Porto – Feitoria Inglesa

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A Feitoria Inglesa bem pode ser um dos mais bem guardados segredos da cidade do Porto. Construída entre 1785 e 1790, sob o comando do cônsul John Whitehead, serviu os interesses da comunidade Inglesa da cidade, fortemente ligada ao comércio de Vinho do Porto. Desde 1811, com a extinção das Feitorias, tornou-se a sede da British Association, funcionando nos mesmos moldes até aos dias de hoje com as mesmas regras e um imaculado respeito pelo seu Passado.

Controlada pelas grandes companhias inglesas de Vinho do Porto, A Feitoria não é uma simples sede, é também a casa da melhor colecção de vinhos Vintage da cidade ( cada membro da Feitoria “paga”  a sua entrada no Club em caixas de Vinho do Porto Vintage). Possuí uma espantosa Biblioteca de livros ingleses, alguns com mais de 2 séculos, com uma série de primeiras edições, de Charles Dickens à história do vinho do Porto.

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Visitar e almoçar na Feitoria é uma experiência apenas possível por convite. Todas as quartas feiras, os membros e os seus convidados reúnem-se para um almoço informal. A escolha da quarta feira tem também ela uma razão histórica, uma vez que no passado as encomendas inglesas de Vinho do Porto chegavam à cidade à Segunda e à Quinta, para serem expedidas no dia seguinte, ficando a quarta mais livre para os comerciantes se poderem reunir e desfrutar do seu club.

A convite de Joe Álvares Ribeiro, o 1º Tesoureiro de origem portuguesa (o tesoureiro funciona como o Presidente da Feitoria ), pudemos conhecer a história da Feitoria e participar num desses almoços. Cabe ao Tesoureiro a difícil tarefa de escolher o Vintage, que será provado no final da refeição e que os membros tentarão decifrar, enquanto o próprio se regozija com as respostas que vai ouvido.

O Almoço tem hora marcada, com o aperitivo a ser servido às 13h no Drawing room, ou não estivéssemos nós em solo britânico, aqui é também exposto o Jornal The Times de há 100 anos atrás, um gesto curioso e mais uma lufada de história e tradições.

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Do almoço Buffet, destaque claro para o Vintage de 66 (eu não fui abaixo dos anos 70), e para o magnífico Stilton com que terminamos a refeição. Neste Almoço houve ainda a particularidade de ser totalmente harmonizado com vinhos Brancos Internacionais do Velho e Novo Mundo.

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 Existem poucos sítios assim, com tanto amor e respeito pela tradição e a história. Que os seus almoços, os seus jantares, os bailes, perdurem por muitos mais séculos.

Feitoria Inglesa
Rua do Infante D. Henrique, 8, Porto

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Londres em 3 Dias – Dia 3

London - 104Palácio de Buckingham

Terceiro e último dia, infelizmente.

Começamos o nosso dia bem cedo para aproveitar ao máximo, o cansaço já se faz sentir mas nada nos pára!

London - 112Hyde Park

Parques!!! À semelhança de Paris, Londres também é uma cidade repleta de belíssimos e frequentadíssimos parques. E nem pensar ir a Londres e não conhecer pelo menos o Hyde Park, sorte a minha, como estive na cidade no fim de Novembro, já estava tudo repleto de decorações natalícias que eu tanto adoro, e no Hyde Park havia o Winterwonderland! Que maravilha, um pequeno parque temático de ambiente Natalício, preenchido com diversões, barraquinhas e espírito para viver o Natal. Mas, Natal e brincadeiras à parte, o Hyde Park é o principal parque do centro de Londres e forma uma das maiores áreas verdes da cidade, com 2,5 km2 de área. Ele é oficialmente reconhecido como um dos parques reais de Londres, ou seja, que outrora pertenceu a monarcas, e é famoso pela sua Speakers’ Corner (local onde qualquer cidadão pode discursar criticando o que quiser menos a família real ou o governo inglês, estando em cima de algo, pois se não estiver a pisar solo inglês não está sujeito às suas leis!), este serviu de palco a personalidades importantíssimas, tais como Karl Marx e George Orwel.

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O Hyde Park é maravilhoso, e vão perceber isso quando se cruzarem com os esquilos! Vão querer passar o dia todo a alimentá-los! O parque possui uma infraestrutura considerável, com restaurantes, cafés, um centro de aprendizagem sobre natureza e a vida selvagem, passeios em carruagens, barcos a pedal para o uso no lago Serpentine e o aluguer de espreguiçadeiras. Há também um clube de ténis e cavalos disponíveis para o hipismo.
Este serve também de palco a eventos de música, por onde já passaram nomes como Madona, U2, Red Hot Chilli Peppers, entre outros.

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Após um relaxante início do dia no Hyde Park, decidimos ir ver a troca da Guarda Real no Palácio de Buckingham (residência da monarquia inglesa, não é, nem de longe, nem de perto, um dos edifícios mais bonitos de Londres), esta acontece diariamente de Maio a Julho ou em dias alternados no resto do ano, por volta das 11h30, mas se querem ver bem, mais vale irem mais cedo! Sinceramente, dispenso, fui assistir mas não voltaria a repetir, perdi imenso tempo, teria sido bem mais interessante visitar outro local, no entanto, se forem com tempo, sem dúvida que é algo mítico na cidade de Londres. Basicamente, é um alinhamento perfeito de Guardas, com as suas fardas típicas, baterias, muito barulho e muita gente, e é o momento em que, como o próprio nome indica, há uma troca de guardas, em que é entregue a chave do palácio aos guardas que vêm substituir os que estavam, é um cenário cujas personagens principais são os Old Guards e os New Guards.

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Para aqueles que dispensarem a troca da Guarda durante a sua curta estadia em Londres, e mais uma vez recomendo que o façam, sugiro que aproveitem essas horas, para visitar Notting Hill, passear pelo famoso Mercado de Portobello Road e conhecer um pouco de uma zona muito multi cultural e excêntrica da cidade, sugiro que o façam ao sábado de manhã, pois é o dia em  que o mercado está ao rubro (Nota: a probabilidade de encontrarem Hugh Grant ou Julia Roberts é muito reduzida).

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Ainda sem grande fome e com vontade de resgatar o tempo perdido na Troca da Guarda Real no Palácio de Buckingham, rumamos ao HMS Belfast (que não conseguimos visitar no 1º dia, durante o inverno as principais atrações da cidade fecham as portas muito cedo, a rondar as 17h30).

