Visitar Budapeste em 3 Dias – Dia 2

Budapeste - 111Basílica de São Estevão

2º DIA

- Lipótvaros

Hoje decidimos manter-nos por Peste e dividir o nosso tempo em três dos sítios mais importantes da cidade, a mágica Svent István Bazilika (Basílica de São Estevão), a altiva Magyar Állami Operahaz (Ópera) e o imponente Országház (parlamento).

Assim, e após um pequeno almoço daqueles de filme (quiçá de novela brasileira…), ou seja, com tudo a que temos direito, lá seguimos nós para mais um dia maravilhoso.

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Começamos pelo Parlamento, uma vez que não tínhamos comprado o bilhete no site partimos do princípio que seria mais fácil arranjar bilhetes de manhã, com visita guiada e numa língua minimamente perceptível para nós, nomeadamente inglês ou espanhol (infelizmente estas coisas raramente têm português).

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E ainda bem que o fizemos pois percebemos que a maioria das pessoas que lá estavam já tinham bilhete comprado. O ideal é comprarem no site, veem os horários disponíveis e reservam logo o bilhete no horário e língua correspondente, até porque estas visitas só podem ser feitas com guia.

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O preço do bilhete ficou-nos por HUF 2000 cada um (aproximadamente 6.5€), atenção que os residentes na UE têm um preço mais acessível do que os não residentes, o que requer, como é óbvio, a apresentação do BI, CC ou passaporte.

O Parlamento é dos edifícios mais imponentes de Budapeste e um dos melhores “postais” da cidade. A sua altivez enche-nos a curiosidade de explorá-lo. Num ápice se percebe qual a sua inspiração, o Parlamento da magnífica cidade de Londres (ver roteiro de Londres).

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Este (para mim) ganha-lhe na brancura e pureza da cor, que lhe confere mais vida e harmonia (mas o de Londres ganha com o Big Ben, como é óbvio!).

A construção do Parlamento tem origem numa criação neogótica de Imre Steindl que ganhou um concurso para construir tamanho edifício, começando a 1885, e terminando somente em 1904 (Steindl ficou cego antes do término da construção). Sendo que pelo meio ainda se fez uma pré inauguração em 1896 para comemorar o milésimo aniversário da chegada dos Magiares à cidade.

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Efetivamente, é notória a inspiração no Parlamento de Londres, nomeadamente nos seus pináculos espiralados e esguios, mas Steindl introduziu algo novo, um átrio central redondo barroco e uma cúpula, no centro deste encontra-se guardado o bem mais precioso da cidade, o seu símbolo nacional, a Coroa Sagrada (cuja cruz que contém está ligeiramente inclinada – ninguém sabe muito bem porquê!). Outra curiosidade interessante é o facto de se dizer que terá sido esta a coroa oferecida pelo Papa ao Rei Estevão no ano de 1000. No entanto, sabe-se que esta é do século XII!

Budapeste - 103

Não deixem de observar com atenção, também, os frescos da cúpula, são uma autêntica obra de arte protagonizada por Karóly Lotz.

Além deste local visitamos algumas salas, as imponentes escadarias e a Câmara dos Representantes.
A visita demorou cerca de 45 minutos.

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Budapeste - 95 Néprajzi Múzeum

Para quem for com mais tempo, mesmo em frente ao Parlamento, têm o Néprajzi Múzeum, o Museu de Etnografia com trajes tradicionais, artesanato, mobiliário antigo, ferramentas, reconstruções de casas rústicas, e excertos de filmes antigos e registos sonoros. Este museu, curiosamente, foi construído pelo segundo classificado que concorreu à construção do parlamento.

Budapeste - 93

Daqui seguimos para o mais majestoso edifício neorrenascentista da cidade, a Basílica de São Estevão.

Este local sagrado teve a sua quota parte de problemas ao longo da sua construção. O primeiro artista que a desenhou em estilo neoclássico morreu antes do seu término, passado pouco tempo esta colapsou, e o artista que se seguiu, Miklós Ybl, faleceu, também, antes da sua conclusão, que se verificou em 1906, ao que se sucederam estragos de grandes dimensões já na Segunda Grande Guerra.

Mas, este passado conturbado em nada altera a sua beleza atual.

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O interior da igreja apresenta-se em forma de cruz grega, com o chão a estender-se em mármore preta e branca.
Do altar somos observados por uma belíssima estátua de São Estevão, enquanto a cúpula, de 96m de altura, está repleta de mosaicos de Károly Lotz.

Budapeste - 35

Mas, tudo isto é quase que insignificante perante o tesouro que se encontra no interior desta basílica, a mão direita mumificada do próprio São Estevão (dizem eles! Eu tenho sempre uma grande dificuldade em acreditar nestas coisas!). A mão encontra-se guardada num estojo que se ilumina quando colocamos uma moeda numa caixa que está ao lado.

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Se quiserem ter uma vista deslumbrante da cidade e do Danúbio, não percam a subida à Torre Panorâmica, uma galeria exterior em torno da cúpula, esperam-vos 364 degraus ou um elevador.

Budapeste - 44Budapeste - 28
A entrada na Basílica é gratuita, só se paga para ver a Mão mumificada ou para subir à torre.
À saída da igreja estavam uns rapazes a publicitar um concerto que se iria realizar, no dia seguinte, de música clássica, olhamos, ponderamos e compramos bilhetes! Já tinha perdido esta oportunidade em Praga e em Viena, não podia deixar que acontecesse o mesmo em Budapeste!

Budapeste - 113Concerto na Catedral de Santo Estevão

Apercebemo-nos que praticamente uma vez por semana é realizado um concerto de órgão na basílica, acompanhado com violino, trompete, um tenor e um soprano, e uma seleção exímia de grandes obras da música clássica. Não percam esta oportunidade, por norma há publicidade à entrada da igreja ou então podem sempre pesquisar na internet os concertos que vão realizar-se, nos dias da vossa viagem.

O preço do bilhete foi de HUF 6500 cada um (aproximadamente 21€).

 Budapeste - 48Ópera de Budapeste

Terminada a visita à Basílica seguimos para a Ópera.
Este local é um dos mais sumptuosos edifícios da capital Húngara.

Não assistimos a nenhuma ópera (apesar dos preços serem bem mais convidativos que os de Viena!) mas valeu bem a pena a visita ao seu interior.

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Budapeste - 56 Budapeste - 55m

O bilhete custa HUF 2990 (aproximadamente 11.5€) mas se quiserem tirar fotografias pagam mais!

A construção da ópera tem uma história bastante interessante, esta foi financiada por Ferenc József, que ordenou que fosse mais pequena que a de Viena, esqueceu-se foi de pedir que fosse menos bonita, pois Miklós Ybl conseguiu suplantá-la!

O edifício neorrenascentista é deslumbrante e as mármores interiores são da mesma linha da Basílica de São Estêvão.

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Budapeste - 61

A escadaria principal proporciona um momento incrível de admiração em quem tem o privilégio de a observar.
Local de cultura, de beleza e de história que enaltece ainda mais a perfeição da cidade.

Junto à Ópera, podem ainda passear pela famosa avenida Andrássy onde se localizam alguns dos melhores cafés da cidade, assim como as lojas das principais marcas luxo.

Budapeste - 45 Avenida Andrássy

O dia não poderia ter terminado de forma melhor! Seguimos para o hotel, foi um dia cansativo e hoje ficaremos pelo hotel a desfrutar de bons petiscos e vinhos no Lounge do Hotel Intercontinental Budapeste (ver) com a melhor vista da cidade, o Castelo, que com a sua grandiosidade e iluminação inunda a noite de vida.

Amanhã lá estaremos a visitá-lo!

Onde Ficar
InterContinental Budapest
Kempinski Hotel Corvinus

 English Version

Texto: Cíntia Oliveira | Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
– As fotos nem sempre representam a nossa primeira passagem nalguns dos locais ou o mesmo dia de viagem.

