The Yeatman #Sunset Wine Party – 27 de Julho


No próximo dia 27 de Julho, o The Yeatman inicía a nova época das famosas Sunset Wine Parties.

Uma atmosfera de luxo, alguns dos melhores vinhos nacionais, petiscos, e uma imperdível vista sobre o Porto, são o mote para um Pôr do Sol único, repleto de glamour!

O conceito é simples, reunir um alargado número de pessoas em torno de grandes vinhos, boa comida e muita, muita animação. Para isso ocupar-se-á todo um piso do Hotel, as suas bonitas e luminosas salas e claro o Terraço com as suas concorridas mesas e vista privilegiada para o Porto e o Pôr do Sol.

Cada Sunset Wine Party recebe uma variedade de vinhos criteriosamente selecionados por Beatriz Machado, Diretora de vinhos do grupo. Dos melhores espumantes nacionais  aos vinhos do Porto, passando pelos brancos frescos de verão e pelos tintos mais leves.

Imperdíveis são também os petiscos e os pratos de buffet, criados e selecionados por Ricardo Costa, com o cuidado e primor que lhe são característicos.

Mas existem mais surpresas. Para assegurar pequenos momentos de descontração, as terapeutas do Spa Vinothérapie® Caudalie proporcionarão massagens de mãos e conselhos de beleza personalizados.

A Sunset Wine Party do The Yeatman tem vindo a elevar a sua própria fasquia, ano após ano e festa após festa!

Dia 27 de Julho
Horário:
19h-1h.
Entrada:
80€
70€ (para grupos de 8 pessoas)

Próximas Datas:
24 de Agosto
21 de Setembro

Para reservar e comprar o seu bilhete pode fazê-lo online em: http://eventos.theyeatman.com/.

A Sunset Wine Party do The Yeatman tem vindo a elevar a sua própria fasquia, ano após ano e festa após festa! Se já foram certamente nos encontraremos por lá, se ainda não foram este ano não vão querer perder!

Fotos: Flavors & Senses 

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Puro 4050

O Puro 4050 é um dos mais falados restaurantes da cidade Porto desde o seu lançamento, localizado no agitado Largo de São Domingos, “tinha tudo” para funcionar ainda antes da sua abertura…

Como se “ter tudo” fosse algo assim muito simples e fácil, mas na realidade, depois da união do Luís Américo com a Inês Mergulhão no famoso Cantina 32 (ver), tudo que esta dupla criasse seria certamente um sucesso.

Mas vamos por partes, a cozinha mantém as linhas que Luís Américo tem definido – e bem – para os seus espaços, depois do saudoso Mesa (sim eu era daqueles que gostava, e muito, de ir jantar a um “lar de idosos”!!!), cozinha simples, desdobramento de produto, equilíbrio de sabores e texturas, algumas influências internacionais, pratos para partilhar e foco na cozinha fria, entre muitas outras coisas. Aqui entrou uma diferença – que é como quem diz, toda a diferença – a aposta num produto diferenciador, as Mozzarellas de Búfala importadas diretamente da Campania.

Ao qual se juntou o apurado sentido estético da Inês, e que fazem com que cada um dos seus restaurantes valha a pena apenas pela visita, espaços aparentemente simples, acolhedores mas ao mesmo tempo cosmopolitas e agitados, que nos transmitem facilmente a ideia de que podíamos estar em qualquer grande cidade europeia (é verdade que nisto, o número de turistas também ajuda!).

Já instalados na prazerosa esplanada, e entre uns brindes de um ainda jovem Soalheiro de 2016 – ao qual se augura um bom futuro, como tem sido seu apanágio ao longo dos anos – surge um modesto, mas confortável azeite, acompanhado de uma bem mais interessante e delicada manteiga de Búfala, que bem ajudou o pão a acomodar o estômago para o que se seguiria.

Burrata, Presunto de Parma DOP, Rúcula (12€)
E começou-se bem, com uma ótima Burrata, claramente a melhor que já provei na cidade, de cremosidade e riqueza sem comparação. A conjugação é clássica e impossível de dar errado! Muito bom!

Mozzarella Afumicatta, curgete laminada, compota de pimentos e pera cozida (11€)
Mais um prato fresco onde a estrela da companhia é a mozzarella, mas desta vez com uma versão fumada, que não será propriamente a melhor escolha para um cliente menos atento. As suas notas e textura são bem diferenciadas das mozzarellas mais comuns. Aqui servida numa boa conjugação de sabores, com destaque para a combinação da excelente compota de pimentos e da fruta, que já era nossa conhecida do Cantina.

Focaccia de Pizza, cebola caramelizada, mozzarella, alho negro e pimentos del piquillo (6,50€)
Embora em bom nível, foi provavelmente a menos interessante das propostas provadas durante este jantar. Com destaque para a utilização do alho negro, e o equilíbrio entre a doçura e a acidez, criando uma boa simbiose entre todos os elementos!

Tataki de Novilho, cogumelos e trufa (8,5€)
Por trufa, entenda-se a utilização do irritante óleo/manteiga de trufa, cada vez mais em voga entre nós! Mas adiante que o prato é bem mais interessante do que isso – carne no ponto e de boa textura e sabor, bem conjugada com cogumelos shimeji suculentos e terrosos. Simples e bem feito!

Risotto de Polvo e castanhas (12€)
A meu ver e partindo logo do pressuposto que não estamos perante um risotto mas sim de um bom prato de arroz, este é um dos grandes pratos do Puro, uma inspiração na cozinha brasileira, com recurso ao leite de coco e ao óleo de palma ou dendê (só para parecer mais entendido!), e uma arrojada combinação de Polvo e castanhas que primeiro se estranha e depois se entranha – isto enquanto me pergunto porque não existe no receituário transmontano uma combinação destes dois ingredientes).  Rico, untuoso, com doçura  e  boa textura. Vale a pena voltar só por este arroz (como já tenho feito…)!

Ossobuco de Wagyu, Puré de batata do Puro (25€)
A nobre carne massajada, apresentada aqui por um dos seus cortes “inferiores”, mas repleto de sabor. Boa textura da carne e boa ligação com o molho, enriquecido com o pouco tutano que fui conseguindo sacar do osso. Muito bom! E muito bem emparelhado, com o tal puré do Puro, que é na realidade uma esmagada de batata enriquecida com cebola caramelizada, que lhe confere um outro carácter e vida.

Tiramisú de Porto Tawny (4€) e Leite creme de Limão com Amaretti
Sem deslumbrar, foram duas sobremesas bem conseguidas, com destaque para a frescura do limão e o contraste de texturas com o biscoito e a cremosidade e ligação do Porto e chocolate no caso do Tiramisú. Um bom capítulo!

Salame de Chocolate com Amaretti (3,5€)
Pelo que parece é provavelmente a sobremesa fetiche do restaurante, ainda que tenha sido a que menos me cativou. Interessante a textura e o sabor do amaretti na boca, mas sem grande história!

Tarte de Ricotta de búfala, doce de abóbora (3,5€)
E deixei o melhor para o fim, a melhor sobremesa da noite, elegante e fresca como a ricotta, rica como um bom doce de abóbora. Uma sobremesa muito bem criada que é garantidamente o finalizar com chave de ouro de uma boa refeição.

Isso e uma memória de saudosismo de um famoso fondant de abóbora com requeijão que o Luís teima em não repetir e que muitos têm tentado replicar sem grande sucesso!

Nota positiva para a agilidade do serviço, fruto de uma carta bem pensada e para a simpatia da equipa, que sem grande formalismo e rigor técnico faz um acompanhamento da refeição bem enquadrado com a comida e o espaço.

Considerações Finais 
É certo e já o tenho deixado bem claro que não é neste registo que gosto de ver o Luís Américo, mas é certo que é isto que o mercado e a vida lhe tem pedido, e o que tem feito, tem feito bem, como o comprova o sucesso dos espaços que dirige e as várias consultorias que tem espalhadas pela cidade.

Além disso é sempre uma boa desculpa “Portuguesa” para visitar Macau!

Mas adiante… Este Puro 4050 é uma lufada de ar fresco na oferta gastronómica da cidade, um espaço que tem de tudo e para todos os gostos, do mais simples ao mais arriscado, passando pelos vegetarianos e os anti-glúten. É um espaço irreverente, agitado e apurado, que se posiciona na cidade com um lado cosmopolita que o Porto também merece e precisa! Com uma oferta de produtos únicos, como é o caso das excelentes mozzarellas, e de conjugações irresistíveis .

Até breve!

Puro 4050
Preço médio: 25€ por pessoa sem vinho
Largo São Domingos, 84 – Porto
+351 22 2011 852

English Version

Fotos: Flavors & Senses

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Nespresso Gourmet Weeks na Casa de Chá da Boa Nova

O edífício talhado entre as rochas, que dispensa apresentações

Depois de um jantar no The Yeatman – sobre o qual já escrevi aqui – seguiu-se um jantar muito particular na Casa de Chá da Boa Nova, uma das últimas estrelas da região, comandada pelo célebre Rui Paula, que para este jantar convidou Miguel Rocha Vieira, uma dupla bem conhecida dos portugueses, ou não fossem eles os jurados do famoso Masterchef!

