Hyatt Regency – The Churchill

O meu encanto pelo grupo Hyatt confirma-se e sedimenta-se a cada estadia num novo hotel. E assim se verificou neste renovado Hyatt Regency London – The Churchill, durante mais uma agradável passagem pela cidade de Londres.

Como o próprio nome indica, este hotel foi desenhado para transmitir uma autêntica homenagem ao honorável Winston Churchill e a todo o seu legado.

Situado numa das zonas mais nobres da cidade, mais propriamente em Portman Square, o hotel está próximo de alguns dos locais mais mediáticos de Londres, como o Hyde Park, o British Museum ou as principais lojas de departamento da cidade.

Primeira Impressão
Um edifício imponente numa praça requintada, repleto de funcionários atentos à nossa chegada. Mal o carro parou abriram-nos a porta e fomos logo agraciados com um Good Morning Madame!


Entramos sem demoras no hotel e deparamo-nos com um Lobby enorme, extremamente elegante, decoração clássica e colonial com pormenores modernos e repleto de arte em cada recanto. A azáfama típica deste tipo de hotel urbano e financeiro dá-lhe um certo carisma, apesar de toda a confusão que se instala.

Fomos rapidamente encaminhados à receção e o check in foi feito sem demoras enquanto bebemos uma água aromatizada.
O hotel passou por uma fase de renovação, que se iniciou em 2014 e se estendeu até 2016 e que o transformou num hotel muito mais sofisticado e atual, mas sem nunca perder a sua identidade e tradição, até porque, esta remodelação teve como ajuda, nada mais nada menos, que os familiares de Winston Churchill

Quartos
Contam-se 440, e são de quatro tipos, o Standard, o View, o Regency Club e as Suites – Saatchi, Churchill, Presidential e Royal.

À medida que íamos caminhando para o nosso quarto pude aperceber-me da elegância dos corredores, o chão com carpete sedosa e diferentes padrões, sempre de aspeto sóbrio, e um papel de parede com diferentes texturas a combinar na perfeição com o chão.

  As boas vindas ao Hyatt Regency

Ao longo dos corredores é também possível verificar a componente tecnológica da renovação de todo o hotel, nas paredes podemos encontrar ecrãs onde vai passando informação sobre o hotel, quer informação geral, quer informação sobre os diferentes eventos e conferências a acontecer nesse dia ou nos seguintes.

Ficamos num quarto do tipo View, ou seja, com vista direta para o jardim de Portman Square. Mal entrei pude perceber os tons neutros, numa decoração sóbria, elegante e ao mesmo tempo contemporânea, sendo que o conforto era a palavra de ordem.


À nossa espera estava um verdadeiro festim! Diferentes snacks, vinho e um presente, um livro com frases mediáticas de Winston Churchill. À nossa disposição encontravam-se também, chá, café e água que se mantiveram ao longo de toda a estadia.


A casa de banho foi a protagonista do quarto, ou não tivesse ela uma Sanita TOTO! Nunca sei para que servem aqueles botões todos, mas carrego em tudo(!) e aquele assento aquecido “mata-me”! Só se é verdadeiramente feliz depois de se conhecer esta sanita! Além disto, o roupão era do mais sedoso e confortável que já experimentei, e os produtos de higiene da marca Pharmacopia fizeram as delícias do meu banho! A casa de banho mantinha a mesma decoração do quarto e era adornada com um mármore em tons escuros lindíssimo.

 A famosa sanita da TOTO

Restaurante Montagu

Restaurantes/Bares
Este é um dos expoentes máximos do Hyatt Regency London – ou não estivessemos a falar de um hotel em Londres. Quer para os hóspedes quer para o público em geral, que fica deliciado quando passa pelo hotel e observa um dos mais bonitos jardins de Inverno que existem na cidade de Londres. Estou a falar-vos do The Churchill Bar & Terrace.

The Churchill Bar & Terrace

Inspirado no digníssimo Winston Churchill e na sua esposa Clementine, este bar oferece-nos cocktails de assinatura já muitas vezes premiados, uma variedade enorme de Gin, água tónica caseira, e um ambiente que tem tanto de boémio como de clássico. O espaço apresenta também um menu de charutos, que faz as delícias de apreciadores deste tipo de opções.


Assim, o espaço apresenta uma decoração extremamente luxuosa, podemos encontrar imensos livros com conteúdos que preenchiam os momentos de ócio de Churchill, e ainda pequenos pormenores que nos remetem para o amor entre Churchill e Clementine.

O ex libris deste espaço é o seu terraço ou jardim de Inverno. Um dos locais mais bonitos que vi ao longo desta viagem a Londres. Em tons de branco e cinza, com aspecto rústico e elegante a mesclarem-se na perfeição. Este espaço está sempre cheio, quer de hóspedes quer de locais, e percebe-se perfeitamente porquê!

Outro dos espaços gastronómicos do hotel é o Locanda Locatelli, um restaurante italiano premiado com uma estrela Michelin, mas que infelizmente não tivemos oportunidade de experimentar, mas quem conhece tece críticas bastante positivas.

 The Cheese and Wine Experience 

Por último mas não menos importante temos o Montagu. Um dos principais espaços do hotel, num ambiente que muito aprecio, o de open-kitchen. Este espaço tem uma decoração bem clássica, com pormenores modernos e com um ambiente de sala de jantar real, ou não tivesse sido ela inspirada na cozinha e sala de jantar de Chartwell, a casa de campo de Churchill!

 Pequeno almoço no Montagu

Neste espaço servem-se todas as refeições ao longo do dia, desde o pequeno-almoço – e que pequeno-almoço – ao almoço e jantar. Além destas já habituais refeições, podemos também experienciar o Sunday Champagne Brunch – que como o próprio nome indica tem champagne ilimitado logo pela manhã! – o New York Italian-Style Brunch que se realiza aos sábados, e o Afternoon Tea com o tradicional chá das cinco bem ao estilo inglês.

The Cheese and Wine Experience 

Uma das experiências que tivemos, e que não poderia ter sido mais perfeita, foi algo que o hotel realiza há poucos meses que é o The Montagu´s Cheese and Wine Corner, que nos apresenta uma experiência memorável que pretende trazer à memória os hábitos de Winston Churchill, com a sua preferência por grandes vinhos e grandes queijos (forma como normalmente acabava as refeições).

Assim, aqui tivemos a oportunidade de provar cinco opções de queijo, 20g de cada um, acompanhados com pão de excelente qualidade, fruta, doces e compotas produzidas no hotel, frutos secos, tostas e uns enchidos incríveis. Tudo isto foi harmonizado com vinho, o Nyetimber Classic Cuvee que exprime uma combinação perfeita de intensidade e delicadeza, que harmonizou lindamente com todos os queijos, e o Chablis Domaine Long-Depaquit cuja elegância o transformou igualmente no par perfeito para os queijos.

Nota alta ainda para o Solera 1847 Oloroso, um belo Jerez.

Destaque para a qualidade superior dos queijos de pequenos produtores bem afinados pela La Fromagerie, a mostrar que nem só de Stilton vivem os grandes queijos ingleses. Excelentes texturas, excelentes aromas e ótimos sabores a mostrarem um cuidado bem acima da média no que diz respeito a tábuas de queijo em hotéis.

Serviços
O Hyatt Regency London é um hotel para todos os gostos e para todas as necessidades, consegue ter a versatilidade de ser não só um hotel de negócios mas também, e ao mesmo tempo, um local onde nos apetece estar durante a nossa estadia em Londres.

Sem dúvida, que à primeira vista é nitidamente um Business Hotel, ou não fossem todas as suas facilidades coincidentes com esta designação, patentes por exemplo no seu Business Centre, com 12 salas específicas para isso, nos seus generosos 627m2!


Mas, estes mesmo espaços servem não só os negócios mas também o entretenimento, e as comemorações especiais, sim porque este hotel também pode ser o local onde dizemos o tão aguardado “I do!”, numa festa de casamento capaz de enaltecer qualquer relação amorosa.

O que precisarmos o hotel garante, e é isto que faz do Hyatt Regency um dos hotéis mais importantes da cidade de Londres.
Como o hotel fica muito bem localizado, uma das opções perfeitas é a visita a vários pontos de destaque na cidade, como o Hyde Park, ou um tour pela National Gallery, ou o imperdível British Museum, ou até mesmo seguir a linha Churchill e visitar as Churchill War Rooms, que devo dizer-vos, é um dos meus locais preferidos em Londres (ver).

Se a vossa preferência forem as compras, têm sempre a Bond Street, a Oxford Street ou a Regent Street muito próximas ao hotel.

O hotel possui também um Fitness Center, pequeno mas bastante dinâmico, aberto 24h por dia. Para mim não foi o ideal pois apresenta demasiados equipamentos de Cardio, e nenhum de musculação, pelo que o meu treino durante a estadia se tornou um pouco limitado (sim, porque eu agora já sou uma viciada nestas coisas!).

