Paris – L’éclair de Génie

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Em Paris é impossível resistir às padarias e pastelarias, dos melhores pães artesanais às mais bonitas e complexas criações em forma de doce. São dezenas de lojas  e um par de mãos de mestres pasteleiros que fazem vibrar a cidade,  com cada pessoa a ter o seu pasteleiro preferido ou, como no meu caso, ter uma série de sobremesas preferidas em cada loja da cidade. Um desses mestres pasteleiros é Christophe Adam, um génio que ingressou pela pastelaria aos 16 anos, tendo passado pelas cozinhas de alguns 3 estrelas Michelin, até entrar na Fauchon aquando da saída de Pierre Hermé (ver).

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Com o  sucesso da internacionalização da Fauchon, Adam foi  editando livros e ganhando fama entre os melhores Pasteleiros de Paris, abrindo alguns anos depois a sua própria pastelaria, Adam’s. Mais recentemente, e seguindo a receita de um dos maiores sucessos da Fauchon, Christophe Adam decidiu transformar o universo de um dos doces mais clássicos da doçaria francesa, o éclair.

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E o sucesso não se fez esperar, tendo já 5 lojas em Paris e duas no Japão. O conceito, aparentemente simples, consiste na criação de uma colecção de éclairs que muda consoante a sazonalidade dos ingredientes e pode ir do “simples” éclair de chocolate (64%) ao mais complexo nougat ou mascarpone com cassis. Todas as semanas é lançada uma novidade e a lista de éclairs vai mudando de forma a nos manter atentos a todas as alterações e desejosos de os provar ou ver o nosso preferido de novo em produção.

Os preços variam entre 4,5€ e os 7€ como na maioria das principais pastelarias da cidade, e cada éclair é visualmente sinónimo de uma obra de arte que não apetece tocar (mentira, mas fica bem)!

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Mas a questão que se põe é se estes éclairs realmente vivem para além do Hype e do Buzz criados à sua volta?  Na realidade e tendo sempre em conta que a minha exigência para éclairs é alta ( sou do tempo em que Jacques Genin produzia diariamente o melhor éclair da cidade – ver), os éclairs de Christophe Adam roçam a pornografia, desde o aspecto exterior, à massa choux preparada  e cozinhada de forma irrepreensível, aos recheios, que conseguem satisfazer o mais esquisito ou exigente com toda a sua abrangente oferta.

Nesta última visita ficamos pelo clássico Yuzu e o Choco-coco, numa combinação de chocolate e coco.

génie -11 éclair de Yuzu e Choco-coco

O éclair de yuzu transporta-nos para a clássica tarte de limão, tão famosa em Paris, com pequenos pedaços de merengue e da massa que normalmente lhes serve de base, fantástico ainda o recheio, com excelente curd, com a doçura e acidez num balanço perfeito.

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A combinação do Chocolate com o Coco traz memórias dos pequenos chocolates Bounty, num conjunto bem melhorado, doce, sem se tornar enjoativo, como acontece tantas vezes nesta conjugação. Muito Bom.

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Mas não se enganem, o L’éclair de Génie vai além de uma imagem cuidada e saborosos éclairs, pois há também chocolates, cremes para barrar que vos farão esquecer a Nutella e claro, os fantásticos livros de Adam que tornam mais “fácil” o sonho de nos tornarmos verdadeiros pasteleiros em casa.

L’Éclair de Génie - Paris

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Paris – Frenchie to Go

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Frenchie foi o nome dado por Jamie Olivier a Gregory Marchand quando travalhava consigo no Fifteen em Londres. Desde 2009, e depois de passagens por vários países, Frenchie é também o nome do seu restaurante em Paris. Um pequeno espaço na Rue deu Nil, que desde a sua abertura tem vindo a marcar a cena gastronómica Parisiense, com o seu jeito de neo-bistro com uma cozinha refinada e assente na sazonalidade e qualidade dos ingredientes.

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Mais recentemente o Frenchie expandiu-se, mantendo-se fiel à Rue du Nil, abrindo o Frenchie Bar à Vins, onde é possível degustar e comprar alguns vinhos de produtores menos conhecidos, harmonizados com alguns petiscos e pratos mais descontraídos, onde se destacam os queijos e a charcutaria, ou não estivéssemos nós em França.

Mas hoje venho falar-vos de outro Frenchie, o Frenchie to Go. Nascido da paixão pela cultura americana, Gregory Marchand trabalhou durante vários anos em Nova Iorque, o Frenchie to Go faz a ponte entre o conceito “Diners, Drive-ins and Dives” e a atenção e pormenor da gastronomia Parisiense.

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Aberto entre o Pequeno-Almoço e Almoço, o Frenchie to Go apresenta pela manhã uma alargada lista de opções desde scones, a tartes, pratos de ovos (Bénedict ou Florentine) e claro bacon, muito bacon, além de uma excelente granola caseira. Ao Almoço o caso fica mais sério e entram em jogo as famosas sanduíches, da clássica Reuben, ao Porco puxado “pulled pork”, passando por um Lobster Roll ou um Hot Dog artesanal.

Experimentamos a Reuben, com pastrami, cheddar inglês e coleslaw (12€). O resultado não podia ser melhor,  um pastrami do outro mundo, pão levemente torrado, boa mostarda e uma excelente coleslaw, ligeiramente avinagrada, complementando a sanduíche na perfeição. A acompanhar umas excelentes batatas fritas com molho tártaro (4€).

Frenchietogo - 3Reuben Sandwich

Entusiasmados com os BBQ americanos, não podíamos deixar de provar a sanduíche de Pulled Pork, feita à base de pá de porco  (11€). Bom pão, carne suculenta e macia, mais uma vez com a boa coleslaw a acompanhar.

Frenchietogo - 2 Pulled Pork

Existem ainda muitas outras opções, de aspecto irresistível que terão de ficar para outra visita a Paris (como não me canso da cidade, será fácil). Nas sobremesas, a criatividade vem ao de cima, com destaque para o Cheesecake ( não podia faltar), à base de uma combinação pouco usual de abóbora, caramelo e salvia.

Considerações Finais
O Frenchie to Go é uma paragem obrigatória para os amantes de sanduíches e não só. Todos os pratos são criados com pormenor e confecionados à vista de todos, como se de um prato de restaurante estrelado se tratasse,  doses americanizadas e preços bem democráticos para a cidade. No final, o melhor de tudo é que por 48€/kg podem trazer para casa todo o Pastrami que quiserem ( juro que não se vão esquecer dele tão cedo).  Mais um brilhante triunfo saído da manga de Gregory Marchand.

