Le Bristol Paris

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Localizado na famosa Rue du Faubourg Saint-Honoré, o Le Bristol Paris é um icónico palácio parisiense que funciona como hotel há quase um século.

Imponente quanto baste, este é um dos mais mediáticos hotéis da cidade, tendo sido o primeiro a ser galardoado com a distinção de Palace Hotel em 2011.

Desde 1978 que pertence à Oetker Collection, uma empresa única, que gere verdadeiras obras-primas da hotelaria.

lebristol-52Provavelmente a mais famosa chave do mundo

Primeira Impressão
Confesso que desde que conheço Paris que tenho uma certa obsessão pelo Le Bristol, por isso, a chegada ao hotel traduziu-se num momento de entusiasmo misturado com ansiedade!

Um edifício imperial que tão bem se coaduna com a beleza da rua onde se situa e da restante cidade. Dois elegantes funcionários recebem-nos com um sorriso e com uma das frases que se traduzem “em música para os meus ouvidos”: Bonjour Madame!

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Somos encaminhados à receção e a partir daqui tudo se traduz numa verdadeira encarnação do luxo e da elegância.
O check in é feito sem demoras e somos convidados a tomar o pequeno-almoço ou um aperitivo, enquanto aguardamos pelo quarto.

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Vamos descobrindo o hotel no seu estilo clássico e conservador do século XVIII que não se esforça para ser atual, e isso é o que lhe confere o seu verdadeiro charme, cores claras dadas pela mármore e pelas paredes pálidas Boiserie com espelhos enormes, obras de arte originais do início da história do Le Bristol, candeeiros exuberantes e mobiliário Louis XV e Louis XVI.

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E quando achamos que já nada nos surpreenderá mais, eis que surge no nosso campo visual os dois hóspedes mais importantes do hotel, o Fa-raon e a Kleopatre, dois gatos birmaneses lindíssimos!

lebristol-46Neste momento não sei quem tem mais mimo, eu ou Fa-raon 

Efetivamente os parisienses são peritos a tratar os animais de estimação.
Segundo apuramos junto do staff, o Fa-raon chegou primeiro ao hotel e mostra-se indiferente ao olhar de todos, não se mostrando muito interessado nas lentes fotográficas que o tentam registar, mas felizmente ainda consegui pegar nele ao colo e mimá-lo um pouco! A Kleopatre é ainda uma menina, mas essa sim, capta bem a atenção do Fa-raon! Mais um deleite para os hóspedes!

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Quartos
Contam-se 188, dos quais 92 são suites e 96 são quartos. Ficamos numa Junior Suite, cujo estilo e decoração seguem a mesma vertente do restante hotel. Os espaçosos e luminosos 55m2 combinam um charme acolhedor com uma decoração tipicamente parisiense, expressa na elegância do mobiliário e dos belos tecidos criados por Frey e Rubelli, dois dos designers mais prestigiados de Paris.

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O clássico domina a decoração, e a elegância está presente em cada detalhe. Cama extremamente confortável, e um apontamento de Boas-Vindas que me enche completamente as medidas – chocolates e pastelaria francesa!

lebristol-4As boas vindas a provarem que a equipa de pastelaria do Hotel não brinca em serviço!

A vista que se obtém quando se abre as imensas janelas é o sumptuoso Jardim do hotel, o Le Jardin Français, com as flores a contrastarem com a colorida Instalação de Daniel Buren, especialmente concebida para este Verão. O hotel organiza já há três anos, em parceria com prestigiadas galerias de arte, a exposição de peças únicas de conceituados artistas contemporâneos.

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Nota máxima para a elegância da chave, no Le Bristol não há cartões a substituir chaves, há sim uma chave pesada mas elegante que nos aproxima ainda mais da história e do passado deste verdadeiro palácio.

lebristol-11É impossível pedir mais de uma casa de banho!

lebristol-40Restaurante Le Epicure – 3* Michelin

Restaurantes
Talvez um dos pontos mais altos do Le Bristol, com o nome Eric Frechon e quatro estrelas Michelin a enaltecer a gastronomia que se apresenta no hotel.

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lebristol-67Parte de um exuberante e luxuoso pequeno almoço no Epicure

No Le Bristol encontramos os estrelados Epicure, o mais mediático de todos e com três estrelas no famoso guia vermelho. Um restaurante de cozinha francesa, que é considerado um dos melhores restaurantes do país, e que traz muitas pessoas à cidade e ao hotel; e o 114 Faubourg, uma Brasserie que detém uma estrela Michelin desde 2013, e que se tornou num ponto de encontro assíduo de muitos parisienses.

lebristol-68Le Epicure – 3* Michelin

Gastronomicamente encontramos ainda O Café Antonia, em homenagem à paixão de Marie Antoinette pela vida parisiense, é um espaço que pode ser apreciado a qualquer hora do dia com uma decoração tipicamente clássica duma elegância única, mas com uma atmosfera descontraída; e o Le Jardin Français, um requintado jardim bem ao estilo parisiense que nos brinda com um ambiente sem igual, aqui experienciamos um almoço que deixou grandes memórias, começando pelos brilhantes pães especialmente concebidos pela equipa do hotel, passando por um Salmão fumado artesanal de ir às lágrimas, ou uma salada de Caranguejo Real, e porque estamos em Paris, não podemos deixar de lado  os queijos e a pastelaria, com um delicioso e pecaminoso Frasier.

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Uma refeição que teve tanto de simples como de perfeita, dos pratos, à companhia, do sol à boa temperatura que se fazia sentir no jardim e claro pelos bons vinhos, com um ótimo Chablis Premier Cru 2014 da casa Droin.

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Por último, mas não menos importante, temos o Le Bar du Bristol, um dos míticos bares de hotel da cidade, com um ambiente luxuriante de Belle Époque e cocktails de assinatura capazes de nos proporcionar um verdadeiro momento de ócio.
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lebristol-21O jardim e a instalação de Daniel Buren

Serviços
Que se pode esperar dum hotel como o Le Bristol? Tudo, basicamente tudo!

Além de todos os serviços habituais dum hotel de luxo, o Le Bristol sabe o que os seus hóspedes precisam antes mesmo destes sentirem qualquer tipo de necessidade. A equipa de Concierges comandada por Sonia Papet, a primeira mulher a receber o título de Chief Concierge de um Palácio Parisiense, é eximia nos detalhes, desde o ato de organizar uma manhã para uma verdadeira shopaolic pelas lojas da cidade, ao prazer de desfrutar dum romântico passeio pelo Sena sem esquecer a simplicidade de tratar cada cliente pelo nome.

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O hotel disponibiliza serviço de transporte com motorista privado dentro e fora de Paris.

Os animais são mais do que bem vindos, mais que não seja porque o Fa-Raon e a Kleopatre precisam de companhia!

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A piscina do Le Bristol é única, com uma arquitetura distinta que faz com que nos sintamos a bordo dum luxuoso navio do século XVIII, a caminho da charmosa Côte d´Azur. Esta situa-se no 18º piso e as vistas são os elegantes terraços e telhados parisienses, com a Sacré-Coeur a destacar-se. Mesmo junto à piscina temos a Sauna e o Ginásio.

lebristol-61Sala de tratamentos no Spa

Um dos maiores ex libris do hotel é o Spa Le Bristol By La Prairie. Este possui um ambiente acolhedor, elegante e requintado com a luz do dia a preencher as diferentes salas de tratamentos (são oito), em que três se abrem para um agradável jardim interior.

Aqui, podemos usufruir do mais perfeito momento de relaxamento, individualmente ou a dois na suite privada de casal.

O Spa Le Bristol by La Prairie é o casamento perfeito entre a famosa marca suíça e a busca por momentos de ócio e beleza. The Organic Pharmacy e Aromaterapy Associates são duas das marcas que garantem as mais reconfortantes experiências orgânicas e naturais à nossa pele.

O Spa oferece também experiências inspiradas no tradicional tratamento russo “Banïya”, com uma sala equipada com uma mesa de mármore aquecida, que aliado às terapias proporciona uma experiência regenerativa e combate o stress.

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O Le Bristol Paris tem também salão de cabeleireiro. Mas, não é tudo, para os pais que desejam deixar os seus filhos num local seguro enquanto desfrutam do Spa, existe o Les Amis d’ Hippolyte, um clube onde as crianças se sentem verdadeiramente felizes!

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O hotel está também preparado para todo o tipo de eventos, desde congressos, conferências, cocktails e diferentes celebrações, quem não gostaria de casar num palácio com mais de um século de história e na capital do amor?! O Le Bristol conta com seis salas com luz natural e com vistas para o jardim, e todo o estilo de salões de acordo com a comemoração ou funcionalidade desejada.

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Por exemplo, no belíssimo salão Castellane, junto ao Lobby do hotel, ornamentado pelas enormes tapeçarias que se apresentam nas paredes, desenrola-se a apresentação de muitas coleções de conceituados estilistas, assim como diversos eventos que o Le Bristol apoia.

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Ao longo do hotel temos acesso a uma mescla exuberante de peças de arte, maioritariamente do século XVIII, sendo que, como já vos havia referido, o hotel já há três anos que se associa a diferentes galerias de arte contemporânea e apresenta exposições de diferentes artistas, como a instalação de Daniel Buren.

Como vos havia dito no início deste tópico, o Le Bristol não deixa absolutamente nada ao acaso.

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Atendimento
O atendimento num hotel de luxo em Paris nunca falha, não há ninguém com melhor formação no atendimento do que os parisienses, isso é um facto.

E o Le Bristol leva isso a um expoente máximo, em que a dedicação é a base do atendimento. O luxo é uma constante nas experiências disponibilizadas pelo hotel, mas este vem acompanhado dum toque familiar e acolhedor que nos faz sentir em casa.

A equipa é atenta, educada, meiga, e exímia na arte de nos receber e acompanhar.
Luxo, elegância, imponência, requinte… são palavras que muito bem definem a estadia neste magnificente palácio.

Além disso já vos disse que o Le Bristol tem a Sonia Papet, a mais simpática concierge que já conheci!

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A minha experiência parece ser coincidente com as demais, razão pela qual os prémios se amontoam! “Melhor Restaurante do Mundo”, “Melhor Spa de Luxo em França”, “Melhor hotel de França”, “Melhor Hotel do Mundo”, “Melhor Hotel de Cidade do Mundo”, e “Melhor Hotel de Paris” são alguns dos prémios dados pelos mais prestigiados rankings internacionais.

O Le Bristol é um sonho tornado realidade, um local único e inesquecível em que o luxo é levado a um patamar digno de Deuses!

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Le Bristol Paris
Quartos a partir de 850€
Rue du Faubourg Saint-Honoré, 112 – Paris
+33 (0)1 53 43 43 00
reservation@lebristolparis.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Le Bristol Paris a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

Caso necessitem de transportes privados recomendamos o uso da Blacklane, que nos transportou durante os nossos dias em Paris.

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Paris – Matsuhisa – Raffles Royal Monceau

matsuhisa-13 A sala do Matsuhisa no Raffles Royal Monceau

Poucos já terão ouvido falar no nome Matsuhisa, mas certamente ninguém fica indiferente ao diminutivo de Nobuyuki Matsuhisa, “NOBU”, o Joel Robuchon ou o Gordon Ramsay da cozinha japonesa.

Nobu tornou-se uma celebridade depois de abrir o seu Matsuhisa em Bervely Hills em 1987, ficando famoso entre as estrelas de Hollywood e acabando por se tornar amigo e sócio de Robert De Niro. Juntos criaram e levaram o nome “Nobu” a todo o globo com cerca de 40 restaurantes e alguns hotéis.

