único dia, aliás!!!

A recepção do Atarmia Spa A relaxante piscina privada do Spa

Há um conjunto de atividades que podem ser realizadas através do hotel, basta para isso contactar o Concierge e personalizar tudo ao seu próprio gosto. Seja um passeio de barco, um passeio pela cidade, uma visita a um qualquer local de interesse, ou até a oportunidade de usufruir de outras praias ou  de alguns dos famosos parques de diversões de Abu Dhabi. Tudo é possível neste Park Hyatt!

Durante a nossa estadia em Abu Dhabi optamos por visitar dois locais dos mais imperdíveis, a Mesquita Sheik Zayed com a sua imponência inigualável e o Louvre Abu Dhabi com a sua arquitetura desconcertante.

Mas o hotel também não é apenas um fantástico resort de praia focado no lazer e relaxamento,  o hotel é simultaneamente o local perfeito para a organização de conferências e congressos com as suas seis salas e salões.

Mas nem só para trabalho servem estas salas! Qualquer que seja a comemoração, qualquer que seja a data, qualquer que seja o momento, o Park Hyatt Abu Dhabi ajuda a preparar o dia mais feliz e importante de sempre!

Este espaço é verdadeiramente um local perfeito para umas fantásticas férias, sejam uma lua de mel, umas férias de amigos ou em família. Na realidade era tudo o que eu estava a precisar no momento em que fizemos esta viagem!

O Park Hyatt Abu Dhabi é um autêntico oásis que nos faz ter vontade de ficar sem hora de saída e nos perdermos numa história mística das mil e uma noites.

Do local idílico à gentileza da equipa e ao quão diversificados são os serviços, tudo neste oásis nos leva a deixá-lo com saudade e ânsia de querer voltar em breve.

Por isso,

Até breve Park Hyatt Abu Dhabi!

Park Hyatt Abu Dhabi
Quartos a partir de 315€
PO Box 2822, Abu Dhabi – Emirados Árabes Unidos
+971 2 407 1234
abudhabi.park@hyatt.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Jòia par Hélène Darroze

Hélène Darroze é tudo menos um nome desconhecido, se a maioria dos franceses a conhecem enquanto jurada do famoso Top Chef, os gastrónomos conhecem-lhe todos os passos desde o berço. Nascida numa histórica família de cozinheiros, fez a sua formação superior em gestão, e foi enquanto trabalhava na administração do restaurante Louis XV de Alain Ducasse, que o célebre chef a incentivou a voltar-se para os fogões, e em bom tempo o fez – da cozinha de Ducasse à 1ª estrela Michelin no “velho” restaurante de família, à sua chegada a Paris onde atingiu as 2 estrelas no restaurante homónimo, à chegada a Londres onde conta hoje com 2 estrelas, e claro, ao prémio de melhor chef feminina do Mundo em 2015.

Hélène, como boa celebridade que se preze, decidiu também ela aproximar a sua cozinha a um maior número de pessoas e da democratização da bistronomie, instalando-se assim no 8º bairro de Paris com o seu Jòia, um espaço bem distante da linha gastronómica, onde o objectivo é claramente levar até aos seus clientes a cozinha que normalmente pratica em casa junto dos amigos e da família.

Se a cozinha bebe inspiração nas origens de Hélène, mais propriamente no Sudoeste de França e no País Basco espanhol, a imagem do restaurante vive muito da influência dos anos passados em Inglaterra. Se no piso inferior as mesas altas e a cozinha ganham destaque, no piso superior tudo muda. Um elegante bar de cocktails e uma sala, repleta de sofás, livros e cores quentes com um único objectivo, fazerem-nos sentir em casa. E conseguiram!

Já instalados, não há como não começar pelos cocktails de assinatura, uma extensa carta cuidadosamente preparada e de onde se destaca este Gioia com vodka Grey Goose, Martini Ambrato, bergamota, absinto Larusée, toranja e soda. Muito bom!

Terrina com pistácio da Sícilia
O início não podia ser mais explícito do que vimos aqui provar e partilhar. Terrina executada com primazia, boa no tamanho, na textura e no sabor. Muito bem acompanhada por pão de qualidade e pickles.

Foie Gras de Landes, pimenta timut
Mais um produto da sua região trabalhado com excelência, aqui com um mi-cuit de grande qualidade, quer na textura, quer no sabor e muito bem acompanhado pelo delicioso chutney.

Ovo e trufa
Leve, untuoso e familiar são três adjectivos que muito caracterizam este prato, com o ovo cozinhado no ponto, a trufa preta, as folhas e as pequenas torradas crocantes.

Galinha de Landes, Brioche e foie
A maioria dos pratos principais é preparado para duas pessoas, pelo que este não é excepção nem poderia ser mais “caseiro”! Carne no ponto, a beneficiar do brioche e do foie que foi utilizado por baixo da pele para aumentar o sabor. Para acompanhar pediu-se uma salada de folhas e batata crocante com queijo brébis, que cumpriram bem com as suas funções!

Mil Folhas de Matcha, creme de yuzu
A sobremesa mais instagramada e famosa do espaço, vive do seu aspeto é certo, mas a leveza das suas folhas associadas à cremosidade e riqueza do mascarpone e ao creme de yuzu, são uma surpresa vencedora.
Tarte de chocolate, gelado de trigo sarraceno
De longe uma das melhores tartes de chocolate que já provei… técnica exímia, massa fina, recheio cremoso e sem excessos de doçura, deixando antever boa qualidade na escolha do chocolate. Já a improvável escolha do trigo sarraceno para ombrear com o chocolate, foi também ela muito bem conseguida. Uma salva de palmas para o pasteleiro por favor!