Frenchie to Go
9, rue du Nil – Paris
Aberto das 8h30 Às 16h30

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Paris – Septime*

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Paris é uma cidade de luxo, sempre no topo da lista das cidades com custo de vida mais elevado e claro está a gastronomia não é excepção. Numa cidade repleta de luxuosos e imponentes salas de jantar, fiéis à clássica e refinada alta cozinha francesa, onde uma experiência pode muito bem arrasar com a conta bancária de qualquer um (os oligarcas são sempre excepção), surgiu nos últimos anos um movimento que prometia democratizar um pouco mais a cozinha francesa, os Neo-bistros, munidos de chefs altamente criativos, serviços descontraídos e preços mais acessíveis. Um movimento que começou com Yves Camdeborde (antigamente no La Régalade, mais recentemente com o Le Comptoir ), passando por Inaki Aizpitarte ( Le Chateaubriand, que brilha regularmente nos tops da The World’s 50 Best Restaurants) e que tem hoje a sua estrela maior no Septime de Bertrand Grébaut.

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Bertrand que se tornou cozinheiro debaixo das asas de Alain Passard, no famoso L’Arpège, “passou” ainda pelo interessante Ágape (onde conquistou uma estrela Michelin) antes de abrir o seu Septime com o sócio Théo Pourriat há pouco mais de 3 anos. Desde então o sucesso tem sido meteórico, conseguir uma reserva é uma tarefa difícil, que requer paciência e algumas (“muitas”) horas em volta do seu site, e encontrar por lá estrelas da cozinha e do entretenimento é coisa fácil, tal o hype em volta do espaço.

Mas será que a cozinha de Bertrand vive para as elevadas expectativas que se criam? Vive, e de que maneira, tanto que até o tão clássico e exigente Guia Michelin Francês se rendeu ao Septime (uma estrela).

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A decoração, a cargo de Théo Pourriat, transporta-nos um pouco para os modernos restaurantes Escandinavos, num jeito de combinação entre o rústico e o industrial. Com bonitas mesas de madeira e paredes cimentadas, num ambiente descontraído e cosmopolita onde a grande estrela é, sem dúvida, a comida.

Com a visita marcada ao almoço, existem duas fórmulas: entrada+prato+sobremesa (30€) ou a degustação de 6 Pratos (60€). Começamos mais uma vez com uma boa selecção de pão ( é ótimo ver quando um restaurante se preocupa com o pão que serve), ao qual se foram sucedendo pratos, simples, e emocionantes.

septime - 12Vieiras, Ostra e Daikon
Vieira crua, com um molho de ostras e agrião, com um jogo interessante entre o amargo do  molho e a delicadeza e doçura da vieira. Bem acompanhado por pequenos pedaços de daikon e de grãos de trigo sarraceno, que acrescentaram e bem, textura ao prato.

septime - 13Caldo de Abóbora, ovo escalfado e foie
Caldo claro e límpido, como um verdadeiro consommé, repleto de sabor vegetal e bem enriquecido com pedaços de abóbora, foie gras e chicória. Para ligar tudo, um fantástico ovo, cozinhado no ponto, com a gema cremosa a dar untuosidade e ligação entre todos os elementos. Delicioso.

septime - 11Lula, funcho, pak choi e cerefólio
Mais um prato de aspecto simples, com recurso a 3 ou 4 ingredientes num conjunto em que todos brilham. Excelente a lula, de bom sabor e textura, e não menos interessantes os legumes, que brilham no prato, ligados por uma excelente manteiga de ervas que lhe serve de molho.

septime - 10Pá de cordeiro, salvia e laranja
Cordeiro da pequena ilha d’Yeu, cozinhado a baixa temperatura durante várias horas, suculento e cheio de sabor. Mais ainda quando provado com o molho, feito dos líquidos da cocção salvia e laranja. Nota altíssima ainda para o molho de anchova que cobria a couve e para os pequenos pedaços de laranja queimada, cujo sabor a fumo e o amargo do queimado criavam ainda mais camadas de sabor no prato. Muito, Muito bom.

septime - 9Reblochon e Beaufort
Seguiu-se um dos pratos de queijos mais pequeno e modesto que já me fora servido em Paris. Mas desenganem-se os que acham que isto é uma crítica, foram dois dos melhores queijos que comi, e certamente os melhores exemplares de cada um deles que já provei. Na verdade não queria que o famoso Reblochon de Savoy acabasse e que as lascas delicadas do Beaufort, da mesma região, se perpetuassem. Um fantástico prato de queijos que representa bem a essência do restaurante.

septime - 8Creme de Fromage Blanc, citrinos e muesli
Uma sobremesa bem ao género do que é habitual no Septime, sobremesas leves em que se combinam cremes com cereais e frutos. Desta vez, um creme de fromage blanc com mel, bem acompanhado de bergamota, clementinas e limão e muesli caseiro. Menos interessante que os restantes pratos da refeição, mas a cumprir com o seu propósito de um final leve e fresco.

A carta de vinhos é feita com base em pequenos produtores de vinhos naturais (sem sulfitos), e que agora podem também ser comprados no mais recente Septime La Cave, o novo bar e loja de vinhos do grupo. Para a nossa refeição decidimos acompanhar a refeição com os excelentes sumos naturais de  La Table des Lutins, com destaque para o sumo de pêssego e alfazema que me arrebatou.

O Serviço é descontraído, à semelhança do espaço e da cozinha mas não menos profissional, com toda a equipa a saber com rigor as características de cada prato e a sua confecção, algo mais interessante ainda quando se sabe que a carta do Septime se altera diariamente. É garantidamente uma equipa motivada, com vontade de fazer mais e melhor sem perder a marca que a caracteriza e diferencia.