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Mas para perceber o sucesso e a cozinha deste mestre japonês é preciso recuar na história até à sua juventude, em que depois de anos de formação e trabalho em restaurantes em Tokyo foi convencido a emigrar para o Peru, onde ficou surpreendido por uma infinidade de ingredientes que começou a utilizar na construção dos pratos de cozinha japonesa – o atual e tão famoso estilo Nikkei.

Mas deixemos o passado para nos concentrarmos no presente, mais propriamente na recente abertura do Matsuhisa Paris, mais propriamente no Hotel Palácio Royal Monceau, o único restaurante do chef em França, depois de uma experiência mal sucedida em 2001 com um Nobu.

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Para isso nada foi deixado ao acaso, com o antigo restaurante de cozinha francesa do Hotel a sofrer algumas alterações para receber uma equipa de sushi masters comandada por Hideki Endo, que trabalhava anteriormente no restaurante de Hong Kong. Manteve-se a decoração e o espírito, onde Starck mescla a luz, com o cromado e a madeira ao seu bom estilo.

Aproveitando uma tarde de Verão em Paris, optamos pela esplanada, também ela assinalada por Starck e que serve de ponto de encontro entre o Bar, o Matsuhisa e o Il Carpaccio (o restaurante italiano do Hotel com 1 estrela Michelin), onde não falta até uma escultura de ferro forjado, ao estilo Alice no País das Maravilhas criada pela portuguesa Joana Vasconcelos!

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Já bem instalados, optamos por seguir algumas sugestões da equipa, entre novidades e clássicos do chef.
matsuhisaYellowtail (Charuteiro) com jalapeño e molho de soja e yuzu (29€)
Logo no primeiro prato se percebe a ideia de fusão levada a cabo por Nobu, combinando um sashimi de excelente qualidade com o leve picante do jalapeño e o sal e frescura do molho de soja com yuzu. Um grande, grande início!

matsuhisa-2Tataki de Salmão, karashi su-miso ( 22€)
Salmão de excelente qualidade, elegantemente cortado sobre um molho de karashi su-miso, que é como quem diz um miso ao qual é acrescentada uma mostarda japonesa (karashi). Sabor forte  e bem moldado sem que o salmão se perca no molho. Umami, Umami!

matsuhisa-4Salada de Espinafres, miso seco, óleo de trufa  e parmesão (24€)
Provavelmente o mais simples e inusitado prato que provamos. Folhas de espinafre baby, servidas cruas e temperadas com um leve toque de óleo de trufa (que normalmente repugno), miso seco e parmesão, resultando num prato fresco, leve e com muito sabor, que foi também um ótimo acompanhamento para alguns dos pratos que se seguiram.

matsuhisa-3Arroz Crocante com tártaro de salmão (26€)
Uma espécie de Arancini japonês, com o lado mais leve e ácido do arroz de sushi preparado em cubos e magnificamente frito. A acompanhar, molho de soja e um tártaro de salmão envolto no famoso spicy cream do chef (na realidade tem pouco de picante). Um prato divertido e muito bem conseguido na combinação de texturas e sabores.

A acompanhar esta primeira parte da refeição esteve um Riesling da Alsácia Josmeyer Grand Cru Hengst 2009. Um vinho de produção biodinâmica, seco, com um grande carácter, algo exótico com fruta branca e alguns citrinos, a finalizar com uma bela mineralidade. Grande vinho!

matsuhisa-5Tempura de camarão das rochas com spicy cream, cogumelos e mescla de alfaces (26€)
Um cocktail de camarão que deixa os anos 70 para abraçar os dias de hoje. Untuoso e algo pecaminoso até, com um lado fresco trazido pelos verdes e muito, muito sabor, do molho às notas de terra dos cogumelos. Um belo snack!

matsuhisa-7Niguiris –  Salmão, Yellowtail, Akamai (atum) e Chūtoro (atum) (preço variado)
Excelente o shari (arroz), assim como os peixes que o acompanham, com destaque para a qualidade do Chūtoro (atum gordo).  Foi o momento clássico do almoço, a provar que também nesse campo a cozinha do Matsuhisa se comporta à altura.

matsuhisa-6Bacalhau Negro com saikyo yaki (52€)
Provavelmente um dos mais famosos pratos do chef Nobu, e um clássico da cozinha japonesa, muito particularmente de Kyoto de onde é originária a combinação de miso com sake e mirin, mais conhecida por Saikyo Yaki, um miso meio doce no qual o peixe é marinado antes de ser assado. Neste caso, o peixe estava cozinhado no ponto, com as suas habituais lascas de sabor e textura amanteigada e um lado meio doce trazido pelo molho. Muito bom!

A acompanhar esteve um Suiço Petite Arvine d’anze 2011 da Cave des Amandiers, um branco 100% petite arvine, com uma cor ligeiramente oxidada e um nariz repleto com notas de mel, flor de sabugueiro e lima, e uma boca bem moldada onde se destaca a acidez e a mineralidade que equilibraram muito bem com os pratos, em especial o de bacalhau.

matsuhisa-8Mochi – Matcha, chocolate e mirtilo (12€)
Envolver os Mochi (bolinhos de arroz, bem glutinosos cuja textura anda algures entre a gelatina e a marzipan) é já uma tradição, aqui bem conseguida com os sabores matcha (chá verde) mirtilo e chocolate. Apresentação simples e cuidada ao bom estilo japonês com os sabores leves e o açúcar muito equilibrado.

matsuhisa-9Cheesecake de coco, frutos exóticos e sumo ácido de yuzu (15€)
Uma sobremesa com a apresentação bem ao estilo da cidade luz. Uma esfera de cheesecake de coco recheada com frutos tropicais, onde não falta coco e manga, um bolo de sifão e o delicioso molho de yuzu que liga e equilibra todos os elementos. Um grande, grande final!

A acompanhar esteve um clássico e potente licor de ameixa japonês.

O serviço foi o melhor que se poderia ter, as recomendações foram ótimas, a descontracção aliada ao profissionalismo e rigor merecem nota alta assim como a boa disposição e alguns detalhes de conversação que quebravam qualquer barreira entre a equipa e os comensais, algo nem sempre fácil num hotel e num restaurante considerados de luxo.

Considerações Finais
Esta nova aventura de Nobuyuki Matsuhisa em Paris terá certamente um melhor destino do que o seu antecessor, numa altura em que a cidade está mais preparada para se abrir a novas cozinhas e a “experiências” com a cozinha japonesa, juntamente com o seu posicionamento num dos melhores e mais trendy hotéis da cidade, o Raffles Royal Monceau, que me parece ser uma combinação acertadíssima.

Seja um globetrotter habituado aos restaurantes Nobu por todo o mundo, um ávido gastrónomo ou uma celebridade europeia, ninguém ficará indiferente à combinação de sabores e ingredientes da cozinha de Nobu, ainda para mais quando trabalhada e servida da forma como este almoço foi. Um novo sucesso na cidade!

Matsuhisa – Raffles Royal Monceau
(33) 1 42 99 88 00
Av. Hoche, 37  – Paris

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

Nota
Estivemos no Matsuhisa a convite do Raffles Royal Monceau, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Shiko – Tasca Japonesa

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Volvido cerca de um ano e meio desde sua abertura, o Shiko já fez volver muitas páginas, entre blogs, revistas online e jornais, trazendo a expressão “Izakaya” ,que é como quem diz Tasca, até ao vocabulário dos sushilovers portuenses.

Ruy Leão, o seu mentor, era um nome já conhecido na cidade, depois de deixar o Brasil, passar por Guimarães e se juntar ao chef Pedro Nunes para colocar o restaurante Quarentae4 na rota dos principais espaços de sushi da cidade. Anos volvidos, muitos peixes arranjados e experiências feitas (projecto de street food  – Shika) o Ruy e a sua mulher Alexandra decidiram abrir uma casa em nome próprio, onde dariam atenção às ideias com que o chef ia sonhando.

E assim nasce o Shiko – Tasca Japonesa, numa zona pouco valorizada e onde dificilmente se esperaria encontrar um bom espaço de cozinha japonesa, mais propriamente na pouco afamada  Rua do Sol junto da Universidade Lusófona, ali a meio termo entre o Teatro de S.João e o funicular dos Guindais.

Visito o espaço desde a sua abertura e é fácil de perceber que o sucesso que o restaurante teve esteja subjacente ao seu ADN, com uma carta focada em petiscos de cozinha japonesa a que os portuenses não estavam habituados, um ambiente acolhedor, confortável e informal e, claro, o obrigatório Sushi.

Sucesso que lhe valeu a nomeação e a consequente vitória em duas das categorias mais interessantes dos prémios “Flavors & Senses – Os melhores para 2016” com Ruy Leão a vencer a categoria de Chef a Seguir e o Shiko a levar o prémio na concorrida categoria de Restaurante Revelação (ver).

Depois de muitas visitas, umas melhores que outras, mas sempre com um nível elevado, optamos mais uma vez pela marcação na Mesa do Chef, em que os comensais ficam entregues à selecção e inspiração dos pratos do chef para aquela ocasião (40€ pp, sem bebidas)! E foi aqui que, completamente às escuras Ruy Leão nos surpreendeu com um outro nível!

shikotj-2Couvert, petinga de escabeche, búzios com kimchi e salada de espinafres com Sésamo 
E aqui começa esse outro nível que referi, se já gostava da tempura de tomate cherry, do edamame ou das algas, o escabeche de petinga fez corar muitas das nossas receitas mais tradicionais tal era o apuro do seu tempero. Já o búzio com excelente textura foi bem complementado pelo lado picante do kimchi mas sem perder o seu lado de mar, assim como os espinafres bem preparados com as notas tostadas do sésamo. Grande início!

 shikotj-3Mexilhões com Caril Japonês
No Japão o caril é normalmente mais suave e doce que o Indiano, e este de Ruy Leão prova isso mesmo. Marisco no ponto e molho bem afinado e equilibrado, permitindo que o mexilhão seja o rei do prato. Nota positiva também para a frescura dada pelo cebolo ao conjunto.

shikotj-4Tártaro de Wagyu, folha de arroz e ovo de codorniz 
Apesar do tempero irrepreensível e da técnica rigorosa (excelente a folha de arroz crocante), foi o prato menos interessante da noite, muito por culpa da textura de carne, que sendo wagyu se pretenderia mais tenra e untuosa.

shikotj-5Ceviche de Vieiras
Já todos sabem que este verão Ruy Leão se juntou a Camilo Jaña para juntos abrirem a primeira cevicheria da cidade, o Panca, pelo que uma versão nikkei do famoso prato peruano é obrigatória numa degustação do chef. Aqui numa versão de vieiras, com algas, sumo de lima, ikura e o seu coral. Com as vieiras bem delicadas e o caldo de apurado sabor que se bebeu até às últimas gotas. Muito bom!

shikotj-6Gyoza de Mexilhão, pak choi e molho ponzu
Sou um confesso adepto de gyozas, com a sua camada crocante por baixo e macia por cima, mas aqui o chef optou apenas por cozer a gyoza recheada com mexilhão e envolver tudo em molho ponzu. Prato elegante e de sabores subtis, onde a acidez controlada do molho se equilibra com a doçura do mexilhão, e a textura leve da gyoza encontra um crocante na couve. Um grande prato!

shikotj-7Caranguejo Real, batata nova com vinagre e sardinha seca
Mais um daqueles pratos de que não estava nada à espera, primeiro pelo ingrediente principal, caranguejo real e segundo pelo acompanhamento das batatas cozidas, temperadas com vinagre e pó de sardinha. O Caranguejo envolvido num espesso molho com dashi e gengibre. Um prato pecaminoso que é difícil parar de comer, com o caranguejo e o seu molho a deixar toda a mesa arrebatada.

