Butelo com Casulas e carnes de Porco

Numa altura em que através de uma série de empresas e entidades públicas o Butelo e as Casulas começam a servir e bem de embaixadores da Gastronomia Transmontana, surgiu a hipótese de publicar uma receita que faz parte das minhas memórias da aldeia, de ver este prato ser cozinhado no clássico pote  na lareira da cozinha. Aqui ficam desde já também os meus Parabéns aqueles que estão neste momento a tentar divulgar tão nobre produto de tão nobre região.

Este post, à semelhança da receita de Ovos Rotos conta com o especial apoio da marca Bísaro, reconhecido produtor transmontano de fumeiro.

Butelo com Casulas e carnes de Porco

Para 4 Pessoas

1 Butelo de Vinhais – Bísaro
1 Chouriça – Bísaro
500 gr de Cascas/Casulas
8 Batatas médias
4 cebolinhas
Q.b. Carnes de porco ( Chispe, orelheira, pernil, entrecosto) – opcional*

Colocar, no dia anterior, as cascas de molho.
No dia, levar o Butelo a cozer cerca de 1h30 a 2h (convém ir verificando a cozedura com um garfo a partir de 1 hora).
Cozemos também junto com o butelo a chouriça, com atenção que o seu tempo de cozedura é bem menor.
Noutra Panela Cozer as Cascas,em geral cerca de uma hora, quando a cozedura passar de meio, podemos juntar as batatas e as cebolinhas.
Quase no final da cozedura das cascas podemos juntar o butelo e as restantes carnes às cascas.
Servir o Butelo, partido à mão em pedaços sobre as cascas e regado com bastante azeite transmontano de qualidade.

Nota
* as carnes podem ser cozidas juntamente com o butelo, no entanto, tem de ser tido em conta que cada uma delas tem tempos de cozedura diferente que precisam de ser verificados ao longo do tempo, e que produtos como o entrecosto ou o chispe precisam de ser temperados com alguma antecedência antes de cozidos.

 Este Post conta com o apoio da marca:

Os produtos da Bísaro podem ser encontrados em lojas online, grandes hipermercados e lojas especializadas.

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Morcela de Arroz com Maçã

Costuma dizer-se por cá que de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos, confesso que entendo pouco de meteorologia e que não tenciono casar com nenhuma espanhola, mas tudo que tenho trazido de lá satisfaz-me em pleno, nesta última visita veio um magnifico presunto ibérico e estas morcelas de Arroz de Burgos, as mais famosas do País vizinho. Por cá as morcelas de Arroz são tradicionais da zona de Leiria e normalmente acompanham carnes cozidas ou servem de refeição bem acompanhadas por grelos.  Desta feita, a minha morcela serviu de petisco simples e rápido.

Morcela de Arroz com Maçã

Para 2 Pessoas

1 Morcela de Arroz de Burgos
1 Maça Granny Smith Grande
q.b. whisky
q.b. azeite
q.b. pimenta preta
q.b. flor de sal

Dividir a maçã em quartos e reservar um deles numa taça com água e sumo de limão.
Descascar e laminar a maçã.
Colocar um fio de azeite num Sauté e juntar a maçã laminada, deixar cozinhar em lume brando.
Regar com um pouco de whisky e flamejar a maça. Temperar com pimenta e flor de sal. Reservar.
Cortar a Morcela em rodelas com cerca de 1cm, e cozinhar numa chapa bem quente.
Quando criar uma crosta firme, virar e deixar cozinhar do outro lado.
Cortar a restante maçã em Brunesa.
Empratar a maçã salteada, colocar a morcela e os cubos de maçã fresca.
Servir

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Valladolid – Um dia a comer

Catedral

Valladolid não é uma daquelas cidades que colocamos no centro das atenções quando pretendemos a região central da vizinha Espanha, rodeada de cidades património Mundial, e próxima de Madrid, pode ser um bom centro de visita. Historicamente  hoje não revela um grande papel, mas já foi a capital do país e foi berço de Filipe II de Espanha que viria também a controlar o território Português.  No entanto, o que nos trouxe até aqui e me faz escrever este post é a comida, aqui come-se muito muito bem.