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Considerações Finais
Bertrand e a sua equipa mostram-nos, e ensinam os seus concorrentes, que é possivel ser brilhante, inovador e autêntico sem roubar a carteira de nenhum comensal. É garantidamente o restaurante do Guia Michelin mais barato de Paris, e provavelmente do Mundo.  Sobre as espectativas e o Hype em torno do Septime, são facilmente vencidos pela cozinha de Bertrand Grébaut, a qualidade dos ingredientes, a genialidade e criatividade por trás de um menu que se altera diariamente ao mesmo ritmo que os sentidos e as emoções do chef, os empratamentos minimalistas e encantadores, que nos reconfortam e “modernizam” as memórias de cozinhas de outros tempos, como deve ser um verdadeiro Neo-Bistro. O ambiente, a cozinha, e os seus pratos trazem com eles uma forte carga de emoções, que tornam a visita ao Septime inesquecível, e que nos fazem querer voltar a passar horas a tentar outra reserva e marcar mais uma viagem para Paris.

septimegrahams E para agradecer a genialidade do chef Betrand Grébaut, e mostrar o que de melhor se vai fazendo por Portugal, deixamos como prenda um clássico português, o Vinho do Porto, com fantástico Tawny 20 anos da Graham’s, que nos acompanhou nesta viagem por Paris.

Septime
80, Rue de Charonne, Paris

Graham’s Tawny 20 anos com o apoio da Symington Family

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Dupond Smith

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Situado no descontraído e alegre bairro do Marais, encontramos um Hotel 5 estrelas quase secreto, sem ostentação, exclusivo, e bem distinto do que se encontra habitualmente na cidade de Paris, o Design hotel Dupond Smith.

Hoje podemos dizer que existem vários tipos de luxo, e até vários tipos de Hotel de luxo, desde o mais clássico dos palácios, ao mais moderno arranha-céus, das amplas salas às exuberantes pratas passando pelo interminável número de funcionários. Mas o luxo maior do pequeno Dupond Smith é outro, a privacidade! Criado com o intuito de dar aos seus hóspedes o melhor de ambos os mundos (do luxo e o da descontracção), o  hotel associa um Design contemporâneo e minimalista com a alma do acolhedor bairro do Marais.

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O Marais já por si só é um bairro que foge dos mais clássicos postais de Paris, mas que merece a atenção de quem visita a cidade, um local diferente, com uma diversidade cultural maravilhosa, com um ambiente descontraído, cheio de dinâmica e que transporta muito bem a arte e a boêmia características de Paris para os dias de hoje, contando ainda com alguns dos pontos mais interessantes da cidade, como a Place de Vosgues, o centro Pompideou, o mestre chocolateiro Jacques Genin (ver), ou o mais recente L’eclair de Génie, agora imaginem um hotel que traduz essas características tão peculiares do bairro, o Dupond Smith é tudo isso, e muito mais.

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Primeira Impressão:
Mal chegamos ao hotel deparamo-nos com um pequeno lobby, um espaço de bar muito acolhedor e dois simpáticos funcionários de trato descontraído, percebendo logo ali que se tratava dum hotel diferente, com um ambiente intimista e ao mesmo tempo acolhedor.

Ficando bem patente a marca do secretismo e de um atendimento altamente personalizado.

Dupondsmith - 18A nossa Suite: Saint Léger Léger

Quartos:
O Dupond Smith tem apenas 8 quartos, todos eles enfatizados com um design brilhante.

Ficamos no Saint Léger Léger, uma suite enorme (vivia perfeitamente neste quarto, aliás, deve ser bem maior que muitas das casas da cidade) contemporânea, aliada a um design inteligente, único e altamente sofisticado. Ex libris do quarto? Duas coisas, a casa de banho, com uma banheira e um papel de parede incríveis, e o terraço, perfeito para tomar o pequeno-almoço, não fosse o frio que se fazia sentir!

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Restaurante:
O Dupond Smith não dispõe de um restaurante, mas sim de um pequeno bar , simplesmente um espaço agradável e acolhedor onde podemos tomar o pequeno almoço ou beber um chá durante o dia. Aliás, o Dupond Smith tem um sistema gratuito de serviço de quartos ao pequeno almoço, algo que tenta sempre promover junto dos seus hóspedes, até porque, os quartos têm um espaço bem agradável criado especialmente para que possam ser tomadas as refeições no maior dos confortos.

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O espaço do bar pertence ao lobby, e serve também de sala onde os hóspedes podem aguardar o quarto, aquando do check in. É simples, intimista e refinado, à semelhança de todo o hotel. Não tendo restaurante nas instalações, a equipa é de alta eficácia no que a marcações e aconselhamentos diz respeito.

No entanto, deixo a dica para que aproveitem alguns espaços do Marais, desde o famoso L’as du Fallafel, aos melhores crepes da cidade no Breizh Café, passando pelo Le Mary Celeste até ao mais contemporâneo Le Gaigne, tudo a 2 passos do Hotel.

Dupondsmith - 12           Dupondsmith - 11           Dupondsmith - 26 Alguns dos encantadores candeeiros do Hotel

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Atendimento:
No Dupond Smith o atendimento é cuidado, educado e atento, à semelhança dos outros 5 estrelas de Paris, no entanto, aqui a forma como somos tratados é mais descontraída, algo positivo ao ponto de sentirmos que estamos em casa de amigos de longa data.

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O Dupond Smith trouxe-me memórias muito agradáveis, talvez pelo atendimento e ambiente calmos, personalizados e descontraídos, talvez por ser um belíssimo Design Hotel, não sei, o que sei é que me lembrou do La Bandita Townhouse (ver) em Pienza, e a estadia aqui foi igualmente inesquecível.

Se forem a Paris e procurarem um local diferente, em que o luxo se apresenta nos pequenos detalhes do design e do serviço e não na ostentação habitual dos hotéis parisienses, em que nos sentimos acolhidos mas duma forma mais descontraída, mas igualmente perfeita, e em que queiram estar no centro do magnífico Marais, esse local é o Hotel Dupond Smith, imperdível, sem dúvida.

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Hotel Dupond Smith
Quartos a partir de 323€
2, rue des Guillemites, Paris
+33 (0)1 42 76 88 99
bonjour@hoteldupondsmith.com

Fotos: Flavors & Senses

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Paris – Le Chiberta*

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Guy Savoy é um dos maiores nomes da gastronomia francesa, com 4 restaurantes em Paris (abriu recentemente uma encantadora casa de ostras) e um luxuoso restaurante em Las Vegas, a cozinha de Guy Savoy prima pela mestria com que se trabalham os ingredientes, deixando que brilhem sem se sobreporem demasiados componentes ou elementos. Depois de na nossa última visita a Paris termos saído arrebatados do fantástico Les Bouquinistes (ver), foi a vez de experimentarmos o Le Chiberta, junto aos famosos Campos Elísios, galardoado com uma estrela Michelin, e tornado célebre por ter sido, em meados de 2014, o palco para o jantar que reuniu o Presidente Obama com François Hollande, com todo o mediatismo a que um encontro deste género tem direito.