O hotel não possui Spa, mas é possível agendar uma massagem no quarto, sob pedido.
O hotel possui também serviço de Limusine disponível sob pedido, e transporte de e para o aeroporto sob as mesmas condições.

Para quem gosta de viajar com animais saiba que o hotel não é Pet Friendly, a não ser para animais de serviço.

O Hyatt Regency London apresenta também WIFI gratuito para os seus hóspedes, serviço de lavandaria e serviço de quartos 24h por dia.

Atendimento
O Hyatt é um grupo que nunca desilude no atendimento, as equipas possuem uma formação que garante uma educação e cuidado que agradam qualquer hóspede.

Desde o momento que chegamos ao hotel que fomos acompanhados sempre com carinho, com sorrisos, e com profissionalismo.

A nossa experiência no restaurante foi memorável, a equipa que nos acompanhou durante a Cheese and Wine Experience no Corner do Montagu foi duma simpatia que não dá para colocar em palavras, e tivemos uma surpresa maravilhosa, um dos funcionários, o Zé, era transmontano como o João, super genuíno, como qualquer bom transmontano, e amoroso, assim como a restante equipa.

Porque uma estadia num hotel não é só feita de atividades, serviços, gastronomia ou experiências palpáveis, é feita de pessoas, de pessoas que passado anos ainda estarão nas nossas memórias e nos farão sorrir como se estivéssemos no momento presente.

Obrigada Hyatt por mais uma estadia memorável, e obrigada Sir Winston Churchill por inspirar um espaço tão meticulosamente agradável.


Até breve Londres, até breve Hyatt Regency London – The Churchill!

Hyatt Regency London – The Churchill
Quartos a partir de 400€
30 Portman Square – Londres
+44 (0)20 7486 5800

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Hyatt Regency London – The Churchill a convite do grupo Hyatt, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – Eneko at One Aldwych

Londres é cada vez mais uma meca gastronómica, sendo não só um destino apetecível para todos os gastrónomos como também para os chefs que por lá se vão estabelecendo ou abrindo espaços – veja-se o caso de Heston Blumenthal, Daniel Boulud, a família Arzak, David Muñoz, Anne-Sophie Pic, Virgilio Martínez, Alain Ducasse ou Pierre Gagnaire, só para citar alguns.

A verdade é que chega a tornar-se difícil acompanhar toda essa azafáma na cena gastronómica Londrina, onde uma das mais recentes aberturas serviu de pretexto para uma rápida visita à cidade e a um hotel onde já tinhamos sido muito felizes, o One Aldwych, bem no coração de Covent Garden (ver).

Depois de cerca de dois anos de negociações e obras, o contemporanêo Boutique Hotel recebe o Eneko at One Aldwych, que como o nome indica, traz a Londres a cozinha do Basco Eneko Atxa (*** Michelin no seu Azurmendi e uma presença constante no guia The World’s 50 Best).  Uma “contratação” de luxo que durante muito tempo colocou os holofotes de olho na abertura deste espaço.

A sala de jantar do Eneko at One Aldwych*

Para esta abertura nada foi deixado ao acaso, desde a arrojada decoração entregue à famosa Casson Mann, que presta homenagem à origem industrial do edíficio do One Aldwych (que fora durante o século passado sede do jornal Morning Post), onde não falta um toque de País Basco com os sofás em tom de pimenta de Espelette, mobiliário desenhado especificamente para o espaço e uma combinação arrojada de texturas que torna o amplo espaço moderno mas simultaneamente acolhedor.

Todo este trabalho tem o seu auge mal passamos pela porta e começamos a descer a escadaria (digna de Reis e celebridades que gostam de vincar a sua entrada) e passamos primeiro pelo bar, onde à boa maneira basca é possivel degustar alguns Pintxos com Txakoli ou cocktails de assinatura, criados especialmente por Pedro Paulo para o restaurante.

Já instalados numa ampla e confortável mesa, demos início à nossa experiência.

E começamos muito bem, com uma ótima selecção de pães – com destaque para o sourdough – e uma deliciosa manteiga com manjerição e cebolinho que é combinada na mesa com bonito almofariz – um início simples e bem eficaz, que combinou na perfeição com o cocktail French 75 , uma criação que juntava Gin Mare, ervas frescas, limão e Cava.

Memórias da Baía de Biscaia
A cozinha deste Eneko, não é uma adaptação londrina do Azurmendi, é um espaço com a sua própria identidade, bem mais simples e informal onde o chef basco quis prestar homenagem às suas raízes. Um bom exemplo disso é esta primeira entrada “Memórias da Baía de Biscaia”, onde procura trazer a intensidade e os sabores do mar, tão populares por aquelas bandas. Para isso recorre a algas e gelo seco (sim ainda faz furor em 2017) para servirem de base a um ótimo caranguejo (provavelmente uma navalheira a julgar pelo tamanho) com molho armoricaine com toda a carne a ser servida dentro da carapaça, cheio de sabor a mar e uma elegante doçura.  A ostra soberba, com uma boa emulsão de plankton e um excelente tártaro de camarão com ovas de arenque servido dentro de um ouriço de porcelana. Um belo início!

Parfait de Foie, compota de maçã com Txakoli 
Outra interessante apresentação, com parfait a ser servido dentro de uma bonita maçã de porcelana. Nota alta para a frescura e combinação de sabores da maçã verde envolvida em vinho Txakoli e a textura e gordura do parfait. Boa nota também para a massa crocante que traz mais uma textura ao conjunto. Trocaria era facilmente as tostas de uma éspecie de sablée salgado pelo pão de sourdough!

Pescada, Pimentos vermelhos e emulsão de salsa
A amada pescada dos bascos, conheceu aqui uma “adaptação à Inglesa” em jeito de Fish & Chips. Mas o prato é muito mais do que isso, é uma tempura irrepreensível – seca e bem crocante, e uma pescada mais do que perfeita – húmida e cheia de sabor. Bom apontamento dado pelo confit de pimentos que nos traz alguma carga e sabores da terra, mas aqui o destaque vai todo para a pescada, provavelmente o melhor pedaço de peixe frito que alguma vez comi!

 Rabo de Boi, emulsão de cogumelos
Apesar de ser um dos meus “cortes” fetiche, foi o prato que menos me surpreendeu. Apesar de visualmente irrepreensível e da fantástica emulsão de cogumelos, o desfiado de carne passou um pouco do ponto de suculência ideal e o conjunto tornou-se demasiado doce. Faltou um elemento ácido ou um acompanhamento que equilibrasse a balança.

Arroz de cogumelos 
Um arroz bomba, bem caldoso, cozinhado no ponto, e rico no sabor a cogumelos que é ainda elevado pela emulsão de cogumelos que lhe serve de topping. Um grande, grande arroz!

Marshmallow de Rosa, Sorvete de morango
Uma sobremesa bem ao meu estilo, leve e fresca sem muitos elementos e com algumas texturas. Fantástico o gelado de morango de textura aveludada ao bom jeito da pacojet, bem conjugado com os morangos frescos (estranhamente bons dada a altura do ano) e a espuma de morango juntamente com a leveza do marshmallow e as láminas de rosa. Muito boa a combinação dos sabores e aromas florais e frutados!

 Mousse de caramelo salgado, crumble de bolacha e gelado de leite de ovelha
Uma sobremesa bem mais pecaminosa ainda que com a doçura bem equilibrada. Excelente a mousse, fantástico o gelado, numa boa conjugação de elementos e texturas. Belo final!

A carta de vinhos, não sendo enorme, apresenta uma excelente seleção de vinhos espanhóis com muitas opções a copo. No nosso caso, optou-se por um vinho da Rioja, 100% Tempranillo (que é como quem diz a nossa Tinta Roriz) R & G de 2011, com notas de madeira, baunilha, fruta vermelha madura e várias especiarias. Na boca este vinho de Rolland Galarreta revelou algumas notas da tosta, um corpo médio, muita fruta e uns taninos bem marcados, um vinho moderno que segue as tendências mais atuais, mas que não me satisfaz pessoalmente. A hamonização foi particularmente feliz com o rabo de boi, o arroz de cogumelos e o confit de pimentos.

O Serviço de sala esteve mais do que à altura da refeição, demonstrando celeridade, simpatia, boas sugestões e um excelente conhecimento da carta apresentada.

Considerações Finais
Antes de pensar em marcar uma mesa neste Eneko at One Aldwych é importante evitar um erro em que muitas vezes se cai quando um nome como o de Eneko Atxa abre um novo restaurante, o excesso de espectativas. Isto porque a ideia não foi, nem é, criar um “novo” Azurmendi, mas sim abrir um novo conceito, bem mais informal, sem complexidade e claro, sem a estrutura e preços de um 3 estrelas . O selo do chef está bem patente, não só nas apresentações e técnicas como nas combinações de sabores e na inspiração basca que é aqui a sua principal base.

