Locanda del Molino

Uns dias livres são sempre uma boa desculpa para uma rápida visita a Itália, mais propriamente aos vales e encostas encantados da Toscana. Como gosto de acreditar que é sempre bom voltar onde já se foi feliz, regressamos à encantadora cidade de Cortona para mais uma estádia no Relais Il Falconiere (ver).

Na ânsia de uma cozinha tradicional, bem ao jeito das avós italianas, acabamos a noite na Locanda del Molino, um pequeno restaurante e hotel de charme, também ele pertença da família Baracchi. 

Localizado no antigo lagar de azeite da família, o espaço é um hino à boa recuperação italiana, mantendo bem as suas raízes e traça histórica, num espaço confortável em que apetece estar e efectivamente nos sentimos na verdadeira Toscana.

Mas passemos ao que nos levou até ali, una vera cucina italiana. A surpresa começou rápido, chegados ainda cedo ao restaurante, somos apanhados a meio de uma aula sobre pizza para os hóspedes da Locanda, que decidimos também nós abraçar.

Espanto maior só quando a Cíntia nos brinda com a sua primeira pizza!

 A Cíntia e a sua 1ª Pizza

Entre fatias de pizza, copos de vinho e algumas dicas sobre a massa e o trabalho no forno, lá seguimos para a mesa.

Pão e azeite na mesa, ou não estivéssemos num antigo lagar de azeite, enquanto vamos escolhendo os pratos que viriam a revelar-se numa escolha acertada.

Flor de curgete recheada com ricotta e molho de manjericão 
E não podíamos começar de uma forma mais italiana e irrepreensível, ótimos flores com recheio na medida certa e as notas do manjericão e do azeite que elevam o conjunto. Muito bom!

Tagliatelle com ragù de coelho e Tagliolini rosa com molho de parmesão e trufa preta
Na dificuldade de escolher entre as pastas frescas optamos por partilhar duas. E em boa hora o fizemos, ambas cozinhadas no ponto, com nota especial para o delicado e saboroso ragù de coelho, nada seco e cheio de nuances, e para o sabor rico e generoso do molho de parmesão e trufa.

Ossobuco com ervilhas e pancetta
Para o secondi, optou-se por um prato de tacho, também ele em bom nível de sabor e cocção. Carne a desfazer e ainda suculenta, bem acompanhada pela combinação clássica de ervilhas e pancetta.

Crostata de amora e pinhões 
Uma tarte de aspecto rude e bem familiar é o que se pede num espaço como a Locanda del Molino. Ótima no sabor do recheio de amora e pinhão, pecou pelo excesso de massa que lhe serve de base. Mais fina e teria sido um êxito!

Tiramisù
Uma sobremesa pouco toscana, mas vá estamos em Itália, equilibrado na presença do café e com um creme de mascarpone de alto nível. Acompanhou estranhamente bem com as fatias de maçã que o acompanhavam e equilibravam na frescura e doçura. Um ótimo final!

A mesa bebeu-se um Syrah Smeriglio da família Baracchi, um DOC de Cortona, de cor intensa, e de nariz bem vincado, com notas de especiarias, frutos vermelhos e algum café e baunilha. Na boca segue o mesmo padrão, com uma boa persistência e riqueza de sabor a frutos. Uma boa companhia para os pratos de sabores mais ricos como foi o caso do nosso jantar.


Serviço amigável e familiar, sem pressas ou momentos de stress, bem à italiana, que nos fez sentir como parte da casa num jantar de família.

Considerações Finais 
A Locanda del Molino é um ponto de paragem obrigatório para quem passa por aquela zona da Toscana, seja para dormir, ou como nós, para ter uma refeição ao bom jeito das avós. O ambiente é autêntico assim como os pratos criados por Silvia Baracchi (*Michelin, no Relais Il Falconiere).  Os preços praticados são justos pela qualidade da cozinha e dos produtos o que nem sempre é fácil de encontrar em espaços muito frequentados por turistas.

Agora só me resta voltar a Cortona e continuar a ser feliz!

Locanda del Molino
Preço Médio: 30€ por pessoa sem vinhos
Località Montanare 10, Cortona
+39 0575 614 016

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Fotos: Flavors & Senses

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Lausanne – o que não perder na mais bela cidade da Suíça!

Lausanne foi fundada pelos Romanos à beira do lago no século I. Mais tarde, a população viria a descolar-se para as colinas onde estariam mais seguros.

Aqui fica atualmente a bonita e mágica Cidade Velha (Vieille Ville).

É uma das cidades mais bonitas da Suíça e um dos principais centros da cidade económica e cultural da Suíça Francófona.

Estivemos em Lausanne apenas três dias, que chegaram para que nos apaixonássemos por cada detalhe.

O que não pode perder nesta cidade que embeleza o norte do Lago de Genebra?

Estadia no Lausanne Palace
Um hotel memorável com um requinte sem igual, e ao qual pretendo voltar no futuro! Mas sobre essa experiência falo-vos mais aqui.

Tour Bel-Air e Salle Métropole
O edifício que confere à cidade um toque cosmopolita, e que tanto deu que falar na altura da sua construção!
O arquiteto Alphonse Laverrière quis dar um toque de Wall Street em Lausanne e então construiu em 1931 o primeiro arranha-céus da cidade, mas a população na altura insurgiu-se contra (e muito bem, na minha perspectiva) pois temia que este passasse a altura da catedral e pelo facto de wall street ser um dos epicentros do crash económico.

No entanto, hoje em dia é um dos principais cartões postais da cidade.

Eglise St-Laurent
A fachada é o único exemplar de arquitetura neoclássica da cidade.
Uma igreja protestante construída entre 1716-19 sobre as ruínas duma igreja muito antiga do século X.

Place de la Palud
Umas das mais bonitas praças da cidade, onde se localizam o Município de Lausanne de estilo renascentista, e a Fontaine de la Justice do século XVI.
Aqui é onde se sente pulsar a vida da cidade como se lhe pertencêssemos.
Todas as quartas e sábados há mercado de rua e uma vez por mês a praça enche-se de artesanato.

Vale um bom tempo passado aqui simplesmente a apreciar a vida!
Para lá da fonte tem uma modesta escadaria de madeira – Escaliers du Marché – que vai dar a outra escadaria que sobe até ao mais bonito ponto da cidade, a Cathédral Notre-Dame.

Cathédral Notre-Dame
Para mim foi o ex libris da visita a Lausanne. Admito que a sorte esteve do meu lado, como já é habitual! Decidimos subir até à Torre e durante os bons minutos que perdemos a subir, o clima lá fora mudou e começou a nevar, então, deparamo-nos com uma vista deslumbrante sobre uma cidade pintada de branco e uma sensação de que o tempo teria parado só para nós. Foi um dos mais belos momentos que já tive numa viagem.

Mas, voltando à Catedral:
Foi iniciada no século XII e concluída só no século seguinte.
É o edifício gótico mais imponente de todo o país.

Palais de Rumine
Edifício Neorrenascentista construído entre 1896-1906 foi outrora a universidade de Lausanne.
Hoje é apenas a biblioteca da universidade e mais cinco museus.
O Musée Cantonal des Beaux-Arts, o Museu de Arqueologia e História e os outros três estão dedicados à Geologia, à Numismática e à Zoologia.