Mas deixemos as páginas mais cor de rosa e passemos para as gastronómicas, a cozinha está a cargo de Stéphane Laruelle, um dos braços de confiança de Guy, com a responsabilidade da sala a cair sobre Jean-Paul Montellier, antigo mestre no Bristol.  A decoração e design do espaço ficou mais uma vez a cargo de Jean-Michel Wilmotte, que trabalhou também no Guy Savoy e no Les Bouquinistes, criando um restaurante moderno e refinado, com o preto e o vermelho a assumirem os tons principais, e como já lhe é habitual, a garrafeira a ter, também aqui, um lugar de destaque.

 Le Chiberta - 9 O balcão, perfeito para a hora de almoço

Depois de bem recebidos por toda a equipa e bem instalados nas confortáveis e amplas mesas, começamos a degustação com o já habitual brinde, um excelente cocktail à base de Champanhe e a acompanhar uns pequenos aperitivos que são já marca no restaurante, com Pâte à Choux com queijo e uns pequenos biscoitos salgados com creme de castanha. Seguiu-se, como não poderia deixar de ser, o pão, mais uma vez de elevadíssima qualidade (e vocês sabem o quanto prezo um bom pão), a famosa manteiga de algas de Guy Savoy e um tremendo croquete de legumes ladeado na perfeição com um molho tártaro.

Le Chiberta - 8Le Chiberta - 7

 

 

 

 

Le Chiberta - 6Foie Gras de Pato com aipo, chutney de pêra e pão de gengibre
A combinação do aipo com o Foie é já um clássico de Guy Savoy, com uma terrina muito bem preparada, com a textura certa e sabores a contrastar bem, além de ter sido servida à temperatura certa. Muito boa a leve combinação com a pêra, quer fresca quer no chutney, assim como a força e dimensão que o gengibre veio acrescentar ao prato. Muito Bom.

 Le Chiberta - 5Truta do Mar, pérolas de tapioca, cogumelos
Truta no ponto, com a pele estaladiça e ainda húmida e suculenta. Bem acompanhada na ligação terra mar pelos cogumelos e pelas pérolas de tapioca cozinhadas em jeito de risotto, num bom jogo de texturas e contrastes dados pelos legumes presentes. Tudo muito bem envolvido pelo delicado molho de peixe.

A acompanhar um Albert Mann, Pinot Gris Cuvée Albert, de 2012, um vinho da Alsácia, com notas expressivas da fruta, com destaque para o marmelo e um toque ligeiramente fumado que funcionou muito bem com os dois primeiros pratos.

Le Chiberta - 4Ravioli de Lavagante, limão e gengibre, Bisque de Lavagante
Lavagante em duas texturas, Ravioli cremoso, com recheio à base de lavagante e legumes, envoltos numa massa muito fina e cozinhada no ponto e um pedaço do seu lombo, cozinhado de forma irrepreensível. A Bisque que liga todos os elementos é feita à base de lavagante e lagostins, num molho forte e apetitoso que ganha dimensão e frescura pelas notas do gengibre e da erva príncipe  e do fresco azeite de ervas. Excelente.

A acompanhar, um branco da Borgonha, do Domaine Chanzy, um Rully en Rosey de 2012, da habitual casta Chardonnay.

Le Chiberta - 3Alcatra de Vitela, texturas de Cenoura e Laranja
Uma reinterpretação de um clássico rôti, sobre cenouras assadas com molho de laranja. Aqui, com a alcatra temperada com sementes de coentros e cozinhada no ponto certo. A acompanhar, um jogo de sabor e textura protagonizado pela habitual combinação de laranja com cenoura, desde o creme, às chips, passando pelo molho. Simples e Harmonioso, um grande prato.

Para harmonizar, foi servido um Château Potensac de 2007, um tinto da região de Médoc, simples mas harmonioso, o que permitiu deixar brilhar o prato.

Le Chiberta - 11Pré-Sobremesa

 De pré-sobremesa foi servido um bonito jogo em torno da laranja, com creme, merengue, mousse e laranja fresca, num prato que poderia muito bem ser digno de maior destaque e que funcionou na perfeição como transição para o final da refeição.

Le Chiberta - 10Bolo Ópera, gelado de café
A sobremesa foi a parte mais clássica e menos criativa de toda a refeição, com um bolo Ópera bem preparado ( todas as camadas devem ser minuciosamente iguais), cheio de detalhe e saboroso, com um  fantástico gelado de café (e eu até dispenso café).

Para terminar, nada melhor que o vinho que nos acompanhou nesta viagem, o Graham’s Tawny 20 anos, que não só funcionou na perfeição com a sobremesa, como serviu também em jeito de presente, para a equipa do restaurante celebrar mais um excelente serviço em noite de casa cheia.

A carta de vinhos exprime a importância que os mesmos têm no restaurante, com todas as principais referências francesas, em particular as mais clássicas, com algumas propostas menos usuais.

Do serviço de sala, nada mais se poderia pedir, com todos os detalhes a serem respeitados, sem pressas ou agitação em noite de casa lotada, pelo que, na realidade era como se estivéssemos apenas nós na sala.

Considerações Finais
O Le Chiberta é a representação de uma nova e moderna alta restauração francesa, com ambiente menos formal, e mais cosmopolita, facilmente nos sentimos em Nova Iorque ou Londres. Da cozinha de Stéphane Laruelle saem pratos que representam a filosofia de Guy Savoy, numa combinação de criatividade e tradição, e respeito pelos ingredientes. Em todos os pratos contavam-se facilmente os ingredientes que o compunham, e em todos eles sentíamos o seu sabor e a sua função, sem máscaras nem rodeios. Num patamar um pouco acima do Les Bouquinistes, o Le Chiberta é mais uma grande opção para quem quer entrar no mundo de Guy Savoy, sem ter de se dirigir ao seu mais exclusivo e consequentemente mais caro restaurante com 3 estrelas no Guia Vermelho.

Le Chiberta (*Michelin)
3, rue Arsène Houssaye, Paris
+33 (0)1 53 53 42 00
chiberta@guysavoy.com

Graham’s Tawny 20 anos com o apoio da Symington Family

 

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Hyatt Paris Madeleine

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Este belíssimo Boutique hotel situado entre a La Madeleine e St Augustin pertence à categoria dos hotéis mais acolhedores e pequenos do grande grupo Hyatt Hotels.

