A magia e os néctares africanos da Bouchard Finlayson

Estabelecida em 1989 na famosa região vínica de Walker Bay na Western Cape, a Bouchard Finlayson sempre se assumiu como um produtor boutique, focado na qualidade e diferenciação dos seus vinhos. Internacionalmente ganhou prestígio e pergaminhos com as suas produções de Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc, muito por culpa de Peter Finlayson, que antes de se estabelecer e fundar a empresa junto com a família Bouchard, criou durante vários anos os míticos vinhos da Hamilton Russell, onde começou a explorar a sua paixão pelo Pinot Noir, e a forma do explorar naquela região tão própria de Capetown.

Peter Finlayson

Hoje as ações da empresa estão entregues à família Tollmans (responsáveis pelo grupo de hotéis Red Carnation), mas os vinhos e as vinhas continuam entregues às mãos treinadas de Peter.

Por falar em vinhas, nem só de Pinot, Chardonnay ou Sauvignon Blanc vivem as terras da empresa, expandidas por um vasto e virgem território que respeita e homenageia toda a flora da região, ou não fosse a região do Cabo considerada um Reino Floral (Fitocório) por si só, conhecido por Fynbos.

E foi por aí mesmo que começou a nossa visita pelos domínios da Bouchard Finlayson, uma visita pela propriedade, para conhecer uma vastidão de plantas, flores e alguns animais que habitam os terrenos lado a lado com as vinhas. Para isso não podíamos ter tido mais sorte, a acompanhar-nos esteve Frank Woodvine, o Botânico responsável por manter toda a propriedade bem conservada em termos de plantas e biodiversidade da região.

Frank Woodvine e a famosa Prótea Sul Africana

O passeio começa de forma simples, uma viagem de carro até um descampado onde Frank começa por nos explicar algumas questões relativas à atmosfera e ao fynbos. Até aqui tudo bem, depois o difícil é mesmo acompanhar o ritmo de Frank, encosta acima enquanto se movimenta em direção a mais uma planta. Seria fácil de compreender essa dificuldade se o Frank não tivesse quase 90 anos, mas assim só serve mesmo para nos dizer que temos de passar mais tempo no monte e menos no ginásio.

O passeio é lindíssimo, as plantas são de uma beleza ímpar, e apesar de já conhecermos algumas delas, é sempre diferente quando as vemos no seu habitat. Mas o especial desta viagem é mesmo o Frank, a sua postura, o brilhantismo com que nos fala e explica cada detalhe e acima de tudo a sua forma de estar e o modo como entregou a sua vida a defender a essência da sua região.

Obrigado Frank!

Uma toca de Porco-espinho

 Depois de uma longa e inspiradora caminhada regressamos à Adega, agora sim para nos sentarmos à mesa e podermos provar os famosos vinhos da casa servidos pela mão do próprio Peter.

Começamos com o Blanc de Mer 2018, um blend, onde predomina o riesling, com notas bem florais, e aromas de alperce e marmelo, bem equilibrados por uma interessante frescura, ou não estivéssemos com o oceano logo ali ao lado. Seguiu-se o Sauvignon Blanc 2018, uma casta que no meu caso é sempre um pouco mal amada, salvo raras excepções de terroir, e aqui se mostrou fresco, muito, muito tropical, crocante e de final equilibrado. Uma boa surpresa!

enquanto vamos provando os vinhos…

Ainda nos brancos, provou-se o Chardonnay Sans Barrique 2017, que como o próprio nome indica não passa por madeira. Um vinho fresco, muito elegante, de nariz diverso, e com uma complexidade acima da média, revela que à semelhança dos vinhos  mais estruturados pela madeira, também ele irá envelhecer muito bem. O Mission Valley 2016 é um Chardonnay “clássico”, à boa maneira da Borgonha, com estágio em madeira durante 8 meses. Um belíssimo vinho, complexo, estruturado, com a madeira muito bem casada, a fruta a fazer-se sentir, com destaque para pera e pêssego e um final longo que se mantém na boca.

Nos tintos, passamos pelo Galvin Peak 2016, um 100% pinot noir que nos mostra bem porque é Peter Finlayson conhecido por criar os melhores pinot noir sul africanos. Nariz floral, com fruta vermelha, madeira muito bem conjugada com a fruta, trazendo à boca uma excelente complexidade e equilíbrio. Um belo vinho!

Provou-se ainda o Hannibal 2016, um blend onde predomina a Sangiovese, com pinot noir e nebbiolo, entre outras castas. Um trabalho clássico de enologia, que resulta num vinho que facilmente nos transporta para Itália e os aromas e sabores dos seus vinhos, embora aqui resulte num blend complexo, leve e fácil mas simultaneamente tânico e complexo na fruta. Muito bom!

Por fim,  não podíamos deixar de escrever sobre o Tête de Cuvée 2017, um vinho raro e exclusivo, do qual foram feitos apenas 4 barris. Trata-se de um 100% pinot noir, que apenas é lançado em anos excepcionais, aqui a apresentar um que ainda se está a construir, com a madeira a precisar ainda de mais tempo para se casar com a fruta, mas também a apresentar uma combinação de fruta escura e especiarias muito prometedora. Daqui a 5/6 anos será um grandíssimo vinho!

Parece que terminamos bem!

Dificilmente poderíamos pedir melhor para uma primeira prova de vinhos em solo africano, excelentes vinhos e um cicerone de respeito! A Bouchard Finlayson é uma daquelas empresas que apesar de fugir das regiões mais afamadas de Stellenbosch ou Constantia, conseguiu o seu lugar na rota dos vinhos sul africanos, muito por culpa de Peter Finlayson, por um dia ter acreditado que o vale de Hemel-en-Aarde seria perfeito para as uvas mais famosas da Borgonha.

Uma região imperdível, vinhos irresistíveis!

Bouchard Finlayson 
Visitas de Segunda a Sexta – 9h/17h | Sábado – 10h/13H
R320 Road, Hermanus 7200 – África do Sul
South Africa+27 28 312 3515
info@bouchardfinlayson.co.za

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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