Passear pela Rue du Bourg
Zona de casas antigas com joalharias, lojas de grife, bares e clubes de jazz.
Um dos locais mais alternativos e animados da cidade.

À volta de Lausanne

Saindo um pouco de Lausanne, em direção a Crissier, encontram o Hôtel de Ville com três estrelas Michelin.
Uma experiência imperdível para quem visita Lausanne.
Algo que infelizmente não tivemos oportunidade de fazer, daí termos que voltar urgentemente à cidade!

Olympic Museum
Aqui sente-se a história dos atletas da Grécia Antiga até aos jogos olímpicos da era moderna.
Não visitamos para podermos ter mais uma razão para voltar a Lausanne!

Admito que Lucerne mexeu mais comigo nesta primeira visita à Suíça. Mas Lausanne é sem a mais pequena dúvida um local a regressar, quero voltar ao Lausanne Palace, quero visitar o Hôtel de Ville em Crissier e quero regressar à Cathédral Notre Dame.

Para quem prepara uma viagem à Suíça, Lausanne é seguramente um local a não perder.

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Fotos: Flavors & Senses

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Monte da Ravasqueira – um Alentejo muito próprio

O Monte da Ravasqueira, ali bem próximo de Arraiolos, é um projecto da Família José de Mello, que ao longo de várias décadas se tem concentrado em desenvolver uma propriedade única, que conta hoje com cerca de 3000 hectares de uma rara e idílica paisagem alentejana.

Entre montes, diferentes altitudes e várias barragens o Monte da Ravasqueira foi-se transformando ao longo dos anos.

De uma propriedade famosa pela criação de cavalos, à fruta, passando pelas primeiras vinhas em 1998 e à revolução dos seus vinhos com a entrada do jovem enólogo Pedro Pereira Gonçalves. Enólogo que desde 2012 tem vindo a inovar todo o projecto da empresa, do enoturismo à vinha, da viticultura de precisão aos vinhos.

Pedro Pereira Gonçalves 

Mas passemos ao que realmente interessa, os vinhos e a sua prova. O cenário não poderia ser melhor: provamos os vinhos à mesa do The Yeatman, acompanhados por pratos únicos assinados por Ricardo Costa (**Michelin).

Depois de uma série de bem conseguidos snacks e uma  prova leve e descontraída dos vinhos mais descomplicados da gama Monte da Ravasqueira, seguimos para a mesa, onde os vinhos começaram a mostrar outros voos.

MR Premium Rosé 2015

MR Premium Rosé 2015 – Claramente um dos Rosés mais interessantes do país, feito a 100% com Touriga Nacional e passando por uma fase de battonage e estágio em Madeira. Um vinho complexo e sofisticado que mostra que o rosé pode ser muito mais que um vinho para momentos leves e de Verão. De aroma menos intenso que na edição anterior, continua com uma bela presença de fruta em contraste com leves notas fumadas. Na boca ganha dimensão, potência e exotismo, com a mineralidade, a frescura e a complexidade das leves notas a demonstrarem que estamos perante um belíssimo vinho que pede mesa e comida.

E para isso não poderia estar melhor acompanhado do que com uma interpretação mais arrojada e técnica da clássica salada Caprese, onde Ricardo Costa fundiu os 3 ingredientes clássicos numa série de técnicas da vanguarda espanhola. A essa experiência mais “molecular”, seguiu-se uma bomba de umami, com um prato à base de choco, carabineiro, soro de leite e enguia fumada. Um sonho!

Ravasqueira Reserva da Família 2016 e MR Premium Branco 2014

Ravasqueira Reserva da Família 2016 – Um branco muito premiado e que apesar da combinação de Alvarinho com Viognier, resulta num vinho de perfil clássico, com estágio carvalho francês, que nos leva a sentir citrinos e algum alperce, enquanto a boca nos traz complexidade e riqueza.

MR Premium Branco 2014 – Um ótimo branco, que se mostra melhor quando provado ligeiramente acima da temperatura habitual para vinhos  brancos. Uma combinação das castas Viognier, Alvarinho, Semillon, Arinto e Marsanne com estágio em madeira sur lies,  que resulta num vinho fresco, complexo q.b., que nos leva ao nariz notas cítricas e de fruta branca com uma leve nota de querosene. Demonstra uma fantástica acidez e uma mineralidade que perdura durante todo o seu final longo. Um grande branco do Alentejo!

 Dois belíssimos vinhos que resultaram muito bem com a untuosidade, gordura e riqueza da proposta do chef, um prato com Bacalhau, ovo BT, presunto e coentros.

  Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2014 e MR Premium 2014

Monte da Ravasqueira Vinha das Romãs 2014 – Onde antes existiram romãs,existem hoje cepas de Syrah e Touriga Franca, que combinadas resultam num impressionante vinho que combina um certo carácter clássico, através de um prolongado estágio em madeira com a frescura e leveza de um vinho mais moderno. Grande concentração de fruta escura, bem límpida e madura, que contrastam com as notas a especiarias e baunilha trazidas pela madeira. Na boca continua a revelar a fruta, com uma frescura, acidez e leveza invulgares para quem passou cerca de 20 meses em madeira nova. Um vinho com força e personalidade que vive agora uma ótima fase de prova, mas que tem ainda um bom futuro em cave.

MR Premium 2014 – Um dos mais poderosos vinhos do Alentejo, resulta da combinação de Syrah, Aragonês e das Tourigas Nacional e Franca. O MR Premium é um daqueles vinhos que merece ser guardado por um longo período de tempo, deixando a sua prova imediata notas de um futuro ainda mais promissor. Um vinho de grande concentração, que traz ao nariz uma grande complexidade de aromas que vão da fruta escura às especiarias, passando pelo bosque e ervas aromáticas. Na boca é claramente um vinho de emoções fortes, revelando muita fruta bem acompanhada por excelentes taninos e uma finesse rara que não cansa. É um vinho que merece ser guardado por um bom período de tempo.

Aqui o Vinha das Romãs foi uma escolha consensual, é um vinho mais pronto a ser bebido, mais elegante e fácil, que acabou por harmonizar muito bem com os pratos de leitão que o acompanharam.

Dois pratos de Leitão segundo Ricardo Costa 

Por falar em leitão, devo deixar uma nota alta para a assadura irrepreensível, que resultou numa pele de vidrado crocante e uma carne suculenta e saborosa. Se estava boa a combinação com abacate e mole mexicano, o arroz caldoso com leitão e trufa negra estava simplesmente delicioso.

Ananás, Chá Verde e Pistachio

Monte da Ravasqueira Late Harvest 2015 – Produzir um Late Harvest no calor Alentejano parece quase um contrassenso, mas o certo é que o resultado de uma viticultura de precisão combinada com altas técnicas de vinificação tem algo de moderno e surpreendente. Inspirado no processo de um Ice Wine, este vinho 100% Viognier, vive e reflete a casta com as suas notas de citrinos e alperces, combinada com alguma fruta em calda e mel. O bonito é que o vinho além da doçura revela uma surpreendente e agradável frescura, que demonstra uma preocupação em seguir as tendências mais atuais.

Vinho este que combinou lindamente com a sobremesa, leve e fresca, como gosto de terminar as degustações.