Posto isto, este Eneko é uma das novas grandes opções na zona de Covent Garden, a carta aparentemente simples tem detalhes de risco e inovação e algumas coisas que vivem na perfeição, como foi o caso da Pescada que tão cedo não esquecerei!

Visita obrigatória!

Eneko at One Aldwych
Preço médio: £40 por pessoa sem vinho nem taxas
1 Aldwych  – Londres
+44 20 7300 0300
eneko@onealdwych.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses / * foto de divulgação

Nota
Estivemos no Eneko a convite do One Aldwych Hotel, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Nespresso Gourmet Weeks 2017

Começa hoje o Nespresso Gourmet Weeks com um jantar no The Yeatman, que junta os dois mais recentes chefs com duas estrelas Michelin em Portugal – Ricardo Costa do The Yeatman e Benoit Sinthon do Il Gallo d’ Oro . 

O conceito do evento mantém-se pelo 3º ano, com os chefs anfitriões a convidarem amigos para em conjunto criarem um menu de degustação em que o café é a estrela mais brilhante.

Para esta edição a inspiração do evento  é a Nespresso Exclusive Selection”, composta por 2 cafés especialmente criados para espaços de fine dining. Provenientes de regiões inexploradas do Nepal e Tanzânia, o ‘Exclusive Selection Nepal Lamjung’ e o  ‘Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry’ foram desenvolvidos para tornar a  a experiência gastronómica  ainda mais inesquecível.

Aqui podem ver o calendário de jantares, assim como os chefs  e os seus convidados:

Um calendário de peso, com nomes que não deixam ninguém indiferente no mundo da gastronomia portuguesa.

As marcações, assim como informações sobre os preços de cada jantar, devem ser requeridas através do canal próprio de cada restaurante.

 

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One Aldwych London

Como sabem, eu adoro voltar onde já fui feliz, pelo que aliei essa ideia a uma boa desculpa, a abertura do restaurante Eneko at One Aldwych o ano passado, do aclamado chef Basco Eneko Atxa (*** Michelin), para regressar ao Hotel One Aldwych em Londres (ver artigo de 2015), bem no coração de Covent Garden.

Voltar a Londres é sempre um prazer, com ou sem Brexit, esta cidade continua a ser uma das minhas preferidas, e Covent Garden uma das minhas regiões de eleição, com a sua atmosfera de elegância despretensiosa e repleta de cultura.

O mote deste regresso foi efetivamente o Restaurante Eneko at One Aldwych, no entanto, a estadia no hotel merece mais uma vez um destaque especial. A imponência do hotel mantém-se inalterada, olhá-lo de fora é sentir a altivez de outra época.

Mal entramos tornei a sentir aquela azáfama vibrante e tipicamente boémia que só se sente nos bares de Londres, e que eu adoro!

Estava mais uma vez no ambiente do The Lobby Bar comandado pelo brilhante (e português!) Pedro Paulo – que por estes dias apresenta a sua nova carta de cocktails e sobre a qual falaremos mais à frente.


Dirigimo-nos à receção e fomos recebidos com um maravilhoso “Bom Dia”! Sim, o hotel está repleto de “boa gente” portuguesa!

O nosso quarto estava a ser preparado e então deixaram-nos entregues (e muito bem) às mãos do Pedro, no The Lobby Bar, fazendo com que a nossa chegada a Londres fosse um mergulho nas ótimas “bolhas”  Perrier-Jouet, enquanto pomos a conversa em dia.

The Lobby Bar

Neste preciso momento e olhando à minha volta relembro na perfeição porque me apaixonei pelo One Aldwych naquela primeira vez… a arte está bem presente em todos os espaços, numa atmosfera cosmopolita mas sem perder a identidade, numa azáfama de  comportamento boémio mas sem perder o conforto.

Entretanto, e após este agradável momento de ócio na companhia do Pedro, lá fomos encaminhados ao nosso quarto.

Os quartos no One Aldwych nunca desiludem, conforto e contemporaneidade são palavras de ordem, e a arte de bem receber está sempre presente em pequenos detalhes, seja na fruta fresca reposta diariamente, seja nos biscoitos que nos aguardavam no primeiro dia, seja nas frescas flores que harmonizavam ainda mais o ambiente do quarto.

A cama, ai…as camas deste hotel continuam a ser uma das mais confortáveis e funcionais que já experimentei!

The Lobby Bar

No que diz respeito a espaços gastronómicos, o One Aldwych não poderia estar melhor representado. Comecemos pelo restaurante Indigo, um espaço elegante mas informal que prima pela sua cozinha livre de glúten, onde em 2015 tivemos uma agradável refeição e onde desta vez pudemos (novamente) tomar um excelente pequeno-almoço, em modo à La Carte – com tudo a ser preparado a preceito e a chegar à mesa no momento certo.

Restaurante Indigo 

 Os clássicos Eggs Royale

Por sua vez, o The Lobby Bar mantém-se no topo das minhas preferências de todos os espaços do hotel, um ambiente cosmopolita, dinâmico e repleto de glamour.

Pedro Paulo

Aqui provei alguns dos melhores cocktails de sempre, pelas mãos do Pedro Paulo. Neste local servem-se também refeições leves ao longo do dia, e ainda um dos mais exuberantes Chá das Cinco de Londres!
Imaginem-se personagens do clássico conto de Roald Dahl, Charlie and The Chocolate Factory, e sintam-se presenteados pelos doces de Willie Wonka, porque é tudo isto que se lembrarão quando estiverem perante este chá das cinco do One Aldwych.

Este chá pode também ser servido privativamente numa das salas designadas para esse efeito, num total de 12 a 30 pessoas.

Durante a nossa visita, Pedro Paulo e a sua equipa estavam a últimar as preparações da nova carta de cocktails, que prometia ser a mais arrojada de sempre, e uma das que iria fazer correr mais tinta nas revistas londrinas da especialidade. Pudemos provar o clássico Old Fashioned preparado na mesa com auxílio de um elegante Trolley desenhado por Pedro, que promete fazer as delícias dos clientes e das suas câmaras – Em breve iremos mostrar-vos a preparação deste drink clássico.

(P.S. A carta viu a luz do dia recentemente, e a crítica inglesa já se rendeu aos novos preparos e conceitos duma carta inspirada nos teatros londrinos, dividida em Comédias, Sátiras e Dramas, onde os cocktails se baseiam em várias das famosas peças da cidade. Destaque ainda para um cocktail que promete uma viagem à origem do cocktail com direito a uma incursão pelo mundo da realidade virtual).

Por fim, temos como espaço gastronómico aquele que nos fez regressar, o restaurante Eneko at One Aldwych do consagrado Eneko Atxa´s, chef do Azurmendi Restaurant (***Michelin). Assim, neste seu Eneko em Londres podemos encontrar nas suas criações esta inspiração na tradição basca, mas, sobre isso fala-vos o João, noutra publicação.

Uma Pescada perfeita, em jeito de Fish & Chips no Eneko at One Aldwych

Mas como um bom hotel não se faz só de locais de gastronomia, vamos ao espaços de lazer e relaxamento.
Como vos havia dito no artigo anterior sobre o hotel, este possui serviços que conseguem suprir as necessidades de todos os hóspedes, começando pelo simples facto da sua perfeita localização.

Covent Garden é das regiões mais bonitas da cidade, e onde se localizam algumas das galerias e teatros mais importantes de Londres, nomeadamente o Lyceum Theater, que fica mesmo ao lado do One Aldwych, com a exibição do Lion King (que ainda não foi desta que vimos, infelizmente, mas que nos dá mais uma desculpa para voltarmos!).

Além da região, o hotel diferencia-se também pelo excelente complexo de spa que possui, com aquela piscina fabulosa da qual nunca me esqueci, com música debaixo de água, além de salas de tratamentos, circuito de banhos e um excelente ginásio (sim, porque eu agora sou cliente assídua deste tipo de locais!).

The Lounge 

Outro espaço que me fascinou no One Aldwych, e do qual não tinha qualquer noção aquando da nossa primeira estadia, foi o Lounge, que se situa mesmo à entrada do hotel com uma passagem quase secreta, um local bastante semelhante a um refúgio pessoal, onde o silêncio e a calma imperam, ao contrário do The Lobby Bar. É bastante interessante verificar esta dualidade de conceitos, dois espaços com ambientes totalmente opostos e com uma distância tão próxima entre eles.


Esta sala segue a linha do restante hotel, uma atmosfera de luxo contemporâneo, com atenção aos detalhes dados pelas peças de arte e pela presença constante das flores. Aqui encontram-se obras de arte com inspiração na história do hotel, quando este serviu de sede de diferentes jornais.


Um dos espaços mais relaxantes e bonitos do hotel.