Fama, tv e celebridades à parte, estes jantares servem bem para mostrar que estamos a falar de pessoas do mundo real, que sofreram para subir na sua profissão e que é na agitação da cozinha, que se sentem felizes e como peixes na água.

Por falar em água, é coisa que não falta quando entramos na Casa de Chá da Boa Nova, e as amplas janelas de vidro nos mostram que estamos ali mesmo, prestes a jantar em cima do mar, com o som das ondas como música ambiente, e um benevolente S. Pedro a dar-nos uma noite melhor que muitas noites de Verão. Estava lançado o cenário perfeito!

E foi ali mesmo, na pequena esplanada sobre as rochas que começaram as festividades, um brinde com Cattier Blanc des Blancs,  de ligeira doçura mas com firme elegância, que serviria também de companhia aos pequenos snacks preparados para aquela noite.

Carlos Monteiro (Escanção)

E começamos muito bem, com uma interessante sopa de peixe a rechear uma massa crocante com salmão e ikura, técnica e sabor a representar na perfeição o que é a finger food.  Seguiu-se um refrescante e equilibrado cone de Cavala com iogurte, um pão Bao (pão asiático cozido a vapor) com atum e um ótimo Macarron (de textura bem diferente do doce parisiense) de algas com Sardinhas.

Sopa de Peixe

Cone de Cavala e Iogurte

Em suma, um excelente início, repleto de sabores a mar, que é o que realmente apetece quando jantamos num local com estas vistas, e um bom preságio para a refeição que se seguiria.

Já na mesa, bem posicionada junto a uma das largas janelas da sala, é díficil afastar os olhos do horizonte enquanto nos vão sendo apresentados os vários pães que acompanhariam o serviço, pão de chili, pão rústico e focaccia de mandioca. Pães sem grande glória, onde a focaccia passa com alguma distinção, mas os restantes a serem facilmente esquecidos quando combinados com as boas manteigas apresentadas – Manjerição, tradicional e de noz pecan.

O imperdível por do sol da Casa de Chá da Boa Nova

No que diz repeito aos pratos, coube a Rui Paula abrir noite, e logo com um dos melhores pratos da noite – Lagostim, couve-flor e ar de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry – prato de refinado balanço entre técnica, sabor e equilibrío. Lagostim de porte considerável cozinhado na perfeição, doçura bem conjugada com as notas de terra das texturas de couve-flor, molho rico e leve ar de café a trazer uma nova dimensão ao conjunto, sem o desvirtuar. Muito, muito bom!

Lagostim, couve-flor e ar de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Com o cuidado de escolher o vinho esteve António Lopes – sim, além de um chef convidado, para este jantar houve também um escanção convidado – e logo com um dos nomes fortes da nova geração de escanções portugueses, que depois de uma passagem pelo Gusto (Conrad Algarve) inicia agora um novo projeto com o grupo Anantara. E a sua escolha recaíu, e bem, sobre um Soalheiro Terramater 2015, de nariz intrigante para um alvarinho, mas complexo, com a boca a revelar algumas notas de manteiga, que combinada com a sua frescura, criaram uma óptima harmonização com o prato.

Pombo assado e beterraba com Exclusive Selection Nepal Lamjung

Da delicadeza do Lagostim, seguimos para um Pombo assado, apresentado por Miguel Rocha Vieira, que bem poderia ser um prato principal, demasiado rico e intenso para suceder à subtileza e elegância do Marisco. Ainda assim com cocção exímia, e sabores bem apurados, com o café a fazer-se sentir subtilmente, permitindo ao pombo brilhar com as boas nuances de terra dadas pela beterraba.

No copo, um dos vinhos que nos últimos tempos me tem dado bastante gozo de beber, o Conciso 2014 da Niepoort, o topo de gama da sua aventura de sucesso nos vinhedos do Dão. Um tinto bastante fresco e elegante como só Dirk Niepoort sabe fazer, aqui com a sua pouca concentração, a sua boa acidez e as notas de fruta fresca a equilibrarem muito bem com a riqueza do prato. Uma boa escolha de Carlos Monteiro, o escanção responsável pelos vinhos do Boa Nova.

Robalo do Mar, carabineiro, bisque, aipo e Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Mantendo-nos com Miguel Rocha Vieira, seguiu-se outro dos grandes pratos da noite, numa boa conjugação de sabores do mar e da terra, com um interessante jogo de texturas. Destaque para a doçura e iodo do carabineiro, bem casado com a bisque e o robalo de bom porte, que se eleva com a frescura do aipo e a textura e corpo da cevadinha que lhe serve de base. Bom também o recurso à pele do peixe crocante!

Nos vinhos a escolha manteve-se acertada, com um Principal Rosé Tête de Cuvée 2010, uma das grandes referências nacionais no que diz respeito a vinho rosé, que revela um nariz surpreendente para um vinho com 7 anos, com interessantes notas de fruta e uma ligeira tosta, a casar muito bem com as nuances de café trazidas pelo prato. Mas foi a frescura e a marcante acidez que certamente levaram o Carlos Monteiro à escolha do vinho.

Vazia de Wagyu, molho de pimenta  e crocante com Exclusive Selection Nepal Lamjung

Para finalizar os pratos principais, Rui Paula, apresentou uma vazia de Wagyu, de excelente textura e bom sabor, que ainda assim não deixou marca. Nota mais interessante para o apuro técnico do acompanhamento, com 3 texturas de batata – não quero imaginar a vida do infeliz que teve de preparar as pequenas pommes soufflé para todos os comensais!

No copo esteve um bem interessante Frei João de 1980,  cujas notas terciárias e a particular sensação de café, acabou por criar um bom conjunto.

Café da manhã com espuma de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Seguiram-se, e bem, duas sobremesas propostas pela equipa de Rui Paula, primeiro uma refinada alusão ao clássico pequeno almoço português – um galão e um bolo – aqui recriada com uma pequena bola de berlim, um gelado e uma espuma de Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry que nos transporta rapidamente para esse momento do dia.

Bons sabores é certo!  Mas foi com a aparente simplicidade da segunda sobremesa que Rui Paula fechou a refeição com, digamos “talheres de ouro”. Uma combinação que a mim continua a remeter para a primeira refeição do dia, fruto do uso dos cereais, do pão tostado, do café e dos frutos secos.

Uma excelente combinação de texturas, que foram do gelado à mousse, ao crocante e caramelizado com sabores de panificação e fruto seco que se revelou perfeito na combinação com o excelente Malmsey de 1999 da Blandy’s.

Nota alta para os escanções que estiveram em modo de alta performance e para os chefs que levaram à risca a utilização dos novos cafés da Nespresso, exclusivos para restaurantes Michelin, que apesar de usados com bastante caução e subtileza estiveram presentes em todos os pratos do menu.

Considerações Finais 
Foi mais um ótimo jantar deste Nespresso Gourmet Weeks, com a particularidade de juntar dois dos mais badalados chefs nacionais, para uma refeição onde o café foi tema central e mostrou mais uma vez toda a sua vocação gastronómica.

Nota alta para a cada vez mais apurada e refinada sensibilidade da cozinha de Rui Paula e para o sempre engenhoso jogo técnico de Miguel Rocha Vieira em torno das texturas e dos acompanhamentos.

Agora é esperar pela edição de 2018!

Fotos: Flavors & Senses 

Nota
Estivemos na Casa de Chá da Boa Nova a convite da Nespresso, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor. 

 

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Nespresso Gourmet Weeks no The Yeatman

Cocktails com vinho do Porto para abrir uma longa noite de festa

A Nespresso organizou este ano, pela 3a vez, o seu festival gastronómico –  Nespresso Gourmet Weeks -, que juntou alguns dos principais chefs nacionais em jantares a 4 mãos, sempre com o café como tema de conversa, que é como quem diz como ingrediente quase constante ao longo dos vários menus.

Durante quase um mês o festival percorreu todo o país, tendo inclusive estreado-se com um jantar na Madeira, mais propriamente no recém estrelado William.

Madeira essa que serve também de casa ao chef convidado do jantar de estreia que decorreu no The Yeatman, um momento especial que juntou lado a lado Ricardo Costa, chef anfitrião, e BenoÎt Sinthon, o franco-madeirense do Il Gallo D’Oro, que é como quem diz, foi o jantar que juntou os dois tipos que este ano conseguiram alcançar as duas estrelas michelin no Guia Vermelho, juntando-se ao exclusivo grupo onde apenas contavamos com o Ocean, Belcanto e Vila Joya.

Ostras com soja e ovas de tobiko

Entre as habituais e imperdivéis fotos da vista do hotel, uns simpáticos cocktails de vinho do Porto com aromáticos e ginger ale e dois dedos de conversa, foram surgindo a bom ritmo os primeiros snacks, que faziam antever que estariamos perante um boa noite de gastronomia. Destaque para as interpretações de Ricardo Costa, sobre o clássico italiano Vitello Tonnato e o peruano Ceviche, aqui servido com notas menos ácidas e com a interessante adição da cereja.