Terminado o jantar houve ainda tempo para mais uma agradável surpresa do Monte da Ravasqueira, o seu vinho licoroso.

Monte da Ravasqueira Vinho Licoroso  Alentejano 

Monte da Ravasqueira Vinho Licoroso  Alentejano – Um licoroso alentejano de raro prazer, inspirado num clássico “Ruby” de Vinho do Porto, onde vai buscar as principais castas e a aguardente. Um Licoroso rico na fruta, com taninos marcados mas muito elegantes e uma certa frescura que não cansa a prova. Um vinho para beber no imediato e guardar a bem conseguida garrafa.

Em suma, os vinhos da Ravasqueira estão em alta e revelam um dos mais interessantes projectos alentejanos, mostrando muito bem que é possível a uma grande empresa criar vinhos distintos, arrojados e diferenciados.

Monte da Ravasqueira

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Com as Mãos na Massa – A (r)evolução do Pão

18h20 e lá estou eu bloqueado trânsito, cada vez mais intenso para os lados da Invicta, os nervos iam-se acumulando e o motivo não era para menos. Estava atrasado para um momento que aguardava efusivamente há algum tempo, a minha primeira formação sobre pão, pão a sério, de base tradicional e massa mãe (ou isco como lhe preferirem chamar).

Quem me conhece sabe que gosto pouco de atrasos e que gosto ainda mais de pão, pelo que os nervos não eram para menos, mas cheguei ainda durante os últimos preparos e com outros formandos ainda presos no trânsito.

À nossa espera estava Daniel Brandão, o padeiro cuja jaleca não deixava dúvidas sobre onde estávamos. Daniel é o responsável de padaria de O Paparico, para o qual produz aquele que é muito provavelmente o melhor pão da cidade, e das Cervejarias Brasão, onde provam que é possível levar bom pão, feito de forma artesanal a centenas de pessoas diariamente.

#danielbrandaopadeiro

Em cima da bancada não faltavam livros nacionais e internacionais sobre pão nem frascos com os mais variados tipos de farinha para que pudéssemos perceber facilmente todas as diferenças entre os tipos de grão, de moagem e, claro, de qualidade.

Há muito que me interesso e estudo o máximo sobre pão, mas é muito diferente quando alguém que vive esse trabalho diariamente nos vai explicando e tirando dúvidas sobre produtos e conceitos, e foi por aí que começamos a formação, com uma pequena e didática parte teórica antes de podermos entrar no vício, que é colocar a mão na massa!

Equipa de luxo

Aprendemos sobre os tipos de cereais, as diferentes moagens e os vários produtores, os tipos de fermento e, claro, sobre as linguagens e as percentagens de padeiro.

Posto isto, não há como passar à ação, a Formação era sobre Pães Tradicionais de Massa Mãe, pelo que haveríamos de aprender a adaptar pães como Mafra, Alentejano, Pão de Água, Broa de Milho ou a Sêmea, do fermento industrial para uma pura e rica massa mãe.

Mãos na massa e no primeiro dia lá fomos aprendendo sobre autólise, temperaturas, janela de glúten e voltas (parece chinês eu sei, mas é bem mais simples do que parece…). Enquanto isso fomos dando asas ao trabalho manual e ao prazer que é ver água, farinha e sal a transformarem-se em algo completamente distinto e essencial.

Massas feitas e preparadas para um merecido repouso de cerca de 24h, regressamos a casa de coração cheio e vontade que o dia seguinte chegue rápido para vermos a transformação final do nosso trabalho (e provarmos o pão, claro!).

Dividimos as diferentes massas, aprendemos a formar o empelo e a deixar o pão levedar nos bannetons (cestos próprios para dar forma ao pão), enquanto vamos fazendo uma delicada broa de milho.

A formação já ia longa, os olhos não paravam de se cruzar com a manteiga que faria dupla inseparável com o nosso pão, mas a massa só haveria de entrar nos fornos quando o “toque” assim o dissesse e a levedação estivesse no momento certo.

Aprendeu-se a cozer em fornos industriais e a recriar o “ambiente” num forno caseiro, mais tarde veríamos ótimos resultados em ambos os casos.

 Broa de Milho prestes a iniciar o processo de levedar.

Pães no forno, um tipo de cada vez, que cada pão tem a sua temperatura e tempo de cozedura ideal. Os primeiros a sair indicam que fizemos um bom trabalho, crosta dourada (nada de pães crus como gostam os portugueses) e um cheiro inconfundível. O resultado?  Parecíamos crianças quando recebem um novo brinquedo ou quando há um bolo no forno!

Os primeiros pães a sair do Forno

Diferentes formas e diferentes reações da massa diziam-nos que todos temos ainda muito caminho pela frente, a base está lá, agora é preciso melhorar as técnicas de amassar e dar forma ao pão para que ele responda no forno da melhor forma possível.

Houve pão para provar e levar para casa (que ainda havia de obrigar alguém a levantar-se da cama para uma pequena prova!!!), houve partilha de receitas e uma generosidade enorme por parte do Daniel que nos transmitiu paixão e sabedoria e que, infelizmente para ele, desde então lá vai levando com as minhas dúvidas!

Mas houve mais, cada um de nós trouxe para casa um pouco da massa mãe do Daniel, um tamagotchi dos bons que tenho cuidado com amor e carinho e que há pouco tempo acabou de celebrar dois anos de vida.

 Um grupo fantástico de apaixonados por pão verdadeiro

Agora e enquanto aguardamos que a Padaria GRANU ganhe vida em 2019 (novo projecto de Sérgio Cambas com Daniel Brandão), vamos replicando as receitas do Daniel em casa!

Nota: Para 2019 estão previstos muitos e vários tipos de Workshops com o Daniel, de Pães tradicionais a Bolos ou até Bolo-Rei. Para mais informações ou datas basta seguirem o Facebook da Granu.

 

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Ammar

“Amar e Mar” é o mote que dá nome a um dos restaurantes da renovada cidade de Leça da Palmeira, aberto em 2016 pela jovem Matilde Silva, que depois de uma boa experiência no Nova Tendinha decidiu abraçar em exclusivo um projecto maior e mais arrojado.

Para isso desafiou Pedro Silva, um dos jovens com melhor “pedigree” da sua geração – passou por vários espaços estrelados, Pepe Vieira, Serge Vieira ou até o clássico Villa Joya. Mas foi na cozinha de Ricardo Costa no The Yeatman que se fez cozinheiro, e ao lado de João Oliveira no Vista  que ganhou o peso da responsabilidade e a voz de comando – com uma curta mas intensa carreira em restaurantes de fine dining foi aparentemente fácil traçar os caminhos do restaurante, bom produto, técnicas e combinações de autor e conforto, quase que em jeito de casual fine dining.

O espaço, plantado à beira mar, combina uma interessante esplanada para os fins de tarde com duas salas confortáveis e bem decoradas, além de uma sala privada em forma de esfera que já fez correr muita tinta entre os media nacionais.

Mas foquemo-nos na experiência, que felizmente ainda é o que nos leva a visitar restaurantes! Decididos a ficar nas mãos do chef optou-se por uma pequena degustação de vários momentos da carta, em porções mais pequenas que o habitual.