Durante o almoço bebeu-se, e bem, um Chardonnay da Borgonha de 2016, do Domaine de Béru. A carta de vinhos tem a particularidade de conter apenas vinhos feitos por mulheres, como é o caso da nossa Filipa Pato.

O serviço seguiu os parâmetros do esperado, muito diligente, bastante eficiente e a combinação certa de simpatia e rigor que só os franceses sabem.

Considerações Finais
Com este Jòia, Hélène Darroze decide jogar fora do seu habitual campeonato, trazendo à mesa a sua comida de conforto e memória, executando-a com rigor e produtos de excelência e o óbvio senão – o preço condizente. O Jòia é um daqueles espaços que irá viver muito para lá do nome que o assina, e onde poderemos encontrar facilmente os deslumbrados com a estrela de tv, os gastrónomos e pessoas que simplesmente querem petiscar enquanto desfrutam de uma bem desenvolvida carta de cocktails. Um espaço acolhedor, em que apetece ficar a apreciar as pequenas coisas da vida trabalhadas com mestria.

Ps: o menu de almoço com opções a 24€ e 29€ é habitualmente um sucesso!

Jòia par Hélène Darroze
Preços a partir de 60€ (sem vinhos)
39 rue des Jeuneurs – Paris
+33 (0) 1 40 20 06 06
reservation@joiahelenedarroze.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Au Passage

O Au Passage nasceu com o Boom de neo-bistrots e Wine bars que foram invadido Paris a partir de 2010. Cedo ganhou destaque e em 2012 era já um dos preferidos da agitada nova cozinha parisiense, sendo inclusive um dos premiados como “Fooding d’Amour 2012”!

Quis o destino que um espaço que tanto reflecte uma nova forma de olhar a cidade, longe do luxo e dos palácios, mas sempre focado em mostrar os melhores produtos franceses, tenha vivido sobretudo de chefs estrangeiros ao leme da cozinha. De James Henry a Dave Harrison passando por Shaun Kelly ou Edward Delling-Williams (que já passou pelo Euskalduna para um jantar a 4 mãos com Vasco Coelho Santos), e que agora a “sorte” tenha calhado a Luís Andrade, um português, feito designer e transformado em cozinheiro pela vida parisiense.

Há anos que o restaurante andava na nossa lista de espaços a visitar, e desta vez tínhamos a desculpa perfeita!

O espaço reflete a agitação da nova e viva Paris, bem diferente da histórica Belle Époque, é certo! A decoração, saída de uma qualquer feira da ladra, transporta-nos para um ambiente de tal informalidade, que não é fácil distinguir entre clientes e funcionários, tal é a agitação que se vive durante o jantar.

Aqui é mais provável jantarmos ao som de Tupac ou B.I.G. que de uma calma música ambiente, acabando a abanar a cabeça enquanto vamos partilhando os vários pratos que compõem a carta e damos mais um mergulho na boa seleção de vinhos naturais.

Salsicha seca
A forma mais habitual de começar um jantar por aqui. Produto de excelente qualidade, bem acompanhado por pickles  e um excelente pão, que viria a revelar-se essencial durante todo o jantar.

Ostras e maracujá
Ostras de bom tamanho, regadas com uma espécie de ponzu de maracujá. Primeiro estranha-se depois acabamos rendidos e a achar a combinação de Luís Andrade bem conseguida.

Vieira e Kumquat
Aqui percebemos rapidamente que apesar de toda a descontração do espaço, dos preços e do ambiente, a cozinha segue numa direção quase oposta – há aqui muito trabalho, muitas ideias e muito rigor na escolha de produtos. Vieiras em tártaro, temperadas na perfeição, com elementos crocantes a dar o toque necessário e uma emulsão de kumquat, que nos prepara para perceber que o segredo deste chef são os molhos.

Abalone, aipo e cogumelos
O toque mais japonês do menu, chega com um delicioso caldo, bem rico pelo sabor dos cogumelos, ladeados pelo toque de frescura do aipo e a textura única do abalone. Muito bom!

Lavagante
Tagliatelle feito no restaurante, com um molho fantástico e repleto de sabor, com o lavagante cozinhado num ponto tão certo, que nem sempre o encontramos assim em restaurantes estrelados. Um dos melhores pratos de pasta com marisco que já provamos!

O padrão estava elevadíssimo! Na realidade estávamos como duas crianças a pensar no que mais poderia sair dali quando:

Moleja, Espinafres e tâmaras
Um grande, grande prato! Molejas bem trabalhadas com um delicioso molho de carne, feito com manteiga de alcaparras. Espinafres suaves com o toque de sabor e textura da amêndoa, e uma incrível pasta de tâmara. A esta altura já não havia pão que resistisse aos molhos.

Pombo, shiitake, café e Polenta
Mais um prato de grande de rigor técnico, onde menos é claramente mais! Tudo cozinhado nos tempos certeiros, com o pombo a fazer-se acompanhar mais uma vez por um molho de elevadíssimo nível e uma bem conseguida polenta de café.

Tarte de Belém e Chocolate
Duas sobremesas bem distintas, uma a fazer uma espécie de regresso a casa para o chef que pegou na receita do clássico Gâteau breton e o recheou com um creme semelhante ao nosso famoso pastel português.
O chocolate, como o próprio nome indica, era isso mesmo, diferentes técnicas e texturas de chocolate, apresentadas num só prato, onde o destaque vai claramente para a bem conseguida mousse.

Ambas as sobremesas se revelaram um final mais que feliz!

Sobre o serviço, é importante lembrar o comentário feito anteriormente, sobre ser difícil distinguir entre staff e clientes, o que neste caso provou a diligência e a camuflagem de que são munidos estes colaboradores.