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Imaginem um navio que traduza ao pormenor toda a vida da Marinha Real Britânica durante a Segunda Grande Guerra, esse navio é o HMS Belfast! Aposentado e ancorado permanentemente nas margens do Tamisa, desde 1971 é operado pelo Imperial War Museum. Batizado em homenagem à cidade de Belfast, capital da Irlanda do Norte, este desempenhou um papel único durante a Segunda Guerra Mundial e décadas depois apoiou a ONU na Guerra da Coreia. A recriação é feita de uma forma semelhante ao Churchill War Room, encantando miúdos e graúdos.

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Bem, é tempo de comer, e nada melhor do que explorar um dos mercados de rua.
O Borought Market é um daqueles deliciosos locais cheios de aromas e sabores, com produtos típicos e tradicionais e também internacionais, onde dá vontade de comer de tudo! Está sempre cheio de locais e turistas à procura das mais diversas iguarias.
Este mercado é um autêntico centro de distribuição e abastecimento de alimentos. É o mais antigo da cidade, cuja história remonta ao século XIII, em que havia um mercado estabelecido na margem sul do Tamisa, próximo à London Bridge, e há 250 anos mudou-se para o local que ocupa ainda hoje. É perfeito para comprar algumas coisas deliciosas e frescas, e ir a comer enquanto se continua a visitar a cidade, ou então se preferirem podem mesmo comer dentro do mercado nas suas diversas bancas, que mais uma vez mostram toda a mescla de culturas que fazem de Londres uma cidade única.

Próximo ao mercado aproveitamos, ainda, para visitar uma belíssima catedral, a Southwark Cathedral.
Esta catedral é a mais antiga igreja gótica em Londres, reconstruída em 1212, depois dum incêndio danificar severamente a igreja, anteriormente no estilo normando.

Bem, chegamos ao fim! É altura de regressar ao Hotel, pegar na mala e voltar a casa.

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Londres, a cidade intemporal, que concentra no mesmo momento o passado, presente e futuro.
A cidade que nos remete facilmente para um filme de ação do James Bond, mas também para um episódio dos Tudors.
A cidade de Shakespeare, do Sherlock Holmes, e da Monarquia mais emblemática de sempre!
A cidade repleta de história, de vida, de cultura, e de tanta diversidade.
A cidade que nos faz querer voltar vezes e vezes sem conta…

Este Artigo é o 3º de uma série de 3. (ver Dia 1) ( ver Dia 2)

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Londres em 3 Dias – Dia 2

London - 69 Big Ben e London Eye

Segundo dia em Londres, acordar cedo e seguir à descoberta da cidade.

Optamos pela zona de Westminster, iniciando pela Westminster Abbey, que faz parte dum núcleo político e religioso do Reino Unido -Parliament Square.
A Abadia é uma das mais belas e a mais importante igreja inglesa, sendo um glorioso exemplo de arquitectura medieval. Em 970 d.C., São Dunstan da Cantuária fundou no local uma comunidade de Monges Beneditinos mas só entre os anos de 1045 e 1050 é que foi construída a abadia em pedra por Edward, “The Confessor”. Esta continua a ser um local de eleição para comemorações da realeza, como a coroação da Rainha Elizabeth II, o funeral da Princesa Diana, e o casamento do Príncipe William com Kate Middleton. Este magnifico local é também um panteão, que guarda não só os túmulos reais como os de personagens de destaque na história, como Isaac Newton, Charles Darwin, entre muitos outros.

London - 71A Abadia de Westminster

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Este núcleo político e religioso é onde palpita o coração de Inglaterra, o Parliament Square é constituído também pelas Houses of Parliament ou Palácio de Westminster, um vigoroso edifício gótico, onde fica o maior símbolo da cidade, o famoso Big Ben, a torre do relógio com um sino com mais de treze toneladas, idealizado pelo enorme Benjamin Hall, um homem grande, e um grande homem, que lhe deu o seu nome! Este notório cartão postal de Londres marca as horas pontualmente há mais de 150 anos.

Neste local podemos também encontrar as estátuas de Winston Churchill e Oliver Cromwell e a St. Margaret’s Church, que fica ao lado da Abadia de Westminster e é a preferida dos políticos e famosos para os seus casamentos. Outro local junto à Abadia é o Dean’s Yard, uma praça pitoresca, constituída por prédios de diferentes épocas, muitos deles ocupados pela Westminster School.

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Muito próximo de Parliament Square e em direcção ao centro da cidade, temos o Museu Churchill War Rooms. Adorei… Aqui conseguimos descobrir os aposentos originais e as salas por onde passaram todas as estratégias e comunicações de Churchill durante a II Guerra Mundial, percebemos na perfeição o bunker onde aquele Governo e o seu mais emblemático líder  comandaram os destinos daquele País e da Europa. Percorremos a história secreta que se vivia no subterrâneo, as histórias de quem trabalhou no subsolo enquanto Londres era bombardeada.

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Quando saímos daqui, percorremos a rua White Hall até chegarmos a Trafalgar Square, ao próximo local de paragem obrigatório, a National Gallery, mas não sem antes dar uma espreitadela na célebre 10 Downing Street, residência oficial e escritório do primeiro-ministro, e tirar umas fotografias na Horse Guards.

London - 55London - 44The National Gallery

A National Gallery, datada de 1824, é um dos mais importantes museus da Europa e um dos mais conhecidos do mundo. Abriga uma preciosa coleção de mais de 2.300 pinturas, que datam desde a metade do século XIII até o início do século XX.
Este edifício monumental de estilo neoclássico, construído sobre uma antiga mansão londrina que lhe confere as colunas italianas na entrada, contém algumas das obras mais importantes, raras e emblemáticas da História da Arte, de artistas como Leonardo da Vinci, Botticelli, Caravaggio, Rembrandt, Renoir, Monet, Van Gogh, Gauguin, Degas, Picasso, entre outros.

Bem, manhã excelente mas exaustiva, foi sem parar um segundo, mas quem corre por gosto não cansa, e só assim aproveitamos a cidade a sério! São apenas 3 Dias!

London - 40Covent Garden Apple Market

Paramos então para almoçar no restaurante Clos Magiore (Ver), em Covent Garden, eleito ano após ano o mais romântico da cidade. A área é dominada por estabelecimentos comerciais, que oferecem compras e entretenimento, além de performances de rua. Covent Garden Market é um exemplo disso, com bares e restaurantes, artistas de rua e lojas variadas.