Toro, shimeji, pickles de cenoura e nabo com vinagrete asiático
E começamos bem, com um prato de sabores e contrastes bem afinados, a revelar uma mão certeira na cozinha. Excelente equilíbrio entre a acidez e as texturas. Poderia beneficiar de um corte um pouco mais grosso do toro, para que libertasse toda a sua riqueza e untuosidade no conjunto.

Água e Sabonete
Seguiu-se o momento do pão, baseado na receita de pão de água, servido ainda quente e acompanhado por um bom “sabonete” que é como quem diz manteiga batida com avelã. Uma das melhores propostas de pão da cidade!

Foie Gras, Brioche com maçã caramelizada
Chamam-lhe Brûlée de foie gras, porque o mesmo é caramelizado antes de ser transformado e moldado em jeito de parfait. Ótima apresentação em forma de fígado ainda fresco, e servido com um bom brioche de maçã caramelizada. Boa textura e agradável combinação de sabores, embora não lhe ficasse mal um pouco mais de intensidade do foie (fala um viciado!).

A acompanhar os aperitivos estiveram 2 cocktails, em bom nível, um tiki e um mais clássico, que cumpriram muito bem com a sua premissa de iniciar a refeição.

Cocktails de autor

Robalo ao Vapor, orelha de porco, ravioli de crustáceos, camarão da costa, caldo de peixe assado e lula
Um prato que deixa transparecer a escola do jovem cozinheiro e, felizmente, um sentido de sabor muito apurado! Algo raro num chef com a sua idade! Ravioli de massa certeira, bom recheio, caldo saboroso e a ligar muito bem os elementos, especialmente o contraste entre a orelha e os restantes elementos. O Peixe estava no limite da sua cocção, mas ainda a dar uma boa degustação.

De notar que mais recentemente provamos uma nova e delicada versão deste prato, que se mostrou em excelente forma e apresentação com um fino talharim.

A harmonizar esteve uma proposta difícil de encontrar no mercado, o Maldito Branco, feito por Dirk Niepoort para Ljubomir Stanisic, um vinho com uma forte componente mineral, fresco, leve e de aroma cativante. Um vinho que dá prazer beber!

Bochecha de boi, cogumelos, ravioli de carbonara, molho de tendões de vitela e espuma de queijo
Mais uma vez uma nota altíssima para o molho, repleto de sabor e classe. Prato bem conseguido no contraste de sabor e texturas com tudo muito equilibrado. No entanto, pecou apenas pela falta de suculência que se pedia à carne da bochecha, com a terrina um pouco seca.

Linguini, cantarelos e trufa
Massa fresca bem trabalhada num prato de conforto, repleto de sabor e bom produto onde o queijo, os cogumelos e o aroma e delicadeza da trufa se fundem na perfeição.

No copo esteve outro vinho da dupla Dirk & Ljubomir, desta feita o tinto Éclair 2011, um ano clássico de vinhos potentes e cheios de corpo, aqui com uma roupagem mais elegante e fresca que combinou muito bem com a riqueza de sabor do prato.

Abacaxi, rum e lima
Como limpa palatos surgiu um “lollipop” de abacaxi semi congelado e regado com rum e lima. Diferente, interessante e a cumprir bem com o seu propósito.

Bubblemousse de banana, pipocas, chocolate e salicórnia
As sobremesas, ao contrário do que sucede muitas vezes, não ficam nada a dever às entradas ou pratos principais. Com um cuidado especial nas apresentações, com recursos a moldes e a técnicas de alta cozinha, o resultado é bem positivo, como é visível neste prato, onde uma boa mousse de banana se combina com o molho de chocolate, a crocância das pipocas e o sal da salicórnia para criar um resultado bem interessante na boca.

Houve ainda tempo para provar o  Ammartier com um “diamante” a chegar à mesa, numa combinação bem conseguida de chocolate branco com frutos tropicais, coco e lima.

Para e finalizar, e esquecendo que a noite já ia longa, acabamos com uns excelentes bombons produzidos na casa.  Uma bela surpresa!

Alguns dos bombons produzidos no Ammar

O Serviço decorreu de forma eficiente, com calma, bom trato e conhecimento sobre os pratos a serem servidos. A melhorar apenas alguns dos tempos entre pratos.

Considerações Finais
“Há mar e mar, há ir e voltar…” ora Alexandre O’Neill escreveu a célebre frase como forma de aviso para quem se aventura no mar, mas fazendo o trocadilho é fácil querer voltar ao Ammar quando conhecemos o trabalho que a dupla de jovens vai levando a bom Porto. Um restaurante onde a cozinha de conforto e a cozinha de autor convivem de uma forma particular, e que muito me agrada!

É certo que existem sempre pontos a melhorar, mas o cuidado, o sabor e o detalhe que o chef Pedro Silva já coloca no prato são sinónimo de um futuro auspicioso e sorridente!

Ammar Restaurante Cocktelaria
Preço Médio: 35€ por pessoa sem vinhos
Rua de Fuzelhas Nº 5, Leça da Palmeira
+351 229 958 241

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Fotos: Flavors & Senses

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Metropole Genève

Este último Inverno descobrimos a elegante Suíça, e com ela os seus imponentes hotéis e um dos serviços mais exímios que já experienciamos.

Após Lucerna e Lausanne eis que nos aventuramos por Genebra, e aqui descobrimos um dos mais emblemáticos hotéis do país, o Hotel Metropole Genève.

Este histórico edifício conta já com mais de século e meio de existência e situa-se na icónica Rue du Rhone.


Localizado no coração da cidade, tem uma vista privilegiada sobre o lago e encontra-se rodeado pelas lojas mais luxuosas.
Está a uma distância relativamente curta da cidade Velha e da zona financeira, o que o transforma na melhor opção quer para os que procuram lazer quer para quem viaja a trabalho.

Primeira Impressão
Que se pode dizer de um imponente edifício neoclássico nascido em 1854?!
Os seus toldes vermelhos, no exterior, dão-lhe aquele charme de elegância intemporal, e a receção mantém essa mesma linha.

O vermelho predomina, misturando-se apenas com alguns beges e castanhos, mas até mesmo a árvore de Natal nos dá as boas vindas com a cor da paixão!

O interior é igualmente neoclássico mas com um certo toque de conforto e aconchego.

Fomos recebidos por uma equipa simpática que prontamente tratou do nosso check in e nos mostrou todo o hotel.

O Metropole foi renovado em 2016, no entanto, algumas alterações não foram possíveis uma vez que o hotel é Património da Cidade. E, sendo um antigo hospital, alguns dos quartos são um pouco mais pequenos. Mas, a renovação, apesar de manter a traça original, permitiu trazer quartos e zonas mais modernas e com áreas maiores.


Quartos
Contam-se 111, mais 16 luxuosas suites.
Ficamos num Lifestyle Lake-Side Room.
Este, com vista para o Lago de Genebra e para a famosa Jet d’eau, um dos mais icónicos cartões postais de Genebra (não percebo muito bem porquê, mas gostos não se discutem!), tinha especial enfoque na domótica, não descurando o conforto.


Mais uma vez as cores vivas são utilizadas criando um jogo cromático bem interessante que garante a simbiose perfeita com o chão de madeira.