Cracker de Vitello Tonnato e caviarCeviche de Lírio

Já na sala principal, e depois da azafáma que é sentar todas as pessoas em diferentes grupos, iniciou-se o jantar com brinde do ótimo espumante nacional Colinas Brut Rosé em garrafa magnum, um vinho de bolha elegante com a persistência certa que só o tempo e os anos de estágio lhe permitem adquirir.

A fazer pandam com o vinho esteve uma interessante proposta de Carabineiro, de textura delicada e sabor a realçar a sua doçura e o seu lado iodado que funcionou muito bem com as algas e o pão Bão, também ele de algas, que o acompanhava.

Carabineiro, lima, molho thai e algas do Algarve

Seguia-se o primeiro prato de Benoît e provavelmente o prato mais ovacionado da noite, apesar da combinação quase clássica de café com foie, e da subtileza com que as notas de café se faziam sentir, o chef consegiu criar neste pequeno e elegante prato, finalizado na mesa com a neve de foie e a quinoa crocante, um grande jogo de delicadeza, sabor, textura e temperatura. Um prato de grande rigor técnico e de aprimorado sabor. Muito, muito bom!

Foie Gras, compota de cereja e cardomomo com geleia de ristretto

Seguiu-se uma viagem até à “praia” de Ricardo Costa, que é como quem diz os pratos de peixe, com um fantástico pregado, cozinhado na perfeição, e acompanhado por vários elementos que reforçam o sabor a mar, como a muxama, o choco as percebes e a salicornia, que nos levam delicadamente a um mergulho nas profundezas. Nota menos positiva para a subtil utilização do café que nada trouxe ou acrescentou ao prato.

Pregado do mar, salicornia, ar de limão e lungo leggero

Para completar o mergulho no mar, a harmonização fez-se com um vinho de Colares, o Arenae 2013, que tem ainda muito para mostrar, mas cuja peculiar acidez, as notas de fruta branca e a salinidade própria da região, fizeram desta uma excelente harmonização.

Lombinho de vitela assado com ervas, cogumelos, raviolis de Queijo da Serra

Seguiu-se a proposta de carne de Ricardo Costa, num prato que veio trazer, peso e substância à degustação depois de um inicío mais leve e elegante. Lombo de vitela, sabores da terra, ricos e concentrados, elevados pela presença da trufa e bom jogo de texturas. Menos positivo, o ravioli de queijo da serra, de massa um pouco grossa com o queijo a não se fazer sentir num conjunto tão expressivo.

A acompanhar, esteve, e bem (como foi apanágio ao longo de toda a refeição) um Quinta da Romaneira de 2009, com maior elegância do que eu estaria à espera, revelou-se à altura do prato com os seus taninos a argumentarem muito bem com o peso e a sumptuosidade do prato.

Seguiram-se duas sobremas, duas grandes sobremesas, aliás, a primeira a cargo de Ricardo Costa, que preencheu todos os requesitos naquilo que eu procuro no final de uma degustação –  frescura, doçura q.b, texturas e acidez -, com uma criação à base de laranja sanguínea, creme de açafrão e gelado de pistácio.

Laranja sanguínea marinada, creme de açafrão, gelado de pistáchio, servido com Exclusive Selection Kilimanjaro Peaberry

Efectivamente, uma grande sobremesa, que foi degustada com um não menos interessante Moscatel Roxo Superior de 2009 de Ermelinda Freitas, em que o casamento se dá bem pelo lado das notas de casca de laranja e da boa acidez do vinho.

Nute-Espresso v.2017, com Exclusive Selection Nepal Lamjung

Por fim, uma tanto ou quanto démodé verrine de chocolate, mas não não é uma verrine qualquer, é uma conjugação de 3 diferentes chocolates da fantástica Corallo, com o toque de Benoît Sinthon, pelo que não faltou o casamento perfeito com a avelã e a brincadeira de criança com o uso das petazetas.

No fim só se pode dizer que bem gostava de ter o frigorifico cheio destas verrines, estejam elas fora de moda ou não!

Dizer que os cafés que acompanharam e integraram as sobremesas são a grande novidade da Nespresso para o universo do fine dining. Dois cafés de grande raridade e consequente limitação de stock, que só podem ser adquiridos por restaurantes estrelados. É o chamado marketing das estrelas!

Para terminar, não, não foi um café, que esse já se tinha feito sentir, ainda que discretamente ao longo de vários pratos, um brinde com o Porto Morgan’s Vintage de 1977, a passar ainda por uma fase interessante, com um corpo médio e umas notas de café que condizem com a temática do jantar.

Nota alta para o trabalho da Sommelier Elisabete Fernandes, pelas harmonizações muito bem conseguidas e pela forma simpática e divertida com que nos acompanhou ao longo de todo o jantar, que pecou pelo tempo de serviço e as longas horas à mesa – algo normal neste tipo de evento!

Considerações Finais 
Mais uma vez uma ótima iniciativa da Nespresso, que culmina aqui o seu posicionamento premium, ao apostar num festival gastronómico em que a habitual bebida do fim de refeição, passa a marcar presença de uma forma mais vincada ao longo de todo o menu, ainda que neste jantar em particular, o uso do café tenha sido muito ponderado e subtil, sem os riscos que vi serem cometidos no passado!

Quanto ao jantar em si, uma prova do valor mais que firmado de ambos os chefs, a delicaza e jogos de Benoît Sinthon e a técnica apurada e os sabores do mar de Ricardo Costa.

Um evento a repetir !

Fotos: Flavors & Senses 

Nota
Estivemos no The Yeatman a convite da Nespresso, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Quinta do Ameal

Estávamos no final do ano de 2013, numa prova de vinhos, aguardávamos que nos enchessem os copos com Quinta do Ameal Loureiro, e apesar de já conhecermos os vinhos, ainda não conhecíamos o seu produtor, Pedro Araújo. Simpático, sorridente e com muita paixão nas palavras, após uma agradável conversa sobre os seus vinhos, lá nos confessou que estava a criar um enoturismo na sua quinta. Mostrou-nos fotos, falou-nos de todas as ideias, e o seu entusiasmo era de tal forma contagioso que auspiciava algo brilhante!


Os anos foram passando, fomos encontrando o Pedro por provas e mais provas, e ele sempre manteve o entusiasmo, agora a recuperação da quinta e todas aquelas ideias cativantes já eram reais. Em 2016 quase lá estivemos para ver e sentir de perto a razão de tanto entusiasmo, mas um imprevisto meteu-se no caminho!

A adega onde repousam os grandes vinhos do Ameal

Mas, finalmente lá aconteceu, e em 2107 percebi na perfeição a razão de tanta paixão nas palavras de Pedro, e assim, nasceu, também, a minha paixão pela Quinta do Ameal e pelo seu enoturismo.

Nada me faz mais feliz do que a conjugação do luxo com a natureza pura, selvagem, e no seu estado mais bruto.
É isso que define a Quinta do Ameal, um refúgio no meio da natureza que se mescla na perfeição com o luxo presente em cada detalhe.

Casa Grande

A quinta do Ameal é uma propriedade em Ponte de Lima que data de 1710, conta com 30 hectares e é aqui que Pedro cria e produz vinhos brancos de excelência da casta Loureiro.

Foi adquirida pela família na década de 90, após a venda da Ramos Pinto, sim o Pedro tem a história do vinho a correr-lhe no sangue, ou não fosse ele bisneto de Adriano Ramos Pinto. A Quinta estava completamente abandonada mas foi feito um excelente trabalho na sua recuperação.

Dos 30 hectares de quinta 14 são de vinha, o restante complementa-se com uma floresta virgem, e cheia de força, onde o Ameal Wine & Tourism Terroir ocupa o espaço das antigas casas, recuperadas e pensadas pela mente de Pedro, com um toque de bom gosto que não é comum a todos!

Chegamos à quinta num maravilhoso dia de sol, a primavera fazia as honras da casa, e as cores da natureza foram excelentes anfitriãs.

O caminho que se percorre desde a entrada até chegar às casas é divinal, dum lado as vinhas, do outro pinheiros mansos com mais de 200 anos de história e vida, que nos mostra que ali há uma forte influência do clima mediterrâneo, ou não fossem estas imponentes árvores originárias do Velho Mundo, mais precisamente do mediterrâneo!

O Pedro recebeu-nos com aquele sorriso que lhe é característico e sem demoras fez-nos sentir em casa.

Pela Quinta há várias atividades à disposição, seja ficar o dia todo a bronzear na piscina com a natureza como pano de fundo, seja passear e descobrir caminhos por entre árvores, flores e vinhas, enquanto se descobrem pequenos recantos românticos que fazem as delícias dum momento de ócio, seja apreciar os diferentes produtos que crescem na terra, e garantem uma panóplia de opções biológicas.


Para os mais aventureiros é possível organizar diferentes atividades no Rio Lima, como por exemplo descê-lo em Kayak. Quem gosta de caminhadas, nada como uma longa, muito longa caminhada, de cerca de 40km pela fabulosa eco via sempre com o rio Lima como companheiro.