Considerações Finais
Para quem vive a restauração como eu, não há muitas coisas melhores do que sair surpreendido de um restaurante, fazer wow a cada prato, enquanto reviramos os olhos e lambemos os lábios. Quando um espaço como o Au Passage, com menus em ardósias, copos sem interesse e uma decoração em jeito de aproveitamentos, nos surpreende desta maneira, é a felicidade total! Ao olhar para a carta e os seus preços estamos longe de perceber o trabalho por trás de cada prato, seria bem mais fácil descongelar e usar o micro-ondas, mas não, “não teria a mesma graça!” deverá pensar Luís Andrade e a sua equipa, que começam pela manhã a preparar os jantares (o restaurante apenas está aberto das 19h à 1h30).
É uma lufada de ar fresco encontrar pessoas dispostas a trabalhar ao ritmo da estação, com menus que mudam diariamente e que não têm pretensões de sobrecarregar os clientes com preços altos, porque qualidade, padrão e rigor em nada lhes falta!

Um restaurante a ir, voltar e repetir sem desculpas.

Au Passage
Preços a partir de 35€ (sem vinhos)
1 bis, Passage Saint-Sébastien – Paris
+33 (0) 1 43 55 07 52
baraupassage@gmail.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Le Roch Hotel & Spa

O luxo é cada vez mais intimista e menos palaciano! Procuramos incessantemente um local que nos faça sentir únicos e efetivamente importantes, e cada vez menos o bulício dos hotéis de grandes dimensões. Foi isso que nos levou a escolher o Le Roch na nossa última visita à cidade da luz!

Paris é e será sempre sinónimo de luxo, de elegância e de amor! O Le Roch é tudo isso! 

Um boutique hotel com uma localização perfeita na Rue Saint Roch entre a Place de l’Opera e a Place Vendôme.

Mal entramos percebemos que o lobby tem tanto de intimista como de acolhedor, com uma decoração contemporânea que privilegia o conforto acima de tudo mas sem descorar a elegância e a estética.

A média luz faz-nos sentir seguros, quase como se soubéssemos que aqui estamos escondidos do mundo lá fora. O azul e os jogos de luz nas prateleiras dos livros criam um ambiente que convida ao ócio.

Apesar de contemporâneo, muitos dos detalhes da decoração levam-me a viajar até aos anos 20 e a sua Belle Époque, e isso é o que se pede em Paris!

A decoração de interiores ficou a cargo da parisiense Sarah Poniatowski-Lavoine que aqui colocou toda a sua alma e paixão.

O Le Roch conta com 37 quartos, cinco dos quais suites.

Ficamos num quarto superior.

Os tons e a média luz são igualmente uma constante. A casa de banho, simples e elegante, conta com a presença dos produtos Codage.

A cama, extremamente confortável, e também ela com um design simples mas muito bonito.

Fomos recebidos no quarto com champagne – um detalhe que deveria ser obrigatório em todos os hotéis de luxo!

As janelas que desciam do teto ao chão com as suas cortinas bordeaux misturavam-se com a bonita carpete que mais uma vez me lembrou o estilo art decó.

O Le Roch tem a particularidade de ser um daqueles locais para onde queremos voltar depois dum dia frenético a deambular pela cidade. Seja para usufruir dum momento de relaxamento no bar acompanhado dum cocktail, seja para ler um livro no terraço maravilhoso que é uma espécie de jardim suspenso e que nos faz esquecer do mundo lá fora, seja para mimar o corpo e a mente no spa.

O terraço e a sua confortável “casa de Inverno”

Por falar em spa, este é seguramente o ex-libris do hotel. Com piscina aquecida (desta vez não me queixo da temperatura da água!), turco incorporado na piscina, jacuzzi (cuja pressão dos jatos é um pouco exagerada) e uma zona de relaxamento.  Spa com uma das raras piscinas interiores de Paris

Ao lado do spa, um pequeno ginásio equipado com tudo o que é necessário para manter a linha e combater os excessos da gastronomia francesa.

Além do Bar e do Terraço que já referi, o Le Roch conta com um restaurante comandado por Rémy Bererd.

Roch Restaurant

A clarabóia que se encontra no centro do restaurante faz com que uma luz natural ilumine de forma brilhante todo o espaço. Os azuis e os verdes dados pelos veludos das cadeiras e poltronas escolhidos por Sarah conferem à sala uma sensação de conforto sem igual, assim como a presença em muitas das principais revistas de decoração.

Aqui provei dos melhores ovos mexidos de sempre! Ao contrário do que muitos pensam, fazer ovos mexidos não é assim tão simples! Mas os do Le Roch são perfeitos, assim como a qualidade dos produtos apresentados para o buffet!

O Le Roch é o local para os viajantes de agora, os que privilegiam a simplicidade em vez da ostentação!

Apaixona-nos pela suas cores, os seus móveis e objetos autênticos, as suas linhas simples mas refinadas.

O ambiente acolhedor que é perceptível logo no preciso momento em que se cruza a entrada faz-nos querer ficar.

Os sorrisos genuínos de toda a equipa e a capacidade de nunca se tornarem invasivos faz-nos sentir em casa.

O Le Roch faz parte desta nova forma de luxo – a arte de provocar uma experiência privativa, intimista, empática e despretensiosa!

Até breve Paris! Até breve Le Roch!

Le Roch Hotel & Spa
Quartos a partir de 370€
28, Rue Saint Roch – Paris
+33 1 70 83 00 00
reservation@leroch-hotel.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Assiette Champenoise – Arnaud Lallement

Às portas de Reims, bem no coração de Champagne, encontramos o L’Assiette Champenoise, um clássico restaurante-hotel francês, aberto há mais de 40 anos, hoje nas mãos da segunda geração da família Lallement.

