Mesa – ENCERRADO

Chegados ao local certo, na hora certa, damos por nós a carregar no botão do elevador e a perguntar, mas a que casa de que amigo é que eu vim jantar hoje? É a casa do Luís Américo (a partir daquele momento apenas Luís), se vou a sua casa é porque já somos amigos! Com o elevador a abrir no 4º andar, damos de caras com um belíssimo hall, e uma ampla recepção, de um lado um confortável e amplo bar, do outro o restaurante, com mesas bem colocadas, distâncias corretas, uma vista de eleição para o parque da cidade e o mar. A decoração, essa é de muito bom gosto, de influência clássica com toques de modernidade onde dominam os calmos tons pastel. Destaque ainda para o excelente serviço de loiça e copos de que o chefe se muniu. Iniciando a refeição com famoso couvert, aqui bem conseguido, com excelente tapenade de azeitona, boa manteiga, grissinis caseiros, pão, pão de queijo, azeite e mais tarde um interessante e saboroso creme de ervilhas em jeito de shot servido como amuse bouche.

Amuse Bouche

 Para entrada um dos comensais elegeu o Creme Aveludado de Aipo, com cenoura cogumelos e queijo emmental (7,5€), que não tendo direito a foto (culpa da qualidade do fotógrafo), estava sublime. Apresentação cuidada dos legumes num belo prato, com o creme a ser servido na mesa. Todos os sabores se fundiram na perfeição e o creme de grande subtileza fez jus ao seu nome “aveludado”.

Folhado de queijo de cabra sobre maçã e baunilha (9€)
Folhado de excelente qualidade, estaladiço e com a cor exacta. A combinação clássica do folhado com um ótimo queijo de cabra funciona bem, tendo na maçã com molho de baunilha uma agradável e escondida surpresa. Uma opção acertada.
Bacalhau em Pão de Azeitona, recheado com tomate e salpicão com cebolada e milho frito (20€)
Com uma versão deste prato, o Luís ganhou o titulo de chef cozinheiro do ano 2004, o que por si só já é bastante apelativo, no entanto a ideia de toda uma enormidade de sabores e texturas a entrarem em comunhão é o ainda mais. Um prato que poderia ser feito por qualquer avó, dada a sua matriz, mas com uma execução e combinação de louvar. Tudo funciona bem, e sim até o bacalhau estava no ponto. Um ex-libris raro.
Magret de Pato com frutos silvestres, puré de batata trufado e legumes grelhados (19€)
Aqui a influência francesa dos “tempos de escola” do Luís (vou tratá-lo por Luís pois já fui “convidado” na sua casa) fazem-se sentir. Magret no ponto pedido, combinação perfeita entre a gordura do pato e a acidez dos frutos. Muito bem acompanhado tanto pelos legumes como pelo puré.

 Outro prato que tive o privilégio de provar, o deleite foi tal que me esqueci de o fotografar, foi a Vitela de comer à colher com farrapo velho de alheira (19€). Nome pomposo mas verdadeiro, de facto a carne desfaz-se quando cozinhada por muito tempo a baixa temperatura,  no mínimo irresistível e de grande sabor. No que diz respeito ao acompanhamento, foi dos melhores que provei nos últimos tempos, as técnicas portuguesas não poderiam estar melhor representadas no prato. Um prato que me fará voltar por si só.

Leitão confitado à moda da Bairrada sobre Brás de espargos (18€)
Um prato que reúne duas das mais emblemáticas criações portuguesas, o leitão à Bairrada, aqui modernizado, sem osso, confitado, com a pele ultra-estaladiça mas com todo o sabor do original, acompanhado por um Brás que hoje perdeu o bacalhau para ganhar todo o tipo de ingredientes, neste caso e muito bem, os os espargos. Nota máxima tanto para técnica como sabor.

Gelados e Sorvetes, selecção de 2 sabores (6,5€)
Neste caso a selecção foi um sorvete de morango com gelado de baunilha, gelados caseiros, com recurso à cada vez mais utilizada paco-jet, excelente no palato com a sua  textura delicada.
Selecção de fruta fresca (8,5€)
Fruta de qualidade bem laminada, mas sem nenhum realce especial, boa mas sem ser especial.

Chocolate, Chocolate, Chocolate…. crumble, bolo, marquise, gelado e mousse (8€)
Fazer melhor jus ao nome seria impossível, uma sobremesa onde as texturas ganham destaque. No conjunto tudo funciona, individualmente encontramos delicados sabores, peças de ótima qualidade, técnica eximia. Um must de sensações e uma obrigação para qualquer chocaholic.

Fondant de abóbora, mousse de requeijão, amêndoas e mel (8,5€)
A sobremesa “marca” do Luís, que cria um Fondant mas substitui o chocolate pela abóbora. A Técnica volta a ser um dos pontos chave, ao abrir, lava de abóbora espalha-se magicamente pelo prato. O acompanhamento também não poderia ser mais tradicional, requeijão, neste caso em formato mousse ( ou pelo menos eles dizem), para mim mousse precisa de mais ar, diria que será um creme muito bem conseguido mais uma vez na paco-jet . As amêndoas e o mel relembram toda a tradição conventual portuguesa. Um doce que verdadeiramente convence.

A Carta de vinhos é mediana com preços corretos e enfoque nos vinhos da Sogrape, é organizada por tipo de vinho mas depois por estilos em vez das regiões, optamos por acompanhar a refeição com um Quinta do Vallado Branco de 2011 que cumpriu bem os requisitos numa noite quente.

O Serviço de sala funciona bem, atencioso q.b., sugestivo e informado. No entanto deve haver mais atenção aos copos dos comensais  durante o período da refeição.

Considerações Finais
Não existem muitas mais coisas que possam ser ditas, a refeição em casa do Luís foi uma das que mais me marcou durante 2012, a forma como molda a técnica portuguesa e a reinterpreta sem sair do clássico é um ponto deveras positivo. No entanto quando se olha para os menus de degustação um pouco mais de ousadia talvez não fosse má, já que tudo o resto lá está. Uma casa sólida, um chefe sólido, espero que um elevador sólido também e que os convites para jantar em casa do Luís se repitam, visto que nenhum amigo cozinha como ele.

Mesa
Rua D. Domingos Pinho Brandão n.º 75, 4º andar, 4150-280 Porto
22 616 92 55

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Um Comentário

  1. Manuel Ribeirinho
    Publicado Agosto 5, 2012 às 4:48 pm | Link

    Excelente Restaurante
    Excelente comida, do melhor que existe no Porto.
    Não conheço melhor chefe a cozinhar bacalhau!
    O restaurante é muito bonito com uma decoração muito intimista (parece que estamos em casa de um amigo) e o Luis Américo e sua equipa são de uma simpatia invulgar. Parabéns

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