Para os amantes de vinho, este local é mágico, comecem com uma visita às vinhas, com o Pedro como guia, passem pela adega e terminem com uma excelente prova dos vinhos do Ameal acompanhados com alguns petiscos.

Bem, mas vamos agora falar sobre a recuperação das casas antigas.
O edifício principal, a que chamam de Casa Grande (que seria efetivamente a casa principal de quem lá viveu) é o que alberga o maior número do alojamento, e uma zona de convívio, ou seja, a sala das provas, ou lounge, como lhe queiram chamar, e três suites (a Jardim, a Camélia e a Glicínia), quer dizer, são casas, mas já lá vamos!

Casa entre Bambus e Vinhas

A uns metros desta Casa, temos a Casa entre Bambus e Vinhas (antiga casa do vaqueiro) e por que se chama assim? Porque se situa entre uma zona de bambus que lhe dão um toque bem oriental, e algumas das maravilhosas vinhas!

Há ainda outros edifícios espalhados pela quinta, as duas antigas vacarias ainda por restaurar – talvez um dia dêem origem a um estábulo e permitam aos hóspedes terem ainda mais uma belíssima atividade à disposição na quinta – a casa do caseiro (fora o pleonasmo!), e os escritórios.

Mas falando do mais importante… a minha suite!
Ficamos na suite Jardim, que como o próprio nome indica, tinha acesso direto a um jardim imenso, quase como um recanto privado de natureza só para mim!

Bem, existem quartos, e depois existem aqueles lugares que te fazem querer viver lá! E este local fez-me sentir precisamente isso.
A sensação que eu tive mal entrei foi a de que poderia facilmente viver ali, principalmente porque a decoração tinha a combinação perfeita de história, rusticidade, elegância e luxo.


O branco das paredes transformava o quarto num ambiente sóbrio, enquanto a pedra que se fazia sentir em pequenas zonas lhe dava a rusticidade na medida certa, o mobiliário era o elemento história, cada peça já tinha tido uma outra função, sendo à posteriori recuperada, até a porta que nos dava acesso do quarto à sala foi noutra vida a porta de casa da avó de Pedro!

A cama, além de gigante, como eu adoro, deve ter sido das mais confortáveis onde já dormi.


A sala, que era simultaneamente cozinha, sala de estar e sala de jantar mantinha a mesma decoração e elegância do quarto, peças de arte, mobiliário acolhedor, rusticidade certa, e luz, muita luz, vinda das janelas meticulosamente enquadradas. Daqui tínhamos acesso ao jardim, como que um pedaço de paraíso só para nós! 
Por esta altura já devem estar a perguntar-se, e a divisão preferida da Cíntia?
Bem, deixem-me falar-vos do quarto de banho…
Meu Deus… para começar, um chuveiro onde caberiam facilmente meia dúzia de pessoas!!! Lavatórios duplos, que diga-se, é o melhor conceito que há, uma banheira plantada distante da parede, pormenor perfeito de decoração, muito mais interessante que aquelas banheiras que são um prolongamento da parede, e livros como detalhe decorativo, eu canso-me de referir isso, haverá melhor peça de decoração que um livro? Não, não há! E olhando para a fotografia vocês conseguem perceber a minha paixão pelo quarto de banho, mas há algo que aqui não se percebe, o chão aquecido, e isso é uma das maiores qualidades que um quarto de banho pode ter!

Sabem? Definitivamente, o luxo está nos detalhes!

Um dos melhores quartos onde já estive, sem dúvida!

Outro dos pormenores que me fascinou na Quinta do Ameal foi o facto de me sentir em casa de família, o facto de sentir aquele mimo sempre presente, em pormenores tão perfeitos como o de acordar de manhã com uma cesta de pequeno almoço à porta.

Óbvio que esse pequeno almoço foi tomado no jardim, e acompanhado com o som mais sublime de todos, o som da natureza!

Quanto a refeições, a quinta não tem restaurante (ainda!!!) mas garante refeições prontas a qualquer hora, que poderão ser aquecidas e/ou preparadas na sua suite ou na sala principal da Casa Grande, assim não temos sequer que nos ausentar. Mas, Ponte de Lima é igualmente um local de boa comida, por isso se precisarem, a equipa da Quinta do Ameal tem uma série de boas opções para vos indicar.

Sala Principal

Falando um pouco desta sala, segue a mesma linha dos quartos, decoração com pormenores contemporâneos, conforto em cada detalhe e elegância. Esta sala é equipada também com cozinha, que se transformou num local perfeito onde pudemos cozinhar e ter um jantar de amigos com boa comida, boa música e bons vinhos! Foi um serão perfeito!

Por falar em bons vinhos, é isso mesmo que se produz nesta Quinta, alguns dos melhores vinhos brancos produzidos na região dos Vinhos Verdes e em Portugal. Pelo que, como sabem, lá fomos “forçados” a uma prova dos vinhos da Quinta do Ameal, que serviu da aquecimento para o excelente serão que referi.

Quinta do Ameal Escolha

Como vêem não tivemos problemas de sede

Entre os vinhos provados, destaque para as colheitas de 2015 quer o Escolha, quer o Solo Único estavam em excelente forma, mas aquele que facilmente nos conquistou foi o Loureiro de 2007, a provar a grande capacidade de envelhecimento dos vinhos e a sua elegância.

Quem optar por se hospedar na Quinta do Ameal com amigos ou até mesmo em família, para estes o ideal será a Casa entre Bambus e Vinhas, pois é uma autêntica vivenda, com dois quartos enormes, e zonas comuns que fazem o sonho de qualquer mortal.

Outra das particularidades desta casa, é o incrível e bem asiático chuveiro exterior, que nos remete de imediato para aqueles lugares exóticos espalhados pelo mundo, este pormenor encontra-se também presente na Suite Camélia.

Suite Glicínia

A verdade é que estes detalhes e recantos que distinguem um local do outro não seriam possíveis sem a visão e a cultura de viagem de quem os pensou, e efetivamente nisso o Pedro foi exímio.

A Quinta do Ameal e o seu projeto Ameal Wine & Tourism Terroir são o refúgio perfeito para quem quer abstrair-se e procurar um pequeno pedaço de paraíso na terra.

A natureza bruta, mas simultaneamente pura e virgem, sente-se com uma força que não se traduz em palavras!
Este local tem tanto de genuíno e autêntico como de irreal!

Obrigada Pedro e equipa da Quinta do Ameal por todo o mimo!

Até breve…

Quinta do Ameal – Wine & Tourism Terroir
Quartos a partir de 230€
4990 – 707
Refóios do Lima Ponte do Lima – PORTUGAL
+351 258 947 172
quintadoameal@netcabo.pt

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos na Quinta do Ameal a convite, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – StreetXO

David Muñoz há muito que dispensa apresentações, desde que em 2010 rasgou com a cena gastronómica de Madrid ao ganhar a primeira estrela para o seu DiverXO  (é hoje o único 3 estrelas da cidade), numa fusão criativa, radical e até teatral da cozinha mediterrânica com sabores e ingredientes asiáticos.

Mas desengane-se quem pensa que Muñoz é um fruto da vanguardista escola Basca, que tantos nomes tem trazido à ribalta da gastronomia mundial, Muñoz começou a sua carreira um pouco pelo bom gosto dos pais que com alguma frequência o levavam, ainda jovem, ao clássico madrileno Viridiana, do chef Abraham García, onde acabou por trabalhar quando acabou os seus estudos, e ao qual continua ainda hoje a prestar homenagem nos seus menus, mais tarde rumou a Londres onde acabou por trabalhar vários anos em restaurantes asiáticos como o Nobu e o Hakkasan.

Uma formação que lhe serviu de base para as suas criações, onde técnica e genialidade se combinam para criar uma experiência de choques, de sabores e até de sentimentos, em que muitos casos se ama e noutros tantos se odeia.

Dito isto, a sua “chegada” a Londres para a abertura de um StreetXO – espaço mais informal e inspirado na Street Food asiática  que abrira em Madrid em 2012, e cujo sucesso o tem tornado num dos mais concorridos da cidade – fez correr muita tinta entre jornais, críticos e opinion makers.

Pelo que não poderiamos deixar de o visitar durante a nossa última passagem por Londres. Localizado no elitista bairro de Mayfair a decoração ficou a cargo do visionário Lázaro Ros-Violàn, cujos trabalhos não deixam ninguém indiferente. Este StreetXO não é excepção, com um ambiente que recria o imaginário louco de Muñoz combinado com um pouco de club de strip e filme de ficção ciêntifica ao estilo de Blade Runner.

É impossível ficar-lhe indiferente!

Já instalados, somos pronta e alegramente acompanhados ao longo de todo o menu, enquanto a equipa aproveita para nos demonstar o seu conhecimento sobre a carta e tenta fazer sugestões que vão ao encontro dos nossos gostos. A carta divide-se em pequenos momentos de finger food e pratos para partilhar ao bom jeito da comida de rua.