shikotj-8Lingueirão ao vapor com sake 
Se os nossos restaurantes tradicionais têm amêijoas à bolhão pato, o Ruy traz até à mesa um Lingueirão cozido ao vapor com um molho de citrinos e sake com uma salada de algas. Marisco irrepreensível, algas saborosas e molho fresco que tornaram o conjunto não só diferente como fizeram dele um grande petisco.

shikotj-10Beringela com molho de amendoim e sésamo
Já havia provado uma outra versão deste prato, que na altura não me deixou propriamente encantado por achar o conjunto doce demais, mas aqui o molho revelou-se bem menos enjoativo e mais equilibrado, envolvendo-se bem com a beringela assada, cuja textura quase cremosa se dissolve na boca.

shikotj-9Cavala Marinada
Agora entramos no campo dos clássicos, com um dos pratos que por mais que o Ruy queira é impossível retirar da carta, a cavala marinada com miso e alho. Peixe firme, ligeiramente braseado e molho equilibrado, com o alho a marcar a presença sem excessos. É fácil perceber porque conquistou os palatos portugueses, habituados a sabores fortes e potentes.

shikotj-11Tataki De Salmão
É difícil vir ao Shiko e não encontrar pelo menos um destes tatakis pousado em cada mesa do restaurante, sendo provavelmente o seu best-seller, não só pelos finas e bem preparadas fatias de salmão, como especialmente pelo espesso molho de miso e o shichimi togarashi (tempero japonês à base de 7 ingredientes), que lhe eleva o sabor. É sem dúvida um excelente prato.

shikotj-12Futomaki, Uramaki “carapau valente” e Uramaki ebi nambam
Apesar das barrigas já irem bem cheias não podíamos parar sem provar uma ou duas peças de sushi. Ficando de lado os meus habituais niguiris, a escolha do chef recaiu sobre o seu leve e crocante futomaki – rolo grosso com vegetais marinados e peixe, o “carapau valente”, num uramaki com carapau, gengibre e beringela marinada em miso e um clássico uramaki com camarão panado em panko. Nota altíssima para o shari (arroz), bem cozido e com a acidez certa, e para os sabores dos vários conjuntos, em que o carapau se distingue pela potência, e o futomaki pela subtileza e crocância.

shikotj-13Pavlova Exótica
Para partilhar, no final de toda a refeição, uma sempre irrepreensível Pavlova, o único elemento do jantar que Ruy não assina, estando a criação a cargo da já famosa MissPavlova. Doce quanto baste, com um bom jogo de texturas e um curd de maracujá que eleva e refresca o conjunto.

Na mesa do Chef o serviço é um pouco distinto e mais privado, sendo feito quer pela equipa, quer, como seria expectável, pelo próprio chef que se junta aos comensais para explicar as suas criações. Sempre simpático, eficiente e descomplicado como pede uma boa tasca.

Quanto aos vinhos, tenho sentido uma constante evolução na carta, com algumas opções fora da caixa como o II Terroir da Quinta da Casa Amarela, um vinho que junta alvarinho da Quinta do Regueiro (Melgaço) com as uvas brancas do Douro ( Casa Amarela), resultando num vinho raro, com algum domínio aromático do alvarinho e uma estrutura própria do Douro, mantendo uma frescura delicada que acompanhou bem com os petiscos do menu.

Acompanhou-se a refeição ainda com um Alvarinho Contacto 2015 de Anselmo Mendes e um Riesling da Alsácia de 2014 da família Hugel. Dois belos vinho trazidos para o jantar por um dos comensais, que harmonizam perfeitamente não só com o sushi como com os diversos petiscos de sabores japoneses.

Considerações Finais
O Shiko é um daqueles restaurantes que recomendo aos amigos sempre que me solicitam, seja porque querem um bom sushi ou porque querem provar um prato com ingredientes e temperos  fora daquilo que normalmente se encontra por cá. Mas agora Ruy Leão está mais seguro, já tem o seu público e os seus fervorosos adeptos, pelo que se nota estar a preparar um salto qualitativo.

Depois deste jantar não me restam dúvidas, esta Tasca está a evoluir para caminhos bem interessantes e que me parecem ser a verdadeira praia e desejo do chef, o sushi começa a ocupar um lugar mais pequeno na carta, com os comensais a deixarem-se levar por outros sabores, mostrando que o Japão não é apenas técnica, peixe e shari.

Haja muitos jantares como este e sucesso e clientes nunca faltarão!

Shiko – Tasca Japonesa
22 323 9671
Rua Sol, 238 – Porto

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

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Adega São Nicolau

asnicolau_-11Existem poucos sítios que dispensam apresentações, mas dentro desses existem alguns que mesmo assim as merecem, como é o caso desta veterana Adega São Nicolau.

A história da Adega funde-se com a evolução da própria Ribeira do Porto, onde está inserida, são mais de 80 anos de vida, de uma adega que se transformou em tasca, de uma tasca transformada em casa de pasto e de uma casa de pasto que se transformou numa das referências gastronómicas da cidade.

Essa evolução deve-se sobretudo a António Coelho que comanda o espaço há quase 20 anos com um carisma único e um dedo bem afinado para a cozinha e para o respeito pela tradição e os velhos costumes. Costumes simples mas que marcam a diferença como as idas à “terrinha”, mais propriamente Resende, para se abastecer de carne Arouquesa e outros produtos da terra. Nos últimos anos e com o crescimento do turismo na cidade o espaço evoluiu, foi remodelado, as mesas ganharam mais conforto, os pratos aprimoraram-se (ganhou o título de melhor Restaurante Tradicional nos prémios Flavors & Senses – Os melhores para 2014 e 2016 ver) e o espaço ganhou irmãos noutros pontos da ribeira – Terreiro e Taberna dos Mercadores.

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Mas deixemos a história e passemos à nossa experiência! Chegamos cedo, num início de noite de verão bem quente em que as pessoas se amontoavam na esplanada (que quase merece um prémio de arquitectura do desenrasca!), ficando assim a pequena sala mais calma e confortável.

Já bem recebidos e instalados começa o debate sobre as escolhas entre pratos mais comuns e outros menos usuais do receituário tradicional, enquanto vamos provando a boa broa e uns pães simpáticos com um azeite de notas verdes que estimula as papilas.

asnicolau_-2Bolinhos de Bacalhau – ou pastéis para não ferir a regionalização – (1€/un)
Para começar, nota positiva para o facto de não sermos bombardeados com entradas, especialmente tendo em conta a localização turística do restaurante, não resistimos a pedir uns clássicos bolinhos de bacalhau, muito bem fritos e enxutos, com uma fina capa crocante e a relação certeira entre a batata e o peixe. Um início confortável e apetitoso.

asnicolau_-5Filetes de Polvo com arroz do mesmo (15,5€)
Se há prato que raramente falha no menu de um restaurante tradicional na cidade é este (as tripas não contam, mas sim também lá estão). Filetes finos e tenros com uma fritura exímia, mas o melhor deste prato na Adega São Nicolau é mesmo o arroz, cozinhado no ponto e com o sabor bem afinado e próprio, que denota ali umas gotinhas de uma qualquer “mezinha” secreta do Sr. Coelho.

asnicolau_-4Língua de Vitela Estufada com ervilhas (12,5€)
Mais uma prova de que não se limitam a cozinhar para turistas, cozinhando um prato que não agrada nem a estrangeiros nem a grande parte das novas gerações nacionais, cozinhando uma das partes menos nobres mas mais interessantes do animal, a Língua. Estufado bem apurado, com um molho envolvente e a carne no ponto, suculenta e tenra. A acompanhar estavam umas chips de batata bem crispy.

asnicolau_-3Rabo de Vitela à nossa moda (14,5€, na foto estão duas doses)
Quem me conhece sabe que quando existe num menu raramente me escapa um bom rabo (de vitela ou de boi, claro!). Carne a desfazer como é mandatário, com a gelatina e os vestígios de tutano a fundirem-se bem com o molho suculento de tempero certeiro à base de tomate e cenoura. Para acompanhar, raramente abdico de um bom puré, mas aqui o arroz branco bem soltinho cumpriu bem com as ordens, quando envolvido com a carne e o molho.

asnicolau_-7Quindim (4€)
Partindo para o capítulo doceiro, fizemos uma viagem até ao Brasil com um excelente Quindim. Doce como manda a lei, base de côco na medida certa e textura sedosa do creme. Muito bom!

asnicolau_-6Toucinho do Céu (4€)
Um clássico nacional e a minha sobremesa favorita na infância, muito por culpa de um toucinho que os meus pais compravam, em dias de festa, a uma velha artesã da doçaria tradicional, e não, ainda não encontrei um melhor! Por sinal este da Adega São Nicolau foi um dos melhores que provei nos últimos tempos, doce certa de amêndoa, textura correcta e sabor certeiro.

A carta de vinhos percorre o País com referências que demonstram o que de melhor temos para oferecer e conta ainda com alguns champanhes (a perdição do Sr. Coelho) não vá o dia ser de festa. O dia pedia um branco, pelo que optei por vinho mais encorpado que se comportasse bem com a carne, escolhendo o Quinta de Cidrô Chardonnay 2015 da Real Companhia Velha, a um preço imbatível de 15€.

Quanto ao serviço decorreu maravilhosamente para aquilo que se pretende de um restaurante deste género, equipa com extrema simpatia, mesmo tendo em conta a azáfama do serviço, tempos respeitados e aqueles pequenos apontamentos que nos trazem conforto e a sensação de estar em casa.

asnicolau_-9Comensais com direito a tunas e fado na escadaria que dá acesso à esplanada

Considerações Finais
É certo que a oferta gastronómica da Ribeira nunca foi das melhores, vivendo a maioria dos seus espaços do vaivém diário de turistas, mas esta Adega é um daqueles restaurantes que mostra que existem excepções. Cozinha portuguesa bem preparada, com apresentação simples e eficiente, e acima de tudo muito sabor. O crivo que António Coelho vai passando pelas suas cozinhas continua certeiro e beneficia hoje da ajuda da filha Renata, que comanda as brigadas de  sala dos seus 3 restaurantes.

Em suma, e com a crescente moda da cozinha dita contemporânea e dos holofotes no fine dining, poderia cair-se no erro de dizer que a Adega São Nicolau é “apenas” um bom restaurante de cozinha tradicional, mas com todos os fiascos que se vão vendo em novos restaurantes e os crimes cometidos em muitos restaurantes de cozinha portuguesa, o “apenas” ganha toda uma nova dimensão, porque este é um restaurante que apetece visitar. Visitar vezes sem conta, onde queremos levar os amigos ou as avós e acima de tudo, é um restaurante de onde se sai feliz!

Adega São Nicolau 
Rua de São Nicolau nº 1 (Ribeira), Porto
+351 222 008 232

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

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Chryseia 2014 e a criatividade de Hans Neuner

oceanchry

Foi no passado dia 6 de Julho no restaurante Ocean (** Michelin) do Hotel Vila Vita Park que a Prats & Symington – a joint venture entre a família Symington e o famoso produtor de Bordéus, Bruno Prats – apresentou pela 13ª vez o seu já clássico Chryseia, um dos nomes mais prestigiados do Douro, que nasceu em 200o depois do convite da família Symington a Bruno Prats para juntos criarem um vinho de mesa que rivalizasse com os melhores do mundo. E assim nasceu o Chryseia, feito a partir das  Quintas de Roriz e da Perdiz, um vinho que na sua 2ª colheita se tornou o primeiro vinho da região a entrar no Top100 da Wine Spectator, tendo inclusive, com a bem sucedida colheita de 2011, alcançado a 3ª posição do mesmo ranking.