A televisão no espelho, o turco incorporado no chuveiro ou o sistema de handy smartphone (internet rápida e ilimitada, chamadas locais e internacionais, informação útil da cidade, promoções exclusivas, e Concierge 24h) tornaram o quarto ainda mais apelativo.

 A vista sobre o Jet d’eau

 A esplanada do restaurante Gusto

Restaurantes
São quatro as excelentes opções que o Metropole garante aos seus hóspedes.

Muito próximo ao Lobby temos o eclético The Mirror Bar. Um espaço que nos remete de imediato para um ambiente trendy e vibrante transmitido pelos tons de vermelho e pelos espelhos.

The Mirror Bar

Funciona diariamente como bar/restaurante para um snack ou pratos mais simples acompanhados de um vinho ou cocktail, ou um chocolate quente nas tardes mais frias, ou simplesmente para um bom momento de ócio. Ao fim da tarde é impressionante a azáfama entre hóspedes e locais que circulam pelo bar numa relação eclética entre reuniões de trabalho e simples prazer.

 A vista sobre o lago a partir do MET Rooftop Lounge

Nos meses de verão temos o MET Rooftop Lounge, um espaço que garante os sunsets mais animados da cidade, um dos locais mais cosmopolitas, com as melhores vistas sobre o Lago, a cidade e as montanhas.

O Gusto, de cozinha clássica italiana, é o local perfeito quer para um almoço descontraído quer para um jantar romântico, onde o Chef Alessandro Cannata, um autêntico embaixador da cozinha italiana, nos delicia com os seus pratos.

E aqui tivemos a oportunidade de experienciar um dos mais criativos e inovadores menus de degustação de base italiana servidos fora do país.

Entre bom pão, champanhe e uns snacks leves e crocantes iniciamos uma surpreendente refeição, onde houve tempo para um delicioso tagliatelle de choco com molho puttanesca, uns pequenos raviolis em jeito de “capeletti em brodo” cuja combinação e o caldo deixaram boas memórias, e claro, um delicado lombo de veado com um molho guloso e legumes crocantes.

Para terminar, uma ótima desconstrução do clássico Tiramisù e um óbvio Mont Blanc (ou não o conseguíssemos vislumbrar pelo fundo da janela!).

O Gusto tem ainda uma vertente mais simples, no piso inferior, o La Cantina del Gusto, onde servem o pequeno almoço do hotel e almoço em self service.

La Cantina del Gusto

 

É também aqui que já há mais de dois anos servem um dos brunchs mais famosos da cidade.

Além destes locais, o hotel conta com outro espaço fora, o La Brasserie du Parc des Eaux-Vives, um restaurante de cozinha tradicional francesa a apenas alguns km do centro da cidade.

Serviços
Além dos habituais serviços, como serviço de quartos, Wi-Fi, lavandaria e concierge, o Metropole possui também outros serviços para os seus hóspedes.

A localização é talvez uma das melhores da cidade, o que facilita a visita de quem viaja a lazer mas também de quem viaja a trabalho.

O hotel está equipado com seis salas devidamente preparadas para todo o tipo de eventos. Adicionalmente, o Restaurant Hotel du Parc des Eaux-Vives, a apenas 5minutos de carro, possui também cinco salas.

O hotel possui ainda um ginásio bem equipado e com luz natural.

Atendimento
Os hotéis de grandes dimensões e do estilo business raramente são a minha primeira opção quando viajo, no entanto, há alguns que nos mostram que um hotel pode ser muito movimentado sem perder a identidade.

O Metropole mostra-nos isso mesmo, que mesmo com espaços amplos, e repletos de hóspedes, nos podemos sentir especiais.

Um bom exemplo da qualidade desse mesmo atendimento, foi quando verificamos que tinhamos deixado os cabos do macbook num hotel noutra cidade que visitamos anteriormente e o staff do Hotel (vários deles portugueses por sinal) prontamente resolveu o nosso problema junto do outro hotel sem que nos tivéssemos de preocupar com nada.

A verdade é que são estes pequenos detalhes que fazem toda a diferença!

Além de que, é sempre um privilégio ficar num edifício tão icónico e com tanta carga história!

Até breve Genebra!

Hotel Metropole Genève
Quartos a partir de 270€
Quai General Guisan, 34 – Genebra
+ 41 223 183 200
hotel@metropole.ch

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 Fotos: Flavors & Senses

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Mugasa

É impossível negar que vivemos dias estimulantes no que diz respeito à nova gastronomia Portuguesa, novos chefs cheios de mundo, técnicas e garra, restaurantes estimulantes e produtores cada vez mais especializados. No entanto quantas mais vezes sou estimulado e desafiado pela criatividade e ousadia desses mesmos chefs, mais procuro contrabalançar esse lado com uma cozinha simples, autêntica e, acima de tudo, baseada no produto.

Ao contrário de muitos outros países, nomeadamente a nossa vizinha Espanha, os Portugueses, durante anos, pouco ou nada se têm preocupado em conhecer e enaltecer os seus produtos, ou restaurantes especializados “nisto ou naquilo”. Tudo isto com uma excepção, o célebre Leitão à Bairrada – quem nunca percorreu centenas de kms em romarias de amigos e família, para se deslocarem à Estrada Nacional Nº1 que atravessa a Mealhada e por lá se deliciarem com um dos mais célebres pratos do receituário nacional?

É um prato mítico do país e juntamente com o vinho o maior ex-libris de uma região inteira. No entanto, há restaurantes e restaurantes, leitões e leitões e há também espaços emblemáticos que fogem à morada habitual.

Um desses espaços situa-se na pequena localidade de Fogueira em Sangalhos, o Mugasa, aberto há mais de 40 anos por Álvaro e Helena Nogueira, foi-se tornando famoso pelos seus vários pratos à base de leitão e, claro, a chanfana, que apesar de perder na fama para o afamado bacorinho é um dos pratos mais antigos da região. Hoje, ao comando dos fornos está Ricardo Nogueira, nascido e criado entre a cozinha e os fornos a lenha, tem melhorado a técnica e a selecção do produto para levar até à mesa o melhor leitão possível – uma espécie de Victor Arguinzoniz do Leitão.

Mas, passemos à mesa, já instalados na confortável e recentemente renovada sala, a escolha era óbvia, e foi-se seguindo a bom ritmo, começando com o sempre saboroso pão da região.

Iscas de Leitão
De entrada vamos provado outras partes do leitão, como estas iscas de cebolada. Delicadas e de sabor menos intenso que as do seu “irmão mais pesado”. Ótimas no tempero, embora deva confessar que prefiro uma textura diferente no fígado, mais mal passado e consequentemente um pouco menos seco na boca.

Cabidela de Leitão
Preparada com mestria esta falsa cabidela (não leva sangue), bem merece uma viagem ao Mugasa só por si! Um conjunto de miudezas do leitão, bem estufadas e apuradas que depois é finalizada no forno a lenha por baixo do Leitão, absorvendo todos os sucos que este vai libertando durante a assadura. Delicioso!