Os momentos no One Aldwych, neste fim de semana prolongado em Londres, foram passados duma forma perfeita, seja pela felicidade em regressar onde já se foi feliz, seja pela descoberta de novos lugares, como foi o caso da nossa experiência no restaurante Eneko, seja pela redescoberta de locais que nos fazem gostar ainda mais deste hotel, como o The Lobby Bar ou o Lounge, seja pela equipa que desta vez foi ainda mais exímia no atendimento.


Sem dúvida, um dos meus locais de preferência na cidade, mesmo que não se hospedem no hotel, não percam uma oportunidade de o conhecer, entrem simplesmente para um cocktail no The Lobby Bar, e conheçam um dos mais importantes barmans de Londres, experimentem a sensação de fazer parte duma fantasia de doces com o memorável Chá das Cinco, ou reservem uma mesa no cosmopolita Eneko at One Aldwych, mas de forma alguma percam a possibilidade de conhecer um dos melhores hotéis de Londres, não se irão arrepender!

Mais uma vez te digo: “Até breve One Aldwych!”

One Aldwych
Quartos a partir de 390€
1 Aldwych – Londres
+44 (0)20 7300 1000

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no One Aldwych a convite do Hotel, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – The Ivy Market Grill Covent Garden

Depois de há mais de 10 anos Richard Caring ter comprado a Caprice Holdings o seu investimento em restaurantes e clubes nunca mais parou! No entanto, só em 2014 se aventurou a usar o nome daquele que seria, provavelmente, o mais famoso restaurante de Londres, o The Ivy, e criar novos espaços em torno de uma marca tão poderosa.

O especial do clássico The Ivy (que celebra 100 anos em 2017) não é só a sua comida de conforto, o seu serviço ou a decoração, mas sim o facto de durante anos ter tornado possível que o mais comum dos mortais partilhasse a sala de jantar com as principais figuras e celebridades de Londres e do Mundo.

Para a abertura do seu primeiro spin-off  (hoje já são vários) Richard Caring não se colocou numa estreita e escondida rua londrina, nem procurou criar uma porta repleta de paparazzis, bem pelo contrário, instalou-se bem no coração da famosa praça de Covent Garden com o “novo clássico” The Ivy Market Grill.

O espaço não podia ter sido melhor escolhido, um edifício de traça histórica, uma esplanada que convida a ficar, enquanto se observa toda a agitação de Covent Garden, e um interior dividido em 2 pisos.

Na decoração reina o metal, a madeira e a pele, num ambiente bem masculino e burguês que nos remete rapidamente para os cafés históricos de Paris, Londres ou Nova Iorque. O bar presta homenagem ao The Ivy Original, o espaço reduzido entre mesas lembra-nos que estamos numa espécie de brasserie e as peças de prata trazem-nos o conforto e a identidade de outros tempos. Esse é um dos talentos do estúdio  de Martin Brudnizki, responsável pela decoração, que fez com que um restaurante novo pareça existir naquela praça desde sempre.

Mas deixemos os negócios, a decoração e o glamour para falar do que nos traz aqui, a comida e o selo de garantia The Ivy. Neste Market Grill a ideia foi criar um all day dining, com opções desde o pequeno almoço, ao chá das cinco, sem esquecer os menus pré e pós teatro (ou não estivessemos junto a West End). Criando para isso um menu assente na cozinha de conforto, principalmente de matriz inglesa, com opções para todos os gostos e feitios.

Costumo dizer que algo de bom vai acontecer quando surge uma faca Lagouile 

E começamos bem, com um brinde do Champanhe feito especialmente para o grupo, o The Ivy Collection Champagne.

Salmão Fumado, Caranguejo, creme de funcho
Salmão bem fumado, com notas elegantes da madeira, a trazer complexidade ao aroma e sabor do peixe. Boa textura e muito bem conjugado com a pasta de caranguejo e funcho que refresca o conjunto. Simples e eficaz, um belo início!

Bife Tártaro
Um clássico francês, bem trabalhado, com a carne cortada à mão na perfeição, bem temperada com os pickles, a chalota, a salsa e um molho à base de tabasco e mostarda enriquecido pela untuosidade da gema. Um grande tártaro!

Tornedó Rossini 
Uma versão do clássico, com a carne selada na perfeição e no ponto certo, ótimo foie, trufa e um molho que poderia ter um pouco mais de intensidade.

Uma versão que certamente não envergonharia o Sr. Rossini!

Sheperd’s Pie 
O prato mais emblemático da marca The Ivy – a versão inglesa de um empadão – aqui preparado com pá de cordeiro cozinhada a baixa temperatura juntamente com vitela e um puré de batata com uma boa dose de manteiga e queijo Cheddar. A verdadeira comida de conforto, com sabores ricos e untuosos, perfeitos para o frio que se fazia sentir em Londres durante a nossa visita. A acompanhar Bimis salteados com zeste de limão.

Frozen Berries, Chocolate branco e gelado de iogurte 
A opção mais fresca da carta de sobremesas, que revela um bom jogo de temperaturas e texturas entre o congelado dos frutos vermelhos, a cremosidade e acidez do gelado e o molho quente de chocolate branco. Simples e eficaz.

Bomba de Chocolate, espuma de leite, favo de mel, gelado de baunilha e molho de caramelo salgado 
É a sobremesa mais famosa do restaurante e o oposto da anterior – uma bomba de pecado e doçura – em que todos os elementos se fundem com a junção do molho de caramelo salgado, criando um conjunto, que apetece meter à boca (enquanto se fecha os olhos e se esquecem as calorias).

A acompanhar esteve um branco da região de Veneto em Itália, um Soave Clássico da Suavia, 2015, 100% garganta, um branco leve, frutado e fácil de beber, com as notas cítricas e a mineralidade a exibirem-se muito bem. No tinto, optou-se por um tinto de 2013 de Lalande de Pomerol, um Plaisir de Siaurac que não sendo digno de grande história, não comprometeu a harmonização com as carnes, graças às suas notas de especiarias, frutos vermelhos e taninos elegantes. Nota ainda para os copos, cujo pé baixo os torna menos interessantes para a degustação.

Sobre o serviço de sala as menções não poderiam ser estranhamente melhores, é impressionante a qualidade e atenção dada numa sala com tantos lugares sentados e a servir ininterruptamente do pequeno almoço ao  jantar. Ritmo, simpatia, conhecimento, recomendações, alegria – a máquina de sala deste Market Grill está verdadeiramente bem oleada e é um dos seus pontos mais fortes.

Considerações Finais
O Market Grill é bastante mais do que um spin-off de um produto famoso, é um espaço que homenageia o The Ivy mas que tem a sua própria identidade.  A sua atmosfera convida-nos a ficar e usufruir do charme e boémia de outros tempos, enquanto a cozinha nos transmite sensações de conforto, com pratos simples, bem elaborados e com boa matéria prima.

É certo que não é o restaurante para uma surpreendente experiência gastronómica, mas é um dos espaços certos para viver Londres, com a sua energia e agitação através da mesa.

The Ivy Market Grill
Preço médio: £30 por pessoa sem vinho nem taxas
1 Henrietta Street, Covent Garden – London
+44 20 3301 0200
reservations@theivymarketgrill.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Magna Pars Suites Milano

Imaginem o que é ficar hospedado numa antiga fábrica de perfumes, em que as essências de variadíssimos aromas nos preenchem o olfacto e nos transportam para locais tão distintos quanto comuns…

Assim é uma estadia no elegante e contemporâneo Magna Pars Suite na cidade da moda, Milão.

Aberto desde 2013, este Small Luxury Hotel of the World é o primeiro hotel do mundo dedicado ao perfume, ou não tivesse ele nascido sob uma antiga fábrica de perfumes. À sua estrutura foi adicionado o glamour típico da cidade da moda, numa zona próxima do distrito financeiro e cultural mas com o ambiente dum verdadeiro refúgio, na Via Forcella, a apenas alguns minutos da estação de comboio Porta Genova.

Primeira Impressão
Efetivamente as primeiras impressões são tudo, e a do Magna Pars Suites não desilude em nada! O edifício causa um impacto sem igual nas nossas mentes com um design totalmente diferente daquilo que se espera dum hotel de luxo. Percebe-se perfeitamente a herança industrial da antiga fábrica de perfume.


Até chegarmos à receção vamos percebendo os diferentes espaços de convívio, e a presença constante da natureza com o seu exuberante jardim central.

Percebemos que estamos num hotel que nos conta uma história, uma história de fragrâncias que se espalham e se mesclam por todo o ambiente.

Mas se o nosso olfato não for assim tão astuto, mal entramos no lobby temos acesso a diferentes secções com vários aromas suscetíveis de prova.

A receção propriamente dita é pequena, mas serve bem o efeito, porque o importante aqui é todo o espaço envolvente do hotel. Nesta temos biscoitos, sumos e água para descontrair enquanto fazemos o check in.

O funcionário que nos recebe é simpático e sem pretensiosismos, e descreve-nos um pouco a história da fábrica/hotel, explicando-nos que este se encontra dividido em três zonas distintas: Flores, Frutos, Madeira, personificados pelas diferentes fragrâncias que se fazem sentir.