Este Artigo é o 2º de 3 artigos para o nosso Guia de Budapeste (ver 1ºDia

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Visitar Budapeste em 3 Dias – Dia 1

Budapeste - 74 O Parlamento visto do Castelo de Buda

A última das três cidades de uma maravilhosa viagem ao centro da Europa.

Assim conhecemos Budapeste, ao entardecer num dia de Outono, com cores vivas e paisagens místicas a rivalizarem com o cunho cosmopolita da cidade que cedo nos fez apaixonar.
Budapeste é isso mesmo, é um local onde encontramos um palácio medieval, uma igreja gótica, um edifício barroco, uma ruela escondida, uma avenida luxuosa, uma praça repleta de bares e cafés, onde encontramos de tudo e em que o passado, o presente e o futuro vivem em harmonia!

É a cidade das duas cidades, a misteriosa e mágica cidade de Buda e a agitada e empresarial cidade de Peste.

Uma excelente forma de terminar uma viagem por três cidades distintas mas com tanta história em comum.

Budapeste - 26mHistória da cidade de Budapeste

Budapeste terá tido o seu início no século I a.C. quando foi ocupada pelos romanos, que permaneceram durante séculos.

Já em 896 foi a vez das tribos Magiares se instalarem na região.
Em 1000 o famoso rei Estevão é coroado monarca e declara o país um Estado Cristão.
Seguem-se as invasões dos Mongóis durante o século XIII.

Mais tarde, entre 1458-90 a cidade torna-se uma das principais capitais do renascimento europeu, durante o reinado de Mátyás.

Budapeste - 27Catedral de Santo Estevão

Já no século XVI os Turcos invadem a cidade e aí permanecem por 150 anos, até que em 1686 foi libertada por um exército aliado europeu. Os Habsburgos passaram, então, a controlar a Hungria (lembram-se deles da história de Viena, certo?! Ver ).

Nos séculos seguintes segue-se a Era da Reforma, em que várias instituições públicas são criadas, e a cidade vai evoluindo favoravelmente.

Entre 1848-49 dá-se a Guerra da Independência, quando o país tenta libertar-se do domínio do Império Austríaco mas sem sucesso, até que em 1867 é acordado o Compromisso que estabelece uma monarquia dupla entre a Áustria e a Hungria.

Até que em 1918, após a Primeira Guerra Mundial, os impérios se dissociam.

Budapeste - 62

Mais tarde com a ajuda e “libertação” do país da Alemanha Nazi da Segunda Guerra Mundial, pelas mãos dos russos, o país caiu num período de Comunismo por cerca de 45 anos, até que em 1989 são anunciadas eleições livres.

Através deste pequeno resumo de história conseguimos perceber que Budapeste tem muita arquitetura do renascimento, há arte espalhada em cada recanto, possui também uma influência Imperial muito marcada, por parte do Império Austro-Húngaro, tem também, em algumas zonas, uma face mais sombria, influenciado pelos anos de domínio comunista, mas acima de tudo tem, nitidamente, uma cultura muito boémia.

Budapeste - 108

Assim, viajamos numa breve história de Budapeste e da Hungria, e agora vamos viajar pela cidade!

À semelhança das outras cidades, Praga e Viena, elaborei um roteiro de três dias, não deu para fazer tudo o que queríamos mas deu perfeitamente para ficar a conhecer a essência de Budapeste e para querer voltar no futuro.

É uma cidade muito acessível em termos de preços, os locais de visita e os transportes são bem mais baratos relativamente a outras cidades europeias (o facto de virmos de Viena também faz com que tudo pareça mais barato!).
A cidade pode ser facilmente dividida em cinco zonas, não tivemos tempo para visitar todas, mas estivemos em três, por isso falar-vos-ei do que conseguimos fazer em três dias e do que vos sugiro caso consigam ir mais tempo, cinco dias parece-me ser o suficiente.

Budapeste - 10 Vista sobre o Hotel de Gellért, famoso pelos seus banhos termais

As cinco zonas em que a cidade pode ser dividida são as seguintes:
- Bairro do Castelo – Buda
– Lipótvaros (Parlamento) – Peste
– Belváros – Peste
– Gellért-Hegy e Rózsadomb – Buda
– Oktogon e Városliget – Peste

Apenas passeamos pelas três primeiras, por isso é dessas, essencialmente, que vos vou falar.

Budapeste - 251ºDIA

- Belváros

Chegamos à cidade já de tarde, vindos de comboio (duração da viagem: 4h) de Viena, o edifício da estação já fazia adivinhar uma cidade muito bonita e bastante agitada. O sol fazia sentir-se, apesar do frio, e seguimos então caminho até ao hotel (ver) para deixar as malas e sair à descoberta da cidade.

Como já era de tarde, optamos por passear pela zona mais próxima do nosso hotel, Belváros, e deixar os locais mais distantes para os outros dias.

Budapeste - 3Praça Vorosmarty tér

Em Belváros existem alguns locais onde podem visitar o seu interior, ou simplesmente optar por passear e aproveitar a cidade como um local e não como um turista, que foi o que fizemos. Passeamos sem destino específico e fomos conseguindo descobrir uma cidade animada, com um traço boémio maravilhoso, e com uma surpresa ao virar de cada esquina.

Budapeste - 41Váci utca

Seguimos a nossa viagem (a pé, claro) pela rua mais famosa da cidade, a Váci utca. Esta rua é ladeada por restaurantes, bares, cafés, lojas de roupa, de jóias, livrarias, e muito mais.

As belas esplanadas amontoam-se umas em cima das outras e para todo lado que olhamos há uma imensidão de pessoas.

Se quiserem parar para tomar um café ou comer algo, os bares/cafés são uma excelente opção, mas os restaurantes são uma péssima escolha, muito mais caros que os restaurantes do resto da cidade, e nada tradicionais, são uma autêntica caça ao turista (não quer dizer que não possa haver um ao outro que sejam bons, mas no geral não é o que acontece, infelizmente), no entanto, para melhor usufruírem desta zona, aconselho-vos a tomar um café, num dos cafés mais antigos e famosos da cidade.

Budapeste - 2Gerbeaud

Para mim o mais interessante é talvez o Gerbeaud, na praça Vorosmarty tér, que se pode considerar a ponta norte da Váci utca. Esta praça é, também, por si só um belíssimo local, com ambiente boémio e imperial ao mesmo tempo, que no mês de Dezembro se transforma num belíssimo mercado de natal.

Esta avenida, que nos tempos medievais já atravessou Peste dum lado ao outro, tem sido um local para passear e fazer compras desde o século XVIII, atingindo o seu auge em finais do século XIX e inícios do século XX.
Atualmente, mantém-se como um ponto de referência da cidade, e uma das zonas mais visitadas por turistas e ocupadas por locais para os seus encontros e saídas habituais, ainda que para compras as melhores lojas da cidade estejam agora na avenida Andrássy.

Budapeste - 4Interior da Igreja de Váci uca

Na zona de Belváros há três locais importantes que podem escolher para visitar (optamos por não visitar o interior de nenhum destes museus pois nesse dia já não tínhamos tempo e nos dias seguintes já tínhamos locais específicos que considerávamos mais importantes):

A Nagy Zsinagóga e Zsidó Múzeum ou Grande Sinagoga é a segunda maior do mundo (a maior é a de Nova Iorque) e o Museu Judaico ao seu lado retrata o holocausto na Hungria.

Budapeste - 24A Grande Sinagoga

A Grande Sinagoga é um edifício lindíssimo e eclético que impõe a sua presença, atrás desta fica um parque memorial onde estão sepultados muitos dos judeus que morreram quando esta região de cidade se transformou num gueto.

Quanto ao Museu Judaico, este partilha com o mundo a tragédia do holocausto, recordada em fotografias da época.