Leitão à Bairrada
Por aqui os segredos são vários, mas nem por isso são escondidos de quem visita o Mugasa, primeiro, o Leitão – só se usam leitões pequenos, dificilmente os haverá com mais de 4,2kg e que foram criados no campo em vez da pocilga, de forma a desenvolverem uma melhor fusão entre a musculatura e a gordura. Depois, claro, a assadura, a lenha de vide, e os cuidados de quem faz disto vida. Por fim, e não menos importante, o corte, a técnica de Ricardo Nogueira é bonita de se ver (é sempre um momento alto quando se pode assistir ao corte do leitão na sala) e melhor ainda de se comer, com todos os pedaços com um tamanho pequeno e  a pele a estalar com um fantástico vibrato. Da prova não há muito a dizer – sabor, textura, untuosidade, suculência, tudo está perfeito!

Pudim de Coco
Na falta do fantástico Pudim Abade de Priscos do Miguel Oliveira (já tinha terminado), provou-se um bem competente pudim de coco, com duas camadas, doçura equilibrada (que é normalmente o problema destas sobremesas), e de boa textura e sabor, revelou-se uma agradável surpresa.

Provou-se ainda a aletria, dura e seca como é tradição na zona, não deixou memória a quem está habituado a uma aletria, rica e cremosa.

A carta de vinhos é outro dos grandes motivos para visitar o Mugasa, primeiro pela quantidade e variedade de espumantes nacionais, como seria de esperar maioritariamente bairradinos, em segundo pela relação qualidade/preço imbatível, com vinhos muitas vezes mais baratos que o preço em garrafeira. Uma perdição para qualquer enófilo!

No nosso caso acompanhou-se a refeição com espumante Vinha Formal 2010 de Luís Pato. Um vinho que está a passar por uma lindíssima fase de prova.

Considerações Finais
Infelizmente e durante muitos anos a cozinha de produto em Portugal perdeu o seu lugar para produtos competitivamente mais baratos e de menor qualidade, algo bem diferente do que vem acontecendo com a nossa vizinha Espanha. Felizmente, com a cada vez maior consciencialização dos comensais e a melhoria dos produtores e de novos projectos, começamos a ver um novo rumo, novos chefs, novos produtores e novos clientes que se preocupam mais com a qualidade do que comem do que com o aparato e beleza com que o prato chega à mesa.

Pois bem, este Mugasa é isso mesmo, um dos nossos Templos do Produto, e o Ricardo Nogueira é hoje o grande rosto por trás do futuro desta iguaria, ainda por cima a simpatia e paixão com que fala do seu trabalho não deixam ninguém indiferente. São exemplos destes que Portugal precisa para colocar a nossa gastronomia no mapa.

Leitões? Leitões há muitos mas o do Mugasa é único!

Mugasa
Preço Médio: 25€ por pessoa sem vinhos
Largo da Feira, Fogueira – Anadia
+351 234 741 061

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Prado


O Prado foi durante algum tempo a abertura mais aguardada do panorama gastronómico Lisboeta. Desde a sua abertura, no final de 2017, tem sido um caso de sucesso, onde, do mais conservador gastrónomo ao mais cosmopolita viajante todos se têm rendido à cozinha de António Galapito.

Lembro-me de conhecer o Galapito entre a cozinha e grelha do Mercado (ver), onde comandava o leme do espaço casual e português de Nuno Mendes. Um espaço onde os sabores e os ingredientes portugueses ganhavam outras formas e técnicas e sobre o qual me lembro também de escrever que era um restaurante que, por vários motivos, fazia falta a Portugal!

Pois bem, quis o destino que o Galapito regressasse a casa, cheio de mundo, ideias e sonhos, muito próprios de um jovem cozinheiro de 27 anos e uma convicção e um caminho traçados que poucos ousariam percorrer.

Instalado no piso inferior do Lisboans (um refinado e bem recuperado alojamento local), o Prado trouxe a Lisboa um outro lado cosmopolita, um lado aparentemente mais simples, mais preocupado com a natureza, a sustentabilidade e a origem das coisas, numa altura em que grande parte das aberturas se focavam na espetacularidade e no luxo. Pegando em Londres para fazer uma analogia, digamos que a maioria das aberturas Lisboetas queriam um pouco de Mayfair e o Galapito trouxe um pouco de Shoreditch e East London até Lisboa.

O espaço passa bem a ideia de “farm to table” e de um certo lado pós era industrial, muito comum nos países nórdicos. Amplo, bem iluminado, com uma traça muito própria e bem lisboeta, o resultado é um espaço acolhedor e bem conseguido.

Da cozinha esperam-se pratos centrados nos produtos portugueses, trabalhados com rigor e contenção, aliados a uma criatividade e a uma linha muito próprias. Uma refeição onde não se espera um menu e um circuito fixo de entrada, prato e sobremesa, a ideia é provar o máximo de pratos, partilhar e ir escrutinando ao máximo o sabor dos produtos que nos são familiares mas trabalhados por quem não tem falta de ousadia e criatividade.

Pão de trigo barbela (Gleba)
Manteiga fresca de cabra, sal fumado e alface do mar
Gordura de porco batida, alho e louro
E começamos “muito mal”, com um excelente pão da gleba à base de um dos mais antigos e saborosos trigos produzidos em Trás-os-Montes (hoje quase extinto e revitalizado graças a esta nova geração de padeiros e cozinheiros). Um pão rico e saboroso com uma crosta pecaminosa que nos faz mergulhar na manteiga e na gordura como animais famintos. Um grande início, que acabaríamos por ir repetindo ao longo de toda a refeição – mas alguém resiste a um bom pão quente?

Tártaro de Arouquesa e couve galega grelhada
Carne repleta de sabor, sem exageros de tempero ou de elementos, contando com cogumelos shitake e uma gema curada para intensificar a riqueza e o umami, servida numa espécie de Taco de couve galega em que a grelha lhe dá uma tosta que a desidrata e lhe intensifica o sabor. Um pouco mais tostada e seria um tiro ao lado, assim conseguiu-se um belo momento de sabor e textura.

Lula, alho francês e tinta
O que o próprio nome indica é o que nos é colocado à frente, o mar dos Açores em tiras de lula magistralmente preparadas, um caldo intensificado pela tinta da própria lula e a textura crocante do alho francês. Contenção e sabor, num grande prato que mostra bem o que é a cozinha do Prado.

Tosta de Toucinho fumado, maçã florina e poejos
Bom pão com coisas igualmente boas é sempre um momento de prazer, mais ainda quando o pão volta a ser o da Gleba, e é coberto por finas fatias de um rico e muito bem trabalhado toucinho, maçã florina (outro produto quase desaparecido), que lhe traz alguma textura e doçura, e o pejo cujas notas mentoladas refrescam todo conjunto e elevam as notas gordas da tosta. Fossem todas as sandes do país como esta tosta…

 Acém de Arouquesa, alface fermentada e manteiga tostada
À semelhança da carne do tártaro, este acém estava cheio de sabor, cozinhado irrepreensivelmente e elevado pela riqueza de aromas e sabores da alface fermentada, a cebola e o molho com a manteiga tostada, onde era impossível não acabar com o pão a servir de esponja. Delicioso!