London - 33 Royal Albert Hall

Após o almoço e um descanso merecido rumamos a um imponente edifício, o Royal Albert Hall, que infelizmente não pudemos visitar pois estava encerrado. Esta é uma sala de espetáculos com capacidade para mais de 8.000 pessoas, inaugurado a 29 de Março de 1871 pela rainha Vitória, em memória do seu falecido conjugue Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. O edifício é belíssimo, e caracteriza-se por uma abóbada de vidro e o uso do tijolo em terracota, característica típica da era vitoriana que também está presente, por exemplo, no Natural History Museum.

London - 31Fóssil de Dinossauro no Museu de História Natural

Falando neste último, foi precisamente o sítio para onde fomos a seguir!
Quando chegamos já eram perto das 17h, logo já estava a anoitecer, o que enalteceu ainda mais a beleza do edifício vitoriano que é este museu de ciência da vida e da terra. O espaço contém cerca de 70 milhões de espécies ou itens. Existe também um jardim de vida saudável, que inclui várias espécies nativas de fauna e flora. Fundado em 1881 como departamento do Museu Britânico, possui coleções com um grande valor histórico e científico, como as espécies recolhidas por Darwin. Uma das exclusividades é a exposição permanente de esqueletos de dinossauros. A biblioteca contém livros, jornais, manuscritos e coleções de arte ligadas ao trabalho e à investigação. É um local adorado tanto por adultos como por crianças.

Por fim, terminamos o nosso dia a passear e jantar na movida região de Soho, num dos seus mais concorridos restaurantes, o Pulpo.

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Este Artigo é o 2º de uma série de 3. (ver Dia 1) (Ver Dia 2)

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Londres em 3 Dias – Dia 1

London Bridge London Bridge

Tenho que admitir que sempre foi uma das cidades que mais queria conhecer, talvez por ter uma pessoa que me é muito próxima completamente viciada e neurótica por Londres, e que desde cedo me incutiu o interesse por esta viagem!
Assim, numa fugida de apenas três dias lá me aventurei por terras de Sua Majestade.

Londres é uma espécie de paraíso para todos os gostos, é simultaneamente uma cidade com séculos de história e cosmopolita como poucas. Em cada recanto encontramos um edifício histórico ao lado de outro que enaltece o que de melhor temos na arquitetura dos nossos dias. É o passado conjugado com o futuro na mais perfeita combinação. Daí o sucesso daquela que é uma das cidades mais visitadas do mundo.

London - 16 A vista da Catedral de St Paul

Londres é uma importante cidade global e um dos maiores, mais importantes e influentes centros financeiros do mundo. Cidade que remonta a sua origem aos romanos, apresenta uma enorme diversidade de povos, culturas e religiões, uma das imensas razões pelas quais é considerada uma das cidades mais interessantes do mundo, e uma das melhores para se viver.

Londres já foi a maior cidade do mundo (entre 1831 e 1925). A superpopulação e o crescente congestionamento do tráfego deram origem à primeira rede ferroviária urbana do mundo. O que conhecemos por Londres é, nada mais nada menos que, uma região administrativa que reúne 32 bairros (boroughs) e um distrito que ocupa o centro da cidade (City of London) que tem apenas uma milha quadrada – Square Mile – e possui um estatuto único, com o seu próprio “Lord Mayor of London”, câmara municipal, bandeira, brasão, polícia e até leis.
Historicamente, o que faz da City of London tão especial é que foi nesta área da margem norte do Tamisa, em meados do século I d.C., que os romanos se estabeleceram comercialmente e ao qual chamaram de Londinium.

Mas, história à parte, vou contar-vos o que consegui visitar em apenas três dias.

Chegamos por volta da hora do almoço a Londres e a fome já apertava! Pousamos as malas no hotel e rumamos à descoberta dum local para comer.
Optamos pela street food na mítica Chinatow que fica no Soho, Westminster. É um pouco da China na capital inglesa, com restaurantes e lojas tradicionais de grande qualidade.
Aqui encontram comida oriental a um preço bastante acessível, e bastante saborosa também, optamos pelo Yangguang Supermarket, e o mais famoso Char Siu Bao da cidade (ver artigo).

London - 15 St Paul

Mais confortáveis e com o apetite saciado, rumamos à City of London, a um dos ex libris da cidade, a St Paul’s Cathedral, ou a Catedral de São Paulo. Esta obra prima de Sir Christopher Wren, que a reconstruiu após um grande incêndio em 1966, foi o local do casamento do Príncipe Charles e de Lady Diana em 1981. É uma catedral anglicana e é a sede do Bispo de Londres, a sua cúpula é a segunda maior do mundo e dela tem-se uma visão magistral sobre a cidade. No local da catedral foi erguida, em 604 d.C., a primeira igreja de Inglaterra, feita de madeira. Ao longo de centenas e centenas de anos foi sendo alterada e reconstruída até que assumiu a forma que o seu último arquiteto lhe deu, o estilo barroco com uma cúpula inspirada na da Basílica de São Pedro (a única que a ultrapassa na altura!). Aqui estão sepultadas personalidades importantíssimas, como o seu próprio arquiteto, a pioneira de Enfermagem, Florence Nightingale, o Duque de Wellington, Alexander Fleming, entre muitos outros.

London - 14 Tower of London

Após este exímio exemplo de arte sacra, rumamos à Tower of London, que fica relativamente perto. A Torre foi fundada em 1078 por Guilherme I, o Conquistador, que ordenou a construção da Torre Branca dentro do ângulo sudeste das muralhas da cidade, adjacente ao Tamisa. A Torre servia para proteger os Normandos do povo de Londres e para proteger a cidade dos invasores externos.

Foi um dos locais que mais me suscitou interesse, pois todo o ambiente está repleto de história e influenciado pela sua própria estrutura física.
A sua função já foi residencial até meados do século XVII e, até hoje, possui o papel de abrigar os monarcas que são coroados. No entanto, as funções foram variando com o passar dos séculos, desde palácio para “Sede da Casa da Moeda” a “Mostra dos Animais do Reino”, servindo, também, como local de execução e tortura. Este último cujas histórias enchem as nossas mentes de curiosidade, mórbida, diria eu!

London - 13 Bloody Tower – Torre de Londres

É também na Torre de Londres que as Jóias da Coroa ficam guardadas, numa câmara subterrânea.
Pormenor curioso é a colónia de corvos que habita a Torre e é protegida por decreto real, pois segundo a lenda, o império ruirá no dia em que estas aves deixarem o lugar, verdade ou lenda, é melhor não arriscar!