Budapeste - 23Museu Nacional Húngaro

O Magyar Nemzeti Múzeum ou Museu Nacional Húngaro é o maior do país e abriga uma das mais importantes peças para o povo, o Manto da coroação do Rei Estêvão I.

Instalado num colosso neoclássico o museu nasceu através da iniciativa do grande reformista da cidade, Ferenc Széchényi, em 1847 pelas mãos do arquiteto Mihály.

Aqui vão poder encontrar uma vasta coleção de gravuras, manuscritos, livros, mapas, esculturas de pedra medievais, lapidário romano, e toda a história desde os primórdios da cidade até à libertação do comunismo.

Budapeste - 22 Budapeste - 21

Destaque mais importante: sintam-se a pisar a história, pois foi nos degraus deste edifício (degraus exteriores) que se deu um dos momentos mais significativos do país, o hino nacional pelas palavras do poeta Sándor Petofi a exortar os Húngaros a libertaram-se do jugo dos Habsburgos. Talvez uma das principais causas da Guerra da Independência de 1848-49, que viria a ser ganha pelos Habsburgos.

O Iparmuvészeti Múzeum, ou Museu de Artes Aplicadas, é outro dos locais a visitar na região de Belváros e que vale por si só, independentemente das suas coleções, sendo um exemplo perfeito da arquitetura Secessionista, com traços islâmicos, hindus, e vários temas orientais. O edifício foi inaugurado para a Exposição Mundial de Viena em 1873, sendo que nesta altura ainda não tinha o cunho arquitetónico e decorativo atual, o que se verificou mais tarde, já em 1896.

No seu interior podem encontrar-se antiguidades, mobiliário e decoração art noveau, cerâmicas, têxteis, vidro, pratas e gravuras das grandes coleções do museu.

Se não for do vosso gosto este tipo de museus, pelo menos não percam a sua beleza exterior.

Budapeste - 7

Budapeste - 6 Grande Mercado

Na outra ponta da Váci utca terminamos o nosso passeio no Grande Mercado, o Nagycsarnok. Construído no final do século XIX é um belíssimo edifício art noveau que fascina mais por fora do que por dentro. No seu interior encontramos três pisos com imensas bancas repletas de variadíssimos alimentos com um aspeto muito saboroso, e também com peças de artesanato.

Budapeste - 18

Não é um mercado tão incrível como alguns dos que já visitamos noutros países, mas serve bem as necessidades da cidade.

  Budapeste - 19       Budapeste - 12       Budapeste - 14

Budapeste - 16

Depois desta maravilhosa e revigorante caminhada, que já nos permitiu conhecer parte de Peste, regressamos ao hotel para descansar um pouco e nos prepararmos para um jantar tradicional húngaro no restaurante És Bisztró do Hotel Kempinski (ver).

Onde Ficar
InterContinental Budapest
Kempinski Hotel Corvinus

 English Version

Texto: Cíntia Oliveira | Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
– As fotos nem sempre representam a nossa primeira passagem nalguns dos locais ou o mesmo dia de viagem.

Este Artigo é o 1º de 2 artigos para o nosso Guia de Budapeste 

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InterContinental Budapeste

Inconbudapest - 8

A nossa última casa desta viagem incrível por Praga, Viena e Budapeste foi o InterContinental Budapeste, que se revelou o hotel com a melhor vista da cidade. Ou não fosse o seu oponente do outro lado do Danúbio, o Castelo de Buda!

O InterContinental Budapeste, com vários anos de experiência na arte de bem receber, localiza-se estrategicamente no lado de Peste, em frente ao complexo do Castelo de Buda, com uma vista completamente deslumbrante para este e para a imponente Ponte Széchenyl Lánchíd.

Além destes dois pontos, o hotel tem ainda a particularidade de se situar muito próximo a uma das ruas mais famosas da cidade, a Váci Utca, repleta de cafés, restaurantes, bares, lojas, livrarias, e muita animação! É uma das mais antigas e conhecidas ruas da cidade.

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Primeira Impressão:
No seguimento daquilo que já vos falei, ainda antes de entrar no hotel, podemos deslumbrarmos com a beleza inigualável do Castelo de Buda, o que por si só já impressiona bastante.

Já dentro do hotel, apercebemo-nos dum ambiente de azáfama típico dos hotéis urbanos e de negócios do grupo InterContinental, repleto de antigos e futuros hóspedes, a serem eficazmente atendidos.

O hotel, apesar de antigo e elegante, transmite um toque moderno e atual, com pormenores do passado. Nota máxima para a incrível parede de madeira, que se situa em frente aos elevadores, com várias figuras esculpidas, que nos faz sentir crianças outra vez!

Inconbudapest - 6Lounge do Club InterContinental

Após esta primeira observação sobre o hotel somos gentilmente encaminhados para a receção, e recebidos prontamente pela equipa que nos encaminhou para o check-in privado do Club InterContinental (não me canso de vos dizer o quanto compensa a adesão a este serviço). Fomos acompanhados à receção do Lounge do Club InterContinental, fizemos o check-in confortavelmente sentados, foi-nos oferecida uma bebida enquanto este se ia desenrolando, e a funcionária muniu-nos de imensas ideias sobre a visita à cidade.

Após o check-in fomos acompanhados ao nosso quarto.

Inconbudapest - 4

Quartos:
Por falar em quartos, contam-se 402, dos quais, Classic Rooms, Superior Rooms, Deluxe Rooms, e Suites (junior, Executive e Presidential).

Inconbudapest - 1
Ficamos num maravilhoso Deluxe que me conquistou mal entrei, ou não fosse ele ter uma vista direta sobre o Castelo, a Ponte e a Colina de Gellért, chegamos ao hotel a meio da tarde por isso, passadas duas horas já as luzes da Ponte e do Castelo se acendiam para iluminar as nossas almas com tamanha beleza.

Inconbudapest - 2
No quarto esperavam-nos fruta, vinho e doces e um ambiente quente e de conforto que nos fez relaxar instantaneamente.

A cama era enorme e macia, as almofadas gigantes como eu adoro, e o ambiente moderno da decoração estava perfeitamente aliado à sofisticação e ao conforto.

Nota menos positiva para a casa de banho que era bastante pequena, pelo menos para mim, que, como sabem, tenho uma tara por esta divisão! No entanto, esta estava munida de todas as amenidades necessárias para garantir uma estadia perfeita.

Inconbudapest - 16Eu não disse que o quarto tinha a melhor vista da cidade?

De salientar, que como estávamos abrangidos pelo Club InterContinental, todos os dias da nossa estadia o quarto era preenchido com pequenos mimos, fossem uns deliciosos scones, frutas, ou uma maravilhosa tarte de maça acompanhada com molho de chocolate.

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Restaurantes/Bares:
O hotel conta com duas opções gastronómicas, o Corso Restaurant e o Corso Bar, ambas munidas de esplanada com a melhor vista sobre a cidade (não me canso de dizer isto!).

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O primeiro serve o que de melhor se encontra na gastronomia húngara combinado com técnicas atuais e criativas. É também o espaço que serve o pequeno almoço, onde pudemos provar uma enorme panóplia de iguarias, desde a charcutaria húngara aos doces e aos mais variados pratos de ovos.

Tem um ambiente descontraído com a elegância da cidade mas desprovido de pretensiosismo, ideal para refeições em família ou de negócios.

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Quanto ao Corso Bar, o seu ambiente cosmopolita e o seu piano fazem as honras da casa, ideal nos fins de tarde ou à noite, para desfrutar de um bom vinho ou de um cocktail enquanto nos deliciámos com a cidade toda iluminada.

Inconbudapest - 37

Serviços:
Não faltam os habituais de um hotel de luxo, como Room Service, Concierge, Limousine, transporte de e para o aeroporto, lavandaria, caixa de multibanco, possibilidade de trazer os animais, entre outros.