Gelado de cogumelos, cevada, dulse e caramelo
O nome deixa-nos primeiramente apreensivos, mas lembrando um fantástico gelado de cogumelos que já havia provado numa viagem à Turquia, a escolha final teria de ser esta. E em bom tempo o foi, de aspecto e composição que nos remete para um sundae, o gelado de cogumelos estava afinado na perfeição, com a doçura no ponto e uma certa salinidade que o elevava. Ótimos também os restantes elementos, com o caramelo e a cevada a trazerem o molho e a doçura que envolve o prato, e a alga dulse a trazer mais notas de frescura. Não haverá na cidade sundae que se lhe compare…

Além do talento e dos ideais o jovem Galapito sabe também rodear-se de grandes talentos, e não estou a falar necessariamente da cozinha, os produtos que apresenta no restaurante só podem sair das mãos de agricultores e produtores talentosos e cheios de paixão, o pão do Diogo Amorim (Gleba) e, claro, os cocktails da raposa silvestre que é como diz Constança Cordeiro (que acaba de abrir a sua Toca da Raposa, o novo bar da cidade). Cocktails esses que seguem a mesma base criativa da cozinha, onde sabores e ingredientes portugueses se tornam a base da mixologia. Um bom exemplo disso foi o excelente “Prado Collins” que provamos, com vodka e uma bem sacada combinação de erva doce e tangerina.

A carta de vinhos segue pelos caminhos da intervenção mínima e dos vinhos naturais, com várias opções nacionais e internacionais, que podem agradar ao enófilo mais conservador e fazer as delícias de qualquer hipster. No nosso caso provou-se um cumpridor Rufia Branco de 2016, produzido por João Tavares de Pina na Quinta da Boavista, no Dão.

Considerações Finais
É uma nova vaga de cozinheiros, de produtores e até mesmo de clientes, que está a redefinir a nova cozinha portuguesa, uma cozinha assente numa fantástica matéria prima, nas raízes e sabores mas também na leveza, na técnica e nas apresentações que o mundo foi dando a essas pessoas. Esse é um dos méritos de Galapito, até porque a cozinha portuguesa está nos seus ingredientes, e esses no Prado são respeitados como em muito poucos sítios. Além disso, junta-se um outro argumento de peso, numa balança já de si repleta de elementos positivos – a relação custo/benefício é uma das mais interessantes de uma Lisboa cada vez mais dispendiosa.

É um restaurante que fazia falta a Lisboa e que desbrava caminho, para muitos outros jovens talentos que vêem aqui um exemplo de que fazer “bom e bem é possível” neste cantinho da Europa. Para juntar à muita tinta já percorrida e a todos os comentários da Internet, o Prado acaba de ser eleito pela Condé Nast Traveller para a lista dos melhores novos restaurantes do mundo em 2018.

E não é que o foi com todo o mérito?!

Prado
Preço Médio: 35€ por pessoa sem vinhos
Travessa das Pedras Negras, 2 – Lisboa
+351 210 534 649

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Almeja

Nos últimos anos com o desenvolvimento do turismo o Porto tem sofrido, para o bem e para o mal, um mar de mudanças. Da agitação do imobiliário, aos novos hotéis, novas estradas e, claro, muitos, muitos restaurantes. Restaurantes bons, cozinheiros jovens e talentosos, boas decorações e até alguns projectos arrojados que dificilmente imaginaríamos poderem resultar na cidade. Mas, claro, a esses juntam-se dezenas de maus conceitos, maus empresários e muitos espaços que não conseguiram vingar por este ou aquele motivo.

Esse insucesso ou a simples aceitação do fracasso não estavam nos ideais de João Cura e Sofia Gomes quando decidiram abrir o seu primeiro restaurante, onde o nome, “Almeja” deixava já antever uma vontade de singrar e um desejo enorme de deixar a sua marca…

Pois bem, a verdade é que esse sucesso chegou, talvez até mais rápido do que esperavam, tal é a receptividade e as muitas e boas críticas que o Almeja e a cozinha de João Cura têm recebido. João é ainda um jovem cozinheiro, daqueles que abandonam uma formação universitária para, por desejo e vocação, se instalarem em frente aos fogões.  Da escola de hotelaria de Coimbra seguiu para Barcelona, onde trabalhou nos estrelados Dos Cielos e Cinc Sentits e no célebre restaurante vínico Monvínic, criou um projecto de “chef em casa” e o resto é o presente que está a desenhar no nº819 da Rua Fernandes Tomás.

Com um conceito de “Casual Fine Dining” o Almeja pretende aliar a cozinha de autor à informalidade e a uma boa relação de custo/benefício. A decoração revela isso mesmo, simples mas com bom gosto, a manter a traça da antiga mercearia “Japonesa”, que ali havia existido.

Croquetes

Já instalados a experiência começa mesmo em jeito de fine dining, com os snacks a chegarem rapidamente à mesa, 1º um croquete, panado com panko, bem crocante por fora e de interior cremoso, como manda a regra, mas que poderia ter menos óleo e um pouco mais de sabor. Seguiu-se uma ótima madalena com chouriço e gel de maçã, que se viessem em packs de 6 não seria mal pensado – muito boas!

 Madalenas de Chouriço, com gel de maçã

Segue-se o momento do pão, um sourdough feito na casa, com bom aroma e textura a ser muito bem acompanhado por uma manteiga com crocante de leite e flor de sal e um ótimo azeite Angélica.

 Tosta, cabeça de xara, escabeche e maçã
A apresentação transporta-nos para a pastelaria francesa, mas não nos deixemos levar pelo apurado sentido estético do prato, o que aqui está é uma boa tradição portuguesa. Cabeça de xara muito bem preparada, levada pela combinação com o toque ácido do escabeche. Um prato muito bom, no qual senti apenas falta de um elemento mais crocante, uma vez que a tosta e a maçã não apresentavam tanto essa textura.

 Cogumelos, tupinambo e limão
Um dos melhores momentos da noite foi este “simples” prato de cogumelos silvestres, com um aveludado puré de tupinambo e um molho de limão, cuja frescura contrastou com as notas de terra dos restantes elementos e elevou o prato a um belíssimo nível.

Canja de Galinha
Um prato de conforto de uma noite fria, que era simultaneamente uma reintrepretação da nossa célebre canja de galinha. Um bom consommé, ovo a baixa temperatura com a gema no ponto e a massa a ser substituída por uns pequenos raviolis. O toque de alho francês serviu para dar mais sabor ao prato.

Arroz do Mondego
A “cozinha portuguesa” de João Cura não passa apenas pela reinterpretação de receitas clássicas, mas também pela tentativa de apresentar produtos e produtores vincadamente nacionais e que poucos conhecem, um bom exemplo disso é a sua homenagem ao Arroz do Mondego. Onde utiliza provavelmente o melhor arroz nacional “Arroz da Ereira”, para criar um grande, grande prato! Arroz, berbigão, lingueirão e lula, tudo no ponto certo e enriquecidos pela intensidade e salinidade da salicórnia e do plâncton. Um grande prato!

Barriga de Porco
Barriga de porco irrepreensível, suculenta e de pele crocante, bem acompanhada pela couve pak-choi e uns divertidos soufflées de batata em forma de porco que devem dar mais trabalho que todo o restante prato junto! Muito interessante também a marmelada de demi glacé que elevava todo o conjunto.

 Manga, coco e lima 
Uma sobremesa leve e fresca, como gosto, mas que se perdeu no excesso de texturas entre o cremoso e o gelatinoso.

