Salsify at The Roundhouse

Encosta acima, encosta abaixo, muito verde e um horizonte azul que se confunde com o céu, é assim o caminho para chegar à The Roundhouse, a casa que serviu de posto de caça a Lord Charles Somerset, antigo governador do cabo, que posteriormente foi hotel, salão de chá, entre outras atividades …. e que hoje alberga o novo restaurante de Luke Dale-Roberts, o bem sucedido chef e empresário que domina a restauração na Cidade do Cabo (podem ler mais sobre Luke – aqui).

Um edifício histórico, de forma rara, redonda como o nome indica, e com uma das mais bonitas vistas sobre Camps Bay, serviu de base para Sandalene (quem mais poderia ser!) criar um cenário completamente inesperado para quem, como nós, visita o restaurante pela primeira vez.

A vista sobre Camps Bay

Se a experiência de um restaurante vai muito para além da comida que nos é servida, no Salsify isso é rapidamente perceptível mal entramos no restaurante e nos deparamos com as primeiras nuances da decoração. À medida que vamos sendo acompanhados à mesa, a nossa host vai também introduzindo-nos à história do edifício e aos diferentes cenários criados por Sandalene. Da estátua da Lady Salsify ao graffiti de Lord Charles, tudo faz sentido e surpreende.

Lady Salsify

Alguns detalhes da decoração

Já à mesa, o espectáculo vai-se sucedendo de outra forma, com a equipa a mostrar logo de início que apesar de ser um restaurante novo (teria cerca de um mês quando o visitamos), todos estavam preparados e o serviço bem afinado. Introduzidos à carta e ao menu de degustação, optou-se por este último, acompanhado pelas escolhas vínicas do Sommelier Nash Kanyangarara.

Rapidamente somos introduzidos aos primeiros snacks, aqui com uma tempura de beterraba com sementes de mostarda e um biscoito de aipo com pesto de estragão trufa e parmesão.  Ambos muito bons na conjugação de texturas e sabores que abriram o palato para o que se seguiria.

Para acompanhar, e porque um cocktail nunca é demais, começamos com o Gin Tónico de assinatura, preparado na mesa, com toranja e bitters de cereja, e uma Margarita de Abacaxi e Fava Tonka.

Excelentes cocktails

Seguiu-se o momento do Pão, com uma excelente manteiga trabalhada com pó e óleo de folha de figueira. Não é fácil pedir um início muito melhor do que o que tivemos até aqui…

Minestrone de Primavera, Polvo, ostras e ervas
Um caldo claro que nos leva para água de tomate, com pedaços de polvo, ostra, salicórnia e algumas ervas. Muito bom no jogo de texturas e sabor, no entanto e olhando ao prato, certamente um pouco mais de salinidade só lhe ficaria bem!

No copo esteve um Pino Gris, Migliarina Grey Matter 2017. Uma casta rara na África do Sul, que aqui resultou num vinho cool e super fresco, cuja acidez crocante e o lado cítrico do vinho fez maravilhas na harmonização!

Espargos Grelhados, girassol e molho holandês
O Girassol é um elemento chave do prato, presente em várias formas, desde a semente, ao óleo com que montaram o molho holandês e o pesto gelado que cobre os espargos. Excelente prato vegetariano, da aparente simplicidade da cocção à magia de uma boa matéria prima como era o caso destes espargos.

A harmonizar esteve um vinho que me deixou rendido, Orpheus & The Raven Old Bushvine  Chenin Blanc 2017 – demonstra no nariz o seu estágio em madeira, em bom equilíbrio com a fruta. Na boca é rico e concentrado, resultando muito bem com as nuances gordas do prato e o sabor único dos espargos.

Vieira, Caril, romã e bhaji de cebola
Uma viagem às influências indianas na costa africana, com uma vieira irrepreensível, e várias técnicas de cocção que levaram o prato a bom porto. Fresco, especiado, crocante e leve!