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Esta maravilhosa e misteriosa, quase assustadora, obra de arte é constituída, também, pela Torre Sangrenta, que representa o passado obscuro e de terror deste local, a Igreja de São João, o Evangelista, um local normando de devoção religiosa, o Portão dos Traidores, assim chamado por garantir um meio discreto de conduzir importantes prisioneiros à Torre, a Torre Verde, local de execução de pessoas nobres, como por exemplo, Ana Bolena, o museu das armas e armaduras reais, e os guardas, num total de 35 que vamos encontrando ao longo de todo complexo, que usam os uniformes da época dos Tudors.
Resumindo, um exemplar de história pura com todo o mistério necessário para suster a nossa respiração.

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Muito próximo da Torre temos um dos locais mais icónicos da cidade, a Tower Bridge, uma ponte-báscula construída sobre o rio Tamisa, inaugurada em 1894, sendo atualmente uma das pontes mais famosas do mundo, e sem dúvida, uma das mais bonitas.
Findada esta tarde saída de uma aula de história, fomos jantar ao Tapas Brindisa (artigo) nas imediações do Borough Market.

London - 22Picadilly Circus

Após o jantar aproveitamos para visitar uma das praças mais frenéticas de Londres, Picadilly Circus. Que vida, que luz, que loucura! Somos completamente invadidos por uma sensação de alegria, tal é a euforia desta zona!
A área é rodeada de várias atrações turísticas, incluindo a estátua de Eros e os bares e teatros do West End londrino. Durante os anos sessenta do século XX era um dos centros da Londres moderna.

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Uma das razões pela qual se chama de Circus são os famosos outdoors localizados num prédio de esquina de Picadilly, neles podem ser observados vários anúncios comerciais em néon.
Por fim, terminamos o primeiro dia, já exaustos, a assistir ao musical O Fantasma da Ópera, no Her Majesty’s Theatre, (na altura da nossa visita, ainda com a fantástica Sofia Escobar), recomendo vivamente que assistam a um musical, há imensos em exibição o ano todo, e para todos os gostos!

London - 20 O Final do 1º dia Dia foi perfeito, na companhia do famoso Fantasma da Ópera

Este Artigo é o 1º de uma série de 3. (ver Dia 2) ( Ver Dia 3)

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Caves do Vinho do Porto – Graham’s

As Caves 1890 da Graham’s, nasceram nesse mesmo ano num cenário idílico de Vila Nova de Gaia, ligeiramente afastada das restantes caves, com vista sobre o Porto e as bonitas Pontes da cidade. Abertas ao público há mais de 20 anos, foram no ano de 2013, alvo de uma grande renovação , marcando uma nova forma de olhar para o Enoturismo e para a forma de Bem receber.

Com a compra da Graham’s pela família Symington em 1970, a empresa tem-se desenvolvido com respeito pelo passado, como podemos ver na sala museu, onde nenhum pormenor foi deixado ao acaso, desde livros de lote centenários, fotografias, cartas de agradecimento da Rainha de Inglaterra ou do Presidente Obama, um famoso relógio Patek Philippe, outrora pertencente à Rainha Maria Pia, que foi comprado pela família Symington, garrafas históricas, e uma pequena homenagem aos artesãos que ainda hoje trabalham na Graham’s (é a única empresa de Vinho do Porto a manter uma equipa de Tanoeiros) e em particular ao mestre Emílio Oliveira, que há 50 anos se ocupa de toda a tanoaria da família.

Num nível mais abaixo, e num ambiente completamente distinto – mais escuro e fresco – vivem e descansam os bens mais preciosos da Graham’s, os seus vinhos, com mais de 3200 cascos, entre pipas e balseiros, desengane-se quem acha estar perante um museu, por ali passaram e continuam a passar todos os vinhos da casa, é uma cave em pleno trabalho e em constante alteração, podendo facilmente passar por um balseiro de Six Grapes, um futuro Colheita, ou para os mais atentos, pelas pipas que dão origem ao famoso e luxuoso Ne Oublie de 1882.

Na Cave as obras de reestruturação e recuperação foram de extremo bom gosto, sem alterar em nada a traça do espaço, e com destaque para o jogo de luz que nos ajuda a viajar no tempo tal é a carga histórica que se vive naquele espaço.  Falando em história, nada como percorrer algumas das salas mais internas da cave, onde envelhecem, qual bela adormecida, alguns dos principais Vintages da marca, com garrafas desde 1868 até aos dias de hoje. Que sonho e vontade de provar alguns daqueles néctares.

Entrando na sala de Provas, tudo muda para um ambiente com bastante luz natural, paredes brancas, decoradas com recurso a madeira, e claro ao que a Graham’s tem de melhor, os vinhos. Os bilhetes para visitar as Caves correspondem a um determinado tipo de prova, podendo ir dos 5€ ( 3 portos simples) até aos 50€. A partir dos 20€ tem-se acesso a uma outra sala de Provas, a Sala Vintage, um espaço de decoração tipicamente inglesa, num ambiente intimista, onde os sofás e livros que fazem parte do espólio da família, criam o cenário perfeito para provar alguns dos melhores vinhos da marca.

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Findada a visita e com a habitual ciência da organização de museus, terminamos na Loja,  onde, com  a ajuda de uma bem formada equipa, é possivel comprar os produtos da Symington que mais se adequam aos gostos de cada um, desde um simples vinho Prazo de Roriz, ao Azeite, passando como  é óbvio por toda uma variedade de Vinhos do Porto.

O Espaço das Caves 1980, da Graham’s, não se fica por aqui, faltando ainda falar do seu Restaurante Vinum, uma parceria entre os Symington e os espanhóis Sagardi, que trouxeram até Gaia, uma cozinha de raiz Portuguesa  assente na qualidade do produto e na mestria da confecção. Lembro os mais desatentos que este foi eleito Restaurante Revelação, nos prémios Flavors & Senses os Melhores para 2014. Destaque para a sala Atrium, com vista direta sobre o Douro e a cidade.

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Graham’s – Caves 1890
Rua do Agro, 141 (Grahams Port Lodge) Vila Nova de Gaia
220 930 417

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Gin Tasting Porto #4OUT

O Gin invadiu Portugal, diferentes combinações, cada vez mais produtores nacionais e bares da especialidade. Com base nisto e seguindo o sucesso do ano Passado surge mais uma vez o GIN Tasting, pela mão da Essência do Vinho, o único grande evento ligado exclusivamente ao mundo do Gin, no próximo dia 4 de Outubro na casa de Serralves.

