Góshò

As minhas incursões pela cozinha asiática, nomeadamente pelo sushi, o sashimi ou os niguiris que é como quem diz pelos peixes crus, são raras e na maioria delas, são experiências penosas. Levado no espírito do documentário sobre Jiro o mais famoso Shokunin do mundo, com um sushi de cortar a respiração, a vontade de comer voltou. Felizmente parti para este Góshò com grandes e boas expectativas, tanto por ter boas referências como por haver na concepção do restaurante a mão de Paulo Morais, o nosso principal mestre em peixes crus. O Restaurante, com decoração de Paulo Lobo (não será a sua obra mais interessante), é simples com ótimo aproveitamento do espaço disponível, com um extenso balcão onde se pode degustar a refeição enquanto se aprecia a o trabalho dos Shokunin’s.

A carta é extensa e contêm todo o tipo de cozinha japonesa, satisfazendo todos os gostos e feitios. Depois de uma longa demora na escolha dos pratos, iniciamos a refeição com algo semelhante a um croquete com molho agridoce servido como amuse-bouche, que resultou muito bem.

Tempura Moirawase, camarão, peixe e legumes (15€)
Interessante misto de tempura em várias texturas e sabores. Magnifica a de camarão com amêndoas, com as restantes com bom nível mas sem o mesmo destaque. De negativo apenas o facto de se notar ainda o oléo de fritura em algumas peças, no entanto sem grandes excessos.

Yosai No Yakisoba, noodles de ovo com legumes (8€)
Massa no ponto e legumes bem preparados. Um bom prato mas que apesar de tudo não deixará memórias. A apresentação deveria ser mais cuidada.

Gyu Niku No Yakisoba, noodles de ovo com legumes e carne barrosã (12€)
Um prato semelhante ao anterior que no entanto melhora um pouco pela adição de carne de boa qualidade.

Udon To Mentaiko, massa quente com ovas picantes de bacalhau e kimchi (12€)
A massa Udon, é bem diferente daquelas a que estamos a habituados, principalmente em termos de textura. Normalmente servida em caldos ou com molhos picantes como é o caso deste prato. Onde entra kimchi o picante e o azedo será sempre palavra de ordem, por isso este será certamente um prato de amor ou ódio que ou se adora ou detesta. No meu caso em particular a degustação foi bastante positiva, no entanto não o recomendo a qualquer pessoa.

Yaki Kinoko, cogumelos japoneses salteados (8€)
OS cogumelos foram tratados da forma mais simples possível, no entanto o seu sabor tornou-os numa das mais interessantes degustações da noite.

Gyozas, frango, legumes e molho de citrinos (8€)
Um dos pratos que mais me agradou no jantar, e que raramente encontramos nos asiáticos do Porto. Massa com textura perfeita e recheio de boa qualidade com o molho a realçar o conjunto. Um Must.

Sashimi, Lírio (8€)
Com uma textura algures entre o cherne e o atum, o Lírio é um excelente peixe para sushi e sashimi, excelente, servido cru neste sashimi de corte exímio. Um peixe abundante na nossa costa que deveria ser visto com outros olhos.

Sushi Kani, Caranguejo de casca mole em tempura, papaia, maionese e pepino (8€)
Sushi Góshò, camarão, cebolinho, abacate e tobiko wasabi (8,5€)
Curiosos por ver como se portaria o caranguejo em jeito de rolinho, ficamos bastante felizes com a escolha. o Caranguejo bem crocante, assim como o camarão, trouxeram outro patamar aos rolos de sushi. O arroz, que é onde normalmente encontro mais erros (além da má qualidade do peixe), não tendo alguém por trás que durante 10 anos não fez nada mais a não ser preparar arroz como fariam os japoneses, estava fantástico. Apenas alguns dos rolos não estavam com a melhor execução/apresentação possível. O Facto é que repetimos a dose para gáudio de todos os comensais.

Ménage à trois de Chocolate, mousse de chocolate negro, financier de chocolate de leite e gelado de chocolate branco com wasabi (8€)
Uma sobremesa ocidental com toques asiáticos, com destaque para a apresentação e uma mousse muito bem conseguida. O gelado, bastante interessante, corta um pouco toda a doçura do prato graças ao wasabi, no que ao bolo diz respeito, financier não será de todo o nome certo mas a sua qualidade é inquestionável. Uma boa opção.

Brûlèe de Matcha, servido com fruta (4€)
Quando o restaurante é japonês, Matcha (chá verde em pó), não pode faltar no cardápio das sobremesas. Aqui num creme Brûlèe de alta qualidade, boa textura e a combinar bem com a fruta. O único defeito era a dose ser pequena!

Castella, gelado de azuki (6€)
Castella é o nome do pão de Ló Japonês adaptado a partir das nossas viagens além fronteiras, no tempo em que Portugal era um País de respeito. Fofo, húmido, com a doçura certa, este pão de ló combina bem com o gelado de feijão azuki e notas cítricas. Muito bom.

Optamos por acompanhar a refeição com uma boa cerveja japonesa, Kirin, que resultou muito bem com os pratos degustados.

O Serviço  foi de todo o ponto mais fraco deste espaço, algo desconexo, desatento e sem haver uma qualquer explicação sobre os pratos apresentados, algo que julgo ser necessário num espaço deste tipo. Na cozinha e nos balcões, o serviço é pautado pelo rigor técnico, com apenas uma ou outra falha perdoável.

Considerações Finais
O Góshò, é sem sombra de dúvida um dos melhores restaurantes japoneses da cidade, senão o restaurante japonês. Aqui podemos degustar um vasto leque de pratos, desde os caldos, as massas ou a clássica chapa de Teppan. No entanto, é nos pratos de peixe cru, que o espaço mais se destaca, a qualidade e variedade da oferta, o rigor técnico e a boa conjugação com ingredientes de fusão fazem com que esta seja uma aposta certa. O Serviço é um ponto que precisa mesmo de ser melhorado neste espaço, desde a recepção, às mesas, para que o Góshò possa ser mais do que um sitio onde se come bem para ser um sitio em que todo o conceito de uma refeição valha verdadeiramente a pena. Entretanto vamos voltando e comendo bem!

Góshò
Av. da Boavista, 1277, Porto
226 086 708

This entry was posted in Restaurantes - Porto and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

2 Comments

  1. Posted Setembro 10, 2012 at 10:29 pm | Permalink

    Gosto muito de ler as tuas crónicas culinárias.

Napisz odpowiedź na Mónica C. Welton. Anuluj odpowiedź

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

*
*