Como já referi, o InterContinental Budapeste é, por excelência, um hotel de negócios, por isso o primeiro andar apresenta 12 salas devidamente equipadas para receber entre 10 a 850 pessoas para congressos, conferências, ou casamentos e festas diversas.

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Quanto ao conforto e relaxamento, o hotel também não desilude, e por isso, também no primeiro andar, temos o Spa InterContinental, constituído por piscina aquecida, sauna, banho turco, ginásio aberto 24h por dia e uma série de salas individuais onde nos é permitido experienciar tratamentos de relaxamento inspirados nas tradições húngaras dos famosos banhos termais.

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Como não poderia deixar de vos relembrar (sei que o faço sempre que escrevo sobre o Grupo InterContinental!), para os clientes frequentes do grupo, o InterContinental Budapeste apresenta o Club InterContinental, com o seu agradável Club Lounge no 1º andar, com biblioteca, acesso à internet, jornais internacionais, fotocopiadora, bebidas frescas ao longo do dia, pequeno-almoço, e uma seleção de bebidas alcoólicas e petiscos ao final da tarde. Como já vos referi, em artigos anteriores sobre o grupo, por $200/ano têm acesso a este tipo de lounge, check-in e check-out privados e mais rápidos e up-grade na tipologia do quarto, em qualquer estadia nos hotéis do grupo.

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Atendimento:
Apesar de ser um hotel de negócios, com a típica azáfama sempre presente, a equipa está muito bem preparada (provavelmente muito bem habituada!) e responde às nossas necessidades sem qualquer problema.

Ajudaram-nos bastante na organização do nosso roteiro da cidade, com dicas importantes, somente possíveis de dar por aqueles que melhor conhecem a cidade, e sempre com toda a disponibilidade e sorrisos presentes no rosto.

O InterContinental Budapeste é já um marco hoteleiro na cidade, sendo há três anos consecutivos galardoado com a alta distinção do World Travel Awards de Hungary´s Leading Business Hotel, e ganhou, também este ano, o Hall of Fame, dado pelo Tripadvisor por se encontrar há cinco anos consecutivos com o Certificado de Excelência.

Além de todo este mérito, é, desde 2013, um hotel com certificado Green Globe, esta é a certificação global para o turismo sustentável. A certificação é reservada apenas para empresas e organizações que estão empenhados em fazer contribuições positivas para as pessoas e para o planeta.

Inconbudapest - 11m

Por tudo isto e muito mais, e por toda a nossa experiência em Budapeste, vos posso dizer que se o vosso próximo destino for esta magnífica cidade, não percam uma estadia no InterContinental Budapeste.

InterContinental Budapeste
Quartos a partir de 85€
Apaczai Csere J.U.,  12-14 – Budapeste
+36-1-3276333
budapest@ihg.com

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
Estivemos no InterContinental Budapeste a convite do Grupo IHC, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Budapeste – Tanti*

tanti - 5 Em Março de 2015 o Guia Michelin surpreendeu ao atribuir uma estrela a um restaurante aberto há pouco mais de meio ano, localizado fora do centro da cidade e sem a formalidade da maioria dos restaurantes estrelados. O Tanti fica num bairro residencial de Buda, fora dos holofotes do turismo e do circuito dos principais restaurantes da cidade, mas ainda assim a cozinha de Pesti István conseguiu surpreender os exigentes inspectores do Guia vermelho. Estranhamente, pouco mais de um mês depois de ser atribuído o galardão, o chef deixou o restaurante, passando a cozinha a ser controlada pelo jovem chef Oliver Heiszler a quem foi atribuída a responsabilidade de manter e moldar o sucesso do restaurante.

tanti - 6

Mas passsemos à nossa visita, depois de uma viagem de uber, chegamos ao restaurante, instalado na entrada de um espaço comercial, que surpreende logo à primeira vista pelo ambiente informal e minimalista como está decorado, transportando até si um pouco da atmosfera dos neobistros franceses. Sala luminosa, mesas despidas, cadeiras coloridas e uma equipa descontraída.

Já bem instalados é-nos proposto o menu de almoço de 3 pratos.

tanti - 3Um Porto Niepoort Branco 10 anos foi a nossa companhia nesta visita ao Tanti

tanti - 1Velouté de  Castanha  
Num dia frio e de chuva este prato foi uma reconfortante entrada de Outono, cremoso quanto baste, sabor delicado e acompanhado de lascas de castanha e cogumelos que funcionaram muito bem, quer a nível de textura quer de sabor.

tanti - 2Beterraba, alperce, queijo azul 
Uma entrada de apelo ao lado mais natural e fresco, com uma série de texturas e cocções do alguns tipos de beterraba, rabanete, com apontamentos mais doces de alperce e com uma espuma de queijo azul, cujo sabor mais intenso e a textura mais leve e sedosa acabou por ser uma excelente forma de ligar todos os elementos do prato. Muito, muito bom!

tanti - 9Ganso e cevada
Apelando às origens húngaras (a Hungria é um dos maiores produtores mundiais de gansos e foie gras), este foi um dos melhores pratos que provamos ao longo desta viagem pela Europa Central. Ganso excepcionalmente cozinhado, a desfazer e suculento, acompanhado com os seus miúdos e um excelente porridge de  cevada  com um creme onde se notava o precioso fígado do animal. Delicioso!

tanti - 10Ombro de Vitela, Couves
O corte é um flat iron steak, um dos menos nobres mas mais saborosos cortes do animal, muito bem cozinhado, tenro e saboroso. A acompanhar estava uma variação de couves e texturas entre a couve crua e a frita. Uma boa carne à qual faltou um pouco mais no acompanhamento, não tendo sido a couve, por si só, capaz de elevar o prato.

tanti - 8Pastinaca, marmelo e avelã 
Se em muitos restaurantes as sobremesas ficam àquem dos restantes pratos, aqui foi excepção. Um bom uso da filosofia do Tanti, com recurso a elementos que normalmente não encontramos nas sobremesas, como esta pastinaca em várias texturas, brilhantemente acompanhada por um ótimo gelado de avelã, marmelo cozido e um ótimo crumble com apontamentos de chocolate branco. Doce na medida certa, com um brilhante uso de texturas. Um grande prato.

tanti - 7Banana, espinafre, pêssego e crumble de pão 
Banana em gelado e em mousse, espinafre em pó e infusão(?), com pêssego caramelizado. Excelente combinação de sabores e texturas num conjunto fresco, com a doçura muito bem equilibrada. Grande final!

A harmonizar com a refeição estiveram dois vinhos do produtor húngaro Apátsági, o Hemina 2014 – um vinho de taninos finos assentes no Merlot e no cabernet franc, com um bom aroma a amoras e uma estrutura elegante sem grande história, o que permitiu aos pratos leves sobressair. E um Pinot noir, também ele muito marcado pela fruta vermelha e taninos leves.

O Serviço é bastante informal, por vezes até demais, com a simpatia a não ser uma constante entre toda a equipa.

No final, e para celebrar uma cozinha de excelente qualidade, presenteamos o chef com uma garrafa de vinho do Porto Branco Niepoort de 10 anos que promete competir com os melhores Tokaji.

Considerações Finais 
Se um restaurante consegue surpreender tudo e todos ao conseguir uma estrela michelin em apenas 6 meses, o mesmo se pode dizer da saída de um chef pouco depois dessa conquista. Ainda assim a estrela é atribuída ao restaurante e não ao cozinheiro, pelo que cabe à cozinha do Tanti, agora nas mãos do jovem Oliver Heiszler, manter esse estatuto. Ainda que não tenhamos provado o menu de degustação e assim percebido todas as ideias do chef, ficou bem patente nos pratos que provamos que capacidade e ousadia não lhe faltam. Os pratos apresentados são de grande rigor técnico, com ingredientes locais, e uma apresentação com um toque de influência nórdica muito bem conseguida.  A localização é um dos handicaps do restaurante, mas para quem está disposto a perder 15/20 minutos num carro, a comida mais do que compensará a visita. Nota alta também para as loiças apresentadas e para os preços praticados, que serão dos mais em conta dentro do universo do guia vermelho. O Menu de 3 pratos ao almoço custa menos de 20 euros, por exemplo.