“Mais de 50 marcas de gin (incluindo referências portuguesas) e águas tónicas, especialistas portugueses e convidados internacionais, um programa de workshops e master classes e a atuação constante de DJ’s são os pontos fortes do programa do “GIN tasting”.”

Um evento a não perder, com o selo de qualidade que a EV nos tem vindo a demonstrar. Ao contrário do ano passado, este ano o bilhete não dá acesso livre a todos os Gins em Prova, mas sim a 3 Gins + Copo e masterclasses.

Entrada – 15€/pp (10€ online até Quinta 2 de Outubro)

Gin Tasting

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Os segredos para um Bom Serviço #MAD4

Existe quem diga, que num restaurante com bom serviço se perdoa uma cozinha menos boa, no entanto quando o serviço é mau, raramente se perdoa, além de se julgar a comida pelo seu serviço.

Hoje, na era dos Chefs, das decorações modernas e da criação de ambientes diferentes, o serviço é mais um item, e não um dos principais. Longe vão os tempos, em que uma boa parte do entretenimento da refeição, estava em ver a chamada “cozinha de sala”, com molhos a serem preparados na frente do cliente, os famosos flamejados, ou a mestria na hora de decantar um vinho (no Porto ainda temos o Portucale).

Hoje tudo mudou, o principal entretenimento passa por um vidro entre a cozinha e sala além da originalidade e criatividade dos pratos que nos são oferecidos.  Com todas estas alterações a vontade do comensal continua a mesma, receber um bom serviço, e é sobre isso que o mestre Silvano Giraldin, a lenda à frente da sala do Le Gavroche, o 1º restaurante em Londres a conseguir 3 estrelas Michelin, falou no MAD 4.  Uma contextualização do serviço nos últimos 30 anos e as melhores dicas possíveis para um serviço de excelência.

Quem lê os meus artigos sabe o quanto valorizo o serviço, e a sua adequação ao restaurante em causa. Por isso aqui fica um vídeo obrigatório, para qualquer empresário da restauração e os seus profissionais de sala.

Silvano Giraldin: “The Art of the Table” from MAD on Vimeo.

“you can only see a service when he is missing it”

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Como andar em Amesterdão

A zona central da cidade é relativamente pequena com todos os principais pontos a serem de fácil acesso, daí dar uso às perninhas e caminhar pela cidade , perdendo-se entre ruas e canais e encontrando os encantos de Amesterdão ser uma boa opção. Outra, que tornará qualquer visitante num local, é a bicicleta, que também dá uso às perninhas e nos faz viver a cidade de uma outra forma.

Falando de bicicletas, se optarem por esta forma de transporte há dicas que tenho que vos dar: Muitos hotéis disponibilizam bicicletas para os seus hospedés passearem pela cidade, se não for o vosso caso, aluguem uma bicicleta, existem muitas lojas para escolher, como por exemplo a MacBike ou a Star Bikes, mas pesquisem os preços e os serviços. Para alugar precisam apenas de um cartão de identificação e passaporte, e também uma caução em dinheiro ou cartão de credito, há locais onde se paga adiantado e outros no acto de entrega da bicicleta.

Relativamente a percorrer a cidade de bicicleta, têm que ter alguns cuidados, respeitem os sinais de trânsito e as zonas onde devem levar a bicicleta pela mão, marcadas com um sinal de proibido. Os ciclistas têm prioridade exceto quando os veículos se apresentam pela direita (pelo menos na teoria, já na prática…). Algumas ruas têm ciclovia à margem da calçada, outras, faixa para ciclistas no asfalto, à direita das faixas dos carros. Há ruas sem ciclovia também. Quando não houver uma via exclusiva, devem pedalar sempre do lado direito, no mesmo sentido dos carros. Não devem parar no meio da ciclovia, e sempre que forem virar é importante não esquecer de fazer sinal com o respectivo braço. Existem também semáforos apenas para bicicletas. Ao estacioná-la, já sabem, prendam-na com dois cadeados ou correntes se a quiserem encontrar no sítio.

Basicamente, a palavra de ordem é a informalidade, e isto foi das coisas que mais adorei nesta viagem, as pessoas são práticas, simples, sem pretenciosismos e descontraídas.


Relativamente aos transportes públicos e para quem preferir um meio mais perguiçoso, pode optar por duas maneiras de viajar e economizar, adquirindo o I Amsterdam Card (passe turístico que inclui transporte ilimitado, estacionamento, descontos de 25% em restaurantes, passeio de barco pelos canais e entrada em quase todos os museus (com exceção de Anne Frank House e do Rijksmuseum – desconto de 2,5€), temos a opção de 24 horas (47 euros), 48 horas (57 euros) ou 72 horas (67 euros) – aconselho a comprar, a quem pretender utilizar muito os transportes e ver muitos museus, pois economiza-se bastante em tudo. A segunda maneira de economizar é com os passes diários da GVB – a empresa de transportes de Amsterdão. Os passes garantem de 24 a 168 horas de transporte ilimitado nos elétricos (Tram), no Metro e no Bus. Podem também optar pelo bilhete individual que vale para viagens feitas durante uma hora, mas se usarmos transportes várias vezes ao dia, o melhor é comprar um dos passes diários pois o passe válido por 24 horas custa 7,50 euros e a viagem individual cerca de 2.8€. Não se esqueçam, a validade passa a contar a partir da primeira utilização, e devem validar à saída do transporte também, nao só à entrada. Estes passes podem ser comprados diretamente a bordo do Tram, do Bus, ou nas máquinas de bilhetes nas estações de Metro. Importante, apenas transportes da GVB são contemplados pelo passe. Durante a vossa estadia, porém, dificilmente precisarão usar algum transporte em Amsterdão que não pertença à empresa.


Algo caricato que nos aconteceu foi que quando a estação em que queríamos sair estava próxima, tocamos no botão verde ao lado da porta para solicitar a paragem, o Tram parou mas não abriu a porta, teve que ser um Sr. a tocar novamente no botão verde para que a porta se abrisse, achavamos nós que bastava tocar uma vez! Por isso, um toque para solicitar paragem na próxima estação e um toque para a porta se abrir, e não se esqueçam de encostar o passe no leitor antes de descer. Os Trams circulam até meia-noite.