Nunca irei compreender o testemunho de turistas e visitantes portugueses que dizem que em Espanha se come mal, é certo que existem sítios maus, muito maus, tal como em Portugal. Tenho para mim que essa ideia surge de viagens  para zonas de praia com pensão completa em hotéis de 3 estrelas, mas adiante.

Para começar o dia o indispensável são os clássicos churros com chocolate quente, na Churraria “IDEAL”, próxima da Praça de Espanha. Aqui a especialidade são os churros e os Buñuelos ( círculos de massa crocante e fina), bem fritos, secos, com a gordura suficiente e um dourado sabor, servidos com um excelente chocolate quente e um sumo de laranja para quebrar a gordura e o sabor intenso do chocolate.

Bar-Buñolería “Ideal”

Depois de um pequeno almoço reforçado,  o melhor mesmo é andar, andar e conhecer um pouco das calles, museus e monumentos da cidade, tais como bonitas e antigas igrejas. É sem dúvida uma cidade simples, fácil de conhecer, com muito comércio de rua e um ou outro apontamento arquitectónico.

Jardins “Campo Grande”

Para o almoço, no restaurante do Club ValParaiso,  esperava-nos um lechazo, que é como quem diz um pequeno cordeiro de leite, muito popular na região. Assado no forno, temperado apenas com um pouco de sal, banha de porco e água, este cordeiro revelou-se uma verdadeira maravilha, bem acompanhado por umas batatas fritas com cebola tostadas no forno antecedido por uma ótimas setas salteadas com foie gras.

Lechazo – Club ValParaiso

Depois de um bom almoço, é tempo de degastar calorias e passear mais um pouco pela cidade, conhecer, os seus jardins, como o Campo Grande, os mercados como na região da Praça de Espanha, onde compramos uns monumentais morangos, daqueles que os espanhóis não enviam para ser vendidos aos portugueses. Passear por calles estreitas, com lojas de mais ou menos luxo, perdermo-nos no tempo e simplesmente desfrutar, que o tempo estava para isso mesmo.

 Os “famosos” morangos

Vale a pena perderem-se entre as muitas casas com especialidade em embutidos e presuntos, provar, testar e comprar aquilo que os espanhóis a meu ver, fazem melhor do que ninguém, os Jamones, desde os serranos aos ibéricos de cebo e ao luxuoso bolota. Para os mais gulosos, a tarde é a altura certa para ir até a zona da praça de touros, no Passeio Zorrilla, e entrar na pastelaria Belaria, provar a pastelaria de influencia francesa, os bombons e o delicioso pastel russo ( com biscoitos de amêndoa sem farinha e um recheio de avelã).

O dia começa a escurecer, e é tempo de nos prepararmos para mais uma refeição, desta feita, em casa dos nossos cicerones na cidade, Esther e Mariano, casal de refinado gosto e talento no que a bem receber diz respeito.

Croquetas de Jamon

Numa cave,  onde Vega Sicilia era rei e senhor, abre-se um fantástico Mauro de 1997 que serviria de motor base para uma refeição brilhante. Das mãos da Esther saíram Croquetas de Jamon, perfeitas, quase líquidas, bem fritas e sem a presença de demasiada farinha no Bechamel. Presunto Ibérico de Bollota, cogumelos com presunto em azeite,  Toro de atum braseado, uma fantástica Morcela de Burgos, feita de arroz e sangue que fez a delícia de todos. Houve ainda lombos de sardinha marinados em azeite e cebola, pão de qualidade, pimentos caramelizados e umas tortilhas de batata do outro mundo.

Tapear

Uma refeição maravilhosa, descontraída, com pessoas interessantes e boa conversa, O melhor que se podia pedir para um dia em cheio.

Obrigado Esther e Mariano!