Arnaud Lallement traçou bem cedo o seu futuro, sem pressões familiares, desde pequeno que soube que haveria de se tornar cozinheiro, ou não fosse na cozinha que toda a magia que envolveu o seu crescimento, acontecia. Estudou, formou-se e antes de se juntar à brigada do seu pai fez questão de aprender com alguns dos principais nomes da cozinha francesa de então, Roger Vergé, Michel Guérard e Alain Chapel – coisa pouca!

As estrelas foram-se sucedendo desde 2001, quando assumiu por completo a liderança do restaurante, até 2014, ano em que conquistou a tão ambicionada 3ª estrela no guia vermelho. Arnaud, por seu lado em nada veste o título de chef-estrela, provavelmente pelo percurso que teve é mais fácil encontrá-lo na cozinha ou numa vinha de champagne, do que em livros, televisões ou revistas. É na sua cozinha e com os seus clientes que se sente bem, e isso é o que se espera de um chef estrelado…

Mas passemos à nossa experiência, depois de surpreendidos pela decoração moderna e a qualidade dos quartos (ver aqui), é a vez de nos surpreendermos com o restaurante, à chegada somos recebidos por toda a brigada de sala, que nos acompanhou à mesa, como se de uma cerimónia de estado se tratasse, mas com simpatia, sorrisos e amabilidade, que tantas vezes falta no clássico serviço francês.

Mesas imaculadas, materiais nobres, uma sala cheia de detalhes e um clássico candeeiro Baccarat, para contrastar com os detalhes mais modernos da decoração.

Depois de instalados, começa rapidamente o show, primeiro com champagne Caillez-Lemaire Caillez Reflets Brut – elegante e bem equilibrado para começar a degustação. E em segundo por uma série de pequenos snacks que foram chegando à mesa.

Folhas crocantes, pequenas tarteletes, falafels, mousse de beterraba, entre outros. Tudo bem conseguido, a denotar o rigor técnico e a qualidade dos produtos, no entanto, sem surpreender!

Mas a surpresa não tardava a chegar, pão artesanal preparado com cerveja e manteiga semi salgada de Finistere na Bretanha. Tão bom que não consegui parar de o comer ao longo de toda a refeição.

A tradiçãoPotée Champenoise
O potée champenoise, está para a região como para nós um bom cozido, e é disso mesmo que se trata, um cozido de carnes de porco, batata e legumes. Aqui com Arnaud a abrir a refeição com uma homenagem à sua terra, num prato de altíssimo nível. Porco, couve e cenoura como mandam as regras, um caldo exímio e repleto de sabor, transformado num imaculado consomé, um apontamento crocante. Tudo perfeito e reconfortante, com as notas de pickles e mostarda a trazerem uma leveza vibrante ao prato. Um grande início!

Vieiras e endívias
Hoje as vieiras são quase chavão nos restaurantes gastronómicos,infelizmente com a maioria delas a não ser de grande qualidade! Não é o caso aqui, grandes, frescas e com uma cocção irrepreensível, acompanhadas por notas de terra dadas pelas endívias assadas com uma crosta de especiarias e telhas de paprika. Ainda no prato os elementos de ligação eram uma bela mousse de vieira e um elegante molho de vinho branco de champagne. Um prato de contrastes, sabores e texturas onde a França parece ter bebido um pouco de inspiração em Marrocos.

A harmonizar esteve um Julien Chopin Blanc de Blancs 2012 Premier Cru Les Originelles, com notas aromáticas clássicas de um champagne de chardonnay, boa acidez e ótima conjugação com as notas do prato.

Beterraba de Benoît Deloffre, algas e vermute
Quando o nome do agricultor ganha destaque no nome do prato sabemos que estamos perante um produto especial, e assim foi! Equilíbrio, gordura (dada por um excelente lardo di colonnata e uma manteiga de algas), notas de mar e de terra com um casamento perfeito, onde brilha o produto.

No copo bebeu-se um já nosso velho conhecido Legras Rosé, cuja maior estrutura e complexidade de sabores e aromas funcionou muito bem com um prato de “terra”.

Camarão e Cogumelos
Um pequeno prato mais uma vez a conjugar notas de mar e terra, com o camarão num ótimo ponto, cabeças crocantes e uns pequenos cogumelos, tudo casado com um molho de vinho tinto e refrescado pela raspa de lima. Bom, mas uns furos abaixo dos pratos anteriores.

A acompanhar esteve um Devaux 2008, um excelente millésimé de grande ano na região, a demonstrar-se ainda muito jovem, com uma bela potência, mas equilibrado e elegante. Terá um belo futuro!

Lavagante Azul, uma homenagem ao meu pai
Como uma boa homenagem, o prato de lavagante foi o momento alto do jantar, carne perfeita e um molho inesquecível! Não vale a pena dizer muito mais, soberbo!

No copo esteve um Janisson Blanc de Noir Grand Cru, um 100% pinot noir complexo, cheio de riqueza aromática, dos frutos vermelhos aos citrinos. Um belíssimo champagne!

Pithivier de Borracho, caillette de espinafres e jus de pombo
Técnica, técnica, técnica! Nada falha neste prato clássico da cozinha francesa, uma massa folhada de sonho, ou não tivesse o chef passado pela brigada do mestre Michel Guérard, carne no ponto, foie gras de alta qualidade, molho delicado e todos os elementos em grande comunhão. Escusado será dizer que a esta altura a 10ª fatia de pão limpava o molho do prato…

Para fugir à regra dos champagnes mas mantendo-nos na região, surge na mesa um tinto, Ormes Bérêche et Fils Coteaux Champenois Les Montées 2015, um pinot de champagne, que podia ser perfeitamente um belo vinho da Borgonha, ainda muito jovem, mas com um enorme potencial e a proporcionar já muito prazer à mesa.