De visita obrigatória para quem gostar das novas roupagens da cozinha internacional e da conjugação entre o ambiente informal e pratos de fine dining.

Tanti
Apor Vilmos, tér 11-12 (Hegyvidéki shopping centre9 – Budapeste
(+36) 20 243-1565
tanti@tanti.hu

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 Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
Porto Niepoort Branco 10 anos com o apoio da Niepoort.
Estivemos no Tanti a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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10 Presentes de Natal para Apaixonados por Gastronomia e Viagens

O Natal está a aproximar-se a passos largos e com ele o último fim de semana de compras, pelo que ainda vão a tempo de conseguir aquele presente especial para um amigo ou familiar apaixonado por viagens e gastronomia.

Le Creuset – Tacho cocotte 28cm

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A famosa panela de Ferro Fundido é certamente um dos sonhos de quem gosta de passar horas na cozinha a aprimorar os seus pratos. Um presente intemporal que promete melhorar, e muito, os cozinhados lá de casa. À venda a partir de 250€.

Macbook Air 

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O elegante e leve computador da Apple é a companhia perfeita para quem, como nós, viaja bastante e não se pode distanciar do trabalho e das tecnologias. À venda a partir de 1029,63 €.

Espumante Real Companhia Velha 

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Champanhe será sempre champanhe (ou pelo menos algumas marcas), no entanto estamos num país em que se fazem cada vez melhores espumantes, como é o caso deste vinho da Real Companhia Velha feito com Pinot Noir e Chardonnay da Quinta de Cidra. Um espumante intenso e muito bem feito com sabores raros para um espumante do Douro. À venda a partir de 19,50 €.

Livro – Modernist Cuisine at Home

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Existem foodies e foodies, e existem livros e livros. É certo que um livro de gastronomia é sempre uma boa prenda para os apreciadores, mas o Modernist Cuisine at Home é o Santo Graal dos livros, numa fusão perfeita de ciência e gastronomia com as melhores fotografias dos últimos anos. Versão Inglesa a partir de 100€, Versão Portuguesa a partir de 140€.

Faca de Chef Global

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Não, elas não são só famosas por serem as facas do Masterchef Austrália, elas são mesmo as melhores facas do mercado de retalho, utilizadas por cozinheiros e entusiastas da cozinha em todo o mundo. À venda a partir de 100€

Sony A7s

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É a máquina que utilizamos na nossa última viagem pela Europa Central, pelo que se revelou uma opção certeira para o nosso trabalho. Leve, mais pequena que uma DSLR, com uma capacidade única para fazer vídeo e uma impressionante qualidade fotográfica com destaque para os seus imbatíveis níveis de ISO. À venda a partir de 2700€.

Niepoort Coche 2013

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Felizmente nos últimos anos têm sido produzidos em Portugal excelentes vinhos brancos, desde os Alvarinhos de Monção, Melgaço aos Bairrada e aos interessantes Encruzado do Dão. O Douro tem também muitos e bons vinhos brancos, grande parte deles saídos da casa Niepoort, este Coche, com toda a sua profundidade, volume e harmonia arrisca-se mesmo a ser o Grande vinho Branco da Região, pelo que não deve faltar em nenhuma garrafeira. À venda a partir de 55€.

 Espiralizador Super Spirali

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Com a moda das cozinhas sem glúten e Paleo, o espiralizador torna-se um elemento chave para transformar muitos legumes e frutos em formatos que normalmente associamos apenas a massa. A courgette nunca mais será a mesma! À venda a partir de 27€.

Mala Tumi Tegra-Lite Continental 

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Quem está habituado a voar sabe a dificuldade que se vive com as malas, do tamanho à resistência, do peso à facilidade de transporte. Esta Tumi é indicada para quem faz um sem número de voos, indicada para transportar na cabine, prima pela elegância e durabilidade. À venda a partir de 545€

Quinta do Vesuvio Vintage  2013

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É certo que tendo em conta a maioria das sobremesas de Natal o Porto mais certeiro para as acompanhar seria um Bom Tawny de 20 anos, mas estamos a falar de presentes (grandes presentes), por isso não poderia faltar um Vintage na equação. Depois do fantástico ano de 2011, seguem-se os Vintage de 2013 onde este Quinta do Vesuvio 2013 se destacou entre os que provei, um vinho de cor profunda, repleto de fruta escura e nuances de violeta no nariz (fruto da predominância da Touriga Nacional). Potente, intenso e com uma boa mineralidade. À venda a partir de 65€.

 Aqui estão 10 presentes de Natal que podem servir de inspiração para futuras compras ou desejos!

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Budapeste – És Bisztró

esbiztro - 1 Uma parceria entre o luxuoso hotel Kempinski CorvinusRoy Zsiday, um importante restaurateur de Budapeste, deu origem, em Abril de 2013, ao És Bisztró.

“És” significa “e” em Húngaro, uma expressão que recria bem o conceito que se quis implementar no espaço, criando um ambiente que mistura a descontração de um Bistrô francês com uma Steakhouse americana, um Deli e uma coffeeshop, tudo com detalhes de bom gosto.

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A decoração foi extremamente bem conseguida nessa junção de elementos nem sempre fácil de imaginar em conjunto. Um bom uso da madeira, com as paredes brancas, forradas com motivos de animais e lettrings animados e cativadores.

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No balcão uma elegante câmara frigorífica exibe, quase que como peça chave de decoração, os vários cortes de carnes saturadas que servem com detalhe e rigor.

esbiztro - 8Ver uma faca Languiole sobre a mesa é sempre sinónimo de que algo de bom irá acontecer, ou quase!

Já bem instalados, numa ampla e confortável mesa, somos recebidos com uma boa manteiga à temperatura certa e um invulgar pão, acabado de cozer, feito em formas de barro semelhantes a um vaso.

esbiztro - 7Charcutaria tradicional húngara, foie gras e queijo de cabra 
Para começar a nossa viagem por Budapeste nada melhor do que provar algumas das suas tradições, sendo a charcutaria e o foie gras um dos seus ex-libris. Bom presunto e chouriço, bastante semelhante, no tempero, ao produzido em Espanha, ou não fossem os Húngaros loucos por Paprika. Boas também a terrina de pato e o delicado foie de ganso, assim como o queijo fresco de cabra que os acompanhou. Um excelente início!

A harmonizar esteve um branco leve e fresco da região de Tokaji, o Mad’ 2014 da casta Furmint com uma excelente mineralidade, própria das vinhas da vila de Mad.

esbiztro - 6Tafelspitz
Para prato principal, uma das importações que os húngaros fizeram durante os tempos do Império Austro-Húngaro, o Tafelspitz, um prato de conforto, servido no És a três tempos, com direito a pompa e circunstância. Primeiro consumimos o caldo de carne, límpido, sem marcas de gordura e repleto de sabor! Bons também os legumes cozinhados no ponto que o completavam. Delicioso!

Para 2ª parte, retiramos a Medula do tacho e barramos sobre uma fatia de pão torrado. Perfeito!

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Para terminar, a carne cozida com batata rosti, creme de espinafres e um molho de rábano-picante com maçã. Não sou propriamente fã de vitela cozida, pelo que não fiquei seduzido por esta última parte, ainda que tivesse bom sabor e não tivesse demasiado cozida, como é costume acontecer. Nota alta para os acompanhamentos.