Mas deixemos a história e passemos ao presente!

Com a sempre exímia organização do grupo, não houve poupança nos detalhes para a apresentação deste que é o grande vinho de mesa do grupo, começando a recepção aos convidados com o sempre elegante Pol Roger Pure Extra BrutUm champanhe clássico e bem afinado, com notas cítricas e florais a juntarem-se a notas de pão e fermento com um final longo e uma excelente estrutura.

oceanchry-2 Roger Kolbu, André Ribeirinho (Adegga) e Bruno Prats oceanchry-4Rodrigo Menezes, Miguel Pires e Joe Alvares-Ribeiro

E claro, depois de uma agradável receção seguiu-se um ainda mais interessante almoço na renovada sala do Ocean, sobre o comando atento de Hans Neuner.

oceanchry-6 oceanchry-8Rupert Symington na apresentação do almoço

Convidados instalados e apresentações feitas foi tempo de dar o brilhantismo à cozinha e deixarmo-nos levar pelo cuidado posto em cada prato. E não podíamos ter começado de melhor forma, Carabineiro com ervilha, toucinho e flor de sabugueiro e Ostras com foie gras, ananás dos açores e malva rosa, ambos harmonizados com um Pol Roger Brut Vintage de 2004.

oceanchry-12Ostras com foie gras, ananás dos açores e malva rosa

Sobre os pratos, ambos irrepreensíveis, pela conjugação nobre de ingredientes locais com a sazonalidade e a criatividade, no entanto, é impossível não destacar o prato de ostras, em que apesar de estas perderem algum protagonismo no conjunto lhe conferem uma frescura e uma subtileza de sabor a mar únicas. Um grande prato! Quanto ao vinho, foi uma escolha perfeita, que começa por surpreender pela sua cor dourada,  fruto da evolução com notas florais e de marmelo no nariz e uma boca bem delicada e gulosa, que acaba de forma cítrica, fazendo-nos querer beber mais, e mais…

Seguiu-se a manteiga e o pão caseiro feito com sourdough, que merece destaque de prato por si só.

oceanchry-13O lindíssimo trabalho técnico posto na criação das manteigas, ou serão as “jóias” ?

O almoço não se limitou à apresentação do Chryseia, mas sim da apresentação de todos os selos de 2014 da Prats & Symington. Começando assim pelo Prazo de Roriz, um vinho que é certamente uma das melhores relações qualidade preço do Douro no seu segmento, e que tem neste 2o14 um vinho que começa a fugir para a elegância em detrimento do peso e concentração, numa mistura bem conseguida de várias castas em que a Touriga Nacional dá apenas um complemento. Frutos vermelhos sem excesso, especiarias e alguma mineralidade dão o mote para um vinho que proporcionará excelentes momentos a quem o provar.

No nosso caso acompanhou bem um Robalo do Mar com Morcela e Aipo, com as notas mais pesadas e de especiarias da morcela a ligarem-se optimamente ao vinho, criando um prato lindíssimo e com uma grande paleta de sabores bem conjugados. Soberbo!

oceanchry-14Robalo do Mar com Morcela e Aipo

Partimos depois para um dos mais criativos pratos do menu de Hans Neuner, o Queijo de Porco, que é nada mais nada menos do que um falso queijo, com direito a selo e caixa de madeira, que se trata mais concretamente de uma espécie de ravioli feito de queijo e recheado com bochecha de porco e umas “pétalas” de cebola que lhe dão outra textura, dimensão e frescura!

oceanchry-16Queijo de Porco

Um grande prato que harmonizou com o Post Scriptum 2014, ainda um pouco fechado, pelo que vai beneficiar bem do tempo em garrafa, e que segue um caminho oposto ao do Prazo de Roriz, com mais Touriga Nacional e concentração, onde predomina a fruta madura e a potência, ainda que o consigam fazer com bastante elegância e sem excessos. Será certamente mais um grande Post Scriptum.

oceanchry-15 Charles Symington durante a apresentação do Post Scriptum

oceanchry-17Bruno Prats a apresentar o “Homenageado” Chryseia 2014 

E chegou o momento que nos levou a todos até ao Algarve, provar a última colheita do Chryseia, o 2014, um ano que segundo Charles Symington teve algumas semelhanças com 2007 (um grande ano no Douro). Quanto ao vinho, é garantidamente um vinho do Douro, com esse DNA bem marcado na sua prova, com a Touriga Franca a sobrepor-se no lote pela 1ª vez à Touriga nacional, proporcionando  uma frescura e mineralidade que equilibram muito bem o poder e concentração do vinho e a garantir-lhe a longevidade que um vinho desta categoria merece.

oceanchry-18Novilho com cebolas, cogumelos e massa mãe

Para “complementar” o Chryseia, Hans Neuner serviu um Novilho com cebolas, cogumelos e massa mãe. Aqui com pequeno problema de tempo de serviço, com a nossa mesa a ser a última a ser servida e a carne a passar do ponto e a tornar-se um pouco seca. Nota altíssima para o jus que acompanha a carne e que merece estrelas por si só.

No Capítulo doceiro, foi servida uma sobremesa fresca à base de Cerejas, chocolate e cacau, que apesar de estar uns níveis abaixo dos restantes pratos do almoço, cumpriu bem com o seu propósito. Melhor foi a companhia, um Vintage 2004 da Quinta de Roriz, ainda com bastante fruta escura e notas de compota que se ligaram muito bem com a cereja e uma ótima acidez a fazer maravilhas com o chocolate.

Para o final ficaram os habituais petit fours e um fantástico Graham’s 30 anos, com uma bonita cor de tom âmbar, boa frescura para a idade e cheio de frutos secos e delicadas notas de mel que nos apetece continuar a saborear até ao fim (um problema comum dos bons vinhos do Porto).

oceanchry-21O line up do dia 

Foi um grande almoço, que mais uma vez prova a qualidade do trabalho da equipa comandada por Hans Neuner no Ocean! já a renovação da sala e da cozinha veio trazer à equipa um novo alento e quiçá a luta por uma 3ª estrela.  Quanto aos vinhos não há dúvidas que esta parceria entre a Symington e Bruno Prats cria ano após ano alguns dos vinhos mais interessantes da região Duriense.

ocean Um brinde ao Chryseia e ao Douro com Graham’s 30 anos 

Quanto a estes 2014 são mais uma produção de sucesso garantido!

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na apresentação do Chryseia a convite da Prats & Symington, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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O Paparico (2016)

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Já muito se falou e escreveu sobre O Paparico – foi até eleito Restaurante do Ano nos prémios Flavors & Senses – Os Melhores para 2014 (ver) – , um restaurante fora da órbita turística da cidade que se tornou um verdadeiro fenómeno de sucesso entre estrangeiros e locais, com uma oferta de cozinha tradicional portuguesa mais aprumada e um serviço de sala que fazia inveja à grande maioria dos restaurantes com estrela Michelin.

Pois bem, esse mesmo O Paparico mudou! Mas não se assustem, não fechou, não serve hamburgers, nem tão pouco baixou a qualidade, muito pelo contrário. Está é a dar o salto qualitativo que sempre se percebeu ser o sonho de Sérgio Cambas, o proprietário, que com a maturidade certa, o crescente interesse da cidade do Porto nos roteiros internacionais e uma melhor alavanca financeira, potenciada pelo sucesso da sua mais recente aposta, o Brasão Cervejaria, decidiu mudar e levar este já clássico da cidade para outros voos!

Mas que mudanças são essas? Perguntarão os leitores menos atentos.

São acima de tudo mudanças de posicionamento, um pouco como alguns velhos restaurantes de família que vão passando de geração em geração, moldando-se aos tempos e passando de uma cozinha tradicional até à alta cozinha, como acontece muito em França ou na vizinha Espanha, em que muitos dos principais cozinheiros de hoje foram moldando os restaurantes tradicionais que herdaram de família.

opaparico2016O Clássico bar de O Paparico, que em tempos serviu de berço ao fenómeno do Gin na cidade do Porto

Aqui Sérgio Cambas decidiu que não havia de esperar pela próxima geração e pôs mãos à obra, tirou a sua equipa de cozinha da zona de conforto e desafiou-os a fazer mais e melhor, sempre com o foco nos sabores da tradição portuguesa, desafiou a sala a fazer também ela mais e melhor, servindo apenas menus de degustação, apostando na mise en scène e dando ainda mais protagonismo aos vinhos, e acima de tudo desafiou-se a si próprio, quando se propôs a mudar uma fórmula de sucesso.

Mas deixemos as histórias e passemos ao que realmente interessa, a nossa experiência!

Sabendo deste novo arrojo do restaurante, lá decidimos fazer uma visita. O conceito de porta fechada mantém-se, com o toque da campainha a trazer uma recepção pronta, que nos trata pelo nome ( a revelar um estudo das reservas e um cuidado com o detalhe que muito raramente se vê fora do circuito dos grandes restaurantes), e que cordialmente nos sugere uma bebida no bar enquanto são ultimados os detalhes na mesa.

E assim começou a nossa experiência neste O Paparico v2.0, com uma conversa amena e romântica, umas folhas crocantes de farinha de arroz, água aromatizada com alecrim e limão e um brinde com o excelente espumante bairradino Wijion 100% Baga, servido num fantástico copo Riedel, que lhe fez sobressair a bolha fina e uma mousse de grande elegância.

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Chegando à sala, percebe-se que diminuíram o número de mesas e que as mesmas se tornaram mais amplas, e que a iluminação também sofreu grandes alterações (ideais para aqueles que insistem em tirar fotografias da comida!!!). Já na mesa, somos recebidos com tradição e alguma modernidade, com a broa de Avintes, o pão caseiro, um excelente folar transmontano, azeitonas curtidas ao jeito das alcaparras transmontanas e a imprescindível manteiga, aqui com duas versões, manteiga de cabra e cabra com algas – deliciosas.

Enquanto nos explicam a nova carta percebemos as principais alterações, deixando de haver uma opção à carta, que antigamente contava com pratos para partilhar, surgindo apenas 3 opções de menus de degustação, 3, 4 e 6 pratos e preços entre os 65€ e os 100€ com propostas de harmonização de vinhos entre 30 e 50€ dependendo do menu escolhido.

opaparico2016-3Canja de galinha

Escolhas feitas e pratos deixados na mão da equipa (é possível criar o nosso menu com base nas propostas apresentadas, 3 entradas, 3 peixes e 3 carnes), eis que surge o primeiro amuse bouche, uma Canja de galinha, reinterpretada  com um excelente  caldo, o arroz ou a massa dão a vez a uma espécie de espuma, onde não faltou também a gema, e que não se lembra de batalhar pelos ovinhos da canja.. Um inicio que apela à memória e nos reconforta.

opaparico2016-4Terrina de Arouquesa e Presunto de porco preto

Seguiu-se um dos clássicos da casa, a excelente Terrina de Vitela Arouquesa com vinho do Porto, preparada ao jeito da Tangerina de Heston Blumenthal, com a textura e o sabor bem afinados e um Presunto de Porco Preto com pão crocante, bem ao jeito espanhol, servido com uma desconcertante imagem do animal! Este apontamento visual, certamente causará muita discórdia, uns amarão a ideia, outros não se sentirão confortáveis a comer enquanto cruzam o olhar com o porco. Mas se a intenção é causar impacto, tensão e até uma conversa de discórdia, a ideia está mais do que conseguida.