A refeição começou com a chegada dos cocktails, ou não estivessemos em Londres e a Liquid Kitchen (que é como quem diz bar) do StreetXO não fosse também um ponto de arrojo e criatividade, que bem combina com a carta.

Excelentes Dry, sweet and Sour!!! e o Pineapple slow roasted over coals, que combinava vodka, arandos, balsámico e uns doces de petazetas no caso do primeiro e rum velho com abacaxi, lima e infusão de tonka no segundo.

Dry, sweet and Sour!!!

Pequinese Dumpling… 
O primeiro prato é também o primeiro choque visual causado à mesa, numa combinação arrojada de de uma gyoza, com orelha de porco crocante (que infelizmente não estava crocante em todas as peças), ali-oli com yuzu , pickles e um molho hoisin de morango. Sabores bem conseguidos, com a doçura e notas salgadas e frutadas do hoisin a realçarem-se numa combinação que teria tudo para dar errado, mas não deu. Falha numa das peças onde a orelha não estava com a crocância que se pretendia.

Steamed Club Sandwich
Um pequeno bao, cozido a vapor e recheado com leitão, ricotta, maionese de chili e ovo de codorniz. Prato picante q.b., guloso e untuoso na boca, com o ricotta a trazer frescura ao conjunto ainda que pudesse estar presente em menor quantidade. Muito bom!

Korean Lasagne XO Style
Um dos pratos mais saborosos e confortáveis do almoço, com uma ótima combinação de texturas e sabores, fruto da ligação da carne galega com o molho picante coreano gochujang, e a riqueza do bechamel. Nota alta para o contraste da massa crocante que é desfeita sobre o prato depois de servida.

Prawn5
Havendo Carabineiro na mesa estou quase feliz, quando provo e o rei dos camarões está bem tratado aí sim é momento de festa! E foi o caso neste prato de apresentação irrepreensível e conjugação de elementos. Carabineiro no ponto, doçura certa e cabeça húmida e cheia de sabor. A conjugar com várias texturas de camarão, desde o dim sum, a lascas de camarão seco e um fino e crocante cracker de camarões baby. Molho rico e saboroso, com ali-oli de açafrão, amêndoa e edamame. Um grande prato!

Por esta altura passamos ao segundo round de bebidas e decidimos optar pelas combinações mais arrojadas da carta, um Tokyo-Jerez Montril’s, numa arrojada combinação de notas fumadas do chá de lapsang, com shiso, miso, yuzu, sake e sherry acompanhado de um camarão no carvão e a sua cabeça. Outro foi the Yellow Curry,  numa homenagem de sabores e culturas que rapidamente viajou entre a Europa, Bangkok e a Índia.

A equipa por trás da “liquid cuisine”

 Yellow Curry

 Atum, Manga verde, e molhos satay, coco, tamarindo e bergamota
Aquilo que parece carne é na realidade um corte de atum junto ao pescoço, cozinhado na robata e servido com contrastes interessantes de frescura e textura dados pela manga verde e pelos molhos que nos levam numa viagem rápida às espetadas asiáticas. Irrepreensível!

“La Pedroche” croquettes…
Neste prato, a Espanha foi conhecer o Japão, com os croquetes a fazerem a parte do shari (arroz de sushi) para a montagem de um niguiri de toro (barriga de atum). Croquetes crocantes e recheados de kimchi, leite de cabra e elevado pelas notas fumadas do chá preto LapSang SouChong. Nota alta para a qualidade do atum e a conjugação, não fosse a fritura não estar perfeita e seria um grande, grande final!

Para terminar, não existem propriamente sobremesas na carta, mas foi sugerido uma espécie de sobremesa/cocktail, servida no famoso copo da pantera cor de rosa (que faz parte do universo DiverXO), à base de chocolate branco, guava, ruibarbo, morango e caril com um toque de petazetas para alegrar mais ainda o final da refeição.

Sobremesa

O serviço decorreu de forma animada, com os pratos a sucederem-se a bom ritmo, com a equipa a demonstrar conhecimento sobre a carta, boas sugestões e um ambiente geral de satisfação, que enquanto clientes nos satifaz e nos motiva ainda mais a entrar dentro do espírito do restaurante, sim é preciso entrar de alma aberta e receptivo ao choque.

Manuel Villalba é o braço direito de Muñoz neste arrojado projecto na capital inglesa

Considerações Finais
David Muñoz é um génio criativo, amado por muitos e odiado por outros tantos, mas a verdade é que por trás de toda aquela imagem de enfant terrible, Muñoz é na realidade um cozinheiro, na sua mais pura essência, é mais fácil vê-lo nos fogões dos seus restaurantes (inclusive neste StreetXO de Londres) do que numa revista, programa de Tv ou mesmo na sala a dar asas ao estatuto de celebridade.

A sua “demência” no bom sentido da palavra é demonstrada no ambiente teatral que cria em torno de uma refeição e nas conjugações imprevisíveis de ingredientes e sabores que utiliza nos seus pratos, pode não se gostar e haverá sempre pratos que resultem melhor do que outros, é certo, mas a verdade é que é impossível ficar indiferente a esta cozinha.

Um dos espaços do momento em Londres!

StreetXO Londres
Preço médio: £70 por pessoa sem vinho nem taxas
15 Old Burlington Street, Mayfair – Londres
+44 020 3096 7555
reservations@streetxo.co.uk

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Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no StreetXO a convite sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – Carousel

Quando me vem à cabeça a ideia de restaurante Pop-Up os pensamentos nem sempre são os melhores, cozinheiros inexperientes saídos de um qualquer reality show, pratos com pouco conteúdo, quer em substância quer em sabor, condições de trabalho pouco adequadas, entre muitas outras que me levam a olhar com alguma relutância para este tipo de projecto.

No entanto, em 2014, os primos Ollie, Will, Ed e Anna Templeton decidiram revolucinar esta prática, abrindo o Carousel, um restaurante com todas as suas capacidades, que promove em jeito de curadoria a permanência de diferentes chefs ao jantar a cada 15 dias. É como encontrar um restaurante novo a cada duas semanas, só que em vez do jovem inexperiente que decidiu mudar de vida depois de um programa do Gordon Ramsay, temos jovens chefs que estão no topo da sua forma, alguns deles com restaurantes em diferentes partes do mundo, outros prestes a iniciarem novos projectos em Londres, que acabam por usar o espaço em jeito de teste e apresentação, chefs como o português Leonardo Pereira, ou Elizabeth Allen que se preparava para abrir um novo restaurante depois de conquistar uma estrela michelin para o Pidgin.

Com a sua localização a dois passos do nosso hotel – Hyatt Regency London – The Churchill (ver) – e ainda que não tenhamos conseguido uma reserva para o jantar, fomos conhecer o menu de almoço desenhado por Ollie Templeton, que se baseia bem na sazonalidade dos produtos e na oferta do dia.

A sala remete-nos para um estilo rústico e industrial, bem contemporâneo, com a madeira a trazer conforto, e as longas mesas partilhadas a indicarem que aqui o objectivo não é só criar uma refeição, como também a partir dela criar uma tertúlia, com confraternização e discussão entre os comensais.

Para começar somos brindados com um dos meus momentos preferidos , o Pão (em Londres, pelo menos, já que em Portugal o bom pão escasseia), e que belo Sourdought este, da famosa padaria Bread Bread, servido depois de uma segunda cocção já no restaurante, boa a textura, o aroma e o sabor. Bem que podia ficar por aqui sem que me fosse servido mais nada além do pão, provando que afinal de contas sou um homem fácil de satisfazer, basta o melhor, como diria Sir Wiston Churchill!

O delicioso pão da Bread Bread, servido com azeite e flor de sal

Salada de Agrião, maçã, nozes e vinagrete de manteiga queimada 
Começamos com uma salada leve, com todos os elementos na proporção correcta e bem conjugados. O detalhe da cebola caramelizada e o sabor de frutos secos da manteiga elevou o prato, bastante além de uma simples salada. Belo início!

Mexilhões, alcachofra e torrada
O pão surge mais uma vez, desta feita no prato, o que é sempre um bom prenúncio. Uma arrojada combinação de sabores e texturas, do mar e da terra, com o mexilhão e a alcachofra, que tinha tudo para ser memorável, não fosse a acidez do escabeche demasiado elevada, o que acabou por dificultar um pouco o saborear de todo o jogo presente no prato.

Cavatelli, choco e gremolata 
Com este prato ganhei o dia, a cozinha de conforto das velhas Nonas italianas a ser aqui muito bem representado. Massa bem al dente e de bom sabor, delicado e saboroso molho à base da tinta de choco, e o molusco na medida e textura certa. A gremolata trouxe uma interessante frescura. Um grande prato, aqui e em qualquer parte do mundo!

Presa de porco Ibérico, salsa e pickles de chalotas 
Digamos que sou daqueles que gosta de receber o porco rosado, que é como quem diz mal passado, um crime, um insulto e um atentado à saúde pública, dirão alguns, mas a realidade é que as coisas já não são bem assim. Isto para dizer que até para mim o centro desta presa estava demasiado mal passado. Carne delicada e saborosa que se faz valer por si só e que sofreu um pouco por esse ponto (quiçá por Londres gostem dela ainda mais mal passada do que eu). Interessante ainda o contraste com o pickle e a frescura da salsa, e claro para o pão que agradavelmente substitui qualquer acompanhamento que carne a pudesse levar.