No copo, tivemos um Syrah de 2011, Sauska. Um vinho de aromas complexos e notas picantes com taninos redondos e  um final longo.

esbiztro - 4Chocolate “Rigó Jancsi”
Para finalizar uma já farta e longa refeição, uma mousse de chocolate inspirada num tradicional bolo húngaro que por sua vez rouba o nome a Rigó Jancsi, um músico cigano que viveu uma paixão ardente com Clara Ward, princesa de Caraman-Chimay. Mousse leve e bem preparado, com açúcar a ser muito bem balanceado com a frescura das framboesas em 3 texturas, frescas, em molho e esferas. Um belo Final!

O serviço é casual e divertido, com tempo para uma ou outra piada e uma ou outra lição sobre a história e a cultura da gastronomia húngara.

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Considerações Finais
O És Bisztró consegue a proeza de levar a um hotel de luxo a informalidade e uma atmosfera relaxada sem descorar a qualidade da sua oferta. Os pratos servidos são uma boa fusão entre a gastronomia húngara e as novas tendências das steakhouses e dos bistrôs. É sem dúvida um dos espaços a considerar para quem visita Budapeste e quer associar a alta cozinha a um ambiente relaxado, bem no centro da cidade.

És Bisztró
Deák Ferenc utca 12, Hotel Kempinski Corvinus – Budapeste
(+36-1) 429 3990
info@esbisztro.hu

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 Fotos: Flavors & Senses com a Sony A7S

Nota
Estivemos no És Bisztró a convite do Grupo Kempinski, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Niepoort apresenta Philippe Pacalet

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Aproveitando o seu mais recente contrato de importação através do site a Niepoort-projectos, a Niepoort decidiu convidar alguns clientes e amigos para um jantar no Restaurante Pedro Lemos (*Michelin) com os grandes vinhos da Borgonha de Philippe Pacalet.

Philippe Pacalet é um daqueles produtores com alma de vigneron, descendente de uma família com ligações centenárias ao vinho, foi lógico para ele formar-se em enologia. Depois de trabalhar com uma série de grandes nomes do vinho francês instalou-se,  em 2001, em Beaune, a partir de onde lançou o seu projeto com o sonho e a vontade de mostrar o terroir em cada um dos seus vinhos sem máscaras e artifícios.

Hoje produz cerca de 50.000 garrafas em cerca de 10 hectares de vinhas orgânicas espalhadas pelas melhores áreas da Borgonha.

Bem instalados, na reformulada sala do Pedro Lemos, começamos o jantar/prova com um Redoma Branco de 1996 em garrafa magnum, que veio provar que os bons brancos do Douro têm tudo para envelhecer e apresentar notas únicas.

plniepoort - 16Polvo, choco
Para começar a degustação Pedro Lemos mostrou o novo rumo que está a dar à sua cozinha, pratos autênticos, em jeito de “comida de Tacho” reinterpretada. Um excelente tentáculo de polvo guisado em borras de vinho do Porto e um choco levemente grelhado cuja textura impressionava pela delicadeza. Excelente conjugação, onde a presença dos rebentos (quase sempre dispensáveis), coentros neste caso, veio acrescentar frescura ao conjunto. Um belo início!

A acompanhar esteve um Puligny-Montrachet 2011, um branco 100% Chardonnay de grande elegância com um toque de lima e uma mineralidade que impressiona.

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plniepoort - 6Caldo de Legumes
Um Porto Quinado velho da Niepoort – um vinho feito à base de Tawnys menos nobres aos quais era adicionada quinina e posteriormente enviados para o Ultramar com o fim de servir como remédio para a malária – serviu de mote ao chef para nos apresentar  um outro “remédio”, um elegante e intenso caldo, bem acompanhado por legumes baby, onde sobressaiu o funcho ligeiramente tostado com as suas notas de fumo que harmonizaram muito bem com o vinho.

Quanto ao Quinado Velho, um vinho que nunca havia provado, somos facilmente transportados quase que para um vermute, com uma intensidade aromática bastante elevada devido à quinina e a um sabor quase medicinal. Mas não, não cura a malária!

plniepoort - 5Espadarte, tártaro de tomate
Um belo e portentoso Espadarte dos Açores que Pedro Lemos foi “maturando” na sua cozinha, apresentado em cru, com diferentes cortes e texturas, sobre um simples e bem preparado tártato de tomate. Um prato que poderia ser servido a qualquer mestre japonês, dada a elegância e subtileza com que sabores e texturas se foram apresentando na boca. Um grande prato!

Para a acompanhar a leveza deste prato tivemos um  Grand Cru de Corton-Charlemagne de 2011, floral e complexo com uma boca repleta de sabor.

plniepoort - 13Cogumelos silvestres, Queijo da Ilha (30 meses)
Um bom preparado de cogumelos, à base de boletus, com um caldo saboroso e brilhantemente elevado por uma espuma de queijo da Ilha com 30 meses de cura cuja intensidade de sabor e aroma se revelaram uma grande companhia para os cogumelos.

No copo esteve um elegante 1er cru de Chambolle-Musigny 2011, um pinot noir de extrema elegância, em que se percebe a sua origem com as notas do calcário e um nariz bastante floral.

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plniepoort - 4Steak au Poivre 
Para recriar um clássico, Pedro Lemos substituiu o bife por um lombinho de porco preto com uma cocção harmoniosa e irrepreensível. Boas também as chips, crocantes e sem vestígios de gordura. O molho era delicado e bem conseguido, no entanto pouco intenso para sobressair junto do vinho que o acompanhou.

Vinho esse, o Porto Bioma Vintage de 2013, um dos melhores vintages de 2013 que provei até ao momento, cheio de vivacidade e potência com a elegância característica da Niepoort.

Depois de sabores intensos e fortes que são difíceis de esquecer e retirar do palato, foi tempo de o limpar, antes de passarmos aos pratos principais, no entanto aqui a responsabilidade não recaiu sobre o Chef, mas sim sobre Nina Gruntkowski e os seus chás Camélia, desta feita com o mizudashi, um chá frio e refrescante que tem como característica essa limpeza do palato que tanto se precisava.

 plniepoort - 3Garoupa de Linha, legumes assados
Pescado de excelente qualidade, cozinhado de forma a transportar-nos para os habituais peixes assados no forno, tão apreciados pelos portugueses. Boa cocção, ainda que pelas dificuldades do serviço a pele já não estivesse crocante como deveria, legumes saborosos e com excelente textura e um caldo fantástico que apetecia continuar a comer/beber sem parar. Muito bom!

Para harmoniar tivemos o Grand Cru de Corton-Charlemagne 2007 em magnum, extraordinária mineralidade, complexidade de aromas e sabores, cum uma bela longevidade para quem os conseguir guardar.

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 plniepoort - 17Rabo de Vitela Mirandesa, Foie Gras, aipo e trufa 
De aparência simples, este prato conquistou todos os que o provaram, um rabo de vitela apresentado em jeito de terrina com foie gras fresco. Um prato quase obsceno, com a combinação do sabor da vitela com a untuosidade do foie e o molho do estufado da vitela, tecnicamente irrepreensível, com a castanha a dar algum hidrato e crocante ao prato e o aipo a trazer frescura. Delicioso!

No copo esteve o Bairradino Poeirinho em garrafa Magnum de 2012 da Niepoort, e um Pommard 2009. Duas belas expressões do seu terroir, ambos de solo argilo-calcário com a baga e o pinot a proporcionarem-nos dois vinhos de grande frescura com o “jovem” Poeirento a mostrar uma acidez que impressiona.

plniepoort - 10Banana, alfazema e sagu
Desde que conheço a cozinha de Pedro Lemos que esta sobremesa faz parte do seu repertório, com uma ou outra alteração a presença da sobremesa de banana da Madeira é quase uma constante no chef. É certo que sempre a apreciei, mas desta vez a afinação  chegou ao seu ponto máximo e estava melhor do que nunca. quer na apresentação quer na composição e sabor. Um bom jogo de texturas de banana muito bem conjugado com o sagu em vinho do Porto e o aromático crumble de alfazema.