Existe ainda que opte por alugar um carro, que pessoalmente julgo só valer a pena para quem quiser andar pela zona campestre e visitar ouras terras nas proximidades, até porque conduzir e estacionar em Amesterdão pode ser um tanto ou quanto caótico e não é o que queremos para umas férias.

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Visitar Amesterdão

Amesterdão… Uma cidade que sempre quis conhecer. Sempre me seduziu e aguçou a curiosidade, uma cidade irreverente, excêntrica e descontraída. Claro que tanto interesse acarreta uma expectativa muito elevada, mas que foi em tudo superada!

Tudo é agradável na capital Holandesa, os canais, os passeios de bicicleta, as casas-barco, os bairros boémios, a arte e principalmente o estilo de vida livre e relaxado.
A cidade tem pouco mais do que 750mil habitantes, com um centro bastante pequeno, sendo que é possível atravessar-se todo a pé em cerca de meia hora.
Viajando um pouco no tempo, Amesterdão nasceu na foz do rio Amstel, uma região de extensos lagos e pântanos que se encontravam abaixo do nível médio das águas do mar. A cidade começou a sua origem por volta de 1200, quando se estabeleceu uma pequena comunidade piscatória no local onde hoje é a praça Dam. Nos séculos seguintes, tornou-se num dos principais portos de comércio da Europa.

As bonitas pontes da cidade, a Ópera de Amesterão e a igreja de Moisés e Aarão em fundo

Trabalhadores vindos de todos os locais, desde artesãos, mercadores, negociantes, juntaram-se na cidade e foram dando-lhe vida graças às trocas comerciais.
Amesterdão já é diferente desde o passado, ou seja, ao contrário dos seus vizinhos europeus que tinham um passado feudal, com uma nobreza ou clero influentes, aqui reinava o consenso social e o capitalismo mercantil, e foi esta história, esta diferença, que, muito provavelmente, serviu de impulsionador a uma das mais irreverentes e distintas cidades do mundo.

É uma cidade tolerante e de mente aberta, que percebeu que se não se consegue pôr fim a algumas questões, mais vale aceitá-las e “vigiá-las” minimamente. Assim, a prostituição é legal desde o século XVII, o consumo de marijuana nas coffeshops é livre e legal, a eutanásia também é legal, e o casamento entre homossexuais está legalizado desde 2001.
Aqui vive-se um espírito genuíno de tolerância e abertura e acredita-se na liberdade individual. No fundo, acho que é isto que tanto fascina nesta cidade!


Bem, vamos agora percorrer a cidade. Podem fazê-lo a pé, de bicicleta ou de transportes públicos. Se optarem por percorrer a cidade a pé tenham cuidado pois a probabilidade de serem atropelados por uma bicicleta é bastante elevada, são centenas delas, e são elas que ditam as regras, a cidade tem leis que desencorajam o recurso do automóvel, e então, todos andam de bicicleta. É confuso, mas bem mais agradável e menos poluente.

A estação Central de Amesterdão

São muitos os museus em Amesterdão, mais de 50, e de todo tipo, por isso escolham os que mais se adequam a vocês.
Mais a ocidente da cidade podemos encontrar uma das casas mais mediáticas da história da Segunda Guerra Mundial. A casa de Anne Frank, onde viveu e se escondeu no sótão a menina judia de 13 anos juntamente com a sua família durante a perseguição e política anti-semita de Hitler, e onde escreveu durante dois anos, até ela e a família serem descobertos e levados aos campos de concentração, o diário mais traduzido de sempre. Façam a visita logo pela manhã para evitar filas.

Rijksmuseum

Próximo à casa, existe uma igreja, a Westerkerk, cujo som do sino era uma das poucas referências externas que a família tinha enquanto vivia em isolamento. No seu interior podemos ver frescos dos evangelistas de Gerard de Lairesse, um dos alunos de Rembrandt, cujos restos mortais foram aqui sepultados em local desconhecido.
Há pelos menos 3 Museus que considero imperdíveis em Amesterdão, um deles, o Rijksmuseum.

É o mais importante museu do país, e foi concebido pelo arquiteto Petrus Cuypers em 1885. É um imponente palácio de tijolo vermelho na sua maioria de estilo neorenascentista holandês mas com alguns apontamentos neogóticos e abriga um acervo de arte holandesa inigualável. A jóia da coroa é a “Ronda Noturna” de Rembrandt.
Para conhecer o Rijksmuseum é preciso bastante tempo e as filas são longas mas vale bem a pena.

A “Ronda Noturna” de Rembrant

Outro museu imperdível, o Museu Van Gogh que acolhe a maior coleção do mundo das obras deste génio que apenas começou a pintar aos 27 e que se suicidou 10 anos depois.
São mais de 200 quadros e 500 desenhos de diversas fases do artista, além das cartas que ele escrevia ao seu irmão mais novo, Theo, negociante de arte em Paris.

A jóia é o famoso “Os comedores de Batatas”.
O museu possui também obras dos seus “modestos” amigos, Gauguin, Monet, Bernard e Pissaro.

Encontramos também nesta cidade repleta de arte um dos mais importantes museus de arte contemporânea do mundo, o Stedelijk Museum, que inicialmente foi criado para abrigar a coleção particular de obras de arte de Sophia de Bruyn que foi doada à cidade, mais tarde, obras de Matisse, Malevich, Piet Mondrian, Picasso e Monet passaram a fazer parte da coleção.

Um dos Auto retratos de Van Gogh no Rijksmuseum

Além destes locais podemos encontrar muitos outros, a Casa de Rembrandt, o Museu Judaico, a Heineken Experience para os apaixonados por cerveja, o Museu da Marijuana, A Sinagoga Portuguesa, o Museu do Sexo (claro que não podia faltar), o Museu Erótico…. Há uma imensidão de coisas para se fazer. Decididamente não dá para ir só uma vez a Amesterdão.
Outros locais magníficos são as praças, a Dam, por exemplo, local onde nasceu a cidade, destaca-se pelo Koninklijk Paleis, ou palácio real e a basílica de Niuwe Kerk.

Koninklijk Paleis

Falando em praças podemos falar também em jardins, como o Vondelpark, um dos jardins mais concorridos da cidade com lagos artificiais, relvados e caminhos sinuosos entre as árvores.
Numa zona mais central da cidade encontramos um dos sítios que mais curiosidade me suscitava ( a mim e a qualquer turista que chega pela 1ª vez), o Red Light District ou Bairro da Luz Vermelha!