Tarte de toranja
Recheio delicado fresco e untuoso, com uma cremosidade e textura aveludada digna de destaque, a contrastar com a capa fina de açúcar queimado e a base. Um final simples, saboroso e sem um grande pecado!

A acompanhar a refeição esteve, e muito bem, um alvarinho, que é como quem diz Albariño Zarate de 2015, das Rias Baixas, cuja acidez e mineralidade são dignas de destaque. Um alvarinho de grande elegância e frescura, que acompanhou muito bem a simplicidade e frescura da refeição.

Nota ainda para a carta, assente maioritariamente em pequenos produtores internacionais com Vitor Claro e os seus elegantes vinhos Alentejanos a serem o representante Português.

O serviço, e tal como seria de esperar deste tipo de espaço, decorreu sem formalidadades, atento e descontraído. Devo dizer que a simpática funcionária me conquistou facilmente pela forma pronta com que me repunha o cesto de pão!

Considerações Finais
O projecto Carousel, nasceu para trazer um pouco do teatro e do cinema até à restauração londrina, criando um conceito em que é possível, de 15 em 15 dias, reservar no site um bilhete para um jantar diferente, com equipas diferentes, cozinhas e sabores bem distintos, mas sempre com aquela mesma sala acolhedora e familiar. É um projecto de nicho, é certo, mas um dos que vale a pena acompanhar, louvar e provar a cada nova residência, onde é certo que a cada nova visita de um chef se está de certo modo a revolucionar um pouco o mundo da gastronomia. Ao almoço, a carta traz a simplicidade e o respeito por bons produtos, aliada a preços correctos sem os habituais excessos da zona em que se insere. Um valor seguro, para um almoço confortável e despretensioso!

A nós resta-nos voltar durante uma das residências, quiçá dum dos jovens talentos portugueses!

Carousel
Preço médio:
Almoço – £20 sem vinho nem taxas
Jantar – com bilhete £40 por pessoa sem vinho nem taxas
71 Blandford Street, Marylebone – Londres
+44 020 7487 5564
info@carousel-london.com

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Fotos: Flavors & Senses

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Londres – Ametsa with Arzak Instruction

Com o Nahm a deixar um espaço vago no COMO The Halkin, depois de se mudarem de malas e bagagens para Banguecoque (ver), em 2013 nasceu o Ametsa, mais propriamente Ametsa with Arzak Instruction, um nome pouco feliz para o que se tornou a primeira saída de Juan Mari Arzak e da sua filha Elena para fora do país Basco e do seu mágico Arzak (***Michelin).

Sobre os pergaminhos dos seus criadores nada há a dizer que já não tenha sido dito, nem chegam a Londres com a necessidade de provar algo seja a quem for, no entanto sempre que um chef “celebridade” chega à cidade, mais ainda em jeito de consultoria, há questões que se colocam, principalmente sobre a capacidade de um espaço respeitar a identidade e a filosofia de um chef sem que o mesmo esteja na cozinha. Para isso os Arzak trouxeram até Londres alguns dos elementos chave da sua equipa de investigação e cozinha, Mikel Sorazu, Igor ZalakainXabier Gutierrez, para que nada fosse deixado ao acaso.

A decoração respeita a modernidade da cozinha, com uma sala branca com detalhes metálicos, onde o recurso à madeira nos traz algum conforto, tornando a sala menos fria e mais acolhedora. De notar ainda o detalhe especial do tecto, repleto de milhares de tubos de ensaio cheios com especiarias – um bom detalhe, que merecia ser mais explorado por quem nos recebe.

Já instalados, fomos mais uma vez recebidos em alto e bom português (os nossos jovens emigrantes estão por todo o lado!), um detalhe que nos deixa sempre rendidos e que bem ajudou a perceber os detalhes de todos os pratos.

Depois de um excelente Sourdough e de um ótimo pão integral com sementes de abóbora mergulhado num azeite fresco, herbáceo e picante, seguiram-se as clássicas boas vinda do chef.

 As boas vindas do Ametsa

Começando pelo Rascasso com massa kataifi ,  um clássico que há anos é apresentado nas boas vindas do Arzak, prestando assim uma espécie de homenagem à casa mãe, o peixe é transformado numa espécie de bolo bem preparado, com bom sabor e textura que contrasta bem com o exterior crocante da massa kataifi. Segue-se um Tubo de ensaio de Presunto ibérico, a mostrar todo o rigor técnico  da vanguarda espanhola, mas onde o bom jogo de texturas sofreu com a falta de sabor a presunto.

Por fim provou-se um Donut de Sardinha, com excelente apresentação, mas com uma massa muito densa, fazendo com que o sabor da sardinha se perdesse um pouco. Ótimo o contraste do pickle de cebola e molho de trufa.

Em suma, um início com altos e baixos, mas a deixar antever um bom nível para o que se seguiria.

No copo, abrimos as hostilidades com um Jerez, Delgado Zuleta Monteagudo Oloroso, um vinho bem gastronómico, de cor âmbar e notas acentuadas de frutos secos e madeira, na boca a sua secura e suavidade contrastam bem com a intensidade e profundidade do seu final de boca.

Carabineiro, espinafres e flor de laranjeira
Para entrada foi-nos sugerido um carabineiro, de textura e cocção irrepreensível, bem conjugado com as especiarias e a frescura do gel de flor de laranjeira. Uma combinação de elementos improvável que resultou muito bem!

Robalo com escabeche de banana
Um prato cuja combinação algo tropical rapidamente me remeteu para os pratos de peixe com banana e maracujá da ilha da Madeira. Aqui a mostrar mais uma certa influência de outras latitudes, com uma viagem pela Ásia e a América Latina. Muito bom o sabor e a confeção do peixe, assim como o contraste de sabores e texturas da banana.

A harmonizar esteve um branco da Rioja 2015 – Tierra, um vinho de nuances douradas e aroma de fruta branca, cítrica e um pouco de madeira em excesso, a revelar na boca um caminho suave, com uma acidez que funcionou bem com o prato.

Veado com Longan
Excelente apresentação em mais uma conjugação de inspiração asiática com o recurso ao Longan, que trouxe um lado agridoce mas fresco ao acompanhamento do veado. A carne foi o elemento menos interessante, muito por culpa do ponto de cocção que poderia ser um pouco mais baixo. Nota alta para o molho de cardomomo e as notas do creme de pimento.

No copo viajou-se até Bierzo com um Xestal 100% Mencia de 2009, um vinho concentrado, repleto de fruta escura, estruturado na boca e com um longo final. Uma conjugação interessante para a riqueza do prato.

Limpa palato

Como limpa palato viajamos até ao Irão com um doce inspirado no Limu Omani, que é como quem diz as limas/limões secos preparados para se tornarem uma especiaria de notas cítricas e avinagradas. Aqui foram recreados através de um ótimo curd de limão coberto com chocolate e a beneficiar do aroma intenso das “verdadeiras” Limu Omani.

Trufa Gigante
A sobremesa é já um clássico do Ametsa, uma, aparentemente, gigante trufa de chocolate, que é depois regada com um molho de chocolate fazendo-a desfazer-se ao nossos olhos enquanto as várias texturas de chocolate e o cacau se combinam. Um pecado que toca bem no coração de qualquer apaixonado por chocolate e que se torna melhor ainda com as notas de Cointreau.

Petit Fours

 Para finalizar uma já longa refeição os petit fours viajam entre sabores de chocolate, pistácio e framboesa.

O serviço de sala correu lindamente, com um subtil toque de informalidade bem equilibrado com o rigor e conhecimento de um restaurante estrelado.

Considerações Finais
A marca dos Arzak na vanguarda espanhola está bem patente na cozinha deste Ametsa, obviamente ninguém pode esperar que um jantar aqui seja como uma viagem até San Sebastian, com Elena e Juan Mari ao comando das brigadas e a espalhar o seu charme pela sala enquanto falam com clientes e explicam as suas criações. Espera-se sim uma boa aliança entre contemporaneidade de decoração, bom serviço de sala e uma cozinha criada com pés e cabeça, e alguns pratos memoráveis.

Ametsa with Arzak Instruction
Preço médio: £70 por pessoa sem vinho nem taxas
Halkin Street  – Londres
+44 020 7333 1234
ametsa.thehalkin@comohotels.com

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Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Ametsa a convite do grupo COMO sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Hyatt Regency – The Churchill

O meu encanto pelo grupo Hyatt confirma-se e sedimenta-se a cada estadia num novo hotel. E assim se verificou neste renovado Hyatt Regency London – The Churchill, durante mais uma agradável passagem pela cidade de Londres.

Como o próprio nome indica, este hotel foi desenhado para transmitir uma autêntica homenagem ao honorável Winston Churchill e a todo o seu legado.