O check in é feito após esta agradável conversa e somos encaminhados ao nosso quarto, ou deverei dizer loft?!

Quartos
Contam-se 39 suites, e são verdadeiros lofts, com uma decoração contemporânea e peças de arte capazes de agradar ao mais exigente dos hóspedes.

O mobiliário foi desenhado por fabricantes da região da Lombardia e cada suite está decorada com domínio do branco, acompanhado de cores sóbrias, tecidos refinados, sofás e cadeiras de couro, mesas de vidro e pinturas inspiradas nos elementos olfativos.

Ficamos numa Prestige Suite com os seus generosos 65m2, e o que mais me chamou a atenção além de todo o luxo, foi a luz que se fazia notar por todo o quarto. Com janelas a substituir as habituais paredes e totalmente controlado por domótica, todo o quarto era invadido por uma luz intensa e que nos mostrava também o belíssimo jardim interior, e toda a estrutura do hotel, assim como os outros quartos (ainda tivemos direito a uma sessão fotográfica, no quarto em frente, bem animada, digamos!!!).


Cada quarto é presenteado com uma nota olfativa – floral, frutada ou de madeira, o nosso era o Cedro, que se fazia sentir pelo quarto duma forma subtil e harmoniosa.

A localização das suites é, também, baseada na altura da árvore que representam.
Efetivamente foi tudo pensado ao pormenor!
Nota alta, igualmente, para o prosecco e fruta que nos deram as boas-vindas.

Restaurantes/Bares
O hotel conta com dois espaços, o DA NOI IN e o Liquidambar.
O primeiro é um restaurante e o segundo o bar do hotel.


O DA NOI IN, caracterizado por uma cozinha moderna e criativa com recurso a produtos e ingredientes de qualidade, é inspirado nas genuínas receitas italianas, e está nas mãos do chefe Fulvio Siccardi.

Aqui os comensais podem esperar um ambiente de hospitalidade, glamour e elegância que caracteriza todo o hotel. Está aberto não só para os hóspedes mas também para todo o público.

Serve almoço e jantar, mas também nos presenteia com um maravilhoso pequeno-almoço.

Quanto ao Liquidambar é o local mais cosmopolita do hotel. Abre-se para o jardim interior numa combinação perfeita entre a arte e a natureza, e consegue criar um ambiente sem igual.

Com cocktails, petiscos e vinhos faz as delícias de todos.
Aqui é também possível agendar festas privadas.

Serviços
O hotel possui todos os serviços típicos dum hotel de luxo, desde serviço de quartos, lavandaria, wifi, parque de estacionamento, entre outros.

Um dos serviços que torna o Magna Pars Suites único é o facto de ser o local perfeito para eventos, com um total de quatro salas para esse efeito, e um catering organizado pelo restaurante DA NOI IN.

Assim, O Magna Pars Event Space, inaugurado em 1991, está localizado no piso térreo do antigo edifício da fábrica de perfumes do início do século XX.

Graças ao Magna Pars Suites Milano foi renovado e elegantemente estruturado, reinterpretando as características originais do edifício pós industrial e transformando-o num estilo contemporâneo.


O hotel possui ainda um espaço dedicado ao bem estar, com ginásio devidamente equipado, salas de tratamento e relaxamento em sintonia com o jardim exterior.


Um dos ex libris do hotel é o seu Roof Deck, um terraço com 300m2 preparado para um evento social, mas também para uma conferência.

Dois dos meus locais preferidos foram o Lybrary Hall & Balcony Hall e o Jardim. O primeiro com sofás confortáveis e onde a madeira é rainha permite-nos momentos perfeitos de ócio com um bom livro como companheiro, o segundo garante-nos uma comunhão única com a natureza.


O hotel tem uma zona ímpar que serve de mote a toda a história do hotel, o LabSolue, ou seja, o Laboratório onde se criam as fragrâncias que sentimos ao longo de toda a nossa estadia.

A arquitetura do espaço reflete um lado criativo e com herança ao mesmo tempo. Este espaço mostra-nos o passado do Magna Pars Suites repleto de emoções e prestígio.

Um elegante armário de madeira rouba a nossa atenção, e nele podemos ver o antigo laboratório farmacêutico da Marvin, a histórica marca de cosméticos estabelecida por Vicenzo Martone.

Neste local, hóspedes e também turistas curiosos (o laboratório está próximo à rua e é todo em vidro) podem apreciar as 39 essências selecionadas para o hotel.


Há também neste espaço uma pequena biblioteca privada com obras de arte da perfumaria e literatura sobre perfume.

É também possível adquirir as fragrâncias do hotel.
Sem dúvida um local diferente com uma combinação perfeita entre elegância e história.

Atendimento
No Magna Pars Suites temos a sensação que estamos na nossa casa, pois circulamos por todo o hotel livremente quase sem darmos pelos funcionários. Há sempre um simpático funcionário na receção, mas ao longo do hotel não nos cruzamos com mais ninguém, a não ser durante as refeições.

Isto até poderá ser um ponto negativo para alguns hóspedes, mas tendo em conta o ambiente cosmopolita e descontraído do hotel até achei interessante.

O Magna Pars Suites foi uma agradável surpresa na cidade de Milão, um hotel único, com uma atmosfera que tem tanto de herança como de contemporaneidade. Um local que nos encanta pelo olfato e nos deslumbra pela decoração.

Tenho que vos confessar que morava naquele Loft que eles insistem em chamar de quarto!

Arriverdeci Milano!

Magna Pars Suites
Quartos a partir de 234€
Via Forcella ,6 – Milão
+39 02 833 837 99
Info@magnapars.it

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Magna Pars Suites a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

 

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Florença – Cibrèo

Cidades como Paris, Londres ou Florença, nunca cansam, e Florença em particular, bem que poderia tornar-se o meu refúgio, se por algum motivo tivesse de deixar o meu querido Porto!

E é sempre bom voltar onde já se foi feliz! Seja uma cidade para a qual nos apetece viajar vezes sem conta, seja aquele restaurante que fazemos questão de visitar sempre que estamos numa cidade.

Em Florença, capital da Toscana e berço do renascimento, não faltam, felizmente, boas interpretações da cozinha regional, com grandes e emblemáticos restaurantes que apesar do fluxo de turistas sempre souberam respeitar as suas origens, tradições e consequentemente o seu futuro.

E aqui o meu refúgio é este Cibrèo (sobre o qual já vos escrevi aqui ), seja pela atmosfera vintage, o ambiente acolhedor, a figura peculiar e a simpatia de Fabio Picchi, o chef, seja pela pela sua ousadia de não servir pratos de pasta no seu ristorante.

Fabio é hoje uma celebridade entre locais e estrangeiros,  mas mantêm o seu negócio com a mesma inspiração de quando o abriu, há mais de 30 anos e lhe deu um nome modesto, que personifica a sua cozinha – Cibrèo é um famoso ragu, que a mãe de Fabio preparava com astúcia, durante toda a sua infância – uma cozinha assente num receituário familiar, simples, de confecções simples, onde o produto é rei e o sabor ganha destaque.

Falar do regresso a um sítio que nos fez feliz é falar de expectativas, de desejos, de paixão e de memórias de sabores – como o rabo de boi e o bolo de chocolate que por lá tinha provado há anos.

Mas lá fomos, deambulando pelas lindas ruas de Florença, sem mapa, com o destino guardado na memória. A entrada mantém-se a mesma, mudam-se os livros, com as últimas edições a merecerem destaque, mas mantêm-se os rostos, o calor e genuinidade.

Já à mesa verificamos que tudo se mantêm inalterado, da decoração à música, ao ambiente e serviço, até o seu confuso, mas envolvente esquema de apresentar a carta. Continua a existir um funcionário que se senta ao nosso lado e nos descreve os pratos disponíveis naquele dia, é certo que rapidamente nos esquecemos de vários pratos que são descritos, mas as questões sobre as nossas preferências e as sugestões, tornam todo o processo de escolha muito mais carismático e entusiasmante.

Pedido feito e rapidamente a mesa é inundada dos habituais amuse bouche do chef, ou neste caso uma pré refeição, visto que ninguém ficaria mal se se ficasse apenas por aqui. Destaque para o tártaro de Salsicha, invulgar e rico de sabor, a salada fria de tripas e o sempre fantástico Aspic de tomate picante.

Uma fantástica forma não só de aguçar o apetite mas também de reavivar todas as memórias que tinha dos sabores e texturas da cozinha de Fabio Picchi.

Seguiu-se um prosciutto artesanal, curado na Toscana e cortado à mão com o qual o próprio chef nos brindou. Carne com textura e sabor certeiros, gordura intramuscular na medida certa e bom corte. Uma proposta bem mais interessante do que maioria dos prosciuttos que vamos encontrando no mercado e em restaurantes.