Queijos de Philippe Olivier
Uma enorme seleção de queijos, criteriosamente selecionados por Philippe Olivier, para um momento de puro e simples prazer. E mais pão claro…

A sobremesa foi Maracujá e Pistáchio que entre o desfile bem ensaiado da equipa de sala e a vontade de provar, acabou por ficar sem fotografia… Uma combinação de texturas de maracujá, sablé breton, merengue negro e diferentes texturas de pistáchio. Uma proposta uns patamares abaixo dos pratos anteriores, ainda assim com excelente combinação de texturas e sabor, onde se destaca o gelado de maracujá.

petit fours

Como se tivéssemos comido pouco, chegam à mesa os petit fours, aqui novamente num nível altíssimo, e em quantidade – sim o que vêm na foto era para duas pessoas – deliciosos cannelés, marshmallows, bombons, tarte de limão, pâte de fruit e florentines. Apetecia comer tudo…

A harmonizar, como não podia deixar de ser,  Ratafia de champagne, o pouco falado licor produzido na região. Um grande final!

O serviço? Não há muitas palavras para o descrever, a não ser um teatro muito muito bem ensaiado, com todos os detalhes a serem meticulosamente cuidados. Dos tempos entre pratos, às reposições de água e vinho, sem esquecer um pormenor muito importante, o serviço de pão… sempre atento às minhas necessidades!

Considerações Finais
O L’Assiette Champenoise é hoje o único tri-estrelado da região de Champagne, e um dos grandes cartões de visita da região. Seja pelo seu fantástico hotel, ou como é óbvio pela cozinha. Arnaud Lallement tem a mesma tarimba dos grandes mestres da culinária francesa, excelente produto, muita técnica e claro, molhos inesquecíveis. A isso junta-se uma das melhores garrafeiras do mundo no que a Champagne diz respeito, e a possibilidade de harmonizar os seus menus de degustação com diferentes champagnes, para uma melhor viagem pela região.
Um chef que efetivamente está na sua cozinha, um grande restaurante, grandes vinhos e um belíssimo serviço, assim se descreve o L’Assiette Champenoise.

Ps – Para cativar a visita dos mais jovens a restaurantes gastronómicos, o chef propõe o seu menu com harmonização a um preço especial para menores de 35 anos. Uma ideia notável!

Assiete Champenoise
Menus a partir de 105€ (almoço)
40, Avenue Paul Vaillant-Couturier, Tinqueux – Reims
+33 (0) 3 26 84 64 64
infos@assiettechampenoise.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Assiette Champenoise


Depois de Épernay foi tempo de visitar Reims, mais propriamente o L’Assiette Champenoise.

Aqui, neste local, está um dos melhores restaurantes de França, e aquele onde tive uma das melhores experiências gastronómicas (como prenda de aniversário)!

Este local é também uma verdadeira História de Família!

Jean-Pierre e Colette Lallement abriram em 1975 um restaurante numa vila chamada Chalon sur Veles, próxima de Reims.

Mas em 1986 sentiram necessidade de crescer e evoluir e passaram para Tinqueux, ao lado de Reims. Transformando assim uma imponente casa burguesa num restaurante-hotel!

É já em 1996 que Arnaut começa a trabalhar com o pai. E em 2001 ganham a primeira estrela do guia Michelin, as restantes seguiram-se em 2005 e 2014, e mantêm-se até hoje (e muito bem, devo dizer!).

A decoração moderna em contraste com a história do edifício começa logo a cativar-nos ao olhar para a cobertura da entrada

Em 2009 quer o restaurante quer a recepção são totalmente renovados. E em 2010 é levada a cabo uma renovação completa do hotel e criam-se novas suites.

Toda esta mudança ficou a cargo do arquiteto de interiores Grégory Guillmain. Encontramos assim um hotel com uma decoração contemporânea que me faz lembrar o estilo bem disruptivo de Philipe Starck no uso do metal e na conjugação de materiais. Ou seja, incrível!

Em 2013 o Assiette é consagrado com um hotel  de cinco estrelas.

Mal chegamos ao hotel é possível verificar, ainda no exterior, uma casa burguesa imponente! Mas a receção mostra-nos logo o ambiente contemporâneo que tanto distingue o hotel. Esta combinação é perfeita, devo dizer!

Apaixonei-me sem demoras pelo conjunto de flores alinhadas em completa sintonia.

Fomos recebidos por uma equipa eficaz que nos acompanhou ao quarto. Que me transmitiram aquilo que eu adoro no serviço dum hotel de luxo: simpático, atento e nada invasivo! É a conjugação perfeita!

O hotel conta com 33 quartos distribuídos por quatro pisos.

Ficamos numa Suite Balcony. Que é como quem diz, uma casa!

Decoração contemporânea, mas cozy – mais uma combinação perfeita!

Uma casa de banho de serviço logo à entrada e depois uma sala de estar elegantemente decorada e com uma pequena sala de relaxamento anexa. Esta última com saída para um pequeno terraço com vista para os jardins do hotel.

Um pequeno closet incorporado no quarto serviu bem o seu efeito. E a casa de banho enorme só demonstrava a grandeza deste verdadeiro quarto de hotel de luxo.

A cama, essa, foi das mais confortáveis que já senti, e os lençóis, seguramente dos mais macios. Todos os detalhes foram tidos em conta neste quarto!

À nossa espera estavam saborosos religieuses e uma garrafa de Deutz!

Quarto aprovadíssimo! Estava na hora de conhecer melhor todo o hotel!

O hotel tem uma decoração que me enche as medidas a 100%, poderia facilmente viver aqui!

Nunca estive num hotel com tantos espaços dedicados apenas ao relaxamento e aos momentos de ócio.