A harmonizar, esteve um Sousa Lopes Late Harvest 2013 da casta Petit Manseng, um dos melhores colheita tardia produzidos em solo nacional, mais propriamente em Famalicão na Adega Casa da Torre, com uma excelente cor, notas florais, pêssego e mel e uma boca de final longo e a doçura bem equilibrada pela sua acidez bem vincada. Perfeito, quer com a terrina quer com o presunto.

opaparico2016-5Salada de Polvo

Para terminar os snacks – se é que se lhe pode chamar assim – seguiu-se um bom exemplo da tradição portuguesa levada a outros níveis de execução e apresentação, sem descaracterizar o sabor, uma aparentemente simples Salada de Polvo, com a salsa a ser substituída por uma excelente e refrescante emulsão de molho verde, o polvo a ser apresentado em fatias finas e a cebola em forma de quenelle cortada numa brunoise tão pequena que deixaria os senhores do Le Cordon Blue envergonhados. Delicado, simples, saboroso e familiar, onde se destaca não só a técnica como a qualidade do produto onde não falta sequer o toque do soberbo vinagre da Quinta das Bágeiras.

No copo esteve o leve e fresco Sílica branco 2013, um vinho versátil à mesa, cujo lado cítrico combinou muito bem com o polvo. opaparico2016-6Feijoada de Carabineiro
Pegando na bem tradicional feijoada de mariscos, juntou-se-lhe o rei dos camarões, um feijão de qualidade superior e técnicas mais contemporâneas. Carabineiro com a cocção afinada, em que a sua sempre preciosa cabeça deu origem a uma espécie de azeite em pó, bem acompanhado pelos excelentes feijões num conjunto refrescado pelos pequenos apontamentos de hortelã. Fosse o molho da feijoada um pouco mais apurado e seria um prato perfeito.

Para acompanhar o marisco o escanção surpreendeu-nos com uma cerveja, mas não uma cerveja qualquer, mas sim a artesanal Deus  – Brut des Flandres, uma cerveja complexa que viaja entre a Bélgica, onde é produzida, e a região de Champanhe, onde é fermentada pela segunda vez e envelhecida segundo o método da região. Uma cerveja com notas de espumante, aromas complexos e sabor delicado.

opaparico2016-8Tabafeira, a Chouriça da resistência
Considerada muitas vezes sinónimo de alheira, a tabafeira era conhecida em Trás os Montes como um chouriço semelhante à alheira mas produzido para ser consumido de imediato, sem a necessidade de ir para o fumeiro.  Aqui recria-se essa combinação do pão com a gordura e as carnes de coelho e perdiz, com um esparregado bem fino de espinafres, mostarda hidratada, água de cogumelos e um gel de ovo. Ingredientes bem ligados, com um bom jogo de texturas, mas sem grande graça ou sabor digno de destaque. Não sendo mau, foi o prato menos interessante desta longa refeição.

No copo esteve um dos melhores exemplos da casta Chardonnay produzidos em Portugal, o Quinta do Cidrô 2012 da Real Companhia Velha, ligeiramente mais evoluído do que esperaria, mas com a estrutura, corpo e complexidade certas para o prato.

opaparico2016-9Caldeirada
Mais um clássico português que hoje é recriado na maioria dos restaurantes nacionais de fine dining, a Caldeirada. A d’ O Paparico leva Imperador, Pargo, Salmonete, amêijoa e mexilhões, tudo cozinhado no ponto certo, com finas lâminas de batata e um molho untuoso e cheio de sabor que nos remete para as memórias do sabor. O prato é depois elevado pela intensificação dos sabores a mar dados pelas algas e refrescado pela acidez subtil de um gel de laranja que acompanha o conjunto. O momento alto da noite!

A acompanhar esteve o não menos interessante Arinto dos Açores Sur Lies 2014 de António Maçanita, mais uma prova do grande trabalho que o Maçanita tem vindo a realizar com os vinhos dos Açores. Não se confunda o Arinto dos Açores com aquele que conhecemos no continente, esta é uma casta autóctone, cuja localização lhe transmite uma salinidade e acidez únicas, com a maturação sobre as borras a trazer maior complexidade e intensidade. Um vinho muito, muito fresco, cheio de cítrinos, e uma boca com bom corpo e untuosidade que se fundiu e limpou muito bem com o molho da caldeirada. Um vinho que quero muito provar depois de envelhecido durante uns bons anos.

opaparico2016-10Meia unha com Grão
Adoro mão de vaca, pézinhos de porco e todos os cortes menos nobres e gelatinosos, pelo que não resisti a pedir esta adaptação da clássica mão com grão. Carne gelatinosa e bem saborosa num preparado em jeito de terrina, bom chouriço e um caldo rico e delicado. Nota alta para a qualidade do grão apresentado, muito, muito bom!

A escolha para a harmonização recaiu sobre um Loureiro 2009 Royal Palmeira, também ele mantido em contacto com as borras, criando um loureiro elegante e complexo ainda marcado por fruta fresca e um lado fumado fruto da boa evolução em garrafa.

opaparico2016-11Cabrito com legumes à padeiro
Comida familiar e de conforto, onde o assado de domingo é rei. Aqui com um cabrito desossado de grande qualidade, cozinhado no ponto, com ótima textura e suculência, acompanhado de legumes bem trabalhados e a batata assada, tudo isto sobre um creme feito à base de arroz de miúdos do cabrito. As avós que me perdoem mas seria ótimo que o habitual cabrito de domingo fosse sempre assim!

No copo esteve um tinto do Alentejo, Altas Quintas Reserva-do 2005, um vinho a quem os anos fizeram maravilhas, equilibrando-lhe o álcool e o estágio em madeira com uma acidez soberba, fruta escura, notas balsâmicas, especiarias e muitas ouras coisas que iam surgindo à medida que o vinho se ia abrindo no copo. Um grande vinho que completou e engrandeceu o prato.

opaparico2016-12Pré-sobremesa

A refeição já ia longa e bem regada quando passamos às sobremesas, começamos com um bonito “falso” morango que serviu de pré-sobremesa, servido com sorvete de morango, morango liofilizado, merengue, crumble e natas azedas. Excelente empratamento e excelente sabor.

opaparico2016-13Chocolate, Avelã e alfarroba 
Quando muitas vezes sabemos que as sobremesas são o calcanhar de aquiles de muitos restaurantes, somos tentados a esperar o mesmo, mas saíu-nos uma boa surpresa. Apurado sentido estético numa conjugação quase garantida. Fantástico sorvete de cacau, com uma boa “bomboca” de chocolate, e avelã com bolo de alfarroba. Prato com um bom jogo de texturas e doçura equilibrada.

A harmonizar esteve um Niepoort Lbv 2007, com o habitual perfil da casa, mais seco, mas mais bem concentrado e com notas de fruta e chocolate que funcionaram muito bem com a sobremesa.

 opaparico2016-14O ovo
Servido numa galinha de vidro semelhante às muitas de chocolate que na minha infância apareciam lá por casa por altura da Páscoa, o Ovo! Ou seja, uma homenagem às tradicionais sobremesas portuguesas, à base de muita gema e acúcar, aqui com os clássicos fios de ovos a servir de ninho, merengues, crumble de canela e um ovo feito à base de uma espécie de zabaglione com recurso a nitrogénio líquido. Fresca, equilibrada e bem conseguida, uma sobremesa que terá ainda muito espaço para outras versões.

A acompanhar esteve um Colheita Dalva de 1985, muito bem envelhecido, com uma excelente cor e notas de mel, frutos secos e baunilha que se tornaram uma companhia irrepreensível para uma sobremesa à base de ovos.

 opaparico2016-15Toucinho do Céu
E porque a dieta já estava perdida, aceitamos provar ainda mais uma sobremesa, Toucinho do céu. Desta feita com o toucinho a ser concebido mais ao jeito espanhol do que ao português, com uma textura mais próxima do pudim que do nosso toucinho com amêndoa e chila. Aqui bem complementado com avelãs picadas, sorvete de limão e uma folha de avelã. Teve tanto de delicia como de pecado!

Para fechar o capitulo vínico e porque o nível de álcool também já ia alto, um Madeira Ribeiro Real Malvasia 20 anos da Barbeito, mais um grande, grande vinho, cor âmbar lindíssima, notas de madeira exótica, chocolate, caramelo que se fundiu muito bem com a sobremesa e um corpo doce e suave com um final seco, que nos faz querer continuar a beber.

Uma coisa que odeio em restaurantes de fine dining é a expressão “infusão do chef” que depois nos chega à mesa com etiqueta de uma determinada marca de chás e muita das vezes sem grande interesse ou qualidade. Pelo menos aqui a infusão é feita na casa, com recurso a hortelã e mais uns apontamentos que a memória me esconde. A acompanhar não faltou uma caixa de música, que noutro ambiente seria excessiva e demasiado forçada mas que naquela sala, com aquela decoração e  naquele ambiente acaba por funcionar como um bom cofre de petit fours.

opaparico2016-16caixa de musica, que é como quem diz de petit fours

Como fui falando, o serviço de vinhos foi irrepreensível do primeiro ao último segundo, copos de 1ª linha, vinhos servidos no tempo certo e antes de cada prato, bem explicados e acima de tudo muito bem conjugados com os pratos, e sempre com opções fora da caixa.

Um serviço notável que se funde bem com o meticuloso trabalho que a equipa de sala foi realizando ao longo de todo o jantar, sob a batuta minuciosa de Sérgio Cambas.

Considerações Finais
Diz-se que a sorte protege os audazes, outros dirão que são os audazes que escrevem a sua própria sorte, o que é certo é que Sérgio Cambas tem um pouco de ambas as expressões e que este seu “novo” O Paparico merece bem que a sorte o acompanhe. De um clássico sempre seguro passou a um fine dining com poucos pontos de comparação em Portugal, por toda a experiência que oferecem desde o momento em que se toca à companhia até ao momento em que se apaga a luz da última mesa na sala. Do serviço não há muito a dizer, existem muito poucos que o façam tão bem ou melhor em Portugal, quanto à cozinha, é bonito ver uma mudança tão radical, uma saída da zona de conforto e claro, o resultado conseguido, porque a verdade é que não basta querer fazer mais e melhor, é preciso conseguir, é preciso manter o padrão e melhorar cada detalhe. Desta experiência saímos mais do que satisfeitos, com um menu bastante extenso em que uns pratos estavam uns níveis a cima de outros como seria expectável.

Agora com uma experiencia deste nível logo na fase de mudança, espero grandes coisas para o futuro desta versão 2.o d’ O Paparico. Imperdível!

O Paparico 
Rua de Costa Cabral 2343, Porto
+351 225 400 548

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

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Um Jantar, 3 Génios e uma mesa bem composta

niepoortleitaria-4O clássico Demijohn da Niepoort

É sempre bom receber convites e ver que o trabalho que se realiza tem alguma importância para as pessoas, mas existem vários tipos de convites, muitos não fazem o mínimo sentido, outros não nos agradam, outros somos forçados a recusar for falta de disponibilidade, e outros, são especiais, são convites que não vêm em press release nem com o nome trocado, são pessoais, com mensagens curtas mas cheias de conteúdo! E são estes convites que não esquecemos, que quando os recebemos nos deixam cheios de ânsia, e que no dia seguinte as memórias tomam conta do nosso pensamento!

Para provocar esses momentos especiais não há como as empresas como as vínicas, e como a Niepoort em particular contar-se-ão certamente muito poucas (mesmo, muito, muito poucas!).

