Terra

O Filho do meio de Vasco Mourão é já um jovem adulto e bem formado. Nascido como uma extensão do Cafeína, o Terra é hoje um espaço com vida própria, com a sua clientela fiel e a sua marca. Partilhando o mesmo chef, Camilo Jaña, o Terra partilha também o mesmo conceito e alguns pratos com o Cafeína, a verdade é que em conceito vencedor não se mexe. A grande diferença e um ponto que tem tornado famoso o Terra, é a sua carta de Sushi e um balcão onde os lugares são acerrimamente disputados. O espaço é bastante acolhedor, com uma decoração que pretende fazer-nos sentir em casa, com destaque para uma varanda camuflada de jardim.

Começamos a refeição com um dos melhores couverts da cidade, bom pão e grissinis, boas azeitonas e um ótimo queijo fresco com pesto.

Uramaki Negui Maguro (4€)
Ou como quem diz, rolo invertido de cubos de atum e cebolinho. A carta de sushi do Terra é extensa e de alta qualidade e está disponível tanto no sushi-bar como no restaurante. Estes rolos de técnica e aspecto simples, revelaram-se fantásticos, com um atum maravilhoso e o arroz perfeito. Um must.

Fondant de mozzarella com presunto de parma e legumes (7,5€)
Um bom queijo mozzarella envolvido em finas fatias de presunto de parma, levado ao forno até derreter um pouco e transformar a sua textura como o dito “fondant”. Uma entrada simples, onde o destaque é claramente os bons ingredientes e a boa mescla que criaram. De negativo apenas o molho em excesso que tornava a rúcula um pouco ensopada.

Mil Folhas de alheira e maçã (6,5€)
A alheira é sempre o meu enchido de eleição sendo quase sempre escolha assente quando figura das entradas de uma carta. Aqui bem trabalhada entre camadas finas e crocantes de massa, criando um bom jogo de sabores e texturas. Apenas faltavam os grelos no lugar dos espinafres, mas está a chegar essa época.

Bacalhau à Dilma (18,5€)
Infelizmente foi necessária a visita da Presidente Dilma para colocar a cozinha de Camilo Jaña na imprensa. No entanto, este bacalhau confitado com Aioli já fazia parte dos seus pratos mais reconhecidos há algum tempo. Uma mescla de bacalhau com broa, com bacalhau gratinado ou à Braga, resulta num bacalhau cozinhado na perfeição e com uma batata frita eximia onde também outros elementos contribuem para recriar a cozinha portuguesa pela mão de um chileno. Excelente.
Magret de Pato, risotto de cogumelos e creme de foie gras (18,5€)
Magret cozinhado no ponto desejado, excelente e intenso risotto de cogumelos e um delicado molho de foie que fazendo-se sentir não se sobrepunha aos restantes elementos do prato. Não sendo uma opção para todos os palatos é sem dúvida um prato forte e pesado  com grandes sabores e ideal para os tempos frios que ai vêm.

Pão de ló de chocolate e sorbet de framboesa (6€)
Um magnifico pão de ló do estilo alfeizerão, trabalhado com chocolate e cozinhado de forma magistral. O sorbet e o molho de frutos vermelhos cumprem bem o seu papel trazendo a frescura e as notas ácidas necessárias.

Tarte de Limão Merengada (6€)
Uma das melhores tartes merengadas que já provei, o merengue com uma camada exterior de suspiro traz o elemento crocante, normalmente inexistente nesta tarte. Não tendo a melhor das apresentações é sem dúvida uma ótima sobremesa que mostra mais uma vez o dote que a cozinha do Terra e Cafeína têm para as sobremesas, e em especial as tartes e bolos que normalmente são tão mal tratados nos restaurantes.

A carta de vinhos, em formato Ipad, é extensa, com preços correctos. Optamos por um Branco Quinta do Vallado 2010 (15€) que cumpriu bem o seu papel.

O serviço é, à semelhança do Cafeína, de grande qualidade, simples, atento quanto baste e sem falsas simpatias, ali o objectivo é que o cliente se sinta em casa, mesmo com o espaço cheio numa mescla de clientes habituais e turistas.

Considerações Finais
Na cozinha rege-se a mesma norma que no Cafeína, pratos que não sendo inovadores, são feitos com grande rigor e com elevados padrões de qualidade, aqui surge ainda um dos melhores Sushi-bar’s da cidade para aumentar a oferta do Terra. Vasco Mourão continua a somar pontos ano após ano como o melhor restaurateur da cidade e Camilo Jaña marca pontos numa cozinha consolidada. O Terra vale pela sua cozinha, pela sua decoração e pelo seu conceito, um espaço que merece ser visitado e revisitado. Ao almoço podem encontrar bons menus a 18€ com entrada, prato e sobremesa. Até à próxima.

Terra
Rua do Padrão, 103, Porto
+351 226 177 339 | +351 226 175 171

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4 Comments

  1. DF
    Posted Outubro 17, 2012 at 10:44 am | Permalink

    Antes de mais, é com grande prazer que leio as suas críticas gastronómicas, que considero serem das mais objectivas e detalhadas a nível nacional, revelando um bom grau de conhecimentos gastronómicos, algo que falha quase sempre na blogosfera.

    Sendo natural do Porto e um apreciador de sushi, o Terra é um dos meus restaurantes predilectos, e que frequento tão assiduamente quanto possível, pelo que me sinto no direito (será dever?) de lhe deixar algumas recomendações.

    Numa próxima visita prove o Sushi Freestyle, onde a meu ver os sushimen conseguem verdadeiramente brilhar, e o Fondant de Caramelo, que apesar de ser uma sobremesa muito gulosa devido à doçura do caramelo, é sem dúvida o ponto alto no que à carta de sobremesas (do Terra) diz respeito. O Pão-de-Ló de Chocolate, a última adição à carta vem, a meu ver, em segundo lugar, a par do Fondant de Chocolate.

    Cumprimentos e continuação de boas experiências gastronómicas,

    DF

    • Posted Outubro 19, 2012 at 9:56 am | Permalink

      Boa dia David,

      Antes de mais, muito obrigado pela sua opinião e pelos elogios. No que ao Terra diz respeito, conheço o Fondant do vizinho do lado, que julgo ser semelhante. Quanto ao sushi ficará para uma próxima visita =).

      Atentamente,
      João Oliveira

  2. Posted Outubro 17, 2012 at 9:34 pm | Permalink

    Um dos meus restaurantes… e há tanto tempo que não vou lá. Fiquei com mais saudades. E já levo também as dicas do(a) admirador(a) DF 😉 Quem sabe e já provou só pode dar bons conselhos! Obrigada João !
    Babette

    • Posted Outubro 19, 2012 at 10:01 am | Permalink

      Olá Babette,
      É sempre bom voltar onde se costuma ser feliz.

      João

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