O Red Light District antes da hora de Ponta

É, sem dúvida, um local bastante diferente, irreverente e onde se vê de tudo, as janelas com as cortinas e luzes vermelhas exibem mulheres magras, gordas, muito gordas, novas, maduras, loiras, ruivas, morenas, todas praticamente nuas! Quando estas não estão disponíveis as cortinas estão fechadas.


Este bairro já existe desde o século XIII quando os marinheiros chegavam ao porto necessitados de companhia feminina. A prostituição cresceu e instalou-se com tanta força que depois de várias tentativas frustradas de eliminar a profissão no local, o ofício acabou por ser aceite e mais tarde legalizado.
Toda a gente é atraída para esta rua, toda a gente olha, toda a gente aguça a curiosidade. Além das janelas/montras a rua tem também sex shops, cafés, museus eróticos, shows de sexo explícito e restaurantes.

A Famosa Praça Dam

Além desta irreverência temos também outra em Amesterdão, os Smoking Coffeeshops (que aromatizam o ar um pouco por toda a cidade).
Estes não são os típicos cafés nos quais costumamos entrar durante uma viagem para descansar um pouco e recarregar as baterias. Nestes nem sequer é permitida a entrada de menores. Estes são os famosos bares onde a marijuana e haxixe são vendidos livremente. E para quem não fuma, podem também ser consumidas na forma de bolinhos e biscoitos. A quantidade de matéria-prima com que são confeccionados é sempre uma incógnita, por isso não se empolguem demasiado!

Amesterdão é muitas vezes apelidado de Veneza do norte pois os seus canais são igualmente bonitos, e conferem à cidade um charme inigualável.
Herengracht ou Canal dos Cavalheiros é um deles e está rodeado por exuberantes mansões altas e estreitas (para minimizar os impostos, uma vez que estes eram taxados de acordo com a largura). Singel é outro dos belíssimos canais, junto ao qual fica o mercado flutuante de flores e produtos orgânicos, o Bloemenmarkt.
Além destes grandes canais, temos muitos outros, uns mais pequenos, outros maiores, com cerca de 2500 Casas-Barco e com variadíssimas pontes.

Na Gastronomia, a cidade também marca alguns pontos, fugindo dos inúmeros espaços de batatas fritas que parecem uma espécie de praga, encontramos fantásticas padarias artesanais, lojas de queijos, mercados biológicos e restaurantes que vivem o espírito da cidade.
Esta cidade é única, irreverente, descontraída e acima de tudo boémia e alegre. Há tanto para ver e viver em Amesterdão, para todas as idades e para todos os gostos! Vão com tempo ou então façam como eu, marquem o Regresso!

A Ronda Noturna transformada em estátua numa praça da cidade

Fora da Cidade
Podem também, se tiverem tempo, passear fora da cidade pelas estradas da Holanda, com as paisagens de moinhos e flores (para isto escolham uma época do ano com sol-entre Abril e Junho). Se tiverem uns dias extra não deixem de visitar as vilas de Alkmaar e Haarlem. A primeira tem um dos mais antigos mercados de queijo da Europa, com origem no séc. XVII. Quanto a Haarlem é uma cidade que mantém a estrutura do séc. XVII com edifícios históricos, pátios e jardins interiores, com lojas de antiguidades únicas.

Onde Ficar
Hotel Dwars
Sofitel Legend The Grand Hotel

Onde Comer
L’Amuse (Stadionweg 147), é a loja indicada para os adeptos de queijo, por lá poderão encontrar os melhores exemplares dos mais variados queijos da Europa escolhidos a dedo pela mestre Betty Koster.
A Hartog’s (Ruyschstraat 56/cnr. Wibautstraat) é a padaria artesanal mais famosa da cidade, com tudo a ser produzido na casa desde a própria farinha.
No que a restaurantes diz respeito, Amesterdão está bem servido, com espaços com estrelas Michelin como o Ciel Blue (2 estrelas), restaurantes elegantes como o De Kas, localizado numa antiga enfermaria, passando pelo descontraído Ron Gastrobar, do famoso chef Ron Blaauw. É possivel ainda encontrar uma grande diversidade de espaços de cozinha tailandesa, japonesa e claro na Chinatown pode encontrar-se o mais tradicional que a cozinha Chinesa tem para oferecer.

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José Avillez

Existem pessoas que sonham, pessoas que criam e pessoas que executam, depois existem pessoas geniais que reúnem todas  essas características. José Avillez é uma dessas figuras geniais que brotam todas as características necessárias ao sucesso É um trabalhador incansável, um comunicador, humilde, e acima de tudo gosta de viver a vida com uma grande intensidade e paixão, porque contrariando um pouco Fernando Pessoa, não basta o homem sonhar para que a obra nasça.

Fomos conhecê-lo no seu novo restaurante, o Cantinho do Avillez, no Porto, o primeiro fora do seu “Reino” do Chiado e o 6º em apenas 3 anos.

De um estágio na Fortaleza do Guincho até à primeira estrela Michelin aos 29 anos, passaram pouco mais de 13 anos, como olha para esse passado?
Olho para o passado pensando que de facto foi tudo rápido e intenso. Há anos que praticamente me esqueci que passaram, com um turbilhão de coisas a acontecerem ao mesmo tempo. Há mesmo pessoas que conheci na altura e que hoje não me lembro se conheço ou não conheço. Mas olho com alegria, com um sentimento de que valeu tudo a pena, até porque, às vezes entre o ser bem sucedido e o mal sucedido, o trabalho não difere muito e muitas das vezes as pessoas trabalham o mesmo e são mal sucedidas. Por isso, agradeço a quem tenho de agradecer, à sorte e a outros fatores pelo facto de estarmos a ser bem sucedidos.

Passaram 3 anos desde a abertura do 1º Cantinho do Avillez ao qual se seguiram outros 5 restaurantes e uma estrela Michelin. Não foi tudo muito rápido?
Foi. Se há 3 anos um profeta me comunicasse que eu iria abrir 6 restaurantes em 3 anos eu diria que era um mau profeta, porque não estava a adivinhar nada do que iria acontecer. De facto não achava sequer possível, porque sei o trabalho que tudo envolve. Mas aconteceu… felizmente as coisas correm bem, há 3 anos éramos 17 pessoas a trabalhar na empresa hoje somos 138, e as coisas funcionam, com, por exemplo, o Cantinho a ser um sucesso desde o 1º dia, e o Belcanto, em que é preciso bastante antecedência para fazer uma reserva.