Dito isto, nada como revelar o conteúdo do convite, que num pequeno, mas fantástico espaço como o Feeling Grape, reúne 3 grandes génios, Dirk Niepoort, sobre o qual já quase tudo foi dito e escrito –  embora cada vez que partilhe um momento com Dirk, sinta que por mais que se possa escrever e ler sobre o seu trabalho não existe nada melhor do que ouvi-lo, especialmente enquanto o bebemos também –  Philippe Pacalet, o génio da Borgonha, que volta ao Porto (ver 1º artigo) para nos mostrar os seus vinhos únicos, que com toque de vigneron e mão subtil expressa como ninguém os vários Terroirs que os Deuses criaram naquele canto tão especial, e por último, mas não menos importante, Vítor Claro, o cozinheiro que também produz vinho, mas que não se limita a assiná-los, cria-os, estuda-os e suja as mãos na altura da acção.

A noite, ou a tarde para ser mais honesto, começou bem com clássico Porto Branco velho, um vinho com cerca de 70 anos em garrafa e outros tantos antes de ser engarrafado, uma experiência única sempre que o provamos, com o seu lado seco a revelar-se o aperitivo perfeito, com a complexidade da idade e um final que chama pela comida.

Seguiram-se algumas amostras de futuros lançamentos da Niepoort, alguns dedos de conversa (com direito a desenferrujar o francês) e um ouvido afinado de bom aluno enquanto se ouviam algumas palavras sábias, fossem elas de vinho ou da vida.

niepoortpacalet16Bacalhau à Conde da Guarda 
Um prato mítico do Aviz, que o Vítor moldou ao seu estilo e que se tem tornado ao longo dos anos a sua maior assinatura, não havendo hoje gastrónomo que se preze que não reconheça as duas quenelles que o chef coloca com toda a sua subtileza no prato. É uma combinação perfeita de bacalhau, puré e manteiga que se cruza com a frescura e o umami de um tártaro “simples” de tomate. Dois elementos que se complementam na perfeição, e que não poderiam ser um melhor cartão de visita para o que o Vítor Claro pretende que seja a “sua cozinha”, bom produto, muito sabor, elegância e uma subtileza tão elegante que chega a enervar.

Para que não houvesse dúvidas sobre o que nos traria este jantar, o Bacalhau foi harmonizado com o Chablis 1er cru Beauroy 2013 de Pacaletum vinho e um ano, que nas palavras do próprio, expressa bem o seu terroir, com uma mineralidade fantástica, e uma complexidade que o tornou a companhia perfeita para o fiel amigo.

niepoortpacalet16-2 Tártaro de Atum e Ostra
Seguiu-se outro prato fresco, e mais uma vez surge aquela acutilante subtileza, que se transforma numa bomba de sabor, elegante e sem roupagens estranhas, está lá o atum – um rico Bonito dos Açores – as ostras, e o sumo de salada Waldorf, que é como quem diz aipo, maça e pepino(?). Tudo irrepreensível,  com a mão na medida certa e muita frescura!

Para harmonizar, Dirk e Philippe trouxeram o Chassagne-Montrachet 2013obviamente mais um 100% Chardonnay, com uma expressão bem distinta do Chablis, com mais estrutura, aromas mais exóticos, um lado salino e mineral que o tornam bem gastronómico.

niepoortpacalet16-4 Lula Oriental 
Um prato servido a dois tempos, e que também a dois tempos me fez entrar numa espécie de Bungee jumping entre a Terra e o Céu. Um fino tagliatelle de lula gigante crua, marinada em molho de sésamo e soja, com pepino fresco, cebolinho e azeite. Simples, muito simples, fresco, irreverente, delicado e honestamente único.

Para segundo tempo, um caldo, feito com a mesma lula, a sua tinta e coentros. Uma sopa fina, elegante e reconfortante depois de vários pratos frios. Um daqueles caldos que todos gostaríamos de ter quando chegamos a casa.

Para acompanhar um dos grande pratos da noite um dos melhores vinhos provados, o Nuits-Saint-Georges 1er Cru Argillas 2012, elegante, complexo, com fruta vermelha e negra, notas salinas e uma mineralidade que lhe dá uma vida rara e uma energia contagiante a quem o bebe.

niepoortpacalet16-6Lombo de Vitela Maronesa
O delicado lombo de maronesa, cozinhado em “ponto de rebuçado”, acompanhado por foie gras fresco e o seu saboroso molho, equilibrado de forma mais arrojada pelo manjericão e o cebolinho, que contrastam e equilibram o foie com o seu lado vegetal e frescura. Um prato untuoso, intenso e ao mesmo tempo estupidamente delicado.

Para harmonizar com a carne esteve o Chambolle – Musigny 1er Cru 2012, um dos clássicos de Pacalet, um vinho elegante, fácil de perceber e impossível de não se gostar. Com bastante fruta escura e especiarias, que resultam num vinho complexo e profundo,  mais consensual que o Nuits-Saint-Georges 1er Cru Argillas.

niepoortpacalet16-8Paulo Silva AKA o mestre do tacho

niepoortpacalet16-9Robalo de Mar e tomatada 
Depois de uma troca de pratos e vinhos orquestrada como já é habitual por Dirk Niepoort, eis que surge o tacho na mesa, com uma impressionante massada de Robalo, com mais um impressionante caldo de peixe e tomate, lascas suculentas de um robalo de porte generoso e uma massinha no ponto que dá ao prato conforto e substância. Um daqueles pratos que nos remete para a cozinha da avó, com o tacho, a partilha, o conforto, mas um sabor que nos leva para as estrelas – sejam as do guia vermelho ou as do espaço.

Para finalizar os pratos principais, o grande Corton-Charlemagne Grand Cru 2013provavelmente o principal branco do portfólio de Philippe Pacalet, complexo, profundo, focado, com uma ótima acidez e mineralidade. Um branco único!

Para terminar, deu-se folga ao Chef que se juntou aos convidados, enquanto se degustava um excelente Queijo da Serra e claro os vinhos do Porto da Niepoort.

Começando por um Niepoort Vintage de 77 em garrafa de litro, um vinho ainda com garra, com notas de fruta e um lado quase medicinal que recorda rebuçados da tosse, com taninos subtis e muito poder. Um vinho que ainda pode ser guardado!

Para terminar, e porque o Dirk nunca faz a coisa por menos, um dos raros Niepoort Garrafeira 1931, o primeiro garrafeira da casa, que é hoje a única produtora desta categoria de vinhos do Porto que envelhecem em Demijohn’s (grandes garrafões de vidro) e que o IVDP insiste em não autorizar enquanto denominação. Mas bom, o que interessa é o vinho, e esse mais do que notas, é uma história, que se aproxima a bom ritmo de um século de vida, e muitas, muitas emoções. O vinho, esse, está cheio de aromas, que se confundem e se mesclam dando-lhe uma complexidade invejável, mantendo uma frescura também ela especial. Mas bom, aqui o importante era saborear o momento, um grande jantar, 3 grandes senhores e muito, muito vinho.

niepoortpacalet16-10A herança e o génio

Considerações Finais  
Philippe Pacalet é uma pessoa especial, a paixão e o cuidado com que trata os seus diferentes vinhos e a subtileza com que os trata  de forma a que cada um deles expresse da melhor forma possível o terroir em que se inserem, ou não usasse apenas Chardonnay e Pinot Noir para criar mais de duas dezenas de vinhos bem distintos. Assim sendo, não seria possível encontrar para Pacalet um melhor paralelo na cozinha do que Vitor Claro.

Hoje está claro que todos os cozinheiros falam no produto, na origem e na sua importância, mas é Claro quem vive essa busca e essa expressão do produto, sem cirurgias nem maquilhagens! Uma cozinha de rigor técnico, em que os sabores são exponenciados sem serem falseados ou exagerados, e a subtileza e delicadeza das conjugações são impressionantes.

Foi um jantar em que a determinada altura, mais do que os grandes vinhos, a cozinha me emocionou, pelo sabor, simplicidade e elegância, uma cozinha que reflete bem a identidade de quem a criou.

Agora que o restaurante do Vitor, também conhecido como Claro, foi renovado, que a equipa foi reforçada e que os media lhe começam a dar alguma atenção, muitos perguntarão se o Claro mereceria uma estrela, mas a questão que se põe aqui é outra, será que as estrelas merecem o Claro?!

Podem encontrar todos os vinhos de Philippe Pacalet aqui.

English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na apresentação dos vinhos de Philippe Pacalet a convite da Niepoort, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Vinum

vinum2016-11

O Vinum dispensa apresentações por estas bandas, foi eleito “Restaurante Revelação” nos prémios “Flavors & Senses – Os Melhores para 2014” e desde aí tem sido uma presença assídua entre os nomeados nas nossas várias categorias. A junção entre a Graham’s (Symington) e o savoir faire do grupo Vasco Sagardi tem-se revelado uma parceria feliz, que trouxe até ao Porto não só a melhor carne e os melhores cortes, como a melhor técnica de dominar  a parrilla e as brasas.

Mas, com a recente mudança de chef – ao comando do Vinum está agora Hugo Rocha, que entre vários restaurantes estrelados passou também pelo famoso Alinea de Chicago – a cozinha passou assim a ocupar um lugar de destaque ao lado da parrilla, mantendo o respeito pelos produtos e as técnicas fiéis à cozinha basca e portuguesa.

vinum2016-13

Com esta mudança lá decidimos fazer mais uma visita e provar algumas das propostas mais recentes da carta, que conta agora também com menus de degustação (5o€ + suplemento de vinhos) .

O ambiente estava perfeito, bem instalados, com uma vista única sobre as duas margens do Douro que só o Vinum proporciona, e uns raios de sol que foram tão raros no passado mês de Maio.

vinum2016-10parece que faltava algum alecrim na cozinha!

Começamos, como não poderia deixar de ser, pelo pão de farinha tradicional que continua a ser o melhor pão artesanal dos restaurantes do Porto, bem acompanhado pelo azeite da Quinta do Ataíde. E como uma espécie de amuse bouche uns pimentos padrón que mostram bem a costela espanhola do restaurante.

vinum2016pimentos padrón

vinum2016-2Rosbife, parmesão e vinagrete de mostarda (16€)
Optou-se por partilhar algumas entradas, em boa hora! Rosbife, bem preparado, com textura e espessura certeiras, bem acompanhado pela vinagrete de mostarda, as notas do pinhão tostado e, claro, o sabor do parmesão de boa qualidade. Muito Bom!

vinum2016-3Salada de Pato à Vinum (17€)
Outra excelente salada, desta vez com pato fumado, rillettes de pato e foie, com tostas crocantes, laranja amarga assada e folhas verdes. Prato muito equilibrado, com as notas amargas da laranja a contrastar bem com a gordura e os pequenos apontamentos de compota que se apresentavam no prato. Excelente a Rillette, que resulta numa das melhores saladas da cidade!

vinum2016-4Espargos Brancos na grelha (22€)
Espargos brancos, levemente grelhados, para adquirirem o aroma e sabor do fumo, bem acompanhados por uma vinagrete simples e fresca. De negativo apenas a textura do espargo, que normalmente no branco já é sempre mais tenra, mas aqui a ser tenra em demasia.