Um dos ex libris é a piscina interior com água aquecida a 28 ºC (que poderia estar bem mais quente por mim!). Esta zona é toda em vidro o que permite estar em plena sintonia com os jardins do hotel que são um autêntico parque mas que aquando da nossa estadia estava camuflado pelo branco da neve!

No entanto este é mais um dos belíssimos locais do hotel. Seja para descansar depois duma visita a Reims, seja para ler um livro, seja para um copo de champagne ao entardecer.

Os encantos nevados dos jardins do hotel

Falando em champagne um dos locais mais vibrantes do hotel é o Le Bar, onde é possível fazer uma degustação de vários champagnes.

Le Bar

Mas o verdadeiro tesouro do hotel é o seu restaurante! Que, como já disse, mantém três estrelas Michelin desde 2014, com o cunho de Arnaud Lallement.

Aqui tive oportunidade de saborear uma das melhores refeições da minha vida e de assistir a uma verdadeira peça de teatro tal era a perfeição da sintonia entre toda a equipa de sala! Mas sobre isso, o João fala-vos melhor num artigo exclusivo!

A mesa preparada para o nosso jantar

Efetivamente não haveria melhor forma de celebrar os meus 35 anos do que num hotel cujo conforto e decoração tem a mais perfeita conjugação, cujo ambiente é do mais familiar e cujo restaurante é um dos melhores de França!

Era a certeza dum aniversário bem feliz! E assim foi!

Mais ainda quando depois de um jantar inesquecível, somos surpreendidos com um pequeno almoço a condizer, uma sala imaculada e cheia de tranquilidade, produtos de primeira qualidade e muito cuidado e amor em tudo o que se proporciona aos clientes!

Obrigada Assiette Champenoise, não vejo a hora de voltar!

Assiete Champenoise
Quartos a partir de 185€
40, Avenue Paul Vaillant-Couturier, Tinqueux – Reims
+33 (0) 3 26 84 64 64
infos@assiettechampenoise.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Champagne Pol Roger

Quem me conhece ou segue o blog sabe bem do meu fascínio por “bolhas” e pelos encantos e versatilidade que um bom champagne pode trazer em cada momento!

Poderia enumerar uma série de casas e vinhos com os quais vou flirtando de quando em vez, mas a Pol Roger é sempre o meu porto de abrigo, pela sua riqueza e complexidade brilhantemente combinadas com frescura e elegância.

Pelo que, quando decidimos visitar a região de Champagne, havia sempre um nome a soar mais alto no meu pensamento, uma visita à Pol Roger! Problema? A Pol Roger é uma das poucas casas que continua a não se preocupar com visitas ou investimentos em marketing, assim uma visita apenas poderia ser feita por convite. Uma pedra no caminho, mas como quem tem amigos nunca está sozinho, eis que estamos de visita marcada para um longo dia nesta inesquecível casa.

História
A Pol Roger começou como muitas outras empresas de vinho, uma pequena empresa que comercializava e produzia vinhos para grandes casas como a Moët & Chandon ou Perrier Jouët, até que o seu fundador – Pol Roger – após se estabelecer em Épernay decidiu comprar as suas primeiras vinhas e começar a engarrafar o seu próprio vinho.

Desde sempre a Pol Roger ficou conhecida por ser a mais britânica das casas de Champagne, por um lado por ter sido uma das primeiras casas a apostar nesse mercado e a trabalhar os vinhos de perfil Brut – o preferido dos ingleses – e depois pela relação duradoura que estabeleceram com Sir Winston Churchill, o célebre primeiro ministro inglês que sempre assumiu preferir Champagne a todas as bebidas e Pol Roger perante todas as marcas.

“Eu não poderia viver sem champanhe. Na vitória eu mereço-o. Na derrota preciso dele!”
Winston Churchill

A amizade de Churchill e Odette Pol-Roger tornou-se efectivamente no grande marco comercial e institucional da empresa, da homenagem feita a Churchill após a sua morte – todas as garrafas exportadas para o Reino Unido, passaram a exibir até aos anos 90 uma faixa preta – ao lançamento do seu vinho mais exclusivo em 1984 o Cuvée Sir Winston Churchill, feito apenas em anos de altíssima qualidade e cujo blend permanece um segredo de família, sempre com o ideal de que cada edição deste vinho iria agradar ao mítico primeiro-ministro inglês.

A Propriedade
É bem no centro da Avenue de Champagne em Épernay que toda a acção da Pol Roger tem lugar, da lindíssima mansão de influência inglesa (pois claro!) aos armazéns, e aos mais de 7,5km de túneis que se estendem ao longo da famosa avenida onde repousam os milhões de garrafas da empresa nas suas diversas fases de produção.

A guiar-nos esteve o sempre exímio e elucidativo Pierre-Samuel Reyne  (responsável pelo exportação da empresa), das notas das primeiras encomendas de Pol Roger em nome de Winston Churchill em 1908, às fotos de família, passando pelas garrafas recuperadas do histórico desabamento das caves da empresa que quase a levou à falência em 19o0. Tudo respira história combinada com um certo Noblesse oblige!

Mas conhecer o mundo da produção de champagne não é visitar um palácio, os seus elegantes escritórios ou os seus documentos históricos. Conhecer a verdadeira essência da produção de uma casa de Champagne está numa visita aos seus impressionantes túneis, onde os célebres remueurs, continuam nos dias de hoje a executar a remuage manual em todas as garrafas produzidas pela empresa – um caso único entre as grandes casas, que muito prova sobre a postura e a filosofia desta empresa.

Pascal, o mestre Remueur, cujo ritmo de movimento ninguém consegue acompanhar

Filosofia
Pol Roger é sinónimo de elegância e muita subtileza, é assim nos seus vinhos, e é assim na sua relação com o mundo e os seus clientes. Não existe uma relação entre a empresa e os media, não existe um investimento desmesurado em marketing, nem uma ligação a festas ou celebridades – com excepção da família real britânica que normalmente não abdica de Pol Roger nas suas celebrações.

