39ª Tertúlia – “Os Criadores e a Cozinha Mediterrânea”

Na passada quinta-feira tive o privilégio de ser um dos convidados para debater a temática “os criadores e a gastronomia mediterrânea”, numa das tertúlias mensais organizadas pelo Palácio das Artes/Fundação da Juventude. Moderados por Maria Geraldes (Directora geral da fundação), a conversa teve sempre uma tendência geral a fugir da sua temática base para uma relação entre Turismo e gastronomia.

Ligados ao Turismo, estavam presentes, Francisco Sampaio, Presidente da Região de turismo do Alto Minho, João Marinho Falcão, Director-geral da VINITUR, e Dora Araújo, directora das escolas de Turismo do Porto,Viana e Santa Maria da Feira. Rui Paula marcou presença enquanto chef, Graça Soares representa a empresa Ervas Finas, ligada à agricultura biológica com especial produção para a hotelaria e restauração. Do lado dos críticos de cozinha, marcaram presença o  célebre Fernando Melo e Mário Rodrigues do Portal Escape e do jornal Expresso.

O Debate iniciou-se através de Francisco Sampaio, que cedo orientou a conversa para a ligação do Turismo com a Gastronomia, citando o modelo francês, e a ausência de interesse do Estado em tornar Portugal num destino gastronómico, como é hoje a França, Espanha ou Itália. Na verdade, poucos ou nenhuns dos elementos do painel consideram que Portugal possa ser num futuro próximo um destino de grande interesse gastronómico. Havendo ainda um longo caminho a percorrer cá dentro e na formação gastronómica da população nacional antes de se poder pensar em Turismo gastronómico.

Enquanto nos desviamos cada vez mais do tema, surge o exemplo Espanhol, nomeadamente do Pais Basco, e da sua gastronomia criativa e de vanguarda, falou-se sobre os seus chefs, sobre a sua origem, criatividade e a forma como a população local em geral se interessa por aquilo que os restaurantes estão a trazer para a região (turistas, dinheiro e renome). Citou-se ainda a cozinha Peruana como sendo a next big thing, lançado por um dos elementos do público.  Fernando Melo tentava voltar ao tema sempre que podia (não foram muitas as vezes), relatando alguns exemplos de criatividade com elementos mediterrânicos e que poderiam/deveriam ser aplicados em Portugal.

Um dos aspectos mais importantes foi salientado por Graça Soares, ao falar na necessidade de se dar hoje mais atenção ao sector primário, como meio de negócio sustentável e de enorme interesse para a área gastronómica, tão ou mais importante que abrir restaurantes ou lojas ditas gourmet. Rui Paula acrescenta ao assunto a dificuldade com que padece para encontrar determinados produtos ou cortes de carne, demonstrando áreas que poderão a curto prazo ser de relevante interesse, desde o produtor de legumes de alta qualidade, ao criador de animais certificados, criados em pequena escala mas com preços e qualidade superiores.

Falou-se ainda da importância das escolas de Hotelaria e Turismo, das novas tendências que estas seguem e da formação cada vez maior para cozinheiros amadores.

Foi um serão agradável que apesar de ter um painel alargado de oradores permitiu a todos o seu espaço, não tendo a sua temática original sido verdadeiramente falada, abre certamente espaço para novas tertúlias e conversas sobre um tema vasto como a gastronomia. A mim resta-me agradecer o convite e a honra de poder estar junto deste grupo.

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