Bar-Buñolería “Ideal” – Calle Teresa Gil, nº 23
Club ValParaiso – Calle Mayas, nº 19
Belaria – Paseo Zorrilla, nº90

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Oporto

A Foz é uma das mais emblemáticas zonas do Porto, com imponentes casas senhoriais e uma envolvência privilegiada com o rio e o mar. É neste cenário que se insere o restaurante Oporto, entre as ruelas da foz velha e o Passeio Alegre, surge uma casa antiga, de decoração clássica e de influência britânica, tão apreciada entre os habitantes da zona. Paredes revestidas de personagens famosas, cadeirões, jornais  e abajures tornam o espaço acolhedor e confortável.

Da cozinha saem pratos clássicos e intemporais que fazem os gostos de portugueses e estrangeiros.

Cogumelos Salteados com azeite e alho (5,5€)
Cogumelos bem temperados e cozinhados no ponto.

Cocktail de camarão (10€)
A clássica entrada dos anos 70/80, aqui bem preparada, com um camarão de boa qualidade e bem cozido, sobre alface e molho de cocktail com ovo cozido. Simples mas eficaz.

Bacalhau em massa folhada, camarão e legumes (16€)
Começando de fora para dentro, a massa estava cozinhada na perfeição, crocante e dourada, no recheio feijão verde e camarão que apesar de ir ao forno não estava para lá do ponto, e o bacalhau previamente frito e depois envolto nos restantes ingredientes. O bacalhau esse estava menos bom, não sendo de grande qualidade e com um ponto de cozedura muito para lá do desejado.

Tornedó com cogumelos, esparregado e batata frita (18€)
Deste prato são poucas as memórias, as batatas estavam moles, os cogumelos de lata e o seu molho aparentava vir de uma qualquer lata de produtos em pó. Salvou-se a qualidade do bife, tenro, no ponto e com bom sabor e do esparregado.

Srudel de maçã, gelado de baunilha (6€)
O Strudel tinha tudo para ser bom, massa folhada,fruta, molho de chocolate especiarias e gelado. No entanto, ao aquecerem a massa, que supostamente seria folhada e crocante conseguiram criar uma massa mole gordurosa que não deixou que o resto se destacasse.

A Carta de vinhos, tem opções para todos os gostos e carteiras, com preços pouco inflacionados para aquilo que se costuma encontrar. Acompanhamos a refeição com bom tinto Duas Quintas (17€), pena o copo em que é servido não fazer grande jus aos vinhos vendidos na casa. O Serviço de sala é simples mas correcto.

Considerações Finais
O Oporto é um restaurante clássico, desde a sua decoração aos pratos simples e confortáveis que apresentam. No entanto e tendo em conta a sua localização, os seus concorrentes e os seus preços, há coisas que têm de mudar, pratos que precisam de mais trabalho, ingredientes que tem de ser revistos e acima de tudo pensar bem na sua relação preço/qualidade, até porque muitos dos melhores restaurantes da cidade se encontram logo ali a uns passos.

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Ovos Rotos com chouriça transmontana – Bísaro

A forma espanhola de petiscar, as Tapas, começam pouco a pouco a ser uma das maiores Trends da restauração internacional, a mim enche-me as medidas, quer através dos pratos quer na forma de socializar e interagir que este tipo de espaços permitem. Dito isto e depois de uma viagem até terras de nuestros hermanos, não poderia deixar de publicar uma das mais simples e saborosas tapas, os Huevos Rotos.

 Sendo eu um orgulhoso transmontano, apreciador dos seus sabores autênticos, é com imenso prazer que com este post damos início a uma parceria com a marca Bísaro, produtores de enchidos tradicionais transmontanos.