Se a sobremesa estava em alta, não poderia faltar o seu belo par para terminar a refeição, o vinho do Porto, com um Vintage Niepoort de 1978 em garrafa magnum.  A mais luxuosa e sedutora forma de finalizar uma memorável refeição!

Houve ainda tempo para provar um  Nuit-Saint-Georges 2002 de Pacalet. Um Pinot Noir que nos mostra a bonita forma como estes vinhos envelhecem.

Quando aos vinhos de Philippe Pacalet, são de facto especiais, puros e afinados. Vinhos de uma elegância extraordinária com uma invulgar demonstração do Terroir, com cada um dos seus vinhos a demonstrar, como muito poucos, a genuinidade da terra de onde vêm, e neste caso, que terra!

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A distribuição dos seus vinhos por parte da Niepoort Projectos torna-se óbvia quando olhamos para o percurso, a ideologia e ouvimos Philippe Pacalet a falar sobre os seus vinhos, é como ouvir Dirk Niepoort, os seus desejos e o perfil que quer nos seus vinhos. Como diz a célebre frase “Grandes mentes pensam igual!”

Não posso finalizar o artigo sem uma palavra de apreço a Pedro Lemos, que depois de uma fase conturbada da sua carreira conquistou uma estrela Michelin, foi eleito o Chef do Ano e venceu o Restaurante do Ano nos prémios “Flavors & Senses – Os melhores para 2015″, remodelou o seu espaço e reformulou a sua cozinha, mais autêntica e saborosa do que nunca!

Niepoort-Projectos

 Fotos: Flavors & Senses 

Nota
- Estivemos na apresentação dos vinhos de Philippe Pacalet a convite da Niepoort, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Vinum “III Jornadas do Boi de Trás-os-Montes”

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Mais um ano e mais uma edição do “festival” gastronómico do  Vinum, o restaurante da Graham’s Port Lodge operado em parceria com o grupo basco Sagardi, que traz até aos seus clientes as “Jornadas do Boi de Trás-os-Montes”. Um evento que consiste na celebração (perdoem-me os vegans e vegetarianos mas acho que celebração é a palavra certa) e na apresentação de uma carne única, a carne de Boi velho (13 anos e mais de 1300 kg) que este ano conseguiram encontrar na fronteira entre o Minho e Trás-os-Montes, depois de uma longa e intensa tentativa de persuadir o Sr.  Armindo Soares (82 anos) a vender os animais que ao longo dos anos foi tratando como família.

Boi2015 - 7Um Costeletão que impõe respeito

A criteriosa escolha foi mais uma vez levada a cabo por Imanol Jaca, o mais reputado fornecedor de carnes da Península Ibérica e Inaki  Viñaspre, o timoneiro do grupo Sagardi.

Boi2015 - 8 Inaki  Viñaspre

Depois de uma recepção com Porto tónico e uma simpática salada de bacalhau em jeito de finger food, lá se partiu para as mesas onde mais uma vez já brilhava o  fantástico pão do Vinum (que continua invicto enquanto melhor pão da cidade)  e o azeite da Quinta do Ataíde. Seguiu-se o único branco produzido pelo grupo, o jovem e descomplicado Altano Branco 2014.

Boi2015 - 6Alheira, tosta e pimentos 
Para começar o menu destas jornadas, um dos ícones da gastronomia transmontana, a alheira, sem grandes preparos como manda a tradição, simplesmente bem grelhada sobre uma tosta de pão e uns pimentos a abrilhantar o sabor.

 Boi2015 - 5Bacalhau, Feijão branco e Amêijoa 
Uma apadalada e saborosa sopa de feijão branco com amêijoa e bacalhau de meia cura. Cocções no ponto, com uma delicada e interessante conjugação entre o sabor a mar e o gosto mais terreo do feijão. Um belo início!

A acompanhar esteve um não menos interessante Pombal do Vesúvio 2011.

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Boi2015 - 2Enquanto isso, na cozinha…

Boi2015 - 3Costeletão de Boi, pimentos de piquillo assados
E eis que surge o rei da festa, o motivo por todos estarmos reunidos no Vinum, o costeletão de Boi. Carne estupidamente deliciosa, sem segredos na sua preparação, sal e um afinado domínio da grelha. Sabor delicado e macio, com uma gordura ( sim senhores nutricionistas, dietistas, vegans e afins) de chorar por mais. Este ano e provavelmente devido ao porte, idade e também qualidade do animal os sabores lácteos e herbáceos que os Bascos tanto prezam na maturação da carne foi ainda mais visível que nas edições anteriores. Sem dúvida foi a melhor carne que já surgiu nestas jornadas. Tanto que no final e com o restado mesa meio envergonhada lá tive de me agarrar ao osso e aproveitar ao máximo tudo aquilo que este belo animal nos proporcionou. Nota alta para o acompanhamento que já se vem tornando uma tradição, uns verdadeiros pimentos de piquillo assados, cuja doçura equilibrava na perfeição com a carne.

No copo a companhia também não poderia ser melhor, com um excelente e elegante Quinta do Vesúvio 2012, a mostrar que ano apôs ano os vinhos DOC do Vesúvio se começam a mostrar como um dos grandes vinhos do Douro.

Seguiram-se os queijos nacionais, com Queijo da serra e alguns queijos curados e de meia cura, mas o destaque vai para o Stilton de qualidade rara e impossível de encontrar. Como companhia não poderia faltar o Porto, com um Vintage da Graham’s, desta feita de 1977, um dos anos históricos da casa que se apresentou em grande forma, com um nariz sedutor e uma boca que nos enchia as medidas – um vinho que ainda tem muito para oferecer.

Na sobremesa foi a vez de um bolo de chocolate com uma Mousse de Chocolate e Café acompanhado de gelado de Baunilha.  Um final simples e bem preparado, do qual dispensava a adição de café.

Entre conversas lá se foi finalizando o Porto enquanto se desejava que no próximo ano o Sr. Armindo Soares aceita-se vender mais uma parelha dos seus tão estimados animais!

Se ficaram curiosos e querem provar esta carne saibam que o menu (93€ sem vinhos) está a terminar pelo que o melhor é apressarem-se!

Restaurante Vinum 
Rua do Agro nº 141 (Graham’s Port Lodge), Gaia
+351 220 930 417

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 Fotos: Flavors & Senses 

Nota
- Estivemos na apresentação das III Jornadas do Boi de Trás-Os-Montes a convite da Symington, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Casa Inês

casaines - 1A história da Casa Inês é recente, nasceu em 2012 depois de uma dissidência entre os herdeiros da mítica Casa Aleixo junto à estação de Campanhã.

Se o pai Ramiro há 50 anos tornara famosos os filetes de pescada (que diariamente escolhia na Póvoa do Varzim) e os filetes de polvo acompanhados de arroz de polvo, foi Inês que depois da sua morte assegurou que as receitas do pai e a tradição de família não passariam em falso, da sala do Aleixo passou para a cozinha e de mangas arregaçadas continuou a cozinhar da mesma forma que sempre viu o pai trabalhar.

Um trabalho árduo na defesa da tradição que hoje, volvidos uns 40 anos, continua a laborar, só mudou o número da porta e, claro, o nome, 1º Inês do Aleixo e depois Casa Inês, mantendo-se fiel à mal tratada região de Campanhã, a dois passos da estação que outrora ligava o Porto ao mundo.

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E é desta forma que nos sentimos quando entramos no seu restaurante, em casa! Saudações calorosas e uma simpatia única das gentes do norte, Germano (o marido de Inês) é o cicerone, habituado a ler os clientes e as suas vontades, pelo que já na mesa, a carta é quase desnecessária.