Para acompanhar o prato a escolha do sommelier recaiu sobre um Chardonnay Domaine des Dieux 2014, um vinho complexo de nariz exótico e palato equilibrado pelas notas cítricas. Um certo lado doce do vinho conjugou muito bem com a vieira e o caril.

Peixe de linha, ervilhas, feijões e mateiga com fermento
Kabeljou, um peixe muito comum na região, aqui trabalhado de forma simples, e com o seu sabor a ser facilmente vencido pelos restantes elementos do prato. Mexilhões, ervilhas, ervas, butarga e um molho de manteiga queimada com um sabor distinto dado pelo fermento que elevaram o acompanhamento.

E porque as harmonizações estavam em alta, esta não foi excepção, com um Fable Mountain Jackal Bird 2014, um blend dominado pela Chenin Blanc, com estágio prolongado em contacto com as borras, que resulta num vinho diferenciador, complexo e introspectivo. No nariz, um lado cítrico, casca de melão e especiarias, enquanto na boca sentimos um bom punhado de fruta, com uma textura bem vincada e uma mineralidade muito própria que fez o casamento com o prato resultar.

Peito de pato à Pequim, Ameixa amarga e creme de noz
Longe de um verdadeiro pato à Pequim, este peito cozinhado de forma irrepreensível, o seu molho delicioso com as ameixas, os pickles e salsa de noz, criaram um conjunto de conforto sem o peso que muitas das vezes estraga o prato de carne num menu de degustação.

A acompanhar bebeu-se Foundry Shirah 2012, de boquet bem perfumado, com ervas, ameixa e especiarias. Na boca é complexo e intenso o que o tornou uma boa companhia para o pato.

Scone de Morango, compota de mirtilo e geleia de framboesa
Mais em jeito de primeira sobremesa do que de pré, esta combinação de frutos vermelhos em diferentes texturas e com diferentes cocções, equilibrado no açúcar e refrescado pelo gelado acabou por criar uma boa passagem e a desejada limpeza no palato.

Abacaxi Assado, bolo de coco, Kefir de leite de cabra gelado
Uma sobremesa que representa bem a forma como gosto de acabar uma degustação, leve e fresca, com bons contrastes de sabores e aqui também as diferentes temperaturas a fazerem toda a diferença. Muito bom!

As harmonizações finalizaram-se com um Keermont Fleurfontein Sauvignon blanc 2017, um Late Harvest, de excelente qualidade, com notas de alperce seco, citrinos e frutos secos, bem acompanhados por uma ótima acidez.

Um ótimo final, para um almoço já de si longo, a que se seguia uma longa caminhada no topo da Table Moutain (não, não houve nenhum incidente!)

Quanto ao serviço, irrepreensível! Profissional desde o primeiro contacto, cria facilmente um ambiente de fine dining mas com a descontração e leveza que o espaço pede. Nota apenas para a mise en scene, será mesmo necessário finalizarem todos os pratos na mesa?

Nos vinhos, e como foram lendo ao longo do artigo o trabalho de Nash Kanyangarara, contribuiu e muito para que me rendesse aos vinhos Sul Africanos.

Considerações Finais
Luke Dale-Roberts, a sua esposa Sandalene e desta vez com o chef Ryan Cole, criaram aquele que será provavelmente o “next big thing!” da Cidade do Cabo, depois do The Test Kitchen  e dos bem sucedidos e mais casuais The Pot Luck Club e The Shortmarket Club, o Salsify é já é um ótimo restaurante em qualquer lugar do mundo. A visita é obrigatória para os foodies que visitam a cidade, e se puderem optem pelo almoço e usufruam de uma vista inesquecível sobre um dos cartões postais da cidade.

Agora é esperar que consiga uma reserva num futuro regresso à Cidade do Cabo. Não será fácil certamente!

Salsify at the Roundhouse
Preço médio: 80€ sem vinhos
  The Roundhouse, Camps Bay – Cidade do Cabo
+27 021 01 06 444
reservations@salsify.co.za

English Version

Fotos: Flavors & Senses

 

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2 Comments

  1. Posted Julho 12, 2019 at 8:48 pm | Permalink

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