Um estilo definido na origem da empresa e que os seus descendentes respeitam como ninguém, mesmo com a chegada de Dominique Petit o atual chef de caves em 1999, com mais de 20 anos de experiência na Krug, o estilo e a ausência de madeira mantiveram-se inalteráveis, com uma aposta cada vez maior nas melhorias na produção, na exaltação da fruta e claro na harmoniosa elegância que caracterizam os vinhos da Pol Roger.

 

Os vinhos
Chegados à histórica Sala de provas, onde dias antes a família se tinha reunido para decidir os pontos finais de mais um blend, aguardava por nós um pedaço da história da empresa, os vinhos, e uma bandeira de Portugal, numa clara demonstração de respeito e hospitalidade para com as visitas!

Pol Roger cuvée Brut Réserve
Um blend de 3 partes iguais de Pinot noir, pinot meunier e chardonnay de certa de 30 crus diferentes, combinados com 25% de vinhos reservados. Estagia em garrafa durante certa de 4 anos antes de ser colocado no mercado, resultando num dos vinhos mais interessantes do seu segmento. Um nariz atrativo, com fruta, flores e um delicado toque de brioche, que nos indica de imediato o que estamos a provar. Na boca, uma combinação de frutas compotadas, notas de mel e o longo mas subtil toque de casca de laranja para elevar a prova. Um Champagne de “entrada” que nunca, mas nunca, compromete!

Pol Roger cuvée Pure Extra Brut
Um blend semelhante ao Brut Réserve, mas aqui sem dosagem, num exercício de mostrar o estilo da casa num vinho próximo do seu estado natural. Ao nariz chega-nos uma delicada combinação de citrinos e fermento aprimorada por uma certa complexidade de aromas florais. Na boca a sensação é arrepiante, com a grande acidez a ser perfeitamente conjugada com a estrutura do vinho. Um vinho que não apetece parar de beber, especialmente se a companhia for a certa – Devia ser obrigatório em todas as marisqueiras!

Pol Roger vintage 2012 Blanc de Blancs
Os vintage da Pol Roger são os vinhos que deram nome à casa, especialmente pela sua personalidade e longevidade. O Blanc de Blancs é, como o próprio nome indica, feito exclusivamente com Chardonnay, neste caso apenas com Grands Crus da região Côte des Blancs. Um vinho de baixa produção, que estagiou 7 anos antes de chegar ao mercado. O nariz revela um pouco de frutos secos muito bem combinado com pêssego e um lado cítrico e exótico muito interessante. Na boca o vinho é bem direto, mostrando um lado complexo com uma vibrante juventude, com sabor a citrinos e uma acidez inesquecível.  Elegância será certamente o nome do meio deste vinho!

Pol Roger vintage 2009
O Vintage 2009 foi criado com o habitual blend dos vintage da casa, com 60% de Pinot Noir e 40% de Chardonnay, e uvas provenientes de Grand Cru e Premiers Cru da Montagne de Reims e Côte des Blancs. Este vinho estagiou por 8 anos nas caves da Avenue de Champagne antes de nos trazer à vista uma bolha bem viva e persistente e ao nariz a riqueza e a elegância de fruta branca bem conjugada com algumas notas de padaria. Um vinho delicado e elegante na boca – sim mais uma vez a palavra elegante – com a mousse, a acidez e a estrutura a preencher a boca como poucos. Um grande vinho, e uma das melhores relações qualidade preço no mundo dos champagne vintage.

Pol Roger vintage 2009 Rosé
O Vintage 2009 é criado num processo um pouco diferente de um clássico rosé. Ao vinho base do vintage clássico junta-se cerca de 15% de vinho tinto Pinot Noir antes da segunda fermentação, já em garrafa. O rosa salmonado da sua cor, cativa facilmente o interesse, e o seu aroma de frutos vermelhos, brioche e algum especiado dizem-nos que – sim! estamos perante um grande vinho. Na boca a frescura, estrutura e a complexidade de sabores levam o título…

Pol Roger Sir Winston Churchill 2008
O cúvee prestige da Pol Roger, criado em homenagem ao seu mais célebre embaixador. Um vinho preparado apenas com uvas de Grand Cru, de vinhas que já produziam na época de Churchill. O blend exacto, apesar de dominado pelo Pinot Noir, é um dos grandes segredos da família, que apenas produz este vinho quando conseguem encontrar aquilo que Churchill tanto apreciava nestes vinhos, robustez, volume e harmonia. Os aromas do vinho vão mudando consoante a temperatura, começando por mostrar fruta branca e padaria, passando depois a frutos secos e alguma laranja. Na boca o seu equilíbrio entre robuztez e elegância conquista rapidamente o provador, com citrinos e pastelaria a serem os sabores de maior evidência. Se 2008 é um grande ano para Champagne, o cúvee Winston Churchill será certamente um dos seus mais surpreendentes exemplares! Um grande vinho!

Um dia de aniversário perfeito para a Cíntia, que começou com uma visita e prova na Pol Roger

Depois de uma fantástica prova, foi tempo de uma curta viagem até ao centro de Épernay para um almoço onde reinou, como é óbvio, a clássica cozinha francesa, e onde pusemos de lado as provas para passar efectivamente à degustação dos vintages da Pol Roger.

Por fim e antes de uma viagem a outro pequeno paraíso de champagne fomos visitar algumas vinhas da Pol Roger bem na encosta de Épernay, para encontrarmos um cenário único e inesquecível!

Winter is coming!

Obrigado Pol Roger e obrigado Pierre por este dia perfeito!