Minestrone com Atum Branco
Uma sopa clássica, trabalhada com mestria e enriquecida com pedaços de atum branco, típico da costa Italiana. Sabor rico e bem trabalhado, com destaque para a textura ainda crocante e a técnica de corte dos legumes que a compõe. O Aipo trouxe à sopa a frescura necessária para não se tornar demasiado pesada e linear.


Sformattino de Ricotta, Ragù de carne, parmigiano
Um dos pratos emblemáticos do restaurante, e algumas das texturas que Fabio Picchi domina como poucos. Sabor rico e intenso com um ótimo contraste entre a carne e o queijo. Delicioso!


Cogumelos PorciniFeijão
Feijões e cogumelos são tradição bem patente na região – estando nós de visita em época de Porcini a escolha seria óbvia. Cogumelo de grande qualidade, cozinhado no ponto, carnudo e saboroso, foi bem conjugado com o feijão e o aromático azeite. Simples, tornado perfeito!


Coelho Recheado com Salsicha e presunto
Prato clássico, de coacção irrepreensível, com bom molho e acompanhamentos interessantes, destacando as cebolinhas bem glaciadas e o puré de batata gratinado, que são um must. Mais um prato de gosto afinado e repleto de sabor!


Estufado de rabo de boi, batata, feijão verde
Voltou a ser o prato da noite, estufado que tem tanto de simples como de mestria. Um prato em que o tempo é um dos principais ingredientes e o conjunto se torna surpreendente. Nota alta também para as alcachofras cozinhadas em azeite e o famoso pão – osso de mamute.

Valeu a pena voltar por este rabo de boi.


Tarte de Frutos secos, baunilha e mel
Começamos pela menos interessante das sobremesas, onde o excesso de doçura retira algum do interesse do jogo de texturas e sabores das várias frutas secas.


Tarte de Framboesa e Baunilha
Se a tarte anterior apresentava defeitos, esta apressou-se a corrigi-los, fresca, leve, com bom equilíbrio de doçura, e uma ótima conjugação entre a framboesa fresca e o creme de baunilha. Muito bom!


Tarte de Merengue e cacau em pó
O nome diz pouco sobre a sobremesa em questão, mas a sua textura e o sabor do creme deixaram-nos completamente rendidos!

(Se o Fabio Picchi me estiver a ler pode sempre deixar a receita nos comentários!!!)

A carta de vinhos é também ela uma espécie de museu, com opções para todos os gostos, onde claramente leva primazia a produção de vinhos nas várias sub-regiões da toscana.

A acompanhar a refeição esteve um Chianti Classico Montefioralle Reserva de 2013, um 100% Sangiovese, fruto de uma selecção das melhores vinhas de um pequeno  produtor, que são ficam depois em estágio de 24 meses em madeira. Resultando num vinho complexo, rico e estruturado, com a madeira bem integrada e uns taninos sedosos que se conjugaram otimamente com as texturas mais cremosas dos pratos.

O serviço é de grande qualidade, do primeiro ao último minuto. Com a particularidade, ao contrário do fine dining, de quererem que nos sintamos em casa.

Considerações Finais 
Fabio não é apenas um génio de Marketing, nem um sucesso de geração espontânea, o seu pequeno império (são já 5 espaços num raio de 50 metros)  surge, não pelo roubo ao turista mas pela autenticidade e carisma da sua cozinha. O Cibrèo é um daqueles restaurantes em que nos podemos apaixonar (como é o meu caso), podemos até nem gostar, por variadissímos motivos, mas é daqueles espaços em que é praticamente impossível comer-se mal. É sem dúvida um restaurante e uma cozinha cheia de personalidade e qualidade.

É certo que não é barato, mas como já disse, visitar Florença sem experimentar a cozinha de Fabio Picchi não é a mesma coisa, pelo que podem facilmente optar pelo Caffè ou a Trattoria que propõe a mesma qualidade de confecção mas com um serviço mais informal e descontraído.

Ristorante Cibrèo
Preço médio:100€ por pessoa com vinho
Via del Verrocchio, 8r, Florença
+39 055 234 11 00
info@cibreo.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Gallery Hotel Art by Lungarno

Experienciar um hotel que nos transmite a sua herança a sua tradição e o seu design é uma das sensações que mais privilegio.

Saber que estou num hotel em Florença, mesmo ao lado do rio Arno e da Ponte Vecchio, faz-me imensamente feliz! Saber também que esse hotel pertence a um grupo de hotéis de luxo criados pelo emblemático Salvatore Ferragamo é ainda mais entusiasmante!

Assim foi a nossa estadia no Gallery Hotel Art da Lungarno Collection.

Salvatore Ferragamo saiu de Itália aos 16 para começar a sua aventura nos EUA, algum tempo depois, já em 1927, voltou, mais propriamente a Florença, para fazer valer o seu sucesso de “shoemaker” das estrelas de Hollywood, e para levá-lo a um nível ainda mais requintado, com a tradição florentina bem presente.

Onze anos mais tarde abriu a sua primeira loja junto ao rio Arno, e foi a partir daqui que toda a inspiração se revelou para criar, junto com o renomado arquiteto Michele Bonan, os luxuosos hotéis do grupo Lungarno Collection. Hotéis com um sentido refinado de hospitalidade e personalidade, transmitindo os valores fundamentais da família Ferragamo, “compromisso, consistência e continuidade”.

O grupo possui vários hotéis, cinco em Florença (Hotel Lungarno, o Portrait Firenze, o Continental, o Lungarno Apartments e este de que vos falo hoje), um em Roma (Portrait Roma) e dois na Toscana (Villa Le Rose e Resort Baia Scarlino), além de imensos restaurantes, e experiências em iates (Nautor´s Swan Yachts).

Ficamos, então, no Gallery Hotel Art, que como o próprio nome indica é bastante dedicado à arte! Além de que mantém aquele cunho da moda e do lifestyle a cada momento, como eles mesmo se definem: “um local para ver e ser visto”.

Primeira Impressão
Que primeira impressão se pode ter dum hotel que fica praticamente em frente à Ponte Vecchio? A melhor, como é óbvio!

O Gallery Hotel Art  é um hotel design de quatro estrelas em que a arte está presente em cada detalhe.

Mal chegamos, ainda antes de entrar, pudemos apreciar o ambiente cosmopolita do Fusion Bar & Restaurant.

Entramos e o Lobby da receção demostra bem a contemporaneidade do hotel, transmitida essencialmente pelas instalações ou peças de arte ali presentes numa retrospetiva da artista Simone D´auria, já desde 2013, que apenas se mantiveram até 2016. Mas outras obras e artistas se seguirão.

Assim, somos de imediato levados a olhar para estas peças, umas das quais um tributo ao maravilhoso Philippe Stark e ao seu icónico Juicy Salif.

A equipa recebeu-nos duma forma bastante descontraída mas elegante, e com simpatia tratou de forma rápida do nosso check in.

Antes de subirmos para o quarto ainda dei uma espreitadela na sala com funcionalidade de biblioteca (e sala de pequeno almoço que viria a descobrir no dia seguinte!), decoração contemporânea e mais alguns pormenores de arte brilhantes.

Quartos
Contam-se 74, e nós ficamos num Studio que mais parecia uma casa! Um quarto com 40m2 constituído por quarto, casa de banho e sala, e ainda um terraço bem acolhedor.


À semelhança do restante hotel, o quarto respirava arte em cada detalhe, com uma decoração contemporânea e bastante aconchegante.


Na casa de banho pude encontrar um dos melhores produtos ao qual já tive acesso em hotéis – a exclusiva linha Tuscan Soul de Salvatore Ferragamo (com um hidratante de lábios com o qual sonho até hoje!).

Em jeito de boas vindas estava um chocolate italiano que se revelou bastante saboroso.

Restaurantes
O Hotel conta com duas opções gastronómicas, o Fusion Bar & Restaurant, com um ambiente cosmopolita, e uma alegria contagiante que nos faz querer entrar. Serve comida Nikkei, Sushi e Cocktails, e é um espaço para descontrair enquanto provamos sabores do mundo, mais propriamente do Japão combinados com o Peru e com um toque do mediterrâneo!


O outro espaço é a Biblioteca de que vos falei há pouco. Um local elegante sem ser pretensioso, com um ambiente mais calmo que o anterior e para desfrutarmos do pequeno-almoço, ou de um chá ou snack ao longo do dia.


Além destes espaços, que se localizam mesmo dentro do hotel, os hóspedes têm a oportunidade de experimentar os outros restaurantes do grupo, como foi o nosso caso, e da nossa experiência no Caffè dell´Oro, com uma das melhores vistas da cidade, a Ponte Vecchio!

O restaurante faz parte do The Portrait Firenze, inserido no mesmo complexo de hotéis que o Gallery, pelo que a  viagem entre um hotel e o outro é de parcos passos.