Ovos Rotos com chouriça transmontana – Bísaro

Para 2 pessoas

1/2 chouriça tradicional – Bísaro
3 batatas médias
2 ovos
q.b. pimenta preta
q.b. flor de sal
q.b. pimentão doce

Retirar a pele e cortar a chouriça em pedaços pequenos.
Cortar as batatas em palitos finos, colocar em água e mexer bem para que a batata liberte algum do amido, mudar a água.
Secar bem as batatas e fritar em óleo a 180 ºC.
Num sauté anti-aderente colocar um fio de azeite e saltear a chouriça até ficar ligeiramente crocante. Reservar.
Estrelar dois ovos, temperar a gema com pimenta preta e a clara com um pouco de flor de sal. ( a gema deve ficar bastante líquida).
Num prato de servir, colocar as batatas, a chouriça e os ovos com um pouco de pimentão por cima.
Quebrar bem os ovos, envolver tudo e degustar.

Este Post conta com o apoio da marca:

Os produtos da Bísaro podem ser encontrados em lojas online, grandes hipermercados e lojas especializadas.

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Grande Palácio Hong Kong

Depois da publicação do Ricardo Dias Felner, no seu excelente blog, O Homem Que Comia Tudo, de que havia aberto no Porto um espaço do famoso e excelente restaurante chinês Grande Palácio Hong Kong, não poderia fazer tardar muito a minha visita. Na entrada, deparamo-nos com um espaço igual a tantos outros restaurantes chineses, talvez com uma decoração mais simples e sóbria neste caso, já lá dentro é que se dá a grande diferença, uma sala repleta de clientes chineses. Quantos de nós se perguntam porque não existem muitos clientes nos imensos restaurantes chineses (agora mais japoneses) que proliferam pelo país, a resposta é fácil, porque estão todos no Grande Palácio e porque os seus concorrentes não apresentam uma cozinha autêntica. Aqui o menu baseia-se na cozinha tradicional Cantonesa, pratos de Marisco e Dim Sum.

Já sentados, iniciamos a difícil escolha entre os inúmeros pratos, com direito a fotografia e nomes aportuguesados no menu.

Har Gao “raviolis de camarão” (3,75€)
Uma das grandes relíquias da cozinha chinesa é, sem dúvida, a técnica de cozer a vapor. Neste caso, os pequenos “bolinhos” estavam cozinhados no ponto, com uma ótima massa e um bom recheio de sabores suaves e bem conseguidos.

Spring roll de camarão, molho agridoce (3,75€)
O clássico crepe chinês, recheado com camarão, muito bem executado, mais em termos de textura que de sabor. No entanto o ponto alto é sem dúvida o molho que o acompanha e que transforma completamente o simples rolinho.

Mini pães de carne e vegetais (3,5€)
Uma massa ligeiramente mais grossa que a dos har gao, com recheio de carne de porco e vitela picada (sem cavalo presumo), e vegetais, ótimo o sabor e o seu leve travo de gengibre.

Char Sio Bao, pão a vapor com carne de porco e mel (3,5€)
Algo que tenho em comum com o Panda do Kung Fu, é a paixão por estes pães cozinhados a vapor de textura fofa. Aqui numa versão meia aberta, com um delicado e saboroso recheio de porco cozinhado com mel.

Inhame frito com carne (3,5€)
Muito bom o aspecto do pequeno bolo, muito bem frito e de excelente textura, no entanto perde-se um pouco no que diz respeito ao gosto, nada de particularmente interessante.

Gambas cozinhadas com alho (13,75€)
Muito diferentes das nossas habituais gambas ao alho, aqui com um ótimo molho de alho que não se sobrepõe em demasia ao sabor suave do marisco. Também a massa fina de arroz adiciona substância e textura ao prato, ficando perfeita com o molho.

1/2 Pato à Cantonesa
Um prato que ganhou fãs, pato suculento, muito bem temperado, com magistral molho à base de soja (e molho de peixe?), acompanhado de pak choi e arroz chow chow. Se a pele do pato estivesse mais estaladiça seria um prato memorável.

Pudim de coco (3,5€)
Entre vários doces tradicionais optamos por algo simples e refrescante depois de uma grande refeição, este pudim de coco, diferente daquilo a normalmente chamamos de pudim, tem um sabor leve, pouco doce, fresco e uma textura delicada, algures entre uma gelatina e um creme. Simples mas eficaz.