Muito bem localizado na Boulevard Malesherbes, encontra-se no meio do elegante distrito de compras de Paris como as famosas ruas Faubourg Saint-Honoré e Rue Royale mas também muito próximo de icónicos lugares, como a Ópera de Garnier, a Place de La Madeleine, a Place de La Concorde e o Louvre.

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Primeira Impressão:
Uma imponente entrada, com um elegante lobby ao lado dum salão com um teto de vidro assinado por Gustave Eiffel. Esta zona, com mais do que uma funcionalidade, serve quer de bar, quer de restaurante, quer de sala de espera, quer de espaço para simples encontros de lazer ou de negócios, uma área que transmite a ligação perfeita entre o luxuoso e o acolhedor. De estilo moderno, com pequenos apontamentos asiáticos trazidos, e muito bem aplicados, aquando da renovação do Hyatt Paris Madeleine em 2007 pelo decorador francês Pascal Desprez.

hyattmadelaine -17The Chinoiserie

Associado a tudo isto, uma belíssima e enorme árvore de natal (como já havia dito, esta viagem a Paris foi realizada na época natalícia).

Após uma pequena espera, devido a um lapso ao não encontrarem a nossa reserva (o sistema informático às vezes tem destas coisas estranhas) lá fomos encaminhados ao nosso quarto, com direito a conhecer um pouco sobre a história de Paris, através das fotografias que decoram os corredores do Hotel.

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hyattmadelaine - 4 O nosso amplo e fantástico quarto (Hyatt Deluxe King)

Quartos:
O hotel possui 86 quartos, desde o standard à Suite Presidencial, com um terraço digno de uma produção de Hollywood!

O nosso quarto fez-me lembrar a nossa estadia no Park Hyatt Vêndome, um quarto elegante, moderno, luxuoso mas ao mesmo tempo “cosy”, a conjugação perfeita, na minha opinião.
Alguns dos quartos têm uma das vistas mais cobiçadas de Paris, La Tour Eiffel.

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Restaurantes/bares:
O Hyatt Paris Madeleine oferece-nos espaços exclusivos, cada um com o seu charme.
O Cafe M, com vista para a Boulevard Malesherbes, também redecorado por Pascal Desprez, é uma excelente opção para o pequeno-almoço e para o almoço.

Aqui tivemos oportunidade de saborear um completo e requintado pequeno-almoço, com ingredientes de excelente qualidade, do pão artesanal aos melhores queijos e sumos naturais, tudo que se pode desejar na primeira refeição do dia.

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Além disto, o Cafe M serve como Wine Bar a partir das 18h, um excelente espaço, um excelente serviço de vinhos e um excelente fim de tarde mesmo ao estilo parisiense.

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Outro dos locais exclusivos do Hyatt Madeleine é o the Chinoiserie, como descrevi inicialmente, com o seu imponente teto de vidro, este espaço é considerado o ponto fulcral do hotel, e percebe-se bem porquê.
Ambiente acolhedor, com o luxo em cada pormenor, com apontamentos asiáticos e com uma lareira que nos transporta para um romantismo mágico (no Inverno, para  conseguir uma mesa junto da Lareira é necessária uma reserva).

A cargo do Chef Patrick Charvet, podemos optar, no the Chinoiserie, por desfrutar do pequeno-almoço, almoço e jantar, ou até um excelente Brunch de domingo ou simplesmente uns petiscos e um vinho ou chá durante o dia.
Nós tivemos oportunidade de experimentar umas saborosas tapas ao fim do dia.

hyattmadelaine - 6Tapas num fantástico final de tarde: polvos bébé com tandoori, sardinha de conserva, chouriço espanhol, culatello e fiambre com trufas

hyattmadelaine -20A vista do nosso quarto sobre a Igreja de St Augustin

Serviços:
O Hyatt está muito bem situado, como já havia referido, e por isso permite aos seus hóspedes deslocar-se em poucos minutos quer para absorver toda a parte cultural da cidade, quer para aproveitar para fazer compras.

Dentro do hotel, também nos é permitido manter-nos ocupados, quer a exercitar o corpo no Fitness Center, quer a relaxar a mente no Deep Spa.
O Hyatt é um hotel de família, também, pois oferece aos pais a possibilidade de usufruirem dum excelente Brunch enquanto as crianças têm aulas de pastelaria.

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O hotel oferece-nos todos os serviços habituais de um excelente hotel cinco estrelas e ainda possui um sentido ecológico bem patente. No topo do Hotel têm as suas próprias Colmeias, e produzem o seu próprio mel, já diria Albert Einstein “se as abelhas desaparecem da superfície da terra, a Humanidade não durará mais de quatro anos.”. Depois de o provar só posso dizer que Paris e o Hyatt criam um excelente e bem diferenciado mel.

Como nem tudo é lazer, o hotel tem também quatro salas devidamente preparadas para eventos, congresso e conferências, ou simplesmente reuniões.

Atendimento:
Como sempre, os parisienses não desiludem, no que a atendimento diz respeito.
Cuidado, atento, educado, elegante, e acima tudo, a garantir a resolução de todas as necessidades dos seus hóspedes em poucos instantes.

É Paris, que posso dizer mais?!

Hyatt Paris Madeleine
Quartos a partir de 280€
24 Boulevard Malesherbes, Paris
+33 1 5527 1234
paris.madeleine@hyatt.com

Fotos: Flavors & Senses e Hyatt Paris Madeleine

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Paris – Restaurant Allard

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Que o mestre Alain Ducasse tem o toque de Midas já todos sabemos, muitos restaurantes, muitas estrelas e  uma alta cozinha francesa onde impera o rigor e qualidade da matéria prima. Mas nem só de estrelas Michelin e Hotéis de luxo se faz o império de Ducasse, vários são os restaurantes mais  tradicionais que recupera, mantendo-se fiel à traça do espaço e à cozinha que por lá se praticava, como o Aux Lyonnais ( sobre o qual escrevi aqui)  ou mais recentemente o Allard. E foi este último que tivemos a oportunidade de visitar durante a nossa última estadia em Paris, uma casa histórica, no coração da bela zona de Saint-Germain-des-Prés, fundada em 1932 por Marthe Allard, uma verdadeira “mãe cozinheira” que trouxe as suas receitas de família da Borgonha para Paris.