Banoffee, banana, amendoim e chocolate branco
A última sobremesa repôs o nível dos pratos anteriores, aqui sim com uma boa combinação de texturas, do bolo ao gel e aos purés, passando pelo crocante e o excelente chocolate branco caramelizado. Um ótimo e guloso final!

Nos vinhos optou-se por um Riesling Duriense, 2015, de Marcos Hehn. Um vinho elegante, que denota bem a casta e cuja acidez e elegância funcionou muito bem ao longo da refeição. Sobre a carta de vinhos, assenta maioritariamente em pequenos produtores nacionais, onde tudo é bom mas também demasiado “certinho”. Um pouco mais de arrojo nas escolhas, à semelhança daquilo que se apresenta no prato, é o que se pede para o futuro.

Sobre o serviço esperava uma pouco mais de “casual” e menos de fine dining, da louça lindíssima à luva branca ou os pequenos detalhes de serviço tudo se aproximou mais do refinamento de um restaurante de topo do que dos seus congéneres mais informais. Também aqui o Almeja, desejou mais e melhor, o que se revelou uma agradável surpresa, especialmente por poderem mostrar um serviço diferenciado a um público mais alargado.

Considerações Finais
Em menos de um ano o jovem João Cura fez deste Almeja um dos projectos mais interessantes da cidade, bons produtos, boa técnica, um apurado sentido estético e preços honestos (algo cada vez mais raro). Além da carta, o Almeja pode ser descoberto através de um menu de Degustação (55€) ou provado num interessantíssimo menu de almoço (15€), onde se vão fazendo alguns testes para novas cartas. A cozinha é portuguesa com algumas e óbvias influências da passagem do chef por Espanha. Demonstra conhecimento mas com uma capacidade de restrição que normalmente é raro encontrar em cozinheiros ainda jovens, que naturalmente tentam mostrar mais e mais, acabando por errar.

Se Almejar é desejar ou querer muito, este Almeja sonhou, desejou e conseguiu tornar-se num porto de abrigo neste cada vez mais competitivo Porto gastronómico. Pelo que só nos resta acompanhar o trabalho deste jovem talentoso e da sua equipa, porque o futuro, esse, são eles que o traçam…

Almeja
Preço Médio: 30/35€ por pessoa sem vinhos
Rua Fernandes Tomás,819 – Porto
22038120

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Restaurante Brasão – Felgueiras

Muitas vezes ouvimos que “a tradição já não é o que era”, que este ou aquele sítio mudaram, que “antigamente é que era bom”. Infelizmente são várias as vezes que essas expressões se revelam verdadeiras, mas volta e meia há aqueles que mudam para melhor, para se recriarem, estimularem e para simplesmente nos continuarem a satisfazer e surpreender.

Um bom exemplo disso é António Carvalho, que ao longo de mais de 40 anos tem dado vida à gastronomia regional de Felgueiras. Tornou épico o Santa Quitéria, passou pelo Algarve e assentou no seu original Brasão, onde continua a experimentar e apreender como qualquer jovem talento da cozinha.

O caminho é fácil, e rapidamente chegamos do Porto à estrada de Refontoura, onde irá aparecer um grande placard com a foto do chef a garantir que chegamos ao sítio certo.

No interior do restaurante lá está António Carvalho, dividido entre a cozinha e a sala, por onde vai espalhando sugestões e encantos de quem sabe o que se pretende de um bom cicerone. E começamos bem, com um bom e variado cesto de pão e uma tábua de queijos e enchidos com “presunto de lavrador”, este último um pouco dominado pelo sal.

Seguiram-se umas pataniscas bem trabalhadas e a primeira surpresa, um salmão fumado na casa, que certamente ninguém espera encontrar num restaurante de cozinha tradicional portuguesa. Diz o chef que aprendeu a trabalhar o salmão nas suas viagens ao Brasil, e que bem lhe fizeram essas viagens…

Salmão de cura caseira 

 Sopa de Garoupa
Se há sopa que tenha marcado no último ano, foi esta sopa de garoupa que reune tudo aquilo que a nossa cozinha tradicional deve ser, bons produtos, pouco trabalhados, substância, frescura e muito, muito sabor! Os generosos pedaços de peixe juntamente com o ovo escalfado, o tomate, os pimentos e a massa, tornam um prato aparentemente simples numa genuína interpretação da nossa tradição.

Vale a pena uma visita ao Brasão nem que seja apenas para provar esta sopa!

Polvo Assado no Forno
Molusco de bom porte, primorosamente cozinhado com a textura revelar-se perfeita. Rico e untuoso como qualquer bom assado deve ser!

 Carne na brasa com arroz de Fumeiro 
O que me pareceu ser uma boa vazia de vaca, grelhada com exactidão, mostrou que também as carnes são trabalhadas e selecionadas de forma especial. Mas o melhor foi mesmo o arroz de fumeiro, rico e saboroso, com legumes e feijão a tornarem-no quase num prato completo. Muito bom!

Torta de Laranja
Uma boa torta de laranja é sempre difícil de encontrar, ora não tem a textura certa, ora é demasiado doce, e poucas (ou nenhumas) chegam perto da receita da mãe, que sempre foi marcando o meu palato e deixando o patamar alto. Pois bem, aqui a torta está lá perto, bem executada e sem excessos, com sabor ainda fresco. Um final com alguma frescura depois de uma já longa e pesada refeição.

Mas haveria tempo para finalizar a refeição com um pequeno Queque de Cenoura e Pinhão, feito na hora, húmido, quente e cheio de sabor, que se revelou a escolha para as visitas seguintes.

Queque de Cenoura e Pinhão

A carta de vinhos é outro dos pontos altos deste Brasão, com muitas e boas opções de todas as regiões do País, com destaque para os Vinhos Verdes e o Douro. Para esta refeição optou-se por um sempre fantástico Alvarinho da Quinta de Santiago.

O serviço decorreu de forma correcta, com a mise en scène de sala a ser bem trabalhada e a revelar muito mais cuidado do que aquele que habitualmente encontramos num restaurante de cunho tradicional.

Considerações Finais
Uma refeição imaculada, como, aliás, têm sido todas as nossas visitas ao reino do Sr. Carvalho. Um mestre, para o qual a reforma ainda parece algo muito longínquo, tal é o brio e encanto com que enfrenta cada serviço.

A cozinha do Brasão mostra bem o que pretendemos da nossa cozinha, bons produtos e muito, muito sabor. Por falar em sabor, à quarta-feira (ou por encomenda) serve-se aqui uma Costela de Boi cozinhada inteira, e no bafo, por 8h, que é de chorar por mais, e que aliada à sopa de garoupa, promete criar uma refeição difícil de esquecer.

Infelizmente, e em especial nas grandes cidades, são cada vez menos os grandes restaurantes de cozinha tradicional, pelo que são pessoas e espaços como o Sr. Carvalho e o seu Brasão que nos fazem acreditar que vale a pena cada viagem e cada km para nos deliciarmos com os encantos e a sabedoria de quem dedica a vida aos sabores únicos e autênticos da verdadeira cozinha tradicional portuguesa!

Restaurante Brasão
Preço Médio: 20€ por pessoa sem vinhos
Rua da Liberdade, 4082, Refontoura – Felgueiras
255336118

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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