O Serviço é simpático, algo raro em espaços orientais, rápido e divertido enquanto nos tentamos fazer entender. A grande vantagem deste restaurante está na cozinha, onde trabalham verdadeiramente cozinheiros com gosto e know how sobre um determinado tipo de pratos.

Considerações Finais
O Grande Palácio Hong Kong é sem dúvida um espaço a ter em conta. Quantos não deixaram de visitar restaurantes chineses depois das investidas da ASAE, quantos acham que chop soy e crepes chineses são a única coisa interessante dos restaurantes chineses, bem, este espaço traz ao Porto uma “nova” cozinha chinesa, a verdadeira, com sabores e pratos distintos, com uma enorme variedade de pratos e ingredientes. Não vale lá ir pelo espaço, localização ou decor, mas sim a comida, tal como fazem os chineses que todos os dias se sentam naquelas mesas para se recordarem de casa.

Grande Palácio Hong Kong
Rua Gonçalo Cristovão, 252, Porto
222 082 071

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Essência do VInho 2013

Decorreu entre 7 e 10 de Fevereiro mais uma edição do Essência do Vinho, no Porto, organizado pela Essência do Vinho em parceria com a Associação Comercial do Porto que cede o magistral edifício do Palácio da Bolsa. Depois do crescente reconhecimento do evento esta sua 10ª edição prometeu e conseguiu bater todos os records. Mais de 23 mil visitantes, 350 produtores e enúmeros vinhos.

O evento contou, como já é seu apanágio, com outros momentos que vão muito além da simples prova, harmonizações com grandes nomes da cozinha nacional e galega como  Yayo Daporta, Ricardo Costa, Benoit Sinthon e Dalila e Renato Cunha (espero ver alguns deles em Próximas edições da Essência do Gourmet), e provas comentadas de algumas das melhores casas nacionais.

Vista geral

Como já havia dito, foi um evento por onde passaram milhares de pessoas, pelo que nem sempre foi fácil trocar palavras com os produtores e enólogos, e até mesmo fotografar, tal era a azáfama e os empurrões para se chegar perto de determinado produtor. Mas havia muitos vinhos, e muitos deles valiam cada compasso de espera ou o “tal encosto”.

Entre os produtores de vinhos verdes não posso deixar de destacar os mesmos do costume, António Luís Cerdeira e a Casa do Soalheiro, mais uma vez o Soalheiro Primeiras vinhas é eleito vinho do ano na categoria dos brancos, que apresenta aqui o elemento mais novo da família, o Allo, um vinho Alvarinho/Loureiro que promete invadir outro segmento de mercado e chegar a mais público. Pedro Araújo da Quinta do Ameal, que é sem dúvida a pessoa que melhor trabalha a casta Loureiro, revitalizando-a e criando outras nuances como no fantástico Special Harvest. Também a Quinta do Regueiro surpreende com um ótimo e diferente Blend, com uma mistura de alvarinho entre 2007 e 2010, 25% de cada ano.

Expositores

Entre os vinhos do Douro, tenho de destacar a presença da Quinta do Vale de D. Maria, Cristiano Van Zeller, não falha e os seus vinhos são claramente do melhor que por cá se produz, tanto o CV ( de cor concentrada, com a presença de frutos silvestres e sabor fresco de taninos intensos e belo balanço de acidez, um vinho que promete perdurar)  como Quinta Vale D. Maria ( este é daqueles vinhos que merece esperar para ser aberto, a marca é também a presença dos frutos silvestres e fumo, uma fantástica textura na boca). Também a Quinta do Vale do Meão e o seu homónimo de 2010 merece grande destaque, um vinho jovem, de cor e aroma intenso, de sabor complexo e um excelente final de boca.