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Desde os anos 30 foi passando de geração em geração até 1985, mantendo-se fiel à cozinha de Marthe, que  cativava não só os clientes locais como as mais altas estrelas internacionais como Marlon Brando ou Orson Wells, um espaço que segundo Andre Allard “os clientes não visitam para fazer descobertas gastronómicas, mas sim pelos velhos conhecimentos gastronómicos”. E é esse legado que desde meados de 2013, Alain Ducasse se propõe a respeitar e elevar.

Ao entrar no restaurante sentimo-nos como Gil, a personagem de Owen Wilson no filme Midnight in Paris, graças à decoração, que manteve a sua imagem inalterada ao longo dos anos, sem no entanto nos fazer sentir que estamos num local velho ou acabado, mas sim como fazendo parte da sua história, é como se de repente o tempo tivesse voltado atrás e estivéssemos a viver outras vidas e outras épocas.

allard - 12 A monumental manteiga do Allard

Para começar somos brindados com o habitual copo de Champanhe, um pão de excelente qualidade e uma manteiga extraordinária que valia por uma refeição inteira (confesso que tenho dado por mim a recordá-la muitas e muitas vezes na hora de barrar o pão).

allard - 13 Foie gras, Pickes e pâté en croûte d’Arnaud Nicolas
Seguiu-se um misto em que se mostravam duas das principais entradas do restaurante, o Foie Gras, cozinhado no ponto certo e com um sabor irrepreensível, e a Pâté en Croûte, criada por Arnaud Nicolas (MOF em charcuteria). Sobre a Pâté en Croûte, massa excelente, bem cozinhada e crocante, e recheio à base de foie e porco, num fantástico resultado. Também os pickles de confecção caseira se mostraram com excelente qualidade e fizeram muito bem a combinação com as duas entradas mais gordas e pesadas.

allard - 11 Caracóis, manteiga de alho e ervas
Uma das mais tradicionais entradas da Borgonha, os clássicos caracóis com manteiga, ervas e muito alho. Um prato simples,  mas que exige alguns cuidados, nomeadamente no tempo que passam no forno, para não acabarmos com borracha. Neste caso, muito bem conseguidos, suculentos, e com um irresistível sabor a alho e ervas que se faziam sentir na medida certa. Capaz de cativar até o mais reticente dos provadores.

Harmonizou muito bem com um branco de 2013 Pouilly Fuissé do Domaine Cornin, com notas de frutos brancos e citrinos e uma boca bem exótica, que equilibrou muito bem a untuosidade e o alho dos caracóis.

allard - 10 Ovos em cocotte com cogumelos, pão com alho
Outro clássico da cozinha tradicional francesa. Ovos bem cremosos com a gema a envolver-se com o molho rico de cogumelos de forma quase pornográfica. Bem acompanhado pelo pão levemente torrado e barrado com alho. Como reparo, apenas precisava de um pouco mais de sal.

Para o vinho, mais uma boa escolha, com um tinto Maghani do Canet Valette, um vinho cheio  de elegância e ainda jovem, com bastante fruta vermelha e chocolate.

allard - 7Pregado, Legumes e Beurre blanc
Uma generosa dose do que aparentava ser um gigante pregado (nada daqueles pequenos muitas vezes vendidos como rodovalhos), ainda húmido e suculento, e claro, coberto de magia com um dos molhos que tornou celebre a cozinha do Allard, o delicioso e pouco saudável Beurrre Blanc, uma emulsão de manteiga com redução de vinagre de vinho branco e chalotas.  Bem acompanhado por legumes bem torneados e com a textura correcta.

A copo, um Mas des Merveilles Viognier de 2012 do Château Lagrezette, de nariz expressivo e notas a alperce e abacaxi com um final persistente que funcionou muito bem com o peixe e o seu potente molho.

allard - 8Vieiras à la Grenobloise
Grenobloise é uma das formas clássicas dos franceses servirem peixe, acompanhado de manteiga noisette, salsa, pão torrado e alcaparras. A cocção das vieiras estava perfeita, com um bom contraste de sabores e texturas num prato que se revelou um pouco mais pesado e difícil do que seria de esperar, muito por culpa da excessiva quantidade de alcaparras.

A acompanhar, um tinto bastante leve que funcionou muito bem com as delicadas vieiras e os sabores mais fortes do prato, um  Crozes Hermitage, Cuvée Laurent 2013 do Domaine Combier.

allard - 6Selecção de 3 queijos
Um queijo de cabra do célebre Dominique Fabre, um blue cremoso e pouco intenso, e o que me pareceu um Livarot da Normandia. Temperaturas e texturas correctas numa pequena e excelente selecção.

A acompanhar um Sauternes de 2010 do Château Haut-Bergeron, com boa complexidade de aromas e um corpo rico que ajudou à degustação.

allard - 5 Tarte de Limão Merengada
Muito bem preparada, massa fina e bem cozida, creme saboroso com a doçura e a acidez no ponto certo e um bom merengue. Tudo o que se pode pedir de uma boa tarte de limão.

allard - 4Ile Flottante de baunilha, praline
Mais uma clássica sobremesa francesa, muito semelhante às nossas farófias, mas com um outro domínio técnico. Claras com apresentação irrepreensível,  textura e sabor corretíssimos, e um brilhante e intenso molho de baunilha. Importante também o praline, quer pela textura quer pelas notas de caramelo que trouxe à sobremesa.

A finalizar, um vinho que nos acompanhou desde o Porto, para uma nova rúbrica que iremos apresentar em breve, e que associa as nossas viagens a vinhos Portugueses, um excelente e versátil Graham’s Tawny 20 anos, que serviu para finalizar brilhantemente a refeição. Um vinho fantástico para sobremesas como estas, com ovos, baunilha, caramelo e mesmo as notas mais ácidas do limão.

allard - 3gr

A carta de vinhos está repleta das mais clássicas referências francesas, ou não estivesse a casa sempre bem composta de anglo-saxónicos em  busca da tradição, no entanto, o trabalho do jovem escanção do restaurante é notável, tendo feito funcionar todas as harmonizações, e nem sempre com escolhas fáceis ou óbvias.