Com todo o trabalho, toda a dedicação, com a família a ser deixada um pouco para 2º plano e os amigos a quase deixarem de marcar presença, a cozinha tem de ser mesmo uma grande Paixão…
É uma grande Paixão, Sim, que nasce do meu prazer em comer. É uma exigência comigo próprio de querer fazer bem e de querer fazer melhor, é uma grande responsabilidade e acima de tudo um compromisso que vivo com grande Paixão.

Isso acaba por ser uma forma de motivar a equipa…
Sim mas de uma forma natural. A equipa é o mais importante no meio disto tudo, a propósito, eu costumo dizer que sou a locomotiva de uma série de carruagens que me seguem e muitas vezes a locomotiva desliga, porque simplesmente não aguento mais, até em termos de cansaço e tenho estas carruagens que pela força que têm me vão deslocando também. Com isso sei que fiz crescer muita gente que está comigo. O facto de não estar sempre ali de Babysitter faz com que as pessoas ou cresçam ou vão embora. E se muitos ficaram pelo caminho, muitos cresceram imenso com o nível de exigência e com a intensidade com que tudo acontece.

Falemos então das suas inspirações e influências…
Eu acho que isto se cruza sempre com um percurso pessoal, o que eu comi desde que nasci até hoje, o que comi em casa da minha avó, em casa dos meus pais, as viagens que fiz, entre outras coisas. Tudo o que se faz hoje em dia é fruto do que está para trás, daí a influência de Maria de Lurdes Modesto ou José Bento dos Santos, pessoas que além de ainda hoje serem meus professores são meus grandes amigos. Ferran Adrià se calhar mais do que todos, por me ter aberto os horizontes, pelo facto de ter convivido com ele, termos estado lado a lado, de termos trocado ideias. Mas também pessoas com quem não trabalhei, o Andoni (Andoni Aduriz – Mugaritz) , o Quique Dacosta ou o Joan Roca, pessoas que curiosamente, numa altura em que se calhar eu mais precisava me apoiaram muito mais até que outros cozinheiros Portugueses. Também referências Nacionais como Vítor Sobral, Miguel Castro e Silva ou Joaquim Figueiredo, pessoas que quando eu comecei marcavam a diferença na nossa restauração. O Ducasse também, pela perfeição e pelo seu lado empreendedor. O ler, sou muito influenciado por aquilo que leio, lembro-me de ter lido, por exemplo, o “Soul of a Chef” e o “ Making of a Chef “ do Michael Ruhlman, e lembro-me que aqueles livros mudaram radicalmente a minha forma de ver.

Todos os seus restaurantes têm conceitos diferentes. Como é que funciona um processo de criação tão abrangente?
O Belcanto é um bocadinho o seguimento do meu trabalho enquanto cozinheiro/Autor do Tavares. Os outros são muito à imagem do que me apetece encontrar noutros restaurantes que não seriam os meus, o que na realidade eu gostaria de comer quando saio. Todos os pratos são criados um pouco com base naquilo que me apeteceria comer, daí não ter em nenhuma carta, nenhum prato que eu não goste ou que eu não goste muito. Estou longe de ter as fórmulas de sucesso garantidas, é muito trabalho, é olhar muito para o mercado e ver o que as pessoas procuram.

Como surge a viagem do Chiado para o Porto?
O Cantinho do Porto surgiu muito a pedido de clientes que nos visitavam e me perguntavam, “então quando vai para o Porto?”, pessoas de cidades aqui à volta como Aveiro ou Guimarães mas que frequentam o Porto para comer, que constantemente nos deixavam mensagens no Facebook, e porque acreditamos que a cidade está na fase certa.

Também acha que o Porto está na moda?
Muita gente diz que está na Moda, eu não acho que seja estar na moda, as pessoas estão a começar a conhecer o Porto, a cidade está a ser arranjada mas mantêm uma tipicidade diferente que Lisboa não tem, provavelmente por ser maior. Há cada vez mais turistas e eu percebo, as pessoas são muito simpáticas, come-se bem e isto (Porto) é mesmo muito bonito. As Modas para mim são só ou para a moda, ou para coisas que não têm qualidade, porque quando têm as coisas perduram.

E este Cantinho do Porto?
As condições de trabalho deste Cantinho são muito melhores que em Lisboa. Temos uma equipa que trabalha comigo, em alguns casos, há muitos anos. Estamos numa rua que começa agora a desenvolver-se, aliás, não tenho nenhum restaurante que tenha tantos passantes como este, de todo, por isso acho que tem tudo para funcionar, mantendo a humildade e acima de tudo ouvindo as pessoas. Felizmente temos trabalhado muito bem, fomos muito bem recebidos pelas pessoas, desde os clientes aos nossos colegas.

O Porto é uma cidade diferente de Lisboa, será que a cidade também vai influenciar a carta? Como Lisboa tem feito com os outros restaurantes?
Nós entramos com uma oferta que não é muito diferente da de Lisboa, porque quero manter aqui um posicionamento, mas aos poucos, e porque está implícito na ideia do Cantinho, o objectivo é adaptarmo-nos um bocadinho à região. Eu não quero vir para aqui fazer as tradicionais Tripas à moda do Porto, mas é possível que eu faça um take das Tripas, ou da Francesinha ou dos Filetes de Polvo. Influenciado pela cidade mas sempre com o meu toque, o meu twist.

Se pudesse escolher apenas um prato que representasse este cantinho?
É muito difícil, e vou-lhe dizer porquê. Em Lisboa o Bacalhau com migas soltas é um dos pratos mais emblemáticos, aqui é um prato que divide as pessoas. Pelas suas vivências e expectativas, as pessoas esperam um prato mais intenso que é o que a ideia do Bacalhau lhes transmite.
Mas por exemplo, posso escolher os fígados de aves com compota de vinho do Porto, os Peixinhos da Horta, e o Hamburger. Aqui no Porto as vieiras ou a Vitela de comer à colher têm tido muita saída.

E no Futuro poderemos ver outros restaurantes do José Avillez pela cidade?
(Risos) Não está previsto, mas não digo que não, não sei… Mas há muita gente que diz “adoro o Cantinho, mas também devia trazer o Mini Bar para cá”, obviamente que nunca farei nada apenas nesse sentido, até porque há contas a pagar. Acima de tudo, agora estamos muito focados no Cantinho.

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