Situado numa das zonas mais nobres da cidade, mais propriamente em Portman Square, o hotel está próximo de alguns dos locais mais mediáticos de Londres, como o Hyde Park, o British Museum ou as principais lojas de departamento da cidade.

Primeira Impressão
Um edifício imponente numa praça requintada, repleto de funcionários atentos à nossa chegada. Mal o carro parou abriram-nos a porta e fomos logo agraciados com um Good Morning Madame!


Entramos sem demoras no hotel e deparamo-nos com um Lobby enorme, extremamente elegante, decoração clássica e colonial com pormenores modernos e repleto de arte em cada recanto. A azáfama típica deste tipo de hotel urbano e financeiro dá-lhe um certo carisma, apesar de toda a confusão que se instala.

Fomos rapidamente encaminhados à receção e o check in foi feito sem demoras enquanto bebemos uma água aromatizada.
O hotel passou por uma fase de renovação, que se iniciou em 2014 e se estendeu até 2016 e que o transformou num hotel muito mais sofisticado e atual, mas sem nunca perder a sua identidade e tradição, até porque, esta remodelação teve como ajuda, nada mais nada menos, que os familiares de Winston Churchill

Quartos
Contam-se 440, e são de quatro tipos, o Standard, o View, o Regency Club e as Suites – Saatchi, Churchill, Presidential e Royal.

À medida que íamos caminhando para o nosso quarto pude aperceber-me da elegância dos corredores, o chão com carpete sedosa e diferentes padrões, sempre de aspeto sóbrio, e um papel de parede com diferentes texturas a combinar na perfeição com o chão.

  As boas vindas ao Hyatt Regency

Ao longo dos corredores é também possível verificar a componente tecnológica da renovação de todo o hotel, nas paredes podemos encontrar ecrãs onde vai passando informação sobre o hotel, quer informação geral, quer informação sobre os diferentes eventos e conferências a acontecer nesse dia ou nos seguintes.

Ficamos num quarto do tipo View, ou seja, com vista direta para o jardim de Portman Square. Mal entrei pude perceber os tons neutros, numa decoração sóbria, elegante e ao mesmo tempo contemporânea, sendo que o conforto era a palavra de ordem.


À nossa espera estava um verdadeiro festim! Diferentes snacks, vinho e um presente, um livro com frases mediáticas de Winston Churchill. À nossa disposição encontravam-se também, chá, café e água que se mantiveram ao longo de toda a estadia.


A casa de banho foi a protagonista do quarto, ou não tivesse ela uma Sanita TOTO! Nunca sei para que servem aqueles botões todos, mas carrego em tudo(!) e aquele assento aquecido “mata-me”! Só se é verdadeiramente feliz depois de se conhecer esta sanita! Além disto, o roupão era do mais sedoso e confortável que já experimentei, e os produtos de higiene da marca Pharmacopia fizeram as delícias do meu banho! A casa de banho mantinha a mesma decoração do quarto e era adornada com um mármore em tons escuros lindíssimo.

 A famosa sanita da TOTO

Restaurante Montagu

Restaurantes/Bares
Este é um dos expoentes máximos do Hyatt Regency London – ou não estivessemos a falar de um hotel em Londres. Quer para os hóspedes quer para o público em geral, que fica deliciado quando passa pelo hotel e observa um dos mais bonitos jardins de Inverno que existem na cidade de Londres. Estou a falar-vos do The Churchill Bar & Terrace.

The Churchill Bar & Terrace

Inspirado no digníssimo Winston Churchill e na sua esposa Clementine, este bar oferece-nos cocktails de assinatura já muitas vezes premiados, uma variedade enorme de Gin, água tónica caseira, e um ambiente que tem tanto de boémio como de clássico. O espaço apresenta também um menu de charutos, que faz as delícias de apreciadores deste tipo de opções.


Assim, o espaço apresenta uma decoração extremamente luxuosa, podemos encontrar imensos livros com conteúdos que preenchiam os momentos de ócio de Churchill, e ainda pequenos pormenores que nos remetem para o amor entre Churchill e Clementine.

O ex libris deste espaço é o seu terraço ou jardim de Inverno. Um dos locais mais bonitos que vi ao longo desta viagem a Londres. Em tons de branco e cinza, com aspecto rústico e elegante a mesclarem-se na perfeição. Este espaço está sempre cheio, quer de hóspedes quer de locais, e percebe-se perfeitamente porquê!

Outro dos espaços gastronómicos do hotel é o Locanda Locatelli, um restaurante italiano premiado com uma estrela Michelin, mas que infelizmente não tivemos oportunidade de experimentar, mas quem conhece tece críticas bastante positivas.

 The Cheese and Wine Experience 

Por último mas não menos importante temos o Montagu. Um dos principais espaços do hotel, num ambiente que muito aprecio, o de open-kitchen. Este espaço tem uma decoração bem clássica, com pormenores modernos e com um ambiente de sala de jantar real, ou não tivesse sido ela inspirada na cozinha e sala de jantar de Chartwell, a casa de campo de Churchill!

 Pequeno almoço no Montagu

Neste espaço servem-se todas as refeições ao longo do dia, desde o pequeno-almoço – e que pequeno-almoço – ao almoço e jantar. Além destas já habituais refeições, podemos também experienciar o Sunday Champagne Brunch – que como o próprio nome indica tem champagne ilimitado logo pela manhã! – o New York Italian-Style Brunch que se realiza aos sábados, e o Afternoon Tea com o tradicional chá das cinco bem ao estilo inglês.

The Cheese and Wine Experience 

Uma das experiências que tivemos, e que não poderia ter sido mais perfeita, foi algo que o hotel realiza há poucos meses que é o The Montagu´s Cheese and Wine Corner, que nos apresenta uma experiência memorável que pretende trazer à memória os hábitos de Winston Churchill, com a sua preferência por grandes vinhos e grandes queijos (forma como normalmente acabava as refeições).

Assim, aqui tivemos a oportunidade de provar cinco opções de queijo, 20g de cada um, acompanhados com pão de excelente qualidade, fruta, doces e compotas produzidas no hotel, frutos secos, tostas e uns enchidos incríveis. Tudo isto foi harmonizado com vinho, o Nyetimber Classic Cuvee que exprime uma combinação perfeita de intensidade e delicadeza, que harmonizou lindamente com todos os queijos, e o Chablis Domaine Long-Depaquit cuja elegância o transformou igualmente no par perfeito para os queijos.

Nota alta ainda para o Solera 1847 Oloroso, um belo Jerez.

Destaque para a qualidade superior dos queijos de pequenos produtores bem afinados pela La Fromagerie, a mostrar que nem só de Stilton vivem os grandes queijos ingleses. Excelentes texturas, excelentes aromas e ótimos sabores a mostrarem um cuidado bem acima da média no que diz respeito a tábuas de queijo em hotéis.

Serviços
O Hyatt Regency London é um hotel para todos os gostos e para todas as necessidades, consegue ter a versatilidade de ser não só um hotel de negócios mas também, e ao mesmo tempo, um local onde nos apetece estar durante a nossa estadia em Londres.

Sem dúvida, que à primeira vista é nitidamente um Business Hotel, ou não fossem todas as suas facilidades coincidentes com esta designação, patentes por exemplo no seu Business Centre, com 12 salas específicas para isso, nos seus generosos 627m2!


Mas, estes mesmo espaços servem não só os negócios mas também o entretenimento, e as comemorações especiais, sim porque este hotel também pode ser o local onde dizemos o tão aguardado “I do!”, numa festa de casamento capaz de enaltecer qualquer relação amorosa.

O que precisarmos o hotel garante, e é isto que faz do Hyatt Regency um dos hotéis mais importantes da cidade de Londres.
Como o hotel fica muito bem localizado, uma das opções perfeitas é a visita a vários pontos de destaque na cidade, como o Hyde Park, ou um tour pela National Gallery, ou o imperdível British Museum, ou até mesmo seguir a linha Churchill e visitar as Churchill War Rooms, que devo dizer-vos, é um dos meus locais preferidos em Londres (ver).

Se a vossa preferência forem as compras, têm sempre a Bond Street, a Oxford Street ou a Regent Street muito próximas ao hotel.

O hotel possui também um Fitness Center, pequeno mas bastante dinâmico, aberto 24h por dia. Para mim não foi o ideal pois apresenta demasiados equipamentos de Cardio, e nenhum de musculação, pelo que o meu treino durante a estadia se tornou um pouco limitado (sim, porque eu agora já sou uma viciada nestas coisas!).

O hotel não possui Spa, mas é possível agendar uma massagem no quarto, sob pedido.
O hotel possui também serviço de Limusine disponível sob pedido, e transporte de e para o aeroporto sob as mesmas condições.

Para quem gosta de viajar com animais saiba que o hotel não é Pet Friendly, a não ser para animais de serviço.

O Hyatt Regency London apresenta também WIFI gratuito para os seus hóspedes, serviço de lavandaria e serviço de quartos 24h por dia.

Atendimento
O Hyatt é um grupo que nunca desilude no atendimento, as equipas possuem uma formação que garante uma educação e cuidado que agradam qualquer hóspede.