O serviço de sala foi aquilo a que estamos acostumados num bom restaurante francês, corretíssimo e afinado, com uma boa dose de simpatia e neste caso e porque se trata de um bistro, sem muitos dos formalismos e normas que muitas vezes tornam a refeição mais “pesada”.

allard - 14

Considerações Finais
Ducasse deu uma nova vida a um restaurante histórico da cidade, com um respeito pela tradição como só os franceses sabem  fazer. Das mãos da sua protegida, a jovem chef Laëtitia Rouabah, saem pratos cheios de alma, alguns deles sonhados e criados por Marthe Allard há quase 100 anos, recriados hoje com rigor, técnica e os melhores ingredientes. É certo que ninguém irá ao Allard para descobrir a alta cozinha francesa, ou a mestria dos detalhes de Ducasse, mas irão certamente para descobrir o conforto  e o sabor de uma tradição que foi passando de geração em geração no ambiente único, de um verdadeiro e sincero Bistro. É certo que não é um restaurante barato, como quase nenhum restaurante de qualidade em Paris o é, mas o menu de almoço a 34€ pode ser uma excelente forma de entrarem no mundo da mais tradicional “bistronomia” francesa.

Restaurant Allard
41, rue Saint-André des Arts, Paris
+33 (0)1 58 00 23 42
restaurant.allard@alain-ducasse.com

Graham’s Tawny 20 anos com o apoio da Symington Family

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Hotel Castille

Castille - 5

Mais uma visita a Paris, a cidade que nunca desilude, a cidade que me fascina cada vez mais… confesso que a cada visita que faço a Paris  ( e já foram muitas) me apaixono mais pela cidade da luz!

É verdade que a hotelaria de luxo em Paris raramente desilude, e nesta nossa viajem não foi excepção. Começamos pelo maravilhoso Hotel Castille do grupo italiano Starhotels.

Situado entre as praças de Madeleine e Vendôme, o Castille fica situado no coração da moda parisiense, mesmo ao lado da primeira e icónica casa  da Maison Chanel onde Coco atendeu as suas primeiras e mais importantes clientes, e a dois passos das famosas lojas do Faubourg St. Honoré.

Castille - 19

Primeira Impressão:
Bem, provavelmente uma das mais distintas primeiras impressões de sempre, é que mal chegamos, em cima do balcão da recepção, havia um gato lindíssimo, de pêlo macio e cinzento, para nos dar as boas vindas! Descobrimos de imediato que se tratava do Helliot, o cliente permanente do Castille, e sem dúvida o mais mediático de todos os hóspedes!

Castille - 8m
Esta viagem foi realizada numa das minhas épocas preferidas do ano, o Natal, e então, todo o hotel estava meticulosamente decorado, o que já por si só enaltecia ainda mais a beleza do lobby. Este, sem dúvida que exala um dos estilos com que mais me identifico, recriando um ambiente  bem “cosy”, não ofuscando, no entanto, a opulência dos detalhes de luxo que se exibem em cada pormenor.

Castille - 4           Castille - 16           Castille - 7

Uma vez que o nosso quarto ainda não estava disponível, fomos acompanhados até ao bar, onde nos serviram um excelente chá verde acompanhado de deliciosos biscoitos.
Após alguns minutos fizemos o caminho até ao quarto, um elevador clássico, elegante, um corredor semelhante, até que chegamos ao quarto.

castille - 26 O nosso Quarto

Quartos:
O hotel possui 108 quartos, divididos em duas partes, uma espécie de asas, estes são de 6 tipos, nós ficamos num Duplex Junior Suite.
Este quarto deu-me muito mais a ideia de que tinha chegado a casa do que a um quarto de hotel, talvez pelo seu tamanho, pela sua decoração e pela sensação intimista que o quarto nos faz sentir.
A percepção que eu tenho é que no Castille o passado se mistura com o presente, e isso está bem presente na decoração dos quartos, o clássico e o contemporâneo vivem lado a lado, o que lhe dá um certo charme.

castille - 24L’Assiggio Bar

Restaurantes/bares:
O Castille oferece-nos o L’Assiggio Restaurant e o L’Assiggio Bar & Salon de Thé, ambos combinam o estilo parisiense com o espírito italiano.
O L’Assiggio Restaurant apresenta-nos os sabores mediterrâneos e bem clássicos da Itália, conjugados com a refinada gastronomia francesa. Aqui tivemos oportunidade de saborear um pequeno-almoço de grande qualidade, com a melhor seleção de pastelaria e charcutaria, como só os franceses sabem.

Castille - 13
Uma das mais bonitas particularidades do restaurante é o seu terraço tipicamente italiano, decorado com frescos e uma belíssima fonte.
Quanto ao L’assiggio Bar & Salon de Thé, este oferece-nos a possibilidade de uma pausa ao longo do dia para saborear uma refeição mais leve, um simples cocktail ou um delicioso chá.

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Serviços:
Além dos serviços habituais dum hotel 5 estrelas, como Concierge ou Serviço de Quartos disponível 24h por dia, o Castille tem também um centro de Fitness devidamente equipado ( por onde me vou escapando de passar), três salas de reuniões para quem não procura apenas o lazer, e está preparado para receber animais de estimação, que é como quem diz, mais amigos para o mediático e mimado Helliot!

Castille - 2m

Atendimento:
Se os tailandeses são os mais meigos e carinhosos a atender, os franceses são os mais bem preparados e formados no que a atendimento diz respeito, sem dúvida, e o Castille não é excepção, mais descontraído do que a maioria dos luxuosos 5 estrelas da cidade, mas sempre cuidado, preciso, atento e meticuloso, assim é o atendimento no Castille.
Não me canso de ouvir o “Bonjour Madamme”!

Um cheirinho de Itália na maravilhosa cidade de Paris, quem poderia pedir melhor combinação?! Uma excelente opção para quem quer ficar numa das zonas mais famosas e mediáticas de Paris. 100% Aprovado!!

Hotel Castille
Quartos a partir de 230€
33-37, Rue Cambon, Paris
+33 (0)1 44 58 44 58

Fotos: Flavors & Senses e Hotel Castille

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Passatempo – Simplesmente… Vinho

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O simplesmente… Vinho 2015 vai decorrer nos dias 27 e 28 de Fevereiro.

“É um salão off, manifestação de nicho, independente e alternativa, que reúne na Ribeira do Porto, produtores unidos simplesmente… pelo Vinho.
Vinho que respeita a terra e os terroirs, as vinhas e as uvas, as pessoas e as tradições.
Vinho que simplesmente… quer ser vinho, bebido, apreciado, partilhado.
É por este Vinho que os produtores do simplesmente… Vinho se unem. E, também, por partilharem, independentemente da dimensão ou notoriedade de cada um, o gosto por vinhos diferentes e com uma dose saudável de loucura e poesia.”