Quinta do Vale D. Maria

Também os vinhos de Niepoort, Rodoma, e em particular o seu branco merecem destaque, assim como o seu tinto Ultreia que promete muito e cumpre ainda mais. Grandes vinhos também a sair da Quinta do Crasto em particular a Vinha Maria Teresa, assim como os bons e nacionais espumantes da Vértice. Por último mas não menos importantes, os maravilhosos vinhos da Quinta do Noval onde o Touriga Nacional ganha muitos e muitos pontos.

Quinta do Vale do Meão

Do Alentejo assim como do Dão não tive a oportunidade de visitar muitos produtores, apesar de serem regiões muito bem representadas no certame. O destaque vai para o maravilhoso Scala Coelli, e um ótimo Cartuxa branco, da Fundação Eugénio Almeida. Também a Mouchão e o seu vinho de 2005 é digno de grande destaque.

Ramos Pinto

No entanto, um dos melhores momentos da minha visita ao Essência do Vinho 2013 foi uma prova vertical dos vinhos da Quinta do Monte D’Oiro, primeiro por ser um fã incondicional de José Bento dos Santos, segundo, por ver que a sua paixão ganha raízes na família com um filho cheio de entusiasmo e conhecimento sobre os seus vinhos. Vinhos que dão vida à região de Lisboa, com exemplares maravilhosos como Syrah 24, o Reserva ou o Ex-aequo, vinhos que brilharão em qualquer cave durante muitos anos. No entanto a sua grande novidade foi para a apresentaçao de um vinho em parceria com o produtor da Bairrada Luís Pato, Pato D’oiro, um vinho com a combinação de Baga, Tinta Roriz e um pouco de syrah para complementar a festa, é ainda um vinho jovem, muito bem conseguido que estará muito superior dentro de poucos anos.

Duas gerações e uma paixão – Quinta do Monte D’Oiro

No que a vinhos do Porto diz respeito as presenças eram muitas e boas, Niepoort, Poças, Ramos Pinto, Real Companhia,  Vallado, entre outras. O meu destaque pessoal vai para a Quinta do Noval, o seu novo LBV de 2007 e a sua restante  e maravilhosa oferta. Outro exemplo, desta vez na Barão de Vilar, de António Van Zeller, com um jovem enólogo a fazer um excelente trabalho como comercial e a apresentar na perfeição a sua oferta, onde sobresaiu uma colheita de 70(?).

Barão de Vilar

Além de vinhos, havia ainda espaço para produtos da casa César Castro, petiscos no espaço do restaurante O Comercial, torricados com conservas da Minerva, as gigantescas sandes do Pão do Sabugueiro e o bonito e cada vez mais presente veículo da Comida de Rua.

Pão do Sabugueiro

Um dos Momentos altos deste certame de vinhos é a escolha dos Melhores do ano e a eleição do Top 10 de vinhos Portugueses. Nos Melhores do ano os contemplados foram:

Fernando Guedes (pai) – Sogrape “Personalidade do Ano no Vinho”
Nuno Mendes (Viajante) “Personalidade do Ano na Gastronomia”
Dalila e Renato Cunha (Ferrugem) “Chefe de Cozinha do Ano”
Fortaleza do Guincho “Restaurante Gastronómico do Ano”
The Yeatman “Restaurante com Melhor Serviço de Vinhos”
Guimarães “Destino Gastronómico do Ano”

Quinta do Vallado “Produtor do Ano”
David Baverstock, enólogo do Esporão e Quinta dos Murças “Enólogo do Ano”
Niepoort VV – Vinho Velho “Vinho do Ano”
Aphros “Produtor Revelação do Ano”
Arnaud Vallet (Vila Joya) “Sommelier do Ano”

No Top 10 de Vinhos Portugueses, foram escolhidos 2 brancos e 2 tintos:
1º Branco – Soalheiro Primeiras Vinhas 2011
2º Branco – Guru 2011

1º tinto – Tributo 2010
2º tinto – Curriculum Vitae 2010
3º tinto – Pintas 2010
4º tinto – Terrenus Vinhas Velhas Reserva 2009
5º tinto – Casa de Santa Vitória Grande Reserva 2008
6º tinto – Passadouro Touriga Nacional 2010
7º tinto – Grande Rocim Reserva 2009
8º tinto – Hexagon 2008