Aqui degustamos uma cozinha de influência bem italiana, marcada pelo ambiente e a decoração mais cosmopolitas. E  para vincar isso mesmo, começamos com um ótimo e fresco cocktail à base de Vodka, Gin, Lima, pepino e gengibre. 

Seguiram-se Bruschettas de cogumelos Porcinni, com burrata, pimentos e trufa, servidas com abundância e repletas daquele sabor clássico da cozinha Italiana.

E porque estávamos no tempo delas, as imperdíveis trufas brancas chegaram à mesa com uma ótima pasta. Pecaminoso!

Sem dúvida uma das melhores opções gastronómicas junto da Ponte Vecchio!

Serviços
Apesar do Gallery Art Hotel ser um quatro estrelas, o luxo não é deixado de lado em momento algum.

Além de que, o que não estiver disponível no hotel, estará certamente noutro dos hotéis do grupo que se situam muito próximos.

O Lungarno Collection oferece verdadeiras experiências para vivermos a cidade duma forma mais arrebatadora, como por exemplo Tours organizados sobre todos os passos do filme Inferno de Dan Brown, ou simplesmente tours nalguns dos museus mais importantes da cidade, como é o caso do Uffizi.


Apesar de não parecer, pode também transformar-se num verdadeiro hotel de negócios ou de eventos, e para isso nada melhor do que o espaço da Biblioteca. Para quem quiser algo ainda mais memorável, o Palazzo Capponi tem a sala certa, um espaço requintado e que traduz na perfeição a beleza do renascimento, e a apenas alguns minutos do hotel.

Atendimento
A equipa é jovem e animada, não tem pretensiosismos e é descontraída, mas em momento algum essa descontração se sobrepõe à simpatia e à atenção dada ao cliente.

O hotel transmite uma atmosfera de boa disposição, e a arte que se vai revelando em cada pormenor torna o ambiente ainda mais entusiasmante.

Os serviços correspondem praticamente a um hotel de cinco estrelas, porque quando o Gallery Hotel Art  não pode dar resposta a um pedido, adapta a situação para que um dos seus “irmãos” satisfaça o desejo do cliente.

A localização é perfeita, o ambiente é cosmopolita, e a arte é a Rainha!

Outro detalhe importante sobre o atendimento é a celeridade com que resolvem problemas, e aqui entra a minha história com os meus habituais esquecimentos – Deixei um casaco no Hotel que poucas horas depois me contactou para tentarmos agilizar o envio, que recebi dias mais tarde em casa e em perfeitas condições (eu juro que não faço isto de propósito para testar a qualidade do atendimento, eu sou efetivamente esquecida!).

Efetivamente o Grupo Lungarno Collection não deixa nada ao acaso, a beleza, a atenção aos detalhes, a tradição, a arte, a história, tudo é pensado ao pormenor, e garante uma vasta seleção de opções desde o mais clássico ao mais contemporâneo, porque os viajantes não são todos iguais, e cada vez mais é necessário privilegiar a identidade de cada um.

Gallery Hotel Art – Lungarno Collection
Quartos a partir de 200€
Vicolo dell’Oro, 5 – Florença
+39 055 272 63
gallery@lungarnocollection.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Gallery Hotel Art a convite da Lungarno Collection, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

 

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Palazzo Vecchietti

Florença é talvez a minha cidade preferida do mundo (pelo menos do que já conheço), a arte e a história, presentes ao virar de cada esquina, contribuem muito para essa premissa, por isso quando escolhemos o Palazzo Vecchietti como hotel, para mais uma visita à cidade, soube que a experiência iria ser memorável.


E por quê? Porque este Palazzo conta com 5 séculos de história! A família que lhe dá nome, os Vecchietti, foi das mais abastadas e importantes de Florença, e em 1578 encomendaram o projeto de sua casa a Giambologna.

Assim, bem no centro da cidade, ao longo de diferentes áreas e edifícios que a família já possuía (desde a Piazza della Repuplica até ao Palazzo Strozzi) nasceu o Palazzo Vecchietti. Foi construído sobre um antigo edifício do século anterior e uma, ainda mais antiga, torre bizantina.

Volvido alguns séculos o Palazzo Vecchietti transformou-se num hotel de luxo, sem a habitual ostentação e grandiosidade dos cinco estrelas mas com um conceito de luxo com um lado mais discreto e intimista.

Luxo esse que, conjugado com a história e a arte, me apaixonou de imediato!

Primeira Impressão
A entrada faz-se por uma espécie de túnel que nos leva a um autêntico regresso ao passado, a encaminhar-nos estão as pedras da antiga torre bizantina. A adrenalina sobe quando sei que estou a tocar a história!


Chegamos ao lobby, que nada mais é que uma sala enorme com a elegância e a riqueza de outra época, e eu consigo fechar os olhos e imaginar-me noutro século. A lareira é um dos elementos principais desta divisão, assim como as estátuas e os quadros da família Vecchietti. O mobiliário antigo transmite requinte ao espaço, sem descurar o conforto.

A equipa recebe-nos com simpatia e oferece-nos água ou prosecco e snacks, que se encontram, inclusive, à disposição dos hóspedes ao longo do dia.

O nosso check in é feito sem demoras e somos encaminhados ao nosso quarto. E que quarto!!!

Quartos
Contam-se 12 mais 2 apartamentos. Estes têm nomes de algumas das figuras mais importantes de Florença. Ficamos num quarto Deluxe com o emblemático nome de Botticelli, que honestamente era uma casa, uma casa onde eu viveria facilmente!


Mal entramos percebi que o quarto era uma simbiose perfeita entre um luxo intimista e uma grandeza histórica.

O passado mescla-se a cada momento com o contemporâneo numa ligação sem precedentes.

As cores mais neutras conjugam-se na perfeição com a vitalidade do roxo, as tapeçarias, as cortinas e os sofás são aveludadas e transmitem conforto e bem estar.

A lareira e o conjunto de livros que adornam o quarto são os protagonistas de verdadeiros momentos de ócio.

A casa de banho transmite fragrâncias sem igual, e a cozinha é perfeita para qualquer casa.

Como referi, isto não é um quarto, é uma casa numa das cidades mais históricas de mundo.

Restaurantes
Tendo em conta o conceito de casa de família, o Palazzo Vecchietti não possui restaurante, tem sim uma sala principal, no último piso, onde é servido o pequeno almoço, que poderá também ser servido no quarto, de acordo com a preferência de cada hóspede, ou então se saírem muito cedo do hotel, ser-vos-á preparado uma caixa de pequeno almoço com tudo o que é necessário para começar o dia da melhor forma possível.

Há também menu de pequeno almoço vegetariano, e glúten free.

No entanto, e porque o serviço de um verdadeiro hotel de luxo está presente em cada detalhe, se precisarmos de reserva nos diferentes restaurantes da cidade, a equipa trata de tudo.

Ao longo do dia, como já referi, pode encontrar snacks doces e salgados, além de água e prossecco na receção.

Serviços
Estes são em tudo semelhantes a qualquer hotel cinco estrelas. Receção 24h por dia, wi-fi, transporte ou aluguer de carro, visitas organizadas à cidade ou a locais específicos, babysitting, lavandaria, marcação nos melhores spas ou restaurantes da cidade, entre muitas outras opções.

O hotel tem também a particularidade de ser petfriendly.

Atendimento
O Palazzo Vecchietti é um luxo diferente, sem pretensiosismos e sem formalismos, e a equipa trata-nos como sendo os donos da casa e não apenas os hóspedes.

São atentos e não falham em nenhum pormenor, fazem-nos sentir em casa sem nos sentirmos invadidos. Além de nos receberem sempre com um sorriso sincero no rosto, sem a necessidade de aparências!

Cada vez mais acho que o luxo no futuro vai passar por este tipo de experiências, um luxo mais recatado, onde a qualidade dos produtos e do serviço não é descurada em nenhum segundo, mas onde a privacidade se torna o maior dos bens, criando um ambiente mais acolhedor, mais subtil e sem servilismo.

E o Palazzo Vecchietti traduz tudo isto na perfeição, é um luxo único e familiar, é um luxo só nosso!

Palazzo Vecchietti
Quartos a partir de 220€
Via degli Strozzi, 4 – Florença
+39 055 230 280 2
info@palazzovecchietti.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Palazzo Vecchietti a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Roma – Metamorfosi *

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Roma é uma cidade clássica, monumental e histórica, onde, e apesar do bulício de ser uma espécie de parque de diversões turístico, o seu povo mantém bem patente o passado, o respeito pelas tradições e continua, em certas áreas, nomeadamente na gastronomia, a ver a mudança e a modernidade com um olhar sisudo e severo.

É uma cidade onde é fácil encontrar grandes restaurantes com pratos emblemáticos e bem enraizados na cultura romana, simples, e baseados unicamente na qualidade do produto. No entanto, quando olhamos para a alta gastronomia a escolha torna-se um pouco mais complicada, são vários os restaurantes estrelados, é certo, mas na sua grande maioria todos eles são demasiado clássicos sem grandes momentos de irreverência e de choque cultural como já acontece noutros restaurantes bem conhecidos de Itália.