Da decoração não há muito a dizer, é o típico restaurante tradicional da cidade do Porto, com as suas paredes de granito e cadeiras de madeira, com imagens antigas da cidade a preencher as paredes, mas bom, ninguém entra aqui pelo glamour ou cosmopolitismo.

casaines - 8Bolinhas de Alheira, agridoce de abóbora 
Depois de uma boa broa de Avintes, chegaram à mesa as entradas. Começando por estas bolinhas de alheira, um formato pouco tradicional de vender a alheira e que se será certamente o prato mais “moderno” do cardápio da Inês. Fritura irrepreensível e recheio delicado, numa boa combinação com o agridoce (ainda que este pudesse ser um pouco mais intenso). Um Bom presságio para o que se iria seguir!

casaines - 7Bolinhos de Bacalhau, salada de feijão frade
Este é um dos meus pratos de conforto favoritos, pena que hoje seja tão difícil comer bons bolinhos de bacalhau nas mesas portuguesas (para não falar dos crimes  que se cometem num badalado local da capital). Mas isso não acontece na Casa Inês, bolinhos pequenos e bem fritos, fofos e leves, com a proporção certa entre batata e bacalhau. A salada estava também no ponto, com o vinagre certeiro.

casaines - 6Petingas de Escabeche 
Um clássico delicioso que dá vontade de comer sem parar enquanto o pão vai limpando o molho do prato. Texturas correctas e o bom sabor dos pimentos e cebola a sobressair. No vinagre, o molho estava certeiro para 99% dos comensais, no meu caso podia estar ainda mais vivo.

casaines - 5Filete Polvo com arroz de polvo (15€)
Passando ao primeiro prato, surge na mesa o afamado filete de polvo. Aqui vemos mais uma vez a forma como Inês e a sua equipa dominam impecavelmente a fritura, com um polme dourado sem vestígios de óleo. Polvo tenro e de excelente qualidade, acompanhado por um arroz solto feito com a água de cozedura do polvo e os seus pequenos tentáculos. Muitos gostariam de ver um arroz malandro a acompanhar o filete, mas aqui é assim e vai continuar a ser, para meu gáudio, é certo! Perfeito!

casaines - 4Vitela Assada, batata assada, grelos e arroz branco (16€)
Se é condição Sine qua non a técnica de fritura roça a perfeição, parece que o domínio das temperaturas do forno não lhe fica muito atrás, a vitela estava irrepreensível, cheia de sabor, suculenta e tão tenra que se poderia comer à colher (e não, não era bochecha).

casaines - 3Rabanada e Aletria
Se até aqui há clientes que, por um ou outro motivo (até mesmo insatisfação crónica), ainda não estavam convencidos da qualidade  da Casa Inês, chegada a Aletria qualquer um é levado aos céus! Cremosa, com ovo na medida certa e sem excessos de açúcar, com a massa no ponto. Sem dúvida a melhor que já comi fora de casa (provavelmente em casa também, mas gosto sempre de me considerar um bom cozinheiro!).

Com a rabanada voltamos à Terra, com uma capa crocante e um interior húmido cheio de pecado e sabor.

Pois é, na Casa Inês é Natal todos os dias!

O Serviço é adequado ao espaço, com uma delicadeza e genuinidade que nos fazem sentir em casa e em família enquanto nos regalamos com boa comida de conforto.

Considerações Finais 
A Casa Inês foi um dos justos nomeados para Restaurante Tradicional nos Prémios “Flavors & Senses – Os Melhores para 2015″, fazendo valer muito mais do que esse título ao longo dos anos de trabalho. A forma quase Asiática com que se dedica a fazer, diariamente, meia dúzia de pratos fazem com que os domine como ninguém, das cozeduras à fritura, passando pelo forno e, claro, a qualidade dos produtos, tudo é executado ao detalhe. É certo que não é um restaurante acessível ou para frequentar todos os dias (a balança não permite!), mas aqui não se paga só um prato, paga-se uma vida de entrega a uma tradição, história e ingredientes de excelente qualidade. E isso, tendo em conta o actual panorama da restauração, é raro, muito raro!

Esta é, sem dúvida, uma das casas imperdíveis para quem quer “comer o Porto”!

Casa Inês
Rua de Miraflor, 20 – Porto
225 106 988
casaines.restaurante@gmail.com

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 Fotos: Flavors & Senses 

Nota
A Refeição descrita foi oferecida pelo Casa Inês, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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PROVA – Terra E Vinho – Carmelo & Diogo

Carmeloediogo - 19No passado já vos havia falado sobre o PROVA, o nosso Wine Bar favorito na cidade do Porto, que serviu este ano de palco aos prémios Flavors & Senses – Os Melhores para 2015

Pois bem, o Diogo (proprietário, faxineiro e faz tudo!) é um tipo irreverente, que vê o vinho com os olhos de uma nova geração de enólogos, escanções e enófilos, procurando satisfazer não só os gostos dos clientes, mas também educá-los e mostrar que o vinho não é estanque e que paradigmas são coisas do passado.

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E porque tipos irreverentes tendem a tornar-se amigos, o Diogo juntou-se ao Carmelo (um espanhol de sotaque português que faz parte da equipa de enologia da Niepoort) para lançar um evento chamado Terra e Vinho em que apresentam vinhos ditos “diferentes”, outros mais raros e menos comerciais e outros de regiões vinícolas internacionais, pouco ou nada conhecidas em Portugal.

À chegada, por volta das 19h, percebemos que a festa prometia, ao sermos recebidos por um Tinto de 1969 da região de Colares.

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Depois seguiu-se um desfile de vinhos brancos e regiões, do Tschanz Nobling, 2014,  de Twanner na Suiça, com uma bela acidez, e direito a apresentação pelo seu enólogo, ao Granito Cru 2013, o Alvarino que Luís Seabra começou a produzir na região de Monção Melgaço e que é sem dúvida um dos melhores vinhos da região. Passando por um Chardonnay de 2013 de Mâçon-Villages, o bonito e elegante Les Sardines, e a revolucionária Bairrada de Dirk Niepoort, com o Lote D de 2013, e o já lançado VV de 2013 com Maria Gomes e Bical num lote de vinhas velhas que mostra todo o potencial da região, e que os brancos da Niepoort são de uma outra liga.

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Tudo isto entre outros excelentes vinhos brancos, de castas tão dispares como o Chardonnay ou o Palomino fino e novidades/previsões daquilo que será o futuro branco da Niepoort, com estágio em Ânfora.

E porque uma boca não se satisfaz apenas com vinho (algumas pelo menos), foram sendo servidos ao longo da prova uma série de pequenos snacks, para aconchegar o estômago – não faltaram crepes chineses com molho agridoce, bolinhos de bacalhau, tostas com pasta de fígados e espetadas caprese.

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Passando aos tintos, as viagens não foram menos extensas que nos brancos, um belíssimo Merenzao 2013 de Algueira na Ribeira Sacra, o Conciso 2012 – o vinho de topo da Niepoort no Dão, um vinho fácil mas simultaneamente complexo que mostra todas as capacidades da região. Seguiu-se França, com vinhos da Côtes du Rhône e  Chateauneuf du Pape, a Bairrada, mais uma vez pela mão da Niepoort, a Suíça e a Espanha.

A acompanhar não faltaram mini-pregos e um estufado com puré de batata, para finalizar, surgiram umas espetadas de abacaxi e um delicioso brownie de chocolate.

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Em suma, podemos dizer que o evento foi um grande sucesso, não pelo número astronómico de presenças (não é de todo o que se pretende) mas pelo espírito informal e de aprendizagem que o vinho precisa de adquirir, numa atmosfera única, criada por apaixonados para apaixonados pelo vinho.

Um evento que certamente se repetirá ao longo de 2016, pelo que o melhor é estarem atentos ao Facebook do PROVA.

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