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Cafeína Wine & Tapas

A última “criação” do grupo Cafeína, nasceu loja gormet e wine bar, mas cedo se tornou mais um restaurante independente com selo de Vasco Mourão e Camilo Jaña com marca e conceito independente. Este Cafeína Wine & Tapas surge como um espaço mais descontraído  aberto durante todo o dia, que pretende cativar não só os fãs de petiscos e vinhos como também os mais jovens que se iniciam nas lides de bem comer e beber. A casa é pequena, com uma decoração simples mas bem conseguida onde os produtos gourmet e os vinhos servem de composição e cativam os olhares, no entanto a esplanada promete roubar as atenções, quando vier o bom tempo, que para já não é para nós.

O Conceito das Tapas também varia  dos tradicionais pratos espanhóis ou dos petiscos portugueses, sem regionalismos, mais baseada numa cozinha de mercado com os menus diários e na inspiração do chefe que pode andar um pouco por todo o mundo. Numa visita em que esperávamos conhecer as ideias de Camilo Jaña para este espaço, nada como ficar nas mãos do chef e esperar, surpresa atrás de surpresa que os pratos nos conquistem.

Gratinado de Bacalhau com coentros e salada
O ingrediente chave de qualquer casa portuguesa é aqui muito bem trabalhado. Lascas húmidas e suculentas bem envolvidas numa espécie de Béchamel de coentros, que marcando bem a presença da erva não se sobrepunha aos restantes ingredientes. De destacar também a ótima salada de inspiração italiana (rúcula, tomate seco, azeitonas, alcaparras) que com as suas notas ácidas se tornou um par ideal para o bacalhau.

Acompanhou muito bem com um branco de Bordéus Michel Lynch, Sauvignon  Blanc.

Ovos Mexidos, Espargos e Pata Negra
Uma combinação clássica de ingredientes que só tolos conseguem destruir. Aqui não foi o caso, os espargos estavam no ponto certo, o presunto bem crocante sem estar queimado, croutons perfeitos, e ovos cremosos. Boa técnica e bom tempero, resultando num petisco bem interessante.

Acompanhou bem com o vinho da casa Cafeína Client Cuvée, um branco que me surpreendeu tanto no nariz como na boca.

Porco Confitado, migas de Tomate
O nome Bochecha, cria muitas vezes algum cepticismo nos comensais, pelo que muitas vezes os chefes arranjam forma de os contornar, seja com nomes pomposos “de comer à colher” ou simplesmente omitindo-o. Eu acho que quando bem tratada é sem dúvida, um dos melhores cortes quer do porco como da vitela. Mas vamos concentrar-nos no prato, porco suculento e a desfazer como manda o conceito de confitado, acompanhado por umas migas mais próximas da açorda do que das migas que se revelaram um dos melhores momentos da refeição, tempero correcto e textura correcta num bom jogo de sabor e aromas. Excelente.

Acompanhou na perfeição com ótimo tinto Prazo de Roriz.

Estaladiço de Bacalhau, salada
Mais um bom prato de bacalhau, desfiado num delicado creme e envolto em massa filo, muito bem cozinhada, crocante por todo sem partes cruas ou queimadas. Mais um prato de sabores lusos, bem conseguido e que voltou a ser  acompanhado muito bem pela salada já descrita.

Pizza fria de Bresaola, tomate cherry, rúcula e parmesão
Um prato bastante simples, a promover a Primavera e o Verão que ainda tardam a chegar, o clássico da charcutaria italiana bem acompanhado sobre camadas bem estaladiças de uma massa estilo crepe. Muito bom.

Bolo de goiaba, sorbet de frutos vermelhos
Bolo quente, com textura de quase demi-cuit. Muito bom o bolo, bastante doce como manda o seu ingrediente base, mas a contrastar muito bem com o gelado servido. Um clássico do espaço.