A harmonizar com as entradas esteve o sempre festivo Altano branco 2015, com boa frescura e uma estrutura leve que acompanhou bem.

vinum2016-5Guisado de Bacalhau, alcachofras e amêijoas (26€)
Um prato que mostra bem a identidade deste “novo” Vinum e o seu respeito pela tradição e pelos ingredientes. Bacalhau de meia cura à boa maneira Basca, cocção irrepreensível, caldo apetitoso, onde o pão volta a ganhar um lugar na prova. Nota alta ainda para as ótimas e suculentas amêijoas e a textura e notas de terra que a alcachofra trouxe ao prato. Vale a visita!

vinum2016-6Magret de pato, foie gras, cebola tenra recheada e molho Grahams Six Grapes (23€)
Pato selvagem cozinhado no ponto, saboroso e com a pele bem tostada, falhou na textura da peça, mais rija que o desejado! Excelente a junção das lascas de foie fresco, e da cebola recheada com compota de cebola e cebolinho, cujo lado vegetal e fresco contrasta muito bem com o pato, o foie e o molho de porto graham’s. Provavelmente com outro magret será um prato para ficar na memória.

Acompanhou-se quer o peixe quer a carne com um Pombal do Vesúvio 2013, um vinho bem feito, com notas características do Douro, e um toque de especiarias que foi particularmente feliz com o pato.

vinum2016-12 A Tábua de Queijos com o impressionante Stilton de Billy Kevan

vinum2016-8Chocolate e laranja amarga (7€)
Apresentação demasiado clássica para uma sobremesa que se revelou uma boa surpresa, com as notas mais ácidas da laranja a quebrar muito bem a doçura e a conjugar muito bem com o chocolate.

vinum2016-9Pera em Quinta do Ataíde Bio, gelado de nata (7€)
Um porto seguro da doçaria portuguesa, com a pera cozida no ponto, molho equilibrado e doce q.b., bem acompanhada pelo gelado de nata e um crumble de bolacha que adiciona uma nova textura ao prato. Simples e bem feito!

Com as sobremesas, ou não estivéssemos nós numa das mais importantes Caves de Vila Nova de Gaia, não faltaram os vinhos do Porto, onde se provaram o Graham’s 20 anos, o 30 anos (perfeito com a sobremesa de chocolate e laranja, graças às suas notas de laranja, estrutura e uma acidez que impressiona) e o LBV 2009, que funcionou muito bem com a pera.

vinum2016-7O Carrinho de Vinho do Porto a copo do Vinum, com destaque para a lindíssima caixa do Ne Oublie 

O Serviço decorreu de forma calma e pausada, com técnica e rigor nos momentos mais necessários e descontração no tempo certo.

Considerações Finais
O Vinum é um daqueles restaurantes em que me dá sempre um grande prazer voltar, não porque quero ser surpreendido com alguma preparação mais elaborada, ou uma proposta imprevisível, mas porque sei sempre que vou contar com ingredientes de alta qualidade e uma preparação simples que raramente foge do irrepreensível. Agora com Hugo Rocha na cozinha podemos contar com pratos ainda mais seguros e capazes de fazer frente à sua carne de vaca velha e à parrilla que tantas vezes me fez feliz só com a carne certa, o sal e claro, a técnica!

Não é um restaurante para todos os dias até porque a carteira se iria ressentir, mas é um restaurante imperdível, da vista à cozinha não esquecendo os vinhos.

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Restaurante Vinum 
Rua do Agro nº 141 (Graham’s Port Lodge), Gaia
+351 220 930 417

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses 

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A Rota – Pop Up Dining

arota-3Foi no passado mês de Maio que os Reubicados Colectivo chegaram ao Porto com os seus jantares pop up. Uma espécie de eventos underground, em que jovens cozinheiros de diferentes pontos do mundo – neste caso, a Laila Bazahm de Singapura e a trabalhar em Barcelona e o Diogo Cabral do portuense Traça – se juntam para divulgar e misturar culturas através da gastronomia.

Se esta mistura não bastasse para cativar os “gastro-freaks”, os Reubicados juntaram-se à não menos Freaky Niepoort para harmonizar os seus eventos com alguns dos vinhos mais irreverentes da casa e algumas amostras de vinhos que ainda não viram a luz do dia.

arota-5Carmelo e Paulo Silva (Niepoort) e Linda Silva (Reubicados Colectivo)

Motivos mais que suficientes para encher o primoroso espaço Feeling Grape (saber mais), conhecer pessoas novas e brindar a projectos irreverentes que trazem um pouco mais de cor à monotonia e formalidade com que normalmente se lida com comida, gastronomia e vinhos.

E começamos bem, com um Redoma Branco 1996, o 1º branco da Niepoort com o selo Redoma, a revelar algumas diferenças de evolução entre as garrafas provadas, mas a mostrar-se em boa forma, revelando que a “vida adulta” lhe trouxe qualidades únicas. Antes de se dar início ao jantar, provou-se ainda uma amostra de um espumante Blanc de Noir, 100% Pinot Noir, que certamente virá dar muitas alegrias à casa.

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Já na longa mesa partilhada com gente de todas as áreas e idades vão começando as conversas e apresentações, enquanto nos era explicado que cada prato seria harmonizado às cegas com 2 vinhos, ficando depois ao critério de cada um a escolha do vinho que melhor harmonizava com o prato.

arota-7Sardinha, emulsão de limão e pele crocante

Para abrir a degustação coube a Diogo Cabral apresentar a sua sardinha panada com panko, uma refrescante emulsão de limão que contrastava bem com a gordura do peixe e da fritura e uma pele de sardinha estaladiça para intensificar o seu sabor. A harmonizar esteve um Pinot Noir do Douro e o aromático Loureiro Dócil. Aqui a minha escolha recaiu sobre a elegância do Pinot e forma como contrastava com o prato.

arota-8Tártaro de Bacalhau, tofu de amendoim e caldo de Laksa 

De seguida Laila apresentou-nos um prato que trouxe boas memórias da nossa recente viagem por Singapura (ver), em que nos apresenta um excelente caldo de laksa bem acompanhado por amendoim e o nosso bacalhau. Parece estranho, é certo, mas o resultado final surpreendeu-nos a todos.

No copo estiveram os Brancos Navazos e VV. Dois grandes brancos, dois vinhos únicos mas muito distintos, sendo que aqui o vinho ideal para o prato era o VV 2013 da Bairrada pelo seu lado menos exuberante e a sua acidez mais cítrica que equilibrava melhor o prato.

arota-9Bacalhau confitado, emulsão de salsa, azeitona preta e batata frita

Seguiu-se mais uma proposta nacional, com um bacalhau cozinhado no ponto, mas pouco interessante, onde falharam as batatas, demasiado queimadas, e que tiraram ao prato o lado crocante que este necessitava. No copo viajamos até à Áustria com o Sydhang 2013 e uma amostra de Fuder de 2013, dois vinhos bem distintos com o Sydhang a mostrar toda a elegância que Dorli e Dirk deram a este vinho da casta Blaufraenkisch.

arota-10Veado, Cogumelos, Vinho do Porto e Couve flor

Passando à carne, Diogo apresentou o seu “ingrediente fetiche”, o veado, suculento e saboroso, sobre um puré leve de couve flor, e ligeiros apontamentos de porto e cogumelos. Um prato simples, mas reconfortante e bem conseguido. A harmonizar esteve uma amostra do Ultreia 2014, ainda muito jovem, que irá evoluir muito bem na garrafa, e um vinho de outro produtor, o Quinta da Carolina 2006, que surpreendeu pelo estado em que se apresentava,  sem uma concentração excessiva, madeira bem integrada e fruta na medida certa. Muito Bom!

 arota-11Rendang de Bocheca de Porco, creme de batata e arroz tufado

Mais um excelente prato da Laila Bazahm, com a bochecha a apresentar uma textura perfeita, com o molho do rendang equilibrado e sem ser demasiado intenso, com um puré/creme leve e as notas crocantes do arroz tufado. O melhor da noite!

Para este prato a harmonização esteve a cargo  do Clos de Crappe 2013 – o último lançamento “louco” da Niepoort – e de uma amostra de Lote D (feito por Daniel Niepoort, o filho mais velho de Dirk). Embora tivesse preferido ver o Clos de Crappe com um outro prato deste jantar, a minha escolha recaiu ainda assim sobre ele, embora seja um pouco injusto comparar um vinho “pronto” com uma amostra ainda em fase evolutiva, e que no caso particular deste Lote D, mostra bem que a linha criativa da Niepoort tem uma linhagem de sucessão repleta de talento, porque este promete vir a ser um vinho bem particular.

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arota-12Manga, Coco e Sticky Rice

Se o objectivo era terminar a refeição ao jeito do Sudoeste Asiático, nada como a famosa manga com sticky rice, aqui apresentada pela Laila de uma forma um pouco mais moderna, com a manga liofilizada, o coco em espuma e o arroz.  Boas memórias se reavivaram!

Provou-se o clássico moscatel do Douro da Niepoort, com as notas clássicas da casta e uma acidez e frescura que lhe são particulares.

Para terminar ao jeito da Niepoort nunca poderia faltar o Porto, desta vez com o “futuro” Garrafeira de 1985, apresentado pelo sempre singular Nicholas Delaforce, enólogo responsável pelos vinhos do Porto. Fresco e elegante, com uma complexidade singular que dispensa o prato e vale por si só.

arota-6Diogo Cabral do Traça 

Quanto à cozinha, tenho de destacar o trabalho da cozinheira Laila Bazahm, com excelentes pratos, boa integração da cozinha asiática numa roupagem mais técnica e moderna e acima de tudo muito, muito sabor.

Não faltaram ainda outros vinhos que se foram provando ao longo da noite, entre boa música e boas conversas, entre amigos e desconhecidos, num jeito único de promover a gastronomia e o vinho. De facto é sempre bom conhecer pessoas novas e ouvir experiências e opiniões diferentes, especialmente quando existe um interesse em comum, concordando-se ou não com os melhores pratos ou os melhores vinhos!

Reubicados Colectivo

Fotos: Flavors & Senses

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Um dia em Kuala Lumpur

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Depois de uma viagem memorável pela exímia Singapura e pelo espiritual Bali, e antes de regressar a casa, eis que fazemos uma breve paragem na capital da Malásia, Kuala Lumpur.

Esta cidade é a maior da Malásia, sendo o centro cultural e económico do país, e é onde se situa a residência oficial do Rei, o Palácio Istana Negara.

História
Kuala Lumpur parece ter a sua origem no ano de 1850 quando o chefe malaio de Kelang, Raja Abdullah, contratou trabalhadores para abrirem minas de estanho.

Estes fizeram-no na confluência de Sungai Gombak (ou Sungai Lumpur – que significa rio enlameado) e Sungai Klang. Kuala Lumpur significa, então, “confluência enlameada”.

Kl - 27

A Malásia foi colónia inglesa durante cerca de um século, já esteve sob o domínio japonês, já se preocupou com o comunismo, mas desde 1957 que é independente, e Kuala Lumpur é a sua capital desde 1963.

Kuala Lumpur é formada pela mistura de diferentes culturas. Diferente da restante Malásia, onde o povo malaio compreende a maioria étnica, a maior parte dos habitantes de Kuala Lumpur são malaio-chineses. Há também malaio-indianos, europeus, asiáticos e outras raças indígenas.

A administração está a cargo da Câmara Municipal, que por sua vez responde ao Ministério Federal da Malásia.

– Língua Oficial: O malaio é o idioma oficial, no entanto, o inglês é muito falado.

– Religião: O Islamismo é a religião mais praticada, no entanto, há outras religiões como Budismo, Cristianismo e Hinduísmo.

– Moeda: Ringgit Malaio (MYR) – 1€ = 4,44305 MYR

– Clima: Quente e húmido durante todo o ano, com chuvas que podem ir de Março a Maio e de Setembro a Novembro. Estivemos no início de Março e o clima estava perfeito, quente e sem chuva!