Pol Roger
Não são possíveis visitas, mas os vinhos estão em todas as grandes lojas do mundo!
polroger@polroger.fr

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Fotos: Flavors & Senses

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Champagne de Venoge – Les Suits du 33

No início deste ano rumamos mais uma vez a Paris, a eterna cidade que nos preenche a alma (e o estômago também!).

Desta vez não queríamos ir apenas a Paris e decidimos visitar uma região que há muito nos suscitava interesse – Champagne (porque será???)!

Começamos por Épernay, mais propriamente pela charmosa  Avenue de Champagne na belíssima propriedade de Venoge!

Decorria o ano de 1837 quando Henri-Marc de Venoge deixava a Suíça e se estabelecia em Champagne onde fundou a de Venoge & Cie com o seu filho Joseph.

Um ano mais tarde Henri-Marc eternizou um momento extremamente importante no marketing da história do Champagne criando o primeiro rótulo ilustrado.

Henri-Marc de Venoge

Após isso a casa ficou famosa por criar rótulos para outras importantes referências da região, assim como pelo adopção da sigla “cordon blue” em homenagem ao rio Venoge e à ordem dos cavaleiros do Saint-Esprit, a mais famosa da monarquia francesa.

Nos escritórios da de Venoge podemos ver os diferentes rótulos criados pela empresa ao longo dos séculos

O L’Hôtel de Venoge, património mundial da Unesco, viu a sua construção terminada já em 1900, mostrando o dinamismo pelo qual a região estava a passar já no século XIX, e que se traduziu numa propriedade cuja elegância e luxo se coadunam na perfeição com a imponência da rua que habitam.

Obviamente não ficamos na casa principal, aqui apenas tivemos o privilégio de fazer uma visita acompanhados pelo mais simpático dos anfitriões, o Noé Boinard. Um jovem apaixonado por champagne, por viagens e pela vida! Foi uma excelente companhia na visita à casa onde pudemos ver cada recanto de história da família de Venoge, como os primeiros rótulos das garrafas, por exemplo, e também à adega onde é guardado o bem mais precioso da casa – o Champagne.

Acabamos na mítica Sala Louis XV a provar os champagnes de Venoge. E que cenário mais elegante poderíamos querer para terminar a visita ao L’Hôtel de Venoge?

Anexo à casa de família está um local transformado mais recentemente, que é um edifício com quatro quartos deluxe e um apartamento apelidado de Les Suites du 33, numa alusão ao número da porta que ocupam na Avenue de Champagne.

Ficamos num dos quartos.

Muito semelhante a um quarto num hotel de luxo, o nosso quarto era constituído por sala com kitchenette equipada com tudo o que era necessário, desde frigorífico a máquina de café. Além deste local, tinha o quarto propriamente dito, com uma cama bem confortável e uma casa de banho bem elegante. A decoração do quarto mantém a mesma elegância da casa principal, mas obviamente menos clássico.

Já o apartamento, é perfeito para uma viagem em família ou com um grupo de amigos, já que possui três quartos.

Junto a este edifício, mais propriamente à frente, está o L’ Écurie. Um espaço renovado recentemente naqueles que eram os antigos estábulos da casa, é agora um bar e loja.

Foi aqui que tomamos um excelente pequeno almoço e que relaxamos um pouco do frio e da neve que se faziam sentir lá fora!

Pois é, o problema de viajar pela Europa em Janeiro é que se apanha muito frio!

Os jardins da casa não puderam mostrar todo o seu encanto pois apenas uma cor se fazia notar – o branco! Mas obviamente a neve tem os seus encantos!

E além disso, mais uma razão para regressarmos a Épernay e à elegante de Venoge – ver toda a sua magia com sol e cores dignas de primavera ou de outono!

Passando a palavra aos vinhos, ou não estivessemos aqui por eles, deixo algumas notas do João sobre os mesmos:

de Venoge Cordon Blue Brut
Um surpreendente “entrada de gama”, com excelente relação qualidade/preço para aquilo que normalmente encontramos na região. Um vinho em que o Pinot Noir se associa ao Pinot Meunier e ao Chardonnay, para criar um conjunto levemente dourado, de boa complexidade aromática, flutuando entre a fruta branca, a maçã e as amanteigadas notas de brioche. Na boca todo o conjunto revela muita elegância e complexidade com uma bolha longa e cremosa. Revela uma ótima capacidade de envelhecimento.

de Venoge Princes Blanc de Blancs
Uma homenagem criada em 1864 para o Princes d’Orange, perdura até aos dias de hoje como uma das linhas chave da casa de Venoge. Um vinho 100% chardonnay, feito apenas com uvas de Grand cru e Premiers cru, caracteriza-se por uma forte mineralidade e crocância, que nos traz notas secas e perfumadas de flores, maçã e citrinos. Na boca mantêm-se a frescura e as notas, aliadas ao habitual sabor de pêssego em compota, que tanto se associa ao chardonnay. Mais um vinho com enorme potencial de guarda!

de Venoge Princes Blanc de Noirs
Da mesma linhagem do anterior, o Blanc de Noirs, 100% Pinot Noir como tem de ser, revelou-se um vinho de excelência, repleto de frescura e com grande riqueza aromática.  Muito frutado no nariz, focado nos aromas de frutos vermelhos bem frescos, segue a mesma linha na boca, com complexidade, boa mineralidade e uma vinosidade que o torna único. Belíssimo vinho!

Até breve Champagne e até breve de Venoge!

Obrigada Noé por todo o carinho!
Champagne de Venoge – Les Suites du 33
Quartos a partir de 215€
33 Avenue de Champagne – Épernay
+33 (0)6 75 81 08 01
adv@champagnedevenoge.com

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Fotos: Flavors & Senses

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