Ainda assim existe uma excepção, o Metamorfosi, nascido num dos mais clássicos e burgueses bairros da cidade pela mão de Roy Caceres, um colombiano que cedo chegou a Itália para cozinhar, tendo passado pelo Il Pelicano, Locanda Solarola e  Pipero antes de em 2010 se aventurar em nome próprio.

O restaurante, recentemente remodelado é uma lufada de ar fresco no panorama da cidade, recriado com uma certa influência japonesa, onde menos é mais, com uma decoração minimalista e o uso da madeira e uma espécie de biombos para criar espaços mais acolhedores e intimistas na sala.

Cracker de Azeite e sal

As boas vindas não se fazem esperar e os snacks começam a surgir na mesa a bom ritmo, começando por uns interessantes crackers de azeite e sal e um cocktail à base de Vodka, Tequilla, manjericão gengibre, cardomomo, lima kaffir e figos da Índia.

cocktail

Pão crocante de sementes, peixe marinado e creme de caril

Seguiu-se um pão crocante de sementes com peixe marinado e um creme de caril, um snack de interessantes contrastes de sabor e texturas, onde o creme de caril eleva a fasquia. Passamos de seguida para umas Pontas de chicória com  maionese de anchova e pó de sésamo, delicadas, crunchy e repletas de sabor.

Pontas de chicória com  maionese de anchova e pó de sésamo

Para que não fiquem dúvidas sobre as origens do chef, eis que surgem umas deliciosas e pecaminosas Arepas recheadas com carne. Perfeitas aliás!

Arepas recheadas com carne

Aipo crocante, mexilhões, espuma de batata e sal negro e manjerona, onde e infelizmente, apesar das interessantes texturas o sabor delicado do mexilhão ficou completamente perdido no conjunto.

Após um interessante começo e uma subida a pique das expectativas fazemos uma pausa, mas não uma pausa qualquer, uma quebra para que surja na mesa o pão, que aqui tem direito a um momento específico e por uma boa causa. O pão criado pelo sub chef  sueco John Regefalk, que se apaixonou pela arte da padaria durante a sua passagem pelo Noma.

O lado aromático, o bom nível de hidratação e uma excelente crosta fazem deste pão o melhor que já provamos em Itália. No acompanhamento, aquilo que parece manteiga tratava-se na realidade de um interessante sorbet de azeite que proporcionou ainda um bom contraste de temperaturas com o pão.

Taco de Atum e ervas 
Um regresso à América latina com um inspirado Taco, em que a tortilha é substituída por folhas de várias plantas e ervas. Um prato leve, elegante, que leva muito bem a street food até ao fine dining, elevando a fasquia e os sabores. Por outro lado o prato mostra muito bem a identidade de Roy Caceres que se veio a mostrar ao longo de todo o menu, com um recurso exímio às ervas frescas e ao contraste entre a frescura vegetal e os demais sabores e texturas.

Depois do Cocktail seguiu-se um Riesling Fritz Haag,  Trocken de 2015, um vinho fácil e sem grande complexidade que conquista pela sua boa acidez e as notas de fruta tropical e citrinos. Uma boa harmonização!

 Carbonara
Um prato que nos lembra bem o país em que estamos, com uma reinterpretação muito bem conseguida. Sem recurso a pasta de nenhum tipo, o prato vive do bom ovo cozinhado a baixa temperatura, do guanciale, da combinação de parmegiano e pecorino e dos crocantes torresmos que nos transportam de imediato para o sabor confortável do clássico romano. Muito bem conseguido!

No copo viajamos também por Itália, mais propriamente à região da Umbria, com um Chardonnay Bramìto de 2015 de Castello della Sala, um branco interessante e de grande potencial, com um elegante tom e um nariz aperitivo e complexo com notas tropicais, citrinos e alguma baunilha. Na boca a sua estrutura e acidez revelam uma ótima frescura que cortou muito bem com a untuosidade do prato.

Anti Pasta
O nome acaba por dizer quase tudo, um prato de pasta que na realidade não o é! Para criar uma espécie de linguini, o chef usa um caldo de peixe que é desidratado cortado e novamente hidratado, ganhando uma grande intensidade de sabor e uma textura próxima de uma massa fina de arroz. O prato cresce ainda com a adição de um molho feito com cabeças de camarão,  lulas, camarões e um gel de limão que juntamente com o pó de ervas lhe traz a frescura que o chef procura pôr em todos os pratos. Muito bom!

Para a harmonizar, a escolha recaiu sobre um rosé da Toscana, Bibbona SOF 2015 da Tenuta Campo di Sasso, inspirado nos vinhos da Provença, com notas de morango, romã, groselha e umas certas nuances de balsâmico. Na boca revelou-se menos exuberante mas a sua acidez e elegância permitiram que os sabores marítimos do prato sobressaíssem.

 

Risotto de Cogumelos, avelã caramelizada, queijo robiola 
Outro clássico italiano escondido numa espécie de tambor japonês, com uma capa feita de cebola e cogumelos secos que derrete ao colocarem o creme de queijo Robiola. Quanto ao risotto em si, foi o prato mais clássico e confortável do menu, feito com grande rigor e rico em sabor e textura. Com umas lascas de trufa seria garantidamente inesquecível!

A acompanhar e em grande nível esteve um Verduzzo 2012 da Bressan, de nariz amplo e fresco apesar das notas de mel, alperce, pêssego ou pera. Na boca a sua estrutura e persistência tornou-o uma ótima companhia para as texturas e sabores do risotto.

Wagyu, molho de cebola e menta com Beringela, molho satay e ervas
Prato e acompanhamento servidos e empratados em separado, que mais uma vez demonstra com exactidão a personalidade gastronómica do chef e a sua busca pela frescura e os contrastes de sabor e textura feitos com grande elegância. Carne de altíssima qualidade, molho a remeter para um barbecue muito mais leve e fresco, com o acompanhamento a trazer-nos notas de terra e alguma dimensão com o molho satay. Um grande, grande prato!

Com a carne passou-se ao Tinto, com um vinho siciliano Palari Faro da Azienda Agricola Palari de 2010. Um bonito vinho, leve de cor, complexo no aroma, surpreendentemente elegante para um vinho da Sicília, com excelentes taninos e presença na boca.

Lollypop de queijo azul e chocolate branco, gel de vinho do Porto
Um clássico do metamorfosi, que serve também de pré sobremesa, e nos traz à mesa um elemento Português que tanto apreciamos, o vinho do Porto, neste caso num gel feito com o LBV da Quinta do Noval. Quanto ao prato, excelente equilíbrio na doçura e na combinação do queijo com o chocolate. Delicioso!

Floresta Negra
Uma versão do clássico bolo, com mascarpone, chocolate negro fermentado com maracujá, crumble de chocolate, ervas e gel de frutos vermelhos. Sabores e conjugações interessantes, com destaque para o chocolate fermentado, resultando num final fresco e leve como pedia um menu já longo.

Já no copo, terminou-se com um Favinia Passulé 2012, um Late Harvest produzido na Sícilia, de cor dourada e nuances de mel, com o nariz a transmitir-nos notas clássicas de figo, casca de laranja e tâmaras e frutos secos, surpreende com a presença de aromas a ervas aromáticas, transmitindo-lhe maior frescura. Na boca revele-se doce na medida certa, com poder e delicadeza onde a fruta ganha destaque. Quanto ao Pairing, é certo que preferiria um vinho do Porto, mas este não desiludiu.

petit fours

Para terminar não faltaram os petit four, apresentados a bom nível com destaque para o bolo de limão com baunilha e groselha. 

O serviço de sala merece também uma nota de destaque por si só, por se ter mostrado, também ele, um nível acima da maioria dos restaurantes com 1 estrela Michelin na Itália. Calmo, sereno, presente no momento certo, com inglês perceptível (coisa que também é rara!) e com um bom conhecimento do menu.

Considerações Finais 
É bom quando entramos em espaços que quebram as regras clássicas e que rapidamente superam as expectativas que levamos quando entramos pela porta, e esse é o caso deste Metamorfosi. Um restaurante que poderia ter tudo para não ser bem aceite numa cidade como Roma, mas que acaba por ter tudo o que é necessário para se tornar num dos grandes destaques da cidade e do País.

A cozinha de Roy Caceres revela detalhes de aprimorada subtileza e elegância, com uma procura constante pela leveza e frescura, acabando por ser esse o elemento comum a todo o menu, desde os pratos inspirados na sua América Latina aos clássicos italianos que servem de base a algumas das suas criações mais arrojadas.

Um restaurante obrigatório para quem visita Roma!

Metamorfosi
Menus a partir de 100€
Via Giovanni Antonelli, 30 –  Roma
+39 068 07 68 39
info@metamorfosiroma.it

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Metamorfosi a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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