Crocante de morango e crumble, caramelo de chocolate
O Crumble, ganha uma nova textura, e em vez de servir de cobertura faz parte do recheio, bem envolvido com morangos, e com uma camada exterior de massa filo cozinhada na perfeição. Fantástico o jogo de texturas e contrastes de sabores, um doce a rever.

A carta de vinhos é bem abrangente, com todo o tipo de opções, ou não fosse um Wine bar com loja, onde podemos encontrar alguns dos melhores vinhos nacionais e estrangeiros.

O Serviço é descontraído mas assertivo e competente quanto baste, um exemplo para este tipo de espaço.

Considerações Finais
Este Cafeína Wine & Tapas é mais uma aposta certa do “Danny Meyer” portuense, Vasco Mourão, cujos negócios parecem ser sempre garantidos mesmo nesta tão enraizada crise. Uma gestão de mérito. Quanto ao espaço, mais uma vez a mão de Camilo Jaña e a sua equipa mostram um bom caminho, pratos simples, tecnicamente bem trabalhados e apresentados numa oferta que agrada a gregos e troianos. O espaço vale pelo seu conceito de vinhos e loja, pelos seus petiscos mais trabalhos para partilhar e pelo facto de estar também aberto durante a tarde, onde a ideia de copo e petisco é boa e torna o nosso final de tarde bem mais encantador. Por ali também se lancham uns bons scones e umas torradas “faça você mesmo” com excelentes acompanhamentos. Um espaço a visitar, com calma, fome e boa companhia onde a relação qualidade/satisfação é garantida.

Cafeína Wine & Tapas
Rua do Padrão, 100, Porto
+351 226 180 602

Nota
A Refeição descrita foi realizada a convite do Cafeína Wine & Tapas, sendo a opinião e o texto da exclusiva responsabilidade do autor.

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Essência do Vinho

Não percam este fim de semana, no belíssimo Palácio da Bolsa,  aquele que é considerado o maior evento de vinhos do Norte do País, mais de 350 produtores de todo o mundo, provas comentadas de alguns dos maiores vinhos e produtores nacionais e chefes de renome como Ricardo Costa e Benoit Sinthon.

A entrada custa 16euros com oferta do copo de prova. As provas comentadas e as harmonizações tem um preço extra, pelo que se fizerem a inscrição online a entrada no evento será gratuita.

Consultar o programa

Essência do Vinho

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Alheira à Brás

Tudo vai melhor num mundo em que existem alheiras, não aquelas moles, cheias de gordura ou apenas com pão, mas sim aquelas carinhosamente preparadas pelos familiares, com receitas de tradição que passam dias na vara do fumeiro e nos vão criando água na boca até ao dia em que a avó diz que já estão boas para degustar. Gosto delas de forma clássica, na brasa, com batata cozida e grelos, no entanto a alheira é um ingrediente que nos permite ser criativos a um custo moderado e isso vê-se pela quantidade de entradas como fondants, croquetes ou mil folhas que vemos espalhadas pelos restaurantes tendo por base a alheira. Esta virou jantar em forma de Brás, uma receita que também serve para tudo,  haja vontade.

Alheira à Brás

Para 2 pessoas

1 Alheira de boa qualidade
400 gr grelos(previamente bringidos)
1 ovo
1/2 cebola média
1 dente de alho
1 f.louro
q.b. azeite
q.b. pimenta preta
q.b. sal
q.b. batata palha
q.b. azeitonas cortadas

Num sauté colocar o azeite e cozinhar levemente a cebola, quando estiver a ficar translúcida, juntar o alho também picado.
Retirar a pele da alheira e juntar no sauté em pequenas porções. Deixar cozinhar um pouco.
Adicionar à mistura os grelos e um pouco de batata palha.
Bater o ovo, e juntar na mistura, retificar temperos.
Quando o ovo estiver cozinhado mas ainda cremoso, juntar um pouco mais de batata e retirar do lume.
Envolver as azeitonas e servir.

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