Desde o momento que chegamos ao hotel que fomos acompanhados sempre com carinho, com sorrisos, e com profissionalismo.

A nossa experiência no restaurante foi memorável, a equipa que nos acompanhou durante a Cheese and Wine Experience no Corner do Montagu foi duma simpatia que não dá para colocar em palavras, e tivemos uma surpresa maravilhosa, um dos funcionários, o Zé, era transmontano como o João, super genuíno, como qualquer bom transmontano, e amoroso, assim como a restante equipa.

Porque uma estadia num hotel não é só feita de atividades, serviços, gastronomia ou experiências palpáveis, é feita de pessoas, de pessoas que passado anos ainda estarão nas nossas memórias e nos farão sorrir como se estivéssemos no momento presente.

Obrigada Hyatt por mais uma estadia memorável, e obrigada Sir Winston Churchill por inspirar um espaço tão meticulosamente agradável.


Até breve Londres, até breve Hyatt Regency London – The Churchill!

Hyatt Regency London – The Churchill
Quartos a partir de 400€
30 Portman Square – Londres
+44 (0)20 7486 5800

 English Version

 Fotos: Flavors & Senses

Nota
Estivemos no Hyatt Regency London – The Churchill a convite do grupo Hyatt, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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Londres – Eneko at One Aldwych

Londres é cada vez mais uma meca gastronómica, sendo não só um destino apetecível para todos os gastrónomos como também para os chefs que por lá se vão estabelecendo ou abrindo espaços – veja-se o caso de Heston Blumenthal, Daniel Boulud, a família Arzak, David Muñoz, Anne-Sophie Pic, Virgilio Martínez, Alain Ducasse ou Pierre Gagnaire, só para citar alguns.

A verdade é que chega a tornar-se difícil acompanhar toda essa azafáma na cena gastronómica Londrina, onde uma das mais recentes aberturas serviu de pretexto para uma rápida visita à cidade e a um hotel onde já tinhamos sido muito felizes, o One Aldwych, bem no coração de Covent Garden (ver).

Depois de cerca de dois anos de negociações e obras, o contemporanêo Boutique Hotel recebe o Eneko at One Aldwych, que como o nome indica, traz a Londres a cozinha do Basco Eneko Atxa (*** Michelin no seu Azurmendi e uma presença constante no guia The World’s 50 Best).  Uma “contratação” de luxo que durante muito tempo colocou os holofotes de olho na abertura deste espaço.

A sala de jantar do Eneko at One Aldwych*

Para esta abertura nada foi deixado ao acaso, desde a arrojada decoração entregue à famosa Casson Mann, que presta homenagem à origem industrial do edíficio do One Aldwych (que fora durante o século passado sede do jornal Morning Post), onde não falta um toque de País Basco com os sofás em tom de pimenta de Espelette, mobiliário desenhado especificamente para o espaço e uma combinação arrojada de texturas que torna o amplo espaço moderno mas simultaneamente acolhedor.

Todo este trabalho tem o seu auge mal passamos pela porta e começamos a descer a escadaria (digna de Reis e celebridades que gostam de vincar a sua entrada) e passamos primeiro pelo bar, onde à boa maneira basca é possivel degustar alguns Pintxos com Txakoli ou cocktails de assinatura, criados especialmente por Pedro Paulo para o restaurante.

Já instalados numa ampla e confortável mesa, demos início à nossa experiência.

E começamos muito bem, com uma ótima selecção de pães – com destaque para o sourdough – e uma deliciosa manteiga com manjerição e cebolinho que é combinada na mesa com bonito almofariz – um início simples e bem eficaz, que combinou na perfeição com o cocktail French 75 , uma criação que juntava Gin Mare, ervas frescas, limão e Cava.

Memórias da Baía de Biscaia
A cozinha deste Eneko, não é uma adaptação londrina do Azurmendi, é um espaço com a sua própria identidade, bem mais simples e informal onde o chef basco quis prestar homenagem às suas raízes. Um bom exemplo disso é esta primeira entrada “Memórias da Baía de Biscaia”, onde procura trazer a intensidade e os sabores do mar, tão populares por aquelas bandas. Para isso recorre a algas e gelo seco (sim ainda faz furor em 2017) para servirem de base a um ótimo caranguejo (provavelmente uma navalheira a julgar pelo tamanho) com molho armoricaine com toda a carne a ser servida dentro da carapaça, cheio de sabor a mar e uma elegante doçura.  A ostra soberba, com uma boa emulsão de plankton e um excelente tártaro de camarão com ovas de arenque servido dentro de um ouriço de porcelana. Um belo início!

Parfait de Foie, compota de maçã com Txakoli 
Outra interessante apresentação, com parfait a ser servido dentro de uma bonita maçã de porcelana. Nota alta para a frescura e combinação de sabores da maçã verde envolvida em vinho Txakoli e a textura e gordura do parfait. Boa nota também para a massa crocante que traz mais uma textura ao conjunto. Trocaria era facilmente as tostas de uma éspecie de sablée salgado pelo pão de sourdough!

Pescada, Pimentos vermelhos e emulsão de salsa
A amada pescada dos bascos, conheceu aqui uma “adaptação à Inglesa” em jeito de Fish & Chips. Mas o prato é muito mais do que isso, é uma tempura irrepreensível – seca e bem crocante, e uma pescada mais do que perfeita – húmida e cheia de sabor. Bom apontamento dado pelo confit de pimentos que nos traz alguma carga e sabores da terra, mas aqui o destaque vai todo para a pescada, provavelmente o melhor pedaço de peixe frito que alguma vez comi!

 Rabo de Boi, emulsão de cogumelos
Apesar de ser um dos meus “cortes” fetiche, foi o prato que menos me surpreendeu. Apesar de visualmente irrepreensível e da fantástica emulsão de cogumelos, o desfiado de carne passou um pouco do ponto de suculência ideal e o conjunto tornou-se demasiado doce. Faltou um elemento ácido ou um acompanhamento que equilibrasse a balança.

Arroz de cogumelos 
Um arroz bomba, bem caldoso, cozinhado no ponto, e rico no sabor a cogumelos que é ainda elevado pela emulsão de cogumelos que lhe serve de topping. Um grande, grande arroz!

Marshmallow de Rosa, Sorvete de morango
Uma sobremesa bem ao meu estilo, leve e fresca sem muitos elementos e com algumas texturas. Fantástico o gelado de morango de textura aveludada ao bom jeito da pacojet, bem conjugado com os morangos frescos (estranhamente bons dada a altura do ano) e a espuma de morango juntamente com a leveza do marshmallow e as láminas de rosa. Muito boa a combinação dos sabores e aromas florais e frutados!

 Mousse de caramelo salgado, crumble de bolacha e gelado de leite de ovelha
Uma sobremesa bem mais pecaminosa ainda que com a doçura bem equilibrada. Excelente a mousse, fantástico o gelado, numa boa conjugação de elementos e texturas. Belo final!

A carta de vinhos, não sendo enorme, apresenta uma excelente seleção de vinhos espanhóis com muitas opções a copo. No nosso caso, optou-se por um vinho da Rioja, 100% Tempranillo (que é como quem diz a nossa Tinta Roriz) R & G de 2011, com notas de madeira, baunilha, fruta vermelha madura e várias especiarias. Na boca este vinho de Rolland Galarreta revelou algumas notas da tosta, um corpo médio, muita fruta e uns taninos bem marcados, um vinho moderno que segue as tendências mais atuais, mas que não me satisfaz pessoalmente. A hamonização foi particularmente feliz com o rabo de boi, o arroz de cogumelos e o confit de pimentos.

O Serviço de sala esteve mais do que à altura da refeição, demonstrando celeridade, simpatia, boas sugestões e um excelente conhecimento da carta apresentada.

Considerações Finais
Antes de pensar em marcar uma mesa neste Eneko at One Aldwych é importante evitar um erro em que muitas vezes se cai quando um nome como o de Eneko Atxa abre um novo restaurante, o excesso de espectativas. Isto porque a ideia não foi, nem é, criar um “novo” Azurmendi, mas sim abrir um novo conceito, bem mais informal, sem complexidade e claro, sem a estrutura e preços de um 3 estrelas . O selo do chef está bem patente, não só nas apresentações e técnicas como nas combinações de sabores e na inspiração basca que é aqui a sua principal base.

Posto isto, este Eneko é uma das novas grandes opções na zona de Covent Garden, a carta aparentemente simples tem detalhes de risco e inovação e algumas coisas que vivem na perfeição, como foi o caso da Pescada que tão cedo não esquecerei!

Visita obrigatória!

Eneko at One Aldwych
Preço médio: £40 por pessoa sem vinho nem taxas
1 Aldwych  – Londres
+44 20 7300 0300
eneko@onealdwych.com

English Version

Fotos: Flavors & Senses / * foto de divulgação

Nota
Estivemos no Eneko a convite do One Aldwych Hotel, sendo que isso em nada altera o nosso trabalho cuja opinião e o texto são da exclusiva responsabilidade do seu autor.

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