É desta forma que um dos mais ousados projectos de divulgação do vinho nacional se apresenta, pelo que o nosso Blog não poderia deixar de apoiar a iniciativa. Assim temos um Passatempo para os nossos leitores que são simplesmente apaixonados pelo vinho.

Para Participar basta Simplesmente…
1- Fazer “GOSTO” na nossa Página e na do Simplesmente Vinho
2- Identificar nos comentários um amigo com quem gostarias de participar no evento.
3- Partilhar a publicação no teu mural.

Prémio:
Uma entrada dupla
(com direito a copos, petiscos e muito e bom vinho)

O passatempo termina à meia-noite de quarta-feira dia 25 de Fevereiro.
Sendo o Vencedor escolhido aleatoriamente pela nossa equipa e divulgado no dia 26 de Fevereiro.

Saibam mais sobre o evento em Simplesmente… Vinho!

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Dia dos Namorados – 7 Quartos a não perder no Porto

No seguimento da escolha do João sobre os 7 melhores restaurantes da cidade para o Dia dos Namorados (ver), hoje apresento 7 dos melhores quartos da cidade, para aqueles que querem dar asas aos seus próprios jogos e momentos de prazer em vez de se fecharem no cinema com “As 50 sombras de Grey”.  É certo que muitos não terão o mobiliário da Boca do Lobo (há excepções), ou o luxo cinematográfico, mas temos as margens do Douro como vista, a baixa como base, ou simplesmente pequenos luxos palpáveis  e reais.

The Yeatman, Vila Nova de Gaia

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O Hotel dispensa apresentações, já ganhou tudo o que havia para ganhar e é, sem dúvida, a principal referência hoteleira da cidade. A monumental Bacchus Suite, é um quarto de sonho, do jacuzzi à lareira passando pelo terraço privado com as melhores vistas sobre o Porto. É certo que não está ao alcance de qualquer mortal, mas na verdade qualquer um dos Quartos do Hotel, será fantástico para uma noite imperdível, e claro, sempre com a margem do rio como pano de fundo.

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Além dos quartos o programa não poderia ser mais perfeito, se pensarem em incluir, o Spa e o Restaurante estrelado de Ricardo Costa.

Mais informações, The Yeatman

Casa dos Lóios by Shiadu, Baixa

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A primeira “Casa de Charme” do grupo Shiadu no Porto, localizada no  recém restruturado Largo dos Lóios, ocupa uma antiga casa brasonada, e um desses bons exemplos é o Quarto Deluxe, , com um espaço amplo, e um tecto que fará  enternecer o menos romântico dos casais.

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Perfeito para quem quer passar o dia pela baixa, jantar num dos muitos restaurantes da zona e quiser acabar a noite em romance.

Mais informações, Casa dos Lóios

The 4Rooms, Foz do Douro

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Completamente redesenhada pelo vencedor do Pritzker, Eduardo Souto de Moura, o 4 Rooms ocupa uma antiga casa numa das zonas mais ricas e históricas da cidade, a Foz Velha. A minha escolha recaiu sobre o encantador Garden Loft, com um pequeno jardim privado e mobiliário cuja autoria vai desde Philippe Starck a Siza Vieira.

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Um Retiro que alia a paz ao mais alto design. É ainda importante não esquecer que o fantástico Restaurante Pedro Lemos ( *Michelin), fica a dois passos do 4 Rooms.

Mais informações, The 4Rooms

 Vincci Porto, Massarelos

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No antigo Entreposto Frigorífico de Massarelos, um dos edifícios que melhor representa o modernismo industrial Português (início dos anos 30), nasceu recentemente o primeiro Hotel Vincci no Norte do País. Mantendo toda a fachada, o hotel foi muito bem desenhado, e transporta-nos no tempo para uma atmosfera bem mais retro.  A sua ampla Suite, mantém as linhas do restante Hotel, o que fará facilmente qualquer casal imaginar-se num cenário cinematográfico de outros tempos.

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Mais informações, Vincci Porto

1872 River House, Ribeira do Porto

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O 1872 está localizado bem no coração da zona ribeirinha da cidade, em cima do famoso muro dos Bacalhoeiros. Aqui foi dada atenção a cada pormenor, com 8 quartos repletos de detalhes, a escolha tinha obviamente que recair no Quarto com vista de Rio ( quem me conhece sabe a paixão que tenho por estas margens), para que possam acordar num dia cheio luz e olharem o Douro em todo o seu esplendor ( só faltam as vinhas).

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Mais informações, 1872 River House

Hotel Teatro, Baixa

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Bem no centro da Baixa Portuense, nasceu há pouco tempo um Hotel que é já uma referência da cidade. Inspirado no antigo Teatro Baquet, que ali havia sido criado em 1859, o Hotel  viaja por toda a atmosfera de uma peça de teatro, com o elegante e refinado Design de interiores de Nini Andrade Silva. Aqui optei por escolher a Suite, que com os detalhes dourados, a sua ampla banheira  e os seus tons quentes me parece um cenário exclusivo para uma noite de romance bem cosmopolita.

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Podem ainda jantar no seu excelente restaurante, Palco, comandado pelo jovem chef Arnaldo Azevedo, vencedor do prémio Chef Revelação nos Melhores para 2014 do Blog (ver).

Mais informações, Hotel Teatro

Intercontinental Palácio das Cardosas, Aliados

A aposta de um dos principais grupos mundiais na cidade do Porto, é uma bem sucedida recuperação de um edifício histórico da cidade. Restaurado com recurso a materiais nobres, aliando a modernidade com o clássico, a escolha da Junior Suite recaiu não só pela qualidade e conforto do quarto mas também pela sua vista sobre a movimentada Avenida dos Aliados e a Câmara Municipal.

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Também o seu restaurante, Astória, com assinatura de Pedro Sequeira, é um poiso seguro para os casais que pretendam um jantar romântico.

Mais informações, Intercontinental Palácio das Cardosas

Seja no Dia dos Namorados ou não, aproveitem uma noite diferente fora de casa e conheçam uma nova forma de estar na cidade.

Fotos: Pertencentes às respectivas unidades Hoteleiras

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