– Vacinas: não são necessárias (para portugueses).

– Passaporte: Como é habitual é obrigatória a apresentação de um passaporte com validade de 6 meses.

– Visto: não necessitamos de visto (Portugal), a não ser que pretendam ficar no país por mais de 90 dias.

– Como chegar: Voamos, como já é habitual, com a Emirates – Porto-Lisboa (TAP); Lisboa-Dubai; Dubai-Singapura (Aeroporto Chang), partindo depois para outros destinos, mas é possível voarem directos do Dubai para Kuala Lumpur com a Emirates. No nosso caso, chegamos a partir do aeroporto de Ngurah Rai em Bali, com um voo da AirAsia, que liga toda a Ásia à capital malaia, ao aeroporto Internacional de Kuala Lumpur no distrito de Sepang a cerca de 50km do centro da cidade, este voo teve a duração de cerca de 3h.
Todas as principais empresas de aviação voam regularmente para Kuala Lumpur.

– Fuso Horário: + 8h (relativamente a Portugal).

– Transportes: Kuala Lumpur é servida por todo o tipo de transportes públicos, sendo os mais utilizados o comboio e o Bus. A Uber também está disponível na cidade, mas não é aconselhável o seu uso a partir do Aeroporto (já irão perceber porquê!).

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Kuala Lumpur foi apenas um ponto de passagem antes de regressarmos a Portugal, mas já que aqui estávamos tentamos aproveitar ao máximo.

Escolhemos como casa o imponente Grand Hyatt Kuala Lumpur (ver), e nas poucas horas pela cidade optamos por passear à descoberta desta e visitar alguns pontos importantes.

Assim sendo, a questão que se coloca é, o que fazer em Kuala Lumpur em apenas 24h?

Deambular pela cidade sem destino era uma opção, mas existiam alguns lugares que eu gostava de visitar. Assim, optamos por ver dois desses locais, as Batu Caves e Chinatown.

Kl - 4Os “reis” das Batu Caves

Sim, as Torres Petronas também poderiam ser uma opção, mas o Grand Hyatt situava-se mesmo no distrito financeiro da cidade ou como eles lhe chamam, Triângulo Dourado, e o nosso quarto tinha uma vista privilegiada sobre as Torres e isso foi mais do que suficiente para mim.

Até porque, acho que efetivamente o interessante nas Petronas é mesmo a vista que estas oferecem de toda a cidade. De resto são apenas duas torres gigantes de 452m de altura em aço e vidro ligadas por uma ponte! Sim, sem dúvida que à noite, quando completamente iluminadas, são uma verdadeira obra megalómana e que rouba totalmente a nossa atenção!

Kl - 24

Bem, mas falando-vos um pouco do nosso tempo em Kula Lumpur, digamos que este não começou da melhor forma!

Chegamos a Kuala Lumpur já de noite e como o aeroporto fica longe do centro da cidade, chamamos um uber – erro crasso – jamais o cometam!

Entramos no uber, confirmamos a morada do hotel, e 10 segundos à frente fomos mandados parar por um polícia. Bem, após uma conversa deste com o condutor que, como é óbvio, não percebemos, eis que nos pede os passaportes! E o passaporte é aquela coisa da qual nós não nos separamos nem por um milésimo de segundo quando estamos bastante longe de casa! Certo?
Ninguém nos dizia nada… não percebíamos nada do que diziam… e o pânico começou a instalar-se!

Finalmente, e após alguns minutos (que pareceram uma eternidade!) fomos informados pelo agente da autoridade que não podíamos pedir uber no aeroporto, que era ilegal, proibido, etc etc etc! Enfim, que podíamos andar de Uber na cidade mas no aeroporto tínhamos que utilizar somente o táxi ou os autocarros. E pronto, lá fomos nós de táxi, pagar 10 vezes mais pela viagem até ao hotel, mas pronto, chegamos inteiros e sem confusões!

Nesse dia e após este começo atribulado e uma viagem de cerca de 1h para chegar ao centro de Kuala Lumpur, já só queríamos dormir, e felizmente o Grand Hyatt tratou muito bem de nós!

GHKL - 2A tão merecida cama no Grand Hyatt depois da aventura

Após uma belíssima noite de sono e um pequeno-almoço delicioso lá fomos nós, agora de Uber (!), numa viagem de cerca de 15 minutos até às Batu Caves.

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Batu Caves

Ao chegar já se vê ao longe a imponente e gigante (43m de altura) estátua dourada de Murugan – Deus da Guerra para o Hinduísmo.

Talvez o momento mais estonteante da visita às Batu Caves seja mesmo o facto de nos depararmos com esta majestosa figura que se opõe à naturalidade das cavernas com quase 400 milhões de anos!

No fundo este local é nada mais que a mistura dum templo religioso com as formações rochosas talhadas pela natureza ao longo de milhões de anos.

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Mas este local nem sempre foi assim tão sagrado, já serviu única e exclusivamente como fornecedor de guano – fezes de aves – para o povo que ali vivia utilizar como fertilizante, mas foi graças a um indiano devoto que a partir do século XIX este local passou a ser visto como um local sagrado capaz de atrair crentes de todo o mundo.

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O complexo das cavernas inclui templos, altares, museus, e uma espécie de zoológico. E para poderem usufruir de tudo disto preparem-se para subir 272 degraus!

Logo à entrada somos brindados com um verdadeiro museu a céu aberto do Hinduísmo, diferentes figuras divinas dão as boas-vindas a este verdadeiro monumento da natureza que são as Batu Caves.

A entrada no complexo e a subida pelas escadas até ao topo é gratuita, se optarem por visitar a Dark Cave e a Galeria de História Natural têm que pagar – entre 35 a 80 MYR, dependendo se querem a visita educacional ou a de aventura – aqui terão oportunidade de fazer uma visita guiada ao interior real de algumas das centenas de grutas e ver espécies únicas de vários tipos, desde plantas a insectos e aves (principalmente morcegos). Não fomos, porque além de eu não me dar muito bem com locais demasiado húmidos e escuros, as fotografias, expostas na entrada, do tipo de aranhas e insectos que íamos encontrar destruiu por completo qualquer curiosidade que pudesse ter!

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Este local encontra-se no segundo piso da imensa escadaria.
No terceiro e último piso existe um templo, alguns altares assim como figuras hindus, e algum comércio de souvenirs alusivos à religião.

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Importante:
– As mulheres não podem entrar de vestimentas curtas, devem colocar um lenço ou sarong a tapar os membros inferiores.
– Cuidado com os macacos que se encontram às centenas ao longo de todo o complexo! São agressivos e roubam tudo o que encontram!

Kl - 20A minha antiga garrafa de água!

Devo confessar que esperava mais deste local, passando a imponência do seu aspeto exterior, com uma perfeita fusão da espiritualidade com a natureza, ao subir as dezenas de degraus o que se vai encontrando no interior das grutas não vai ao encontro do espanto inicial.

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Não sei explicar, mas não me dá a sensação de pureza e verdadeira espiritualidade.
Talvez tenha sido eu que não me tenha conseguido ligar ao local…

Bem, terminada esta visita foi tempo de seguir para o outro local que ainda queria ver, Chinatown. Daqui seguimos de comboio até à estação KL Central (barato e bem organizado) numa curta viagem que nos colocou diretamente onde queríamos (os transportes públicos funcionam muito bem na cidade). A estação é mesmo do lado das Batu Caves, virando à direita quem sai do complexo. Ao longo do trajeto até à estação ainda é possível comprar algo para comer ou beber numa das diferentes barracas que se apresentam na rua.

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Kl - 33Petaling Street

Chinatown

Cidade que é cidade tem que ter uma Chinatown, principalmente quando essa cidade tem uma cultura chinesa tão enraizada como é o caso de Kuala Lumpur.

Assim, Chinatown transporta-nos para um ambiente cheio de cor, luz, loucura, agitação, barulho (muito), e muitas réplicas!!!
Esta é das regiões mais importantes da cidade e encontra-se sempre repleta de pessoas, não só turistas mas também locais.

A região presenteia-nos com imensos templos, mercados, restaurantes, lojas, e permite-nos encontrar basicamente tudo para todos os gostos.

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Alguns dos locais mais interessantes são o Mercado Central – onde se encontra um dos principais focos da comunidade artística da cidade, promovendo o artesanato tradicional e que melhor define as tradições Malaias (o Mercado Central é muito próximo de Chinatown, há quem o considere parte desta e quem o considere uma região à parte); o imponente Sri Mahamariamman – o principal templo Hindu de Kuala Lumpur; e o Malaysia Heritage Walk – uma das principais ruas, que no fundo se traduz num mercado a céu aberto.

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Além destes espaços encontram-se muitos mais templos, lojas e mercados, por isso, façam como nós e explorem Chinatown sem pressas. A animação é uma constante e ainda podem aproveitar para fazer umas comprinhas!

Gostei da agitação de Chinatown mas não a achei lá muito tradicional, mas sim muito mais uma infinidade de lojas a vender réplicas de vários produtos!

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Bem, já exaustos mas felizes por “fazer render” este dia, decidimos terminá-lo com uma das coisas que mais adoramos, Street Food numa das ruas gastronómicas mais movimentadas da cidade, a Jalan Alor, (relativamente perto do distrito financeiro) onde pudemos provar comida verdadeiramente tradicional!

Kl - 35Restaurantes em Jalan Alor

Como no dia a seguir o voo era ao início da tarde, e a viagem até ao aeroporto ainda demorava cerca de 1h, optamos por ficar apenas a relaxar na piscina do Grand Hyatt, e não visitamos mais nada na cidade.

Assim, podemos dizer que apenas tivemos um dia para explorar a capital da Malásia.

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Mas, a realidade é que muitas pessoas que conheço passaram em Kuala Lumpur só mesmo para fazerem uma escala, um pouco maior ou menor que a nossa, e também só aproveitaram alguma coisa da cidade, como nós.

Se forem com mais tempo, aqui estão alguns locais a não perder (pelo menos de acordo com o que pude apurar junto de outros viajantes e de habitantes de Kuala Lumpur):

– Butik Bintang (esta é uma das regiões principais, com ruas interessantes cheias de comércio local, restaurantes, comida de rua, lojas de artesanato, lojas de roupa, entre outros. Apesar de termos andando por estas ruas, pois o nosso hotel era relativamente próximo, não as exploramos muito.)

– Changkat Bukit Bitang (rua na região de Bukit cheia de bares e animação noturna)

– Merdeka Square (local onde foi proclamada a independência da Malásia)
e Museu Sultan Abdul Samad (museu que conta a história da Malásia)

– Museu Nacional

– Thea Hou Temple (templo chinês mais importante da cidade – dedicado à Deusa do Céu)

– Torres Petronas, Menara KL (Torre de televisão com uma das melhores vistas da cidade e mais barato que a subida às Petronas!) e Suria KLCC Shopping Complex

– Chow Kit Market (mercado tradicional e sem a enchente turística habitual)

– Masjik Jamed (Mesquita mais antiga da cidade)

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Se fizerem uma escala em Kuala Lumpur aproveitem para absorver o que puderem da cidade, pouco ou muito, dá sempre para ficar a conhecer alguma coisa!

Não vou mentir e dizer que é uma das minhas cidades preferidas, porque definitivamente não o é, mas já que fiz uma escala destas aproveitei ao máximo para a conhecer.

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Onde Ficar
Grand Hyatt Kuala Lumpur

 English Version

Fotos: Flavors & Senses

Nota
Flavors & Senses em Bali com o apoio da Samsonite.

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